Drive By | hiatus |
22 21. "Pestinhas"
Notas iniciais
Anteriormente, em “Drive By”:
“Então, quando entramos no quarto, ela fechou a porta com um baque surdo e virou-se para mim, os olhos marejados e os lábios trêmulos. Quis gritar para todos ouvirem, mas as palavras saíram da boca dela como se estivessem desesperadas por espaço:
– O que é que nós temos? – ela questionou, retorcendo o chaveirinho de plástico nas mãos sem, em nenhum momento, desviar o olhar, e eu fiquei nervoso de repente.
Olhando para ela daquela forma – e mesmo depois de sua pergunta –, perguntei a mim mesmo se conseguiria murmurar aquelas sete palavrinhas que eu segurava há dias, semanas, e talvez por tempo demais. Era a hora de soltá-las, eu sabia, mas não tinha ideia de como o faria sem que gaguejasse ou parecesse uma criança com problemas cerebrais. O desespero em seu rosto era quase palpável, e imaginei que eu devia estar quase mil vezes pior, o que só aumentou o meu nervosismo.
Nós nos olhávamos como se fôssemos, a qualquer momento, estrangular um ao outro, e não duvido que seja o que ela quer fazer comigo enquanto não respondo sua pergunta, mas, respirando fundo e reunindo toda a minha coragem restante – que não é muita, só para ressaltar –, puxei a caixinha de dentro do bolso da calça, ajoelhei-me à sua frente, o tempo todo sem quebrar o contato visual, e então, limpei a garganta e murmurei as palavras que tanto me agoniavam por tanto tempo:
– Katherine Beckett, você aceita se casar comigo?”
Ela engasgou.
Pela quantidade de filmes que já vi – e pela própria experiência de já ter visto alguns homens estranhos cobiçando minha mãe –, essa não era bem a reação que eu esperava; lentamente, pus-me de pé, abaixando a cabeça para o diamante solitário no círculo de prata. Não era uma grande coisa, mas achei que combinaria com ela e, o mais importante: que ela gostaria; pode não ter sido planejado, mas eu senti que era a hora certa.
Por outro lado, ela parecia estática; seus olhos estavam arregalados e as bochechas estavam num tom escarlate puro, como se tudo aquilo fosse apenas uma brincadeira de mau gosto. Fechei a caixinha num baque surdo e, conforme caminhava até ela, via como suas feições começavam a suavizar. Posso ter sido um idiota em não ter mostrado sinal algum do que faria – e, principalmente depois de hoje mais cedo, ter feito o pedido –, mas eu não me importei com mais nada enquanto não soltava aquelas palavras.
Acomodei a caixinha na palma aberta e fechei seus dedos sobre o veludo; por um momento, senti o calafrio perpassar a espinha antes que ela se pusesse na ponta dos pés e roçasse os nossos lábios. Os braços envolveram o meu pescoço antes que eu pudesse sequer reagir, e então senti o veludo roçando em meu pescoço, arrepiando-me por completo.
Eu não sabia muito bem o que fazer – parecia ter perdido a prática depois do longo tempo que ficamos sem nos tocar. Lentamente, ela se afastou ao ver que eu não retribuía ao seu contato; quis puxá-la de volta para mim e tê-la de mil e uma formas possíveis só naquele quarto, mas também queria uma resposta antes de fazê-lo. Olhei para a caixinha envolta pelos dedos finos e compridos, e ela seguiu o meu olhar, respirando fundo e tornando a abri-la; o anel cintilou com a luz fraca do quarto, e ela sorriu amplamente ao retirá-lo da caixa.
– Repita – ela murmurou baixinho, olhando para o círculo prateado pendurado em seus dedos.
Obedeci, e repeti com todas as sílabas. Lentamente, os olhos dela desviaram-se do anel para mim, e seu sorriso só fez crescer; sorri para ela também enquanto via seus lábios formarem um pequeno ‘o’ antes que ela me desse sua resposta. O leve balançar de sua cabeça fez-me o homem mais feliz do mundo, e tudo o que eu queria era beijá-la até que meus pulmões explodissem.
