Dramione - House Of Night
37 Uma vez mãe, sempre mãe.
Notas iniciais
Vim aqui rapidíssimo pra postar o capítulo que eu tive tempo de escrever esse final de semana.
O próximo capítulo é o último, infelizmente :( Mas ainda tem o epílogo.
Espero que gostem, beijos!
Draco enrijeceu imediatamente ao reconhecê-la. Narcisa elegantemente vestida como sempre, embora seus cabelos estivessem levemente bagunçados pelo vento frio de Dezembro. Seu rosto era uma mistura de surpresa e alegria mas ainda assim não encobria o nítido cansaço estampado em seus olhos sem brilho.
- Narcisa. — Draco murmurou friamente e sentiu o arrependimento no momento seguinte em que viu o rosto da mulher se transformar em uma máscara de tristeza.
- Eu o procurei por tanto tempo. — Ela disse com a voz fraca. — Soube, no fim, que estava morando com Hermione. Fico feliz que ainda estejam juntos.
Draco assentiu e fez um gesto de quem iria continuar seu caminho mas Narcisa o segurou pelo braço delicadamente.
- Por favor, Draco, não me trate assim. — Ela pediu chorosa mas Draco permaneceu impassível.
- Como você espera que eu a trate? — Ele perguntou, indiferença fingida brilhando em seus olhos.
- Eu ainda sou sua mãe. Eu criei você, eu te dediquei minha vida, eu te ensinei tudo o que você sabe. Você não pode simplesmente fingir que nunca fui uma parte de sua vida quando eu estive presente durante ela toda.
Aquelas palavras pareceram abalar Draco e Narcisa aproveitou sua vulnerabilidade.
- Vamos conversar como adultos. — Ela pediu.
Ele pareceu avaliar a proposta e por fim, dirigiu o olhar à ela.
— Vou almoçar com Hermione hoje e vou deixá-la em casa. Passo na Mansão no caminho de volta.
Narcisa abriu um imenso sorriso e Draco segurou-se para não retribuir. Droga! Ele sentia falta dela. A mulher rapidamente assentiu e Draco viu seus olhos voltarem ao brilho habitual novamente.
- Para mim está ótimo. Estarei esperando-o.
- Eu preciso ir agora.
- Tudo bem, filho. — Narcisa acenou animada. Draco enrijeceu à última palavra mas não demonstrou. Em seguida, ele despediu-se e voou direto para seu carro, afinal, ele só tinha vinte minutos para chegar a tempo na reunião.
(...)
Hermione caminhou calmamente de loja em loja. Entrou em algumas e conseguiu encontrar alguns dos presentes que tinham em sua lista. Ela já tinha comprado os presentes de Gina, Harry, Molly, Rose, Hugo, Fred e Jorge. Os quatro últimos sendo comprados em uma loja de brinquedos. Era de conhecimento geral que os gêmeos eram eternas crianças.
Enquanto passava em frente a uma loja de artigos de futebol, Hermione pensou se seria sensato comprar um presente para Rony ou não. No fim, ela chegou à conclusão de que nunca deveria ter cogitado a ideia. Ao invés disso, adiantou-se para a loja a fim de comprar um presente para James, o filho mais velho do seu casal de melhores amigos. James tinha um dom incrível para o futebol e ele já havia provado isso várias vezes durante as partidas de futebol feitas na Toca. Quando tivesse idade o suficiente, talvez pudesse entrar em um time semi-profissional. Saindo da loja satisfeita consigo mesma, riscou mais um nome da sua longa lista. Ela suspirou cansada quando contabilizou o número de presentes que ainda faltava, era possível que talvez tivesse que fazer uma outra viagem até o Westfield Stratford.
Ela tinha acabado de lembrar de que tinha que ligar para seus pais convidando-os para o Natal na Toca quando esbarrou sem querer em alguém. Suas sacolas foram ao chão assim como as da pessoa. Sem olhar muito bem para quem era, juntou suas sacolas e do chão e ajudou a juntar as da pessoa que ela constatou ser uma mulher, pelos finos sapatos de salto. Enquanto ajudava a pegar suas coisas do chão, Hermione não parava de murmurar desculpas.
- Me desculpe, eu estava distraída, por favor, me perdoe. — Ela finalmente levantou-se.
- Sem problemas eu também esta- A mulher parou a frase no meio quando as duas se olharam. — Hermione?! — Ela perguntou retoricamente, uma vez que já tinha reconhecido a nora.
- Sra. Malfoy, que prazer em vê-la! — Hermione comentou sorrindo.
- Me chame de Cissa, quantas vezes já lhe pedi isso? — Ela fingiu um tom de bronca mas sorriu em seguida. — Eu digo o mesmo.
