Notas iniciais
Oi, cupcakes! Então, eu acho que o período de hiatus pode se estender, mas não quero que desanimem com a história, por isso, também acredito que possa ir postando alguns capítulos de vez em quando pra vocês, o que acham? De qualquer forma, acredito que vão gostar desse capítulo, e agradeço a todos vocês que ainda acompanham por conseguirem atingir os (quase) 250 comentários! Obrigada, vocês são demais! Sem querer enrolar aqui, vou deixá-los com o capítulo! Boa leitura!

Anteriormente, em ‘Drive By’:

– Bom dia – tento parecer firme, mas minha voz fraqueja e eu amaldiçoo a mim mesmo por isso.

– Bom dia – ela repete; a voz tremula enquanto ela se levanta do sofá e aproxima-se do balcão de mármore – Não precisava ter feito tudo isso depois do que fiz com você noite passada. Colocou-me no sofá depois, não foi?

– Foi – admiti, tentando evitar o contato visual – Nunca quis que se sentisse arrependida por ter escolhido ficar comigo. Quero que saiba que eu sempre…

– Ei – ela me interrompe e toca meu queixo, fazendo-me encará-la – Eu não ligo.

– O quê? – engasgo.

– Eu não ligo para o que passamos, para o quão quebrados possamos estar desde que estejamos juntos e passemos por tudo isso juntos – ela explica, com um sorriso começando a tomar suas feições – Nunca tive com quem contar e ainda acho impressionante que você esteja fazendo tudo isso para mostrar o quanto se importa; serei eternamente grata por tudo o que fez por mim, por tudo o que passou.

– É isso o que pessoas apaixonadas fazem, eu acho – dou de ombros, sentindo a dor no tórax voltando a me atingir, desta vez, mais forte; mordi o lábio inferior e sacudi a cabeça quando ela se aproximou – Está tudo bem, eu estou legal.

Mas eu sei que não estou.

Algum tempo depois:

Não foi a melhor escolha que fizemos voltar para cá porque, a qualquer momento, podemos ser surpreendidos por alguém, então, ela me convenceu a procurar por casas mais perto da cidade ou até mesmo em outro estado. Então, cá estou eu, procurando imóveis que sejam bons e baratos, mas não vejo nenhum que tenha ambos os atributos; ela anda de um lado para o outro, desviando o olhar quando ouso olhar para ela e, pelo o que vejo, ela não está nem um pouquinho feliz agora.

Royal dorme aos meus pés e eu acaricio seus pelos dourados com os pés enquanto desço as páginas à procura de um imóvel que seja bom o suficiente. De repente, a campainha toca e ela pula de susto, soluçando alto; deixei o laptop sobre a mesinha de centro e caminhei até a porta, abrindo-a com lentidão, com medo de que fosse mais um tipo de truque, mas ao contrário do que pensei ver, o homem que nos ajudou a fugir está parado à minha frente com o rosto extremamente machucado.

Deixo-o entrar e Kate desvia dele, talvez desejando se esconder do campo de visão do homem, mas não é rápida o suficiente, porque ele acena para ela e sorri de leve, tomando o lugar que eu ocupava antes no sofá. Fecho a porta com rapidez, como se houvesse alguém à espreita, e olho para ele com a dúvida percorrendo minhas veias.

– Eu o matei – ele disse para ninguém em especial – Ele não vai voltar, vocês estão seguros.

– Nunca vamos estar seguros – ela retrucou, abraçando a si própria e correndo pelas escadas até o nosso quarto, batendo a porta com força.

– Ela está instável por conta de tudo o que ocorreu – soluço, sentando-me ao seu lado – E, de verdade, eu não a culpo. Tudo o que aconteceu foi… foi estressante e perturbador. Estamos lidando com tudo isso, mas ainda vai demorar algum tempo para nos recuperarmos completamente.

– Sei – ele sorriu para mim e tocou meu ombro – Os pais dela pediram que eu cuidasse dela quando ela fugiu de casa.

– O quê? – contive um grito e contentei-me com um sussurro – Ela fugiu? Por quê? Eles estão vivos?

– Bem – ele sorriu e mordeu o lábio inferior; machucados cobriam seu rosto e havia uma enorme mancha de sangue em sua blusa – Ela fugiu porque queria autonomia, mas tinha apenas quinze ou dezesseis anos, não sei ao certo; além disso, os pais sempre foram muito conservadores, nunca aprovariam as coisas que ela gostava de fazer. Respondendo à sua pergunta, os pais dela estão, sim, vivos, mas não tenho ciência da localização dos dois.

– Isso é… – gaguejo, procurando a palavra certa –… esclarecedor, eu acho.

