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10 9. "Seguir em Frente"


Notas iniciais
Oi, cupcakes! Fiquei muito feliz com a nova recomendação e com as 2.000 visualizações na história, isso é muito bom de se ver porque mostra o quão comprometidos vocês estão com a história e isso me deixa muito feliz! Primeiro de tudo: peguem seus lencinhos de papel caso sejam aquelas pessoas sensíveis, porque eu aposto que você vai chorar, mas depois vai rir e querer mais KSLAKSÇLAKS não, ok, só pega os lenços e confia em mim! Segundo: peço que não me odeiem quando chegarem em determinada parte (que vocês vão saber qual é) e que esperem pelo final, que é mais fofo do que vocês imaginam que poderá ser! Terceiro: lembram daquele 'pesadelo' da Kate? Então, lembram do homem no pesadelo dela? Sim, lembrem-se dele porque vai ser importante. Quarto e último: boa leitura!(e não me odeiem!)

O clima entre nós agora já voltou a ser estranho e eu não sei sobre o que podemos conversar. Sobre relacionamentos? Não, seria algo muito pessoal para a nossa relação agora, não posso me permitir perguntar se ela namora alguém porque sei que vou ficar com ciúmes, então continuo calado e encarando os talheres ao meu lado. Sequer ergo os olhos para o garçom quando ele coloca um prato de macarronada à minha frente porque não quero que ela veja minhas bochechas ficando cada vez mais vermelhas.

Espeto um penne com o garfo e levo-o a boca, desviando o olhar dela pelo maior espaço de tempo que me julgo capaz. De vez em quando, olho para ela para pedir algum tipo de molho, ou até sal (?), o que não faz o mínimo sentido.

Levanto um dos braços e espero que outro garçom venha me atender, o que demora algum tempo. Peço uma garrafa d’água e então o garçom a encara, despindo-a com os olhos e, eu juro, como amigo, quero arrancar os olhos desse cara.

Cerro os punhos e trinco os dentes, levantando os olhos para poder olhá-lo de baixo, e quando ele percebe, arregala os olhos e se afasta da mesa, caminhando até onde imagino ser a cozinha. Respiro fundo e dou de ombros quando ela me pergunta se estou bem ou se há alguma coisa errada; não quero que ela ache que o que combinamos (só amigos) vá impedir que eu sinta ciúmes dela ou raiva de qualquer um que ache que possa olhá-la de cima a baixo daquele jeito.

– O que está acontecendo, Rick? – ela pergunta, estendendo o braço por cima da mesa, aproximando sua mão da minha.

Usando o reflexo, retiro o braço de cima da mesa antes que ela possa tocar minha mão; solto um pigarro e peço licença, me retirando da mesa e caminhando até a área dos banheiros. Ainda é cedo, mas já há um casal seminu, terminando de retirar suas roupas no corredor dos toaletes; reviro os olhos ao passar por eles e entro no banheiro.

O odor é forte, mas não me incomodo com ele. Giro a torneira, esperando que a água fria comece a cair para que eu possa lavar o rosto e pensar no que fazer por mais, sei lá, horas com ela naquela mesa.

Um homem fecha o zíper atrás de mim e usa a pia ao meu lado, esfregando a barra de sabonete fedido nas palmas. Olho para ele pelo espelho e vejo um pedaço de carne entre seus dentes quando ele dá um sorriso para as próprias mãos.

Nojento.

Quando ele sai, junto as mãos em concha e deixo que a água encha o espaço para, então, jogá-la sobre o rosto. Minha camisa é molhada rapidamente, mas não me importo com os julgamentos que possivelmente receberei.

Volto a olhar para o meu reflexo, vendo minhas bochechas extremamente coradas e meus lábios extremamente brancos. Balanço a cabeça e acabo soltando uma risada baixa, com vergonha de mim mesmo por ter ficado assim com simples olhares a ela. Encho as mãos de água mais uma vez e volto a jogá-la no rosto, enxugando-o com toalhas de papel que mais parecem lixas.

Olho para mim mesmo mais uma vez antes de me convencer de que não seremos nada mais do que só amigos, porque é impossível uma coisa dessas acontecer. Somos os dois muito teimosos e ambos queremos coisas diferentes de nossas vidas.

Finalmente tomo a coragem para voltar à mesa, mas, quando saio do corredor, espremendo-me entre dois casais seminus, vejo um dos garçons anotando alguma coisa no bloco e arrancando a folha, entregando-a para ela. Rapidamente, retiro a carteira do bolso traseiro da calça e me aproximo da mesa, colocando uma nota de cinquenta dólares ao lado do meu prato praticamente intocado e saindo pela porta, o que fez o sininho tocar.

