Duas Pestinhas em Minha Vida
4 Troublemaker
Notas iniciais
Vocês não imaginam o quanto foi difícil tirar aquela tinta da minha cara. Para vocês terem uma noção, na manhã seguinte ao “incidente”, eu ainda estava tirando resquícios da caneta do meu rosto e Virgo ria discretamente da minha situação. Wendy havia me ligado ontem à noite para pedir desculpas, ela disse que não é de seu feitio se comportar daquela maneira e que havia se deixado levar por Mavis, já Mavis, no fundo da ligação, havia gritado que não se arrependia de nada.
– Parece que você nunca volta intacta para casa quando se encontra com a menina Vermillion, não é mesmo, Hime?
– É o que parece, não? – respondi sem muito humor enquanto lavava meu rosto pela quinta vez.
– Será que Natsu-san está tendo o mesmo problema para tirar essa tinta?
– Não faço ideia, e pouco me importa também.
Não via Natsu desde a faculdade, não que eu o tivesse procurado, ele também não parecia estar muito a fim de me ver, e sinceramente, era melhor assim. Aquela noite de terror na casa das pestinhas foi mais do que o suficiente para eu perceber o quanto ele ainda mexe comigo, e se eu quero seguir em frente e superar de vez isso, preciso parar de me preocupar com o que acontece ou não na vida dele.
Um estrondo vindo do quarto de meu pai me tirou de meus devaneios. Eu e Virgo nos entreolhamos e corremos imediatamente para lá, nos deparamos com meu pai caído no chão.
– PAI!
– Senhor Jude!
Corremos imediatamente até ele com o coração na mão, mas me acalmei quando vi que ele estava consciente e tentava se levantar. Eu e Virgo o ajudamos a ficar em pé e o colocamos sentado e sua cama.
– O que aconteceu, senhor Jude?
– Foi apenas um descuido, não se preocupem. – falou esfregando os cotovelos.
– Tem certeza, pai?
– Sim, estava distraído e tropecei na cadeira do computador.
Suspirei aliviada. Temi que estivesse com algum problema de saúde, e definitivamente não quero que isso aconteça, não foi fácil ver a mamãe adoecer, e sua perda foi horrível, não suportaria que o mesmo acontecesse de novo.
– Você precisa ter mais cuidado, pai, anda bastante distraído ultimamente.
– Precisa relaxar um pouco, senhor Jude, o trabalho vem te estressando muito, não?
– Tem razão Virgo. – foi a vez de meu pai suspirar. – Poderia me trazer um chá, por favor?
– Sim senhor.
Assim que Virgo se retirou, me aproximei de meu pai e toquei seu ombro.
– Está tudo bem mesmo, pai? É aquela Daphne de novo?
– Exatamente. Mas não se preocupe, logo resolverei isso, ok?
– Se o senhor diz...
Daphne Blake era uma funcionária na Contabilidade que meu pai era gerente. Ela era sobrinha do dono da rede e estava lá a pedido do próprio dono. De longe não era a funcionária mais prestativa e vivia importunando os colegas para comprar seus produtos. O fato de não poder demiti-la estava testando muito a paciência de meu pai, e isso está me preocupando, temo que ele desenvolva algum problema de saúde por conta de estresse.
– Aqui está, senhor Jude. – Virgo voltou com uma xícara de chá.
– Obrigado Virgo. E Lucy, não está atrasada?
Arregalei os olhos e chequei rapidamente meu celular. Mas que droga, preciso correr! Engoli meu café da manhã na velocidade da luz e voei pelas escadas do prédio, já que o elevador estava em manutenção, logo hoje eu definitivamente não poderia me atrasar!
[...]
– 8.9, Lucy! Isso é incrível! – Juvia comentou enquanto andávamos pelos corredores do prédio. O professor da segunda aula estava viajando para um congresso, portanto, estávamos com o segundo horário livre. – Agora não precisa mais se preocupar em pegar uma final nessa matéria.
– Nem me fale, você não sabe o alívio que estou sentindo por isso! Mas então, mudando de assunto, quem será a menina nova?