– É – ele ri baixinho – Ela não é má pessoa; o único problema dela é que foi muito machucada, foi muito usada pelas pessoas e precisa de alguém que mostre a ela como o mundo ainda pode ser bom, apesar de tudo. Particularmente, Richard, creio que esteja fazendo um bom trabalho, acho que pode conseguir ver todas as faces que ela esconde.

Nem cheguei a perguntar a ele sobre como havia descoberto meu nome porque estava ocupado demais pensando em suas palavras. Eu posso mostrar a ela que o mundo ainda é bom, apesar de tudo o que vivemos, apesar de ter sido tão maltratada; eu vou ajudá-la a superar tudo aquilo o que passamos. Foi traumático para mim também, mas foi ela que recebeu o abuso psicológico e físico, então, como sempre, ela carrega a maior bagagem emocional.

Olhei para ele, quase como se estivesse pedindo uma permissão, e ele sacudiu a cabeça de leve, sorrindo para mim e, quando virei-me para ele mais uma vez, já no alto da escada, vi um sorriso imenso cobrindo seu rosto e, depois, seus lábios movendo-se, mas sem produzir som algum. De qualquer forma, imagino que tenha dito algo parecido com:

– Você vai conseguir, eu confio em você.

***

Empurrei a porta do quarto com rispidez e encontrei-a encolhida num canto do quarto, com os joelhos grudados ao peito e os ombros encolhendo-se a cada vez que ela soluçava. Aproximei-me com cuidado, já temendo sua reação caso eu fizesse um movimento brusco demais ou caso falasse algo num tom mais alto.

Quando ajoelhei ao seu lado, vi seus músculos enrijecendo e seus soluços diminuírem consideravelmente, como se eu fosse machucá-la pelo simples fato de ouvi-la soluçar. Toquei seus cabelos e ela levantou a cabeça com lentidão, afastando-se de mim o mais rápido possível; icei as sobrancelhas, mas quando a questionei sobre isso, ela apenas disse:

– Fique longe de mim.

Tentei convencê-la a me dizer o porquê de estar daquele jeito, mas ela ficou calada e não respondeu às minhas perguntas mesmo depois de mostrar a ela que eu faria de tudo para vê-la sorrindo. Desistindo de tentar aproximá-la de mim, ajoelhei-me à sua frente e forcei-a a me encarar; pode não ter sido a minha melhor escolha, mas pelo menos ela iria me escutar.

– Solte-me! – ela gritou – Não! Não olhe para mim, não me toque!

– Por quê? – gritei de volta, ciente de que atrairíamos a atenção do homem lá embaixo – Por que não devo tocar em você? Por que não devo olhá-la? Só porque se sente mal por causa de tudo o que aconteceu? Eu já mostrei a você que não me importo! Eu só me importo com você, não importa o que tenha acontecido, não entende isso? Conheço o seu passado, ou pelo menos a parte que quis me mostrar, e nunca fiquei aborrecido por você ter sido ‘usada’, como você mesma disse, por tantos homens! Eu estou apaixonado por você, e isso não mudou pelos acontecimentos recentes, consegue entender isso?

Ela não respondeu, mas uma lágrima solitária escorreu pela bochecha vermelha e eu a enxuguei com o polegar, acariciando suas bochechas em seguida. Rapidamente, ela desviou o olhar, parecendo constrangida por toda aquela encenação, e eu me senti constrangido por ter despejado tudo aquilo sobre ela, mas eu precisava fazer com que entendesse que eu não me importava com os meios contanto que estivesse com ela no fim.

Levantei-me com dificuldade e tornei a descer as escadas, mas quando cheguei ao andar de baixo, Roy havia desaparecido. Ela desceu pouco depois de mim e, quando viu a sala vazia, questionou-me sobre o desaparecimento do homem; dei de ombros e peguei o envelope que ele havia deixado sobre o laptop.

Lá havia muitas notas de cem dólares – tantas que cheguei a perder o fôlego – e, enfiado entre todas aquelas notas, um pequeno pedaço de papel estava presente. Puxei-o com lentidão e li, com dificuldade, a caligrafia corrida do homem que nos salvou do cativeiro.

R e K,

Desejo toda a felicidade do mundo ao começarem uma nova vida longe daqui.

Arranjei uma casa para vocês (abram o laptop e vejam-na) e deixei o dinheiro como um agradecimento por me ajudarem a entender o sentido da minha vida.

Felicidades!

RM.

Entreguei o envelope e o cartão para ela, ouvindo seus suspiros maravilhados ao ver todo aquele dinheiro, e abri o laptop. Lá, havia uma enorme casa, com direito a um jardim e piscina nos fundos; gaguejei o nome dela e senti seus braços envolvendo o meu pescoço enquanto ela suspirava ao ver a beleza da casa.

