Drive By | hiatus |
13 12. Presente de Aniversário
Notas iniciais
Nós discutimos sobre eu tê-la levado às compras mais uma vez, mas, já que ela vai – voltar a – morar aqui, imagino que vá precisar de roupas novas. Sacolas de inúmeras lojas estão no chão do quarto que, agora, posso chamar de nosso e ela está tomando banho; de repente, meu celular começa a tocar no criado mudo e eu atendo antes que possa chamar sua atenção. O número é desconhecido e, por isso, tomo cuidado ao atender.
Ouço, primeiro, a voz da companheira de quarto dela e, depois, a do homem que supus ser seu namorado. Ambos falam juntos e, por isso, não entendo sequer uma palavra do que dizem; espero até que se acalmem e, quando isso ocorre, o som da água cessa.
– Suponho que ela não tenha dito a você – a moça parece certa do que disse; não faço ideia do que ela esteja falando – Hoje é o aniversário dela e, pela primeira vez, não vai passar o dia fazendo sexo…
Posso corrigi-la quanto a isso.
– Na verdade… – começo, mas ela me interrompe.
– Poupe-me dos detalhes sórdidos – suspira – Queremos fazer uma festa na praia para ela; sempre passamos pela estrada paralela, mas nunca sequer pisamos na areia. Ia ser um ótimo presente e, você, um ótimo namorado.
– À que horas? – pergunto, mordendo o lábio inferior.
– Sete horas está bom? – ela gagueja – Eu e Javi…
Então esse é o nome dele!
–… vamos começar a ajeitar as coisas e esperamos vocês lá – ela conclui – Tudo bem pra você se for assim?
– Ótimo – gaguejo ao vê-la saindo do quarto com a toalha frouxa ao redor do corpo – Depois nós nos falamos, pode ser assim?
Porém, antes que ela responda, eu desligo o celular e volto a colocá-lo na cômoda; ela sorri quando envolvo sua cintura com os braços, grudando-a ao meu corpo. O rosto dela se esconde no meu peito e eu solto seus cabelos do coque frouxo que ela fez para não lavá-los; a raiz do cabelo está molhada e eu solto uma risada fraca ao constatar isso.
Ela respira fundo e se coloca na ponta dos pés, roçando a bochecha macia contra a minha barba por fazer. Um suspiro alto ecoa no quarto e eu aperto sua cintura com as pontas dos dedos, fazendo-a soltar outro suspiro. Escondo o rosto no vão entre seu pescoço e seu ombro e, quando percebo, a toalha não mais cobre seu rosto.
Olho em seus olhos e forço a mim mesmo a não possuí-la naquele mesmíssimo instante; seu corpo parece atrair o meu como um imã atrai metais e ela sabe disso porque, se não soubesse, não estaria tão segura de si.
– O que foi? – ela pergunta, soltando os cabelos; os cachos caem sobre as costas e sobre os ombros, cobrindo os seios – Não gosta do que vê?
– Eu gosto – lambo os lábios – Gosto muito. Mas acho que pode ficar ainda melhor…
– Ah, é? – ela morde o lábio inferior e ajeita a franja – Como?
– Assim – eu suspiro antes de juntar nossos lábios; por um curto momento, imagino que ela vá me repelir, mas ela não o faz.
Seus braços envolvem o meu pescoço e ela puxa os meus cabelos conforme vamos aprofundando nosso beijo; seguro sua cintura com uma das mãos e, com a outra, toco seu quadril. O corpo dela parece ter sido moldado para que eu o tome nos braços e é isso o que faz nossa relação um pouco melhor; somos como duas peças de um quebra-cabeça. Demoramos muito para nos encontrar, mas assim que nos unimos, a imagem fica perfeitamente nítida.
