Dramione - Side Effect
48 Você faz parte dessa "escória". Nasceu dela.
Notas iniciais
Por um segundo egoísta, pensei que nada podia ser pior que ter de me equilibrar naquele fiapo de madeira, no escuro, acima das nuvens, a centenas de metros do chão, com o vento gelado castigando meu rosto, empurrando meu corpo para fora do tênue centro de gravidade que eu havia lutado tanto para encontrar. Então, lembrei-me de Gina e Draco, lembrei-me do sonho com Lily; fechei os olhos, engoli o medo e apertei ainda mais a cintura de Harry.
Começamos a desacelerar e ele virou para a direita, depois, inclinou-nos levemente para a esquerda. Percebi que estávamos voando em círculos, então, tirei a varinha do bolso com cuidado e respirei fundo. Num minuto, não havia nada abaixo de nós, a não ser nuvens e copas árvores, no outro, o ar pareceu ondular e as torres da Mansão Malfoy ficaram visíveis.
Harry mergulhou sem exitar, numa descida vertiginosa que pareceu durar eras. Meus pés roçaram o telhado quando nos aproximamos da construção. E vi quatro capas pretas desabarem praticamente ao mesmo tempo no terraço. Então, Gui, Carlinhos, Olívio e George passaram por nós voando em formação. O menino que sobreviveu acelerou ainda mais e quando achei que nos chocaríamos com o calçamento de mármore, alinhou a vassoura e firmou os pés no chão.
— Você está um pouco pálida! — Luna disse enquanto descia da garupa de Angelina, que havia parado logo ao nosso lado.
Não me preocupei em responder. Também não queria correr o risco de abrir a boca e colocar todo o conteúdo do meu estômago para fora.
— Tomem cuidado. — Harry alertou ao tirar a Capa da Invisibilidade de dentro do casaco e atirar para mim.
— Nos encontramos lá embaixo.
Angelina virou-se para acenar pra nós no exato momento em que uma maldição cortou o céu e acabou passando a centímetros do ombro esquerdo da garota. Quando registrou o que tinha acontecido, ela empalideceu, mas mesmo assim, virou-se na direção que o feixe de luz tinha vindo e empunhando a varinha com determinação, voou a toda velocidade.
Feitiços começaram a iluminar o céu por entre as nuvens escuras, como relâmpagos multicoloridos em uma tempestade. De repente, parte do telhado ao nosso lado explodiu, destruído por um feitiço errante.
— Vão! — Harry gritou ao dar impulso na vassoura.
A batalha tinha começado.
Joguei a capa sobre Luna e me enfiei embaixo dela também, entrelaçando o braço com firmeza no da loirinha. A nossa frente estava uma gigantesca porta toda em ferro batido trabalhado e vidro fumê. Mas com uma maçaneta relativamente simples. Luna levantou a varinha.
— Alorromora!
Girei a maçaneta com cuidado, a porta de vidro não estava mais trancada. Descer a escada tão próxima a Luna e debaixo da capa, sem fazer barulho, foi mais difícil. Mas o corredor abaixo da torre parecia totalmente vazio, o que fez meu corpo se arrepiar. Por isso, decidi que era melhor diminuir a velocidade das passadas.
— Isso não ‘tá muito fácil pra você? — sussurrei para Luna.
A loirinha não tirou os olhos do espaço à nossa frente, mas balançou a cabeça em concordância. Nem mesmo a proteção do feitiço da capa estava fazendo eu me sentir mais segura. Havia muitas portas dos dois lados do corredor e eu tinha a impressão que, a qualquer momento, uma delas iria se abrir e revelar um comensal.
Luna me puxou para a esquerda no fim do corredor e não discuti. Ela parecia muito concentrada, e eu não era a única com péssimas lembranças daquele lugar. Quando nos aproximamos da segunda escada, finalmente, comecei a escutar os ruídos. Senti meu coração acelerar. Comensais corriam de uma lado para o outro, lançando maldições pelas grandes janelas de vidro, em direção ao céu escuro. Levantei o pé para descer o último degrau, mas Luna me segurou no lugar.
— Hermione, prometa, por favor, que aconteça o que acontecer você não vai sair debaixo dessa capa.
— Eu não vou. — Havia um plano e eu o seguiria até o último instante. — Já prometi. Por qu-
Percebi que Luna não estava olhando para mim, mas para o fim do corredor. Só que ela também estava atenta aos meus movimentos, porque aumentou o aperto no meu braço quando acompanhei seu olhar. Demorei dois segundos para reconhecer o comensal que o acompanhava e, quando o nome dele finalmente acendeu na minha mente, entendi e agradeci por ela estar me segurando. Ainda no Instituto, Gui nos fez prometer que não nos envolveríamos na batalha. Nosso trabalho era encontrar Gina e tirá-la de lá em segurança. E pouca coisa no mundo poderia me desviar daquela tarefa. Mas a visão de Dolohov arrastando Draco em meio a batalha não era uma coisa que eu havia considerado.