– Eu não acredito que ele fez isso – comentei – O que acha desta casa?

– Pode parecer loucura, mas – ela riu baixinho, olhando para mim – Eu acho que ele leu a minha mente quando escolheu essa casa. É perfeita!

– Vamos nos mudar – eu disse, olhando ao redor, e então, sorri – Vamos nos mudar daqui! Não vamos mais precisar dormir com medo, Kate! Sabe o que é isso? Noites tranquilas!

– Mal posso esperar! – ela riu; ri junto com ela, embora doesse quando eu fazia aquilo – Obrigada, tipo, por não desistir de mim e tal; é bom saber que você ainda se importa comigo.

– Eu nunca vou deixar de me importar, você sabe – garanti a ela, e um sorriso iluminou seu rosto.

É para esse tipo de sorriso que eu vivo.

POV Katherine/Cherrypie

Horas mais tarde:

Pareço um pimentão.

Fiquei tanto tempo debaixo d’água quente que, agora, minha pele parece rasgada e mal aguento me mover; saio do banheiro enrolada na toalha, ciente de que a tonalidade da minha pele vai atrair sua atenção. E não deu outra; assim que deitei ao seu lado na cama, seus olhos rolaram do livro que lia para mim, e então, ele arregalou os olhos e suas pupilas dilataram.

– O que aconteceu? – ele perguntou; a curiosidade podia ser imensa, mas a preocupação conseguia ser maior.

– Eu quis ficar debaixo d’água e acabei me esquecendo do tempo – grunhi quando ele tocou o meu rosto – Não toque.

– Mas eu…

– Machuca. – expliquei, e pus-me de pé.

Eu sei que estou sendo rude com ele, mas não suporto o fato de ser tocada por alguém agora; um simples roçar de pele pode reavivar as minhas lembranças e eu não quero que isso aconteça. Tudo o que eu vivi, todas as coisas horríveis que já me aconteceram, eu só… eu não quero colocá-lo no meio de tudo isso.

Desço as escadas e encontro Royal brincando com uma bolinha de borracha perto do sofá; aproximo-me dele e pego a bolinha babada, jogando-a do outro lado da sala. Sento-me sobre algumas almofadas e espero-o voltar; ele corre de volta para mim e põe a bolinha – um pouquinho mais babada – aos meus pés e, a seguir, coloca a língua para fora, respirando pesadamente.

Passei as mãos por entre o pelo dourado e sorri comigo mesma; por mais que eu tentasse afastar Royal ou Rick de mim, eu sabia que não iria conseguir. Eu sabia que, no fundo, nós três já tínhamos criado os nossos laços de família – nós éramos como uma família e eu tinha a completa noção de que ambos não deixariam de tentar me fazer sorrir e, por mais que eu tentasse fugir, eu sabia que acabaria sempre voltando para os dois.

/POV Katherine/Cherrypie

Fechei o livro e ainda olho para a capa, ciente de que devo deixá-la sozinha por algum tempo, mas é uma coisa meio nova para mim. Desde que fizemos aquela aposta – na verdade, desde que eu disse ‘eu te amo’ pela primeira vez –, não consigo me ver sem estar ao lado dela, sem estar com ela debaixo dos meus braços, enroscada comigo debaixo dos cobertores. Mas agora, depois de tudo o que aconteceu conosco, ela está distante e nem fala comigo direito; seus banhos duram mais de meia hora e ela sempre sai do chuveiro com a pele esfolada e vermelha. Sua desculpa é que ficou debaixo da água quente por tempo demais, mas eu sei que não é nada disso; eu posso ser um tolo apaixonado, mas não sou cego, e muito menos idiota. Eu vejo as marcas vermelhas em seus braços, consequência de toda a força que usa ao esfregar a esponja na pele.

Finalmente desisto de tentar me concentrar em algo que não seja ela e pulo da cama; abro a porta com rispidez e desço as escadas rapidamente, esperando encontrá-la encolhida no sofá ou em qualquer outro canto da sala, mas ela não está em lugar nenhum. Olho para a bolinha de borracha de Royal esquecida em um canto qualquer e começo a estalar os dedos e a assoviar para chamá-lo até mim, o que não tarda a acontecer; muitas vezes, posso compará-lo a um pônei desajeitado.

– O que estava fazendo no meu escritório, menino? – questionei, bagunçando seu pelo com as mãos – Vamos lá, garoto!

E, tão subitamente quanto veio até mim, ele se afastou aos pulos; ouvi a risada dela ecoando pelas paredes da casa e deixei um sorriso rasgar o meu próprio rosto. A cada passo que eu dava, ouvia suas exclamações e, quando dei por mim, estava parado no batente da porta, envolto pelas sombras da escuridão do corredor. Ela estava sentada à frente da minha mesa, com o meu computador no colo e lia avidamente o que estava escrito na tela – obviamente, tinha descoberto o meu projeto. Cobri a boca para não chamar sua atenção e vi suas sobrancelhas sendo erguidas, seu rosto adquirindo um tom quase fúcsia e Royal, então, lambeu seu rosto.

