Drive By | hiatus |

6 5. Acerto de Contas


Notas iniciais
Oi, cupcakes! Bem, alguns de vocês vieram me pedir atualização no twitter em menções e em mensagens privadas. Alguns só usaram a tag pedindo atualização, mas como eu não tinha quase nada pronto... vocês sabem, comecei a empurrar com a barriga. Mas, cá estou eu, e, sinto dizer, não é com o capítulo do 3° dia dos dois, é mais como um capítulo bônus. Já avisei no twitter, mas para aqueles que ainda não me seguem, se situa na madrugada do 2° dia e o início (meio) do 3° dia, é mesmo um bônus porque eu não sabia o que fazer com esse fragmento de capítulo. Como eu não conseguia dar continuidade a ele, resolvi postar como bônus, até porque estava devendo uma atualização a vocês, né? Boa leitura! (e falem comigo lá embaixo!)

O relógio na minha mesa de cabeceira marca 4h47min da manhã quando desisto de lutar contra a insônia. As cobertas que antes cobriam meu corpo agora estão no chão do quarto. Ouço o ranger da dobradiça da porta e flexiono os músculos para trás, encarando-a na escuridão; seu corpo está trêmulo e ouço soluços baixos. Por mais que eu deseje virar as costas e voltar a tentar dormir, não o faço. Sento-me na cama e forço-me a encará-la.

Ela dá o primeiro passo, ainda hesitante e, quando a luz da lua ilumina seu rosto, sou capaz de ver a trilha de lágrimas que mancha suas bochechas, cobrindo-as por inteiro. Quero abraçá-la, mas ainda estou um pouco chateado, então cruzo os braços sobre o peito para conter o impulso de me levantar e tomá-la nos braços.

– Não consegui dormir – ela balbucia com dificuldade – Posso dormir aqui com você?

Não respondo, mas deito o travesseiro ao meu lado; com dificuldade aparente, puxo as cobertas do chão e coloco-as sobre a cama caso ela queira se cobrir. Ela se deita com um minúsculo sorriso no rosto e então fecha os olhos; ouço um último suspiro antes de sua expressão se regularizar e ela começar a se mover inquieta ao meu lado. Resolvo não acordá-la e tentar dormir eu mesmo, mas não tenho tanto sucesso.

POV Katherine/Cherrypie

Ele me força a fazer coisas nojentas que eu nunca imaginei serem sequer possíveis. Fecho os olhos com força e espero que ele desapareça, dando espaço a um lugar melhor, uma pessoa melhor, mas isso não acontece. Por um instante, cogito ser realidade, mas então descarto, afinal, a última coisa da qual me lembro é de deitar ao lado de Richard na cama e me cobrir com seus lençóis.

Eu paguei por você – ele me lembra – Se não fizer o que eu desejar e exatamente como eu desejar, minha querida, você está morta.

Não sei o que fazer a seguir e então ouço o som de uma arma sendo arranhada em metal; ergo os olhos e vejo o dedo dele no gatilho. Sem pensar, eu me levanto e começo a correr, mas braços musculosos me abraçam e então eu abro os olhos.

Dou de cara com seu peito; fecho os olhos com mais força e deixo as lágrimas escorrerem livremente pelo meu rosto novamente. Há tanto tempo não tinha esse pesadelo… deixei que ele dominasse meu corpo; talvez eu estivesse agitada ao lado dele, talvez estivesse chorando e soluçando, impedindo seu sono.

– O que há? – ele me pergunta – Estava inquieta e soluçava…

Eu disse…

–… fiquei preocupado com você – ele suspira; ergo os olhos e vejo a ternura em seu olhar – Foi um pesadelo, não foi?

– Foi – sussurro com toda a força que me resta.

Ele deixa que eu me deite em seu peito, aspirando seu perfume pouco antes de adormecer mais uma vez, mas, agora, não sonho com o monstro de antes. Agora sonho com uma imensidão pálida e ouço risadas, mas não consigo identificá-las… então o sonho começa a tomar um rumo diferente, como se eu sempre tivesse desejado tais coisas. A questão é: eu não sei se já desejei.

/POV Katherine/Cherrypie

Quando acordo, não abro meus olhos de imediato; sinto um calor infernal percorrendo a minha pele e também o suor escorrendo pelas costas. Abro os olhos e vejo o rosto dela virado para mim, com um leve sorriso no rosto e, por um momento, penso que está acordada, brincando comigo, mas estou errado, porque ela está dormindo como um bebê.

Não posso evitar sorrir quando ouço um resmungo após eu retirar meus braços de seu corpo; olho para o relógio e constato o que já sabia: dormimos até depois de meio dia. Até bem depois de meio-dia. Levanto-me com dificuldade e sinto a dor nas costas começar a se mostrar presente mais uma vez; contenho um grunhido alto e começo a descer as escadas.

Há algumas sacolas de comida na mesa de centro e me pergunto com o que ela pagou aquela comida, porque não me lembro de ter descido as escadas para buscá-la.