E foi exatamente o que eu fiz.
POV Katherine/Cherrypie
Não sei muito bem quando começamos a nos beijar como dois famintos, e muito menos quando caímos na cama, mas eu estava adorando. O anel estava colocado de qualquer jeito no meu dedo, prendendo a minha pele, mas a dor não se fazia muito presente naquele momento, e eu agradecia aos céus silenciosamente por isso; passei as mãos pelos cabelos de Richard enquanto ele beijava o meu pescoço e, Deus, como eu senti falta disso!
Tudo o que aconteceu naquele galpão pode ter impedido o nosso contato por bastante tempo, mas não mais – e foi tão horrível ter que me privar de seus toques, de seus beijos e… bem, dele como um todo.
Retribuo o beijo faminto que ele me dá, passando as unhas pela pele sensível de seu pescoço; ele solta um gemido baixinho e eu separo os nossos lábios, sentindo o volume dentro de suas calças batendo contra as minhas coxas. E, em apenas um momento, vi-me nua à sua frente, com todas as minhas roupas emboladas numa multidão de roupas espalhadas pelo quarto.
Ele não demorou muito tempo para retirar as próprias, e eu o agradeci em silêncio por isso; segurei seus cabelos conforme ele ia dando beijinhos em minha barriga, até chegar perigosamente perto do V entre as minhas pernas. Lutei contra o impulso de fechá-las e não dar a ele o acesso necessário; ele beijou os meus grandes lábios e depois os afastou com os dedos, começando a abrir espaço dentro de mim com a língua.
Puxei seus cabelos com força, sentindo todos os meus nervos sacudindo dentro de mim; gemi, e não foi um simples gemido. Pude ver o sorriso de canto que havia em seu rosto, mas não consegui pensar depois disso; os dedos abriram espaço dentro de mim enquanto ele brincava com a língua, circundando, alisando e acariciando-me de mil jeitos diferentes.
– Céus, por favor – implorei – Pare com isso já!
Mas ele não quis me dar ouvidos e continuou brincando comigo; meus músculos pediam por clemência enquanto eu movia o quadril em sua direção. Pouquíssimo tempo depois, senti as pernas tremendo e o ar faltando aos pulmões; joguei a cabeça para trás e não consegui conter o grito gutural que voou pelos meus lábios: eu gritei o nome dele.
Ele sobe em cima de mim e volta a beijar os meus lábios; seguro os seus cabelos com força e, com a outra mão livre, eu o envolvo. Rick interrompeu o beijo, gemendo baixinho perto do meu ouvido; lentamente, guiei-o para dentro de mim, visando matar a saudade que eu senti de tudo aquilo. Posso ainda estar sensível por conta do ataque, mas não acho que seja essa a fonte de todo o prazer animalesco que sinto ao tê-lo dentro de mim, ao senti-lo preencher cada milímetro do meu corpo.
Novamente, seus beijos fizeram-se presentes em meu pescoço, e eu não sabia o que fazer. Ele estava em todos os lugares – tocando o meu pescoço, o meu rosto, os meus seios, minhas coxas, a minha pele. O mistério estava no simples ato de tocar, e eu não queria saber como ele aprendera a tocar tão bem daquele jeito.
– Eu amo você – ele sussurrou baixinho, enquanto forçava a entrada em mim mais uma vez; gemi seu nome baixinho, mas não consegui dizer o mesmo, pois as palavras entalaram na minha garganta quando, mais uma vez, senti os músculos pedindo por clemência.
Oh, meu Deus – era tudo no que eu conseguia pensar enquanto ele se movia com rapidez dentro de mim. Oh, meu santo pai – era o que eu queria gritar enquanto ele brincava com o meu corpo, movendo seus dedos sobre mim. Eu também amo você – era o que estava entalado em minha garganta enquanto gemidos incompreensíveis voavam pelos meus lábios.
