Dream Stained by Cherry Blossoms

3 Sonho tingido por flores de cerejeira


Notas iniciais
Olá, meus(minhas) caros(as) leitores(as)! Apenas passando para dar aqueles avisos básicos. Essa é a minha primeira short fic em desenvolvimento cuja história já está planejada e em andamento, por isso, eu peço para que comentem para saber como estou andando e para saber a opinião de vocês com relação à história, vocês são muito importantes e cabe a mim dizer que cada comentário é um grande incentivo para a continuação da história. Ah, acho que eu não preciso ressaltar que plágio é crime, né? Então eu espero que não tenha de me envolver em confusões por conta disso, essa é uma história completamente original e de minha autoria, cópias não serão admitidas. Então é isso minhas pessoas bonitas, desejo uma boa leitura! Beijinhos e até o próximo capítulo!

Após a vinda do senhor Moreland para a buscar como o prometido, não conseguia descrever a felicidade das freiras em palavras, estavam eufóricas. Despediu-se de Anne e agradeceu por todos os cuidados que lhe foram dados até o dia, algumas das crianças agarraram-se nos seus pés para que a adolescente não fosse embora à medida que berravam e choravam, sendo obrigada a se arrastar com o peso dos pequenos sobre si e parando na frente do carro, escutou irmão Lilian gritar os nomes dos menores, que relutantemente obedeceram e saíram de cima dela, olhando-a com aqueles olhos grandes e afetados, nem mesmo ela conseguiu resistir e sentiu uma imensa tristeza, não queria chorar então se abaixou e abraçou os dois garotos, em seguida entrou dentro do enorme carro luxuoso preto para não prolongar mais a dor agonia.

— Eu irei voltar algum dia para visitar, não se preocupem.Ela disse quando já dentro do carro, embora estivesse ciente de que provavelmente eles não escutavam-a, colocou a mão sobre o vidro escuro, e do outro lado, Jeremy colocou a sua pequena mão sobre a dela por trás daquele vidro espesso, o que a fez abrir os olhos em surpresa e quando o carro partiu, ficou olhando para trás durante quase todo o percurso, arrependida e sentindo uma indescritível dor dentro de si.

Ficou em um silêncio inquietante durante o percurso, não era o usual de Rachel ser quieta, tanto que assustou até mesmo o homem que havia sido o mesmo que havia levado-a para a mansão da última vez acompanhada do senhor Moreland e muito provavelmente sabia que era uma jovem alegre e agora estava tristonha, sombria.

— A lady deseja que ligue o rádio?

— Hm? Ah...Claro.

Sendo tirada de seus pensamentos depressivos pela voz do motorista, ela olhou para o retrovisor e assentiu em um sorriso forçado. E, quando o homem o fez, uma música calma fluiu pelo ar, reconhecendo após segundos as notas que passavam por seus ouvidos.

— Isso é... Beethoven? Fur Elise, certo?

— Reconheceu...! Aprecia música clássica, lady?

— Eu acho que é bonito, reconheci porque Fur elise é minha predileta.

— É mesmo? ...Que coincidência, esta é a preferida do senhor Moreland também.

— ...Sério?

— Sim...Sempre que ele a escuta, comenta sobre os tempos que passou com sua esposa.

— Oh...

Conversou com o homem durante o percurso e inesperadamente fizeram uma pequena amizade. Descobriu que seu nome era Adam, e ele era motorista particular do senhor Moreland faz dez anos, conversaram tempos sobre o proprietário de imensa fortuna, sobre a vida pessoal deles, sendo que acabou aos poucos se soltando e se alegrando novamente.

— Senhorita...Você sabe como amarrar isso?

À medida que eles conversavam e ficavam mais íntimos, o motorista apontou para uma gravata vermelha com listras brancas que estava acima do banco livre da frente, então ela olhou para ele e fez uma careta.

— Até um orangotango sabe fazer isso, quer ver só?

