Notas iniciais
Como prometido... aqui estou. Obrigado pelas lindas reviews! Continuem assim e pode ser que eu poste mais de uma vez por semana (chantagista, eu? Imagina!)

Acordei mais cedo do que as outras garotas, se é que podia mesmo dizer que havia dormido. Tive um terrível pesadelo em que Molly Weasley perdia a luta para Bellatrix Lestrange. Enquanto fazia minha higiene, a cena macabra invadiu novamente a minha cabeça. O raio verde de Bellatrix, ao invés de passar raspando por debaixo do braço da Sra. Weasley, a acertava em cheio no peito. E ela caia quase em câmera lenta na pedra fria que formava o piso do salão principal. Abri os olhos e balancei a cabeça espantando a lembrança, a temperatura parecia ter caído uns 10 graus dentro do banheiro e meu corpo se arrepiou em resposta. Percebi que seria exatamente assim se aquilo tivesse acontecido, se estivéssemos tocando a vida sem Molly — como se toda a ternura tivesse sumido do mundo.

Apressei o passo quando passei pelo buraco do retrato da mulher gorda e alcancei o corredor. Eu pretendia ir a ala hospitalar e ver como estava Malfoy antes de tomar café da manhã. Quando chegasse lá, provavelmente, ele ainda estaria dormindo, assim como todo o resto do castelo fazia no momento, e era exatamente por isso que eu estava saindo tão cedo. Não queria ter de explicar porque havia ido visitá-lo e, principalmente, não queria que ele soubesse. Mesmo porque, eu não saberia o que dizer.

Abri a porta da enfermaria com o maior cuidado que pude e caminhei quase na ponta dos pés até a cama, tentando não fazer barulho. Ao chegar perto da estreita cama de ferro batido, fiquei paralisada... Malfoy estava deitado de barriga para cima, as mãos atrás da cabeça. Um observador desatento poderia dizer que seu sono era tranquilo, mas o vinco profundo em sua testa dizia o contrário. Ele não estava inquieto, mas, com certeza, não sonhava com algo muito agradável.

Meus olhos correram de seu rosto para seu peito sem o meu consentimento, estudando o rapaz adormecido a minha frente, e vi que o edredom cobria apenas a parte inferior de seu corpo. A parte superior estava totalmente desprotegida, exposta. Malfoy estava sem camisa! Já era setembro, mas em alguns dias, o calor ainda era sufocante. Fechei a boca, que eu nem sabia que tinha aberto. O sonserino tinha o torso muito bem definido, os músculos trabalhados. E, meu Merlin, que abdome era aquele? Não podia ser obra só do quadribol. De repente, voltei a mim... Por que mesmo eu estava ali? O que eu diria se ele acordasse? Eu nem mesmo deveria me importar com o estado de saúde de Draco Malfoy para começar! Quanto mais despencar até a ala hospitalar para vê-lo… ou admirá-loisso descrevia melhor o que eu estava fazendo segundos atrás.

— Bom dia, Granger! – saltei para trás assustada, levando as mãos até a boca para reprimir um grito. Malfoy estava acordado? Há quanto tempo? Seus olhos azuis me encaravam com uma expressão entre confusa e divertida.

— Bo... bom dia, Malfoy. – gaguejei pateticamente, por ter sido pega de surpresa. – Só queria checar como você estava. Como está perfeitamente bem e voltou a falar, já vou indo. – disse, dando um passo para trás e me preparando para virar.

— Não! – ele praticamente gritou. – Fique. Ainda não agradeci pelo que fez na plataforma.

— Bem, de nada. Ainda não tenho certeza de porque fiz aquilo, mas está feito, então. – dei de ombros, tentando parecer casual. Eu estava sendo sincera, eu defenderia praticamente qualquer pessoa que estivesse apanhando injustamente. Talvez, exceto, Draco Malfoy, porque ele nunca apanhava injustamente. Exceto, dessa vez.— Por que você defendeu Harry afinal de contas? – perguntei sem cerimônia.

— Porque parecia a coisa certa a fazer...

Bem, eu estava realmente surpresa com ele pela terceira vez em menos de 24 horas. Draco Malfoy fazendo a coisa certa era algo que não se via todos os dias, quer dizer, era algo que não se via nunca. Acho que devia estar com os olhos muito arregalados. Percebendo a minha incredulidade e confusão, ele continuou:

— Eu realmente acredito em cada palavra do que disse naquela estação, Granger. Todos nós amadurecemos com a guerra. E vamos ser sinceros, já estava na hora de isso acontecer para mim. – ele sorriu com tristeza. – Potter não merecia ouvir aquilo. Mas em uma coisa o Weasley... – ele quase cuspiu o nome de Ron. — ...está certo. A culpa da morte de várias daquelas pessoas é minha. Especialmente a de Dumbledore. Eu fiz todas as escolhas erradas, mesmo que na época as justificasse com a desculpa de proteger minha família. Vocês também tinham famílias e, ainda assim, escolheram lutar contra Ele, porque sabiam que essa era a única maneira de realmente protegê-las.

Abri e fechei a boca mais vezes do que consegui contar. Não consegui formular uma frase coerente para retrucar. Estava abismada. Não sabia o que dizer. Será que aquilo tudo era verdade? Ele não tinha mais razões para mentir. Mas, as experiências do passado gritavam em alerta, dizendo que era muito cedo para confiar totalmente nele.

