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4 3. Dia 1 - Cinema


Notas iniciais
Oi, oi, cupcakes! Eu prometi que hoje ia ter capítulo novo e cá estou eu! Tem saliença nesse capítulo, meus caros, antes que queiram me bater por causa de dois capítulos seguidos sem safadeza, então, me amem jweposdm Ficou bem grandinho porque tenho que narrar um dia inteiro (ou quase isso) em um só capítulo e isso acaba comigo porque fico repetindo muitas coisas e acaba ficando cansativo, então... Boa leitura! (e me digam se ficou cansativo lá embaixo!)

"Ama-se quem se ama e não quem se quer amar."

– Florbela Espanca.

Eu acordo sentindo cócegas no pescoço; tento expulsar o que quer que seja, mas o bendito continua ali, roçando na pele sensível abaixo da orelha e então sinto o peso extra sobre o tórax e tomo coragem para abrir meus olhos. De início, não consigo enxergar nada por causa da visão embaçada, mas logo depois consigo ver o formato de um braço e cuspo cabelo, sentindo gosto de frutas. Olho para ela, dormindo ao meu lado, com seus cabelos esparramados sobre o travesseiro e até mesmo sobre mim, com um dos braços sobre meu peito e uma das pernas sobre as minhas pernas.

Com todo o cuidado do mundo, eu retiro seu braço e sua perna de cima de mim, com medo de acordá-la. Abro a porta, torcendo para que a dobradiça não ranja com a lentidão, e agradeço aos céus quando ela não o faz; desço as escadas nas pontas dos pés, porém, com rapidez até que chego à cozinha, onde até Royal ainda dorme. Balanço a cabeça e imagino o que seria de nós se, de repente, um ladrão entrasse aqui e tentasse assaltar a casa no meio da madrugada; Royal deve ser o primeiro que fugiria.

Abro o armário sobre a pia e puxo um pote que ganhei da minha mãe há alguns anos atrás onde há escrito em palavras bordadas “Café” e uma coruja desenhada com canetas coloridas; eu coloco o pó na cafeteira e depois despejo água. Não sou um fã de fazer café do modo tradicional – colocando no fogo e esperando que ele suba, depois misturando água fervendo para colocá-lo numa garrafa térmica, e minha mãe sempre foi ciente disso. Por esse motivo, ganhei a cafeteira elétrica, que uso bastante em noites de insônia ou quando trabalho em alguns capítulos do livro que ando escrevendo.

Procuro por algum tipo de pão ou torradas que eu possa oferecer para um café da manhã decente, mas só o que eu tomo de manhã é uma xícara, às vezes duas, de café preto. Solto um grunhido irritado quando só o que acho é pão dormido numa cesta escondida atrás de um fruteiro. Então, uma de minhas brilhantes ideias surge do nada: por que não fazer panquecas de chocolate?

Não sou um ótimo cozinheiro, mas sempre me virei direitinho e nunca tive intoxicação alimentar por causa dos alimentos que preparo, então me julgo apto para preparar panquecas de chocolate com morangos para o café. Despejo a mistura da massa numa frigideira própria e então deixo que o fogo faça seu trabalho enquanto eu misturo o chocolate em pó com leite e o coloco na leiteira para engrossar numa calda.

Enquanto a panqueca toma forma, o pó de café vira líquido e o chocolate engrossa, escolho morangos dentro da geladeira e aproveito para surrupiar algumas cerejas para enfeitar os pratos; não sei bem quando comecei a comprar cerejas, mas suponho que tenha sido pouco depois de ter pagado a ela para vir aqui da primeira vez.

Ouço o chiado da cafeteira e retiro o fio da tomada, deixando o café esfriar um pouco para que eu possa tocar no depósito; viro a panqueca e mexo no chocolate. Novamente, volto aos enfeites dos pratos – os morangos já estão cortados em cubos e as cerejas envolvem o prato dela, deixando uma trilha de suco/calda/o que quer que seja. Resolvo deixar para comer as sobras da massa porque não sinto tanta fome – o que não é anormal, nunca como de manhã mesmo.

