Notas iniciais
Oi, cupcakes! Muitos de vocês queriam uma coisa mais romântica e outro presente especial, mas temo que não seja isso o que planejei pra vocês! Como já havia dito no twitter há algum tempinho, sei que muitos de vocês vão me odiar profundamente depois desse capítulo, mas peço que não abandonem a história! De qualquer forma, há também aqueles que pensam como eu: uma história que gira só em torno de um romance sempre fica meio melosa, então por que não agitar as coisas? AVISO: Há cenas explícitas de violência, se fica incomodado com elas, eu peço perdão, mas é essencial para o decorrer da história! Boa leitura! (e falem comigo lá embaixo!)

A areia incomoda muito as minhas costas, mas ela não parece sentir o mesmo incômodo porque não voltou a vestir as roupas; seu corpo está coberto pelo biquíni negro que resolvi comprar para ela e, agora, julgo a mim mesmo por ter feito essa escolha. Ele quase não tapa o que eu gostaria que tapasse e, percebendo meus olhares depreciativos à peça, ela olha ao redor e ergue o braço, mostrando a imensidão de areia vazia.

Estamos sozinhos, é verdade, mas depois eu já sei o que vou comprar de presente: outro biquíni e, desta vez, um que cubra um pouco mais de pele.

De repente, ela se levanta e começa a correr pela areia, chamando meu nome em gritos exagerados; cubro o rosto com as mãos e começo a rir enquanto me levanto desajeitadamente. A sunga que vesti é antiga e sua cor é desbotada, já não sei se é verde ou azul; corro atrás dela e, quando a alcanço, envolvo seu corpo com meus braços e ela ri.

Em partes, fiquei chateado com os amigos dela por não terem vindo para a tal festa surpresa, mas também os agradeço por não ter vindo porque, assim, não teríamos tido a melhor conversa que já tive em anos. O peso que carregava, agora, saiu de meus ombros e eu nunca me senti melhor em toda a minha vida…

Os braços dela envolvem o meu pescoço e, de repente, ela olha para mim de um jeito diferente; porém, antes que possamos sequer aproximar nossos rostos, nossos estômagos parecem reclamar de fome porque fazem barulhos engraçados em sincronia, o que acaba nos fazendo rir como nunca antes.

– Está com fome? – eu pergunto e ela balança a cabeça em afirmação – Podemos arranjar alguma coisa para comer…

– Vocês disseram… – ouço a voz vinda de tão perto e viro a cabeça para olhar quem quer que seja.

Porém, antes de conseguir identificar o homem, a pancada na cabeça me faz fraquejar e cair no chão; minha visão fica turva e a única coisa que consigo ouvir antes de apagar por completo é a voz dela pedindo que eu não a deixe sozinha e o som relaxante das ondas do mar lambendo a areia da praia.

Então é que tudo fica escuro e eu não consigo escutar mais nada…

‘…’

LUGAR DESCONHECIDO:

9:51 PM.

Meu corpo todo dói e, por mais que tenha aberto os olhos, a escuridão ainda toma conta de mim; tento mover meus braços, mas estou preso por amarras de ferro, que chiam e estalam quando tento me soltar. Olho ao redor, mesmo sabendo que de nada irá adiantar e, então, a luz me cega e sou forçado a fechar os olhos com força para que minha cabeça não doa. Quando finalmente consigo abrir os olhos para enxergar quem quer que seja, tudo o que vejo é o corpo dela pendurado à minha frente, inerte e praticamente sem vida.

Sangue escorre de seu corpo e ela está nua! Minhas forças resolveram me abandonar e eu luto com tudo o que me resta para conseguir me soltar; não me importo comigo mesmo, me importo com ela, com o que farão conosco. Lembro-me das histórias que o policial nos contou, sobre como ela estava presa num táxi e como foi corajosa ao saltar dele e tudo o que desejo agora é que voltemos àquele momento… eu teria sido mais cuidadoso com ela, conosco.

Não há mais ninguém além de nós na sala e começo a me sentir em um dos filmes da franquia de Jogos Mortais, sem nenhuma brincadeira. O corpo dela começa a se encolher e as pálpebras tremem de leve antes que as enormes íris verdes apareçam para mim; a cor não é mais tão brilhante, mas ainda assim, é um sinal de que ela ainda não desistiu!

– Rick? – a voz dela sai soprada e, quando tenta se mover, seu corpo se contrai – O que está acontecendo? Onde estamos?

– Muitas perguntas – a voz mecânica soa no quarto e nós viramos as cabeças para conseguir determinar o local de transmissão, mas parece impossível. – Como pode ver, minha querida…

Quando posso me soltar e quebrar a cara desse homem?

–… não sou tão ruim quanto pensa que eu seja! – ele conclui – Salvei a vida do seu coleguinha aí, quem quer que seja!

– Ele não é meu coleguinha – ela rosna e, desta vez, consigo ver toda a força que ela manteve escondida – Nós dois não somos seus brinquedos pessoais e não pode nos manter aqui para sempre!

– Sente e espere – ele ri maliciosamente – Quanto tempo será que aguentam suspensos, sem água ou comida? Isso vai ser interessantíssimo!