Levo as sacolas até a cozinha e desembrulho uma caixinha lotada de rolinhos de legumes, que não hesito em morder. Não costumo comê-los frios, mas não quer dizer que não sejam bons também, afinal, quem sou eu para julgar comida chinesa?… sou um dependente dela!

Praticamente me jogo no sofá enquanto como e acabo ligando a televisão; surpreendentemente, Royal não está dormindo no chão da sala, então me pergunto onde ele deve estar… provavelmente está dormindo ao lado de Katherine, no meu lado da cama após a minha saída, mas não fico bravo com isso. Não sei como descobri isso, mas entendo a afeição de Royal por ela porque sinto a mesma coisa… em partes, quero dizer.

O apresentador discute com alguém do auditório e há duas pessoas sentadas ao lado do homem de meia idade. Algo sobre discussões familiares; nunca me interessei por aquele tipo de programa, mas as palavras que são trocadas são hábeis e super inteligentes. Foco minha atenção na televisão e, quando vejo, Royal está lambendo meu rosto.

– Bom dia, garoto – eu rio e Royal gira a cabeça – Certo, boa tarde.

Ele late e rouba o resto do rolinho da minha mão; penso em retirá-lo dele, mas quando tomo coragem para enfiar a minha mão em sua garganta, ele já engoliu e começa a respirar sobre mim, pedindo carinho.

– Bom dia – ouço a voz sonolenta; viro a cabeça e estico o pescoço para olhá-la.

– Boa tarde – conserto; ela acena com a mão.

– Tanto faz – boceja – Vou pegar uns rolinhos.

Não acho que tenha sido uma pergunta, e sim uma afirmação, então não respondo. Royal pula do meu colo e começa a fazer festinha para ela.

– Seu traidor – faço muxoxo e ouço a risada dela.

– O que foi? – ela pergunta num tom de voz infantil – O que foi? Você quer?

O impulso é forte demais e não consigo contê-lo; o canto da minha boca se ergue num sorriso e eu me levanto antes que possa pensar em não fazê-lo. Ela levanta a cabeça e olha para mim; seus cabelos estão bagunçados e despenteados, mas acho que fica legal. Ela retribui meu sorriso quando percebe que eu a encaro por algum tempo e eu começo a sentir as bochechas queimando por causa disso. Respiro fundo e vou até ela, chamando a atenção de Royal com batidinhas nas coxas. Posso ver que ele fica confuso, e então fica de quatro novamente, revezando seus olhares para cada um de nós.

– Ele gosta de rolinhos primavera – eu explico –, mas também é doido por carinho. E aí, garotão, o que você escolhe?

Ao invés de ir até um de nós, Royal corre para trás, vindo com uma bola murcha na boca. Eu rio e balanço a cabeça.

– Uma bola murcha é melhor do que eu – finjo estar chateado – Uma bola murcha é melhor do que eu com rolinhos primavera! Seu traidor!

Ele uiva em resposta e sai correndo com o brinquedo, latindo ao longe. Olho para ela e vejo que ela sorri, mas não para o local onde Royal está e não para os rolinhos, ela sorri para mim. Coço a cabeça e esboço um projeto de sorriso, mas que acaba sendo cômico.

– Desculpe por tudo aquilo ontem – sussurro quando ela termina de rir; seus olhos me encaram e eu quero me perder dentro deles – Eu não queria que ficássemos mal.

– Não acho que pensamos bem quanto ao quesito… – ela começa; solto um pigarro.

–… espaço pessoal. – completo; ela ri.

– Somos como uma máquina! – ela exclama surpresa, eu balanço a cabeça.

E, simples assim, nós somos amigos de novo. Sem história de espaço pessoal ou ignorância da parte dos dois, porque não precisamos disso. Somos melhores do que isso, e vamos arranjar um jeito de construirmos uma relação melhor, eu acho.

Eu conto com isso.

Posso até dizer que desejo isso.

Notas finais
Ficou pequeno, tenho ciência disso, mas é como um "bônus", então é só um fragmento de capítulo mesmo. De qualquer forma, quero que saibam que o próximo vai conter uma saída deles, uma reconciliação (talvez até com as salienças que vcs tanto gostam, que tal? kdlaçks) Divulguem a fic, porque assim ela não flopa! Comentem, favoritem, recomendem, acompanhem, indiquem pros coleguinhas, façam de tudo pra que eu não tenha que abandonar porque não é uma coisa que eu gostaria de fazer! Peço suas reviews sinceras quanto a esse capítulo, quis dar um agrado a vocês por todo o feedback que recebi de todos. Pode não ter ficado grande, mas acho que ficou bonitinho, apesar do tamanho. Recebi mensagens privadas no twitter, recebi inclusive uma foto onde uma de vocês (não sei quem foi e não sei se tem conta aqui, mas eu amei, saiba disso) escreveu "Drive By" no pulso com caneta permanente. Achei uma fofura e pode apostar que eu coloquei como meu papel de parede no celular u.u Até os comentários, cupcakes!