Dryadales
1 Caçada 1: Colar perdido. (remodelado)
Notas iniciais
Só me lembro de uma coisa do meu passado, uma imagem. Nessa imagem era noite, mas não estava escuro, pois uma casa estava em chamas próxima a mim. Eu estava chorando amargamente, vários soldados de armaduras negras estavam a minha volta. Suas armaduras cobriam todo seu corpo, até mesmo seus rostos. Também seguravam com correntes animais grandes e quadrúpedes com pelagem roxa e ossos ponte-agudos para fora do corpo. Depois acordei na cabana do homem que salvo minha vida e me treinou, meu mestre. Mesmo sem saber o que houve naquele dia sinto um aperto no peito quando lembro disso...
Um choro feminino começa e o interrompe.
— Que triste! — Diz uma garota com voz jovem e suave, mas com um tom de choro.
— Desculpa! — Dessa vez é uma voz masculina jovem como a da garota — Não queria faze-la chorar.
— Como não? — ela o encara com os olhos encharcados — Me descreveu esse passado triste com cada detalhe.
— Eu penso assim, se eu não lembro, não tenho razão pra chorar.
— Esquecer também é triste...
— Espera! — Ela o olha nos olhos ao escuta-lo — Por que você está chorando por alguém que acabou de conhecer?
Ela começa a secar as lágrimas com a manga da camisa que estava usando e depois volta a encara-lo dizendo:
— Você acreditaria se eu disser que não sei?
— Acho que não foi isso que queriam dizer com "simpatize com a seu parceiro" — resmunga baixo — Em todo caso, meu nome é Akira, e o seu?
— O meu é Mika, muito prazer.
— Tem algo pra falar sobre seu passado?
Ela abaixa a cabeça e olha triste para a mesa que estava entre eles.
— Se não quer falar tudo bem para mim. — Diz tentando consola-la — Afinal, eu também não falei nada de mais do meu passado.
Ela só acena com a cabeça e depois tenta se recompor. Em seguida diz:
— Verdade, um pouco antes de falar de seu passado você disse "me ensine sobre as cidades, por favor". — Ele a olha curioso enquanto ela fala — Poderia me explicar?
— Ah! Sobre isso, é que essa é a primeira vez que venho para uma cidade. Sempre estive na floresta treinando com meu mestre, então eu não sei nada.
— Entendo... Espera! — Diz mudando o tom de forma repentina — Então essa é a primeira vez que você conversa com uma garota? — Indaga surpresa.
— Isso mesmo, mas não se preocupe já percebi as diferenças anatômicas olhando pra você.
Ao ouvir isso, Mika se abraça tapando os seios.
— Você é um pervertido? — Diz com a voz um tanto alta.
— O que é isso? — Indaga pensativo
Akira a encara com um olhar confuso, já Mika está com um olhar bravo, até que ela se rende e volta a sua expressão inicial.
— Esquece — depois de falar pensa: — "Acho que ele não sabe nada sobre esse assunto."
Ambos estavam sentados em uma mesa de madeira pequena e redonda. Em volta deles tinham mais mesas com pelo menos 2 pessoas cada. De um lado da sala, que era bem grande, tinha uma porta, entre as mesas um grande corredor com um tapete preto. Já no outro lado da grande sala tinha uma espécie de palco. O nome dessas grandes salas é Domi. Domi são lugares onde pessoas colocam suas Hunts. Hunts servem para pessoas que perderam um bem pessoal e não tem força para pegar de volta possam recupera-lo, ou alguém que encontrou um animal que possa vir a matar várias pessoas possa erradica-lo.
No palco subiu um homem com 1,90 metros de altura, cabelo grisalho, com um rabo-de-cavalo, olho esquerdo castanho e o direito com uma grande cicatriz, era musculoso. Usava uma armadura de ferro que cobria todo o corpo, mas não usava elmo. Então com uma voz alta e grossa começa a falar:
— Jovens guerreiros, vocês se reuniram aqui para fazer um teste de admissão como caçador de recompensas. Eu sou um caçador Rank-S, me chamo Geki, e vou aplicar o exame de admissão para caçador Rank-E de vocês. Boa sorte a todos! — Terminando de falar ele pega um papel sobre a mesa que esta em seu lado e chama com uma voz mais alta — Grupo 1! Venha pegar sua missão!