O inchaço no rosto havia diminuído, os roxos estavam começando a amarelar nas beiradas e, apesar de ele ainda segurar as costelas com a mão, já não havia sangue entre os dedos. Mas ele ainda estava bastante machucado. Dava para ver que o loiro estava se esforçando para caminhar. Dolohov não parecia satisfeito com a velocidade em que estavam se movendo. Fiz menção de me mexer e Luna cravou os dedos na minha pele.
— Luna, aquele é o homem que-
— Matou Remo Lupin. — ela completou em um tom de voz duro como pedra. — Eu sei, Hermione. Acha que não estou usando todo o meu autocontrole nesse momento?
— Luna… — supliquei, quando eles se aproximaram.
Draco, que segundos antes olhava fixamente para frente, inclinou levemente a cabeça na minha direção, uma pequena ruga vincando a testa machucada. Por alguns milésimos de segundo, as íris azul-acinzentadas encontraram com as minhas, castanhas. E eu quis desesperadamente que ele pudesse ter ficado ciente do momento.
— Pra onde está me levando? — Draco exigiu saber.
— Não ouviu da primeira vez? Seu pai e seu tio exigem a sua presença.
Luna e eu trocamos um rápido olhar e isso foi suficiente para que soubéssemos que estávamos de acordo, conectadas na mesma conclusão, e começássemos a nos mover.
— Apenas me diga onde eles estão e eu vou sozinho!
— Ótima tentativa. — Dolohov deu um puxão na camisa do sonserino, fazendo-o se desequilibrar. Pude ver a lateral do rosto dele se contrair de dor.
— Como é que eu iria fugir, seu idiota? Vocês estão por todos os lados e eu não sou exatamente uma pessoa que passa despercebida.
— Da mesma maneira que eles chegaram, voando. — A sombra de um sorriso coloriu os lábios de Draco. Então, Dolohov levou a outra mão ao colarinho dele e começou a levantá-lo do chão. — Foi você quem disse a eles. Contou aos nossos inimigos qual a melhor maneira de nos atacar.
— Eles são espertos... o suficiente... para descobrir... sozinhos.
A frase saiu sufocada, dolorida. E foi como se eu também estivesse sufocando. Senti uma lágrima escapar e rolar pela minha bochecha. Luna apertou a varinha até os nós dos dedos ficarem brancos e eu soube que ela estava tão desesperada para livrá-lo das mãos daquele homem quanto eu. Mas Gina estaria onde Rodoldo e Lucius estivessem e Dolohov estava nos levando diretamente para ela.
Dolohov soltou Draco, que gemeu de dor quando bateu com os pés no chão. Assim que ele conseguiu se equilibrar um estrondo fez tudo tremer. O comensal que estava na janela quase ao nosso lado jazia caído no chão em uma posição estranha, tinha sido atingido e jogado contra a parede oposta. Uma vassoura passou a toda velocidade lá fora e os dois homens se precipitaram até a janela, bloqueando parcialmente o meu campo de visão. Com a pouca luz que saía pelas vidraças estilhaçadas, consegui apenas o vislumbre de cabelos ruivos muito desgrenhados. E cada fibra do meu corpo ficou alerta, ansiosa por notícias do que estava acontecendo nos jardins.
— Esse desgraçado não deveria estar morto? — Dolohov urrou, sacudindo Draco mais uma vez. Ele levantou o punho em riste e eu cravei as unhas na palma da mão, tentando me manter parada. Não sabia até quando conseguiria assistir aquilo sem fazer nada. Então, o comensal deixou o braço cair ao lado do corpo. — Vou deixar isso pro seu pai. Ele está mesmo precisando descarregar a tensão. Vamos logo.
Ouvir aquilo encheu minha boca com o gosto amargo da ira. Nunca odiei alguém, mas Lucius Malfoy tinha atingido um novo patamar na escala do desprezível e eu começava a rever meus conceitos. Inspirei uma grande quantidade de ar tentando me acalmar e clarear minha mente, quando Luna me cutucou. Eles tinham começado a caminhar de novo. A cada passo, a expectativa crescia, tomando conta do meu peito, tornando a respiração difícil. Quando avistei a escadaria de mármore, meu corpo começou a tremer. Eu me lembrava de pouco do que havia lá embaixo, mas mesmo o pouco era suficiente para me fazer vacilar. Agarrei a mão de Luna e percebi que estava tão pegajosa de suor quanto a minha. Ela era tão firme e serena, que eu precisava ficar lembrando a mim mesma que esse não era um cenário agradável para a loirinha também.
— Pela Gina. — ela sussurrou baixinho, quase que para si mesma.
