Dream and Destiny
5 Capítulo 5 - Retornos.
Silêncio. Era tudo que tinha no quarto cor de rosa. Dois corpos abraçados em conchinha estavam sob as cobertas da cama de casal. Roma abriu sonolentamente seus olhos, fitando o local parcialmente iluminado. Sentia o corpo relaxado, mais leve, mais vivo. A sua frente, sob o criado mudo, estava uma garrafa de Vodca e algo que parecia uma calcinha vermelha enrolada em um vibrador azul. Roma fez uma careta e sentiu um gosto ruim na boca. Seus dedos estavam com manchas brancas, o que seria aquilo?
–Roma? — Sussurrou Jess atrás dela, completamente sonolenta.
–O que fizemos ontem, Jessica? — Roma questionou, sentindo a perna direita da amiga entre as suas.
–Você bebeu, nós bebemos, e viemos pra cama e transamos loucamente. — Jess tirou os braços de cima de Roma e se levantou da cama apenas com uma camisa longa: -Bem, tirando a parte do loucamente.
Roma levou as mãos ao rosto e respirou fundo. Ela não acreditava que tinha transado com a melhor amiga, tampouco estando bêbada. Jess andou até o closet e pegou algumas roupas, deixando-as em cima da cama:
–Vamos, tome um banho que temos aula hoje com o professor gato demais.
Roma suspirou e saiu da cama, escorregando em um copo que estava no chão. O baque foi amortecido por um travesseiro que estava no chão. Apenas suspirou e foi para o banheiro junto com Jess se limpar.
Depois de algumas horas se arrumando, Roma entrou no Porshe de Jessica e bateu firme a porta, encarando a amiga:
–Não acredito que me deixou beber e transou comigo. Eu estava vulnerável sabia?
–Vulnerável? Você estava com um apetite sexual tão forte que eu tive que sair correndo depois da terceira vez!
Roma corou e ligou o rádio, ouvindo a batida de Young Blood, e sorriu. O ronco do carro indicou que já estavam prontas para ir embora.
A música animava as duas amigas, que cantavam juntas o refrão enquanto apreciavam a bela vista da Orla de Los Angeles. Roma gostava daquela cidade, era acolhedora, bonita.
–Jess, sabe que um dia vamos embora dessa cidade e teremos caminhos diferentes, não é? — A morena de olhos verde musgo encarou a amiga no volante, e deu um sorriso: — Não vamos deixar... PUTA MERDA!
Roma gritou quando viu Nate, Natasha e outras pessoas na porta do colégio. Jessica parou o carro e encarou a todos, com um grande sorriso nos lábios.
–Vamos Roma, teremos que enfrentar eles.
Roma apertou bem o cinto de segurança e fez birra:
–Não saio desse carro nem fodendo. Olha quem estão ali?
Jessica cortou o cinto de segurança com uma tesoura e arregalou os olhos na direção de Roma:
–Ou sai desse carro por bem, ou eu te deixo nua no meio da rua.
Roma se soltou de Jess e pegou sua mochila, pondo-a nas costas. Jess abriu um sorriso e Roma apenas fechou mais a cara quando escutou Natasha falar:
–Estão atrasadas. E Roma, a treinadora quer falar com você agora.
Roma passou por eles e escutou um risinho de deboche de Nate. Um mal pressentimento percorreu todo o corpo da garota quando ela começou a andar pelo corredor. Os alunos encaravam ela com expectativa a algo. Ignorou a todos e abriu o armário, e logo se arrependeu da ideia.
Assim que abriu a porta do seu armário, uma lata de tinta roxa caiu sobre seus cabelos e suas roupas. Atrás dela, Elisabeth e Silene davam risadas, assim como todos no corredor.
–Sapatão gosta de cor roxa não é? — Dizia Silene, jogando penas por cima dela: — Uma sapatão galinha, que lindo.
Jessica chegou no corredor junto com Camille, que ficou boquiaberta com o que estavam fazendo. Roma segurou firme a lata de tinta e bateu com toda sua força na cara de Silene, amassando a lata.