Passo a panqueca para um prato plano e corto a massa para que ela não fique tão grande e despejo a massa já cortada no prato dela, sujando sua parte inferior de vermelho. Pego a leiteira que segura o chocolate derretido e desligo o fogo; estico o braço para pegar uma colher e começo a deixar algumas trilhas de chocolate sobre a massa fofa e cor de creme. Despejo os morangos sobre o chocolate e os movo com o indicador, formando um rosto sorridente na imensidão de chocolate. Sorrio ao apreciar meu trabalho como cozinheiro e tateio um dos armários à procura de canecas de café.

Arrumo o prato com a minha obra de arte alimentícia e uma caneca cheia de café e subo as escadas devagar para não derrubar nada; empurro a porta com o pé e posso ouvir um grunhido dela e então a observo enquanto ela estica os braços e as pernas, esticando os músculos num espreguiço que eu gostaria de estar dando no momento. Ela lambe os lábios e fareja o ar, abrindo os olhos e dando de cara comigo ali, olhando para ela.

– Bom dia – ela supõe; eu rio e começo a me aproximar enquanto ela se ajeita para receber a bandeja.

– Bom dia – eu beijo sua testa – Como dormiu?

– Como um bebê – ela suspira – Não durmo tão bem assim desde que… não, na verdade, acho que nunca dormi assim em toda a minha vida! Foi a melhor noite que eu já tive.

– Fico feliz por ouvir isso – eu sorrio enquanto puxo a minha caneca da bandeja; os olhos dela adquirem um brilho diferente ao notar o desenho que fiz com morangos e cerejas.

– Isso são cerejas no chocolate? – ela pergunta, apontando para as frutas; eu engulo o café e balanço a cabeça.

– “Algo que contenha chocolate ou cerejas, mas os dois juntos também é uma boa escolha” – eu repito as palavras dela – Você me disse isso quando perguntei sobre sua comida predileta.

– E eu acho incrível que você se lembre das minhas exatas palavras – ela ri enquanto se atrapalha para cortar a panqueca – Então, o que vamos fazer hoje?

– Pensei em irmos ao shopping, passarmos em alguma livraria, comprarmos roupas para você, sapatos, fazermos um lanche e então comprarmos alguns filmes para passarmos o tempo – eu dou de ombros e dou mais uma golada no café – Pensou em alguma coisa?

– Vai até parecer idiota – ela diz, enfiando um pedaço de panqueca encharcado de chocolate e um morango cai do garfo, batendo no prato e espalhando chocolate pela bandeja –…, desculpe, mas eu pensei na mesma coisa. Bem, talvez não exatamente a mesma coisa, mas a sua ideia parece melhor.

– O que pensamos diferente? – quero saber; ela balança a cabeça e cobre a boca com a mão.

– Não é nada demais, vamos fazer o que você sugeriu – ela sorri enquanto puxa uma cereja com a mão e a coloca na boca, separando a fruta do cabinho verde.

– Mas agora você me deixou curioso, e se há uma coisa que eu não gosto, é de ficar curioso, então você trate de me explicar – eu falo numa velocidade absurda e ela iça as sobrancelhas e ri de mim quando termino de falar; arfo e sorrio para ela – Me diga o que foi que pensamos diferente.

– Eu achei que, ao invés de comprarmos alguns filmes ou irmos à livraria poderíamos só comprar as roupas, fazer um lanche e então irmos ao cinema. – ela dá de ombros – Mas a sua ideia parece muito melhor!

O cinema! Por que não pensei nisso antes?

Deixo a minha caneca sobre a bandeja e olho para ela enquanto ela corta mais um pedaço da panqueca, tomando cuidado para não deixar o chocolate escorrer da borda do prato; ponho minha mão sobre a dela, impedindo que continue a cortar os pedaços do alimento e faço isso eu mesmo, levando a massa embebida em chocolate cremoso até os lábios dela, que se abrem de imediato, recebendo o chocolate com frutas.

Ela sorri enquanto mastiga e o canto de sua boca fica sujo de chocolate; preciso de muita força de vontade para não curvar as costas e limpá-la eu mesmo. Continuo quieto, porém, e volto a cortar alguns pedaços da massa da panqueca para não jogar tudo pelos ares e começar a beijá-la ali mesmo, esquecendo-me completamente dos planejamentos que fizemos agora há pouco.

