Dream and Destiny

4 Capítulo 4 - Me desculpe


–Roma, o que você está fazendo?

Era tudo que fora dito antes do súbito silêncio. Camille encarava assustada para atrás de Roma, que estava em choque.

–Eu perguntei que porra você estava fazendo, Roma! — A voz ficava mais alta, e mais próxima delas. A menina se virou e ficou mais assustada quando viu quem estava ali.

–Na-Na-Natasha... — Roma gaguejava. Levou anos para esconder de todo mundo aquilo, e agora tudo foi em vão. Natasha estava encarando as duas com raiva, como um dragão prestes a cuspir enormes bolas de fogo. Camille saiu correndo e deixou Roma para trás, que gaguejava: -O-o-o que você está fazendo aqui?

Natasha andava na direção dela e jogou o copo de coca cola todo na cabeça da menina de olhos verde-musgo, que encarou a sua melhor amiga tristemente.

–Eu passei anos confiando em você. Contei tudo a você, e você me escondeu isso? Você está traindo meu irmão! — Natasha berrava, para desespero de Roma, que só aumentava quando via sair pessoas do time dela.

–Natasha, por favor, se acalme. — Dizia baixo a menina, trêmula de medo. Natasha fechou seu punho direito e desferiu um soco certeiro na boca de Roma, derrubando-a.

–Você é um lixo Roma! Um completo lixo! Você mentiu para todo mundo, escondeu de todo mundo que sua verdadeira paixão é por mulheres.

Roma levou a mão a boca e ficou encarando a todos ali, com os olhos marejados. Sua língua sentia o gosto metálico e quente do filete de sangue que escorria, e seu corpo ficou ainda mais sujo quando Natasha atirou-lhe um cachorro quente.

–Estão vendo vocês? — Gritava a menina em direção ao time, sempre apontando para Roma, que estava completamente paralisada de vergonha: — Ela entrou no time para poder ficar encarando vocês nuas no vestiário após os treinos e os jogos.

Os risos de deboche ecoavam nos ouvidos de Roma e a perfuravam como lâminas afiadas e quentes. Marion andou até Roma e a levantou, ouvindo um comentário podre de Alletta:

–Outra sapatão? Eu que não fico em um time desses com essas duas querendo me agarrar.

A Francesa empurrou Alletta para trás e o resto do time seguraram-nas. Roma, de pé, ficava encarando a todos, e sem falar nada, saiu correndo.

Suas pernas estavam bambas, e seu peito doía assim como sua boca. O segredo que ela mais escondeu agora estava sendo exposto. Todo o seu sonho simplesmente ia sumindo. Toda a sua felicidade por ganhar o jogo ia sumindo, assim como o brilho do sol, que era tomado pelas nuvens escuras. Não tardou para a chuva tímida começasse a cair e se tornar uma chuva forte. Roma andava cambaleante pelas ruas de Los Angeles, sem rumo para casa. Tropeços faziam ela cair nas poças de água e lama, e suas lágrimas escorriam pela sua face. Sua voz rasgava os céus junto com os trovões, a dor rasgava seu peito. As vozes das outras, a voz de Natasha, todas elas, viam como bombas atômicas e desintegravam tudo em Roma. A garota se encolheu do lado de um poste e atirou suas chuteiras para longe, chorando em total desespero. Ela se via perdida e sem nenhuma forma de ajuda existente. Viu seu futuro totalmente perdido, seus sonhos sendo destruídos. O Nate saberia, o colégio inteiro saberia. Seus pais saberiam. Roma encarou os céus nublados e praguejava em todos os idiomas que ela conhecia.

Seus olhos marejados olhavam para a estrada. Os carros passavam sem se importar com ela ali. Exceto por um Porsche preto, que parou ali.

–Roma? O que diabos aconteceu? — Era Jéssica, que não se importou de molhar seus saltos de grife.

–Je-J-ess — Roma gaguejava, mas chorou de novo nos braços de sua melhor amiga. Em todos os anos de amizade que tinha com Roma, Jessica nunca viu a garota sofrendo daquela forma. Nem mesmo quando seu pai a deixou. Jéssica carregou a amiga para dentro do carro e pegou as chuteiras, pondo perto dos pés encolhidos de Roma.

–Vamos para minha casa. E você me conta tudo.

Ligando o carro, Jess notou que sua amiga estava com um olhar vazio e perdido. Parecia ter entrado em coma após tanto choro. Apenas deu um suspiro e acelerou para sua casa perto da praia.