Sequer parei para olhar o que havia acontecido depois que saí, e nem me importo, na verdade, só quero voltar para casa e me jogar no sofá com Royal para assistirmos mais um jogo de futebol.

Antes que eu possa chegar ao carro, porém, sinto sua mão segurando meu braço; contrariando minha vontade de ir embora, eu viro o corpo para olhá-la. Ela parece chateada e, talvez, até melancólica; desvencilho-me de seu toque e olho dentro de seus olhos, vendo coisas que nunca fui capaz de enxergar nos olhos de mais ninguém.

– O que deu em você? – ela pergunta baixinho.

– Eu quero ficar sozinho – dou de ombros – Não que isso interesse a você.

– Certo, qual é o seu problema? – ela grita, recuando um passo – Eu sinto como se não pudéssemos conviver como amigos, sem que haja sexo envolvido.

– Talvez nós não devêssemos ter nos encontrado hoje, de qualquer forma – grito de volta – Talvez nós dois simplesmente devêssemos nos esquecer, para que possamos seguir em frente!

– Eu não quero seguir em frente – ela sussurra, com lágrimas nos olhos.

– Mas talvez eu queira – eu grito, recuando um passo, assim como ela havia feito – Talvez eu queira seguir em frente e esquecer que você existiu algum dia! Porque, além do mais, você nunca se importou comigo, na verdade! O que foi aquela pequena declaração? Uma declaração para que eu me sentisse melhor por ter sido feito de palhaço? Obrigado, mas eu passo.

Sem olhar para trás, começo a caminhar para longe, sentindo o sangue pulsando com violência em meus ouvidos e com o coração na garganta. Nunca quis que fosse tão longe, mas eu precisava expulsar a raiva de meu corpo, mesmo que isso signifique nunca mais vê-la… eu preciso seguir em frente.

POV Katherine/Cherrypie

Caio de joelhos no chão de concreto e escondo o rosto nas mãos, incapaz de vê-lo se afastando de mim. Quero voltar no tempo para quando ainda estávamos morando juntos por causa da aposta, quero bater em mim mesma por não ter dito o que sentia antes, porque isso desencadeou uma fuga por insegurança, o que desencadeou esse momento, e eu quero apagar todos eles.

Seco as bochechas e soluço baixinho, procurando me orientar pela cidade até desistir e chamar um táxi. O motorista parece ter segundas intenções quando me sento no banco traseiro e digo a ele meu endereço; seus olhos descem pelo decote do uniforme durante todo o tempo, mas não me importo com isso agora.

Observo a paisagem da cidade grande passar pela janela rapidamente, um enorme borrão cinzento com pontos verdes em determinados locais. Respiro fundo e volto a cobrir o rosto com as mãos, querendo procurar um buraco para apodrecer lá dentro.

Quando o motorista finalmente para numa calçada, olho ao redor e não reconheço o local; apesar de ser lá pelas cinco da tarde, aqui é escuro e eu começo a sentir os tremores começando a percorrer minha espinha. Olho para o motorista pelo retrovisor e encaro seus olhos, os olhos cinzentos que conheço bem.

Tento abrir a porta, mas está trancada. Cerro os punhos e começo a bater na janela com força, gritando por ajuda; não vou permitir que ele faça comigo agora o que não conseguiu há anos atrás. Minha garganta começa a doer quando ouço sua risada cínica e olho para ele, vendo seu sorriso pelo retrovisor.

– Ninguém passa por aqui – ele ri – Não precisa resistir, florzinha, não vou machucar você.

– Não confio em você – grito, e volto a bater na janela.

Meu desespero volta a ser palpável por qualquer um que se julgue apto para ajudar, mas ele tem razão, não há ninguém passando por aqui. Olho pelo vidro traseiro e vejo um homem, mais ou menos pelos trinta anos vindo em nossa direção e começo a bater no vidro, gritando por ajuda e, facilmente, obtenho sua atenção.

Sua expressão se torna obscura quando ele lê a placa e, de repente, surge uma pistola em sua mão, que surgiu não sei de onde. Ele mira no carro e atira na maçaneta da minha porta; cubro os ouvidos pelo alto estalido e forço a parte de dentro antes que ele perceba que posso fugir. Porém, ele é mais rápido e começa a pisar no acelerador.

A porta pende para fora quando consigo abri-la e, controlando meu medo de me esfolar no asfalto sujo, eu respiro fundo, cerro os olhos e pulo.

/POV Katherine/Cherrypie

Jogo a terceira garrafa de cerveja para a cozinha, pouco me importando com os estilhaços de vidro que terei que limpar mais tarde. Com o álcool correndo nas veias, permito-me pensar no que aconteceu mais cedo: eu fui um babaca em falar daquele jeito com ela depois de termos nos entendido, mesmo que fôssemos só amigos.

