Dramione - House Of Night
23 Voltando às suas rotinas normais... ou não.
Notas iniciais
Me desculpem mesmo!! Agora chega de enrolação e vamos ao capítulo que está uma loucura! =]
Por mais que não quisessem, a vida tinha de continuar. Era segunda-feira, e as obrigações precisavam ser feitas.
Draco acordou totalmente indisposto naquela manhã, mas tinha um objetivo em mente: falar com Hermione, tentar uma conversa ou qualquer coisa que fosse possível. Apenas precisava falar com ela.
Levantou sem pressa e foi tomar seu banho. Pouco tempo depois estava devidamente vestido; terno, gravata e sapatos caros. Tentou dar um jeito nos cabelos revoltos mas não teve muito sucesso.
Com um beijo de despedida em Narcisa, o loiro pegou a chave de seu carro e abriu a porta de casa. Ficou surpreso ao ver a tempestade que caía incessantemente lá fora. Correu até o carro e entrou, em poucos segundos dirigia tediosamente até o trabalho.
Em casa, Hermione ainda estava deitada. Era bem verdade que fazia algumas horas que estava acordada, não conseguia dormir mais que três horas desde o acontecido. Pela janela do seu quarto, a chuva batia impiedosamente. O céu lá fora tão idêntico aos olhos de Draco a fazia ter vontade de chorar, mas ela mesma tinha prometido não mais chorar.
Agradecia à Gina por ter cuidado das crianças, e agora estavam passando um tempo com o pai. A ruiva sabia que a amiga precisava ficar sozinha com sua dor.
Mas Hermione sabia que a vida teria que continuar. Estava deitada naquela cama a quase dois dias, sem comer, sem beber, sem vontade de fazer nada. Sentia-se uma adolescente de novo, quando tudo parecia o fim do mundo. Num surto de maturidade, levantou-se às pressas e correu pro banheiro.
Despiu-se e tomou um banho quente e relaxante. Deixou que a água lavasse toda dor que ela sentia. Sentiu-se renovada quando saiu e enrolou-se na toalha. Foi até o quarto e vestiu uma roupa confortável e quente. Deixando que sua infantilidade agisse de novo, fechou as cortinas do quarto com raiva. Não queria motivos pra pensar em Draco.
Olhou em volta e percebeu a bagunça que a casa se encontrava. Foi até o som da sala e pôs seu CD preferido dos Beatles pra tocar. Em pouco tempo, cantava e dançava ao som de sua música favorita, Hey Jude.
Foi de cômodo em cômodo arrumando, limpando e colocando as coisas no lugar. Cantava as músicas tão conhecidas pelos seus ouvidos com todo vigor, esquecendo-se totalmente que ainda era cedo e que poderia incomodar alguém. Só se importava em cantar mais alto que as batidas de seu coração partido, mais alto que seus próprios pensamentos infelizes.
Fez a vassoura de microfone, correu pela casa, fechou os olhos sentindo a música. De alguma forma aquilo lhe deixava melhor, sentia-se mais disposta a enfrentar qualquer coisa. Continuou os afazeres e a cantoria enquanto ria consigo mesma.
***
Draco chegava na empresa, cabisbaixo e com olheiras profundas sob os óculos escuros. Não cumprimentou ninguém, não sorriu pra ninguém, apenas seguiu reto pra sua sala. Trancou a porta e sentou-se na cadeira. Abriu alguns papéis que estavam encima da mesa e começou a lê-los. Com um longo suspiro, desistiu do que estava fazendo. Perdeu a concentração na terceira linha, seus pensamentos fixos em Hermione.
Pegou o celular e discou o número dela. Um, dois, três, quatro… oito toques, caixa postal. Tornou a ligar de novo. Um, dois… cinco… caixa postal. Bufou frustrado e largou o celular em cima da mesa. “Achei mesmo que ela fosse atender? Que ingenuidade a minha.” pensou consigo mesmo.
Avaliou a possibilidade de ir até a casa dela, mas sabia que ela também não o atenderia. Precisava encontrá-la em algum lugar onde ela não pudesse evitá-lo.
“Mas é claro” pensou ele com um sorriso, “Vou até a escola onde ela dá aulas!”
Satisfeito com a solução encontrada, voltou a se concentrar nos papéis. Leu alguns e colocou de lado, eram apenas contas e mais contas. A situação da Malfoy Seguros estava indo de mal à pior. Levantou da cadeira e abriu a porta, chamando sua secretária.