Cambaleio com ela nos braços, ainda com nossos lábios unidos e, quando seu corpo está pressionado contra a parede, ela arfa e corta nosso beijo. Olho em seus olhos e declaro que estou pronto para mais uma rodada; as íris estão quase pretas e as pupilas se perdem na escuridão que os olhos verdes se tornaram. Passo as costas da mão contra sua bochecha e ela fecha os olhos, apreciando o contato; quando volta a abri-los, sequer consigo olhá-los direito porque ela se joga contra mim, pressionando minha cabeça contra a própria.
POV Katherine/Cherrypie
Nunca senti o latejar tão insistente no meio das pernas como sinto agora; quero senti-lo dentro de mim, quero que sacuda o meu mundo e que me deixe sem fôlego, mas ele não parece estar desejando tudo isso ao mesmo tempo porque, de repente, morde o pulso e começa a se afastar; a porta entreaberta dá a brecha necessária para que ele desça e é exatamente isso o que ele faz. O latejar, porém, continua e, tentando esquecê-lo – o que é bem difícil –, volto a enrolar a toalha no corpo e desço as escadas também, esperando encontrá-lo no sofá ou na cozinha, mas ele não está em lugar nenhum.
Procuro Royal em algum lugar, mas ele também não está por aqui; volto a subir as escadas e, então, vejo a porta do quarto, antes escancarada, agora fechada. Toco a maçaneta com a mão tremendo e giro lentamente; quando entro, vejo que Rick está de costas para mim, brincando com o monte de pelos dourado.
Caminho com lentidão, querendo surpreendê-lo, mas Royal late para mim e eu faço uma nota mental de não dar mais petiscos a ele. Girando o pescoço com lentidão, Richard sorri para mim e eu encolho os ombros; rapidamente, ele está ao meu lado, beijando meu pescoço e envolvendo meu corpo com os braços.
– Não faça isso – peço num suspiro – Se me deixar plantada aqui sozinha depois de me provocar, não serei responsável pelos meus atos…
– Dama incontrolável – ele grunhe, arrancando a toalha do meu corpo – Por algum motivo, eu me sinto bastante atraído por essa ideia; gostaria de vê-la em prática qualquer dia desses.
– Gostaria, é? – eu o forço a olhar em meus olhos; os azuis já estão escurecidos e eu mordo o lábio inferior – Podemos realizar esse desejo… aqui e agora.
/POV Katherine/Cherrypie
Ela empurra meu corpo para a cama e sobe em cima de mim, arranhando meu peito desnudo com as unhas crescidas; tento olhá-la nos olhos, mas o impulso de fechar os meus próprios olhos é maior do que tudo e acabo por fechá-los. Rapidamente, ela passa para o tecido folgado da cueca, brincando com ele de forma a ameaçar retirá-lo, mas nunca o faz.
O pulsar insistente acaba por proporcionar certa dor, mas não quero apressar o momento; pela primeira vez, ela se mostra certa do que quer fazer agora e eu não vou impedi-la. Com um movimento súbito, ela empurra o tecido da cueca até os meus joelhos enquanto vira de lado para tocar minha extensão pulsante.
Prendo a respiração quando ela começa a brincar com a língua, fazendo círculos sobre a minha glande em polvorosa; aperto o lençol com força e cerro os olhos quando ela finalmente envolve meu pênis com a boca. Sem que consiga controlar meus impulsos, seguro a cabeça dela e seguro seus cabelos; ela sacode a língua e, quando finalmente move a cabeça, eu solto um alto grunhido, que apenas a faz sorrir amplamente.
– Olhe para mim – ela caçoa – Quero que veja tudo o que estou fazendo…
Forço a mim mesmo para abrir meus olhos e encaro as bolas pretas que parecem escurecer um pouco mais a cada segundo que passa; ela volta a me colocar na boca e eu prendo a respiração, encarando-a como posso. Reviro os olhos quando ela envolve a base do meu pênis com a mão e auxilia seus movimentos de cima para baixo; gaguejo quando ela finalmente me retira da boca e sorri para mim, lambendo os lábios.