– Ainda não acredito que foi você quem fez isso – ela aponta para a panqueca e abre a boca para receber outro pedaço embebido em chocolate em calda.

– Por que não? – questiono, empurrando um pouco mais de chocolate para um pedaço enorme que não cortei direito – Só porque eu não sou caseiro não significa que eu não saiba cozinhar; vivo sozinho por anos. Eu teria que aprender a cozinhar se quisesse viver sozinho, e eu aprendi…, não sozinho, mas aprendi.

– Essa receita – ela diz, lambendo os lábios, mas a manchinha de chocolate no canto da boca continua presente, gritando para que eu a limpe com os meus próprios lábios – Eu nunca comi nada parecido; onde aprendeu?

– Meio que inventei – suspiro – Eu não tinha nada para fazer em alguns dias e não estava muito a fim de sexo, então eu começava a inventar algumas receitas malucas. Algumas davam certo, como essa aqui, mas outras ficavam um desastre total, como um pudim que eu tentei fazer, que mais parecia uma maria-mole no fim.

Nós conversamos mais um pouco até que ela alega estar cheia para terminar a panqueca, mas surrupia as cerejas do prato antes que eu tenha alguma chance de consumi-las; olho para ela com um sorriso, o qual ela retribui de leve, caminhando até o banheiro com a pilha de roupas da noite passada. Quase quero segui-la, mas não o faço – tenho louça para lavar e roupas para escolher.

Desço as escadas com a bandeja na mão e coloco o prato dentro da geladeira enquanto o resto do café vai pelo ralo, fazendo um barulho engraçado enquanto desce pelos canos; abro a torneira e despejo detergente sobre a esponja amarela, fazendo espuma, mas, antes que eu tenha a chance de lavar a caneca, ela chega por trás de mim e cobre meus olhos.

– Não devia fazer isso com um homem que segura uma esponja cheia de detergente em espuma – eu caçoo; ela ri e tira as mãos dos meus olhos.

– Deixe que eu faço isso – ela dá um pigarro e meneia a cabeça para mim; olho para baixo e vejo que ainda estou de cueca – Vá se vestir para que possamos sair mais cedo.

– Você é quem manda! – largo a esponja sobre a pia e subo dois degraus de cada vez, ansioso para poder tomar um banho.

Largo a cueca sobre o chão do quarto mesmo e corro para o banheiro, girando a torneira de água fria; olho para baixo e constato o que eu temia: tenho uma ereção e ela pulsa. Jogo a cabeça para trás e não penso quando levo uma das mãos a mim mesmo e começo a estimular meu próprio corpo, começando a recordar a noite que a trouxe para casa pela primeira vez. Solto um ganido baixo e temo que, se gemer alto demais, ela possa ouvir e suspeitar de alguma coisa, então tento conter os ruídos que produzo. Aumento a velocidade da minha mão e jogo a cabeça para trás, com os olhos fechados e com os lábios pressionados um contra o outro numa tentativa de não gritar o nome dela.

Sinto a sensação de alívio percorrer meu corpo quando explodo, jorrando no boxe; uma grande parte simplesmente desce pelo ralo junto com a água, mas há uma pequena parte, pouco menos de ¼ que gruda no vidro após a ejaculação, então tenho que encher as mãos em concha d’água e jogá-la no vidro. Eficiente, mas não tira tudo, então tenho que esfregar o vidro sujo e pegajoso com as minhas mãos.

Estendo o braço para a queda d’água e deixo que ela leve os últimos resquícios de que tenha havido algum tipo de insinuação sexual por ali. Puxo o frasco de xampu e aperto sobre a cabeça, lembrando-me de fechar os olhos antes de começar a esfregar; a espuma começa a descer pelo canto do meu rosto, entrando nos meus ouvidos. Também não gosto de quando isso acontece…

POV Katherine/Cherrypie

Lavo o restante da louça deixada na pia e ajoelho no chão para acariciar Royal, que se assusta e acorda quando toco sua cabeça; faço um chiado com a boca e ele volta a apoiar a cabeça nas patas, fechando os olhinhos novamente. Sorrio e então me sento no sofá, à espera de Richard, esperando que não demore muito para se vestir.