Finalmente, senti os fogos de artifício explodindo dentro de mim e soube que, naquele momento, eu não gostaria de estar em nenhum outro lugar. Beijei seu pescoço enquanto ele descansava a cabeça no vão entre meu pescoço e ombro; ouvi sua risada fraca conforme ia saindo de dentro de mim, e acariciei seu rosto quando seus olhos focaram em mim.
– Eu também amo você – murmurei baixinho, e vi seus músculos enrijecendo, o maxilar trincando e os olhos, em contraposição, brilhando de satisfação – Por algum motivo, estas palavras combinam bem demais faladas para você.
– Engraçadinha – ele beijou o meu queixo – Então a resposta é sim?
– Sim! – eu ri, finalmente prestando a devida atenção ao anel colocado de qualquer jeito em meu dedo – É lindo, Rick.
– Pensei que combinava com você – ele inclinou o corpo e beijou o meu pescoço, alisando a minha cintura com a mão livre – Eu não queria perdê-la mais uma vez, Kate. Da primeira vez que isso aconteceu, eu fiquei arrasado e não conseguia mais arranjar forças, ou sei lá. Posso ser bem chato e inseguro às vezes, mas…
Eu o calei com um beijo, e ele pareceu gostar daquilo.
Para ser sincera, eu estava gostando muito mais daquilo do que ele poderia sequer imaginar.
/POV Katherine/Cherrypie
Se eu dissesse que simplesmente ‘estava com saudades’, isso seria uma baita de uma mentira, porque era muito mais do que isso. Não era só saudade, era o conjunto de melancolia, saudades, paixão e desespero – uma bela receita para aqueles que planejam se jogar de um dos inúmeros enormes edifícios de Nova York. Mas, ei!…, estamos na Califórnia.
– Esse é um ótimo jeito de me calar – murmuro depois de sentir seus lábios pressionando os meus – Acho que vou começar a falar muito só para poder ser calado dessa forma.
– Ora, cale a boca – ela ri; beijo sua testa e jogo o meu corpo para o lado, puxando-a para o meu peito – Senti falta desses momentos, sabia?
– O quê? – ela ri – Os momentos ‘pós-sexo’?
– Não – eu a acompanho na risada – Os momentos que podemos conversar tranquilamente, mesmo que sejam depois do sexo.
– Não é só sexo – ela beija o meu peito, e eu acaricio seus cabelos – Não pra mim, pelo menos.
– Nós vamos nos casar – mudo de assunto – Isso é aterrorizante.
– Foi você quem pediu – ela dá de ombros, admirando o anel de noivado em seu dedo; ajeitei-o com lentidão, arrancando um grunhido de insatisfação – Aliás, o que foi que você e o meu pai estavam conversando quando eu o tirei de lá?
– Ah – pigarreio – Alguma coisa sobre ameaças paternas e sobre o “ou” ameaçador no fim de sentenças.
– Hã? – ela ri e eu a acompanho.
– Nada com o que você precise se preocupar, eu garanto – murmuro contra os seus cabelos, sentindo o perfume de cerejas invadindo o meu corpo; por mim, poderia passar todos os dias da minha vida assim – Nós vamos nos casar, e isso me assusta, sabia?
– Foi você quem pediu – ela repete contra o meu peito – Também me assusta um pouquinho, mas não é nada com o que não possamos lutar, não é?
– É – beijei sua cabeça mais uma vez e respirei fundo.
Pela primeira vez, tudo parecia estar entrando nos eixos.
***
Um pedaço de lua estava pendurado no céu enquanto eu arrumava as minhas roupas dentro da mochila; toda a iluminação do quarto provinha dela e eu olhava as inúmeras estrelas enquanto tentava achar espaço para a caixinha no meio de todas as minhas roupas emboladas. Estava acordado não havia muito tempo, mas não conseguia dormir; algo sobre um noivado recente martelava na minha cabeça.
Nós ainda tínhamos que contar à minha mãe e aos pais dela, não era? Se bem me lembro, o pai dela havia me ameaçado caso eu a magoasse, mas não tinha dito coisa alguma sobre pedi-la em casamento, não é?