Quando sobe em cima de mim, um sorriso safado rasga seu rosto; reviro os olhos quando ela fricciona sua entrada sobre mim. Reviro os olhos quando ela faz círculos sobre a minha glande com o polegar; seus lábios pressionam os meus e, quando percebo, suas paredes internas me apertam com força.
– Rick… – ela geme baixinho.
Vagueio com as mãos por seu corpo, passando pelos quadris e então, pela cintura, onde finco meus dedos e começo a auxiliar seus movimentos. Olho para ela e constato o quão linda ela está enquanto monta sobre mim; os cabelos caem sobre os ombros e os lábios inchados estão entreabertos e ela geme meu nome inúmeras vezes.
Não movo sequer um músculo para movê-la mais rápido porque desejo que ela me mostre exatamente como quer fazer, que faça do jeito que desejar. Olho em seus olhos e, de repente, um sorriso mínimo rasga seu rosto em dois; tento sorrir também, mas parece mais um repuxar de lábios malfeito.
Seus joelhos apertam as minhas pernas, impossibilitando os meus movimentos auxiliares, então eu só fico ali, parado enquanto ela se move para cima e para baixo, gemendo e suspirando o meu nome. Os cabelos balançam e cobrem os seios; envolvo suas costas com os braços e a puxo para baixo a fim de capturar seus lábios e, assim que consigo, ela ri.
Inverto as posições sem que ela tenha consciência do meu próximo movimento e arranco um grito surpreso dela; beijo seu pescoço e começo a me mover com lentidão, saindo de dentro dela a cada movimento que faço; ela envolve meu corpo com os braços e arranha as minhas costas lentamente.
– Faça mais rápido – ela sussurra, mordendo o meu ombro – Por favor, faça mais rápido!
Eu balanço a cabeça e solto uma risada abafada; pressiono meus lábios em seu pescoço, sentindo o gosto salgado do suor. Os dedos dela cravam em minha pele, afundando as unhas na carne; volto a olhar para ela e apoio meu corpo nos cotovelos para poder olhá-la; ajeito os cabelos dela atrás da orelha, afastando as mechas suadas que ficaram grudadas em sua testa.
As pernas dela envolvem os meus quadris e ela força meu corpo para mais perto, fazendo com que eu vá mais fundo; ela repuxa os meus cabelos e eu beijo seus lábios, começando a aumentar a velocidade dos movimentos e abafando seus gemidos que, com certeza, sairiam muito altos.
– Possua-me – ela ri.
Continuo movendo meu corpo em direção ao dela e, quando menos espero, jorro dentro dela e automaticamente ela joga a cabeça para trás; suas pernas descem pelas minhas costas e ela grita meu nome. Beijo sua clavícula e ela ri, bagunçando meus cabelos; olho para ela e vejo a satisfação estampada em seu rosto.
– Posso considerar isso como um presente de aniversário? – solto antes que consiga engolir as palavras; o corpo dela enrijece debaixo do meu.
– Como você sabe disso? – ela gagueja, tocando meus ombros.
– Sua amiga Lanie, eu acho, ligou pra mim – dou de ombros; não menciono a parte da festa na praia – Ela disse que seria o primeiro aniversário que você não estaria fazendo sexo…
– Acho que ela errou – ela ri, olhando em meus olhos – Mas, sim, pode considerar seu presente dado.
– Posso levá-la para um passeio? – pergunto, beijando sua testa suada – Vamos à praia durante a noite, é lindo…
– Não tenho roupas de banho – ela dá de ombros e eu mordo o lábio inferior; recebo um tapa no peito – Quando você disse que precisava arranjar alguma coisa para hoje você comprou um biquíni, não comprou?
– Se eu disser que sim vou levar outro tapa? – pergunto, já me encolhendo.
– Ultrajante! – ela ri – Por que não me disse isso antes?
– Porque era para ser uma surpresa – dou de ombros – Sempre quis levá-la à praia.
– Jura? – ela ergue as sobrancelhas – E o que vai fazer se algum homem ficar arrebentando os laços do biquíni com os olhos?
