Dream's Place

19 A Idade das Células


Boulevard Fig olhava seus alunos com um sorriso pequeno e com um certo tom maléfico. Poderia se ver que ele se esforçava para sorrir, pois suas expressões já eram velhas e demonstravam um pouco da experiência de vida do doutor, com cicatrizes que se escondiam dentre as rugas em seu rosto. Kuzaru tinha rugas também, porém estas não eram de velhice. Eram de raiva, pois queria saber sobre explicações reais sobre as células e o envolvimento disso com a sua mãe. Kuzaru desafiava o professor com fúria. Boulevard continuava com seu sorriso e Kuzaru se irrita ainda mais e grita:

– Seu velho de merda, me responda sobre as células agora!

Não houve nenhuma reação do homem idoso. De repente ele simplesmente cai no chão com seu mesmo sorriso. Os três garotos apenas observaram confusos:

– Ele morreu? – pergunta Tankeno

– Acho que só dormiu… – diz Murphy

– Exatamente isso! – Arcano Cartezus apareceu atrás dos garotos – Ele costumava fazer isso quando estava muito animado com alguma coisa, há tempos não o via fazer isso.

Murphy olhou sério para seu pai. Ele ainda estava desconfiado sobre certas coisas sobre ele, mas apenas ficou quieto. Cartezus continuou:

– Podem deixar isso comigo. Eu o levarei até a sala do professores, podem ir para suas salas de aula também. Está próximo do horário do sinal – concluiu enquanto pegava o professor Fig em seus braços e o levava facilmente. Um forte vento batia em seu habitual sobretudo. Edward observava seu pai caminhar com um olhar apreensivo. Os três se despediram e foram para suas salas.

Na hora do intervalo os três se encontraram novamente, porém Hayllana não havia aparecido no dia. Tankeno não sabia porque não a tinha visto, talvez ela apenas estivesse com suas amigas. Sabia que a garota não gostava muito de Kuzaru, então não havia motivos suficientes para era vê-lo bem. Os garotos então apenas lancharam normalmente e quando estavam se despedindo para voltar para suas salas ouvem uma voz fina e cansada:

– Venham comigo – Era o professor Fig, que já parecia estar bem melhor – vou explicar a vocês o que me for permitido sobre as células.

Os três garotos olharam-se. Não esperavam aquilo tão repentinamente. Tankeno então disse:

– Mas e nossas aulas?

– Pode deixar que já pedi permissão para liberar os três nesse período. Agora venham comigo.

Os amigos se olharam e confirmaram com suas cabeças. Então seguiram o professor em silêncio até o laboratório de ciências da escola. O laboratório não era grande. Tinha espaço apenas para alguns equipamentos que ali estavam, mas era mínimo, bem menor que qualquer sala da escola que os rapazes conheciam. O professor Fig sentou em sua cadeira, olhou para os garotos com uma expressão que fazia aparecerem ainda mais rugas em seu rosto e perguntou:

– O que querem saber sobre as células?

O silêncio ficou por algum tempo pairando no ar. Aquilo parecia fácil demais para os garotos, depois de toda confusão que havia ocorrido no hospital, sem resposta nenhuma da linda doutora. Então finalmente Tankeno pergunta:

– O que são basicamente as células?

– Antes de tudo quero falar que vocês não são chamados de células por nada. O poder que vocês tem ou viram está diretamente ligado as células de seus corpos. Durante um tempo houve uma pesquisa que queria criar super-humanos para o caso de uma nova guerra mundial ocorresse. A pesquisa pareceu não dar certo, pois não parecia ter alterações no organismo da criança que foi modificada. Quando percebemos que precisávamos adicionar uma coisa a mais para que as células mutantes do garoto reagissem. Descobrimos então que era necessário um elemento puro ou não para isso, foi daí que conseguimos criar a primeira das células, o paradoxe cellule. Ele não foi feito de algum material, mas ele não envelhecia porque seu corpo não havia sido adicionado nenhum material, então relacionamos ele com o tempo, já que as células mutantes dele o faziam retornar para qualquer época que ele desejasse, já que o universo definiu que ele era um corpo imortal e perfeito – o homem coloca a mão na cabeça como se estivesse com alguma dor – não consigo explicar isso através da ciência ainda, essa coisa de imortalidade tem a ver com aCellule de Dieu.

– O que é essa Cellule de Dieu? – Murphy, de repente, pergunta.

O idoso professor olha para ele espantado e continua:

– A Cellule de Dieu foi algo que esse garoto do tempo criou. Depois que ele sumiu no tempo, apareceu de novo com ela e a manteve com a Souche, que é o prédio que foi atacado no sábado como vocês devem ter visto. Foi o que provocou aquele brilho laranja no céu, que foi justamente que despertou os poderes adormecidos dos seus dois amigos.

Kuzaru e Tankeno se olharam. Pareciam satisfeitos com as explicações do professor, quando de repente Murphy pergunta:

– Me diga mais uma coisa… o que meu pai tem a ver com tudo isso?

O professor arqueou a sobrancelha enquanto soltava uma pequena risada:

– Seu pai é uma das ramificações da paradoxe cellule. Seu pai é uma célula!