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18 17. Dúvidas e mais dúvidas...


Notas iniciais
Oi, cupcakes! Aos que mandaram sugestões: obrigada, eu amei! E um imenso obrigada à Becca, que mandou as sugestões que praticamente formaram esse capítulo, gostei de ver! Mesmo estando chateada com a maioria por ter desistido da história :( eu sei que ainda existem aqueles que gostam de verdade e confiam em mim, então, aqui temos outro capítulo! Espero que gostem! Boa leitura! (LEIAM AS NOTAS FINAIS)

Empurrei a porta com lentidão, sendo consumido pelo escuro; o quarto só tinha a precária iluminação da lua e eu tropecei em Royal enquanto caminhava. Pedi desculpas e ele saiu do quarto com o rabo entre as pernas, o que só me fez sentir mais culpado do que já estava; sacudi a cabeça quando ela saiu do banheiro enrolada em uma toalha. Os cabelos estavam úmidos, mas não exatamente molhados e, em suas mãos, trazia um frasco de hidratante que eu já havia comprado havia algum tempo.

Quando me viu lá dentro, abriu um enorme sorriso e caminhou até mim com lentidão, colocando o frasco em minhas mãos e deixando a toalha cair no chão; gaguejei, sendo impedido por ela, que pôs o indicador sobre os meus lábios, chiando baixinho enquanto se esparramava sobre os lençóis. Os cabelos escuros ficaram espalhados pelo tecido claro e ela deitou de bruços, olhando para mim sugestivamente; engoli em seco e balancei a cabeça, ciente de que estaria me aproveitando da situação se fizesse o que ela queria.

Meu corpo já mostrava os exatos sinais de excitação e eu não queria aquilo; não queria fazer nada agora, pelo simples fato de termos acabado de sair de uma situação traumática, pelo simples fato de poder ativar um botão dentro dela que fizesse com que ela se lembrasse de tudo aquilo. Eu não queria fazê-la sofrer por um puro capricho.

– Eu não posso – murmurei, apertando o frasco com força, sem sequer me importar com a explosão do lacre – Eu não posso fazer isso.

– Eu quero que você faça – ela respondeu num sussurro – Eu não quero que ache que está me forçando a alguma coisa… eu não aguento mais ficar presa a isso como se fosse uma âncora que me puxa para baixo. Eu quero poder viver, quero poder ser tocada por você sem que esteja com medo de lembrar-me de acontecimentos passados; eu quero você.

Minhas palavras entalaram na garganta assim que as dela pairaram entre nós. O pulsar violento do sangue em meus ouvidos ensurdeceu-me e, tão rápido quanto elas me abalaram, meu coração subiu pela garganta, parecendo estar a sufocar-me. Tentei acalmar a mim mesmo, segurando o frasco de hidratante com força, deixando os dedos brancos.

Engoli em seco quando ela se levantou, aproximando-se de mim com passos lentos e curtos. Respirei fundo, tentando normalizar as batidas do meu coração. Os olhos dela estavam escuros, e algo me dizia que não era por causa da escuridão do cômodo.

Quase automaticamente, minhas mãos soltaram o frasco do creme e possuíram o espaço vazio de sua cintura, ouvindo-a praguejar baixinho; a pele estava incrivelmente quente e meu toque parecia feri-la, mas, de alguma forma, não consegui retirar minhas mãos de sua pele, não consegui afastar-me dela por mais que a minha razão estivesse gritando para que eu o fizesse.

– Eu quero – ela sussurrou, fixando os olhos nos meus.

– Não posso – inclinei o meu corpo para trás quando ela ficou na ponta dos pés para beijar-me – Eu quero, e eu quero tanto! Mas, de alguma forma, agora, isso parece incrivelmente errado.

E, de repente, os olhos dela tornaram-se sombrios, sua expressão, aflita, mas certos traços de compreensão rasgaram seu rosto. Eu sei que, de algum jeito, ela sabia que eu tinha razão em declinar seu pedido, ela sabia que eu não podia, por mais que meu corpo estivesse exigindo aquilo. Mas, de qualquer forma, eram só instintos, e eu podia facilmente desligá-los.

Logo, pude vê-la com o medo estampado no rosto, com as lágrimas acumuladas começando a rolar pelas bochechas avermelhadas. Enxuguei-as com os polegares e deixei que deitasse a cabeça em meu peito, envolvendo o meu corpo com os braços trêmulos. Faço o mesmo, acariciando as costas nuas cheias de arranhões e machucados, cortes e manchas roxo-esverdeadas.

– Por favor – ela pede – Por favor, faça parar!

– Eu queria poder fazer isso – suspirei, beijando o topo de sua cabeça – Eu queria poder tirar toda a sua dor, queria poder ajudar, poder sentir o que você sente, poder dividir seu sofrimento em dois para que eu ficasse com a metade.

Não – ela grunhe, afastando-se de mim aos tropeços, encarando-me com os olhos cheios de mais lágrimas acumuladas – Eu não iria querer que sofresse como eu, Rick, é uma coisa que eu não quero que sinta.