Um homem e uma garota próximos a Akira e Mika se levanta, vão até o palco e pegam o papel, depois se retiram da sala. Esse processo se repete várias vezes. Quando a sala estava quase vazia, eles são chamados.
— Grupo 17! Venham!
Akira é o primeiro a se levantar. Ele aparenta ter uns 15 anos, altura mediana, 1,72 metros, cabelos pretos e curtos, olhos castanhos, orelhas pontudas, por ser um elfo. Usa uma camisa de manga curta branca e uma calça sustentada por um cinto de couro, que também é branca. Na verdade todos os homens da sala estavam usando essa roupa, mas Akira também tinha uma bandagem no braço esquerdo.
Agora a Mika, também parecia ter 15 anos, 1,68 metros de altura, é loira, cabelos longos que chegam até o meio das costas, olhos amarelos, orelhas também pontudas, usa uma camisa de manga longa branca, cinto de couro, e uma saia branca.
Ao chegarem no palco Akira pega o papel. Mika se inclina e o lê. Geki olha para os dois e os dois olham de volta.
— Essa é a missão de vocês. Boa sorte.
Os dois acenam com a cabeça, se viram e começam a andar em direção a saída.
— Onde fica essa vila, Lignum viride? — Pergunta Akira
— Menos de uma hora daqui, é uma vila próxima cercada por uma floresta.
Eles tem uma longa conversa enquanto se dirigem a Lignum. Nesse meio tempo uma amizade se forma entre eles. Chegando no endereço da missão, bateram na porta, em pouco tempo uma senhora idosa os atende.
— Olá, meus jovens. O que vocês fazem aqui?
— Somos novatos como caçadores. — Diz Mika — Viemos por causa da Hunt que você deixou na Domi de Opdium.
— Opdium? Eu disse pro meu neto que poderia deixar a Hunt em uma cidade próxima.
— Poderia contar o que houve? — Diz Akira — Você perdeu um colar, correto?
— Sim, meu jovem. Aconteceu a dois dias, era noite. Sempre deixo o colar de meu falecido marido numa mesa em meu quarto. Eu estava na cozinha preparando a janta, quando escutei um ruído, vindo do qurto. Chegando no quarto encontrei um animal de pelos escuros, não muito grande, com meu colar na boca. No mesmo instante que o vi ele pulou da janela.
— Um "animal de pelo escuro", deve ser um senibus ainda negro, é muito comum nessa região — diz Mika.
— Conheço pouco desse animal. — Diz Akira. — Mas ele deve ter escondido o colar em uma árvore, é o normal de animais da floresta.
— Evite usar magias neles, seus corpos são frágeis.
— Tudo bem
— Voltaremos logo, senhora
— Boa sorte, crianças.
— Vamos Akira!
Mika começa a correr para a floresta, Akira a segue de perto. Ambos começam a olhar no chão para achar rastros dos senibus.
— Que demora! — Resmunga Mika — Fazem horas que estamos procurando e nada ainda!
— Não exagera, estamos procurando a cerca de 50 minutos.
— Sério? Me pareceu mais.
— Além do mais, já achei o rastro deles
— E por que disse só agora?
— Por que eu achei agora a pouco. Eu vim aqui te avisar.
— Me mostre onde.
Akira caminha poucos metros acompanhado de Mika até onde ele achou o rastro dos senibus. Seguira-na até uma grande árvore, que era onde o rastro terminava.
— Eu procuro na árvore. — Disse Mika. — Você procura nas moitas próximas
— Tenho quase certeza que está na árvore, mas vou procurar nas moitas por educação.
Mika começa a colocar a mão nos buracos na árvore. A árvore estava cheia de pertences sujos de seiva, entre eles estava o colar.
— Akira! — Grita Mika tirando o colar de um buraco no tronco da árvore — Achei!
— Estou indo!
Mika limpava a seiva do colar enquanto Akira se aproximava. Ambos estavam contentes.
— Conseguimos! — Mika grita de felicidade.
— Agora é só voltar para a casa da senhora. — Akira e Mika escuta rosnados — São eles?
— Pelo jeito, sim.
Ambos olham para cima. Estavam cercados por animais quadrúpedes de 0,70 em pé. Tem olhos vermelhos, pelos negros com manchas brancas de velhice. Pareciam miniaturas de urso, eram magros, e tinham fucinho de lobo. Era ao todo 27 deles, estavam tanto no chão, como nas árvores.