Tento me distrair com alguma coisa, mas não sei onde ele guarda seus livros ou os projetos que disse que escreve, então fica difícil. Depois de uns cinco minutos, subo as escadas e abro a porta do quarto, encontrando-o de costas para mim, fuçando alguma coisa no armário, com uma toalha enrolada na cintura e gotículas de água escorrendo pelas costas e pelos braços. Não vou negar que desde que o vi, fiquei louca pelos braços dele – são enormes e de todo musculosos, não tenho culpa por desejá-los.

– Problemas em escolher as roupas? – pergunto; ele pula com o susto e sua toalha cai ao chão.

Não desvio o olhar de seu corpo ainda molhado quando ele se abaixa para pegar a toalha para enrolá-la ao redor da cintura novamente; ele ajeita os cabelos molhados desalinhados e faz careta para mim, a qual retribuo depois de um tempo. Peço espaço a ele e então começo a olhar suas roupas; opto por uma calça jeans e uma camiseta branca porque é o mais básico que alguém tenha. Procuro sua gaveta de cuecas e, quando a encontro, puxo uma vermelha e entrego a ele.

– É estranho saber que você sabe o que estou usando por baixo das calças – ele diz; dou de ombros.

– Sou bem manipuladora – eu digo a ele – Se vamos morar juntos por um mês inteiro, saiba disso.

– Já estou começando a aprender – ele bufa e então vira de costas para se vestir.

Não desvio o olhar de seu corpo enquanto ele se apoia nos móveis para se vestir; observo cada curva dos músculos de seus braços e então, gotas d’água começam a escorrer de seu cabelo para o pescoço, e então para as costas e param no cós da calça quando entram em contato com o tecido jeans. Seguro a respiração quando ele vira de frente para mim e me pega olhando para ele daquele jeito; o sorriso que ele dá é malicioso e seus olhos brilham enquanto ele veste a camiseta.

– Pervertida – ele ri e começa a sair do quarto; demoro algum tempo para me recuperar de tê-lo visto daquele jeito.

Solto o ar que prendia em meus pulmões e encaro o chão, desnorteada por algum tempo. Meu santo pai, o que é esse homem? Começo a sair do quarto e quase tropeço em Royal, que veio para me buscar; desço com ele à minha frente, guiando-me para fora. Richard já ligou o carro e me espera dentro do veículo para que tenhamos nosso primeiro dia de diversão.

/POV Katherine/Cherrypie

O estacionamento do shopping sempre está lotado, e por esse motivo e vários outros que fico radiante quando, logo no primeiro piso, percebo uma vaga maravilhosa e bem perto da saída. Os olhos dela se estreitam para mim quando começo a assobiar enquanto estaciono, mas não olho de volta; o espaço da vaga de repente parece ter encolhido consideravelmente e nós quase não temos espaço para sair.

– Olho clínico – ela caçoa – Espero que não hajam carros ao lado do nosso quando viermos embora.

“… não hajam carros ao lado do nosso…”, foi o que ela disse. Quase quero puxá-la para meus braços e nunca mais soltar. Talvez não seja tão difícil para ela se acostumar com uma vida a dois.

– Vamos comprar as roupas primeiro? – ela pergunta; balanço a cabeça.

– Não acho que vá ser uma boa irmos ao cinema com um monte de sacolas em nossos pés – replico – Que tal vermos o filme antes de comprar roupas?

– Eu topo – ela diz, e entrelaça seus dedos nos meus; olho para ela e deixo um sorriso tomar conta do meu rosto enquanto caminhamos até o elevador.

‘…’

Em minhas mãos carrego um enorme saco cheio de pipocas amanteigadas e ela carrega os ingressos e o enorme copo de refrigerante; nós entramos na sala com bastante dificuldade por conta da escuridão e porque ela resolveu escolher os assentos mais distantes da tela – aqueles lá do alto. Ela se ajeita na poltrona e pega a pipoca de minhas mãos; não faço a mínima ideia de que filme seja, mas do jeito que ela se aproxima de mim quando a sala escurece um pouco mais, suponho que seja algo de terror.

– Que filme é esse? – pergunto ao tentar ler as letras embaraçadas umas nas outras.