– Não sei, nunca tinha ouvido aquele nome e entrou hoje para a chamada, pelo visto ela só deve aparecer na semana que vem...
O corredor estava estranhamente movimentado para o horário, mas não nos importamos com isso, continuamos andando e conversando ainda sobre a tinta na minha cara de ontem, até que passamos em frente à sala de um de nossos professores, que por acaso, era professor orientador de Juvia.
– Lucy, Juvia precisa falar com o professor sobre minhas horas complementares, te encontro depois?
– Claro, até depois.
Andei sem rumo por um tempo pelos corredores, estava considerando até passar na cantina e comprar algum doce, até que uma voz estridente cortou os corredores.
– LULU! — Droga, era o Dan!
Entrei na primeira sala que vi e me escorei na parede, esperando ele ir embora. Quando já não era mais possível ouvir sua voz, olhei em volta, estava na biblioteca. Até que não foi uma má escolha, passaria o tempo aqui até que a próxima aula começasse. Fui à sessão de história e comecei a procurar por livros de mitologia geral, foi irritante no começo apenas encontrar livros de mitologia greco-romana, nada contra elas, mas definitivamente não as únicas mitologias que existem, e no momento eu queria mitologia nórdica ou celta. Depois procurar bastante, finalmente encontrei um único exemplar esquecido na prateleira, mas quando o toquei, outra mão o tocou junto.
Me surpreendi com a pessoa que queria o mesmo livro, uma garota muito parecida com Lisanna me encarava, a diferença estava em seus olhos castanhos. Olhando melhor, ela não era tão parecida assim com Lisanna, seu tom de pele era um pouco mais escuro, seus traços eram um pouco diferentes e seu cabelo também era de um tom mais acinzentado, sem falar de que usava uma flor na cabeça, Lisanna definitivamente nunca usaria.
– Ah, me desculpe, pode ficar. – ela disse quando soltou o livro.
– Sem problemas, eu só queria por curiosidade, pode ficar.
Ela sorriu para mim e estendeu sua mão.
– Yukino Aguria, você é...? – Esse nome fez cócegas em meu cérebro, já o ouvi em algum lugar...
– Lucy Heartphilia, é uma prazer.
Após as devidas apresentações, Yukino ficou com o livro, então começamos a conversar a respeito do livro e nos conhecemos melhor. Descobri que Yukino veio parar aqui, na Universidade Magnólia, por uma transferência e que era seu primeiro dia. Disse que não se adaptou à faculdade que estava antes, que era longe demais de sua casa e estava saindo muito cara aquela rotina. Era uma garota bem simpática e graças a ela, o tempo voou e quando dei por mim, já estava na hora da próxima aula.
– Vou indo agora, vai começar a aula mais tensa do século.
– Ah Lucy, posso te pedir um favor antes? – perguntou meio sem graça.
– Fala aí.
– Ainda não sei qual é a minha sala, pode me ajudar?
– Claro, qual o seu curso e em que período está?
– Adm, 3° período.
– Ah, você é a novata da minha turma que não apareceu pra aula! – exclamei e ela corou com meu comentário nada apropriado. – Er.. Vamos indo? Você não vai querer se atrasar para essa aula.
Conseguimos chegar pouco antes do professor entrar, a apresentei para Juvia que a recebeu muito bem, então o professor entrou e a sala inteira se calou. Começou a fazer a chamada com um tom de voz inquisidor e logo em seguida jogou em cima de sua mesa uma tese de doutorado que queria que trabalhássemos naquele dia e apresentássemos na semana que vem, valendo um terço da nota do semestre. Todos suaram frio com a proposta, principalmente Yukino por ser nova. Entende agora porque não iriamos querer nos atrasar para essa aula?
[...]
No intervalo para o almoço, eu e Juvia mostrávamos a faculdade para Yukino enquanto seguíamos para o restaurante universitário, lá encontraríamos o resto do pessoal e faríamos as devidas apresentações, mas hoje foi diferente do que eu esperava, pra começar, o restaurante estava bem vazio. No primeiro momento, avistamos apenas Levy e Rogue, sem sinal de Erza ou Jellal, e logo nos juntamos a eles.
