Notas iniciais
Desculpe pessoal, Minha vida anda uma loucura nos últimos dias. Trabalho em uma cidade e moro em outra... então, às vezes chego exausta. Fora o tempo que eu demoro na estrada... Mas, finalmente estou aqui, com um capítulo novinho para vocês! Esse vai especialmente para a Samilly Lorraine, pela recomendação MARA! Sejam muito bem vindos leitores novos...

Verifiquei meu horário, tínhamos aula de Transfiguração a manhã toda com a Sonserina.

— O dia está ficando cada vez melhor! – disse irônica.

Gina e Harry levantaram as sobrancelhas em questionamento. Apenas mostrei o papel que tinha nas mãos. Gina gemeu e Harry soltou um suspiro cansado.

— Vamos. É melhor nos apressarmos. Não quero que eles tenham a chance de ficar sozinhos.

Felizmente, já havia bastante gente na sala quando chegamos. Ron fuzilava um Malfoy distraído com os olhos. Observei atentamente a sala e percebi que haviam apenas dois lugares vazios, um ao lado do ruivo e outro próximo ao loiro. Droga, pensei. Merlin realmente me odeia. Escolhi sentar com o sonserino. Não ia passar a manhã toda ao lado de Ronald depois de ele ter terminado comigo daquele jeito.

Ok, eu confesso. Também queria saber como Malfoy estava lidando com a história do julgamento. Respirei fundo e andei até ele.

— Isso vai ser interessante. – escutei Gina dizer atrás de mim.

— Oi. – falei já me sentando ao lado dele.

— Ah. Oi, Granger. Não é que eu não aprecie a sua companhia, mas gostaria de desfrutar meu último dia de liberdade com vida. – ele respondeu irônico, apontando Ronald com a cabeça.

— Ele não vai fazer nada, Malfoy. Você ouviu, não somos mais namorados.

— Eu sei que ele disse isso, Granger, mas...

— Bom dia alunos. Que bom que já estão todos aqui. Por favor, copiem o que está na lousa. – McGonagall irrompeu a sala — Hoje vamos aprender como transfigurar animais em relógios cuco. – ela fez uma aceno de varinha e as palavras começaram a aparecer no quadro negro.

— Tarde demais! – declarei. Ele apenas olhou para a professora e bufou.

— Antes de começarmos, Sr. Malfoy, o senhor vai limpar a sala de troféus sob a supervisão da Sra. Granger, amanhã. Sr. Weasley, o senhor vai ajudar o professor Slughorn a organizar os ingredientes na sala de poções, começando hoje à noite. Ele precisa que alguém conte e limpe alguns frascos de meleca de trasgo.

Ron fez uma careta de nojo. Tive que me segurar para não rir. Gina não se preocupou em fazer o mesmo.

Juro que tentei prestar atenção ao que Minerva dizia, mas eu não conseguia parar de pensar no que Ron poderia fazer contra Malfoy no tribunal. “Ele vai pagar muito caro. Centavo por centavo!”. É isso! Parecia que uma lâmpada havia se acendido na minha cabeça. Precisava falar com Harry, Gina e Luna, é claro. Um plano tinha se formado na minha mente. Sem querer Ron havia me dado a solução para o problema.

Quando a sineta tocou, já fazia uns cinco minutos que eu tamborilava os dedos na mesa de tanta impaciência.

— Harry! – quase gritei quando todos começaram a se levantar. Ele veio até mim seguido de Gina.

— Eu tive uma ideia. E pode ajudar mais de uma pessoa. – disse olhando para as costas de Malfoy, que saia da sala.

— Eu soube disso quando você quase pulou da cadeira lá pelo meio da aula, Mione. – ele riu.

— Você pode contar no caminho para o almoço? Meu estômago está começando a devorar a si mesmo.

— Sabe Gina, você e Ron são tão diferentes que às vezes eu quase me esqueço de que são irmãos. Mas aí você diz essas coisas, e eu lembro! – fiz uma careta.

Contei todo o meu plano a eles, que reafirmaram a necessidade de que Luna concordasse. Saber que eles me apoiavam tirou um peso imenso das minhas costas e as aulas da tarde praticamente voaram.

— Ronda as onze. Me encontre aqui. – Malfoy sussurrou no meu ouvido ao passar por mim na saída do salão principal. Meu corpo todo se arrepiou e tive que respirar fundo antes de continuar. Filho da mãe! Estava começando a achar que ele fazia essas coisas de propósito.

