Drive By | hiatus |
2 1. Mudança de Horário
Notas iniciais
"O amor não é senão o desejo; e assim, o desejo é o princípio original de que todas as nossas paixões decorrem, como os riachos da sua origem; por isso, sempre que o desejo de um objecto se acende nos nossos corações, pomo-nos a persegui-lo e a procurá-lo e somos levados a mil desordens."
– Miguel de Cervantes.
Dias depois:
Meus quadris se moviam para cima e para baixo, mas eu não me via sequer perto de um orgasmo. O corpo da moça simplesmente não me excitava (apesar do enorme busto e curvas delineadas); depois de Cherrypie, não consigo sentir atração por mulheres tão oferecidas ou tão cheias de volume frontal. Parece loucura, mas não é. Paro de mover os quadris ao perceber que de nada vai adiantar, mas a mulher não parece concordar comigo, pois continua se movendo, com mais rapidez agora. Não quero ser rude nem nada do tipo, mas eu afundo meus dedos na carne de seus quadris e então a puxo para cima, retirando-a de cima de mim.
Não fico nem um pouco desapontado quando vejo que a ereção que eu havia tido há poucos minutos já não existe; caminho até o banheiro e retiro a proteção de plástico, dando um nó e jogando-a no lixo depois. Lentamente, começo a me vestir e então ofereço uma carona à mulher; comecei a levar mulheres para casa depois daquela noite e não acho que tenha sido uma escolha tão ruim assim.
Ela balança a cabeça com rapidez e eu começo a descer as escadas; meus pés estão cobertos por chinelos e o som do atrito entre a madeira e o plástico é engraçado. Deixo um sorriso estampar meu rosto enquanto destranco as portas do carro; a moça não demora muito para sair da minha casa e se senta ao meu lado com lentidão, quase esfregando os seios no porta-luvas. Olho com ela com ar de questionamento, então ela para e fica quieta no banco.
Boa menina.
Dirijo numa velocidade nem tão rápida e nem tão lenta; não quero que ela pense que quero me livrar dela, embora isso seja a única coisa que tenho em mente. O dinheiro que vou entregar a ela está no bolso, mas ela não parece preocupada em pedir o pagamento, então continuo de boca fechada. Desvio de alguns buracos e cones pelo caminho e consigo passar por uma blitz sem ser parado – detesto quando estou com uma delas e algum policial resolve me parar. É embaraçoso explicar o que estou fazendo com uma prostituta ao meu lado no carro sem ficar vermelho e trêmulo.
Não demoro muito até chegar ao beco que costumo visitar; as mulheres de lá já me conhecem há muito tempo e sempre separam as novatas para mim. Essa é uma delas; espero até que ela me peça o dinheiro, mas ela só abre a porta e começa a sair do carro. Seguro o braço dela por impulso e então, quando ela se vira para mim, engulo em seco; enfio a mão livre no bolso e tateio pelo dinheiro. Quando o encontro, estendo o bolo de notas de vinte para ela, mas ela balança a cabeça e sorri para mim; ergo as sobrancelhas e solto seu braço antes que ela resolva sair e me levar junto.
– Não o agradei – ela diz; dou de ombros – Fique com o dinheiro para gastar com uma que lhe agrade.
As últimas palavras foram praticamente cuspidas sobre mim, então encolho os ombros quando ela bate a porta com ferocidade. Nunca aconteceu nada do tipo antes, então posso dizer que estou em parte chocado e em parte confuso; procuro um rosto na multidão, mesmo sabendo que não vou encontrá-la mais ali, quero dizer… já se passaram semanas e ela não voltou a aparecer por ali. Mas eu não deveria estar procurando uma mulher desse tipo… decido então não procurá-la, mas é em vão, já que o impulso de procurar os longos cabelos castanhos e os olhos verdes brilhantes é mais forte do que eu.
Fico parado por mais alguns minutos, vendo os olhares questionadores das meninas olhando pelo vidro lateral; elas já conhecem meu carro e sabem que não estou sendo agradado com facilidade durante as últimas semanas. Desde que paguei Cherrypie, desde que a trouxe de volta, desde que resolvi levá-la para minha casa, desde que nós transamos. Devo parecer uma criança que perdeu o bicho de pelúcia predileto, mas não quero parecer tão… frágil? Infantil? Não, frouxo é a palavra certa.
Ouço o tintilar de unhas em minha janela e, por puro impulso, eu abro o vidro; a mesma menina loira daquela noite sorri para mim e encolhe os ombros. Continuo encarando os olhos dela, embora o decote pareça muito mais interessante.
– Ela desistiu – é tudo o que diz – Não vai mais aparecer por aqui.
– De quem está falando? – tento parecer convincente, mas não acho que tenha dado certo; ela sorri ainda mais.
– Cherrypie, ela desistiu desde que voltou do passeio com você – ela pisca – Todas nós já queremos ver que tática você usou com ela para tanta paixão da parte dela…
– Paixão? – questiono com um nó na garganta – Você só pode estar de brincadeira!
– Não estou, todas nós vimos – ela diz as últimas palavras num tom mais alto; olho através dela e vejo as outras balançando a cabeça em afirmação – Ela te deu um cartão, disse que gostaria de uma segunda rodada?
Balanço a cabeça; os olhos da loira se tornam foscos e então seu sorriso desaparece.
– Você não ligou para ela – supõe; concordo – Ela deve estar arrasada!… aqui, tome o endereço dela!
Rapidamente, ela escreve um endereço num pedaço de guardanapo e entrega-o para mim, porém, antes que eu possa fechar o vidro, ela me oferece uma noite grátis. Com toda a delicadeza que posso reunir, eu balanço a cabeça e então fecho o vidro antes que ela comece com todo aquele papo de instintos e que um homem precisa de sexo para sobreviver e blá blá blá blá…
Giro a chave na ignição e vejo algumas meninas sorrindo e acenando enquanto vou embora; sequer imagino o motivo de tanta alegria, se nem ao endereço que me foi dado estou indo. Vou para casa, esfriar a cabeça, tomar um banho e, quem sabe, assistir a um jogo com Royal, meu novo cãozinho de estimação.
Estaciono o carro e corro para dentro, sentindo a brisa da noite começar a penetrar o tecido das minhas roupas; Royal pula sobre mim quando eu entro em casa e começa a lamber meus braços enquanto eu acaricio seu pelo macio. Nunca pensei que ter um cão fosse ser tão prazeroso e que, ao mesmo tempo, traria tantas responsabilidades.
Ligo a televisão e então Royal se enrosca em meus pés enquanto assisto ao jogo; meu time começa perdendo, mas lá pelo final do segundo tempo começa a melhorar. Resultado: meu time ganha o jogo de cinco a três. Em um ato de impulsividade, quase pego o telefone e ligo para o número de Cherrypie, mas não o faço.
Cara, eu queria saber o nome dela para não parecer tão estúpido quando for mencioná-la…
POV Cherrypie:
Não que eu esteja esperando um retorno após tanto tempo, mas seria bem legal se do nada o meu telefone tocasse e ele estivesse me chamando para retornar. Talvez não devesse ter largado o que eu costumava chamar de emprego para então me sustentar à custa de uma colega antiga que, por sinal, não aprova o que eu faço da vida. Hoje começo a me arrumar ainda mais tarde para que não o encontre por lá; minha blusa é a mais justa que posso encontrar nas roupas que trouxe e a saia, apesar de horrível, é a única que tenho que mostra exatamente o que quero que mostre. Calço os saltos e saio do quarto com a bolsa pendurada nos ombros, colocando volume nos cabelos e tentando parecer mais sexy do que realmente sou.
Quase me jogo sobre o sofá quando ouço a voz de um homem entrando no apartamento, mas então ouço beijos e gemidos de minha amiga. Ela não sabia da minha mudança de horário e talvez ache que eu não esteja em casa; começo a me afastar, mas então eles se jogam à minha frente e caem no chão. Faço uma careta ao ver o excesso de línguas à mostra e saliva escorrendo; me afasto deles tomando total cuidado para que o salto não faça barulho contra a madeira do carpete e então abro a porta; a dobradiça range,mas nenhum dos dois para o que estão fazendo, e agradeço-os por isso.
Chamo um táxi quando chego à rua e então, quando entro nele, vejo exatamente o rosto do homem que me levou à sua casa. Me sinto perdida mencionando-o quando não sei seu nome, é quase como se fosse um homem com o qual topei na rua sem querer, mas ele… bem, é quase como se fosse isso mesmo, certo? Eu não devia ter criado grandes expectativas sobre ele, já que eu fui paga para satisfazê-lo. Mas, de qualquer forma, ele me tratou tão bem e eu me senti tão satisfeita que pedi que repetíssemos a dose; o que, é claro, nunca vamos fazer porque, pelo o que ouvi, ele não é desse tipo.
Noto que não disse nada ao motorista e então explico-lhe onde estou indo. Ele demora a dirigir e eu entendo o porquê disso tudo; sempre consigo pegá-lo olhando para as minhas coxas ou o decote da blusa. Há poucos meses, eu teria me incomodado com os olhares indiscretos, mas hoje nem reparo muito neles; já vi taxistas fazendo coisas piores antes de começarem a dirigir e, acredite em mim, pode ser muito pior do que o que você está pensando.
Saio do táxi e entrego ao homem uma nota de vinte dólares; ele me lança um sorriso, mas eu balanço a cabeça e então começo a caminhar até onde normalmente fico. As meninas usuais já foram embora, então só há novas mulheres. Eu começo a explicar para elas que há alguns homens que levam as fantasias longe demais conosco, então, se algum deles começar a ficar sinistro ou abusivo, podemos simplesmente ir embora e não pedir o dinheiro. Não é como se estivéssemos ali por falta de escolha – eu gosto do que eu faço e algumas delas também. É claro que há aquelas que só estão ali porque um cafetão as obriga, mas há algumas de nós que gostam daqui. Eu gosto.
Um carro prata estaciona num canto e tem as janelas fechadas; eu me aproximo dali e bato com o punho fechado no vidro. Lentamente, vejo a transparência me mostrar o rosto de quem eu menos esperava ver no momento; quase me afasto, mas mantenho-me firme e lanço a ele o sorriso mais falso que posso fazer. Os olhos dele brilham e seus lábios quase se erguem num sorriso, mas não consigo identificar mais nada em sua expressão. Surpresa, talvez.
Ele destranca as portas e eu me sento no banco da frente, olhando para as meninas que sorriem e algumas batem palmas; pisco discretamente e então, vejo um borrão de cores e formas abstratas conforme ele avança pelas ruas iluminadas. Não falo nada que ele já não saiba e ele também não pronuncia sequer uma sílaba; continuo olhando pela janela até ver a vegetação que me lembro de ter visto da primeira vez que estive aqui. Ouço os motores do carro roncando e então a chave é tirada da ignição; abro a porta e me lanço para fora do carro o mais rápido possível.
Começo a caminhar até a soleira da porta, sentindo o vento gelado começar a acariciar meu corpo, mas não me encolho, continuo olhando para a porta esperando que ele a abra; ouço um latido e quase sorrio, mas contenho o impulso. Só o que vejo antes de quase desabar no chão é uma montanha de pelos dourados; me lembro de ter acariciado esse cão antes, quando estive aqui da última vez. Eu sorrio para o cão e começo acaricia-lo, ciente de que estamos perdendo tempo do que ele realmente quer que aconteça, então paro de acariciar o cão bruscamente e começo a adentrar o cômodo.
– Onde quer que façamos… – minha pergunta é interrompida com um brusco latido; ele ri.
– Eu estava à procura de sexo, mas então vi você – ele diz – Uma das moças, uma loira com enorme busto me disse que você desistiu de ficar por lá, mas obtenho a resposta que procurava: você não desistiu.
– Mudei de horário – dou de ombros – Isso incomoda você?
– Não, nem um pouco – ele sorri e coloca as mãos nos bolsos – Não quero fazer sexo com você.
– Então por que me trouxe? – acabo chocada com sua declaração; ele balança a cabeça.
– Não sei – ele suspira – Talvez eu esteja intrigado pelo motivo ao qual você me deu seu número de telefone e sua amiga me deu seu endereço…
– Desgraçada – escondo o rosto nas mãos – Olhe…, eu estou aqui porque você deveria estar à procura de sexo, então o que quer que eu faça?
– Nada – ele sorri – Só quero conversar.
– Conversar? – essa é a desculpa mais furada que eu já ouvi em toda a minha vida!
– Nós podemos só conversar e… – ele tateia os bolsos e me estende dinheiro – Eu pago o quanto quiser por, não sei, duas horas de conversa!
– Não quero seu dinheiro – faço careta – Quero ir embora.
– Eu a trouxe aqui e, se não quer conversar… – ele dá de ombros – Então vamos para a ação que deseja.
Porém, quando ele avança para perto de mim, repenso suas palavras; recuo quando ele se aproxima e posso ver o sorriso em seu rosto. Novamente, ele pergunta se podemos só conversar e desta vez eu afirmo com um balançar de cabeça; nós nos sentamos no sofá e, por mais estranho que pareça, me sinto nua. Não que ele já não tenha me visto nua uma vez, mas me sinto… exposta.
Sou deixada com o Golden enquanto ele vai à cozinha; ouço o som de líquido sendo derramado e então ele volta com dois copos nas mãos. Nós bebemos a água, mas continuamos em completo silêncio; não quero parecer esquisita e ele parece não ter coragem para só conversar comigo, então não sei o que fazer senão encarar meus pés e cantar uma música mentalmente. Sinto o cheiro incomum de pinho e lavanda e então fecho os olhos, apreciando seu perfume, ouvindo o farfalhar do tecido de suas roupas.
– Qual é o seu nome? – assusto-me ao ouvi-lo falando; ergo os olhos e iço uma sobrancelha.
– Isso é bem pessoal – eu dou de ombros; ele ri.
– É só um nome! O quão difícil é para dizê-lo?
– Usamos apelidos para que não nos reconheçam pelos nomes – digo – Por que é tão difícil para alguns de vocês simplesmente se contentar com o apelido que nós temos? Ou, por exemplo, nos chamar por nomes alternativos.
– Katherine combina com você – ele diz e eu sinto um arrepio passando pelo meu corpo.
Ele descobriu meu nome só por ter olhado em meus olhos uma primeira vez.
– E, pela sua pele empalidecida, suponho que este seja mesmo o seu nome – ele sorri vitorioso – Prazer, sou Richard.
– Como você descobriu meu nome? – questiono; de repente, a adrenalina toma conta do meu corpo dando um novo sabor à excitação que causa dor entre as minhas pernas – Quero sair daqui, oh, meu Deus, preciso sair daqui!
– Sou muito bom com adivinhações – ele dá de ombros – Não podemos simplesmente conversar? Seria muito bom para mim, já que só tenho o Royal aqui.
Olho para o cão adormecido aos pés dele e engulo o medo; sento-me no sofá novamente, mas um pouco mais afastada. Ele ri e então limpa a garganta; endireito a postura e me preparo para uma enxurrada de perguntas.
– Quantos anos você tem?
– Vinte e dois.
– Mora com parentes?
– Uma amiga e seu inúmeros namorados.
– Qual sua comida predileta?
– Algo que contenha chocolate ou cerejas, mas os dois juntos também é uma boa escolha.
– Aroma predileto?
– Lavanda.
– Por que começou a frequentar aqueles becos?
– Eu passo!
– Não pode passar uma pergunta! – ele reclama e eu dou risada.
– Posso, sim! Ei, eu também tenho direitos! Quero fazer perguntas também! – ele balança a cabeça e ri alto, jogando a cabeça para trás – Quantos anos você tem?
– Vinte e cinco.
– Já sei que mora sozinho, então não vou perguntar sobre isso… Hm, qual sua comida predileta?
– Algo que envolva chocolate.
– O que te leva àquele beco todas as noites?
– Isso também é pessoal, mas não sou fresco – faço careta para ele – então eu digo: não convivo com a minha família e não tenho amigos próximos, não consegui conquistar uma única menina da qual eu realmente gostasse, então procuro sexo fácil. Algo para o qual passar o tempo além de livros e da escrita.
– Você escreve?
– Alguma coisa, sim.
– Interessante – murmuro; ele balança a cabeça e sorri. – O que foi?
– Você está corada – ele ri baixo e eu sinto as bochechas queimarem – Das duas uma: ou está com vergonha ou excitada.
Que tal os dois?
– Boa jogada – eu gargalho tentando esconder o embaraço – Mas não pense que já me conhece ou que tem alguma outra jogada realmente boa, porque não tem.
De repente, sinto os lábios dele pressionarem os meus e, em um momento de inconsciência, por puro impulso, abro os meus deixando que ele me possua mais uma vez; minhas mãos vão para seu pescoço e então ele começa a passar suas mãos pelo meu corpo conforme nós nos beijamos; nunca, em todo o tempo que estou nisso, nenhum homem jamais quis me beijar antes ou até mesmo depois do sexo. Arfo quando ele se afasta para retirar a minha blusa e então vejo que os olhos dele, antes azuis como o oceano mais límpido, agora estão escuros e brilhantes; ele toca meus seios e eu fecho os olhos, mordendo o lábio inferior.
Ele se inclina e sinto o calor de sua respiração em minha orelha; sua voz está rouca e trêmula quando ele sussurra no meu ouvido:
– Não tenho nenhuma outra jogada – ele diz com sarcasmo – Acho que você estava um pouco errada…
Deixo um longo gemido escapar quando ele brinca com meus seios, e então a boca dele desce contra eles e eu não consigo segurar um grito; fecho os olhos e forço uma coxa contra a outra, sentindo que o calor só aumenta no cômodo. Ouço o som de unhas arranhando o carpete e noto que o cão não está mais perto de nós – talvez ele queira silêncio e serenidade para dormir, então nós apenas o atrapalhamos.
Minha saia de repente está no chão e ele começa a retirar a calcinha que eu uso; sinto-me mais exposta do que jamais estive e perco os sentidos quando ele coloca dois dedos dentro de mim de uma vez só; fecho os olhos e mordo o lábio inferior para conter um alto gemido. Ele ri baixinho e começa a movimentá-los enquanto eu abro as pernas ainda mais, dando-o total acesso àquela área. Ouço o som de um zíper sendo aberto e abro os olhos somente para vê-lo com as calças nos joelhos; uso toda a minha força de vontade para retirar os dedos dele de dentro de mim para então ajudá-lo com suas roupas. Expulso a blusa dele, jogando-a em qualquer outro lugar da sala e ele chuta a calça para longe; a boxer é branca e eu não demoro muito a retirá-la. Tento fazer o mesmo da outra noite, mas ele não deixa; ele me deita no sofá e se coloca sobre mim, com os olhos grudados nos meus – jamais um homem quis me olhar nos olhos enquanto possuía meu corpo.
– Eu… – começo, mas ele coloca o indicador sobre meus lábios e então desliza para dentro de mim; cruzo as pernas em seus quadris e fecho os olhos com força.
O corpo dele começa a se mover contra o meu; fecho os olhos e grito conforme ele atinge pontos dentro de mim que nenhum homem jamais atingiu antes. Ele também solta gemidos em determinados momentos, mas, ao contrário de mim, parece envergonhado depois que os solta; eu rio e enlaço seu pescoço com meus braços, puxando seu rosto para perto do meu e beijando seus lábios.
– Olhe para mim – ele pede quando volto a fechar os olhos – Quero que olhe para mim; quero que façamos isso olhando um para o outro.
Eu obedeço; abro os olhos e contenho o enorme impulso de fechá-los quando sinto os primeiros espasmos no ventre. Grito e escondo meu rosto no vão entre o pescoço e o ombro dele, mordendo a pele já salgada pelo suor; ele solta um gemido abafado e esconde o rosto em meu pescoço, arfando e sussurrando palavras sujas em meu ouvido – é a minha ruína. Fecho os olhos e jogo o pescoço para trás, trincando os dentes e soltando um gemido alto conforme minhas pernas começam a tremer e minha respiração falha.
Não me importo com o fato de não estarmos usando proteção, mas não sei o exato motivo para que eu não esteja dando a mínima. Porém, ele parece estar preocupado, porque termina o trabalho manualmente, mantendo o contato visual comigo, só fechando os olhos quando finalmente explode e joga a cabeça para trás. Minha barriga fica suja, mas não me importo muito.
Ele cai sobre mim e se apoia nos cotovelos; volto a enlaçar minhas pernas nos quadris dele e dou um beijo em seu ombro. Sinto os lábios dele sobre minha clavícula, meus seios e então, meus ombros e pescoço; quando ele chega ao rosto, olha para mim e sorri amplamente, indo então para meus lábios. Ele os roça de leve contra os dele e sou eu quem dá o primeiro empurrão para que ele os pressione; ele sorri durante o beijo, mas não se afasta. Nós ficamos juntos no sofá até que eu me lembre de deixar as meninas sozinhas e sem jeito para arranjar clientes.
Tento me levantar, mas ele me prende em seus braços e, quando olho em seus olhos, não quero mais ir embora. Quero ficar com ele, mas sei que há obrigações que não posso deixar de cumprir, então fecho os olhos e saio de seus braços, catando minhas roupas pelo chão da sala; ele deita de costas no sofá e olha para mim com um sorriso cafajeste.
– Não vou te levar para lá, sabe – ele dá de ombros; eu o olho feio.
– Não posso voltar a pé, é muito longe – tento convencê-lo – Nós dois já fizemos o que você queria… conversamos e então, fizemos sexo, mas agora preciso voltar.
– Nós já fizemos sexo e já conversamos, sim, mas eu ainda não terminei com você – ele diz com o tom de voz alterado; dou de ombros – Pelo o que eu saiba, vocês têm de ficar com o cliente até que ele esteja satisfeito, não é? – balanço a cabeça enquanto termino de ajeitar os sapatos – Então, o que me diz de ficar mais um pouco?
– Não posso – digo; ele se levanta e se aproxima de mim, ainda nu – Não posso.
– Vou ter que forçá-la a ficar? – ele questiona; balanço a cabeça.
– Nada do que possa dizer vai me convencer a ficar aqui – eu digo; ele sorri maliciosamente.
– Isso é um desafio? – ele pergunta.
– Nunca disse que era um desaf… – sou interrompida.
– Desafio aceito – ele ri e então praticamente se joga para cima de mim.
Perco o equilíbrio e me seguro em seus braços enquanto ele me puxa para perto de seu corpo; sinto o atrito entre nossos corpos e então sinto sua ereção pressionando a minha barriga. Com os saltos, ele não é muito mais alto do que eu, mas agora estou descalça e meu rosto bate exatamente em seu peito. Então ele me envolve num abraço – não posso explicar o motivo da minha alegria recente, realmente não entendo por que sorrio ou por que aprecio o contato, mas eu deixo que ele me abrace porque não tenho outra opção.
/POV Cherrypie
Eu a trouxe para casa, nós conversamos e nós fizemos sexo, mas agora não consigo deixá-la ir embora; o cheiro de cerejas exala de seu corpo e eu quero deitá-la no chão, despi-la e começar a fazer tudo de novo. Mas eu a abraço ao invés disso e começo a apertá-la cada vez mais contra meu peito; ela é tão baixa sem os saltos que até parece uma criança.
– Não consigo respirar – ela reclama; eu rio e então afrouxo os braços ao redor dela, mas não muito – Você não entende o conceito de espaço pessoal?
– Nós já transamos, eu já vi todo o seu corpo, já estive dentro de você – rebato; ela ri – Então acho que não precisamos de um discurso sobre espaço pessoal.
– Nós não usamos proteção – ela diz; eu balanço a cabeça.
Não que eu esteja extasiado por ter feito algo com uma prostituta sem proteção, mas na hora não me importei e continuo não me importando; ela olha para mim com os olhos duvidosos e eu dou de ombros.
– Posso ter doenças venéreas – ela diz – Isso não o assusta?
– Como o inferno – suspiro – Mas não me importo agora; já fizemos sem proteção, então o que vier depois é consequência de um ato impensado.
– Não tenho doenças venéreas – ela me tranquiliza; eu relaxo os músculos – Nunca fiz nada com ninguém sem usar proteção.
– Isso me tranquiliza – eu desabafo – Eu sabia que não precisava me preocupar de verdade!
Ela ri e então eu a aperto mais contra meu peito, sem saber exatamente o motivo; estou nu e não me sinto ou pareço desconfortável com isso. Ouço um suspiro dela e sorrio involuntariamente; gosto de ouvir seus suspiros, seus gemidos e gritos – céus, eu soo como um obcecado; pareço um psicopata.
– Proponho um desafio – eu digo; ela ergue a cabeça e me encara.
Suas pupilas estão dilatadas e suas íris num tom mais escuro de verde; ela está com desejo, sei disso porque adorava prestar atenção às aulas de biologia, e não devo estar em estado melhor, porque logo sinto o pulsar do pequeno – mas não tão pequeno – eu.
– Estou ouvindo – ela se mexe em meus braços e eu a aperto ainda mais.
– Nós vamos apostar no jogo de amanhã à noite – eu digo; ela balança a cabeça – Se você perder, vai morar comigo por um mês.
– E se você perder? – ela questiona; suas sobrancelhas içam e eu rio baixo.
– Se eu perder, fico duas semanas sem sexo. – balanço a cabeça em afirmação, mas ela faz o contrário.
– Um mês, espertinho – faço careta e ela ri baixinho – Eu aceito o desafio.
‘…’
Paro o carro de qualquer jeito na frente de um edifício pequeno de no máximo dez andares e espero enquanto ela se ajeita para descer; os olhos dela encontram os meus e nós dois sorrimos, foi quase espontâneo.
– Agradeço – ela diz, rejeitando o bolo de dinheiro que estendo –, mas não posso aceitar seu dinheiro. Me busca em casa antes do jogo?
– Eu ligo pra você – digo; ela balança a cabeça e observo suas pernas enquanto ela caminha até o prédio.
‘…’
Eu sento no sofá e bufo, segurando o cartãozinho com os dizeres “Cherrypie – doçura e desejo” que ela me entregou quando eu paguei por ela da primeira vez; agora até parece nojento que eu diga que só a levei para casa por causa de sua beleza. De Cherrypie, ela virou Katherine, e acho desrespeitoso que eu tenha um cartão com seu codinome de prostituta, então risco as letras cursivas e escrevo seu nome por cima dos rabiscos.
Eu ligo pra você.
Ainda não consigo acreditar que disse isso para uma mulher – não pelo fato de eu realmente ligar para uma mulher, mas o inacreditável mesmo, é que essa mulher é uma prostituta e nós vamos ter uma espécie de encontro.
Não entendo o que está acontecendo comigo, mas pareço desfrutar cada minuto à presença dela.
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