Dream's Place
27 Limpeza
O intervalo já havia acabado e todos estavam em suas salas para fazerem as últimas provas do dia. Os corredores da escola estavam todos vazios e o silêncio predominava. Na sala dos professores estava apenas Arcano Cartezus, fumando um cachimbo que havia adquirido ainda nos Estados Unidos. Nele estava entalhado algumas coisas em uma linguagem antiga e incompreensível. Ele apreciava a sensação do fumo e deliciava-se tanto, que parecia não estar com nenhum problema, o que não era o caso.
O clima calmo na escola fazia qualquer problema se tornar nada, mas isso era apenas nos corredores. Nas salas, ouvia-se o rabiscar de folhas. Os estudantes, concentrados ao máximo, faziam seus testes finais com toda a atenção possível, afinal eram as provas finais do ano letivo e deveriam ser feitas com total sucesso. Todos os alunos estavam em suas salas fazendo suas provas e todos os professores estavam monitorando a aplicação dessas provas, com exceção de um professor… e também um aluno.
Um garoto andava calmamente pelo corredor, enviando algumas mensagens em seu celular consideravelmente antigo. Ajeitou sua touca de maneira que mostrasse algumas pontas de seu cabelo negro enquanto cantarolava uma música de um ritmo dançante. Ele já havia passado por todas as portas das salas de aula, mas não entrava em nenhuma delas, ele passava direto, indo até a área administrativa da escola. Ele ao chegar nessa parte vai diretamente à sala dos professores e abre a porta sem se quer bater. Cartezus que estava dentro da sala sozinho fumando se assusta e olha para o garoto de forma intimidadora. O garoto olha e sorri de maneira boba, dizendo:
– Ah, desculpe professor, eu deveria ter batido… – o celular do garoto vibra e ele para de falar pra responder o que pareceu ser uma mensagem. Cartezus continuou fitando o garoto e disse utilizando um tom ameaçador:
– O que você está querendo aqui? – o professor disse reposicionando-se corretamente na cadeira, já que ele estava com os pés na mesa enquanto deliciava-se com seu cachimbo. O garoto levantou a cabeça de novo meio confuso e respondeu:
– Ah é mesmo, nem lembrava que tinha vindo até aqui. Essas mensagens deixam os jovens distraídos – Arcano arquea a sobrancelha, fazendo uma expressão irônica. O garoto para de digitar – Bom, eu queria avisar que os vidros da escola estão sujos e eu estou incomodado com isso. A segurança de todos depende da limpeza deles.
– Como os vidros sujos iriam atrapalhar a segurança das pessoas que estão nessa escola, garoto?
– A luz não consegue entrar direito! – o garoto aumentara o tom – Sem luz solar uma pessoa pode morrer!
– Você deveria saber que para isso a pessoa deve ficar sem receber ensolação por bastante tempo.
– Sim, mas se cada vez for ficando mais sujo, cada vez mais tempo passará sem luz e todos irão morrer! – ele aumenta ainda mais o tom de sua voz.
– Não ir… – antes que o professor pudesse retrucar todos os vidros da sala estouraram. O garoto olhava furioso para o professor e segurava o celular com força em sua mão direita. Após um tempo ele gritou pausadamente:
– Mande… limpar… os… vidros… da… escola! – quando ele terminou de falar vários feixes de luz projetaram-se dos cacos estilhaçados no chão. Arcano pulou rapidamente de sua cadeira e caiu com o punho direito no chão. O garoto apontou a mão esquerda para ele, enquanto também acompanhava o professor com os olhos e ao fazer isso os feixes de luz se direcionaram até o professor. Antes que pudessem acertá-lo, ele se teleportou rapidamente. O garoto olhou com um olhar furioso e exclamou:
– Rastros de teleporte nunca serão mais rápidos que a luz! Lux mutabilis: Omni Flash! – todos feixes de luz se uniram no centro da sala e provocaram uma enorme explosão luminosa, que ofuscou totalmente a visão de Cartezus. O professor estava se sentindo perdido dentro da cúpula luminosa, quando sentiu uma presença ao seu lado e a voz do garoto exclamou:
– Lux mutabilis: Gladius! – toda luz da sala sumiu e se concentrou na forma de uma lâmina no celular do garoto. Ele empunhava pronto para atacar Cartezus. O homem se teleportou novamente, mas ao momento que reapareceu viu o garoto em suas costas gritando:
– Já disse que simples rastros não vão superar a luz! – Ele atacou diretamente as costas do homem, que fez respingar bastante sangue no momento. Cartezus cambaleou pra frente, gritando de dor. Ele então sem pensar teleportou-se da sala para a cantina da escola. Ao chegar no destino, disse com um tom que mostrava sua dor:
– O rastro instântaneo só me trouxe até aqui, merda! Eu usei demais minhas células por hoje, preciso concentrar o resto pra voltar pra casa… Teleportho: Home! – o homem sumiu no ar, deixando para trás pingos de sangue que saira de suas costas no chão.
O garoto continuava na sala dos professores que estava completamente destruída. Ele olha para o sangue respingado no chão nos cacos de vidro que ali estavam. Ele sorri e sussura:
– Parece que agora os vidros estão um pouco mais puros – ele pega o caco ensanguentado, guarda no bolso de sua calça, anda vagarosamente até a porta e sai. Ele voltara a andar pelo corredor, digitar em seu celular e cantarolar alegremente.
Arcano Cartezus estava em casa tomando um banho. Enquanto a água caia em sua cabeça, ele bate forte na parede e diz:
– Então aquele é o temido Verre?! E ele é só um aluno da escola – Cartezus bufava de raiva – preciso dar um jeito naquele garoto.
O sangue escorria pelo ralo do banheiro, mostrando tamanha avaria causada pelo garoto.
Enquanto isso, em um edificío no centro da cidade uma voz feminina dizia:
– Cellule de verre, né?
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