Dramione - House Of Night
30 Pra você sempre lembrar de mim.
Notas iniciais
— Draco, é muito dinheiro! — Hermione sussurrou exasperada.
Fazia pouco mais de duas horas que os dois estavam sentados na mesa da cozinha da morena, todos as pastas com os detalhamentos das entradas e saídas do dinheiro da Malfoy Seguros. Naquele momento, Hermione avaliava calmamente o papel que Horácio Slughorn tinha trago pra ele na manhã do dia anterior.
— Eu sei. — Ele suspirou.
— Segundo relatado aqui, — Ela apontou pro outro papel encima da mesa. — foram desviados 3 milhões ao todo. Mas o estranho é que não tem entrada de tanto dinheiro assim na Malfoy Seguros. — Hermione franziu a testa.
— Faz um bom tempo que não temos tido lucro e a maioria dos investidores simplesmente desfizeram os contratos com medo de irem à falência também.
Hermione observava o documento minuciosamente à procura de algum furo mas nada encontrou. Ela suspirou chateada.
— Por acaso você tem contato direto com os investimentos e lucros? — Ela perguntou. Uma mão no queixo indicava que ela pensava profundamente.
— Na verdade, não. — Draco respondeu sombrio. — Quem faz isso é Severo Snape. Mas ele não seria capaz disso. Ele sempre foi um homem de total confiança do meu pai. Simplesmente não o vejo fazendo algo do tipo.
Hermione assentiu um pouco duvidosa. Afinal ela não o conhecia e não sabia qual era o caráter desse homem, porém ela preferiu se manter calada.
Draco tinha uma expressão ilegível no rosto. Era óbvio que ele tinha cogitado tal ideia, mas no fim ele chegou a conclusão de que essa acusação era totalmente ridícula. Mas agora, vendo o olhar cético de Hermione ele tornou a cogitar a possibilidade.
— Por favor Hermione, me diga o que está pensando.
Ela lançou um olhar perdido pra ele e mordeu o lábio inferior.
— Bem, a pessoa que procuramos pode facilmente ter falsificado os documentos e ter mentido sobre os lucros pra roubar parte deles. — Ela suspirou antes de continuar. — Eu acho que sendo uma pessoa de confiança do seu pai... que ele iria ter certeza de que ninguém nunca se dignaria a desconfiar dele.
Draco passou a mão pelo rosto, frustrado. Tudo aquilo fazia um maldito sentido. Ele levantou o pulso na frente de seus olhos e olhou a hora.
— Eu preciso voltar pra lá. — Ele resmungou. Sua mente estava exausta e ele tinha certeza que desenvolveria uma baita enxaqueca até o fim do dia.
— Certo. Eu vou preparar a defesa do seu caso pra audiência da semana que vem. Vai dar tudo certo, eu prometo! — Ela se debruçou sobre a mesa de granito, depositou um beijo nos lábios dele e sorriu logo em seguida.
Ela estava histérica por ter seu primeiro caso desde que se formara na faculdade. E isso tinha sido a um ano atrás. Ela nunca tinha se interessado em qualquer um dos casos que foram apresentados a ela, não como agora. Ela defenderia Draco no tribunal e ganharia, assim como ela foi ensinada nas aulas. Ela era inteligente, astuta e bem persuasiva quando queria.
Draco por outro lado sentia-se sobrecarregado e logo em seguida, sentia-se culpado por sobrecarregar Hermione também com toda essa história. Mas logo o sentimento passava quando ele a via tão compenetrada nos papéis a sua frente. Ela não estava fazendo isso só por ele, ela fazia por que gostava. Aí ele se lembrou de que ela tinha dito que nunca tinha exercido a profissão. E o sentimento passaria de culpa diretamente pra contentamento. Ele estava dando a ela a chance de praticar o que havia aprendido a um tempo atrás. Então ele sorriu e se levantou.
— Vou deixar tudo isso com você, caso queira continuar a estudar a documentação.
— Tudo bem. Apenas fique de olho por lá.
Ele sabia o que ela queria dizer então apenas assentiu.
— Você vem jantar aqui hoje? — Ela perguntou antes de chegarem à porta. Ele pensou por um instante e sorriu.
— Não. Hoje você vem jantar comigo lá em casa. — Ele afirmou. Não dando chance pra que ela recusasse, deu um beijo rápido e partiu.
Uma gritaria vinda do quarto das crianças tirou sua atenção da porta recentemente fechada e ela bufou indo até lá.
— O que está acontecendo aqui? — Ela perguntou da porta, com as mãos na cintura.
