Dramione - Side Effect

49 Eu te amo, Draco Malfoy


Notas iniciais
Oi pessoas... Como passaram a semana!? Todo mundo comeu muito chocolate?! Espero que tenha sobrado um pouco para vocês consumirem durante a leitura desse capítulo TENSO! :O Gostaria de agradecer a Maris pela LINDA recomendação, que me fez chorar. Volto a repetir, a sorte é de Side Effect por vc ter nos descoberto! O capítulo é para você!

Por alguns instantes, pareceu que eu estava na Batalha de Hogwarts outra vez. Com capas pretas disparando maldições para todos os lados. E a Ordem espalhada no meio do caos, combatendo três, quatro deles de uma vez. Um comensal alto e esguio surgiu de repente, no alto da escadaria. Molly estava de costas para os degraus, concentrada em seus oponentes. Escutei o grito de Gina, vindo de algum lugar à minha direita. Mas o feitiço dela chegou atrasado e atingiu apenas a parede. O homem já havia despencado pelos degraus.

Foi quando eles surgiram: primeiro veio Harry, seguido de perto por Olívio, Carlinhos, Gui, George, Angelina e Ronald. Eles pairaram acima de nós, executando manobras evasivas e dando trabalho para os comensais que, agora, também precisavam duelar com os membros da Ordem que estavam no alto. Respirei aliviada e me dei ao luxo de olhar ao redor e fazer uma contagem rápida. Hagrid, Arthur, Fleur, Molly, Narcisa, Percy e Neville. Estavam todos lá, inteiros, quase intactos.

O estrondo do escudo sendo atingido pelo raio verde me despertou para o perigo da realidade ao meu redor e forcei-me a ficar concentrada. Olhei para Draco, mas ele meneou a cabeça para o espaço vazio ao seu lado, onde Gina e Luna deveriam estar. Se continuassem a disparar daquele jeito, logo elas seriam notadas.

— Tira ela daqui, Luna. — gritei sem tirar os olhos de Lucius e Rodolfo, que viam diretamente para nós.

— Sua sangue-ruim, imunda. — O homem de cabelos loiro-prateados bradou, com a varinha apontada diretamente para o meu rosto. — Eu vou te ensinar o que significa respeito.

Avada Kedavra!— Draco atacou o pai, colocando-se na minha frente.

Estupefaça! — Atirei por cima do ombro dele.

Protego!— O loiro bloqueou mais uma maldição e me olhou de esguelha. — Estupefaça, sério, Hermione?

— Não dá para sair do lugar. Não pelo chão. — Escutei a voz trêmula de Gina, o que fez meus olhos se encherem de lágrimas. Draco não ia precisar pedir de novo.

Accio Nimbus. — Meu namorado sussurrou.

— Não vai funcionar! — Lucius desdenhou ao murmurar um contra-feitiço.

Sectumsempra!

Ataquei ao mesmo tempo que Lucius atacou de volta. Ergui a varinha já sabendo que não conseguiria criar um escudo a tempo. Mas a proteção surgiu na nossa frente, de novo. Estava pronta para dar uma bronca em Gina e/ou Luna, quando Narcisa parou ao meu lado.

— É claro! — Lucius desdenhou, enquanto lançava mais uma maldição. Narcisa apenas fez um movimento de ombros e saiu da linha de fogo. — Eu devia ter desconfiado.

— Eu fiz tudo por você. — Ela devolveu o feitiço de modo acusatório. — Nosso filho arriscou a vida por você.

— Seu filho! — Ele bradou. — Ele não merece o nome que carrega.

A bruxa rechaçou mais um ataque com um aceno de varinha.

— Por que? Por que tem a coragem e a honra que você nunca teve?

A maldição da morte de Narcisa passou tão perto que fez os longos cabelos de Lucius balançarem.

— Ele envergonhou a linhagem. Se aliou a traidores do sangue. Pelo Lord das Trevas, Narcisa, ele está apaixonado por uma sangue-ruim.

Ao dizer isso, Lucius surpreendentemente parou de atacar a esposa e ficou imóvel, como se tivesse sido atingido por um feitiço paralisante. Eu sempre soube que se relacionar com aqueles que não eram puro sangue era motivo de vergonha para os Malfoy. Mas, até aquele momento, nunca tinha me dado conta do quanto. Quando Lucius disse aquilo em voz alta, foi como se a realidade, finalmente, o atingisse. E a realidade era pior que qualquer maldição. O filho de Lucius Malfoy era um traidor do sangue.