— Aposto que ele vai seguir vocês de novo. – Gina alertou enquanto eu me arrumava para a ronda. Estávamos falando sobre Ron ter nos seguido na outra noite.

— Ele terminou comigo Gina.

— Pra te atingir, Hermione. Porque você não ficou do lado dele.

— Não teve o efeito desejado.

— Ainda estou curiosa sobre isso. Achei que você ia ficar arrasada, que ia começar a chorar ali mesmo.

— Você sabe melhor que ninguém o quanto seu irmão me fez sofrer, Gina. Se ele não se importa, vou aprender a não me importar. – era para ter sido uma declaração firme e convicta. Mas, aparentemente, eu tinha falhado, porque quando percebi, minha melhor amiga me abraçava apertado. Deixei cair uma lágrima, que ela logo enxugou.

— Foi a última. – anunciei confiante. Ela sorriu e balançou a cabeça afirmativamente.

As onze em ponto eu estava no local combinado, esperando por meu parceiro de ronda. Graças a minha paranoia de guerra, eu esquadrinhava o ambiente com os olhos, enquanto mantinha as costas na parede. Mas não havia nada. Nenhum barulho, nenhum movimento.

— Ei, desculpe ter feito você descer até aqui sozinha, mas não queria correr riscos com o Weasley depois de hoje de manhã. – Malfoy surgiu das sombras. Se eu não estivesse encostada na parede, teria caído para trás.

— Tudo bem! – respondi indo até ele, enquanto tentava controlar minha respiração. Fiquei na ponta dos pés e beijei seu rosto. Se Gina estivesse certa, Ron deveria estar nos vigiando naquele exato momento, escondido pela capa de Harry. Se ele queria tanto espionar, ia dar a ele o que assistir. Sei que prometi a Harry ser cuidadosa quanto a Malfoy, mas isso foi antes de Ronald tentar me humilhar terminando comigo na frente da escola inteira. Naquele momento, eu meio que precisava da ajuda inconsciente do loiro.

Malfoy pareceu assustado a princípio, mas depois, recebeu bem o cumprimento.

— Vamos? – eu perguntei, passando o braço pelo braço dele. Eu podia imaginar Ronald surtando embaixo da capa. Segurei-me para não rir. Disse que não ia me importar com ele e não vou, mas isso não significa que eu não podia me divertir às custas dele. Dar o troco, para variar.

As masmorras estavam desertas. Aparentemente, se o monitor da sua casa era um ex-comensal da morte, você não se arriscava a receber um castigo. Se sua monitora era Hermione Granger, no entanto, andar pelo castelo depois do horário era quase normal. Tive que tirar pontos de cinco grifinórios: dois casais que se amassavam em cantos escuros dos corredores e Simas.

— Estava me sentindo sufocado no salão comunal... – ele se justificou.

Às vezes eu também me sentia assim, não importava o lugar. Tirei dele apenas cinco pontos. A guerra já tinha levado suas noites de sono e sua tranquilidade, isso era castigo suficiente. Malfoy não protestou diante da minha conivência com Simas, como achei que faria. O que me fez perceber que ele também conhecia a sensação. Eu estava curiosa sobre tantas coisas, que resolvi arriscar:

— O que pode acontecer com você...se...se a sentença não for...favorável? – perguntei devagar enquanto escolhia as palavras. Ele estacou no lugar.

— Por que quer saber? – sua voz era fria.

— Porque eu meio que me importo. – fui sincera.

— Então não vai gostar da resposta. – ele desafiou. Senti meu coração se apertar. E encarei seus olhos azul acinzentados esperando uma resposta.

— Posso ir para Azkaban, para sempre. – suas palavras foram como facas de gelo. Minha boca se abriu e eu não conseguia fechá-la por mais que tentasse.

— Não é tão ruim. Veja meu pai, por exemplo, sua única opção é o beijo do dementador. – ele continuou. Senti um calafrio e uma lágrima involuntária escorreu pelo meu rosto. Eu quase vi acontecer, com Harry e Sirius, no terceiro ano. Eu não desejava aquilo nem mesmo para Lucius Malfoy.

Malfoy, o filho, enxugou minha bochecha com polegar e colocando a mão sob o meu queixo, levantou meu rosto para que eu olhasse para ele.