POV Katherine/Cherrypie

Espasmos violentos tomam conta do meu corpo e não posso fazer nada para impedir que vejam meu corpo desnudo. Os olhos de Rick carregam medo e outras emoções melancólicas explicitamente, como se nem se desse ao trabalho de escondê-las. Quero pedir a ele que olhe para o outro lado porque nunca quis colocá-lo nessa situação, nunca quis colocá-lo na linha de fogo, mas agora ele está aqui… preso comigo.

Tento virar a cabeça para identificar o local onde estamos, mas não consigo porque as amarras de aço repuxam a minha pele. A porta de metal é fechada com força e começo a tremer por antecipação; sinto as mãos calejadas passeando pela minha pele pouco tempo depois e encolho o corpo o máximo que posso. O som de uma risada lasciva preenche o cômodo e posso ver claramente o desespero e o desconforto de Rick ao estar presenciando aquela cena; quero pedir desculpas a ele, mas sei que de nada vai adiantar.

– É bom, não é? – ele pergunta, escorregando seus dedos para dentro de mim e não há nada que eu possa fazer para impedi-lo – Lembra-se de quando nós dois nos encaixávamos como duas peças de um quebra-cabeça, meu amor?

– Não sou seu amor – luto para responder enquanto ele acaricia minha intimidade com os polegares – Nunca fui seu amor e nós nunca nos encaixamos juntos.

– Eu sei que só diz isso porque seu coleguinha está presente – ele sussurra ao pé do meu ouvido e eu tremo – Ele já sabe de tudo ou não faz ideia das coisas que fizemos?

– Cale a boca – eu solto um gemido quando ele desliza mais um dedo para dentro de mim – Por favor, deixe-o ir e poderá fazer o que quiser comigo…

– Não! – Rick grita, olhando em meus olhos – Não vou permitir que fique sozinha aqui dentro com esse sociopata; estamos juntos e vamos sofrer juntos, lembra?

– Que bonitinho – ele caçoa de nós – Mas até onde vai esse sentimento que julgam ser verdadeiro? O que nós tivemos, meu amor… aquilo foi verdadeiro…

– Nunca foi verdadeiro – eu grito ao sentir seus dedos mais fundo; jogo a cabeça para trás e sinto meu corpo inteiro tremer quando ele retira os dedos de dentro de mim – Nojento.

– Se não tivesse gostado, meu amor, não teria gritado quando atingiu o orgasmo e sequer teria atingido – ele zomba e bate em meu rosto com a mão suja – Talvez eu volte mais tarde para brincar com o menino aí…

– Estarei esperando – ele encoraja e eu lanço a ele o pior dos olhares – Quero ver quais são seus métodos de tortura, babaca.

– Rick, não – eu peço – Não o encoraje.

Tarde demais, meu amor – caçoa ele e vejo as sobrancelhas de Rick içadas – Voltarei mais tarde para brincarmos juntos, o que acham disso? Espero que satisfaça as suas expectativas, Rick.

Seus passos vão ficando cada vez mais abafados até que o som da porta sendo batida mais uma vez indica que estamos sozinhos no cômodo; olho para ele e quase quero me soltar das amarras só para dar um tapa em seu rosto. Ele dá de ombros e faz careta quando as correntes repuxam sua pele; me sinto suja como nunca antes e preciso desesperadamente de um banho, mas sei que ele não vai nos permitir esse luxo.

O corpo dele parece estar entrando em colapso e eu começo a querer me soltar só para envolver seu corpo em meus braços; o impossível parece cada vez mais possível conforme vou fechando meus olhos e, quando percebo, já não estou presa ao teto com uma corrente de metal. Meu corpo parece ter sido moído, mas estou bem melhor do que achei que estaria; meus pulsos ardem e não sei o que pode ter acontecido para as amarras me soltarem, mas não acho que tenha acabado, afinal, ele não faria isso.

Minhas pernas, porém, continuam presas ao chão com as amarras de aço enferrujado; olho para cima e vejo o olhar questionador de Richard, que olha para suas próprias mãos amarradas e, então, para mim. Coloco o indicador sobre os lábios e fico de pé, arranjando forças sabe-se lá de onde!

Nunca havia sentido sua pele tão fria quanto está agora e quero abraçá-lo para esquentar seu corpo, mas ele está preso ao teto e, por isso, é impossível que eu faça qualquer coisa para ajudá-lo.

O aço estala mais uma vez e eu viro a cabeça para olhar para ele, que tem mais dois brutamontes atrás de si como se fossem guarda-costas e meus joelhos fraquejam automaticamente, jogando-me ao chão. Olho para Richard uma última vez antes de ser puxada com força para o colo de um deles, que me encaixa sobre si com violência; cobrem minha boca com um tipo de pano branco e não consigo mais respirar; sequer consigo enxergar!

/POV Katherine/Cherrypie

Tento soltar meus braços das amarras de metal, mas é impossível; o corpo dela cai sobre um dos homens que não conheço e ele se encaixa nela como se aquilo fosse o combinado desde sempre, como se aquilo fosse a coisa mais normal e bela de todo o mundo… pena que é completamente ao contrário!

