Notas iniciais
Olá, meus(minhas) caros(as) leitores(as)! Apenas passando para dar aqueles avisos básicos. Essa é a minha primeira short fic em desenvolvimento cuja história já está planejada e em andamento, por isso, eu peço para que comentem para saber como estou andando e para saber a opinião de vocês com relação à história, vocês são muito importantes e cabe a mim dizer que cada comentário é um grande incentivo para a continuação da história. Ah, acho que eu não preciso ressaltar que plágio é crime, né? Então eu espero que não tenha de me envolver em confusões por conta disso, essa é uma história completamente original e de minha autoria, cópias não serão admitidas. Então é isso minhas pessoas bonitas, desejo uma boa leitura! Beijinhos e até o próximo capítulo!

Com a ida de Anthony, os meses que passaram foram mais lentos do que imaginava, os dias eram torturantes e sem graça, mas acabou se acostumando depois de algum esforço.

Como o prometido, Anne passava de vez em quando desde que tinha cinco anos para vê-la, o único momento da semana que lhe trazia um mínimo de alegria, pois o resto, como de costume, apenas lhe trazia tristeza, principalmente ao ver as crianças vindo e indo do orfanato e ela lá, ainda recusando aceitar o destino.

À tarde, com um pedido inesperado da irmã Lilian, que estava resfriada e cansada demais, foi fazer as compras para a mulher. Era algo novo para ela, estava lhe sendo confiada uma tarefa que apenas as mais velhas faziam e não conseguiu se segurar ao se sentir uma adulta no momento que saiu com a lista de medicamentos e alimentos que deveria comprar.

Com muita preguiça de ir longe demais, escolheu o mercado mais perto que tinha. Por coincidência, tinha uma farmácia logo ao seu lado, então mesmo que as coisas fossem alguns centavos mais caras, compensava.

Entrou na loja determinada e animada com o sentimento de independência. E logo passou a andar pelos corredores estreitos com dificuldade para caminhar entre a quantidade de gente que passava com carrinhos, quase sendo atropelada por alguns de vez em quando.

Parando num canto seguro já arrependida e admirada com a coragem de Lilian para passar por aquilo, escutou soar pelos auto falantes uma promoção inesperada de queijo por apenas cinquenta centavos a unidade, em seguida instruindo o local adequado. Olhou para a lista e viu que o item constava, começando a caminhar com calma até o lugar descrito, só então escutando uma gritaria e se virando sem entender nada, arregalando os olhos ao ver uma multidão se debatendo e um pulando um em cima do outro numa correria que vinha na direção que ela seguia, como naqueles filmes de zumbi que brigavam pela carne.

— Isso tudo por um queijo?!

Ficando pálida, por fim se deu conta que estavam perto e se pôs a correr antes que eles alcançassem, iria ser mais esperta e pegar primeiro e depois deixar eles brigando pelo resto dos queijos. No percurso, virou-se para trás para medir a distância entre ela e a multidão, acabando por dar de cara e tombar numa pessoa aparentemente maior que ela, coberta por um capuz negro, não sendo possível ver seu rosto quando ambos caíram no chão.

— D-Desculpa.

Levantou-se quase que de imediato, ajudando o rapaz em sua frente a fazer o mesmo, só então escutando a voz monótona sem demonstrar muito incômodo.

— Sem problema...

— Ah...! Corre!!

À centímetros daquele amontoado de gente, acabou por empurrar o mais alto junto dela sem dar a mínima por ele estar na frente até o local. Embora não estivesse a entender praticamente nada, ele passou a seguir os passos dela em sua correria e quando conseguiram pegar o queijo de Rachel, ela deu pulinhos enquanto ele suspirava a recuperar seu fôlego inutilmente perdido.

— Vitória!!

— ...

— Quê? Pode tirar o olho, é meu queijo.

— Posso ir agora?

— Não.

— ...

— Vamos fazer comprar juntinhos.