A casa grande e de tonalidade branca ia se aproximando mais e mais. Tinha janelas em quase todo o espaço, bem decoradas com cortinas azuis. Roma lembrava de quando conhecera os pais de Jess, eram sem dúvidas as melhores pessoas que já conhecera. O carro parou na porta da casa e Jess saiu primeiro, abrindo a porta para Roma, que andava lentamente com o olhar focado na porta.

–Essa não, minha jogadora favorita está mais lenta que minha avó. — Jess deu risada, mas logo se calou vendo que Roma não sorria. Abrindo a porta, a garota atrás de Roma disse calmamente:

–Conta tudo enquanto vou fazer algo quente pra você beber.

Roma andou até a cozinha, seguindo-a, e disse de forma fraca:

–Elas descobriram que eu sou lésbica.

Jess derrubou o copo de plástico no chão e se virou para Roma, boquiaberta:

–Você contou?

Roma negou com a cabeça, e suspirou:

–Natasha.

Jess assoviou e pegou o copo do chão, limpando-o com água da torneira. Colocou de novo no local aonde os copos ficavam e pegou uma xícara, servindo-lhe café. Roma sentiu o cheiro da bebida escura e quente e tomou um gole, deixando uma lágrima escorrer:

–Todo o time sabe de mim. Todos riram de mim. Meu sonho... Acabou. — Roma voltou a chorar, e foi consolada por Jess com um caloroso abraço. Desde pequena elas eram assim. Quando Jess ficavam triste, Roma abraçava ela e fica ali assim, sem se falaram, apenas abraçadas. Roma chorava compulsivamente, e tinha os cabelos molhados afagados por sua amiga. Jess sentiu seus olhos marejarem, e quebrou a regra do silêncio:

–Venha Roma. Vamos fazer coisas de meninas.

Roma encarou ela e deu uma risada tímida. Jess tinha aquele poder de romper quaisquer tristeza que existisse. Jess e Roma subiram as escadas em passos rápidos, em direção ao quarto cor de rosa de Jessica.

–Argh, que choque de rosa! — Roma comentou dando uma leve risada, e ficou na porta, vendo sua amiga pegar moletons: — Para que isso?

–Oras, pra você. — Dizia Jess, empurrando as roupas para Roma e a empurrou de novo pro banheiro: -Tome um banho quente, se troque e desça. Vamos ver seus filmes favoritos e você vai dormir aqui. Irei falar com sua mãe sobre isso. Agora vai se trocar.

Roma fechou a porta e suspirou. Precisava mesmo de um banho quente, de roupas quentes, e de uma bebida quente que não fosse café. A garota ficou nua e abriu o chuveiro, deixando a água quente cair pelo seu corpo. Roma encarava a porta do banheiro através do box, e viu uma silhueta entrar pela porta do banheiro. Roma ficou corada quando viu que era Jessica, que também se despia. Então, só dera conta de que estavam sozinhas. E que o dormir, não era basicamente só o sono.

Jessica abriu a porta do box e Roma fora recebida com um beijo amável e caloroso. Os braços tímidos envolveram-se na nuca de Jess, e elas fizeram amor ali, embaixo do chuveiro.

Passou-se algumas horas, e Roma e Jess estavam já vestidas e abraçadas no sofá vendo A Culpa é das Estrelas. Roma bocejou e apontou para a tela:

–Que filme chato. Coloca em um filme legal ai.

–Cala a boca Roma, deixa eu chorar. — Gritava Jess com um tom de humor. Roma deu risada e pegou o controle, desligando a TV:

–Tenho uma ideia melhor.

Roma andou até o suporte de Iphone que Jess tinha e conectou seu Iphone ali, colocando para tocar Spicie Girls. Jess deu risada e subiu no sofá, gritando:

–Puta que pariu Roma! Essa música é foda.

Roma deu risada e puxou a amiga para perto, lhe beijando rapidamente enquanto dança juntamente com ela. Toda a tristeza de Roma estava indo embora diante da presença radiante de sua melhor amiga. Roma começou a ver em Jess algo que nunca vira no Nate.

Roma viu amor.

Notas finais
Faaaaaaala galera! Desculpem o capítulo ser curtinho ç.ç mas eu precisava escrever ele, meio que brotou a ideia e enfim, é isso. Os dilemas de Roma estão apenas começando.