Rapidamente, começo a procurar o pedaço de papel onde anotei o endereço dela e o encontro no balcão da cozinha, já sujo de calda de chocolate e algo vermelho que espero muito que seja só o suco de morangos.

Pego as chaves do carro do pote de cristal da mesinha de centro e corro para fora, ligando o carro antes mesmo de conseguir me ajeitar no banco. Torço para que não haja nenhuma blitz pelo caminho porque, se eu for pego com álcool no sangue, mesmo que não esteja completamente bêbado, vou me encrencar.

Dirijo com rapidez e, quando vejo, já estou parado na frente do prédio decadente onde ela morava. Olho pela janela e vejo algumas janelas acesas, esperando que uma delas seja a do apartamento dela.

Saio do carro, começando a sentir as gotas d’água batendo em minha cabeça. Corro para dentro do prédio e pergunto para o velho porteiro se há alguma mulher chamada Katherine morando naquele prédio e ele, lentamente, folheia um enorme livro encadernado em azul escuro.

Começo a ficar impaciente, até que ele ergue a cabeça para mim e concorda.

Um sorriso enorme aparece em meu rosto quando corro pelas escadas, procurando o andar anotado pelo porteiro. Não faço ideia de qual seja o apartamento porque ele esqueceu de – ou simplesmente não quis – anotar. Bato na primeira porta e ouço um senhor reclamando de um programa de TV, o que me faz ir para a próxima.

Uma menina morena abre a porta e sorri para mim. Vejo um homem parado atrás dela com uma expressão raivosa no rosto e começo a me afastar, mas ela segura meu braço quando vê o papel com o endereço em minha mão.

– Está procurando alguém? – ela pergunta, tomando o papel em suas mãos.

– Sim, na verdade – digo – Mas tenho que voltar à minha busca.

– É uma mulher? – ela pergunta – Morena, com olhos verdes e corpo bonito?

– Ela mesma – engulo em seco – Ela mora aí?

Olho para dentro do apartamento, ignorando a completa bagunça, mas sou impedida pelo homem, que começa a se aproximar da mulher. Encaro seus olhos e vejo o desespero estampado ali, como se algo horrível tivesse acontecido depois que eu a deixei sozinha na rua.

– Ela ainda não voltou para casa – ela solta um suspiro – Imaginei que estivesse com você, seu nome é Richard, não é?… bem, ela só fala de você desde o momento em que acorda até o momento em que vai dormir.

Estou boquiaberto, querendo socar o meu eu do passado. Fui estúpido ao feri-la com aquelas palavras egoístas e desnecessárias, quero sair correndo para procurá-la, desesperado pelo bem-estar dela. Ainda estou chateado pelo o que ela fez, mas acho que hoje, agora, isso não interessa! Ela pode estar em perigo, e isso é tudo o que importa.

– Achamos que ela estivesse trabalhando ou com você – diz o homem – Tememos por ela, já que demorou a voltar para cá, mas então pensamos que estivesse na sua casa, sabe, para uma reconciliação…

– Reconciliação? – engasgo com minha própria saliva.

Ouço vozes vindas de trás e reclamações de dor de uma voz que conheço bem. Chego ao pé da escada a ponto de vê-la com o braço aberto, expulsando o sangue do corpo e mancando; eu a puxo para mim, abraçando-a com força e prendendo seu corpo ao meu, sentindo-me mal por não ter ficado com ela, por ter sido tão idiota a ponto de deixá-la sozinha.

– O que você está fazendo aqui? – ela choraminga, e eu afasto sua cabeça de meu peito, vendo lágrimas escorrendo pelas bochechas.

– Eu vim procurar você – sorrio e limpo suas bochechas –, eu queria me desculpar por ter falado tudo aquilo… queria dizer para você que eu ainda amo você e não acho que isso vá mudar um dia, que eu não quero seguir em frente sem tê-la comigo.

– Desculpe interromper – diz o homem que veio com ela, mostrando o distintivo – Sou o detetive que a encontrou…

– Encontrou? – volto a envolver seu corpo com os braços – O que quer dizer com isso? Onde, exatamente, você a encontrou?

Ele me encontrou – ela diz, mesmo que eu não saiba do que ela está falando.

A outra menina se aproxima dela e a toma de mim, segurando-a entre seus braços, acariciando seus cabelos e dizendo a ela que não precisava ter ficado tanto tempo fora de casa. Cruzo os braços sobre o peito ao voltar a encarar o detetive, exigindo explicações; o outro homem também está impaciente para saber da história.

– Ela estava presa no banco traseiro de um táxi, mas não conseguimos rastreá-lo ainda – ele explica –, mas o importante é que ela teve a coragem necessária para pular do carro em movimento, por isso está mancando e com o machucado.

– Você tem que encontrar esse cara – pede o homem ao meu lado – Ele vem atormentando os sonhos dela desde que vim morar com elas, é um monstro.

