Dream's Place

34 O Garoto do Celular


Todos ainda olhavam para o garoto sem entender exatamente porquê ele havia começado a rir daquela maneira, por exceção de uma pessoa. Morpheu olhava preocupado para o garoto do celular. Ele passava a vista por Hayllana, que parecia não lembrar do menino e apenas os observava com uma expressão admirada. Ele coça a cabeça preocupado – Eu devo ser o único que lembra do que aconteceu aquele dia – pensava o garoto negro – Será que realmente eu deveria ter concordado com aquilo?

-2 Dias Atrás-

Morpheu tinha acabado de sair revoltado do laboratório do professor Fig . Ele não queria acreditar que seu pai tinha alguma relação com as células, isso significaria que ele realmente estaria envolvido com o ocorrido do sábado. Enquanto ele andava desnorteado e pensando nessas coisas, de repente olha para o pátio da escola. Lá estava Hayllana portando uma espada, parecendo enfurecida com uma das professoras com a qual ela morava. Ele olha assustado para aquilo e quando vai gritar, uma voz ao seu lado interrompe:

– Você quer que eu a purifique? – Hihiro estava ao lado de Murphy digitando em seu celular.

– Ahn? Como ass...

– Ela é sua amiga, não? – interrompe o garoto subindo o tom de voz – Você quer que eu a purifique?

– Mas eu nem sei o que está acon...

– Você está vendo aquilo, não está?! Quer que ela acabe como seu pai? – o garoto sobe o tom e faz uma expressão de uma certa ira.

Morpheu olha assustado e quando ia perguntar sobre seu pai, Tatsuda continua:

– Se ela é sua amiga, deixe que eu purifique-a!

– Tudo bem, mas quero que me passe explicações depois – ele olha sério, mas Hihiro desvia o olhar e corre em uma velocidade absurda até Hayllana.

-Presente-

Hihiro já estava se envolvendo com os garotos. Tank e Kuzaru riam com o garoto do celular, que às vezes, no meio da conversa, parava bruscamente e começava a digitar em seu celular. Hayllana estava quieta e meio corada. Morpheu olhava pra ela – Será que ela lembrou de algo? – pensou ele muito preocupado, mas não parecia o caso. Ela parecia estar envergonhada perto do garoto de touca e estava rodando o guarda-chuva fechado, próximo ao chão. A conversa entre Tank, Kuzaru e Hihiro parecia estar muito divertida. Kuzaru ria exageradamente, chamando a atenção das pessoas que passavam e dizia:

– Hahahahaha! Você é engraçado, Tatsuda!

– Mas o que eu estou fazen... – antes de completar a frase ele volta a escrever no celular. Kuzaru ri ainda mais e diz:

– Isso aí mesmo! Hahahaha! Você do nada começa a mexer nesse seu celular! – a cada digitada do garoto, o ruivo ria ainda mais. Aquela cena para ele era extremamente cômica. O simples fato de Hihiro interromper sua fala pra começar a digitar fazia com que Natsumoto risse absurdamente. Tank olhava para o amigo e não ria pelo ato de Hihiro e sim de Kuzaru que não parava de rir. Quando Hihiro terminou de digitar voltou a conversa:

– Entendi... mas eu apenas estou respondendo minhas mensagens.

– Por falar nisso, seu celular parece ser bem velhinho, né? Quer dizer, ele não tem nem câmera e já estamos em 2010. Esse celular tem quanto tempo? 10 anos? – perguntou Tank, interessado no aparelho do garoto.

– Bom, esse celular foi criado por meu pai há mais ou menos esse tempo mesmo. Ele morreu há 5 anos, então eu uso como lembrança – ele explica e fica meio cabisbaixo.

– Ah... desculpe, minha intenção não era tocar nesse assunto...

– Tudo bem! – interrompe Hihiro – Bom, foi legal a conversa, mas agora tenho que ir. Até o momento que o tempo quiser – ele sai andando entre a multidão digitando em seu pequeno aparelho móvel. Tankeno e Kuzaru apenas olham o garoto se perdendo entre as pessoas. O moreno então diz à Kuzaru:

– Estou me sentindo meio culpado agora. Estava tão divertido falar com ele.

– Pois é. Espero que encontremos o cell boy de novo.

– Cell... boy?

– É! O apelido que dei a ele, hahahaha!

– Você não toma jeito, Kuzaru.

Os garotos voltam a rir. Murphy apenas observava com um leve sorriso no rosto. Uma mensagem chega de repente no celular do garoto negro que tem escrito:

Não se preocupe com a garota. Ela não irá se lembrar de mim tão facilmente assim e acho que você cuidou para que Oyahashi não descobrisse sobre aquela situação.

Morpheu sorri ao ver a mensagem. Ele olha pra Hayllana que continua meio avermelhada, mas ele entende que não tem nada a ver com a situação que passara na escola. Enquanto o garoto pensava nisso, Hayllana continuava olhando na direção para onde Hihiro havia ido. Ela estava com uma expressão que mostrava totalmente uma certa atração que ela poderia ter sentido. Kuzaru de repente para de rir e olha para o rosto da garota e começa a acenar com a mão na frente dos olhos dela. Ela continua sem reação e ele então dá uns tapinhas na cabeça dela e diz:

– Que deu nessa pirralha? Parece que se apaixonou pelo cell boy – ao falar isso, a garota fica extremamente vermelha. Sua expressão muda para uma de raiva e ela grita, ainda corada, mas num tom não muito ameaçador:

– Cala a boca, ketchup! – ela começar a correr atrás do ruivo, procurando acertá-lo com seu guarda-chuva, enquanto esse corre dela, rindo e caçoando da garota.

Tankeno e Morpheu também riam da situação. Murphy ao ver aquilo, oculta em pensamentos – Então era isso.