–Eu vou mostrar o que a sapatão galinha pode fazer com sua cara. — Vociferou Roma, chutando-a na cara.
Elisabeth tentou agarrar Roma por trás, mas a menina bateu com a lata na cara da garota, que desmaiou. Silena se levantou com o rosto sangrando e levou outra pancada com a lata na cara, caindo sentada.
–Levante, sua filha da puta! — Gritou Roma, dando dois chutes na barriga da menina loira jogada no chão. Silene se rastejava para escapar, mas tomou outra latada nas costas, para os risos dos outros.
Roma jogou a lata no chão ofegante e limpou a tinta roxa do rosto com as mãos. Encarou a todos ali e gritou:
–Quem mais quer apanhar? Trevor? Dylan? Alexa?
–Roma! — Gritou Anthony, fazendo a garota ficar assustada: — Para a sala do diretor, agora.
Roma chutou discretamente a cara de Silena e saiu andando para a sala do diretor, com todo o silêncio pairando atrás dela.
A sala do diretor era espaçosa, quente e bem decorada com detalhes britânicos do tempo colonial. A porta grande estava aberta, e de fora dava para ver a cadeira do diretor virada para a janela central.
–O senhor me chamou, diretor Brandon? — Perguntou baixo a garota, fechando a porta atrás dela.
–Roma, eu estava escutando a briga que você armou nos corredores. — Ele se virou e estranhou a menina coberta de tinta, mas não questionou o que acontecera: — Você sabe de nossas regras sobre isso, não sabe?
–Diretor, eu apenas me defendi. — Ela abre os braços, mostrando a tinta e as penas grudadas: -A Silena e a Elisabeth fizeram isso comigo. E me chamaram de sapatão galinha.
Brandon juntou os dedos e manteve a expressão severa de sempre, intimidando a garota:
–De sapatão galinha? Porque elas te chamaram assim?
Roma abriu os lábios, mas alguém falou atrás dela:
–É porque a Roma escondeu de todos sua sexualidade real.
A garota se virou e ficou temerosa. Era a treinadora Fields, que fechou a porta e se escorou na mesma. Roma engoliu em seco e Brandon se inclinou para frente, encarando a menina cheia de tinta:
–Como é?
Roma olhou pro chão, e logo olhou para o diretor:
–A treinadora Fields está certa. Eu escondi. Eu sou lésbica. — Virou-se para a treinadora e manteve-se séria, como em um interrogatório: -Eu sinto muito por esconder isso de você, treinadora. Mas eu sentia medo de não conseguir entrar pro time de futebol.
Fields andou até a menina e não tocou em seu corpo, por ele estar sujo de tinta:
–Roma, você é a melhor jogador do time. Como punição, você será reserva, até que eu decida quando você deixará de ser. E vou pegar mais pesado com você nos treinos, pirralha.
Roma deu um sorriso de alívio aos dois e andou até a porta:
–Estou dispensada?
Fields e Brandon acenaram com a cabeça para ela e ela saiu sorridente. Os corredores estavam cheios, todos olhavam para Roma, que sorria largamente. Natasha estava na porta do colégio e arqueou a sobrancelha:
–Que sorriso é esse?
Roma apenas sorriu e aproveitou que Nate estava ali perto:
–Decidi mudar de rotina. Nathaniel, eu estou oficialmente terminando com você. Natasha, desculpe ter escondido isso de você. Camille, você vai entrar pro time, porque eu quero que você desbanque a vaca da Alletta e suas vaquinhas. — Levou a mão até a cintura de Jess e a beijou de forma intensa, diante de todos: — Te vejo depois.
Roma ergueu o dedo do meio para o alto e gritou um foda-se bem alto antes de entrar no seu Alpha Romeu e ir pra casa. Sentia-se livre, sentiu-se completamente viva.
Sentiu-se Roma.
Ao chegar em casa, novamente teve uma péssima sensação de novo. De quem era o carro preto ali perto? Roma abriu a porta e foi recepcionada por Luna, que estava animada:
–Maninha, maninha, olha só quem está aqui?
Roma ergueu os olhos para a cozinha, e tomou um baque forte:
–Quanto tempo não nos vemos, minha filha.
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