Dramione - Side Effect

20 Instituto Lílian Potter


Notas iniciais
Mais um, mais um, mais um!
Especialmente para Vector e Marcela Costa pelas belíssimas recomendações!

Vou parar de enrolar e deixar vocês aproveitarem...

Coloquei minha rosa branca junto com as outras, na jarra sobre o criado mudo ao lado da cama, e sorri para o arranjo. Depois do que presenciei na biblioteca, já sabia o que esperar quando entrei no salão principal, na terça de manhã. As pessoas nem mesmo tentaram disfarçar os olhares e sussurros. Foquei o lugar ao lado de Gina e Harry na mesa da Grifinória e caminhei dura até lá. Os poucos que me cumprimentaram com um “Olá” ou “Bom dia”, o fizeram totalmente envergonhados. Harry e Gina pareciam ainda mais desconfortáveis que eu. Encarei o prato durante quase todo o café. Até que Luna chamou meu nome. A mesma coruja negra do dia anterior estava pousada sobre a mesa, na minha frente. Dessa vez, ela trazia uma rosa branca no bico. Assim que estendi a mão, ela depositou-a na minha palma e levantou voo. Trouxe a flor até perto do nariz e esbocei um pequeno sorriso, um tantinho mais confiante do que quando desci para o café.

Todos os outros dias da semana começaram da mesma maneira. Com sussurros, olhares e, especialmente, rosas brancas. A cada flor, minha auto-confiança parecia se renovar. E enquanto atravessava o castelo da torre até a sala de Minerva para encontrar os outros e viajar até a Mansão Black pela Rede de Flu, percebi que podia caminhar de cabeça erguida. Todos já estavam na sala quando cheguei. E apesar de silenciosa, a recepção de Draco foi a mais calorosa — seu olhar carregado de significado.

- Estou aqui. — anunciei o obvio.

- Precisamos aguardar o sr. Weasley. — McGonagall anunciou. Gina, Harry e eu trocamos olhares preocupados.

- Ele não vai conosco. — Harry soou ríspido.

- Oh! Não. Ele vai ao Ministério encontrar os Aurores. — a bruxa respondeu. — Recebi uma carta de Percy ontem a noite. Eles sairão em caçada para tentar encontrar Theodor Notte e Blazio Zabini este fim de semana.

Ela não parecia nada satisfeita com isso. Mas Ronald era maior e havia sido convidado a estagiar no Departamento de Aurores.

Como se a menção de seu nome o tivesse transfigurado, Ronald surgiu na porta. Um sorriso indolente nos lábios.

- Cheguei. Podemos ir. — anunciou com insolência.

Draco revirou os olhos e se encaminhou para a lareira.

Enquanto Harry e Draco inspecionavam o que ainda precisava ser feito na mansão, eu e Gina saímos para ver o Dr. Augustus. Apesar de ter demorado pelo menos 30 vezes mais tempo, fomos de táxi. Não queria me arriscar aparatando, não fazia idéia de qual era a situação da saúde da ruiva. Várias grávidas aguardavam na recepção da clínica e vi Gina olhar encantada para algumas delas — as que estavam com a gestação mais avançada.

O médico ficou surpreso em me ver, especialmente sem a minha mãe. Mas assim que apresentei Gina, ele pareceu compreender a situação.

O Dr. Augustus fez milhares de perguntas à garota, que ficava mais vermelha a cada resposta. Quando ele pediu que ela se trocasse e colocasse o camisolão para ser examinada, achei que Gina fosse desmaiar. O médico possuía um aparelho de ultra-som em seu consultório, o que facilitou bastante nossa vida. Gina ficou extasiada em ver a imagem de seu minúsculo bebê na tela, mas acho que minha expressão era ainda mais abobada que a dela. Mesmo que a imagem não passasse de um borrão em tons de cinza.

- Bem, srta. Weasley. Acredito que a senhorita está grávida de três meses. Você e seu bebê estão fortes e saudáveis. — Dr. Augustus anunciou após o exame. — Mas, apesar disso, ainda há riscos devido à sua pouca idade. Nada de excessos e esforço físico está fora de questão, assim como ficar nervosa. — Gina assentiu obediente. — Estas são as vitaminas que você deve tomar para garantir que continue tudo bem com vocês dois. — ele completou estendendo uma receita para ela, que eu prontamente peguei.

- Não se preocupe dr. Augustus. Garantirei que ela cumpra todas as ruas recomendações.

- Tenho certeza que sim.

Ele se despediu de nós com calorosos apertos de mão e mais recomendações.

No caminho para casa, pedi que o táxi parasse em uma farmácia e comprei tudo o que o médico havia receitado. Harry andava de um lado para o outro no apertado corredor de entrada da mansão, a ponto de explodir de agonia. Quando cruzamos a soleira da porta, ele correu para Gina, que tinha os olhos rasos d’água.

- Ele é lindo. — ela sussurrou.

- Na verdade, ainda parece uma semente que começou a brotar. — eu murmurei brincando.