- Cho, preciso que chame Snape à minha sala. — A mulher de longos cabelos pretos e olhos puxados saiu apressada até à sala do homem.
Em menos de cinco minutos, ela estava de volta com Snape em seu encalço.
- Me chamou Sr Malfoy? — Ele perguntou estranhamente amigável.
- Sim. Quero que deixe em minha mesa todos os balanços da empresa. Precisamos diminuir custos e ver no que estamos errando.
O homem atingiu uma palidez quase imperceptível mas logo se recuperou, um ar de frieza penetrou em sua voz.
- Não acho que seja uma boa ideia. — Disse com desdem. Draco que mexia em outras coisas, subitamente levantou o rosto em direção ao homem.
- Está dizendo que não sou capaz? — Draco falou calmamente, os braços cruzados em seu peito.
- Não foi o que quis dizer… — Snape tentou se retratar mas foi cortado.
- Quero os balanços em minha mesa até o fim do dia.
Com um gesto, um tanto exagerado, com as mãos, Draco pediu que ele se retirasse e voltasse ao trabalho. O homem vestido com seu habitual sobretudo negro, saiu feito um morcego.
***
Já havia desligado o som, mas ainda sentia-se leve. Ouvir música era sempre bom pra aliviar a tensão. Terminava de preparar seu almoço; macarrão ao molho branco, frango grelhado e de sobremesa uma deliciosa torta de chocolate. Cozinhar era uma das coisas que a faziam sentir-se bem também.
Servindo-se da sua comida, recém preparada e quentinha, sentou no sofá da sala e ligou a TV. Há muito tempo não fazia isso, sempre comia à mesa, mas sempre estava acompanhada. Hoje não, queria sentar no sofá e comer enquanto assistia TV. Pôs em um filme qualquer e começou a assistir. Em pouquíssimo tempo já estava entretida o suficiente pra não ouvir(de novo) o celular tocando na mesinha de cabeceira ao lado da cama.
Terminando o almoço, correu até a cozinha e deixou o prato dentro da pia. Pegou a torta dentro da geladeira e tirou um pedaço bastante generoso. Comeu com tanto prazer e gula que ao piscar, o prato de sobremesa já estava vazio.
Com um muxoxo e uma repreensão em si mesma, guardou o que restou da torta na geladeira. Voltou pra sala e terminou de ver o filme, pegando no sono logo em seguida.
Acordou sabe-se lá quanto tempo depois, com o barulho insistente e irritante do interfone. Levantou contra sua vontade, sentindo todos os seus músculos retesarem por terem ficado tanto tempo numa mesma posição.
Atendeu e assustou-se com o grito do outro lado do interfone.
- Até que fim! Achei que tivesse morrido!!! — Recuperada do susto, deu uma risada da amiga. — Abre logo essa porcaria, tá chovendo!
Hermione abriu antes que ela voltasse a gritar em seu ouvido, pelo visto ela estava de mau-humor.
Alguns instantes depois a ruiva batia freneticamente na porta.
- Pelo amor de Deus, calma!
- Calma? — Hermione abriu a porta e encontrou Gina ensopada. — Estou a 10 minutos debaixo de chuva, tocando essa porcaria de interfone e você não atende, fora as ligações que você também NÃO atende.
- Me desculpe, não sei onde está o celular e eu estava dormindo até você me acordar carinhosamente.
- Dormindo? — Gina irritou-se mais ainda. — Você por acaso já viu que horas são? — Hermione negou e começou a procurar por seu relógio de pulso.
- Meu Deus, já são 17h40. — Ela exclamou assustada. — Tenho 20 minutos pra estar na escola!
Gina afirmou como se fosse óbvio e Hermione saiu desembestada até o quarto pra trocar de roupa. Em menos de cinco minutos voltou correndo com a bolsa nos braços, o celular na boca e tentando amarrar os cabelos com as mãos.
- Você vai me levar lá agora! — A morena tentou falar sem deixar o celular cair, sem êxito. Gina abaixou-se e pegou o celular totalmente enojada.
- Eca, está todo babado.
- Ah cala a boca e vamos logo.
As duas saíram correndo até o elevador e logo já estavam no térreo. Entraram no carro ignorando a chuva e Gina dirigiu rapidamente até a escola de dança onde Hermione dava aulas.
Despediu-se da amiga com um “tchau” as pressas e correu até a sua sala. Alguns alunos já estavam por lá, aquecendo, mas ainda faltavam alguns.
- Boa noite pessoal. — Cumprimentou educadamente os alunos que retribuíram. Logo todos chegaram e a aula começou.