— Posso usar magia? — Pergunta Akira
— Melhor não. Deixa comigo — Ela coloca a mão na grama — Magic vites! — Os galhos e raízes das árvores amarram os senibus — Assim você não tem risco de você matar um por acidente.
— Realmente, foi melhor eu não atacar.
— Agora vamos nos apressar, minha magia não vai durar muito.
Akira e Mika começam a correr de volta para casa da senhora. Na metade do caminho uma aura assassina aparece próxima de onde estavam a pouco.
— Isso é... — Mika começa a dizer assustada — Um senibus branco...
— Um senibus branco? — Indaga Akira
— Isso ocorre quando, um senibus se torna totalmente branco. Ele adquire uma magia, que quando usada, os deixa com 3 metros, músculos enormes, resistentes a magia e sedentos por sangue, não importa que seja o próprio filho, ele vai matar e comer.
— Ele seria uma criatura Hunt letal a humanidade?
— Com certeza!
— Qual o Rank dele?
— Ele seria um Rank-D
— Vou ter que arriscar. Você deve voltar em segurança.
— Como assim? Mesmo que fosse nós dois a chance de vitória seria mínima. Ir sozinho é suicídio.
— Eu sei, eu só vou voltar, salvar os senibus que prendemos e fujo. — Mika tenta falar, mas ele a impede — Não quero que se machuque, por isso vou sozinho. — Ela apenas acena com a cabeça e volta a correr.
Chegando na árvore dos senibus, ele vê 3 corpos mortos no chão. Todos estavam sem os órgãos da região da barriga, seus ossos estavam expostos, e sangue sujava todo o chão. Os olhos do senibus grande brilhavam vermelho intenso. Um corpo em sua boca, ainda vivo, gritava de dor, seu sangue escorria lento pelo corpo da fera. Akira olha a cena espantado, ficando imóvel apenas vendo. Mas sua reação muda quando o senibus menor morre.
— "Ele já mato tudo isso?" — pensa Akira — "O que... O que eu posso fazer?"
O grande animal solta o corpo morto no chão e estica o braço para pegar outro, ainda preso por causa das raízes da árvore. Akira toma coragem e fere, superficialmente, o braço do senibus. Enquanto a fera gritava, ele corta as raízes da árvore com sua mão brilhando. O senibus fica bravo e começa a ataca-lo, Akira desvia de todos os golpes com uma certa dificuldade, se afasta, estica o braço direito para a direção da fera e cria uma esfera brilhante na palma da mão.
— Sphaera lucis!
A esfera voa e atinge o senibus no estomago, um pouco de sangue sai da boca da fera. Ele se recupera e corre enfurecido atrás de Akira. Akira pula para o lado e o animal passa reto, enquanto está distraído Akira o ataca novamente, mas dessa vez o animal segura a esfera com a pata e a destrói.
— Mas como...?
Akira continua a atacar, mas a fera segura todos os golpes. Em meio a luta um filhote de senibus aparece próximo a árvore. Os olhos vermelho da grande fera se volta para o pequeno animal. Akira percebendo isso pula para salva-lo. Pegou o pequeno animal e o jogou, cuidadosamente, em uma moita. De medo, o senibus menor foge.
Antes de conseguir se virar totalmente Akira é atingido, voa e atinge uma árvore, cai imóvel no chão sentado, encostado na árvore. A fera se aproxima dele e levanta uma das patas, desfere um ataque de cima para baixo, mas Akira segura a pata do monstro com a mão esquerda, seus olhos se abrem, só que, com uma cor vermelha, seu cabelo fica branco, e a bandagem em seu braço sai deixando a mostra uma tatuagem negra em espiral em todo o braço esquerdo. Akira dá um sorriso sarcástico e derruba o animal enorme no chão, sobe encima dele estende o braço esquerdo para o lado e diz com a voz alterada:
— Gladius umbra! — uma espada de sombra envolve seu braço e em um único golpe perfura o peito do senibus — Criatura patética! Entra em uma batalha de vida ou morte e tenta salvar um mísero filhote?
Akira ainda em um estado alterado pega a bandagem e a amarrar em seu braço esquerdo.
— Até quando vou ter que salvar a vida desse inútil?
O desconhecido que fala dentro do corpo de Akira, se aproxima do senibus morto, deita próximo a ele, seu cabelo e olhos voltam ao normal, e por fim desmaia na grama com a roupa ensanguentada.
Notas finais
Já o capítulo 2 vai atrasar um pouco
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