– “O corpo dela, ainda envolto pelas sombras fez com que o jovem retirasse a gravata que, agora, parecia enforcá-lo; o ar passava com dificuldade pelas vias nasais e ele sentia o espaço em sua calça ficando demasiado apertado. Tinha uma única certeza: precisava tê-la, precisava livrar-se do aperto das calças e precisava tocá-la. Pela primeira vez, tinha noção do que era almejar uma dama, passar as mãos pelos fios castanhos e encarar os olhos esverdeados; pela primeira vez, ele sabia que estava apaixonado”. – ela citou para Royal, que deitou de barriga para cima – Algo que diz que seu dono baseou esse projeto em algumas pessoas, não é, rapaz?

Em resposta, Royal latiu. Pus-me dentro do quarto em passos lentos, atraindo sua atenção; o rosto avermelhado rapidamente perdeu a cor e ela se pôs de pé com rapidez, colocando o computador de volta à mesa e entrelaçado os dedos numa tentativa de parecer preparada para o meu suposto sermão que, supostamente, viria a seguir. Mas ele não veio.

– Desculpe – ela pediu – Eu só estava meio curiosa; você disse, quando nos conhecemos, que escrevia e eu precisava ver o que era.

– Gostou? – perguntei, dando um passo para perto dela; seus olhos adquiriram um brilho confuso, mas ela sacudiu a cabeça com rapidez – Eu quis dramatizar alguma das minhas experiências e pus tudo isso no papel. Ainda não terminei, mas acho que já posso pensar em entregar o manuscrito para uma editora; o que acha?

– Ótimo – ela engoliu em seco – Não está bravo por eu ter lido?

– Você leria uma hora ou outra – eu sorri, e toquei seu rosto com a palma; a pele estava quente e pegajosa, provavelmente por causa do suor – Por que não abriu as janelas ou algo do tipo? Está um forno aqui dentro.

– Eu não queria que você soubesse que eu estava aqui – ela bufou – Acho que Royal me dedurou.

– Só um pouquinho – eu olhei para ele, que punha a língua para fora e abanava o rabo enquanto nos encarava fixamente – Mas não tem problema; fico feliz que tenha lido, afinal, eu iria mostrar pra você uma hora ou outra. Você só antecipou o processo.

– Tem algumas cenas bem quentes – ela afirmou e, depois, engoliu em seco – Admito que, agora que disse ter baseado o livro em algumas experiências, estou com um pouco de medo.

– Não! – eu ri – Nem tudo aconteceu de verdade, eu só incrementei para parecer mais… apetitoso? Não, essa não é a palavra… mais satisfatório para os futuros leitores. Só pus as minhas experiências pessoais depois do trecho que você leu para Royal e, obviamente, já sabe em quem a bela moça foi baseada.

– Você superestima muito a minha pessoa – ela sussurrou com a voz rouca, e eu ri – Obrigada, de novo.

– Pelo o quê, desta vez?

– Por não ficar bravo comigo por ter bisbilhotado nas suas coisas – ela deu de ombros – Por não gritar comigo quando respondo mal e por não ficar todo agressivo quando respondo mal ou mesmo quando faço as coisas sem a sua permissão.

– Eu nunca faria nenhuma dessas coisas – devo admitir que as palavras dela me ofenderam um pouquinho.

– Eu sei que não. – ela sorriu – É por isso que eu estou agradecendo. Por ser exatamente quem você é.

Antes que eu pudesse ter qualquer reação, porém, ela ficou na ponta dos pés e roçou os nossos lábios; deixei meus braços caírem e, então, abri os olhos para vê-la sair do escritório correndo, os cabelos voando atrás de si. Como seu fiel escudeiro, Royal correu atrás dela e parou no meio do caminho, virando-se para mim e latindo para que eu os acompanhasse; caindo em mim com lentidão, segui os dois a passos lentos, mal sabendo o que me esperava atrás da porta do quarto.

Notas finais
Ficou bom? Sinceramente, eu acho que esse período de hiatus da história vai render alguns ótimos comentários para mais tarde, e vocês, o que acham? Peço desculpas mais uma vez pelo hiatus, mas eu acho que é um pouquinho necessário, até porque a minha vida está meio corrida! Posso pedir o perdão de vocês mais uma vez? Divulguem! Comentem, favoritem, recomendem, acompanhem e mandem pros amiguinhos! Vejo vocês nos comentários? Beijão o/