— Não... chore! – seu olhar parecia torturado e suas palavras saíram entrecortadas. – Ele não merece a sua tristeza.

— Ele é seu pai! – disse chocada.

— Sério? Porque esqueceram de dar o aviso a ele nos últimos 19 anos.

— E sua mãe? – perguntei. Sabia que Narcisa era a real preocupação dele. Foi para protegê-la da ira de Voldemort que ele se tornou um comensal da morte.

— Na pior das hipóteses, alguns anos em Azkaban. Mas não acho que isso vá acontecer depois do que ela fez na floresta, mentindo sobre a morte do cicatriz. O problema é que a sentença de Lucius vai devastá-la.

— E a sua também. – completei. Ele estava muito triste, dava para sentir, apesar da falta de emoção em sua voz.

Não pensei, apenas agi, abracei Malfoy pela cintura e enterrei o rosto em seu peito. Ele ficou imóvel por alguns instantes, depois, me abraçou de volta.

— Vai ficar tudo bem. – eu disse.

— Eventualmente, vai sim. – ele suspirou parecendo muito cansado. — Mas, ouvindo você dizer, parece até mais passível.

— Passível, essa é uma palavra que não se escuta todo dia. – falei, tentando descontrair.

— Isso é porque você passa os seus dias com o Potter e o Weasley. – ele respondeu com a voz divertida. E tive que sorrir também.

— Vai ficar tudo bem. – repeti, olhando para ele. Malfoy sorriu, me olhando de volta. Dessa vez, o sorriso era totalmente verdadeiro, os olhos dele também sorriam, um sorriso tão bonito, que me hipnotizaram e estavam começando a me atrair perigosamente. Senti seu hálito gelado bem perto da minha boca e meus pensamentos começaram a se esvair.

Quando nossos lábios se tocaram, minha mente saiu completamente do ar. Começou calmo, suave... mas, quanto mais tempo nossos lábios permaneciam unidos, mais eu queria que eles continuassem assim. Subi minhas mãos para a nuca de Malfoy e entrelacei meus dedos em seus cabelos macios, enquanto ele apertava os braços ao redor da minha cintura, trazendo-me mais para perto, quase me tirando do chão.

Então, o beijo ficou mais voraz, mais apressado. Nossas línguas começaram uma verdadeira guerra. Malfoy subiu uma das mãos para o meu cabelo, segurando-o com força, aprofundando ainda mais o beijo, quando eu achei que isso nem era mais possível. Ele sabia exatamente o que estava fazendo!

Meus pulmões gritaram por ar e rompi a conexão de nossos lábios. Sem o hálito gélido de Malfoy para embaralhar meus pensamentos, lembrei-me de Ronald, que deveria estar assistindo a tudo. Droga! Andar de braços dados com ele era uma coisa, beijá-lo em um corredor escuro era outra completamente diferente. Isso podia fazer com que Ron terminasse de surtar. E ele podia realmente destruir com Malfoy naquela audiência. Os papéis haviam se invertido, o nome Weasley é que tinha poderes quase ilimitados no Ministério agora.

Olhei atentamente pelos corredores e percebi que Malfoy fazia o mesmo. Onde estava Ronald? Achei que essa altura já teríamos sido estuporados. A não ser... A DETENÇÃO COM SLUGHORN! Agradeci mentalmente a Merlin. Malfoy segurou meu pulso, mas eu mantive a cabeça abaixada, não o encarei. Sabia que estava corada pelo calor que sentia em meu rosto.

Ai meu Merlin! Eu beijei um dos garotos mais desejados de Hogwarts, o príncipe da sonserina, por quem eu tive uma queda gigantesca entre o primeiro e o terceiro anos. E que também era ex-comensal da morte, havia lutado ao lado de Voldemort na guerra e costumava me chamar de sangue ruim. Maravilha Hermione Jean Granger! Como se as coisas já não estivessem complicadas o suficiente.

— Hermione? – meu coração praticamente parou de bater ao ouvir aquela voz rouca chamar meu nome, meu primeiro nome. – Hermione? – ele insistiu.

Então, eu me desvencilhei de sua mão em meu pulso e corri para a torre da Grifinória o mais rápido que pude.

Notas finais
Prometo tentar postar o próximo capítulo antes de quarta... para compensar o atraso da semana passada. Mas, vocês sabem... quanto mais reviews, mais feliz eu fico, mais rápido eu posto! Ah, e por favor, divulguem a fic!!!!