Olhando em volta ela notou a imensa bagunça do quarto. Os lençóis de cama estavam embolados em cima da cama com muitas marcas de sapatos. Um dos travesseiros despejava pena pra todo lado e a escrivaninha estava incrivelmente devastada, todas as canetas, folhas e cadernos espalhados pelo chão. Mas seus olhos cresceram quando viu o espelho em cacos no chão. A gritaria cessou enquanto as crianças na frente dela engoliram em seco, no mínimo percebendo a mesma coisa que ela. Os olhos da morena brilharam de raiva contida.
— Mãe... — Rose chamou incerta.
— O que foi que aconteceu aqui? — Ela perguntou entredentes. Se ela fosse uma bruxa com uma varinha em mãos talvez seus filhos já teriam virado sapos.
— Nós estávamos... Rose tentou... a culpa foi dela que...
— Nada disso, foi você quem destruiu tudo-
— Mas foi você quem começou e não adianta ne-
— CHEGA! — Hermione gritou, totalmente enfezada.
As duas crianças abaixaram a cabeça e murmuraram um "desculpa mãe"
— Pelo amor de Deus, vocês estão tentando se matar? — Ela gritou fazendo os dois estremecerem. Quando Hugo fez menção de falar ela o cortou. — Não importa quem começou! Os dois vão limpar o quarto, agora! E se eu ouvir mais uma discussão vocês ficaram mais uma semana de castigo!
— Mais uma semana? Isso quer dizer que...- Hugo perguntou devagar.
— Sim, isso quer dizer que vocês dois estão um semana de castigo. Sem televisão, sem video-game e sem a companhia de James. Vocês vão pra escola e quando voltarem apenas farão seus deveres de casa e estudarão, nada mais que isso. E dormirão cedo também. A partir de hoje quero os dois em suas respectivas camas às 21 horas.
Ele gemeram em resposta.
— Agora tratem de arrumar essa bagunça!
Ela girou nos calcanhares e retornou à sala. Juntou os papéis jogados em cima da mesa e colocou em uma das gavetas da estante.
Meu Deus, por que diabos eu tive dois filhos com o temperamento bagunceiro de Rony?, ela perguntou pra si mesma antes de se jogar debaixo da água fria do chuveiro pra esfriar a cabeça.
(...)
Draco chegou de volta na empresa meia hora depois. Mais cedo do que ele previra, a dor de cabeça chegou, tão forte quanto na manhã anterior. Ele esfregou as têmporas antes de se jogar na cadeira confortável que um dia foi de seu pai. Já tinha pelo menos mais de dois meses que ele havia morrido e incrivelmente Draco não sentia falta dele. Mas sabia que sua mãe sentia. Ele podia ver como seus olhos perdiam o brilho magnífico quando o nome de Lúcio era citado em qualquer conversa, mesmo sem intenção. A um tempo atrás era difícil compreender a devoção que sua mãe tinha para com seu pai, mas quando ele conheceu Hermione ele subitamente entendeu o conceito. Embora ele não tivesse sido de todo fiel à sua esposa, ele era um excelente marido. Ele era dúvidas era melhor como marido do que como um pai. Draco que sabia que ele amava Narcisa mesmo que do seu jeito torto. Ele sorriu nostálgico. Não sentia falta dele, mas sem dúvidas sentia saudade de seus raros momentos de pai e filho.
De repente ele se lembrou de algo que a muito tempo não pensava. Seu olhar caiu pra gaveta que se mantinha intacta e a curiosidade quase o sufocou. Ele precisava saber o que tinha ali. Sem dúvidas era algo extremamente importante, uma vez que estava trancado dentro de uma gaveta do seu escritório onde ninguém sequer tinha acesso antes dele morrer.
Mas eu ainda não encontrei a maldita chave!, ele pensou frustrado. Mas logo a frustração foi substituída por um sorriso de satisfação. Pra que existem chaveiros se não para abrir coisas? Ele entraria em contato com um o mais breve possível!
Uma batida leve na porta o trouxe de volta pra realidade e pro problema que estava enfrentando. Sua secretária entrou com um copo de água e comprimidos.
— O senhor está com uma cara péssima então tomei a liberdade de trazer uns comprimidos pra dor de cabeça.
Draco sorriu irônico. Ele gostava de Cho justamente por isso, ela era uma ótima secretária e em alguns casos se saía uma bela mãe.
— Obrigada Cho.
Ele tomou os comprimidos que ela trazia na mão e antes que ela saísse ele a chamou.
— Faça um favor pra mim e convoque todos para uma reunião de emergência. — Ela assentiu e saiu.
Estava na hora dele tomar as rédeas da situação. Tomando o restante da água que tinha no copo ele se levantou e caminhou até a sala de reuniões no fim do corredor. As paredes envidraçadas mostravam que todos já estavam lá. Cho era realmente eficiente.
— Boa tarde a todos. As notícias que tenho pra dar não são muito boas.