– Não sabemos a história, alguém terá de me contar para eu tomar notas – pede o detetive – Senhorita, será que você pode…

– Não! – ela grita, desvencilhando-me dos braços da outra e me encarando – Me recuso a recontar esta história… já contei vezes demais e não preciso relembrar.

– Mas, senhorita… – começa o detetive.

– Eu não vou recontar essa história – ela cruza os braços – Lanie pode contá-la a você se quiser, ela sabe melhor os detalhes do que eu própria me recordo, mas eu não vou contá-la mais uma vez.

– Vamos lá para dentro, eu faço um café para conversarmos – ela anuncia, puxando o detetive e o homem para dentro do apartamento, deixando a porta aberta caso queiramos entrar em seguida.

Ela está com a cabeça baixa e, quando peço que olhe para mim, ela vira de costas. Tento me aproximar dela, envolver seu corpo com meus braços, mas não tenho a coragem necessária para fazê-lo.

Seguro o fôlego quando ela vira o corpo para encarar-me. Os olhos dela estão marejados e seus lábios tremem rapidamente para baixo, como se ela estivesse querendo chorar, mas não querendo demonstrar fraqueza à minha frente.

– O que disse é verdade? – ela questiona – Sobre não conseguir seguir em frente sem mim. Isso é verdade? Por favor, não diga que foi apenas uma mentira para que eu me sinta melhor, por favor…

Envolvo as costas dela com os meus braços e puxo seu corpo para perto do meu, chocando seu peito contra o meu, aproximando nossos rostos e capturando seus lábios com os meus, torcendo para que ela veja aquilo como uma resposta positiva do que eu disse anteriormente. Ela envolve meu pescoço com os braços e nós aprofundamos o beijo, mesmo que aquela não houvesse sido a minha intenção inicial.

Nós nos separamos e eu sorrio, segurando o rosto dela com as mãos. Acaricio uma mancha escura em uma de suas bochechas e beijo sua testa.

– Acredita em mim agora? – pergunto, acariciando suas bochechas com os polegares.

– Como posso não acreditar? – ela sorri e deita a cabeça em meu peito – Foi aterrorizante, de verdade, eu comecei a pensar em todas as coisas horríveis que ele já me forçou a fazer e em todas as coisas maravilhosas que nós dois passamos juntos.

– Não vou pedir a você que me conte – beijo sua cabeça –, mas caso faça você se sentir melhor…

– Talvez não faça, mas acho que você merece saber – ela soluça – Nós nos conhecemos no início da minha… chamada carreira de prostituta, e ele era como um cafetão… quando eu voltava sem uma determinada quantia, ele abusava de mim.

– Kate – eu a chamo, erguendo seu rosto.

– Não, eu acho que você merece saber o que já passei – ela soluça alto e sorri para mim – Ele me forçava a fazer coisas que eu sequer julgava serem possíveis, era algo surreal e nojento, de verdade… isso me destruiu por dentro, por isso tenho medo de deixar que alguém consiga realmente me conhecer, mas…

– Quer dormir lá na minha casa essa noite? – questiono com um sorriso no rosto, interrompendo sua fala; ela ri e volta a deitar a cabeça em meu peito.

– Está se insinuando para mim? – ela sorri, erguendo os olhos para mim.

– Talvez eu esteja – suspiro, beijando sua testa – Vamos fugir daqui, Kate… ele conhece seu endereço, pode aparecer aqui a qualquer momento, mas ele não sabe onde eu moro. Não vou me incomodar de tê-la comigo todos os dias.

– Tem certeza? – ela ergue uma sobrancelha – Posso ser uma pessoa bem teimosa às vezes.

– Pessoas teimosas são um desafio – arqueio outra sobrancelha – e eu gosto de pessoas teimosas. Você aceita ir morar comigo?

Ela olha para mim e, de repente, um enorme sorriso aparece em seu rosto e ela se coloca na ponta dos pés e roça seus lábios nos meus. Abraço seu corpo com um pouco mais de força, tomando o total cuidado para que não a machuque.

– Eu aceito – ela sorri para mim, levantando a cabeça e ampliando o sorriso – Eu aceito ir morar com você.

Notas finais
Não me odeiam mais? Porque eu já tinha até começado a juntar uma armadura pra sair na rua KSÇLAKSASK então, o que vocês acharam disso? Queriam uma reconciliação, eu fiz uma reconciliação (apesar de bem complicada, mas eu gosto de coisas complicadas)! Divulguem a fanfic, comentem, favoritem, recomendem, acompanhem e mandem pros amiguinhos! Tenho certeza de que, agora mesmo é que vocês não querem que flope! SLKÇÇSLAKS Vejo vocês nos comentários, cupcakes! au revoir o/