– Olá pessoal! – Juvia foi a primeira a se manifestar.
– Levy, Rogue, esta é Yukino. – Yukino acenou para eles e sorriu. – ela é nova e está começando hoje.
– É um prazer, Yukino. – Levy sorriu para ela e Rogue fez o mesmo.
– Seja bem vinda. – disse Rogue.
– Obrigada.
Puxamos as cadeiras e logo Juvia começou a tagarelar sobre o trabalho sinistro que teremos para semana que vem, Rogue riu dizendo que não era nada comparado ao que ele e Levy teriam que fazer, e assim foi indo, até que Erza apareceu acompanhada de uma garota que nunca vi antes. Era bonita, apesar do penteado exótico, pele clara e cabelos escuros, mas sei não, algo naquela garota não me parecia bom...
– Olá pessoal, conheçam minha nova amiga, Minerva.
– Olá. – todos respondemos.
Apresentamos Yukino, e ela e Minerva se deram bem automaticamente, parece que elas eram da mesma cidade ou algo assim, então Levy fez a pergunta que estava na cabeça de todos no momento.
– Erza, onde está o Jellal?
Erza se calou imediatamente e isso não passou despercebido por ninguém naquela mesa.
– Está tudo bem? – perguntei. Algo havia acontecido, e sabendo que o relacionamento deles não ia bem, temi pelo pior.
– Ele está por aí. – respondeu seca e logo se voltou para seu almoço, dando a entender que aquele assunto estava encerrado.
O clima ficou pesado imediatamente, Yukino e Minerva não estavam entendendo nada, então sussurrei para elas alertando sobre a situação. Não houve tempo para que eu ou Levy pudéssemos dizer algo pra mudar aquela situação, logo vi o porquê de Erza estar com a cara tão fechada. Na fila para pegar a comida, avistei Jellal, ele falava animadamente com uma garota de cabelos rosados, pra ajudar, ela era linda e os dois pareciam estar se dando muito bem, Erza estava claramente com ciúmes. Ela não tirava o olhar da bandeja de comida, por isso não notou o namorado e a garota se aproximando.
– Oi Erza! – a garota cumprimentou alegremente, assustando a ruiva. A garota tinha sotaque mexicano.
– Meredy?! – Estranho, tenho certeza de que já ouvi este nome em algum lugar. Erza abriu um sorriso muito forçado, e isso não passou despercebido de ninguém, a não ser a própria rosada.
– Nossa, esse lugar é demais, o cheiro da comida é tão bom e este lugar é tão animado! Estes são seus amigos, Jellal?
– Ah sim. – Jellal encarava Erza e agora parecia ter saído de um transe. – Pessoal, esta é Meredy, uma amiga minha do México.
– Olá! – Meredy era definitivamente uma pessoa alegre. Ela tagarelava sobre tudo e era obvio que estava adorando a experiência, logo todos conversavam entre si, mas ela falava especialmente com Juvia, parece que as duas se deram muito bem, a única pessoa que não parecia nada feliz no momento era Erza, ela evitava olhar na direção de Meredy ou Jellal e sua franja cobriu seu rosto, impedindo a qualquer um de ver sua expressão. Ela afastou a cadeira e se levantou, ganhando a atenção de todos.
– Com licença. – pegou sua bandeja e se foi, simplesmente.
– Erza, espera! – Minerva pegou sua bandeja, praticamente intacta e foi atrás de Erza.
Ninguém se movia ou dizia nada, ninguém esperava esta atitude dela e foi inevitável olhar para Jellal. Ele não havia ido atrás dela. Meredy encarava a todos sem fazer ideia do que estava acontecendo. Rogue tentou quebrar o clima tenso falando alguma coisa sobre a comida, então Meredy olhou fixamente para ele.
– Ei, eu conheço vocês dois. – apontou para Levy e Rogue. – Vocês fazem jornalismo, não é? Vi vocês saindo da sala quando estava terminando de resolver umas coisas sobre minha matrícula, vamos ser colegas, não é legal?