Meu afilhado não era lindo, ele era maravilhoso! Ela rolou os olhos e eu saí, deixando os dois a sós para conversar. Teria tempo para instruir Harry sobre os remédios e cuidados mais tarde.

Entrei na cozinha analisando o conteúdo da sacolinha da farmácia e fui surpreendida por Draco, que controlava a limpeza da lareira com a varinha. Parei a meio caminho da mesa, com um vidro de vitamina nas mãos. Ele me lançou um olhar curioso e eu dei de ombros. Deixando o serviço de lado, ele se aproximou.

- Eu poderia ter ido com você.

- Isso seria muito bom para o nosso plano de manter as coisas como estão e ir com calma.

- Como você está? — ele perguntou preocupado, ignorando o comentário sarcástico.

- Muito bem, ao que parece. Só as recomendações de sempre. — bem, isso era parte da verdade. — Não ter que escutar as fofocas sussurradas e encarar os olhares das pessoas me julgando ajudaria bastante.

- Sinto muito! Eu juro que poderia arrancar a cabeça do babaca do Weasley…

- Poderia, mas não vai! Não me importo com o que ele pensa. — disse, largando o corpo na cadeira mais próxima. — O que você estava fazendo?

- Limpando as cinzas acumuladas na lareira. Mas já terminei.

- Bem, acho que vou checar os quartos. Molly disse que fez as últimas compras, mas gostaria de checar se não falta nada.

- Vou com você. — ele anunciou assim que me viu levantando. — Pode precisar de ajuda e não é bom que faça esforço.

- Sabe que sou uma bruxa, não é? Meu maior esforço seria acenar algumas vezes com a varinha.

Ele revirou os olhos e seguiu para as escadas, pegando-me pela mão quando passou por mim.

Depois de arrumar as roupas de cama nos armários do corredor, pendurar as cortinas da sala de música, ajeitar a disposição dos novos sofás na sala de estar do segundo andar e dependurar alguns quadros que estavam guardados no sótão no corredor do terceiro andar, eu estava exausta. Bem, Draco estava exausto, já que não me deixou fazer quase nada. Sentei na poltrona florida da sala de visitas no térreo, de frente para o sofá onde Harry e Gina estavam abraçados. Draco parou no umbral da porta, ponderando se entrava ou não.

- Não fique aí parado Malfoy, venha se sentar. Você deve estar cansado. — Harry chamou.

Draco não disse nada. Apenas caminhou até nós e se recostou no braço da minha poltrona.

- Acho que está tudo pronto anunciei. A cozinha está abastecida, os quartos equipados, as salas com a nova mobília e as escadas reformadas e seguras. Podemos trazer as crianças amanhã, se Andrômeda quiser. — anunciei.

- Eu nem acredito. — admirou-se Gina. — Nem acredito que fizemos mesmo tudo isso.

- Mas nós fizemos. — comemorei.

Enquanto eu e Gina demonstrávamos nossa animação com o término da arrumação, Harry e Draco trocaram um olhar cheio de significado.

- Acho que merecemos uma comemoração. — Harry disse animado.

- Concordo. — Draco ajudou.

- Que tal torta de amoras? Aquela com bastante recheio. — Harry sugeriu lançando um olhar pidão à Gina. Sendo filha de quem era, não era estranho que fosse uma cozinheira de mão cheia.

- Droga. — ela reclamou. — Agora estou desesperada por uma fatia de torta de amoras. Isso é jogo sujo Harry.

- Acho que vi os ingredientes necessários enquanto arrumava a despensa. — Draco completou o discurso ensaiado. — Posso te ajudar se quiser, Weasley.

- Vamos logo. — ela disse se levantando de má vontade.

Assim que eles passaram pela porta, Harry pulou para o local onde Draco estava apoiado no braço da minha poltrona. Ainda estava me recuperando do susto quando ele me estendeu uma caixinha. O solitário de brilhantes que havia pertencido à Lílian destacava-se sobre o veludo preto.

- Por Merlin! Harry! Ela vai adorar!

- Você acha mesmo?

- Tenho certeza. Quando vai pedir?

- Esse é o problema. Desde antes da… bem, você sabe do que. Eu já queria dar isso a ela. Mas não sei como. Agora vai parecer que é por causa do bebê.

- Simplesmente entre lá e peça. Gina não é exatamente uma garota de cerimônias.

- Não. Precisa ser especial. Pensei que talvez…

- O baile beneficente! — exclamei. Ele confirmou com a cabeça em meio a um sorriso tímido. — Apenas me deixe saber o que e como quer e eu providencio. Harry! Isso vai ser incrível! Ela-

- O que significa isso, Ginevra?! — ouvi a inconfundível voz de Molly gritar da cozinha.

A cor do rosto de Harry sumiu!

- Quando foi que ela chegou? — me desesperei.

- Há uns dez minutos, vocês estavam lá em cima.

Ele parecia sem ar.

Corremos o mais rápido que conseguimos. E nos atropelamos através da porta da cozinha. Se eu não estivesse perto da parede, teria caído. Na mão direita, Molly segurava um dos frascos de vitaminas, na outra pendia a receita do Dr. Augustus. Sobre a mesa, na frente de Arthur estavam espalhados os outros vidros.