- Cissa, claro. — Hermione retribuiu o sorriso. — Draco saiu daqui faz algum tempo. — Ela comentou receosa. Para sua surpresa, a mulher sorriu e assentiu.
- Eu o encontrei na entrada do shopping, ele concordou em conversar comigo hoje à tarde.
Hermione suspirou parecendo aliviada.
- Isso é fantástico. Eu tenho tentado convencê-lo a lhe ouvir já faz bastante tempo.
- Muito obrigada por tentar, mas como bem já sabe, Draco é muito teimoso e cabeça-dura.
- Nem me diga! — Hermione exclamou e as duas riram.
- E o que faz aqui? — Narcisa perguntou, puxando conversa.
- Compras de Natal. — Hermione ergueu as dezenas de sacolas para provar seu ponto. — E você?
- Compras de Natal para mim mesma. — Narcisa deu-lhe um sorriso cheio de dentes.
- Parece muito mais interessante. — Hermione comentou. — É realmente difícil comprar presentes legais para todos. Apenas concluí metade da lista e já estou terrivelmente cansada.
- Sei como é. Antes de meu marido morrer, nós sempre passávamos o Natal na casa de seus tios em Nova Orleans. A família dele era enorme e bem, nós sempre tínhamos que presentear a todos.
As duas continuaram a conversar e voltaram a andar pelas lojas, apenas olhando as vitrines. Vez ou outra, Narcisa arrastava Hermione para dentro de alguma loja e a fazia experimentar alguma roupa, dizendo em seguida que ela deveria levar pois a havia deixado maravilhosa.
Meia hora depois, Hermione tinha duas sacolas a mais cheias de roupas para si mesma. Metade delas pagas por Narcisa que tinha insistido terminantemente que as estava dando como presente de Natal. Hermione aceitou um pouco relutante mas no fim sentia-se feliz. Fazia um longo tempo desde que tinha comprado algo realmente legal para si mesma.
- Como vão Rose e Hugo? — Narcisa perguntou quando as duas sentaram-se em um dos bancos no pátio do shopping.
- Estão ótimos, aprontando mais do que nunca! — Narcisa riu.
- É o que os filhos fazem. Nos obrigam a ter dor de cabeça constantemente e de quebra ganhar alguns fios de cabelo branco.
- Mas em compensação, são as melhores coisas que uma pessoa pode querer para a vida.
- Sem dúvidas. — As duas se entreolharam sorrindo.
(...)
Draco chegou ao escritório no tempo exato. Rapidamente atravessou o salão da recepção cumprimentando apressadamente quem encontrava pelo caminho e finalmente chegando à sua sala no fim do corredor, ela nunca tinha parecido tão longe quanto agora. Ele definitivamente questionava quem teve a ideia absurda de colocar a sala do chefe no final do corredor. Dispensando esses pensamentos momentaneamente, ele entrou na sala ofegante e viu Cho Chang parecendo aflita, sem dúvidas por sua demora a chegar.
- Sr. Malfoy, graças a Deus, a reunião começa em cinco minutos.
- Eu sei Cho, estou indo para a sala de reuniões nesse instante, só preciso de um tempo para respirar.
A secretária assentiu e saiu da sala, deixando-o sozinho. Ele forçou o pensamento sobre a conversa com Narcisa que aconteceria mais tarde para o fundo de sua mente e se concetrou no que faria a seguir. Teria uma reunião geral com todos os investidores e sócios e esperava que corresse tudo maravilhosamente bem. Era certo que desde a saída de Severo Snape a empresa estava realmente indo bem. É claro que a ajuda financeira de Harry Potter tinha grande parte nisso mas Draco não se preocupava. Harry era um ótimo amigo e sócio.
Ele atravessou o corredor e entrou na sala envidraçada no outro cômodo. Todos estavam sentados conversando calmamente mas silenciaram quando ele entrou. No meio de um dos rostos pouco conhecidos ele viu Harry sorrir suavemente para ele que retribuiu com um aceno de cabeça.
A reunião correu melhor do que Draco esperava. Os investidores e sócios mostraram-se bastante satisfeitos com o crescimento de sua empresa e consequentemente das deles também. No fim, Draco saiu de lá aliviado e feliz consigo mesmo.
Voltou para sua sala e afundou na cadeira confortável. Tão logo seus pensamentos começaram a manifestar-se ele pegou as pastas com os balanços do mês da empresa. Desde que Snape o tinha roubado, ele preferia fazer os balanços por ele mesmo. Era verdade que assim, ele ganhava de presente mais trabalho, porém ele preferia assim.
Quando o relógio marcou meio-dia em ponto, Draco largou tudo como estava e deixou o escritório. Entrou no carro e rapidamente pegou a estrada em direção ao shopping onde tinha deixado Hermione mais cedo.