Levy e Rogue começaram a conversar sobre o curso com ela, mas isso já não importava mais, eu só pensava em Erza e Jellal, por que ele não havia ido atrás dela? Com certeza isso tem alguma coisa a ver com a Meredy, mas o que ela pode ter feito? Ou ele? Ou Erza? Tem alguma coisa errada nessa história.
[...]
Ainda não havia conseguido tirar o caso de Erza e Jellal da cabeça, mas agora não podia pensar nisso. Estava a caminho do Kurt Café para mais um dia de expediente. O dono estava todo empolgado ontem pois havia encomendado novos pôsteres do Kurt Cobain para colocar pelo estabelecimento e também disse que havia marcado uma entrevista para hoje, quem sabe finalmente a vaga de Loki seja preenchida! Se eu fosse ter uma nova colega hoje, era bom eu estar bem para poder recebê-la bem também, não?
– CUIDADO!
Estava tão distraída pensando nas possibilidades de um novo dia de trabalho que não vi a bicicleta se aproximando a mil, e não deu outra, o choque foi inevitável.
BOOOM!
Eu e a dona da bicicleta agora estávamos jogadas no meio da calçada e sua bicicleta havia ido parar metros à nossa frente, quase atropelando um senhor que ia atravessar a rua. Muitos curiosos se aproximaram para ver a desgraça alheia de duas idiotas com sérios problemas de trânsito.
– Está tudo bem? – a garota que me atropelou perguntou ainda jogada no chão.
– Não. – respondi completamente dolorida — E você? – perguntei.
– O mesmo — ela respondeu.
Apoiei-me pelos cotovelos me movendo devagar para garantir que não havia perdido nenhuma parte do corpo, só então reparei na minha agressora. Um estalo veio à minha cabeça e dei um grito nada discreto no meio da rua.
– VOCÊ É AQUELA MENINA QUE ME ATROPELOU DE BICICLETA NESTE MESMO LUGAR DOIS ANOS ATRÁS!
Ela me encarou e piscou algumas vezes, então sorriu.
– Ah! Eu lembro de você, e aí?
COMO ASSIM “E AÍ?” ?!
– Loirinha, tenho que ir agora que eu estou atrasada, presta mais atenção!
– É você quem deve prestar atenção! – gritei de volta enquanto ela pegava a bicicleta e corria para atravessar o cruzamento. Eu hein.
[...]
Cheguei atrasada para o expediente, Yajima-san iria me matar com certeza, mas a culpa não era minha, não tinha planejado ser atropelada no caminho pra cá. Poxa vida, ser atropelada por uma bicicleta conduzida pela mesma pessoa que me atropelou dois anos atrás e no mesmo lugar não era pra qualquer um! Mas reencontrar aquela garota na rua não foi a minha maior surpresa do dia, a maior ainda estava por vir.
– Boa tarde Mira!
– Olá Lucy, o que houve contigo? – ela se referia aos meus machucados.
– Fui atropelada de bicicleta no caminho pra cá. – respondi sem ânimo nenhum
– Bem, conhece a funcionária nova?
Da cozinha, saiu uma garota aparentemente de minha idade usando o mesmo uniforme que eu e Mira, sorridente, com cabelos castanhos, uma tiara com orelhas de gato e alguns ralados no cotovelo.
– VOCÊ?! — perguntamos juntas.
– Já se conhecem? – Mira perguntou confusa.
– Já, foi ela que me atropelou! — eu disse ainda surpresa.
– Loirinha, se algum policial te parar na rua perguntando quem foi aquela garota, você NÃO ME CONHECE! Se me dedar, você morre!- disse ela com um sorriso animado.
– Ok. – bati continência. Bom, eu ia falar outra coisa, mas achei melhor eu não procurar encrenca, essa menina é uma psicopata!
– Que bom que se deram bem. – Mira sorriu para nós e seguiu para o balcão. – Boa sorte, Milliana.
[...]
O expediente hoje não foi nada fácil devido aos machucados e Milliana me parava o tempo todo para tirar dúvidas. Apesar de encrenqueira e bem maluca, Milliana era uma garota legal, era louca por gatos e por isso estava cursando medicina veterinária. Esta cafeteria não era bem a sua área, mas ela disse que precisava de uma grana extra pra ajudar com a comida dos gatos que ela adota na rua. O expediente já estava chegando ao fim, o lugar já estava bastante vazio, com apenas um ou dois clientes e não tinha mais necessidade de estarmos todas alertas, Mira e Milliana agora estavam na cozinha conversando e eu estava no balcão organizando minha agenda.