– Pois é, acho que é melhor você usar algum tipo de burca – começo a rir, recebendo outro tapa no peito – Desculpe por comprar o biquíni sem a sua autorização, mas eu realmente preciso levá-la à praia hoje… um presente de aniversário!
– Mas eu ia gostar tanto de ficar com você hoje – ela suspira –… na cama…
– Não me tente, mulher – eu brinco, começando a me levantar – Já vamos sair.
– Por quê? – ela pergunta, deitando de bruços – Não podemos simplesmente ficar juntos na cama hoje?
– Porque, embora seja muito tentador ficar na cama com você pelo resto do dia, a praia está linda hoje, pelo o que li – tento contornar a situação – E eu quero muito levá-la à praia para podermos nadar juntos.
– E não podemos fazer isso outro dia? – ela boceja – O sono está começando a tomar conta de mim agora.
– Vou fazer uma proposta: – começo – Nós nos arrumamos e, quando estivermos indo até lá, você pode adormecer no carro; deixo até que vá no banco de trás.
– Não vou conseguir convencê-lo a ficar em casa hoje, vou? – ela suspira, derrotada.
– Com certeza não – eu rio – Levante-se, vamos logo! Não quero chegar à praia muito tarde!
Contrariada e fazendo muxoxo, ela se levanta e faz o que pedi; rapidamente, ela já está vestida com o biquíni que comprei para ela e, céus, se não estivéssemos atrasados, eu juro que ficaria mais algum tempo com ela na cama.
‘…’
Quando piso na areia, ela parece relutante em me seguir; alguém pendurou uma fatia de lua no céu e as ondas chiam conforme lambem a areia ao longe. Olho ao redor para tentar encontrar os amigos dela, mas não sou capaz de enxergar nada a um palmo à frente; desvio o olhar para ela, que olha para as ondas maravilhada. Talvez tenha mesmo sido uma boa ideia vir à praia durante a noite; sem homens babando por ela, sem multidões… só eu e ela encarando o horizonte.
Percebendo meus olhares indiscretos, ela vira a cabeça para encarar-me e seus olhos parecem brilhar mais do que o normal.
– Obrigada – ela roça a bochecha na minha – Foi o melhor presente de aniversário que já recebi, obrigada mesmo.
– Eu amo você – respondo e ela ri, mordendo o lábio inferior – Eu amo você e faria tudo o que for necessário para ver um sorriso no seu rosto; eu amo você e sei que talvez o amor seja a coisa mais sem sentido e estranha do mundo, mas eu amo você. Eu amo você e não tenho como esconder isso…
– Isso era para ser um presente de aniversário ou alguma coisa para me fazer chorar? – ela choraminga, deitando a cabeça em meu peito; aliso seus cabelos e beijo o topo de sua cabeça – Eu também amo você.
Não faço ideia do paradeiro dos colegas dela, mas sequer me importo com eles agora; tudo o que eu quero é passar algum tempo com ela ali, sentados na areia e observando as estrelas no céu, pequenos pontinhos brilhantes no infinito escuro. Quando desvio o olhar para ela, vejo um sorriso começando a se formar em seu rosto e acabo sorrindo também.
– O que foi?
– Não pensei que fosse do tipo de cara romântico – ela dá de ombros – Quantas surpresas a mais posso esperar de você?
– Não sei – faço beiço – Talvez tenhamos muitas surpresas pela frente… a vida é imprevisível e todos nós cometemos erros que mudam a nossa vida completamente; o meu erro foi achar que prostitutas conseguiriam fechar o vazio em meu peito e, veja bem, se eu não fosse àquele beco todas as noites, nunca teria encontrado você e, talvez, agora, fosse um daqueles caras que só pensam em mulheres como objetos para a própria diversão… o meu ponto é: se eu não fosse aquele cara que paga mulheres para poder possuí-las, nós dois nunca teríamos nos conhecido e eu não teria conhecido o amor da minha vida… nós somos guiados pelas nossas escolhas, mas podemos ser mais do que os nossos erros.
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