— Hermione Granger é a bruxa mais incrível que você nunca terá a chance de conhecer. — A mulher disse em tom brando, mas firme. — E eu não poderia querer outra pessoa, imaginar alguém melhor, para nora.

Então, ela disparou. Narcisa não disse as palavras, mas todos sabíamos o que aquele jorro verde significava. Lucius não tentou bloqueá-lo, estava abismado demais com o que tinha dito e escutado. E eu tive a impressão de que, diante daquelas revelações — que iam contra tudo o que ele sempre acreditou, na contramão do que defendeu durante toda a vida — ele preferiu abraçar a morte.

Uma lágrima solitária cortou o rosto austero e perfeito de Narcisa Malfoy quando o corpo inerte do marido atingiu o chão. Mas ela manteve a expressão firme. O choque de Rodolfo, por outro lado, passou rápido. Ele resgatou a varinha junto ao corpo de Lucius e atacou a cunhada, ajudado por Dolohov. Dei um passo à frente, eu também tinha contas a acertar com os dois. Só que Draco segurou meu braço.

— Pegue as meninas e saia daqui. — Ele disse sem olhar pra mim. Os lábios comprimidos em uma linha fina, os olhos brilhantes com as lágrimas que ele se esforçava para não deixar cair. Apesar de tudo, aquele era o pai dele.

Estiquei-me e depositei um pequeno beijo em sua bochecha. Ele fechou os olhos por um segundo e suspirou.

— Vai.

Olhei para o lado e para trás, tentando imaginar onde elas estariam, procurando por uma rota de saída. Não havia dado nem três passos em direção a escada quando uma maldição, desviada por Fleur, atingiu o teto e ele desabou em uma cachoeira de madeira, tijolos e poeira sob os degraus.

— Droga! — Dei um giro de 360° estudando a sala mais uma vez. Com os feitiços de proteção que nos impediam de aparatar, só restava um caminho: a porta da frente. O que significava atravessar toda a batalha. — Não dá! — Quase chorei. — Não pelo…

Não pelo chão. Repeti a frase de Gina para mim mesma e apontei a varinha para o alto.

Periculum!

Funcionou, as faíscas vermelhas chamaram a atenção de Olívio, Harry e Angelina. Mas o ex-capitão do time de Quadribol bloqueou o caminho do menino que sobreviveu e eu não precisei ouvir as palavras para saber o que eles estavam dizendo. Aquela era a outra parte do plano de Gui. Harry deveria ficar no ar o tempo todo, onde se movia mais rápido, onde podíamos defendê-lo com mais facilidade. Ou seja, onde seria mais difícil para os comensais capturá-lo. Angelina e Olivio pousaram ao meu lado.

— Preciso que tirem Luna e Gina daqui.

A loirinha se materializou entre nós e o rapaz quase caiu da vassoura de susto.

— Peguem a Gina, eu fico. Vai ser mais fácil proteger ela e Angelina se o Olívio estiver sozinho na vassoura. — Luna disse, incisiva.

O alerta não teria servido de nada se tivesse vindo de outra pessoa, não com o barulho de coisas explodindo e pessoas gritando que enchia o ambiente. Mas eu poderia distinguir a voz de Draco em meio a qualquer coisa. Por isso, não perdi tempo tentando descobrir de onde vinha a ameaça, apenas criei o escudo. Quando percebeu o que eu estava fazendo Luna tentou imitar o gesto, mas não teve tempo. Uma espécie de vento jogou todos nós para fora da linha de fogo. Caímos meio amontoados perto da parede. Gina, visível, entre nós. A Capa da Invisibilidade tinha se perdido no meio da confusão.

Luna estendeu a mão para Gina e ela se levantou de forma dolorosa e lenta. Estava meio curvada e mantinha a mão livre sobre a barriga. Também estava pálida como um fantasma. Um pequeno fio de sangue escorria do lábio inferior, aberto. Havia grandes manchas escuras sob os olhos, que estavam fundos e parados. A expressão era vazia e cansada, como se a esperança dentro dela tivesse morrido. Eu só tinha visto aquele olhar uma outra vez na vida. E foi no espelho, logo depois de Bellatrix me torturar.

— Estão levando a garota. — Um dos comensais gritou, assim que ela ficou completamente de pé.

