Draco Malfoy
Seria difícil dormir aquela noite, eu estava completamente ciente disso. Não comi nada, acho que quase ninguém comeu. Eu me joguei na cama, sentindo o tecido leve do cobertor e o cheiro do quarto, tentei me distrair com alguma coisa, estava um silencio total, ninguém tinha nada para falar. Uma lágrima iria escorrer no meu rosto quando o pior aconteceu, a Marca Negra começou a arder em meu braço. O Lorde das Trevas queria me ver. Dessa vez não pude conter as lágrimas, eu iria morrer.
Limpei o rosto e fui vestindo meu terno. Tentei parar de chorar, o Lorde das Trevas não poderia perceber minha preocupação e muito menos que havia chorado. Ele ia pensar que sou fraco, que não sou digno de ser o seu Comensal. Talvez seja verdade, eu não consigo matar a sangue frio como os outros Comensais.
–Aonde vai?-Crabbe interrompeu meus pensamentos.
Ignorei a pergunta, desci as escadas lentamente, sem a menor pressa, eu não tinha pressa para morrer. Cumprimentei todas as pessoas que passaram pelo meu caminho. Se eu iria morrer hoje, não queria morrer como um grosso odiado por todos.
Fui a biblioteca, sabia que iria encontrar Hermione lá. Não disse nada, apenas fiquei observando seu rosto de longe. Eu nunca mais veria aquele rosto, nunca mais beijaria aqueles lábios. Se eu morresse, uma parte de mim ainda estaria viva, Hermione estaria viva, e ela é minha vida agora.
–Eu te amo.-disse baixinho, pena que ela nunca ouviria isso.
Desci as escadas devagarinho, eu estava chegando a passagem que me levava até a dedos de mel.
–Draco?-era Luna-Aonde está indo?
–A Marca Negra arde em meu braço, o Lorde das Trevas quer me ver. Eu vou morrer hoje, Luna.
Ela não discordou. Vi uma lágrima caindo pela sua face, eu não merecia aquela lágrima, ela sabia que eu iria morrer. E não me deu nenhuma esperança de que eu sobreviveria.
–Boa sorte.-ela respondeu por fim, e foi saindo.
–Luna, espere. Por favor diga para o seu pai não publicar mais nada sobre ele.–estava me referindo a Voldemort-Talvez assim eu tenha alguma esperança de viver.
–Tudo bem, adeus.-e então ela foi embora. Eu nunca mais veria aquele rosto pálido e aqueles cabelos dourados.
Uma vez, quando eu era pequeno, perguntei para minha mãe o que significava 'adeus', ela me respondeu que o melhor significado que ela já tinha ouvido era o que uma vez ouviu de um trouxa qualquer. Ela havia me dito que é quando nunca mais verá a pessoa, nunca mais vai protege-la, nunca mais vai poder ve-la e nem toca-la, então confia essa pessoa a Deus. Alguns trouxas acreditam que Deus criou o céu, e a terra. É um belo modo de se pensar, e não vou discordar, ninguém sabe o que se pode encontrar do outro lado.
Por fim ia entrar na passagem que me levaria até a dedos de mel. Olhei para Hogwarts, observei cada canto, me apoiei na parede, respirei fundo e disse um 'adeus'.
Hermione Granger
Não queria ir para a o quarto aquela noite, ver todas aquelas pessoas em luto constante, e ninguém iria me fazer companhia. Mas eu ainda tinha os livros, eles meio que conseguiam me fazer feliz.
Peguei qualquer coisa e comecei a ler, mas eu não estava me concentrando, estava pensando em Draco, como será que ele estava? Bem? Eu espero que esteja.
Antes, aquela biblioteca era o melhor lugar do mundo para mim. Agora não mais, preferia os braços de Draco. Era onde eu me sentia mais feliz, mais completa e mais realizada.
Subi para o dormitório, fechei os olhos e logo adormeci.
Draco Malfoy
–Eu estava te esperando-Voldemort me viu entrar, todos os olhares estavam voltados para mim.
–Me perdoe, Milorde. Me atrasei um pouco.
–Vejo que falhou na sua missão. Pode me explicar o porque?
Eu contei que Neville entrou na frente e recebeu toda a carga do meu Avada Kedavra. Contei nos minimos detalhes, fingindo não demonstrar sentimento algum. Disse que tinha ameaçado Luna e que avisei, da próxima vez que o pai dela disesse algo sobre Voldemort. A vida dela e de sua família não seria poupada.
Para alguns minha história pareceu bastante convincente, para outros não, e na segunda categoria se encontrava Voldemort.
Os olhos de minha mãe se encheram de lágrimas, ela desviou o olhar para a janela para disfarçar as lágrimas. Eu olhei para o meu pai e ele olhava para o além, a expressão dele era vazia, não conseguia decifrar. Minha tia Bella estava com uma expressão aparentemente maliciosa, como sempre, ela era uma perfeita Comensal. Fazia tudo o que Voldemort pedia e sempre se oferecia para missões. Corriam boatos de que ela era apaixonada por Voldemort, como alguém poderia amar uma pessoa assim? Do mesmo modo que Hermione me aceita... Fiquei triste com os meus pensamentos mas eles ficavam apenas lá, na minha cabeça, ficava apenas aguardando a resposta do Lorde.
–Não sei se sabe, Senhor Malfoy, mas não é da natureza dos Comensais perdoar.-ele disse por fim, eu não passaria de hoje. Minha mãe olhava para ele como se pedisse misericórdia, mas como ele acabou de dizer, isso não era da natureza de um Comensal.
Eu daria qualquer coisa para ter Hermione em meus braços outra vez, tudo. Mas agora eu tinha a certeza de que isso não seria possível. Ele retirou sua varinha do bolso, sorriu maliciosamente e apontou a varinha diretamente para mim. Ainda tinhas esperanças de que seria para meu pai, mas não seria justo com ele pagar pelos meus erros, mas nada naquele lugar era justo.
Respirei fundo, tentei pensar no pensamento mais feliz e forte que eu tinha, o meu primeiro beijo com Hermione, era tão forte que seria capaz de produzir um Patrono. Vi que os lábios de Voldemort se abriram, ele ia pronunciar o feitiço.
Olhei para minha mãe e disse adeus, mas nenhum som saia de minha boca, fechei os olhos com medo da morte.
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