– O Sacrifício – ela diz; balanço a cabeça e passo o braço por cima de seus ombros; ela segura a pipoca e o copo está entre nós – É terror.

– Supus que fosse – eu sorrio e ela ergue os olhos para mim – Estou aqui caso se assuste durante o filme.

– Eu sei – é tudo o que ela diz; eu sorrio e pego algumas pipocas com a mão livre – Minha amiga já tinha ido ver esse filme com o novo namorado; eles me chamaram para sair com eles, mas resolvi não ir porque sei como os dois são quando vão ao cinema e não queria ficar pagando de vela.

– Só que ficou muito curiosa para ver o filme, mesmo que o gênero aterrorize você – suponho; ela balança a cabeça e rouba uma pipoca da minha mão – Ei!

– Sh – ela chia – O filme começou.

Porém, não presto atenção ao filme; meus olhos estão fixos no rosto dela, que demonstra toda a excitação e o pavor que ela sente no momento em que uma voz grave e melodiosa começa a narrar as palavras que sobem pela tela. Sem perceber, meu rosto já está próximo do dela, por mais que eu esteja querendo me afastar de seu corpo, controlar meus instintos.

– Espaço pessoal – ela sussurra, colocando uma pipoca na boca.

– Isso não existe com a gente – sussurro de volta e recebo um olhar feio de uma mulher várias poltronas abaixo – Olhe para mim.

Katherine obedece, erguendo o rosto para mim; os olhos dela estão escuros, e tenho certeza de que não é só pela falta de iluminação da sala. Toco seu queixo com meu indicador e ergo seu rosto para o meu; ela fecha os olhos e eu faço o mesmo, roçando nossos lábios. Há algo como uma crepitação de estática quando nossos lábios se juntam, e eu até gosto daquilo. Ela, porém, se afasta de forma brusca, emitindo um estalo que ecoa pela sala de cinema.

Os olhos dela voltam a se focar no filme, mas eu não quero saber dele. Não vejo o tempo passar até que ela se encolhe em meus braços, encostando a cabeça em meu peito e fechando os olhos com força. Olho para o telão e vejo sangue sendo derramado, pessoas sendo mortas, uma total carnificina, e não a culpo de estar apavorada com aquilo porque eu também estou. Em parte.

Beijo sua cabeça para transmitir conforto e ela suspira baixinho; recebemos outro olhar da mulher lá de baixo, mas eu não ligo. Se ela está incomodada, que peça aos seguranças para nos retirar da sessão! O corpo dela treme enquanto seus olhos vagueiam para meu rosto e eu encaro seus olhos.

– Estou com medo – ela move os lábios, mas sem emitir som; balanço a cabeça e sorrio.

– Não precisa – movo os lábios também – Estou aqui.

Ela esfrega a bochecha na minha camiseta e eu a puxo um pouco mais para perto embora haja uma divisória de metal entre nós. O corpo dela se retesa quando entra em contato com o braço da poltrona e então ela tenta se ajeitar; solto uma risada baixa e deixo que ela se ajeite sem meus braços pressionando-a contra o metal gelado.

Os músculos dela retesam quando um grito animalesco ecoa pela sala de cinema; ela abraça o próprio corpo e fecha os olhos com força. Eu me viro para ela, erguendo sua cabeça com o indicador novamente; ela deixa que eu me aproxime e roce nossos lábios, friccionando nossas peles.

Me beije – ela sussurra – Oh, céus. Me beije.

Puxo o rosto dela contra o meu e respiro fundo, armazenando oxigênio nos pulmões; ela toca o meu braço, apertando minha pele. Aprofundo o beijo e posso notar sua surpresa e hesitação em correspondê-lo; descolo nossos lábios e encosto nossas testas. Respiramos com dificuldade e ela ainda mantém os olhos fechados; roço nossos narizes e sorrio.

– Não quero mais assistir ao filme – ela reclama; eu rio baixinho.

– Vamos embora – digo, começando a me levantar.

Ela fica de pé e larga a pipoca na poltrona; eu pego o copo de refrigerante e nós começamos a sair da sala de cinema, entregando os bilhetes para o segurança na porta. Envolvo a cintura dela com um dos braços e beijo sua cabeça enquanto caminhamos até o andar de baixo, onde há uma loja de roupas, se me lembro bem. Não costumo vir ao shopping, mas, quando venho, sou detalhista e, da última vez que vim, havia uma loja de roupas.

