Dramione - Side Effect

6 As corujas negras


Notas iniciais
Oi gente! Olha eu aqui de novo...
Estou um dia atrasada, mas o trabalho ontem acabou comigo e não consegui postar! Sinto muito!
Hoje, o capítulo é totalmente dedicado a linda Maah Anaiv que fez uma recomendação PERFEITA para a fic!
Bom, teremos muitos acontecimentos hoje... Coisas que movimentarão a história daqui para frente!
Enjoy!

Acordei e o dormitório já estava vazio. Droga! Queria conversar com Gina, contar o que aconteceu ontem. Não acredito que Harry emprestou a capa da invisibilidade para Ron depois de prometer me ajudar a acertar as coisas. Aquela era a pior maneira possível de fazer isso. Eu precisava falar com ele.

Harry e Gina... eles são tão complementares! Sorri enquanto avaliava o relacionamento de meus melhores amigos. Posso falar sobre quase tudo com Harry, o que não posso, converso com Gina. Por que as coisas entre eu e Ron não podiam ser mais simples, mais tranquilas, como eram entre Harry e Gina? Por que Ronald não podia confiar em mim como Harry confia em Gina? Por que não podíamos falar tudo um para o outro como faziam Harry e Gina?

- Ah, certo! Porque Ronald tem o emocional equivalente a uma colher de chá! – falei.

- Não seja tão má com meu irmão, ok? Uma colher de chá? Ele já melhorou bastante vai, Mione. Acho que agora podemos compará-lo a um garfo ou uma colher de sopa – Gina riu.

Eu nem percebi que tinha chegado ao salão comunal até ela responder meus devaneios.

- Posso saber o que ele fez dessa vez? – perguntou Harry.

- Quer dizer o que vocês fizeram, né Harry Potter? – respondi zangada. – Porque emprestou a capa da invisibilidade para que ele espionasse minha ronda com Malfoy? Você disse que ia ajudar a consertar as coisas.

- Eu não emprestei. – ele disse sincero. – o que foi que aconteceu, afinal de contas?

Contei tudo a eles enquanto descíamos para o café, sobre os barulhos, a porta batendo, como vi Ronald adentrar o salão comunal, logo depois de mim, bufando de raiva e com a capa na mão. Não omiti nada, nem o abraço, nem os beijos na testa que recebi de Malfoy. Quando terminei, Harry exibia uma careta preocupada e Gina mordia o lábio inferior para não rir.

- E eu que achei que as coisas estavam começando a se resolver. – Harry falou por fim. Gina e eu estávamos por fora de alguma coisa. Mas ele logo explicou:

- Ontem a noite ele veio me pedir desculpas pelo que disse na plataforma. Falou que se arrependia de ter tentado estuporar Malfoy, apesar de ter deixado bem claro que não sente nenhum remorso pelo soco. Ron está preocupado com você andando pelo castelo durante a noite na companhia dele...

- E? – eu sabia que havia mais uma parte.

- E eu também estou, Mione. Quer dizer, ele é Draco Malfoy. — Harry disse aquilo como se ali, naquele nome, estivessem implícitos todo o tipo de coisas ruins. – Eu quero muito acreditar que ele está arrependido. Mas, ninguém muda tanto tão rápido. Aposto minha varinha como ele sabia que Ron estava lá ontem à noite, por isso agiu daquela maneira.

- Ok. – levantei as mãos em sinal de desistência. – Vou manter um pé atrás com ele, pode deixar. Mas sei me defender sozinha. E em se tratando de nós três, é de mim que ele tem mais medo.

- Sabe, Mione, até aquele dia, eu nunca imaginei que uma garota pudesse dar um soco tão bom.

Explodimos em gargalhadas. Entramos no salão principal ainda rindo e algumas pessoas começaram a olhar para nós. Não me importei. Depois de tantos anos ao lado de Harry eu já tinha me acostumado com as encaradas e fofocas.

- Ei, o que é tão engraçado? Eu também quero rir! – Neville protestou.

- Estávamos nos lembrando do cruzado de direita que Mione deu em Malfoy no terceiro ano. – Gina respondeu ainda rindo.