Todos o olhavam atentamente. Nunca tinham visto o Jovem Malfoy tão sério como naquele momento. A sala estava em um silêncio absoluto enquanto ouviam o que ele tinha a dizer.
— Infelizmente, fomos acusados de roubo. — Alguns arregalaram os olhos, outros continuaram em suas poses habituais. — Uma acusação injusta devo acrescentar.
— Essa é uma acusação muito séria Sr Malfoy. — Um dos funcionários falou enquanto outros concordaram.
— Sim é. Felizmente já estou resolvendo isso da melhor forma possível. No entanto, tudo o que acontecer nesta empresa deverá passar por mim. Tudo que entrar ou sair deve ter o meu consentimento.
Ele respirou por um momento.
— Portanto se tem algo que alguém queira dizer, que diga agora. — Ele hesitou em olhar diretamente pra Snape mas o fez. O homem continuava com a expressão impassível, mas Draco viu quando seu pomo de adão subiu e desceu quando ele engoliu em seco. Essa era a confirmação que ele precisava. Ele tornou a rodear os olhos pelas pessoas na sala mas ninguém ousava respirar.
Era óbvio que Draco estava acusando alguém presente naquela sala do possível roubo. Mas ninguém fazia ideia de quem poderia ser.
— Bom, isso é tudo. Podem retornar pra suas atividades anteriores.
Quando ele saiu da sala envidraçada, percebeu contente que os comprimidos que Cho lhe dera já estavam fazendo efeito.
Já passava das 17 horas quando ele deixou o prédio da Malfoy Seguros. Ele estava feliz que Hermione estava indo jantar com ele hoje e ele precisava avisar sua mãe e Winky, para que pudessem preparar tudo. Parado num dos sinais de trânsito na Oxford Street, ele girou os olhos pro lado. Uma joalheria simples, porém cara estava diante dos seus olhos. Sem pensar muito, estacionou o carro de qualquer jeito e foi até a loja.
— Boa tarde senhor, posso ajudar? — Uma mulher de cabelos loiros e longos, extremamente bem vestida o saudou.
— Bem, sim, eu procuro algo pra uma pessoa especial.
A mulher sorriu diante de suas palavras.
— Alguma pedra em especial? — Ela perguntou quando eles caminharam pro fundo da loja. Ele negou com a cabeça.
— Diamantes talvez? — Ela ofereceu uma caixa de veludo contendo um lindo cordão prata todo cercado de diamantes. Ele avaliou por um momento mas disse que não era o que procurava.
Depois de mais umas cinco jóais mostradas, ele olhava pra uma das vitrines frustrado. Então ele viu. E achou perfeito.
— É esse. — Ele afirmou quando a loira veio em sua direção. — Vou levar esse. — Ele sorriu quando a mulher suspirou em contentamento. Era um jóia realmente linda.
(...)
Eram 20:40 quando Hermione terminou de se arrumar. Ela vestia um vestido preto e simples, com um único decote cavado na parte frontal. Ele ia até o meio de suas coxas nuas. Não estava frio então ela podia simplesmente deixar de lado qualquer tipo de meia calça. Seus cabelos estavam soltos e levemente ondulados, quase em sua forma natural. Os soltos de camurça, cor de chumbo, combinavam com o sobretudo de mesma cor. Ela estava simples mas elegante. E definitivamente gostava do que via no espelho. A campainha tocou, anunciando a chegada de Minerva.
— Atendam a porta! — Hermione gritou do quarto. Passos foram ouvidos no corredor e ela quase teve certeza de que eles estavam brigando pra saber quem iria abrir a porta primeiro. Ela suspirou antes de sair do quarto e ir até a sala.
— Minerva! — Hermione abraçou a velha senhora.
— Olá querida, você está fantástica! — Ela elogiou quando pôs os olhos em Hermione. A morena corou e abaixou a cabeça.
— Obrigada. — Respondeu tímida. — Obrigada por cuidar das crianças pela segunda vez hoje. Eu realmente não tinha com quem deixá-los. — Ela suspirou.
— Oh, não se preocupe, eu adoro Rose e Hugo, são como netos pra mim! — Minerva sorriu.
O interfone tocou e Hermione atendeu já sabendo quem era.
— Estou descendo! — Ela anunciou antes de se virar pras duas crianças com cara de inocente. — Eu espero que vocês se comportem e não se esqueça do que falei hoje cedo.
Eles assentiram. Se Hermione não conhecesse seus filhos tão bem diria que eles estavam envergonhados com a lembrança do quarto destruído horas antes.
— Bom, até mais tarde então.
Ela se despediu e saiu.