Se concentrando no trânsito e ao mesmo tempo rindo da morena, permitiu que ela pegasse o tecido e logo ela ficou olhando ora para a gravata e ora para o retrovisor, não fazia ideia de como amarrar aquilo, mas não queria parecer estúpida na frente do homem que havia a desafiado, então cruzou ambos os lados da gravata e de repente parou, fitando os olhos castanhos escuros do senhor refletidos no retrovisor.

— Não consigo fazer se não estiver no pescoço de alguém.

Inventou uma desculpa, o que fez o homem reagir de maneira provocativa.

— Que pena, acreditou que esperei demais. Sinto muito, senhorita.

— Eu estou terminando.

Anunciou com irritação e quando ela enfim havia conseguido terminar o dever lhe dito, escutou seu anúncio.

— Chegamos, senhorita Moreland.

— Eek...

Sentiu-se arrepiar quando ele a chamou pelo seu novo sobrenome, era muito estranho ser chamada por "Moreland", tinha uma sensação de ser outra pessoa, o que não gostou nem um pouco.

Saindo do veículo após Adam abrir a porta para ela e colocar sua mala preta velha e simples no chão, ela agradeceu-o devolvendo sua gravata e quando ele percebeu que ela havia de fato conseguido fazer um nó na gravata, ela o fitou em um sorriso, em seguida se retirando para dentro da entrada principal da mansão, aonde fora quase que imediatamente rodeada por empregadas e o mordomo que tentou se aproximar mas acabou ficando atrás das mulheres, esticando o pescoço em curiosidade e parecendo querer dialogar com a nova filha do senhor.

Se sentindo sufocada e uma celebridade com tantas explicações ao mesmo tempo, ela passou por entre as mulheres, acabando por bater acidentalmente no mordomo, que reverenciou e se apresentou como Sebastian e anunciou que lhe explicaria tudo por ordens do senhor Moreland, como seria dali em diante. E, como ele parecia mais calmo e sério que as empregadas, suspirou em alívio. Aparentemente ela havia conseguido um bom professor....

Ou não.

Enquanto estava caminhando com o rapaz que parecia ser apenas alguns anos mais velho que ela, repentinamente ele levantou a voz para uma empregada que tirava o pó de um quadro que consistia no chafariz que havia no jardim, da propriedade, deixando o ângulo ligeiramente torto, o mordomo se mostrou insatisfeito e lhe ordenou que pusesse no ângulo correto, sendo bem específico e firme em cada palavra. Ainda assustada, percebeu que ele não era um homem dócil e gentil como parece, é na verdade um tanto rude e perfeccionista, e bem, para ela isso não é bom.

— Perdoe-me, lady, vamos prosseguir.

— S-Sim...

— Como eu dizia, a partir deste exato momento, é a filha "legítima" dos Moreland. Portanto, qualquer vestígio do passado é imperdoável e pode trazer consequências severas.

— Ok...

Levando aquilo como uma ameaça, apenas concordou hesitantemente, cruzando os braços a permitir que ele carregasse a mala dela à medida que escutava-o encher de instruções.

— Pois então, deverá substituir "senhor Moreland" por "Pai"

— Não! Tudo menos isso!

— Posso perguntar a causa da relutância, lady?

— Não é óbvio? Ele não é meu pai!

— Agora é.

— ...

— Entendido?

— Sim, sim...Vou me esforçar...Mas não garanto nada.

— Lady Moreland!

—Ah, por favor! R-a-c-h-e-l. Rachel. Ok?

Explodindo por conta de tanta pressão e ordens por cima dela de como ela teria se mudar e adequar para aquele ambiente novo, acabou por explodir de raiva, o que definitivamente surpreendeu o mordomo, cujos olhos acinzentados abriram com o choque, mas não demorou para que retornassem à rigidez anterior.

— Lady Rachel, não é mais uma criança de cinco anos.Tem treze anos, é uma jovem dama perto da maioridade, portanto comporte-se como uma!