O aço estala e chia quando movo meu corpo de um lado para o outro, para frente e para trás, mas nada de conseguir me soltar. Agora entendo o motivo de ele ter soltado o corpo dela; ele só a soltou para poder usá-la como uma boneca inflável; ele queria usá-la mais uma vez.

Fecho os olhos com força, mas, quando menos espero, sinto algo arranhando minha barriga e sou obrigado a abri-los mais uma vez. Uma enorme agulha é movida sobre mim e sou obrigado a observar enquanto os homens se divertem com o corpo inerte dela porque, senão, sou eu quem será punido severamente.

Não adianta desviar o olhar porque sempre me pego olhando para o corpo dela jogado de qualquer jeito no colo do brutamontes e então meus olhos começam a arder por causa das lágrimas não derramadas; olho para o homem abaixo de mim e faço uma careta ao sentir a enorme lança pontiaguda perfurando a minha pele.

– É isso o que vai receber se tentar se soltar ou desviar o olhar, meu bem – ele caçoa de mim e, começando a sentir a raiva subir pelo meu corpo, cuspo – Boa tentativa; pena que o poder está concentrado em mim, querido.

Mais uma vez, ele enfia a lança em meu corpo, perfurando minha pele e meus músculos; eu grito e, por incrível que pareça, isso também parece acordá-la, porque, de repente, ela dá um sobressalto sobre o colo de um dos homens e grita ao senti-lo se mover dentro dela com rapidez e violência.

Balanço a cabeça em negação, sentindo as lágrimas começando a queimar meus olhos mais uma vez; ela tenta se desvencilhar dos braços dos homens, o que só os motiva a continuar com os movimentos bruscos. Ela grita e pede por misericórdia, mas os homens só riem do desespero dela e eu sou perfurado mais uma vez com a lança.

‘…’

O frio do concreto me consome; abro os olhos com lentidão e encaro o local à minha frente. Há alguém dentro da cela comigo e eu me levanto com rapidez para procurá-la; o corpo dela se encolhe ao meu lado e eu abraço seu corpo trêmulo com os meus braços. Lágrimas molham meu corpo e eu sinto o abdômen arder quando ela passa as mãos pela minha pele; recuo um pouco e vejo a preocupação estampada em seu rosto.

– Desculpe – ela murmura – Eu nunca quis colocá-lo nesta situação.

– Estamos juntos – eu digo – É isso o que importa.

– Por minha culpa, você foi quase morto, perfurado por uma lança enferrujada – ela sussurra – Agora você poderia estar morto, entende isso?

– Entendo – balanço a cabeça; ajeito seus cabelos sujos e beijo sua testa suada – Eu entendo que poderia estar morto nesse exato momento, mas não estou; podemos viver pouco aqui dentro, bem como podemos passar o resto da vida aqui, mas escute o que lhe digo: nós vamos estar juntos a qualquer custo.

– Eu nunca quis colocá-lo na linha de fogo – ela murmura, escondendo o rosto nas mãos; ergo seu queixo e forço seu olhar para mim.

– Eu sempre quis estar com você – admito – Se estar com você significa passar por maus bocados como esse… bem, então é ainda melhor que estejamos juntos agora, porque as melhores histórias de amor precisam de obstáculos como esse a serem derrotados.

– Mesmo sob ameaça de morte, você ainda consegue fazer poesia – sua risada sai abafada – Eu amo você, não importa o que façam você pensar.

Encaro seu corpo na luz fraca que ainda temos e constato o que mais temia: além de abusada por eles, ainda foi machucada severamente. Há um enorme corte na lateral de seu corpo que vai das axilas até a cintura e parece bem feio, parece ainda estar doendo; o sangue já coagulou no ferimento e há lascas de sangue seco ao redor do ferimento e tudo o que eu quero é poder retirá-la daqui.

Lentamente, ela se aconchega em meu peito e eu envolvo seu corpo com meus braços, tomando cuidado para não pressionar minhas mãos nos machucados abertos; ela faz o mesmo comigo, tomando cuidado com os buracos e arranhões das lanças pontiagudas. Se estar com ela significa combater todos esses obstáculos, então eu vou ser forte o suficiente para conseguir combatê-los porque ela é muito mais do que eu sempre sonhei conseguir.

Notas finais
NÃO ME MATEM! Eu sei que não foi a melhor escolha que fiz pra fanfic, mas é por isso que eu fiz! A vida não é um mar de rosas e, mesmo em fanfics, há problemas e mais problemas! Eu avisei sobre as cenas de violência explícita e estupro, sinto muito! Peço que não me odeiem (mais uma vez) e continuem acompanhando a história! Nem tudo é o que parece ser, não é mesmo?? Divulguem a fanfic (mesmo depois desse capítulo!) com seus comentários, favoritos, recomendações e acompanhamentos! Enviem o link pros amiguinhos e deixem a história mais conhecida! Posso contar com seus comentários? Podem me xingar, podem me chamar de qualquer coisa, mas eu preciso das suas sugestões e suas opiniões! Allons-y!