Ela disse em sarcasmo apenas para o provocar por ter se irritado com o tom de voz incomodado dele, embora ele estivesse coberto de razão. E, para a surpresa dela, ele acabou aceitando ao assentir sua cabeça e dar de ombros.

— Tá....

Foi o que disse, em choque por ele ter de fato aceitado e começou a andar do lado daquele estranho esquisito de preto que mal dava para ver o rosto. E mesmo que fosse contra tudo isso de julgar pelas aparências, estava com muito medo de ficar ao lado dele.

—Não irei te sequestrar, se é isso que espera.

— Você lê mentes, por acaso?!

— ...

— Bom....Detergente...? Aqui! Vou pegar o mais barato.

Com os lábios dele em uma linha reta (única parte de seu rosto que conseguia enxergar), ela pegou em uma estranha felicidade o detergente para sentir o cheiro para checar se este era agradável, mas ao escutar os berros de uma criança em um carrinho passando logo atrás deles, ela acabou apertando o objeto com força, que acabou lançando o líquido nos seus olhos.

— Ei...Você está bem?!

— Melhor que nunca, só estou emocionada por ser tão barato. É um momento muito único.

Ela tentou diminuir o que fez aproveitando por ele ter se virando justamente no momento que a criança havia iniciado o berro, mas ao abaixar o olhar, aparentemente ele viu o detergente vazando e acabou soltando uma risada inesperada e longa.

— Está rindo do quê, palhaço?!

— Seus olhos estão vermelhos como os de um coelho.

— E daí?! Está na moda mesmo.

— Se você diz...

Depois de alguns momentos, ele parou de rir em respeito e ergueu um pano para a jovem, que tomou bruscamente de sua mão e passou sobre o rosto para apagar os vestígios.

— Você é uma garota diferente, não é?

— Ãhn? diferente como? Tenho três pernas?

Ela perguntou imersa em sarcasmo, então ele apenas permaneceu sério e continuou.

— Não se esforçar para ser feminina, apenas agir naturalmente. Isso é...agradável.

— Eu não sou feminina. Que indireta bonita.

— Não é mesmo.

— Que sincero... Falou o que se veste igual um maluco, também é muito impressionante.

— Maluco?! Eu tenho os meus motivos...

— Está tudo bem, eu não preciso saber...Continuando...

Vendo que ele pareceu se calar e hesitar em fala mais uma palavra, ela deu de ombros sem demonstrar muita importância ao assunto. Todos nós temos segredos e não era de obrigação dele o revelar para uma estranha, apenas se concentrando em terminar as compras pacificamente.

— Será que tem a mesma quantidade que mostra nos comerciais?

Subitamente ele indagou enquanto pegava um pacote de biscoito que embora soubesse que metade do pacote era puro vento, não podia perder a oportunidade de ser sarcástica, ainda que aquela houvesse sido uma forma dele puxar assunto e quebrar o silêncio.

— Não sei, queria muito ter visão de raio x, sabe.

— Muito engraçada...

— É, me formei no circo.

— ...

— Quê?

— Digo eu, por quanto tempo vai levar encarando meus lábios? Tire logo uma foto.

— What?! Eu não estava, seu tapado!

— Fale baixo, quantos anos você tem?

— Ou o quê, a CIA vai te encontrar?

— Cale-se.

— Sim, sim...

Pela primeira vez o vendo se irritar, acabou concordando com indiferença e diminuindo sua tonalidade. Após uma hora de fila, conseguiram pagar suas devidas compras e se retiraram juntos do mercado, passando com rapidez pela farmácia ao lado e como a fila era indescritivelmente menor que a do mercado, logo saiu com as compras completamente feitas e, para seu choque, ele ainda estava lá, encostado no muro do lado de fora a esperando. Olhou para ele por alguns segundos de longe sem que este percebesse, quando pensava em começar a andar em sua direção para se despedir, uma colegial se aproximou e fez com que ela estendesse as mãos, colocando uma coxinha e uma cartinha em suas mãos. Tinha um cheiro ótimo e ela apontou para o garoto com muita animação, dando de ombros e concordando em entregar o que ela pediu. Em seguida, ela se retirou em pulinhos de entusiasmo e começou a andar para ele, o daria a carta, mas a coxinha não. É aquela história: bobeou, dançou.