— ....Sim...Desculpa...

— Francamente...Vamos, lady. Irei lhe mostrar o caminho do seu quarto.

Balançando com a cabeça em um sinal positivo, acompanhou o maior pelos corredores repletos de janelas e bem iluminado, olhando apra a paisagem até o momento que por fim escutou a voz do alto anunciando que haviam chegado no destino, e, quando entrou no quarto imenso que tinha praticamente de tudo que sempre havia sonhado, até mesmo um banheiro. Mas logo sua alegria se desfez quando se virou para o mordomo e ele lhe entregou um papel.

— O que é isso?

— Seu cronograma, lady.

— Sério?! Mas eu mal vou poder descansar direito do almoço e do retorno da escola!

— Não se preocupe, lady, uando você mostrar sinais de uma melhora e adequação apropriada, certamente seu cronograma será mais brando. Agora, vamos. A aula do momento será de canto. Permita-me acompanhar-lhe.

— Mas eu mal cheguei!

— Lady Rachel!

— Sim, senhor.

Embora achasse aquilo demais, acabou concordando quando relembrou a frase do rapaz a chamando praticamente de imatura. Teria de se esforçar para mostrar para ele que era mais do que ele imaginava. Então, quando haviam chegado na sala de música, olhou ao redor a diversidade de instrumentos pendurados e o piano brilhante na frente de uma janela que o iluminava. Sentou-se perto de onde estava o violoncelo e o violino, em uma cadeira de madeira colocada ali pelo mordomo, e ficou o olhando em sua frente a analisando com detalhismo.

— A senhorita canta, lady Rachel?

— Bom, eu tenho voz. Mas saber cantar é outro assunto.

— Cante.

— Que?!

— Cante! Escolha uma canção de seu gosto e cante.

—....

— ...

— Parabééns para voo--!

— Lady Rachel!

— Que foi? Me deu branco!

— ... Francamente...É um completo desastre.

— ...

— Outra canção!

— Ok...Pode ser de desenho?

— Sinta-se à vontade.

— Fooi voocê o sonho bonito que eeu sonheei. ~

— Horrível!

— Obrigada.

— Vamos treinar suas cordas vocais, Acompanhe as instruções.

Após o treinamento de quatro horas seguidas logo no primeiro dia, saiu correndo para o quarto quando soube que Sebastian estaria ocupado por aquela tarde por causa dos preparativos do jantar de boas vindas e havia sido dispensada mais cedo, se trancou e se jogou na cama inesquecível e macia como se estivesse nas nuvens. Sentia que estava ficando rouca, aquele rapaz, Sebastian...era o demônio!

Com a vinda d noite, abriu a porta do quarto vagarosamente e checou os lados para ver se havia algum sinal do moreno, suspirando em alívio quando não viu nenhum sinal da presença de terno que havia a deixado traumatizada. Quando saindo do quarto, resolveu buscar pelo senhor Moreland porém repentinamente fora agarrada por duas empregadas que a arrastaram de volta para o quarto, cada uma segurando um de seus braços.

— Mas o quê?!

— Perdoe-nos, senhorita Moreland. Mas a ordem que nos foi dada consistia em a deixar impecável.

— Mas...Eh?

Apenas se sentou sobre a cama gigante e ficou as vendo abrir o imenso armário com uma incrível diversidade de roupas e vestidos, apenas observando inquieta até que elas discutiam a escolha mais apropriada.

Ficou encolhida na cama apenas observando as duas com atenção, que haviam escolhido um vestido curto azul escuro bem ornamentado e que achou chique até demais.

Após ser usada como uma boneca e com uma maquiagem pesada no rosto que quase a deixava irreconhecível, ela desceu a escadaria e se sentou na ponta da enorme mesa, aonde lá além, o outro lado, sentava-se o senhor Moreland naquele sorriso largo repleto por felicidade e admiração pela aparência de Rachel.