- Alguém pode me explicar o que significa isso? — ela exigiu assim que nos viu. Gina parecia petrificada, de pé, alguns passos à nossa frente, a meio caminho da mesa. Draco olhava de nós para Molly e Arthur procurando algo para dizer. — E nem tentem começar a me enrolar... eu posso não conhecer bem o mundo trouxa, mas eu sei ler. E isto... — ela balançou o franco em direção a nós. — … são vitaminas para grávida.

- Sra. Weasley… — eu comecei.

O horror tomou conta do rosto de Molly.

- Hermione?! — ela grasnou.

- Eu sinto muito. Nós íamos te contar…- continuei.

- Eu vou matá-lo! Onde ele está? — exigiu. — Ronald Bilius Weasley! — ela rugiu.

- Ele não está aqui. — Draco disse. — Mas isso não faz a mínima diferença.

Todos se viraram para olhar para ele. Meus ossos pareciam ter virado de gelatina.

- Draco… não… — comecei com a voz fraca.

- O que quer dizer com isso? — Arthur se manifestou ainda sentado.

Draco deu um passo à frente e respirou fundo, preparando-se para começar a falar. Harry estava tão atônito, que simplesmente assistia à cena, ainda na porta, sem se mover.

- Não há outra forma de dizer isso, então… — ele começou. — Hermione está… — ele respirou fundo.

- Essa parte nós deduzimos. — o sr. Weasley disse com tristeza, poupando-o do esforço. — Eu me referia ao que você disse sobre o meu filho.

Eu queria gritar, falar alguma coisa, tentar explicar, evitar que Draco tornasse a situação ainda mais embaraçosa e confusa. Mas a minha garganta havia fechado.

- Bem… a questão é que… ele não…- ele tentou organizar os pensamentos. — Isso não diz respeito ao seu filho, senhor. — disse por fim.

Escorreguei pela parede até atingir o chão. Draco correu para mim, preocupado.

- Hermione, você está bem?

Levantei a cabeça e vi que Gina chorava copiosamente. Balancei a cabeça negativamente e ele me ajudou a levantar, me levando para a mesa. Molly e Arthur olhavam para nós, atônitos.

- Mas Hermione é a namorada do MEU filho. — Molly suplicou. — Se… se... se ela está... Ronald é que é… Hermione? — ela olhou diretamente para mim e eu desviei o olhar, encarando minhas mãos. O que ela entendeu como uma resposta. A pior que ela poderia imaginar. — Como pode, Hermione? Você sempre foi como uma filha para mim. Ronald sempre foi louco por você.

Draco bateu com o punho na mesa, revoltado.

- A culpa não é dela.

- Como assim? Está dizendo que a obrigou?

- Arthur! — chorei.

- Por Merlin, Hermione... Eu esperava mais de você. — Molly soou extremamente decepcionada.

- Não ouse duvidar do caráter dela. — Draco gritou.

- Quer que eu aplauda o que fizeram, Malfoy? — a bruxa disse com sarcasmo.

- Chega. — Gina surpreendeu a todos com seu tom firme. Levantei a cabeça e seus olhos encontraram os meus. — Não é culpa da Hermione.

- Gina… — chamei.

- Você não tem que passar por isso, Mione. Não é justo. Não posso deixar que continuem te acusando.

- Ginevra Weasley, como ousa defender esta… esta…- Molly procurava uma palavra para me ofender.

- Essa o que mãe? A culpa não é dela. — Gina insistiu.

- Espere um minuto. Deixe-me ver se entendi. Por acaso está tentando dizer que o filho é sim do seu irmão mas ... — Arthur tentou colocar algum sentido em tudo aquilo.

- Não. — Gina chorou. — Não. Estou tentando dizer que quem está grávida sou EU. E que a pessoa que está ofendendo deixou todos pensarem o contrário para ME proteger. Estou tentando dizer, que a pessoa que está acusando tem aguentado todo tipo de comentário, fofoca, julgamento e olhares maldosos por MIM. E não vou deixar que diga mais nada contra ela.

- Gina… — Harry saiu de seu estado catatônico e caminhou até a namorada.

- Você? — Molly parecia em choque.

- Faz muito mais sentido. — Arthur comentou mais para si mesmo do que para nós.

- Se vão gritar, brigar e acusar alguém, é comigo que tem que fazer isso.

- E comigo. — Harry finalmente se pronunciou. — Não estou orgulhoso de mim mesmo. Sei que agi errado, primeiro sendo descuidado, depois deixando todos pensarem que era Hermione, mas isso acaba aqui. — decretou. — Acho que ninguém duvida do quanto amo Gina… — ele parou de repente desviando os olhos para minha figura encolhida na cadeira na ponta da mesa. — Se puderem nos acompanhar até a sala de visitas sr. e sra. Weasley, responderei a todas as perguntas que quiserem. Hermione não tem que passar por isso também, já basta tudo o que tem feito por nós.

Notas finais
Contem para a titia o que acharam!