Muitos minutos mais tarde, ele estacionou o carro e desceu, puxando o celular do bolso e discando o número de Hermione. Eles combinaram de se encontrar em um dos muitos restaurantes que havia lá dentro. Draco demorou para encontrar o restaurante em questão e assim que chegou, disse ao recepcionista que alguém o esperava. O jovem recepcionista o levou a uma mesa ao canto e bem distante do falatório das mesas logo na entrada. O restaurante também estava demasiado enfeitado para o Natal. Haviam muitas guirlandas pelas paredes, assim como uma árvore de Natal na entrada do estabelecimento. Draco finalmente chegou à mesa onde Hermione estava sentada tomando um copo de água e sentou-se.
- Desculpe a demora, foi difícil achar esse lugar.
- Sem problemas. — Hermione murmurou tomando o último gole da sua água.
Draco olhou em volta e percebeu que estava cercado por sacolas. Ele sorriu minimamente.
- Vejo que realmente aproveitou essa manhã. — Ele comentou brincalhão.
- Sim... — Ela começou incerta. — Encontrei Narcisa e nós passamos parte da manhã juntas.
O sorriso de Draco diminuiu mas não sumiu por completo. Hermione levou isso como um incentivo para contar sobre o momento que passaram juntas.
- Na verdade, foi ela quem me fez comprar esse monte de roupas que eu percebo agora, é inútil. — Hermione riu. — Mas ela realmente me convenceu a levá-las.
- Isso é bem típico de minha mãe. — Draco comentou rindo também. Hermione absorveu as palavras de Draco. Fazia muito tempo que ele não a chamava de mãe, somente de Narcisa.
- Ela me contou que vocês vão se encontrar essa tarde.
- O que vão querer, senhores? — O garçom interrompeu a conversa.
Hermione desviou sua atenção da reação de Draco e virou-se para dar uma olhada no menu enquanto o garçom esperava.
- Vou querer um Filé a Parmegiana.
- O mesmo, por favor.
O garçom anotou os pedidos e retirou-se.
- Ela ficou bastante feliz que você tenha dado uma chance a ela. — Hermione prosseguiu o assunto.
- Eu também. — Ele respondeu dando o assunto por encerrado.
Ao fim do almoço, Draco ajudou Hermione com as sacolas e ambos deixaram o restaurante. Um chuva fina caía lá fora quando eles saíram pelas portas do shopping. Hermione apertou o casaco em torno de si quando o vento frio soprou forte, bagunçando seus cabelos.
- Frio de típico de final de ano, vamos antes que a chuva engrosse. — Draco chamou.
Os dois correram para o carro e segundos depois deixaram o estacionamento do shopping para trás. Draco estacionou na frente da casa de Hermione e respirou fundo. A hora que ele tanto evitou pensar nessa manhã tinha chegado e ele não sentia-se preparado.
- Boa sorte. — Hermione desejou antes de sair do carro. — Ouça o que ela tem a dizer e mantenha mente aberta, sei que consegue.
- Obrigada.
- Te amo. — Ela sussurrou antes de dar-lhe um beijo demorado e deixar o carro.
Draco respirou fundo de novo e seguiu com o carro para o seu próximo destino. A sua antiga casa. Ele estacionou na sua vaga habitual na entrada da casa e subiu as escadas até a porta principal. Ele hesitou apenas dois segundos antes de tocar a campainha.
A porta abriu com uma rapidez inviável, o que levou Draco a acreditar que Narcisa estava sentada no hall de entrada aguardando sua chegada. Os dois se encararam por alguns instantes até Narcisa lembrar-se de dar espaço para que ele entrasse.
- Obrigada por ter vindo. — Narcisa falou incerta. Era visível no seu rosto que estava nervosa com o encontro. Draco não estava muito diferente.
- Vamos acabar logo isso. — Ele falou involuntariamente frio. Narcisa deu-lhe um olhar triste e assentiu.
Os dois caminharam para o antigo escritório de Lúcio no fim do corredor após a cozinha. Aquele escritório traziam ótimas recordações à Draco e ele não pôde deixar de sorrir com a lembrança. Parecia que tinha sido em um época tão distante mas ele constatou que não havia tanto tempo assim. Deixando os pensamentos sobre Hermione de lado, ele sentou-se no sofá e se concentrou em Narcisa que parecia incerta sobre como começar.
- Draco... eu não fiz aquilo por mau, — Ela começou. — Eu estava chateada com a traição de seu pai e minha irmã mas eu não te tirei dela por isso.
Ela fez uma pausa para olhar para ele que ouvia tudo atentamente.
- Ela não tinha condições de cuidar de você, Draco. Minha irmã tem problemas, sempre teve. Na maioria das vezes ela é uma louca desequilibrada e foi por isso que seu pai a deixou. Ela tornou-se obsessiva por ele e queria usar você contra seu pai. Ela queria usá-lo como pretexto para tê-lo de volta, esse foi o único motivo pelo qual você nasceu, para chantagem.