Olhou para Sebastian, que estava ao seu lado em uma posição perfeita como uma estátua e em seguida para o homem no fundo da mesa, se levantando ousadamente a ignorar o olhar perfurante de Sebastian e em seguida se sentando ao lado do homem mais velho, completamente séria.

— Senhor Moreland, não tinha necessidade para uma festança destas...

— É claro que é preciso, faz parte desta família e merece as devidas boas-vindas.

— Mas...

— É um evento único assim como uma festa de maioridade, então apenas aproveite e sinta-se em casa.

— ...Sim...

Com um olhar admirado, o senhor olhou para ela parecendo admirar seu rosto como se fosse o ser mais perfeito que já havia visto em toda a sua vida. E assim que a escutou murmurar aquilo, ele a retrucou na mesma tonalidade de voz que ela fez para que não lhe trouxesse nenhum incômodo. Quando a convencendo, abrindo um sorriso satisfeito e fazendo um sinal com sua mão direita para que a comida fosse trazida.

Quando as empregadas colocaram a imensa quantidade de pratos diversos sobre a mesa que a fez acreditar que muito provavelmente nem ela e nem o senhor Moreland iriam comer tanto, fitou para a fileira de empregadas de pé na frente dos dois e Sebastian na ponta, mais quieto do que nunca.

— ...

Com um silêncio perturbador, ela olhou para a quantidade de gente e em seguida para a comida.

— Porque não se juntam conosco?

E com aquela oferta generosa, os olhos do senhor Moreland se abriram em surpresa, assim como os de Sebastian, que pareceu "acordar" para a realidade.

— Não podemos...! Somos servos, não nos cabe...

— E daí? Apenas se sirvam! Não iremos comer isso tudo, não é, senhor Moreland?

— ...? Oh...Sim...De fato.

— Mas...!

— Apenas se sirvam.

Tornou a repetir a ordem dando mais ênfase nas palavras, e aos poucos, mesmo que hesitantes, os empregados se juntaram sobre a mesa luxuosa e logo uma vasta quantidade de vozes e comentários sobre a comida tomaram conta do lugar antes silencioso. Daquele forma era muito melhor e ambos os lados estavam satisfeito.

— Rachel...

— ...Hm?

Escutando a voz do homem a chamar entre o falatório, se virou para ele em curiosidade. Ele virou o olhar para os servos felizes e da mesma forma, sorriu alegremente.

— Obrigado.

— De nada...Agora, apenas coma, senhor Moreland. Ou então vai acabar esfriando.

Embora não tenha compreendido ao certo o motivo daquele agradecimento, ela o retrucou em um sorriso breve, em seguida o servindo com um daqueles pratos chiques que não sabia o nome.

Ao final da noite, todos se levantaram satisfeitos e as empregadas tiraram a mesa. Se levantando junto do senhor Moreland, olhou para o rosto feliz do senhor.

— Realmente, muito obrigado, fazia tanto tempo que esta casa não era assim. Por você ser minha filha...Eu sou muito grato.

— Eu só fiz o que me passou pela cabeça, sinto muito se o ofendi...Eu sou muito impulsiva.

— Você fez bem, sua bondade é o que a marca.

— Obrigada...Bom...Estou exausta, então...

— Tudo bem. Boa noite, Rachel.

— Boa noite, senhor Moreland...

E ele abriu um sorriso pequeno ficando parado ao ver ela se mover na direção da escadaria, parando no meio do caminho e se virando repentinamente, o que surpreendeu o mais velho e prestou atenção no que ela queria dizer já que estava mais séria que anteriormente;

— Digo... Pai...

E com isso, os olhos dele pareceram se fechar em emoção e por lágrimas, voltando-se a se virar e caminhar na direção da escadaria, novamente parou ao ver a figura de Sebastian imóvel, pegando um lenço do bolso dele e o levando até o canto dos lábios dele, que estavam tingidos de molho.

— ...?!