- Como é que eu nunca soube disso? – ele estava sorrindo ao mesmo tempo orgulhoso e frustrado.

- Aquilo foi quase tão bom quanto o que eu dei nele dois dias atrás. – Ronald parecia ter adquirido o dom de estragar os momentos divertidos. – Ah, isso me lembra que a quase morte de Bicuço também foi culpa dele. Mais um para a minha lista. – as risadas na mesa morreram definitivamente. Esperei por alguma menção ou repreensão ao que ele supostamente viu ontem à noite, mas ela não aconteceu.

- A guerra acabou Ronald! – censurou Gina.

- Já ouviu falar em crimes e criminosos de guerra? Pois é, eles são julgados depois que a guerra acaba. – retrucou ele, friamente.

Eu ia começar a protestar, mas uma coruja marrom muito grande parou em cima da mesa entre mim e Harry, trazendo um envelope roxo berrante. Ele pegou a carta e abriu sem cerimônia. Enquanto passava os olhos pela carta, sua expressão de desânimo aumentava a cada linha.

- Será que isso nunca vai parar. Quando é que eles vão se cansar de nós?

Eu não precisava ver a carta para saber do que se tratava. Só uma coisa deixava Harry tão desanimado: jornalistas.

- O que eles querem dessa vez? – perguntei sob o olhar atento de todos na mesa.

- Querem fazer reportagens especiais sobre cada um de nós, separadamente. – ele frisou a última palavra com desgosto. Como se já não fosse ruim o suficiente encará-los juntos. Ron sorriu parecendo orgulhoso de si mesmo, Gina e Neville gemeram, eu apenas olhei para o meu prato.

Será que eles não entendiam como era doloroso reviver aquelas coisas? Será que não percebiam o mal que fazia em nós ter que contar de novo e de novo os horrores por que passamos? Alguma semanas depois da batalha final, Luna, Gina e eu fomos, literalmente, massacradas em uma entrevista para uma revista de bruxas adolescentes. Segundo eles, éramos as garotas que mudaram o rumo da guerra. Bom, pelo menos era esse o slogan na capa.

- Pelo menos as fotos com produção de moda ficaram legais. – disse Gina suspirando, como se lesse meus pensamentos.

O dia mal tinha começado e já tinha ficado péssimo. Mas, como nada á tão ruim que não possa piorar... cinco corujas negras adentraram o salão ao mesmo tempo. Uma parou na mesa da Corvinal, perto de Luna. Outra pousou de frente a Malfoy. E eu pude ver seus olhos perderem o brilho instantaneamente, readquirindo aquela dureza dos dias de guerra. As outras três vieram até Harry, Ron e eu.

Rapidamente peguei o envelope preto. E foi a vez de meus olhos perderem o brilho.

- Finalmente... Justiça! – Ronald exclamou um pouco alto demais.

Harry estava quase tão catatônico quanto eu.

- O que aconteceu? – desesperou-se Gina.

- Eles marcaram a audiência final para o julgamento dos Malfoy. Para amanhã. – respondi em um fio de voz. Ron ainda sorria vitorioso.

– E querem que a gente deponha. – Harry completou cabisbaixo. Aquilo estava acabando com ele, participar das audiências e condenações. Ele não conseguia ver as pessoas sofrerem, mesmo que fossem seus inimigos.

- Isso, com certeza, vai influenciar a decisão final. – Ron praticamente gargalhou.

Ao contrário de Harry, Ron tinha apreciado imensamente todos os outros julgamentos de que havíamos participado. Das vezes em que saiu do ministério triste ou contrariado, foi porque não concordou com as sentenças, achou-as muito brandas. Olhei desesperada para Harry e seu olhar dizia “sinto muito”. Sempre que nós dois participávamos de uma dessas decisões, passávamos dias sentindo-nos totalmente derrotados.

- Por favor, Ron, não faça nada de que vá se arrepender depois.

- É claro Hermione, porque eu iria querer prejudicar o Draquinho e a família dele? Eles não fizeram nada demais, não é? Só mantiveram prisioneiros Luna e Olivaras, torturaram você, tentaram matar Harry e Gina no segundo ano. Depois tentaram de novo no quarto, quinto, sexto e quase conseguiram no ano passado! – ele estava gritando a plenos pulmões agora.

Olhei para a mesa da Sonserina e Malfoy vinha em direção a nós. Assim como Luna. Como a mesa da Corvinal era mais próxima, Luna foi a primeira a chegar. Ela colocou as mãos sobre os ombros de Ronald que apesar de alterado ainda estava sentado e disse:

- Isso tem que para Ron. Nós não somos como eles e a melhor maneira de demonstrar isso é pagando o mal com o bem.

Neville parecia que ia explodir de orgulho. Se a situação não fosse tão tensa, juro que teria sorrido. Aquilo, com certeza, significava alguma coisa. Será que a relacionamento deles tinha finalmente evoluído para algo mais que amizade?

- É o que eles merecem, Luna. Não é ser igual a eles, é fazer justiça! – Ronald teimou. – E, se depender de mim, eles vão pagar caro. Centavo por centavo. – tradução, “morte por morte”. Mas ele não teria coragem de dizer uma coisa tão macabra, não para Luna.

- Mas Ron...

- Mas nada! – ela a interrompeu bruscamente.

- Não fale assim com ela. – Neville se levantou ficando ao lado de Luna e passando o braço protetoramente pelos ombros da garota, que apenas meneou a cabeça decepcionada.

- Por que não começa a cobrar a conta agora, Weasley? – Malfoy tinha chegado à nossa mesa.

- Boa ideia! – Ron respondeu, enquanto se levantava já com a varinha na mão.

Dessa vez, Malfoy não ia ser pego desprevenido. Quase ao mesmo tempo em que o ruivo, ele tirou a varinha das vestes e apontou para o rosto de Ronald.

- Já chega! – a voz de McGonagall ecoou pelo salão lotado, que agora nos encarava. – Detenção. Os dois.

- Acho que vai ter mesmo que esperar, Weasley. – Malfoy sorriu de lado friamente e virou de costas, em direção a saída.

- Petrificus Totallus.

Malfoy ficou imóvel e desabou de cara no chão. O salão explodiu em risadas. Até mesmo alguns alunos da Sonserina se juntaram ao coro de gargalhadas. Mesmo com a chegada dos novos alunos, a mesa era uma das mais vazias do salão – muitos filhos e sobrinhos de comensais não haviam tido coragem de voltar para a escola.

Quando percebi, Harry, Gina e eu corríamos para um Malfoy petrificado, enquanto Neville se colocava na frente de Ron.

- Não é assim que você vai resolver as coisas, cara. – ele disse, abaixando o braço ainda erguido do amigo. – Eu sei o que você está sentindo, acredite. Mas, descontar a raiva pela dor em Malfoy não vai adiantar, não vai fazer ela diminuir.

Ronald ignorou o discurso e caminhou para a porta. Ele passou por nós exatamente quando eu livrava o sonserino do feitiço.

- Finite Incantatem.

- Acho que você fez a sua escolha não é, Hermione? – ele balançou a cabeça negativamente, parecendo extremamente decepcionado.

- Não vou assistir você enfeitiçar as pessoas desse castelo para descontar sua frustração e ficar parada se é o que quer. Você me conhece melhor do que isso, Ronald Weasley.

- Então acho que você não serve para ser minha namorada.

- Se você acredita mesmo nisso e quer assim. – disse com convicção. Não sei se as palavras saíram tão firmes quanto eu gostaria. Esperava que sim. Ron não ia me machucar de novo. Eu já tinha sofrido o suficiente com a falta de tato dele. Se ele achava que eu não valia a pena, eu também ia aprender a não me importar com ele.

Ronald marchou porta afora com uma carranca gigantesca. Por sua vez, Malfoy se levantou do chão com uma cara séria e de poucos amigos. Mas, pude ver que por debaixo de sua máscara de gelo, seus olhos sorriam.

Notas finais
E então?! O que acharam?! Contem para mim nos comentários!
Posso pedir um favor??!
Quem estiver gostando da fic, por favor, indique ela para as pessoas... #caradegatodoshrek