No instante seguinte, todos os encapuzados próximos a ele voltaram suas atenções para nós. Olívio, Angelina e Luna juntaram-se a mim numa barreira protetora em frente à Gina. Pelo canto do olho, vi que Arthur lutava para tentar se aproximar de onde estávamos. Mas foi Neville quem chegou até nós primeiro. Ele atirou o oponente que enfrentava através do salão e se colocou ao lado da loirinha.

— Vocês precisam voltar lá pra cima. — eu disse para Angelina e Olívio, constatando o óbvio.

— Estou aberto a sugestões. — Olívio retrucou zangado, enquanto bloqueava um ataque pelo lado esquerdo.

— Acha que Gina consegue voar sozinha? — ele dirigiu a pergunta para Luna, mas foi a própria Gina quem respondeu.

— Voar me parece uma opção muito melhor que andar ou correr, no momento.

Soava como a voz de Gina, mas não tinha a mesma força. Olhei para trás por um segundo. A ruiva estava ainda mais curvada sobre si mesma e agora segurava a barriga com as duas mãos. Os olhos fechados com força e as narinas dilatadas me diziam que ela estava tentando controlar a dor. A imagem da garotinha ruiva de olhos verdes brilhantes, com seu sorriso cheio de covinhas, começou a se apagar diante dos meus olhos.

— Harry!

Gritei ao disparar mais faíscas vermelhas em direção ao teto. Não dava mais para seguir o plano, íamos ter que improvisar. Procurei ao meu redor, as vassouras de Angelina e Olívio estavam há apenas alguns passos.

Accio!

Agarrei a madeira com força e ergui os olhos para encontrar Harry já com os braços em volta de Gina. O restante do pessoal continuava voando de forma errática acima de nós desviando dos feitiços que ricocheteavam e atacando os comensais quando tinha chances. Passei uma das vassouras para ele, que ajudou a namorada a montar. Gina fechou a mão com tanta força em volta do cabo, que os nós dos dedos ficaram brancos e o meu coração perdeu uma batida.

— Harry… — Neville ofegou, sem tirar os olhos da batalha. — Use a formação e a mantenha no centro, coloque alguém acima e abaixo dela. Vou dar um jeito de abrir a porta da frente. Olívio, Angelina. — Ele continuou com as orientações. — Eles vão precisar de vocês.

Olhei para a única vassoura nas minhas mãos, depois para os ex-jogadores que ainda combatiam os comensais. Meus olhos encontraram os de Harry e ficou claro que ele havia seguido meu raciocínio.

— Vocês vão, eu fico. — Disse já descendo da própria vassoura.

— Nada disso. — Quase gritei. — Geminio!

A vassoura tremeu e produziu uma cópia idêntica dela mesma e eu as distribui.

— Você vai sair daqui com a sua mulher e a sua filha, Harry Potter. — Minha voz estava embargada. Saiu engasgada pelas lágrimas e pelo desespero. — Não vai parar, não vai sequer olhar pra trás até terem chegado ao Instituto. Está me entendendo?

Harry me encarou. Havia tanto a ser dito em seus olhos verdes que eu quase deixei que ele o fizesse. Mas isso ia acabar destruindo a minha convicção. Por isso, balancei a cabeça em negativa enquanto o encarava de volta com a maior determinação que consegui reunir.

— Quando eu der o sinal. — Neville avisou em seguida, sem dar chance para o amigo protestar. — Luna, Mione... O que acham de deixarmos alguns comensais cegos por alguns segundos?

— Não dá para ser, tipo, pra sempre?!

A loirinha perguntou aquilo de forma tão serena e simples que Neville se permitiu rir da brincadeira antes de gritar.

— AGORA! Confringo!

Lumus Solem! — dissemos as duas ao mesmo tempo.

Houve um barulho ensurdecedor de madeira se partindo e pedra rachando. O problema é que não foram só os comensais que ficaram momentaneamente cegos. Mesmo depois que o feitiço acabou, durante cerca de quinze ou vinte segundos, tudo o que eu conseguia ver era uma intensa luz branca. Eu tinha uma vaga noção de onde estavam meus companheiros na sala, mas resolvi não arriscar. Até que uma voz urgente chamou meu nome.

— Hermione!

Procurei por Narcisa e vi que Draco estava dobrado sobre si mesmo aos pés dela, que lutava com Rodolfo e Dolohov ao mesmo tempo.

Nunca imaginei aquelas palavras saindo da minha boca. Torci muito para que esse dia nunca chegasse, mas a constatação do que tinham feito com Gina foi a gota d’água no turbilhão que eu vinha tentando represar dentro do meu peito. E eu não pensei nas consequências quando apontei a varinha para o peito de Dolohov.