— Toma, sua fã mandou eu te dar.

— ...

— Tira a patinha, é minha coxinha.

— É mesmo? Ela pareceu direcionar com um sinal evidente que era para mim.

— A carta, a coxinha não.

— ...Pode ficar, não faço questão de uma coxinha.

Quase caindo no conto de provocação dele e o entregando o alimento, abriu um sorriso percebendo a intenção dele.

— Mas eu faço. Tchau, Don Juan.

Colocando a carta na mão dele, se retirou extorquindo a coxinha do rapaz, que apenas riu abafadamente e seguiu a direção oposta. Foi uma tarde inesperadamente agradável com aquele misterioso rapaz.

Ao retornar cansada pelo peso das compras, ainda assim ajudou a irmã Maria com os afazeres da irmã Lilian, então, em meio de conversas agradáveis com a doce idosa, ela mencionou:

— Lembra-se do senhor Moreland? Ele diz querer vê-la.

— ...Moreland, aquele senhor se cabelos grisalhos?

— Ele mesmo. Parece muito interessado e disposta a conhecê-la, ele me disse que achou o modo que você se isolava dos adultos interessante e único.

— "Único", você diz...

— Ele diz que virá amanhã. O senhor Moreland é um homem muito cortês e agradável, então...Seja gentil por favor, tudo bem, querida?

Com a idosa pedindo com suavidade e quase que lhe implorando, acabou concordando com a cabeça sem muita escolha no assunto. Ainda que lhe parecesse estranho em tantos outros ele perceber logo na pessoa isolada que não queria companhia, por Maria, iria dar o seu melhor e ser uma completa e educada dama.

Quando terminaram os afazeres d dia, estava completamente desgastada, sentou-se na cadeira com dificuldade e passando em sua mente o quão forte e determinada eram as freiras. Nesse momento único do dia, ela lia as cartas que Anthony enviava, como ele lhe prometera e, atualmente, cumpria sua palavra.

Nesta carta ele contava para ela como era fazer parte do mundo aristocrata, como era de se esperar, madame Tierney o usava para se exibir como se ele fosse seu filho perdido de muitos anos que ela reencontrou, uma mentira terrível, e claro, as jovens estavam sempre ao redor dele. Isso estava claro quando ele mencionou que era difícil respirar com tantas pessoas perto dele, sabendo que essas "pessoas" era uma substituição para "mulheres", o que a fez rir baixo do rapaz que continuava a subestima-la e em seguida se irritando por ele continuar o mesmo idiota, só que, agora, era um idiota famoso de nome respeitado. Com a cena de Anthony cheio de filhinhas de papai babando em cima dele, amassou o papel com os olhos pegando fogo e, quando percebendo, o desdobrou com cuidado a suspirar com sua própria estupidez. Sentia saudades de seu amigo de infância, mas como ele parecia feliz, evidentemente em suas cartas, ela também estava.

No outro dia, levantou-se e fez seu desjejum junto das outras crianças como o usual. Não estava nem aí para a visita do homem rico, essa era a verdade, mas tinha que fingir que se importava pois caso contrário irmã Maria surtaria e só estressaria ainda mais a doente irmã Lilian.

Enquanto passava pelo corredor assobiando tranquilamente uma canção que inventava por pura imaginação, sentiu seu rosto seu puxado para trás e foi arrastada para dentro de um quarto, aonde viu que a pessoa que havia o feito foi a irmã Lilian e irmã Maria a observava entre um riso por estar chocada sobre o como ela havia melhorado tão rápido.

— Como ousa andar por aí vestida dessa maneira? Um aristocrata irá visita-la, vista-se mais apropriadamente.

