Dramione - House Of Night
17 Novidades
Notas iniciais
Já fazia mais de uma semana que Draco entrara numa busca incansável pela chave da misteriosa gaveta na antiga sala de seu pai. Imaginava milhares de coisas possíveis e impossíveis. Algum segredo seu pai escondia ali.
— Mãe, a senhora tem certeza que nunca viu a maldita chave daquela gaveta? — Draco perguntava pela milésima vez. Narcisa estremeceu com a pergunta, achava que Draco havia desistido disso.
— Sim, Draco. — Respondeu sem encará-lo.
— Não é possível, ela tem que estar em algum lugar. — Ponderou Draco, frustrado.
— Esquece isso. — Pediu Narcisa, ansiosa.
— Impossível. — Rebateu Draco.
Narcisa suspirou e deixou o quarto, que dividia com o marido, para trás. Draco deu mais uma vasculhada no quarto e saiu de lá frustrado, como sempre. Ainda precisava trabalhar.
Tomou uma ducha rápida e se arrumou para mais um dia cansativo de trabalho. Só o animava o fato de que jantaria com Hermione mais tarde. Sorriu lembrando de como o relacionamento deles ia bem, e o quanto ele se encontrava feliz com ela.
Entrou no carro e dirigiu tediosamente até a Malfoy Seguros. Hoje teria uma reunião importante com os diretores da empresa e ele, como presidente, era obrigado a participar. Estacionou o carro na sua vaga de sempre e entrou. Deu bom dia pra recepcionista e pra muitos outros que encontrou pelo caminho até sua sala.
Como já era esperado, uma pilha de relatórios já estava em cima da mesa para que ele avaliasse. Mas percebeu, além dos típicos relatórios, uma carta endereçada a seu pai.
Sua secretária bateu na porta tirando sua atenção do envelope.
— Sr Malfoy, cinco minutos para a reunião.
— Já vou indo. — Respondeu Draco.
Pegou a maleta que carregava consigo e deixou a sala acompanhada da secretária. A sala de reuniões era a maior de todas e ficava no segundo andar. Alguns homens já esperavam para que começasse.
— Bom dia. — Draco falou formalmente quando entrou na grande sala. Todos o responderam. — Já estão todos aqui? — Perguntou ao vice-presidente da empresa, Severo Snape. Um homem de extrema confiança de seu pai. