Dream's Place
18 Souche
Finalmente amanhece em Kyoto. A noite parecia ter sido calma em toda a cidade, já que não tinha acontecido nenhum incidente na madrugada que passou. O parque estava sereno e coberto por uma linda fina camada de gelo. O dojo do mestre Natsumoto estava limpo e organizado pelos pupilos do grande lutador. A escola Yumeushi tinha um sol radiante nascendo atrás dela e refletindo em seus fortes vidros temperados. O hospital em que estava Kuzaru e sua mãe estava naquele clima cotidiano de vazio e gélido, porém havia uma calma que não existia há alguns dias naquele lugar. A casa de Morpheu irradiava ao brilho intenso do Sol, enquanto Murphy observava pela janela o lindo astro luminoso nascer no horizonte. Tankeno continuava dormindo em sua casa, solitário e a mesma coisa com Hayllana na residência anexada a Yumeushi onde morava. Porém toda essa calmaria não era para todos. O laboratório de pesquisa genética, Souche, que havia sido atacado no último sábado, estava em grande alvoroço. Uma quantidade enorme de funcionários estavam trabalhando dia e noite no laboratório, cuidando de várias áreas de trabalho. Todos trajavam uniformes muito parecidos: Os homens com paletós brancos e calças e sapatos pretos e as mulheres com um vestido branco curto e grandes botas pretas. Não havia exceção alguma nesse traje. Até mesmo os responsáveis pela limpeza trajavam essa roupa até onde podia se avistar no enorme edifício O rombo que foi feito no teto já havia sido consertado. Grande parte trabalhava intensamente, enquanto outros descansavam em pequenas salas com alguns colchões.
Enquanto isso, na sala de reuniões da Souche tinham duas pessoas em um ambiente totalmente escuro. Apenas se sabia que eram um homem e mulher pelas vozes ouvidas. Eles dialogavam entre si:
– Depois desse ataque temos que nos preparar mais! – o homem falava furioso – Nossa segurança não conseguiu dar conta daqueles dois usuários do poder da Cellule de Dieu.
– Na verdade nosso único problema real foi o garoto de branco – dizia a mulher – Ele com um único golpe acabou com pelo menos 70 dos 100 seguranças da célula e você sabe que nossa segurança foi fortemente treinada para batalhar contra usuários da célula.
– Mesmo assim não aguentaram sequer 2 minutos contra dois deles! Se eles voltarem a atacar estamos sem nenhuma segurança agora. Estamos contra a parede e sendo empurrados cada vez mais. Acho que vamos precisar pedir ajuda para Yumeushi.
– Eu não confio o bastante em Cartezus para isso. Quase todo corpo docente daquela escola sabe sobre as células, mas o único que se envolve no que tem em relação a elas é o Cartezus. Tem que ter uma explicação pra tal coisa. Se formos pedir ajuda para Yumeushi eu só confio em uma pessoa lá dentro e você deve saber quem é.
– Aquele cientista louco?! Você sabe que ele enlouqueceu com o caso dos quatro elementos, não podemos chamá-lo. Ele pode ter sido um gênio, mas agora só um velho maluco que ensina algumas crianças o que são células – o homem dizia em um tom irônico a última frase, arqueando sua sobrancelha.
– Eu sei de tudo isso, mas ou é ele ou o Arcano!
O homem pensa um pouco ao ouvir isso. Se sentia numa enrascada, mas não tinha escolha e respondeu:
– Falemos com o doutor Boulevard Fig então.
Mais tarde Tankeno já havia se encontrado com Morpheu na entrada da escola, procurou por Kuzaru, mas não o viu, então apenas continuou andando com a cabeça baixa. Ele continuava andando quando ouve um grito orgulhoso:
– Estão atrasados seus merdas! Achei que não iam chegar para ver o poderoso Kuzaru de novo – exclamava exaltado o garoto ruivo enquanto chutava o ar formando pequenas explosões próximas de seus pés e continuou – Acho que finalmente entendi mais sobre esse negócio de células.
Tank e Murphy olhavam abismados. Não sabiam se o que realmente viam era real. Tank então disse com a voz meio que trêmula:
– Co-como fez isso Kuzaru?! E pare de fazer agora, vai chamar muita atenção!
O garoto ruivo parou com seus incessantes chutes e disse:
– Acho que tem a ver com o negócio das células. Foi assim que eu consegui expulsar o cara que atacou o hospital aquele dia, mas tinha feito sem querer. Parece que consigo manipular alguma coisa no ar. Você também deve fazer algo, já que aquela vadia apontou pra você também no hospital.
– Na verdade, eu consegui fazer algo parecido sem querer no parque no domingo. Era algo que vinha da minha pele, uma espécie de escudo invisível mas não consegui fazer de novo. Foi lá que eu conheci aquela médica – o garoto cora ao falar dela.
– Hum, entendo… eu estou começando a controlar esse negócio do ar, eu explodo ele como se criasse bombinhas! – o garoto dá mais um chute explosivo.
– Na verdade você não está explodindo o ar – ouve-se uma voz atrás de Tankeno, os três se viraram para ver quem era. Era o professor Fig. Ele lecionava Química na escola há vários anos e parecia extremamente velho, por volta de uns 80 anos. O professor continuou – Você está apenas fazendo o dióxido de carbono da atmosfera entrar em combustão com o poder de suas células… cellule de carbone.
Os três olham espantados e Kuzaru se irrita e grita:
– Me explique sobre essas malditas células!
O velho deixa escapar um pequeno sorriso e diz:
– O esperado do filho da cramoise.
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