— Mas...Quê?! Eu só tenho esses vestidos.

— ... Tenho uma ideia.

— IRMÃ MARIA!

Sendo arrastada para outro canto pela irmã mais nova, a idosa passou a rir da situação dela e ficou nisso mesmo;

No outro quarto, irmã Lilian a forçou a tirar o vestido e vestir uma blusa social branca aonde fez questão de abotoar até o último botão, o que a fez se sentir ligeiramente sufocada, mas como sabia que irmã Lilian curtia ficar em roupas conservadoras assim, não disse mais nada e colocou em seguida o macacão saia azul, as meias 3/4 brancas que subiam até seus joelhos e sapatilhas pretas. Então, sentou-se na cadeira de madeira local pela pressão nos ombros realizada pela irmã Lilian. Em uma tortura interminável, ela fez duas tranças em sua cabeça e as jogou para frente de seu corpo, uma em cada lado, com laços azuis no canto superior aonde se iniciavam as tranças.

— E para terminar...

— Tem mais ainda?!

— Quieta!

Se calando pela voz inesperadamente áspera da freira, ela pegou uma bolsa de cosméticos da gaveta do escritório e se aproximou, já imaginando a tortura que seria. Nunca havia passado maquiagem antes, porque tinha que se produzir para um homem velho que queria só bater papo com ela? Embora fosse tentador perguntar, sabia que Lilian iria surtar e ficou fazendo cara feia enquanto ela passava aqueles negócios todos no rosto dela e parecia a cada momento ficar mais animada com o resultado.

— Faz bico.

— Estou indo, vou ver nas proximidades...

— DE PATO!

— Sim, senhora!

Ela respondeu assustada e se sentou novamente, fazendo um bico e se sentindo a mais estranha possível.Sentindo o batom, gloss, sabe-se lá o que era aquilo em seus lábios, ela seguiu suas instruções e no final, foi se ver no espelho e ao ver o que havia sobre os olhos se surpreendeu com o realce.

— Esse é o famoso rabo de gato?

— É algo chamado "delineado", querida. Rabo de gato é uma planta.

— Certo, certo...Até que eu estou bonitinha, adorei esse batom rosinha.

— Uhum...Agora vai, vai. Ele deve estar chegando.

— Osh, estou indo. Vou ficar lá fora, okay?

— Está bem, apenas não apronte e estrague o que tanto me deu trabalho!

— Sim, senhora!

E então ela saiu correndo com um sorriso que logo se desfez quando ela chegou do lado de fora. Estava muito fofa, até demais. E se ele fosse um tarado? Nunca se sabe.

— Acho que estou sendo paranoica..Aah.

Ao murmurar, ela se sentou sobre a grama e ao perceber que estava de saia, se ajeitou com sorte por não ter passado ninguém por ali.

— Saudades, vestido de freira.

Resmungou e então uma limousine que parecia não per fim pela sua extensão parou na frente do orfanato, vendo as crianças eufóricas do lado de dentro, olhou para elas e em seguida para a figura que se retirava do automóvel em um sorriso amplo e amigável, acenando para os pequenos.

O reconheceu instantaneamente, aquele era Edmond Moreland.

— Senhorita Rachel, está belíssima.

— Ahaha, obrigada, senhor Edmond.

Rachel agradeceu em um sorriso sem graça e ao vê-lo estender sua mão para a ajudar a se levantar, aceitou sua cortesia e se levantou com a ajuda do homem.

— Eu imagino que as senhoritas tenham lhe denunciado minha visita.

— É, elas disseram.

— Pois então, gostaria de me acompanhar para a minha humilde casa?

— (Nâo!) É claro, será uma honra...

Quase soltando um grande e ecoante "não", viu o olhar de filme de terror das irmãs na janela do orfanato e concordou em um sorriso amplo e gracioso, sentindo-se suar de medo.

— Excelente! Primeiro as damas.

— Ahaha...Aaah. (Ferrou.)