Surpreso, apenas viu de relance o rosto tão rubro quando o líquido que estava em seus lábios e de fato subiu a escadaria, dirigindo-se diretamente para o seu quarto, aonde ficou um tempo considerável tirando aquela maquiagem e após um banho confortável, colocou seu pijama que havia trazido consigo e dormiu, nunca havia dormido tão bem em toda a sua vida.

Após 10 anos ...

Após longos dez anos com a sua nova família, acabou se acostumando com a rotina com Sebastian e suas lições e assim como ele havia lhe dito, quando começou a ter um bom desenvolvimento, o horário foi aliviado e tinha mais tempo livre para descansar e fazer o que preferisse. Havia sido transferida a antiga escola aonde ela e Anthony estudavam, assim como ele havia sido transferido, eka passou a estudar em uma escola de classe alta perto da mansão, aonde era constantemente observada como uma celebridade para sua proteção, dando graças para todos os deuses quando por fim se formou e alcançou a maioridade, pediu para o pai para que retirasse os guarda-costas dos arredores, queria respirar um pouco sem ser observada. E, ainda que relutante, ele concordou.

Agora com os fios do cabelo castanho longos até pouco abaixo de sua cintura com as pontas ligeiramente mais claras e cacheadas, os olhos claros, lábios volumosos e a maçã das bochechas naturalmente avermelhadas de fato havia se tornado uma dama experiente, inteligente e mais bela que já era, o que surpreendeu a todos.

— A senhorita Rachel não amadureceu bastante?

— Sim...de fato.

Escutando os murmúrios que corriam pelos corredores, escutou o ecoar de uma canção e subindo a escadaria, encostou-se sobre a beira da porta em um sorriso fino e discreto a ver a figura em uma postura perfeita seguindo o horário e treinando o piano. Entusiasmado pela dama não tentar fugir mais das obrigações e aprontar como fazia, o mordomo cruzou os braços.

— Fur Elise...huh?

— ...

— ...

— Oh, Sebastian!

— Lady Rachel.

— E você continua com esse "lady" para cá, "lady" para lá...Ninguém merece.

— Sinto muito, Rachel, as empregadas podem julgar como impróprio.

— Eu não me importo, apenas seja você mesmo. O Sebastian perturbado e perfeccionista que não pode ver uma poeira que já solta a franga.

— Rachel...

— Sinto muito, só falo verdades.

Assim que terminou , virou-se por puro instinto e ao ver o rapaz de terno na porta com um olhar sério, pareceu levar um susto, em seguida apenas rindo e fazendo um sinal com a mão para que ele se aproximasse. O que ele fez, apoiando-se cuidadosamente sobre a lateral do piano e observando a figura sentada sobre o banco ao seu lado.

— Não sabia que era essa a opinião que tinha sobre a minha pessoa.

— O que eu posso fazer? Sou muito sincera.

— Estranha.

— Falou o cara que passa máscara de argila.

— ...?! Como diabos?!

— ...Mentira? Eu acertei? Por isso que sua pele é assim.

— Sua pirralha...!

— Kyaa. Paraa, Sebastiaan!

Abriu os olhos em surpresa e logo os lábios da mulher formaram um sorriso cínico, não fazia ideia de que aquilo era verdade, mas agora fazia sentido o homem ter uma pele tão perfeita e macia. Incomodado por seu ponto fraco ser sua aparência, acabou atacando a companheira em cócegas intermináveis, fazendo com que ela se remexesse, apenas quase caindo no chão que ele parou e olhou para ela com um olhar repentinamente sério.

— Amanha é o dia que vai para a universidade, não é?

— Uhum, não é ótimo? Vou morar sozinha em um apartamento na cidade vizinha, isso é tão legal.

— ...

— O que foi, vai sentir falta dessa pirralha de vinte e três anos? Ah...Sou só dois anos mais nova que você, tá?!

— Vou.

— Eh...Que honestidade repentina.

— Vai ser tudo escuridão novamente quando você se for.