– Só de ver você sentindo, é como se uma parte de mim estivesse sendo arrancada – gaguejei, ajeitando os cabelos bagunçados atrás de suas orelhas – Além disso, eu estou com você, sofrerei com você, tudo bem?

– Tudo bem – ela suspirou, fechando os olhos com lentidão, deixando que eu envolvesse seu corpo, apertando-a contra o meu peito e aspirando seu perfume.

Tomei cuidado quando acariciei a pele sensível de suas costas, evitando as cicatrizes em alto relevo. Depois, guiei-a até a cama, retirando a toalha molhada de cima do lençol, jogando-a sobre o ombro e observando como Kate se esparramava pelo colchão, encontrando uma posição confortável, tentando ao máximo evitar o contato entre as feridas e o lençol. Meu coração pulsou violentamente atrás das costelas, e tudo o que eu queria era me encaixar em seu corpo e beijar-lhe toda a face, mas não fiz isso.

Não que não quisesse, mas porque talvez não fosse forte o suficiente para abraçá-la sem que quebrasse junto com ela.

POV Katherine/Cherrypie

O pulsar insistente dos machucados acabou por me acordar; estiquei a perna, tentando encontrá-lo ao meu lado na cama, mas só o que encontrei foi o lençol frio. Lentamente, sentei-me e acostumei a minha visão com a escuridão do quarto; ainda não era manhã, mas também não se qualificava como ‘noite’. Eu dormi por algumas poucas horas, mas pareço ter rejuvenescido um bocado depois da soneca.

Pus-me de pé com lentidão, ainda com medo das tonturas que costumo sentir e caminhei até o banheiro, procurando por um roupão ou qualquer outra peça de roupa só para que eu não tenha que encará-lo ainda nua. Puxo uma das camisas dele, jogadas sobre o cesto de roupa suja, e visto-a com lentidão; antes, elas já ficavam enormes em mim, mas agora estão consideravelmente maiores, e não acho que seja culpa dele.

Desde que voltamos pra casa, venho comendo menos e perdendo muito peso, talvez por consequência do trauma, mas ainda assim, não gosto do que vejo no espelho. Pareço… diferente, e não é um ‘diferente’ bom.

Com a cabeça girando, desço as escadas com lentidão, não o encontrando na sala, onde imaginei que havia dormido; o sofá está vazio e Royal dorme ao lado do móvel. Tento não fazer barulho, mas piso no degrau errado, que range e estala quando piso na madeira velha; os olhos de obsidiana do cão se abrem de supetão e ele me encara como se eu fosse a única pessoa que ele quisesse ver em todo o mundo.

Desvio do corpo peludo, dando palmadinhas em sua cabeça e começo a vagar pelo andar de baixo, procurando-o em todos os quartos abertos. Quando passo pela porta do escritório, ouço um espirro e, em seguida, um praguejo baixinho; abro um sorriso ao vê-lo curvado sobre o computador aberto.

Mexo em seus cabelos, observando a tela azul com as palavras “you should be writing”¹ girando em torno da imensidão em cobalto; ajoelho-me ao seu lado e assopro seu rosto, recebendo um torcer de nariz em resposta. Então, tento mais uma vez, assoprando mais forte; ele grunhe e abana a mão, pensando tratar-se de algum bicho. Reprimo uma risada, que corrói a minha garganta, e tento mais uma vez; os olhos azuis abrem-se lentamente, procurando quem quer que o tenha acordado e, quando entro em foco para sua visão embaçada – e sonolenta, eu suponho –, ele abre um enorme sorriso e as covinhas aparecem em suas bochechas salpicadas com farelos de algum biscoito.

– Bom dia – ele boceja, endireitando a postura – Não posso mais dormir enquanto escrevo; dá uma baita dor nas costas.

– Imagino – aproximo nossos rostos e roço nossos lábios – Desculpe por ontem; acho que eu queria saber se ainda teríamos alguma chance, se você não estava comigo por estar com pena de mim ou qualquer coisa do tipo. Eu queria que você me desejasse, eu acho… é tudo um borrão na minha cabeça.

– Eu desejo – ele murmura, envolvendo minha cintura com um braço e puxando-me para seu colo; caio sentada sobre suas pernas e envolvo seu pescoço com os braços – Nunca pense o contrário, tudo bem? Você é tudo o que eu mais desejo, e se para provar isso, precisemos esperar até que as lembranças estejam esquecidas em nossas mentes, eu esperarei. Porque eu posso esperar o tempo que for se o prêmio for você.

– Andou treinando esse discurso? – questionei, engolindo o nó que havia se formado em minha garganta depois de ouvir suas palavras; ele sorriu e respirou fundo.

– Não preciso treinar discursos – ele brincou, roçando a bochecha com a barba por fazer em meu pescoço – Quando tenho você como musa, quem precisa treinar discursos? As palavras simplesmente pipocam!

– Pipocam? – eu rio – Que tipo de expressão é essa?