Em um sorriso falso que tão logo se desmanchou, pensou consigo mesma o que a esperava naquela "humilde casa" dele. Uma mansão é algo muito humilde, nossa, ela tinha uma mansão também. De papelão.

Batendo a cabeça no canto superior do carro e bagunçando o penteado todo quando foi entrar para sentar, o homem soltou uma risada baixa porém audível atrás dela, que apenas inflou as bochechas. Não teve a ousadia de virar o rosto para ele durante o caminho todo, envergonhada. Sempre tinha que estragar tudo antes de nem mesmo começar.

Quando chegaram no lugar que o homem disse ser sua casa, ficou boquiaberta pela imensidão do lugar, eram quase três orfanatos juntos. Aquilo era a casa humilde dele? Imaginava a se não fosse.

— ...

Sendo direcionados para o que parecia ser um jardim, Rachel sentou-se em uma cadeira ornamentada de ouro e admirou a mesa que formava em conjunto e, seguidamente, ao seu redor, ficando visivelmente encantada pelo chafariz aonde a água fluía pela boca de um anjo que direcionava uma flecha aos céus. Era um ambiente arborizado e tranquilo, conseguia escutar os pássaros cantarem.

— senhorita Rachel...Aceitaria uma xícara de chá?

— Ah...eu só tomo café com leite.

— Pois bem..

O homem chamou a atenção da morena, que passava os olhos pelos arredores em maravilha, sorrindo ainda que sua expressão demonstrasse culpa por a tirar de seus devaneios, fazendo um sinal com a mão para o mordomo atrás de si, e este se inclinando, em seguida saindo do local enquanto Rachel o seguia com o olhar e após, fixou o mesmo em Edmond.

— A senhorita desenha?

— Não.

— ...Canta?

— Não...

— .....Toca algum instrumento?

— Muito menos.

— Bom...O que a senhorita aprecia?

— Uh...Eu...

Sendo completamente pega pela perguntas, ela respondeu-as com convicção e a cada negação, o homem lentamente ficava sem graça e fechava sua cara. Quando por fim ele perguntou o que queria, ela ficou surpresa e algo como um branco tomou sua mente.

— Não precisa ficar nervosa.

Ele disse amavelmente, o que a deixou mais à vontade.

— Não é que eu não goste de cantar. tocar e esse tipo de coisa refinada...Mas saber é outra história. Na verdade, eu não sei o que eu se.

— Não sabe...o que sabe?

— É, mais ou menos isso.

Começando a ficar desapontado, as empregadas por trás dele botavam as mãos sobre os lábios à medida que se inclinavam para murmúrios inaudíveis mas que eram claramente críticas dela. Tinha que se esforçar um pouco mais para ser agradável, mas de tudo, Rachel não era uma mentirosa, o que ela definia como uma qualidade em si.

— Eu gosto de ler.

— Oh...Uma atividade ótima, de fato.

— É, acho que sim.

Por fim conseguindo encontrar algo, Rachel estalou os dedos como se tivesse se lembrado de alo, dizendo com o rosto iluminado para o homem, que piscou sem entender direito o gesto e retornou a sorrir, aprovando a frase dita.

— A senhorita gosta de fazer parte de grandes eventos?

— Bom...Nunca participei de muitos então...É...Acho que sim.

— E o que diz de concertos?

— ...De música?

Uma pergunta um tanto estúpida, sabia que não a perguntaria se ela gostava de ver vários homens consertando algo quebrado, mas acabou dizendo instantaneamente por ser a primeira vez que a perguntavam aquilo para ela.

— Sim.

— Eu...nunca fui em um, hehe.

— Entendo...

E então um silêncio reinou, como se ele tivesse desistido de querer saber mais, o que a preocupou e ao mesmo tempo a irritou por sentir que estava preocupada com aquilo, não tinha obrigação nenhuma de agradar aquele homem, mas talvez o sentimento de culpa por dar tanto trabalho para as irmãs estivesse tomando conta de si, o que justificaria sua reação.