Avada Kedavra!

Assisti, com a respiração presa, o raio verde cruzar o espaço entre nós. E mordi o lábio me preparando para o que viria em seguida. Mas o homem desviou meu ataque no último segundo. E quase agradeci por aquilo não ter dado certo. Antes que ele pudesse atirar de volta, um jorro vermelho voou na direção dele, e foi bloqueado com dificuldade. Luna, que lutava com as costas encostadas na de Neville, incluiu Narcisa na formação de defesa e criou um círculo em volta de nós.

Abaixei-me ao lado de Draco. Ele estava deitado sobre uma poça vermelha que não parava de aumentar, ao virá-lo vi que a ferida nas costelas tinha voltado a sangrar. Fiz pressão no ferimento e quase gritei de felicidade quando percebi que ele estava respirando. Draco abriu os olhos devagar e deu um pequeno sorriso ao me ver. O sonserino levou a mão à minha testa e senti uma pequena fisgada.

— Desculpe por isso. — Ele suspirou. — Era a única maneira de tirá-los do caminho.

Coloquei a mão sobre a dele e senti que minha testa estava sangrando. Devia ter acontecido quando fomos lançados para fora do caminho pela rajada de vento. E se ele estava se desculpando por aquilo, significava que ele é quem tinha nos afastado, nos protegido.

— Não… Não. Obrigada. Isso não é nada diante do que poderia ter acontecido.

Ele fechou os olhos por um tempo longo demais e eu comecei a me desesperar.

— Draco! Draco, por favor, fala comigo!

Ele não abriu os olhos, mas aumentou a pressão da mão no meu braço.

— Sabe o que te atingiu?

A resposta foi um pequeno aceno negativo. Mas a pressão no meu braço diminuiu de novo. Senti o desespero crescendo mais uma vez, tomando o espaço do ar nos meus pulmões, escurecendo minha visão, nublando meus pensamentos. Respirei fundo. Aquilo não era ideal mais ia ter que funcionar.

Vulnera Sanentur! — Murmurei com a varinha apontada para o ferimento. — Vulnera Sanentur! — O sangramento parou. - Vulnera Sanentur! — A respiração dele adquiriu mais força. — Vulnera Sanentur! — Então, ele finalmente abriu os olhos.

Desisti de segurar o choro e deixei a torrente sair. De repente, comecei a rir, descontroladamente. Draco se apoiou nos cotovelos e eu o abracei, rindo e chorando ainda mais. Ele me abraçou de volta e afundou o rosto nos meus cabelos, depois, inspirou bem fundo.

— Como senti falta do seu cheiro.

Um soluço escapou do meu peito.

— Eu te amo! — disse, simplesmente. Porque não encontrei nada mais forte, mais significativo, nem mais importante. — Eu te amo, Draco Malfoy.

Draco levou uma das mãos ao meu pescoço e encostou a testa da minha, enquanto olhava bem no fundo dos meus olhos. Meu sorriso aumentou ainda mais.

— Não. Eu amo você, Hermione Granger.

E me beijou. De repente, foi como se não existisse mais ninguém. Nenhuma batalha a ser vencida. Nem feitiços explodindo as coisas ao redor. Ou comensais querendo nos matar. Sentir o toque dos lábios macios dele nos meus de novo chegava a ser doloroso. Meu estômago se apertou quando a saudade reprimida finalmente se libertou. E meu coração parecia querer sair do peito.

— Sem querer atrapalhar, mas não seria nada mal ter uma ajudinha aqui! — a voz de Luna penetrou a nossa bolha particular.

Passei o braço de Draco ao redor dos meus ombros e o ajudei a se levantar. Mas eu era muito pequena para sustentar o peso dele e Neville logo tomou o meu lugar. Então, concentrei-me em Dolohov, que agora tinha um corte horrível na bochecha, como se uma navalha tivesse partido o rosto dele a partir da boca, aumentando-a e criando um lábio grotesco e sangrento. Rodolfo em compensação não exibia nenhuma arranhão. O grandalhão atirou no espaço entre nós, obrigando Narcisa e Luna a produzirem escudos. Então, Lestrange aproveitou o momento e apontou a varinha para cima disparando contra as vassouras em formação.

Notas finais
Só para registrar, quero muitas reviews... Vamos fazer justiça à história! Qualquer errinho, avisem a Titia. Bjos