— Que poético...Mas, ei, não vou para o fim do mundo. é a cidade vizinha, quem disse que você não pode me visitar?

— Não seria apropriado...e também, não posso deixar essa mansão sozinha.

— Que sacoo, Sebby! Nada é apropriado para você! Apenas diga ao meu pai que foi um pedido meu.

— "Sebby"?! Eu já te falei sobre apelidos repetidamente...!

— Qual o problema? Chamo mesmo, e se reclamar chamo de Sebyzinho.

— Você realmente não tem limite...

— Também te amo, tá?

— ...

Parecendo hesitar em falar algo, a moreno ficou o observando em uma expressão inocente e curiosa, quando por fim ele virou o rosto levando a mão à testa em um suspiro.

— Você vai amanhã, já está tudo arrumado?

— É claro que está!

— Mostre-me.

Ele disse puxando-a por sua mão até a porta, o que a forçou a se levantar e ela logo se pronunciou.

— É claro que não! Porque você tem que ver?

— A conheço melhor que si mesma, sempre esquece o mais importante.

— I...Isso não é verdade, ok?! Você está esquecendo que eu sou mulher?!

— ...Oh...

— Pervertido...

—O qu---! Você está pedindo, vem aqui!

— Paraa, Sebastian! Eu vou ficar suada! Quantos anos você tem, cinco?

Depois de ser perseguida pelo homem, se trancou no quarto ao alcançá-lo, o deixando trancado do lado de fora. E, quando ele bateu na porta, logo avisou.

— Não vou te deixar entrar!

— Não é isso, o jantar...está pronto.

— Eu não quero, estou sem fome. Fiquem à vontade.

E assim que escutou os passos do mais alto se afastando, suspirou em alívio, passando a mão sobre o rosto molhado de suor e redirecionando-se ao banheiro, aonde tomou um belo banho para em seguida cair em um sono profundo. Embora a verdade fosse evidente, estava profundamente imersa na melancolia de deixar sua família novamente, mas tinha de ser forte e priorizar um futuro brilhando. Foi o que seu pai lhe disse.

Com a vinda do outro dia, desceu a escadaria elegante aonde no final desta, viu Sebastian. O mordomo deu-lhe a notícia que o pai dela havia partido mais cedo para uma viagem de negócios importante e que sentia-se profundamente infeliz por não poder despedir-se dela da maneira correta, prometendo a compensar quando ela retornar.

— Ok. Obrigada, Sebastian.

— ...Rachel?

Agradecendo em uma voz sonolenta e suave, esticou-se para abraçar o mais alto, que ficou paralisado com as mãos estendidas sem saber o que fazer pelo choque.

— Vou sentir sua falta.

— ... Uh...Eu também...

— Finalmente se tornou honesto.

E com aquilo, abriu um sorriso que iluminou seu rosto e a o ambiente que antes estava coberto pelo desânimo. Em seguida, falou com cada empregada e assim que terminou, se encaminhou ao enorme portão principal, parando por um momento e se virando acabou os vendo com expressões tristes, virando o rosto e seguindo em frente a permitir que a franja cobrisse seus olhos, abatida.

A viagem havia demorado em torno de quatro horas e meia, antes que percebesse havia caído no sono durante o percurso silencioso, sendo acordada apenas quando havia de fato chegado.

— Obrigada...Adam.

Agradeceu de maneira sonolenta por ainda estar praticamente acordando, bocejando e quando percebendo, fitando a mala em sua frente e o olhar doce do motorista.

— Cuide-se, lady Rachel.

— Ei, pegou a mania do Sebastian agora?

E com isso os dois acabaram rindo, o que a fez despertar e se animar por fim realmente se dando conta de que havia chegado.

— Dê o seu melhor.

— Sim! Cuide-se na volta, bye!

E com isso, observou o carro se afastando enquanto acenava para ele. Quando não conseguindo mais encontrar sua figura, se virou e direcionou-se ao novo apartamento, fitando o enorme edifício de vidros azuis antes de entrar neste.