— S-Senhor Moreland...

— Sim?

— A enfermeira Miriam está doente, é um problema, não conseguirei cuidar dos afazeres sozinha.

Uma jovem que parecia ter mais ou menos a idade de Rachel se aproximou do homem e a forma que se direcionou com o mesmo fez com que as outras encarassem ela com uma fervorosa ira. Ficou olhando para os dois e então, levantou ligeiramente a mão.

— Eu posso ajudar, sei cozinhar algumas coisas...

Podia ter ficado quieta, mas Rachel decidiu se pronunciar, o que fez com que o homem olhasse para ela em um sorriso curioso.

— N-Não, a senhorita é uma convidada...!

— E daí?

— Se a senhorita diz que vai ajudar...Então a acompanhe adequadamente, Miriam.

— Eh?! S-Sim, senhor!

— Estarei esperando-a ansiosamente, senhorita Rachel.

Após o homem interromper a empregada e dar autorização para o ato louco da convidada, os dois se levantaram das cadeiras: primeiro o mais velho, e seguidamente a adolescente, em seguida ele virou as costas, antes lhe direcionando um sorriso animado, podendo ver a ansiedade em sua voz.

— Faz tanto tempo que ele sorri assim...Ah, eu sou Miriam!

— É? ... Rachel.

— Que nome fofo! Bom, vamos? O senhor Morelan-- digo, Mestre, não gosta de esperar demais.

— Tá...

Ao chegarem na cozinha, sendo arrastada por seu braço pela empregada, ela olhou novamente a imensidão do lugar e de utensilhos.

— (Eu devo ter algum problema mental, não conheço metade dessas coisas. Especialista em fritar ovo e jogar macarrão na água, parabéns, Rachel. Você se superou.)

Pensou consigo mesma abrindo um sorriso forçado e a suar frio, o que fez a empregada a olhar com uma preocupação evidente.

— A senhorita está bem?

— Perfeita.

— Bom....Iremos cozinhar Bistecas ao molho cítrico e para a sobremesa, Petit Gâteau.

— Que é isso? Petite Gatiau?

— Petit Gâteau.

A garota corrigiu estendendo a mão e rindo da pronúncia chula de Rachel, que apenas colocou a mão sobre a boca, sentindo-se ligeiramente humilhada pela empregada ter uma pronúncia francesa muito mais refinada que a dela.

— É uma sobremesa francesa, a senhorita não conhece?

— Não, sabe...Nunca fui para a França e o mais caro que posso comprar com minha mesada é uma maçã.

E novamente a empegada passou a rir dela, o que a fez iscar os olhos sem entender muita coisa desde que estava apenas falando a verdade sobre si.

— Bom...Siga meus passos, tudo bem? Não podemos demorar demais...

— Certo, certo.

E assim ela começou a dar as devidas instruções, prestava a atenção na voz suave da empregada até que quando ela foi ligar o fogão, cometeu o deslize de deixar o decido da manga longa de seu uniforme perto da boca do objeto, o que resultou neste a pegar fogo.

— JESUS CRISTO, MEU SANTO PAJÉ!

— Apaga, apaga!!!

Rachel soltou um grito desesperador sem saber sequer o que falava mais, com a garota balançando o braço pedindo por ajuda apenas piorando a situação, ela olhou ao redor e pegou a primeira coisa que viu.

— FICA QUIETA!

E assim pegou a frigideira e começou a bater nela, o que fez ecoar barulhos metálicos por todo o corredor repetidamente. O que preocupou Edmond, que passava por ali acompanhado do mordomo, Sebastian.

— Não quer apagar!!

— MEUS DEUS, GAROTA, O FOGO É AONDE? NA BUNDA? JÁ DISSE PARA FICAR PARADA.

E assim, pegou uma faca, rasgando a manga antes que o fogo queimasse sua pele e deixasse transtornos,, tacando o tecido ainda não consumido pelas chamas na pia, em seguida abrindo a torneira e suspirando, apenas aliviada ao ver que o fogo havia se apagado.

