Dream's Place
32 Feridas
Já passava da meia-noite. A noite estava fria em Kyoto, mas era possível ver um homem negro caminhando calmamente na rua com um enorme sobretudo de couro. Ele encaminhava-se para um edifício enorme. Ele entra no local e diz a recepcionista que ali estava:
– Quero falar com Fukuba Tanda.
– Quem deseja?
– Arcano Cartezus – ao dizer isso a recepcionista fica trêmula e aperta o botão que abre uma porta que estava trancada à frente e diz:
– D-desculpe senhor Cartezus, pode subir a vontade.
O americano vai até a porta caminhando normalmente, sem falar nada para a moça.
Cartezus estava aparentemente calmo. Por debaixo das grossas camadas de roupa, estava com bandagens em sua enorme ferida nas costas que tinha conseguido na batalha mais cedo. Ele ia até um quarto de hotel, onde procurava por Fukuba Tanda. Ele finalmente chega a porta do quarto 208 e bate com o punho levemente. A porta abre. Uma mulher loira com um vestido preto curto atende a porta. Ao ver Arcano ela o abraça sensualmente e diz:
– Há quanto tempo, Arc – seu tom de voz era sedutor e agradável de ouvir.
– Não me chame dessa maneira, Tanda! – ele entra no quarto, tira o sobretudo e deixa à mostra apenas uma regata branca e a uma parte das bandagens – Seu filho me causou uns problemas.
– Quem? O Raito?
– Provavelmente é ele mesmo, já que é seu único filho – responde ignorantemente.
– Oh Arc… não seja tão agressivo – ela passou os dedos suavemente no queixo do homem – Você não quer que eu faça alguma coisa pra recompensar o que o meu pequeno relâmpago fez? – a mulher passava a outra mão no abdômen do homem negro.
– Faça como quiser! – no mesmo momento a loira sorriu e desligou a luz do quarto.
Enquanto isso, na casa de Tankeno, Edward estava sentado no sofá da sala assistindo televisão. Oyhashi estava em sua cama. Ele havia sido carregado por Murphy até sua casa, depois que foi encontrado desmaiado do lado de fora do laboratório. O garoto mestiço estava preocupado com o amigo, afinal ele havia perdido o controle e do lado de fora do campo de treinamento, estava com o pedaço onde ele estava desmaiado destruído. O professor Boulevard tinha dito a ele que o gel apenas forçou o descontrole de Tank, mas aquilo poderia acontecer naturalmente, o que é normal para células que tiram seus poderes dos próprios orgãos. Morpheu estava pensando também que os usuários de célula são chamados apenas de células constantemente pelo professor como se eles não fossem humanos. Se fosse pensar por certo lado eles não eram mesmo, mesmo assim eram pessoas que conviviam entre todas os seres humanos normais, então não deviam ser tratados daquela forma. Morpheu queria parar de pensar nisso, então desligou a televisão e deitou no sofá. Ele se levantou ao perceber que ainda estava com o uniforme da escola, já que não tinha ido pra casa. Ele decidiu então tirar o uniforme e estendê-lo em algum lugar arejado. Ele então deitou no sofá apenas de cueca, se cobriu e fechou os olhos para dormir.
Do outro lado da cidade, Kuzaru estava no seu quarto deitado, mas não conseguia dormir. As queimaduras de seu corpo ainda doíam, então ele apenas pensava no que tinha acontecido. Estava feliz por ter dominado mais o poder das células, mas por outro lado também estava preocupado com Tankeno, pois também ouvira do professor Fig que ele poderia se descontrolar mesmo sem o gel e ainda por cima ele não conseguia controlar o nivelamento do seu poder. Kuzaru virou-se na sua cama, deu um pequeno gemido de dor e disse:
– Vai ficar tudo bem! Tank vai conseguir controlar aquele poder logo, até eu consegui! Agora vou tentar dormir. Ai, ai! – a dor não passava, mas ele parecia ter encontrado um jeito em que pudesse dormir tranquilamente.
Próximo ao hospital, um garoto caminhava digitando mensagens em seu simplório celular. Ele para em frente do local e diz:
– Espero que a Carmesim fale comigo hoje.
Ele entrou no hospital e falou com a recepcionista. Ela o deixou ir até o quarto onde estava a mãe de Kuzaru. Ele caminhou calmamente pelo corredor usando o seu celular. Subitamente o garoto parou e olhou para os lados. Era o berçario do hospital. O garoto tirou a touca e parecia admirado ao olhar os bebês. De repente chega uma enfermeira ao seu lado e pergunta:
– Posso ajudá-lo, garoto? – ele não responde ao primeiro momento, mas depois de alguns segundos ele reage e diz lentamente:
– Como eles são limpinhos!
A enfermeira riu e disse ainda com o tom de risada:
– São sim! Cuidamos para que fiquem assim.
– Ah… agradeça o zelador por mim então, os vidros aqui são muito limpos – a enfermeira fica com uma cara de tacho. Com certeza isso não era o que ela esperava ouvir do garoto.
O garoto volta a andar teclando em seu celular. Ele não havia recolocado a touca e a deixou pendurada no cós de sua calça. Finalmente ele chega na porta do quarto que ainda estava protegida por seguranças. Eles o barram no primeiro momento, mas depois ele mostra alguma coisa em seu celular e eles o deixam passar. Ao entrar ele vai direto a uma cadeira posicionada ao lado da cama da mulher de cabelos da cor de que é tanto chamada. Ele deixa o celular em suas pernas ao sentar e diz, sorrindo:
– Tenho boas notícias, Carmesim, sua pequena célula está se desenvolvendo! – ele segura a mão direita dela com suas duas mãos e uma forte luz emana daquela calorosa afeição – Ainda bem que esse pequeno vitral que coloquei na sua pele nunca foi retirado – quando o garoto solta a mão dela, um pequeno sorriso se forma no rosto da mulher, fazendo com que o garoto sorrisse também. O garoto se retira do quarto após isso e diz:
– Todos os vidros poderiam ter o mesmo brilho do espelho da alma de Carmesim.
Fale com o autor