Se apressou e ao chegar no seu quarto pelo elevador, encontrou um ambiente agradável. Seu apartamento era quase no último andar e a vista que tinha dos vidros transparentes era incrível, com móveis pretos e decoração em preto e branco, era um ambiente muito agradável.

Ficou um bom tempo olhando do vidro horrorizada com a altura e com ideias paranoicas do como seria se o vidro de repente quebrasse e ela caísse. Seria seu fim.

Estremecendo com seu momento de loucura, deu um pulo para retornar à realidade e logo arrancou de sua mala em uma rapidez assustadora seu uniforme da universidade. Estudaria com os renomados e melhores professores de música, e para melhorar a situação, o local era muito perto de seu apartamento. Morar sozinha e sem vigilância constante era sem dúvida outra coisa.

Olhando para o relógio digital que havia na cabeceira, faltava uma hora e meia para a aula começar. Não era tempo o suficiente para explorar a universidade, mas ao menos para saber a sala que estudaria, quase rasgando o fino tecido das meias-calças 3/4 pretas que cobriam seus joelhos, mesma tonalidade do uniforme, que tinha tiras brancas nas bordas da saia, colete e casaco que colocava por cima, além do simbolo dourado costurado com perfeição do canto superior do casaco.

E assim que colocou os sapatos de tonalidade escura, correu para fora do apartamento após o trancar, tendo certeza que estava levando sua bolsa e as chaves, saiu em disparada para a universidade que estava bem vazio, o que a fez estranhar mas ainda assim seguiu em frente.

— Vamos ver...

Entrando pelos portões enormes e dourados, olhou ao redor a quantidade de árvores de cerejeira que embelezavam o ambiente e deixavam um odor ótimo no ar. Abrindo um sorriso, passou a ver os primeiros sinais de olhares sobre ela, sinal de que uma certa fama estava por vir e novamente ficaria sem amigas. Suspirando, bateu com as mãos sobre as bochechas tentando ser positiva e piscou os olhos em surpresa quando viu uma silhueta que parecia-lhe conhecida, uma figura de cabelos longos e negros, maior que ela assim como a maioria dos rapazes....Anthony?

Ficou paralisada sem saber o que falar, aquilo era mais uma crise de paranoia dela, só podia ser! Porém, ao ver a ilhueta em sua frente parar e em uma lentidão torturante se virar, viu aqueles olhos de coloração rara e logo correu para cima dele, que imediatamente tirou as mãos do bolso a abrir os olhos em profundo choque.

— É você!! Anthony!! Eu senti tanto, tanto a sua falta!

— ...Rachel?! Mas...o que?!

— IDIOTA!

— Não grite no meu ouvido, sua louca! Imagina se eu fico surdo?

Entre lágrimas, quando perto do rapaz e tendo certeza absoluta que era ele, deixou sua bolsa cair sobre o chão por um momento para apenas pular sobre o seu pescoço e o abraçar fortemente. Embora estivesse ainda ligeiramente perplexo, quando o mais alto reconheceu a pequena pelo berro que havia dado em seu ouvido, retribuiu seu abraço a levantando e cuidadosamente a girando algumas vezes enquanto ambos riam.

— Olhe para você, está deslumbrante! Nem te reconheci!

— Querido, eu sempre fui deslumbrante.

— Uhum...

— Mal nos encontramos e você está encomendando uma surra?

— Não...Eu só...estou muito feliz.

— Eh...P-Pare de me olhar assim, seu idiota.

— Você nunca mais respondeu as cartas, pensei que me odiasse.

— eu não sabia...Depois que fui adotada, parei de receber tudo relacionado ao meu passado.

— Oh, entendi...Então você não viu a última...

— Hm?

— Não é nada.

— ...Já pode me soltar.

— Eu não quero.

— Eu não perguntei se você quer!

— Que violenta, e eu pensando que havia se tornado uma dama com uma pose tão graciosa...Continua a mesma.