— Desculpe, mas você está errado, Malfoy. Se, na época, você realmente acreditava que ficar ao lado de Voldemort era a melhor maneira de proteger sua família, então, você não tem do que se envergonhar. — olhei para trás mais assustada com o fato de ele estar ali, do que pelo que ele dizia. De todos nós, Harry era o que mais havia perdido, sofrido e, mesmo assim, era o que melhor sabia perdoar. Um sorriso orgulhoso tomou meu rosto, enquanto eu o observava.

Harry e Gina estavam parados na porta da enfermaria, de mãos dadas, olhando para nós. Não sabia há quanto tempo estavam ali, o que eles tinham visto e escutado. Pela expressão de confusão no rosto de Malfoy, notei que ele também não fazia ideia.

— Nós realmente sentimos muito pelas atitudes do meu irmão. Sinceramente, às vezes acho que ele foi adotado. – Gina se manifestou, sorrindo amigavelmente.

— Obrigada. Mas eu acho que mereci aquele soco. Sabe… por todos esses anos de implicância e perseguição. – Malfoy respondeu. Depois olhou para mim e sorriu divertido. Corei até a raiz dos cabelos.

— Eu queria poder dizer que as coisas vão se resolver logo. Mas, não vai ser tão fácil assim.

— Gina, eu sei que Ron tem um gênio difícil, mas ele sabe reconhecer quando faz alguma besteira. – apressei-me em defender meu namorado, mesmo que sem muita convicção.

— Eu sei disso tão bem quanto você, Mione. Só que ver você e Malfoy juntos para cima e para baixo não vai ajudar. – disse Harry com tristeza.

Como? Por que, pelas cuecas de Merlin, Harry Potter achava que eu e Draco Malfoy iríamos “passear” juntos pelo castelo a partir de agora? Não era como se tivéssemos virado amiguinhos ou coisa assim. Indignada, abri a boca para responder, mas Gina foi mais rápida:

— McGonagall nomeou vocês dois monitores chefes, vocês terão que trabalhar como parceiros até o fim do ano letivo. – ela disse em um fôlego só e terminou com uma careta.

— Ah, antes que eu me esqueça, Simas pediu para avisar que você o está devendo uma, Mione. Por ele ter levado os primeiranistas para a torre da Grifinória. – completou, como quem comenta o tempo.

Minha boca, que já estava aberta, escancarou-se ainda mais. Onde tinha ido parar o bom senso de Minerva McGonagall? Aquilo significaria confusões e brigas semanais, se não, diárias. Além disso, se tivesse que me assistir trabalhar ao lado de Malfoy, Ronald não iria se arrepender daquela briga nunca e, principalmente, não iria pedir desculpas nem para ele e nem para mim. Droga, eu não sabia nem se ainda estávamos namorando...

Vendo minha expressão quase desesperada, Malfoy se apressou em dizer:

— Assim que sair daqui pedirei que ela troque as duplas, ou nomeie outro monitor para a Sonserina. Pode ficar tranquila, Granger.

— Ronald já sugeriu isso, Malfoy, em alto e bom som, durante o banquete de ontem à noite. Logo que ela fez o anúncio. Na verdade, ele também usou alguns termos e nomes que não vale a pena repetir.– respondeu Gina enfática.

Deixar Malfoy na ala hospitalar, avisar Madame Pomfrey e seguir direto para o dormitório, sem jantar, não tinha sido uma boa ideia afinal. Aparentemente, perdi toda a “diversão”. As coisas foram bem “animadas”, pensei sarcasticamente. Já imaginando que novidades encantadoras o dia de hoje nos reservava.

— E o que ela respondeu? – o sonserino questionou.

— Que a decisão já havia sido tomada e que estava mais que na hora da rixa entre as casas acabar. Que esta seria uma ótima oportunidade para exercitar a tolerância e o trabalho em equipe. Depois começou um discurso sobre a lição que deveríamos tirar da guerra e comportamentos inapropriados nesses tempos da paz. – a garota ruiva falou sem humor.

— Não seria justo você desistir da monitoria por causa do que o Ronald acha. E acredito que McGonagall deixou bem claro que não temos mesmo muita escolha, não é? – disse desanimada.

— Desculpe! – Malfoy falou olhando para o chão.

— Não me entenda mal, Malfoy. É que isso não vai ajudar em nada a situação. Ronald é muito... cabeça dura. – achei melhor não completar com ciumento, imaturo e turrão.

— E ele me culpa pela morte das pessoas que ele amava. – ele completou com uma expressão dura.

— Já disse para esquecer isso Malfoy. – Harry o censurou. – Além disso, vocês não estão sozinhos, vamos ajudar a lidar com o Ron. Mas, infelizmente, no momento, não há nada de extraordinário que possamos fazer.

— A não ser ir tomar café da manhã! – Gina disse voltando a sorrir e meu estômago roncou audivelmente, concordando com o que ela acabara de dizer. Fiquei vermelha da raiz dos cabelos até a unha do dedão do pé. Harry e Gina riram de meu estômago e de mim. Malfoy sorriu timidamente. Com meus amigos ainda gargalhando da minha cara, saímos em direção ao salão principal.

Notas finais
Será que já mereço uma recomendaçãozinha????