Respirei fundo, e ouvi o grunhido sonolento dela; o lençol cobria parcialmente seu corpo, e ela parecia envergonhada ao olhar para mim. Os olhos estavam mais escuros, mas também podia ser uma consequência da má iluminação do quarto naquele momento; aproximei-me da cama com lentidão, vendo como o sorriso dela aumentava com a nossa proximidade.
O anel em seu dedo chamou-me a atenção, e eu sorri amplamente. Tudo o que eu queria – antes de conhecê-la – era ser livre, não criar laços com ninguém e simplesmente viver, livre de relacionamentos, de obrigações relacionadas às mulheres e todas as coisas desse tipo; detestava me sentir preso a alguém, e essa era a ironia de toda aquela situação. Agora, eu estava noivo de uma mulher que se sentia da mesma forma que eu; tenho a completa certeza de que ela também nunca quis criar laços.
– Um beijo pelos seus pensamentos – ela se sentou com lentidão, ajeitando os cabelos; eu sorri.
– Só estava pensando em como tudo mudou – murmurei, antes de receber um beijo estalado – E como eu amo quando você me cala desse jeito.
– Hmmm – ela riu – Acho que vou fazer isso mais vezes… (N/A: ( ͡° ͜ʖ ͡°) )
– Oh, eu iria amar! – ri com ela, e logo me vi deitado ao seu lado, com sua cabeça apoiada em meu peito e seu perfume inundando os meus sentidos – Eu já disse que te amo hoje?
– Já deve ter dito – ela ergueu a cabeça para olhar para mim e sorriu – Mas eu não me importo de ouvir de novo…
– Eu amo você – murmurei, inclinando o corpo para beijá-la mais uma vez.
– Eu também amo você – ela suspirou depois que quebrei o beijo – E nós vamos nos casar! Isso é maluquice, se considerarmos que… bem, se considerarmos como nós nos conhecemos e tudo o que passamos juntos. Não devíamos estar juntos agora, se tivermos como orientação todos aqueles problemas e…
– O que é uma grande história de amor sem obstáculos a superar? – eu a interrompi; seus olhos fixaram-se nos meus – Todo conto de fadas tem os seus; desafios terríveis que só os dignos transcendem. Mas não pode desistir, é sempre disso o que se trata, não é? Nós queremos o nosso final feliz, e por isso não desistimos. Por isso, não desistiremos.
– É por isso que eu quero me casar com você – ela sorriu, e vi uma lágrima solitária escorrendo pela pele avermelhada da bochecha – Por que tem sempre de me fazer chorar, Rick?
– Ei! – eu ri – A culpa não é minha se minhas palavras têm um efeito contraditório em você! Tudo o que eu faço ou falo nunca têm o efeito certo, e eu odeio isso! Quando quero fazer uma coisa romântica você chora!
– Culpa sua – ela cutuca o meu peito e eu beijo sua cabeça.
– Nós vamos nos casar – murmurei contra seus cabelos – Nós vamos nos casar e isso não me parece errado; muito pelo contrário. Eu amo você, e tudo o que eu quero é tê-la como minha mulher, e então filhos. Vamos ter pelo menos quatro pestinhas correndo pela casa, tudo bem?
– Mas você disse que não queria filhos – ela iça as sobrancelhas, olhando para mim como se tivesse acabado de ouvir um absurdo – O que fez você mudar de ideia?
– Você – respondi, com toda a sinceridade do mundo.
Ela estava certa.
Eu nunca quis ter filhos, mas a possibilidade de um futuro com ela me fez abrir os olhos para o que eu realmente queria – e, com certeza, não seria uma terceira idade solitária sem filhos para alegrar os meus dias. Então, nós íamos nos casar e então teríamos dois, três, quatro, cinco e até dez filhos.
Mas, enquanto isso não acontece, nós precisamos treinar.
E eu garanto que vamos treinar bastante.
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