— Pela Gina. — repeti tentando encontrar a coragem que precisava para descer aqueles degraus.
A sala parecia crescer ao nosso redor conforme avançávamos escada abaixo. Era intimidante e claustrofóbico. Eu quase podia ouvir a risada estridente de Bellatrix ecoando pelas paredes de pedra e madeira. Sufoquei o medo histérico dentro da minha mente. Eu não tinha tempo para lidar com a lembrança naquele momento. Draco e Dolohov iam em direção à uma grande porta dupla à esquerda do cômodo. Se ficássemos para trás, não ia ter como entrar sem sermos vistas. Por isso, puxei Luna mais depressa. O homem soltou Draco para segurar as maçanetas e o sonserino apoiou-se desajeitadamente na madeira, abrindo as portas e mantendo-as assim por tempo suficiente para passarmos.
Estávamos em uma sala de jantar, onde uma mesa gigantesca ocupava boa parte do espaço. Devia acomodar facilmente umas 50 pessoas, apesar de algumas cadeiras estarem faltando. Os dois lustres que pendiam acima do tampo estavam apagados e a única luz no ambiente vinha da lareira. Lucius e Rodolfo sentavam-se na ponta direita, o primeiro notadamente mais preocupado e inquieto que o segundo. Mas Gina não estava com eles. Senti a mão do desespero fechar-se em torno do meu pescoço.
— Finalmente. — Lucius gruniu, diante da visão do filho.
— O que seu pai quis dizer, é que estávamos aguardando ansiosamente por você. — Rodolfo disse ao se levantar e caminhar em direção a Draco. Ele rodava a varinha preta de pilriteiro e pelo de unicórnio do sonserino entre os dedos da mão. — Examinamos a sua varinha.
O sonserino ofereceu um sorriso de escárnio ao tio, antes de responder.
— A surpresa que proporcionei não foi agradável? Desculpe, Rodolfo. Não era a minha intenção.
— Oh, pelo Lord das Trevas. Não, não. Seus amiguinhos chegaram aqui mais cedo do que imaginávamos e de uma maneira um tanto engenhosa, admito. Mas não é nada com que não possamos lidar.
A gargalhada inesperada de Draco me fez pular. E o fato de ela ter sido sufocada por um ataque de tosse só tornou tudo ainda mais assustador. Ele se apoiou na mesa enquanto recuperava o fôlego antes de encarar Rodolfo mais uma vez.
— Esse seu senso de humor ainda vai acabar me matando. — Cada sílaba estava carregada de ironia. — Essas pessoas chutam o traseiro desprezível de vocês ano após ano desde antes de eu nascer. São só crianças e estão acabando com a sua escória de novo.
Não sei se ele não antecipou o golpe, não teve forças para tentar se proteger, ou se simplesmente não se importava mais. Mas Draco não fez um mínimo movimento para escapar quando Rodolfo o socou. O punho do comensal atingiu em cheio o rosto dele, bem onde o inchaço tinha começado a diminuir. Vacilei, pensando em como agir, por meio milésimo e esse tempo foi suficiente para que Luna me puxasse para debaixo da mesa, com os braços firmes em volta de mim.
— Hermione, por favor.
— Prometi que tiraria Gina daqui, mas não posso simplesmente assistir ele morrer. Luna…
Tentei manter minha voz o mais baixa possível apesar da raiva. Será que ela não conseguia entender?
— Você não vai. Eu prometo, não vai.
Desviei o olhar para as chamas. Não conseguia encarar as íris azuis tão puras e maternais de Luna. Havia muito ódio em mim no momento. E foi quando a vi. Escondida na penumbra atrás do pórtico da lareira. Sentada no chão, com o tronco apoiado na parede e as mãos pousadas de modo protetor sobre a barriga. Minha respiração ficou suspensa assim que percebi que Gina não estava se mexendo. Apontei para ela, querendo chamar a atenção de Luna, mas com medo de confiar na minha voz.
— Oh, Merlim. Obrigada! — Ela suspirou. E percebi que apesar de imóvel, a ruivinha estava respirando.
— Precisamos ir até lá. — Disse já me movendo, mas Luna segurou meu braço.
— Não vamos caber as três embaixo da capa.
Nossos olhares se encontraram. E percebi que essa não era uma constatação atual. Ela sabia disso desde o começo e ainda assim se ofereceu para vir. Sendo bem sincera, eu também sabia, e a deixei me acompanhar. Diante disso, eu não precisei pensar muito para saber qual era decisão certa a tomar. Além do mais, Draco era minha responsabilidade, não dela.
— Você vai… com a capa. Tira a Gina daqui. Vou tentar ganhar tempo pra vocês.
— Não! Hermione… — o desespero estampado no rosto de Luna era assustador.
— Você consegue.