– É muito caro – ela diz quando começamos a entrar na loja – Não precisa gastar tanto comigo.

– Preciso – murmuro – Você vai morar comigo por um mês, e não quero que use roupas ruins ou baratas demais.

– Qual o problema com roupas baratas demais? – ela pergunta erguendo os olhos para mim; balanço a cabeça.

– Nenhum! É que, na maioria das vezes, roupas baratas não são de boa qualidade. – explico – É por isso que quero que escolha o que lhe agradar. Estarei logo ao lado dos provadores.

POV Katherine/Cherrypie

Ele me deixa sozinha no meio de um monte de calças, shorts e saias; do outro lado há uma arara de vestidos que me atraem. Meus pés traem minha consciência quando traçam o caminho até os vestidos e sapatos; toco os tecidos e sinto a maciez sobre minhas palmas. Uma atendente olha para mim pelo canto dos olhos, como se eu não pudesse bancar qualquer peça daquelas; ela tem razão, eu não posso bancar aquelas roupas. Não faço ideia do que acho que estou fazendo ali – é como se eu estivesse me aproveitando da boa vontade dele.

– Posso ajudar? – ouço a voz de uma jovem atrás de mim; balanço a cabeça.

– Não… eu estou só olhando – suspiro – Obrigada.

Recebo um aceno de cabeça e a menina se afasta. Volto a olhar para os vestidos e então engulo a vontade de pegar alguns, afastando-me da arara; procuro calças e blusas mais baratas, mas todas estão na mesma faixa de preço.

– Pegue o que desejar – ouço a voz dele atrás de mim; dou um pulo e quase derrubo uma arara de saias.

– Não posso – dou de ombros – É como se eu estivesse me aproveitando de você.

– Mas não está – ele sorri – Eu quero que compremos o que lhe agrada, não quero que se sinta obrigada a vestir sempre as mesmas coisas para dormir ou para simplesmente assistirmos alguma coisa na televisão.

– É muito caro – tento convencê-lo.

– Eu sei, e continuo não me importando com isso – ele sorri – Eu a trouxe aqui porque as melhores roupas são dessa loja, então quero que pegue o que quiser, não importa o preço, eu compro.

Olho para uma das calças que me chamou a atenção; é jeans, mas com um tom avermelhado, então eu a puxo para o peito, grudando-a a mim. Ele sorri e balança a cabeça para cima e para baixo; puxo uma regata solta do outro lado e entrego a ele, que ri da minha animação para pegar as roupas.

– Pegue um ou dois pijamas também – ele aconselha – Não acho que vá querer usar minhas blusas pelo mês inteiro.

– Não preciso de pijamas – dou de ombros e encaro seus olhos confusos – Tenho suas camisas.

O sorriso que ele abre é algo maravilhoso, então eu rio e começo a escolher calcinhas, pedindo a ele que não olhe para mim enquanto passo as mãos pelos tecidos. Há algumas que nunca imaginei encontrar – ou, até mesmo, possuir, mas hoje, tudo é possível.

Nós demoramos mais de duas horas dentro da loja e, quando saímos, cada um tem cinco sacolas nos braços. Começamos a nos esbarrar para ir até o estacionamento quando ouço a voz de uma mulher chamando o nome dele; impulsivamente, eu me viro junto a ele quando ouço o grito surpreso da mulher.

Ele deixa as sacolas no chão e abraça a mulher que deve ter lá pelos seus quarenta anos; os dois conversam em palavras que não entendo – talvez uma língua estrangeira, mas então ele pede para que falem em inglês. A ruiva ri e balança a cabeça rapidamente, concordando com o que ele disse:

– Sim, desculpe, meu filho – meu estômago revira – E quem é esta linda moça?

Começo a me desesperar, mas então ele passa um dos braços sobre os meus ombros e ergue meu rosto com uma das mãos, pressionando seus lábios contra os meus antes que eu possa sequer pensar em fugir dali.