- Dá um intervalo professora, pra recuperar as forças. — Uma aluna falou, mais de meia hora depois, sendo aprovada por muitos outros.
- Tudo bem, quero vocês de volta em 15 minutos.
Ela também estava terrivelmente cansada, e tinha certeza que sua aparência mostrava isso. Sentou no chão da sala de frente pro espelho e ficou a se observar. Suas profundas olheiras, semblante triste e aparência acabada, demonstravam o sofrimento que passara nos dias anteriores. Tentando espantar esses pensamentos, levantou e se apoiou na barra no lado oposto à porta. Começou a fazer alguns passos de balé, relembrando da sua infância e consequentemente de seus pais. Sentia saudade deles. Fazia alguns meses que não se viam já que estavam sempre viajando à trabalho. Souberam por telefone que a filha havia se separado e que estava na pior. Tentaram dar-lhe dinheiro pra se sustentar durante um ano mas Hermione recusou dizendo que se viraria sozinha, e deixara seus pais incrivelmente orgulhosos pela sua independência.
Ao olhar novamente pro espelho, viu uma pessoa entrar na sala. Mais precisamente, a última pessoa que desejava ver naquele momento. Virou-se bruscamente pra ele que pareceu recuar um pouco.
Respirando fundo, Draco se aproximou determinado. Olhou no fundo dos olhos da morena mas essa desviou rapidamente. Ele podia ver os olhos dela marejarem e sentiu seu coração doer mais do que nunca.
- Hermione… — Ele tentou fazê-la olhar pra ele mas ela se afastou, ficando de costas pra ele e o observando de soslaio pelo espelho.
- O que quer? — Ela perguntou com a voz entrecortada.
- Nós precisamos conversar. — Ele falou com a voz angustiada.
- Não temos nada pra conversar. — Ela fechou os olhos, segurando as lágrimas que ameaçavam cair. — E estou ocupada agora. Então, se me der licença…
Ela caminhou até a porta e a segurou, esperando que ele saísse. Dando-se por vencido, passou por ela de cabeça baixa e coração partido.
Passou a mão no rosto e limpou as lágrimas antes que elas caíssem.
Ao fim da aula, despediu-se dos alunos, pegou suas coisas e saiu. Ainda chovia muito quando ela parou na porta da escola e lembrou-se que não tinha levado guarda-chuva. Suspirou irritada e saiu. Em poucos minutos já estava ensopada e ainda mais irritada. Passou rapidamente pelos carros estacionados e um deles chamou sua atenção. Ela o reconhecia, e reconhecia ainda mais o loiro encostado no carro, tão molhado quanto ela.
- O que está fazendo aqui? — Ela vociferou, irritada por não conseguir deixar de olhar pra seu físico marcado pela roupa.
- Achei que a rua fosse pública. — Ele disse simplesmente. Ela bufou irritada e continuou a andar.
- Está chovendo… — Ela parou e olhou pra ele.
- Não me diga. — Ela ironizou.
- Me deixa te levar em casa, vai pegar um resfriado desse jeito.
- Desde quando você se importa? — Ela sabia que estava agindo feito uma criança, mas não conseguia evitar.
- Você sabe que me importo! — Ele abriu os braços incrédulo.
- Não foi o que pareceu. — Ela respondeu num sussurro.
- Nós precisamos conversar, Hermione, que droga! -Ele gritou exasperado.
Houve um silêncio incômodo entre os dois enquanto eles apenas se encaravam. A chuva parecia castigá-los mas eles não se importavam. Por fim, Hermione quebrou o contato visual e abaixou a cabeça.
- Ainda não. — Ela murmurou e continuou a andar.
Ao chegar no fim da rua, no sinal de trânsito, um carro preto parou em sua frente e dois homens saltaram. Pra seu desespero, os dois homens pegaram cada um seu braço e a obrigaram a entrar no carro.
Do outro lado, Draco observava a cena atônito. O carro preto saiu cantando pneu e Draco entrou no seu e o seguiu, mas em pouco tempo o perdeu de vista.
Frustrado, desesperado e desconsolado, estacionou o carro em um canto qualquer e deixou as lágrimas escorrerem e se misturarem com a água da chuva que escorria de seu cabelo.
Notas finais
Não se preocupem que nosso casal vai ficar junto logo, logo!
Obrigada pelos reviews suas lindas! Tenho 110 leitores, 28 favoritos, 4 recomendações e 211 reviews! Estou muitíssimo feliz!!!!
Até o próximo capítulo, que está bombástico!!!!!
Fale com o autor