Encostado na porta do carro com os olhos baixos estava Draco. Impecavelmente vestido com calça jeans escura e blusa social azul-marinho com as mangas dobradas até os cotovelos. Ela parou um momento pra observar a bela visão de seu homem à luz da lua. Os cabelos brilhavam perolados em contraste com a roupa escura, assim como sua pele pálida era reluzente. Ele parecia um anjo do mal. Hermione notou segundos depois que ele estava fumando. E pela graça de Deus, aquilo era extremamente sexy. Ela sentiu seu ventre formigar em resposta àquela visão no momento em que ele levantou os olhos pra ela. A mão que levava o cigarro em direção à boca parou no meio do caminho, assim como os olhos dele cravaram no seu decote. Se ela não estivesse tão entretida com a cena que se seguia à sua frente, ela teria ficado envergonhada.
Ela se aproximou dele, enquanto ele apenas observava o caminhar confiante dela. Então ela fez algo que surpreendeu à ele e a si mesma. Tomou o cigarro de suas mãos e levou à boca. Tragou a fumaça enquanto o encarava e soltou-a lentamente em seu rosto segundos depois. Ele parecia hipnotizado. Antes que ela pudesse levar o cigarro até a boca de novo ele a puxou pra um beijo ardente. Em questão de segundos era ela quem estava com as costas no carro, enquanto Draco a prensava sem dó, nem piedade. Quando a língua dele entrou em contato com a sua, ela pensou que poderia desmaiar ali mesmo. As mãos dele praticamente voaram pra dentro de seu sobretudo e apertaram seus quadris contra o dele. Ela gemeu em aprovação quando sentiu o volume contra sua barriga. Quando Draco tentou colocar a mão por baixo de seu vestido ela finalmente despertou. Céus, eles estavam no meio da rua!
— Estamos no meio da rua. — Ela sussurrou contra seus lábios. Ele pareceu sair do transe também.
— Desculpe. — Ele respondeu, voltando sua mão pra descansar comportadamente na cintura dela. — Você me fez perder o controle.
Ela riu e se afastou. Ele abriu a porta na qual ela estivera encostada e ela entrou. Ele foi pro lado e sentou no banco do motorista.
— Não sabia que fumava. — Ele comentou com a voz rouca. Provavelmente lembrando do momento em que ela tinha feito aquilo.
— Bem, eu não fumo. Fiz isso algumas vezes na adolescência mas foi só.
— Foi a cena mais excitante que já presenciei em toda minha vida. — Ele respondeu sério e Hermione corou.
— Bem, digo o mesmo pra você então. — Ela piscou e riu.
Poucos minutos depois eles desciam no carro na porta da Mansão Malfoy. Segundo Draco, sua mãe tinha saído pra resolver alguns assuntos e só voltaria no dia seguinte. Ele abriu a porta pra que ela passasse e ambos caminharam até a cozinha de mãos dadas.
Quando eles já estavam sentados esperando refeição ser servida, Draco levantou e caminhou até uma porta adjacente da Sala de Estar. Hermione observou curiosa ele desaparecer através da porta e voltar com as mãos escondidas nas costas. Ela lhe lançou um olhar desconfiado e ele sorriu.
— Eu estava em uma loja hoje cedo e resolvi te comprar um presente pra te agradecer por estar sempre comigo. E eu achei esse aqui perfeito.
Ele depositou a caixa quadrada encima da mesa e Hermione arregalou os olhos. Ele havia lhe comprado uma jóia? Ela levantou uma das mãos insegura e aproximou a caixa de seus olhos. Com as mãos trêmulas, ela abriu o fecho e levantou a tampa.
— Draco... — Ela tentou soar reprovadora mas ele a cortou.
— São esmeraldas. Verde é minha cor preferida. Assim, sempre que você sentir minha falta você olhará pra ela e se lembrará de mim. Assim, eu sempre estarei com você, o tempo todo.
— Eu nem sei o que dizer... — Ela sussurrou com a voz rouca, devido a vontade de chorar de alegria.
— Apenas diga se gostou. — Ele parecia realmente nervoso diante da reação dela.
— Eu... amei. — Hermione concluiu como ela levantou o olhar da pulseira descansando na mesa pra focar nos olhos dele. Ele sorriu com alívio. — É perfeito. — Ela continuou e tirou a pulseira da caixa.
Ele estendeu a mão e a pegou, Hermione estendeu o braço pra que ele pudesse colocar em seu pulso. A pulseira fazia um enorme contraste com as suas roupas de cores frias. A pulseira prateada, cravada com pequenas gotas de esmeraldas ao redor coube perfeitamente em seu pulso fino. Ela ainda olhava admirada pra jóia quando ela se lembrou de algo.
— Como você pode me comprar algo assim quando você está enfrentando um processo? — Bem, essa era a Hermione que ele conhecia, sempre racional.
— Exatamente por isso. Veja também como presente por ser minha advogada sexy. — Ele sorriu marotamente.
— Você não tem jeito! — Ela exclamou em meio a risadas.
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