As duas caíram no chão, ambas tremendo pelo medo momentâneo que ainda permanecia e alívio, então, se olharam e começaram a rir freneticamente.

— Me desculpa, eu não sou muito educada quando entro em pânico.

— Não, tudo bem...Obrigada, senhorita Rachel, você me salvou.

— Tudo bem...Não foi nada...

— MEU DEUS!

— QUÊ?!

— Estamos atrasadas! O que fazemos?! O Mestre vai ficar muito bravo!

— Ah,...é isso? Apenas vamos trabalhar, eu vou explicar para ele o que houve.

— Mas...Senhorita Rachel...

— Apenas o faça.

Com as duas concordando, levantaram-se e dessa vez, atentas, conseguiram preparar os alimentos e se direcionaram à sala de jantar, pelo que percebeu. Embora tenham passado vinte minutos do limite esperado, as duas foram e a primeira coisa que o homem reparou era na manga que faltava na empregada e em como Rachel estava toda bagunçada.

— Sinto muito, senhor Moreland, a culpa foi minha.

A adolescente se pronunciou com confiança a fitar os próprios pés, o que fez a empregada soltar um impulso como se fosse falar algo, mas se conteve e fez o mesmo que a companheira em sua frene.

— O que houve? Faz tempo que a casa não fica agitada assim, conseguia ouvir barulhos e berros por todos os corredores.

O homem perguntou curioso e ansiando pela resposta.

— Eu estava com tanta fome que eu enlouqueci, rasguei e estava devorando a manga da pobre Miriam, que tentou se defender me batendo com suas panelas.

— Eh....?

A empregada ergueu o olhar em choque, de tudo, ela não esperava ouvir uma história tão sem noção com aquela.

— Isso é verdade, Miriam?

O homem, surpreso, olhou para a empregada com seriedade.

—.... S-Sim, mestre.

E com a afirmação, ele olhou para as duas e começou a rir sem se conter, o que fez com que as duas se entreolhassem e acabassem por rir também, quando se virou, viu que haviam câmeras na TV de alta qualidade gigante e estavam as observando o tempo todo. Quando se virou novamente, todos estavam rindo, inclusive a empregada, contagiada, o que a fez ser a única séria e desejar ser algo como um avestruz para colocar a cara no chão e nunca a tirar de lá.

Após aquele incidente, as duas, com ajuda das outras empregadas, colocaram a mesa e o resto do dia fluiu normalmente. E com a vinda da noite, o senhor Moreland gentilmente a acompanhou até o orfanato. Podia não gostar de admitir, mas foi divertido e prazeroso conhecer um pouco mais daquela outra face que o homem rico mostrava. Descobriu que ele, na verdade, era muito triste e solitário, todos os dias naquela mansão (pelo que as empregadas e os servos disseram) eram silenciosos e entediantes ao extremo. Que ele nunca mais se casou depois da morte da esposa dele em um acidente que ele não detalhou demais, e, logo depois, a pessoa que ele contou ser o primeiro amor dele. Era uma vida muito triste, tudo que ele vinha a obter, ele perdia. Exceto o dinheiro, o qual não tinha ninguém confiável para compartilhar e viu em Rachel a solução para todos os seus problemas emocionais e financeiros, não teria de procurar mais por um herdeiro e a casa novamente teria vida. Agora, só faltava ela aceitar.

— Você sabia, senhorita?

— ...?

— Você tem um poder especial.

— Ah...é mesmo?

— Por onde passa, consegue animar com seu espírito livre e sincero.

— Sério? Eu percebi...

Ela disse baixinho por ver que o resultado das encrencas que realizou trouxeram uma alegria inesperada para os habitantes da mansão, inclusive o proprietário, que não pareceu estar muito feliz em ter de deixa-la no orfanato e voltar para a vida áspera e sem sal na enorme mansão.