/POV Katherine/Cherrypie

Quando minha mãe – que eu não vejo há alguns anos – pergunta sobre Katherine, eu a beijo sem pensar num motivo melhor para fazê-lo. Com viagens de teatro, mina mãe nunca é presente, mas nunca me importei e, como ela não conhece as origens de Katherine ou muito menos sobre a aposta que fizemos, nunca vai saber como vamos terminar sozinhos, afastados um do outro.

– Mãe – digo, quando separo nossos lábios – Esta é Katherine, minha namorada.

Sinto o corpo dela enrijecer sob meus braços, mas não me importo. Minha mãe sorri com a felicidade estampada no rosto e então se aproxima para nos abraçar; beijo sua cabeça quando ela aperta nossos corpos num sanduíche de gente e então nós inventamos uma desculpa qualquer para ir embora. Assim que chegamos no estacionamento, ela larga as bolsas no chão e me dá um tapa no peito.

– Isso doeu – reclamo, massageando o peito por cima da camiseta – Por que fez isso?

– Por que disse que era meu namorado? – ela perguntou – Não chegamos sequer perto disso! Não temos um laço de relacionamento! Tudo isso é uma aposta idiota, e eu sou uma prostituta…, por que não pode simplesmente me deixar ir embora e ganhar seu dinheiro de volta devolvendo essas roupas? Por que me quer na sua casa?

Eu não respondo; pego as bolsas que ela largou no chão e as coloco no banco traseiro junto com as que eu carregava. O estacionamento está deserto e, enquanto ela grita comigo, sem que ela espere, puxo seu corpo para perto do meu e pressiono suas costas contra o carro; um grito surpreso escapa pela boca dela e posso ver o pavor estampado em seus olhos. Com ferocidade, pressiono os lábios contra os dela e aperto sua cintura com uma mão enquanto a outra brinca com o V entre suas pernas, mesmo que ainda vestida.

Ouço o gemido saindo de sua garganta quando massageio o local por cima da calça e então paro de beijá-la, segurando seu rosto numa das mãos enquanto continuo com as carícias.

– Você ainda quer ir embora? – pergunto, fazendo pressão sobre sua intimidade; ela geme.

– Não – ela arfa – Não, não.

– Nós dois vamos voltar para minha casa – eu explico e vejo seus lábios pressionados um contra o outro numa tentativa de conter um grito – E então vamos terminar o que começamos.

– Sim – ela suspira quando a solto.

‘…’

Não nos importamos em retirar as coisas de dentro do carro ou em sequer trancá-lo; entramos em casa aos tropeços e subimos as escadas aos beijos. Ela já está nua quando a jogo sobre a cama, subindo em cima dela enquanto retiro as minhas calças; ouço seu grito quando faço pressão sobre seu clitóris. Puxo uma camisinha de cima do meu criado mudo e deslizo o plástico sobre a minha ereção pulsante; ela segura os lençóis com força enquanto deslizo para dentro dela.

– Quieta – peço – Não faça barulho.

Ela pressiona um lábio contra o outro e choraminga quando saio totalmente de dentro dela, fechando os olhos com força. Pego impulso e volto a deslizar para dentro dela com força e rapidez, arrancando um grito surpreso dela, que abre os olhos e arfa, enlaçando as pernas ao redor de meus quadris.

Apoio meu peso nos cotovelos e começo a retirar as mechas de cabelo de seu rosto enquanto faço os movimentos de entra e sai com lentidão; ela fecha os olhos e solta gemidos longos enquanto seus dedos arranham as minhas costas.

– Abra os olhos – peço; ela obedece e vejo o verde escurecido.

Sem mais aguentar, tomo impulso e forço minha entrada para dentro dela mais uma vez; ela joga a cabeça para trás e suas pernas começam a tremer enquanto um longo e alto gemido escapa de seus lábios. Escondo meu rosto no vão entre seu ombro e seu pescoço e estoco dentro dela mais uma vez antes de chegar ao ápice e jorrar; me levanto com dificuldade e retiro a proteção de plástico, dando um nó e jogando-a no lixo. Antes que eu possa voltar ao quarto, porém, dou de cara com ela enrolada num dos lençóis à minha frente, impedindo a minha passagem. Sorrio e me aproximo dela, puxando-a pela cintura; de surpresa, ela deixa o lençol cair aos nossos pés e eu alargo o sorriso, beijando seu pescoço e mordendo o lóbulo de sua orelha.