— Não é isso. Não posso deixar voc-
Mas a voz de Lucius a interrompeu.
— Lembre-se, Draquinho, que você faz parte dessa escória. Nasceu dela e tem o símbolo dela marcado na pele.
— Eu não escolhi nada disso. — a voz de Draco tremeu.
— Ah, por favor, me poupe desse discurso. — Lucius gritou. E pelo barulho da cadeira sendo arrastada, ele agora estava de pé. — Isso não vai nos levar a lugar algum, Rodolfo. Continuar batendo nele é inútil.
— Eu estou acostumado demais para me importar, certo? — Luna tampou a minha boca com a mão, mas a sombra nos olhos azuis dela provava que estava tão indignada quanto eu. — Papai...
— Tudo bem. — Rodolfo soou nada mais que entediado. — Traga a garota, Dolohov.
Uma lágrima solitária escapou dos olhos de Luna, um pedido de desculpas. Então, ela tirou a capa de cima de mim e desapareceu. Dolohov começou a caminhar ao longo da mesa, pisando firme. Quando ele chegou à ponta no móvel, prendi a respiração e apontei a varinha para o fogo na lareira.
— Engorgio.
As chamas se avolumaram e saltaram para fora do espaço confinado de pedra. O homem tropeçou para trás tentando escapar, mas sua capa tinha sido atingida. O fogo subia rápido pela lateral do tecido preto, enquanto ele se contorcia e tentava desabotoar a vestimenta no pescoço. Espiei e, finalmente, Gina não estava mais lá.
— Aquamenti! — a voz enfadada de Lucius balbuciou.
Um jato d’água apagou a lareira, atingiu Dolohov e o homem bufou. Os cabelos pretos chamuscados soltando pequenas espirais de fumaça.
— Maldita traidora do sangue. — ele voltou a avançar. — Onde ela está?
— O que você quer dizer com “Onde ela está?” — Rodolfo rosnou.
Lucius chutou a cadeira em que estivera sentado e a fez deslizar pelo piso de tábua corrida até tombar com um estrondo. O barulho ecoou, preenchendo o ambiente e retumbando nos meus ouvidos. A sensação diante do silêncio que se seguiu foi quase esmagadora. Como se o ar tivesse ficado mais denso, pesando sob os meus ombros e me impedindo de respirar. Eles já sabiam que havia mais alguém ali.
— Potter, Potter, Potter. — o murmúrio repentino de Rodolfo fez com que meu corpo se arrepiasse. — Acredita mesmo que vai conseguir deixar esta sala?
Apoiei-me nos pés, agachada e pronta. Podia sentir cada entalhe da varinha contra a palma da minha mão e ouvir meu coração batendo contra as costelas. Precisava escolher qual deles atacar primeiro e agir a partir daí. Os três representavam um grande perigo em batalha. Nenhum deles sequer hesitaria em nos matar. Só que Dolohov não era lá muito esperto. E Lucius com certeza fugiria ao primeiro sinal de derrota. Restava Rodolfo, que além do mais estava com a…
— Expelliarmus!
Joguei-me para fora da mesa, na direção de Draco, antes mesmo de finalizar o raciocínio. Não posso dizer que realmente mirei, por pura sorte, o feitiço acabou atingindo Lestrange e, de quebra, jogando-o contra Lucius. As duas varinhas que ele segurava voaram através da sala. Draco me ofereceu a mão, junto de um sorriso orgulhoso. Mas não tive tempo de retribuir, pois Dolohov já nos atacava do outro lado da mesa.
— Avada Kedavra!
— Protego!
O homem tentou aproveitar o instante de duração do escudo para chegar até as varinhas. Mas, antes de ele dar o segundo passo, foi jogado para trás por um jorro de luz vermelha que surgiu do nada. Uma das varinhas desapareceu de vista e a do sonserino deslizou na nossa direção. Draco agarrou-a com rapidez e eu não consegui segurar uma gargalhada nervosa.
— Fique atrás de nós. — falei. — E não ataque de novo, pode denunciar sua posição.
— Olá, Harry. — Draco cumprimentou de forma casual.
— Luna. — respondi, orgulhosa e ele sorriu de novo.
— Melhor ainda. — Brincou.
— Crucio. — Lucius estava novamente de pé tentando nos atingir.
— Protego!— gritei
— Sectumcempra!
O feitiço de Draco veio carregado de ressentimento e atingiu de raspão o braço direito de Lucius. Ele urrou e levou a mão oposta ao ferimento, por onde brotava uma grande quantidade de sangue.
— Bombarda máxima.
A porta explodiu completamente ao ser atingida. E comemorei comigo mesma, feliz porque não havia mais nada nos impedindo de sair. Até ficar ciente dos gritos e perceber que alcançar a escada exigiria muito mais empenho.
A batalha tinha chegado ao interior da casa.
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