— E daí? Está insatisfeito? Você também não mudou nada de nada, seu implicante!

— Isso é muito bom, afinal, essa é a Rachel que eu gosto.

— Ok..Chega, larga.

— Não.

— LARGA!

E por fim saiu dos braços do mais alto com as bochechas avermelhadas como uma maçã, o fitando de cima a baixo com um olhar falsamente irritado, o que ele percebeu, havia perdido seu poder de mentir. Aquele miserável estava até mesmo ainda mais reluzente que antes, sua voz não era mais fina, tinha um tom másculo, um corpo forte e o mesmo rosto incredível.

— Eu estava indo para a sala de aula agora mesmo, em qual você estuda? Está morando perto daqui?

— Bom...Sala 1. Sim, moro em um apartamento perto daqui. E sabe qual o melhor?

— ...Qual o melhor?

— Sozinha!

— Ei...isso não é perigoso?

— Tenho vinte e três anos, é completamente normal...E você?

— Também, um apartamento perto daqui. Por falar nisso...Parece que vamos estudar na mesma sala.

—... Mentira, sério? As férias acabaram, vou ter que te aturar de novo até na sala.

— Depois eu que sou o implicante.

À medida que trocavam palavras e conversavam por um caminho tranquilo aonde as pétalas das flores das árvores caíam graciosamente entre risadas e por vezes trocas de informações sobre os novos indivíduos que eram, um som que reconhecia.

— Rapsódia Húngara N.º 2 no violino?

— Parece que sim...

Indagou ao se lembrar das músicas que havia estudado com Sebastian, e com a confirmação de Anthony, ficou quieta a cada vez mais se aproximar do indivíduo que tocava com os olhos fechados sentindo a melodia, ao se aproximarem demais, aquela figura simplesmente estupenda iluminada pela luz solar e pétalas graciosamente caindo e reunidas ao seu redor tomou-lhe toda atenção, assim como a habilidade que tomava o instrumento. Cabelos loiros e uma franja média jogada para o lado que não cobria os olhos do mesmo, um brinco prateado em seu ouvido esquerdo que, por algum motivo, lhe dava a aparência de bad boy, e com o olhar sério contribuindo, sentiu que ele não era uma pessoa comum.

— Eu morri? Porque estou vendo anjos?

— Hm? Você está louca?

— Estou viva?

E com isso Anthony acabou rindo, mas deu-lhe a resposta que pedia.

— Essa pessoa é David Bittencourt, estudaremos com ele na sala 1, a dos melhores. Ele é nosso representante, todas as garotas se apaixonam por ele instantaneamente.

— Bom...Faz sentido, ele é bonito mesmo...e tem uma habilidade incrível.

— Também teria uma quedinha por ele se fosse uma menina.

— Esquisito.

E, repentinamente, a canção cessou e o rapaz abaixou o instrumento a abrir os olhos, revelando nestes uma tonalidade azul cristalina, tonalidade mais clara até mesmo que a dos olhos de Rachel.

— Que barulhentos...!

Ele passou a levantar a voz irritado com a interrupção, até que parou no meio da sentença e seus olhos se abriram em assombro no momento que seus olhos pararam sobre Rachel. E pasma, ela piscou inocentemente e curiosa dentro daquele sonho tingido por aquelas flores.

— Você...

Notas finais
Oie pessoinhas, sou eu de novo! Passou rápido, né? Bom, se vocês curtiram ou não, eu peço que comentem suas opiniões e venho esclarecer algumas duvidas antes de ir. Eu irei postar os capítulos em um intervalo de uma semana para que eu não fique muito sobrecarregada e possa ter tempo para fazer meus afazeres cotidianos apropriadamente. Sobre o horário, eu sou muito imprevisível, então o horário que eu terminar o capítulo eu devo postar, então fiquem atentos(as), Acho que por enquanto é isso...Agradeço desde já e espero que tenham gostado! Até a próóximaa! kissus ~