Draco apertou os olhos com força. Era realmente difícil ouvir isso.
- Bellatriz mandou uma carta pedindo para que seu pai encontrasse-a aqui em Londres. Ela disse que traria a criança para que ele pudesse ver, achando que o comoveria. Mas você conhece seu pai, chantagem emocional nunca funcionaria com ele. Eu decidi ir em seu lugar e acabar de uma vez por todas com esse assunto. Eu passei no banco e retirei uma grande quantia de dinheiro para dar a ela. Achei que assim ela fosse embora e nos deixaria em paz de uma vez.
Narcisa parou e tomou uma respiração profunda.
- Eu a encontrei em um restaurante fast food de beira de estrada. Ela estava horrível e segurava descuidadamente um pequeno embrulho nos braços. Ela irritou-se quando me viu entrar no lugar, ela esperava que Lúcio viesse. Nós discutimos e acordamos você. Você não parava de chorar e Bella parecia à beira de um ataque de nervos. Ela começou a gritar com você e mandá-lo calar a boca. Eu não podia mais suportar você chorar e ela gritar então tomei-o em meus braços. No mesmo instante você parou de chorar, como mágica. Você era o bebê mais lindo que eu já tive o prazer de olhar e você olhou para mim e abriu um sorrisinho sem dentes. Então eu olhei para Bella e vi o quanto ela parecia desequilibrada. Seus olhos mantinham-se constantemente arregalados e observando ao redor. Eu não daria um mês para ela jogá-lo na porta de alguém. Eu simplesmente não podia deixar isso acontecer.
Draco percebeu as lágrimas caindo sorrateiramente dos olhos de Narcisa e ela recusava-se a olhá-lo diretamente.
- Eu ofereci dinheiro em troca de você mas ela não aceitou, ela queria ver Lúcio e falar com ele porque ela tinha certeza de que ele fugiria com ela. Eu realmente não estava pensando quando fiz o que fiz. Ela levantou-se para ir ao banheiro, deixando você comigo. Eu deixei o dinheiro que havia trago em cima da mesa e fui embora com você nos braços. Eu não queria saber das consequências, eu só queria saber de mantê-lo seguro e longe das mãos daquela louca. Quando cheguei em casa Lúcio me chamou de louca mas no fim convenceu-se. Ele no fundo tinha um coração, eu sabia disso, e você era filho dele acima de tudo, seu primeiro herdeiro. Nós decidimos que era sensato ficar com você então nós fizemos alguns contatos e nós o registramos. Bella não tinha nem lhe dado um nome ainda, então nós demos. Draco parecia um nome perfeito.
Narcisa começou a divagar um pouco e Draco a interrompeu bruscamente.
- Por que ela voltou depois de tanto tempo? — Narcisa finalmente levantou os olhos para encará-lo.
- Ela usou o dinheiro que eu havia deixado para um tratamento. Foi de longe a melhor coisa que ela já fez na vida. Há alguns anos atrás ela tornou a entrar em contato comigo. Ela queria ver você mas eu recusei prontamente. Não tinha certeza se ela estava realmente pronta para isso e muito menos você. Ela continuou acompanhando sua vida de longe, embora. Ela viria para seu casamento com Pansy mas ele não aconteceu. — Narcisa deu um sorriso triste. — Quando seu pai morreu, ela decidiu voltar de vez para acompanhar sua vida. Ela simplesmente não percebe que é tarde demais para recuperar o tempo perdido. No fundo, ela ainda não se curou totalmente do seu problema, ela continua meio desequilibrada.
Narcisa esperou ansiosamente pela reação de Draco que ainda permanecia quieto.
- Uou, eu acho que não sei bem o que pensar.
- Eu sei que é muita informação. Eu e seu pai pretendíamos lhe contar mas quando ele se foi eu não tive coragem.
- Onde está Bellatriz agora? — Draco perguntou.
- Não sei, sumiu no mundo. Talvez tenha percebido a besteira que fez e fugiu. As Blacks não são muito conhecidas por sua coragem, realmente.
- Talvez eu tenha herdado isso de vocês. — Draco comentou.
- Não, você sempre foi corajoso Draco, e eu tenho muito orgulho de você por isso.
- Obrigado. — Ele agradeceu sem saber exatamente por que.
- Eu não teria feito nada diferente, exceto por contar-lhe tudo.
Os dois continuaram em silêncio olhando um para o outro. Finalmente, Draco levantou-se e Narcisa fez o mesmo.
- Você já tem que ir? — Narcisa perguntou tristemente.
- Preciso voltar ao trabalho. Te vejo em breve, mãe.
Narcisa ouviu com surpresa a última palavra que saiu de sua boca e sorriu.
- Até mais, filho.
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