— ...E aqui estamos.

O mais velho saiu do carro e em seguida, ela também o fez com a ajuda do motorista. Passaram a caminhar em passos de tartaruga até os portões de ferro do orfanato, onde quando ela botou a mão sobre estes, ele tomou posição e a agarrou, um gesto que claramente a surpreendeu e a fez se virar para ele.

— Antes de ir, tenho uma proposta a fazer.

Ele disse olhando para as freiras que estavam aguardando ela na entrada da humilde casa, achando bastante generoso ele não colocar ela em uma situação difícil fazendo essa tal proposta na frente das irmãs, que quer que fosse, provavelmente obrigariam ela a fazer.

— Estou escutando.

— Senhorita Rachel, gostaria de ser minha filha?

— Eu...Moreland?

Ainda que ela já houvesse escutado inúmeras propostas como aquela anteriormente e já estivesse esperando também que ele faria isso, ela se chocou e por um momento empalideceu sem conseguir liberar qualquer palavra.

— Não há de se preocupar, não irei a pressionar. Pode tomar seu tempo e pensar pelo tempo que precisar, apenas gostaria que considerasse, e...

— Eu quero.

— ....? Mesmo?

Com os olhos cansados do homem se abrindo em uma visível felicidade, ele se inclinou para abraçar ela, que na mesma hora recuou em um sorriso forçado.

— Pode deixar o resto comigo, definitivamente irei me esforçar para ser um bom pai, Rachel. Posso chamar-lhe assim?

Os olhos brilhantes esverdeados estavam fixos nela em expectativa, então assentiu sem pensar muito já que seria estranho seu pai a chamar de senhorita toda hora. Gostava de ser apenas Rachel, não senhorita.

— Obrigada...Bom, tenho que ir. Até mais, senhor Moreland.

— Boa noite, Rachel.

Acenou para o senhor e correu para dentro do orfanato, aonde naquela noite elas duas fizeram trezentas perguntas para a morena, que apenas falou sim e não sem muita paciência, mas mantendo o respeito, resolvendo deixar a notícia que havia concordado de ir com o senhor Moreland como surpresa para quando ele viesse preencher a papelada.

Agora que estava sobre sua cama imersa no silêncio da noite sem a gritaria e correria dos menores, Rachel refletia sobre quão grande seria o impacto em sua vida, o que ela poderia chamar de um novo começo. Ainda não confiava por completo naquele homem misterioso, senhor Edmond Moreland, Queria saber mais sobre ele e ao mesmo tempo tinha uma imensa vontade de recuar, apenas tomando uma iniciativa dentro de si mesma e convencendo-se de que em algum momento teria de sair de sua zona de conforto e se fosse quando ainda é jovem, seria bom pois ainda tem idade para aprender e se reconstruir à partir dos erros que comete. Em um sorriso pequeno e positivo que logo se desfez, lembrou-se das cartas que recebia de Anthony. Não iria ter mais notícias dele, ela apertou o travesseiro com uma imensa força pois agora teria de esquecer do passado e pisar sobre o futuro, o que significaria dizer adeus para ele e tudo o que uma vez considerou parte de si e sua rotina.

O outro dia estava para vir e sua vida nova junto do amanhecer com o sobrenome Moreland, seria a filha de um aristocrata e tudo isso...

Era assustador demais.

Notas finais
Oie pessoinhas, sou eu de novo! Passou rápido, né? Bom, se vocês curtiram ou não, eu peço que comentem suas opiniões e venho esclarecer algumas duvidas antes de ir. Eu irei postar os capítulos em um intervalo de um dia, então se hoje teve um, depois de amanhã terá outro para que eu não fique muito sobrecarregada. Sobre o horário, eu sou muito imprevisível, então o horário que eu terminar o capítulo eu devo postar, então fiquem atentos(as), Acho que por enquanto é isso...Agradeço desde já e espero que tenham gostado! Até a próóximaa! kissus ~