As portas então se abriram e uma figura conhecida por mim adentrou na cafeteria. Ele sorriu para mim de imediato e veio e minha direção.
– Boa tarde Lucy.
– Olá Gildarts, o que vai querer?
– Um café, por favor, e que machucados são esses?
Já tinha até me esquecido dos cotovelos e mãos raladas, então sorri amarelo, ajeitando as mangas para que os cobrisse melhor.
– Fui atropelada por uma bicicleta hoje.
Ele riu um pouco, então sorriu para mim.
– Você não tem jeito mesmo, Lucy. – sorri novamente sem graça e lhe entreguei a xícara de café. – Quer se juntar a mim, é por minha conta.
Olhei para Mira, que já havia retornado ao balcão e acenou em permissão. Sei que não é normal aceitar um convite assim de um estranho, mas relevei, este homem salvou minha vida.
– Acho que não tem problema, me expediente está mesmo no final.
Começamos a conversar, Gildarts era um homem bem humorado e gentil, ele me contou algumas de suas histórias de vida como na época em que estava na escola e falou um pouco sobre o trabalho. Assim como Igneel, ele também é investigador criminal, achei isso incrível e o assunto continuou fluindo.
– Bom, somos só eu e meu pai. – respondi uma de suas perguntas. – Mamãe morreu alguns anos atrás.
– Sinto muito Lucy.
– Está tudo bem, eu já superei, ela queria que eu fosse sempre feliz, então não fico me remoendo mais por isso.
Ele me encarou por alguns segundos com um sorriso triste, mas seus olhos estavam nublados, ele estava mergulhado em pensamentos.
– É estranho, você se parece tanto com ela... – murmurou.
– Layla?
– Sim. Foi uma mulher que eu conheci na faculdade, estudamos juntos por um tempo e éramos bem próximos, ela era uma excelente atleta e sempre treinávamos juntos, mas quando eu ia me declarar para ela, Layla começou a namorar um cara de administração. No começou eu fiquei chateado, porém depois ficamos amigos, mas Isso já faz muito tempo... – suspirou e deu novamente um sorriso triste.
Estranhei esta história, me é bastante familiar.
– Este cara seria Jude Heartphilia...?
– Você o conhece? – ele me olhou surpreso.
– Ele e Layla são meus pais. – respondi com um sorriso e ele me olhou incrédulo. Levou alguns segundos até que ele fosse capaz de dizer algo e confesso que eu já estava ficando com medo. Então ele abriu um sorriso e deu algumas risadas alegres.
– Nossa, mas isso é muita coincidência mesmo, eu devia ter percebido antes. Imaginava mesmo que nunca voltaria a vê-la, mas estou parado diante de sua filha. – ele olhou para mim com um olhar diferente, com compaixão, e colocou sua mão sobre a minha. – É uma honra te conhecer, Lucy. Seus pais são pessoas incríveis, e você puxou muito a sua mãe, é mesmo uma pena o que tenha acontecido.
– Obrigada. – sorri para ele. – E você, Gildarts? Tem filhos?
– Ah, não. Já tive decepções amorosas demais. Me contento sendo o tiozão legal dos filhos de meus amigos.
Ficamos conversando por mais um tempo, ele me contou várias histórias da época em que era amigo de meus pais e demos muitas risadas juntos, até que começou a ficar tarde. Eu e Gildarts nos demos realmente bem, me senti exatamente como o que ele disse antes, foi mesmo como se ele fosse “o tiozão legal”. Ele me ofereceu carona para casa, mas recusei a oferta.
Estranhei o apartamento vazio quando cheguei, mas não liguei muito, papai devia ter ficado até tarde no trabalho, isso já estava se tornando normal. Tomei um banho e me joguei em minha cama, havia sido um dia cheio de descobertas, mas tão longo como se eu tivesse cuidado da pestinha.
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