– Estou com fome – ela murmura; eu mordo a pele sensível abaixo da orelha e ela se contrai, rindo.

– Eu também – suspiro – Podemos pedir uma pizza.

– Podemos. – ela ri – Eu peço.

E, antes que eu possa reclamar, ela corre pelas escadas enrolada no lençol e eu começo a rir sozinho. Nunca antes conversei com uma mulher depois de fazermos sexo, nunca beijei uma mulher antes ou depois, e isso é algo novo para mim. Visto uma boxer e desço as escadas, chegando a tempo de vê-la desligando o telefone; seguro-a pela cintura, fazendo-a dar um pulo.

– Odeio quando você faz isso! – ela reclama; eu beijo seu pescoço – Mas eu gosto de quando beija meu pescoço.

– Só o pescoço? – finjo estar magoado; ela ri e balança a cabeça, deixando o lençol cair.

– Muitas outras partes… – a voz dela enrouquece e tremula quando ela diz isso – Em trinta minutos a pizza chega e, se não chegar depois desse tempo, é grátis!

Rapidamente, ela sobe as escadas e não demora muito lá em cima, descendo com uma das lingeries que compramos. Meu queixo cai, literalmente; não sei o que dizer quando ela me abraça e envolve meu pescoço com os braços. Tento beijá-la, mas ela recua e se joga no sofá, admirando as novas peças. Talvez ela tenha surrupiado uma das lingeries que compramos antes de entrarmos em casa, mas, de verdade, não me importo, porque eu também me encontro admirando as peças em seu corpo.

Admiro embora prefira vê-la sem nada. Não tenho outra alternativa senão me sentar na poltrona ao lado e observá-la adormecendo.

‘…’

O som da campainha me acorda de um sonho maravilhoso, mas nem que eu pudesse poderia contá-lo a vocês. Ela reclama e eu olho no relógio – já passou bem mais de meia hora; cutuco a barriga dela, acordando-a com cócegas.

– Nossa pizza chegou – eu digo; ela ergue as sobrancelhas –… bem depois de trinta minutos.

Ela sorri vitoriosa e se levanta para buscá-la, mas eu solto um pigarro, atraindo sua atenção para mim. Eu rio ao ver a confusão estampada em seu rosto e me levanto, tocando sua barriga mais uma vez.

– Ele não vai receber pela pizza, mas acho que iria gostar de uma gorjeta – eu aponto para o corpo dela e vejo suas bochechas ficarem vermelhas – Pena que ele não vai receber.

– Como assim? – ela questiona, cruzando os braços na frente do peito.

– Pegue os copos, bebidas e guardanapos enquanto eu recebo a pizza.

Ela balança a cabeça e sai correndo para a cozinha enquanto abro a porta; o entregador fica vermelho ao me ver só de cueca, mas não me importo. Pego a caixa de pizza e agradeço pela demora; ele não entende e começa a subir na moto novamente. Sorrio enquanto coloco a caixa quente sobre a mesa de centro, expulsando controles remotos e jornais de cima de um pano bordado; ela se aproxima de mim com vários guardanapos e duas cervejas, colocando-os ao lado da caixa de pizza.

Eu observo a pizza sendo cortada, mas não quero olhar para o alimento; sequer quero me deleitar com seu sabor. Quero me deleitar com o gosto e o perfume de cerejas e creme que começa a me cativar um pouco mais a cada dia…

Oh, céus, o que está acontecendo comigo?

Notas finais
Então, cupcakes, o que acharam? Ficou cansativo demais? Ficou chulé demais essa cena de saliença (-q)? Não sei escrever essas cenas porque fico com vergonha jewdprerdmklwãs Divulguem a fanfic porque senão, flopa, e não acho que vocês queiram que ela flope (flopar é tipo ser esquecida, algo do tipo, e isso é ruim)... Também não quero um flop, então peço a vocês que divulguem, comentem, favoritem e recomendem, qualquer coisa que sirva para divulgar! Vejo vocês no próximo capítulo (e nos comentários)! Au revoir o/