– Não faço ideia – ele ri – Mas isso me lembrou de que estou com muita fome…! Podemos sair para comer alguma coisa, não podemos? Então, entraremos em contato com o dono da casa e poderemos, finalmente, sair daqui!

– Gosto muito da sua ideia – suspiro, e ouço o latido de Royal –… e acho que Royal também aprova sua sugestão.

/POV Katherine/Cherrypie

Dias depois:

Tropecei em algumas caixas, arrancando risadas de Kate, que desempacotava os utensílios de cozinha. O som de conversas e automóveis em movimento ainda era uma coisa nova para mim, e talvez não seja assim tão difícil se acostumar aos sons e à iluminação da cidade-grande. Royal tinha ficado no jardinzinho em frente, e eu podia ouvir seus latidos e seus ganidos; provavelmente estava feliz por ter mais espaço.

– Não é só Royal que está contente com a mudança, você sabe, não sabe? – ela murmurou, deixando a caixa de louças de porcelana de lado – Tudo o que eu sempre quis foi um recomeço, sabia? Mas todos eles foram completos desastres até que conheci você; de alguma forma, o nosso recomeço, agora, está sendo muito melhor do que os que eu imaginava quando era mais nova.

Deixei um sorriso transparecer enquanto puxava uma das caixas de livros para perto do escritório; depois do que Roy tinha me dito sobre ela, minha curiosidade se aguçou: eu preciso saber mais dela, preciso obter mais informações e, por esse motivo, já pedi para instalarem internet aqui mesmo antes de nos mudar.

***

O cômodo está escuro e eu termino de arrumar os livros nas estantes de ferro embutidas nas paredes; Kate já foi dormir há algum tempo, mas eu resolvi esperar mais algumas horas até ter certeza de que ela não vai acordar com o barulho das teclas – resolvemos realocar-nos num quarto bem perto do escritório caso eu tenha uma “crise de escritor”, como ela bem disse.

Abro o laptop e abro o navegador, tomando cuidado ao digitar o nome dela; Roy deixou, de alguma forma, o sobrenome dela escrito no verso da folha, e eu o agradeço todos os dias por ter feito isso.

Katherine Beckett, eu escrevo.

Logo aparecem manchetes de aluna-gênio, de trabalhos voluntários e fotos dela de diversas idades; os pais estão em uma das fotos, ajudando-a a segurar um enorme troféu de um concurso de línguas. Cubro a boca com as mãos e fico encarando aquela foto como se precisasse memorizá-la e, de certa forma, desejo fazê-lo; ouço o som dos lençóis sendo jogados longe e de suas palavras desconexas. Rapidamente, fecho os navegadores e abro o arquivo no qual venho trabalhando; o cursor pisca, esperando que eu comece a escrever, mas não consigo.

Ela enfia a cabeça na porta do escritório e iça as sobrancelhas.

– Está tarde – ela murmura, coçando os olhos.

– Eu sei, só preciso terminar umas coisinhas aqui – respondo – Já vou dormir, prometo.

– Não demore – ela pede, afastando-se da sala e se enfiando no quarto mais uma vez.

Volto a abrir o navegador, ignorando completamente o cursor piscando; procuro saber os nomes dos pais dela, descobrir o que a levou a tomar as decisões que tomou, a se tornar quem ela é, a fazer tudo o que fez porque, certamente, não foi uma menina abandonada e também não lhe faltaram oportunidades. Mesmo depois de passarmos tanto tempo juntos, sinto que não a conheço como gostaria de conhecer; então, a vozinha baixa da minha consciência começa a repetir em minha mente: quem é a mulher que dorme com você?

E, de fato, quem é ela?

Notas finais
¹ - a expressão "you should be writing" significa "você deveria estar escrevendo", já foi mostrada na série e fica girando na tela de descanso do Castle quando ele fica de bobeira ao invés de escrever, mas não sei exatamente em qual episódio. EITCHA LELÊ! O que acharam do fim do capítulo? Muito chulé ou deu pro gasto? Finalmente chegamos à parte da história que interessa a vocês; quem é a Kate, e por que ela se tornou quem ela é hoje? Será mesmo que foi por livre e espontânea vontade? Deem suas sugestões e divulguem a fanfic (comentem, recomendem, favoritem, acompanhem e blá blá blá)! Se não for pedir demais, respondam às perguntas a seguir: 1) Por que vocês acham que a Kate desistiu do futuro brilhante que poderia ter? 2) Será que ela gostava mesmo do trabalho que tinha? 3) O que o Roy tem a ver com a família da Kate e por que ele quis tanto ajudá-los a sair das mãos daquele homem? 4) O que o homem que os sequestrou tem a ver com o passado dela? 5) Por que eles ainda não chamaram a polícia pra denunciar o crime? Eu sei que é bastante coisa, mas é MUITO bom que respondam para que eu possa ter a visão de vocês sobre a história, o que acham que pode ser e os motivos que pipocam (?) nas suas cabecinhas enquanto leem! Até os comentários, cupcakes!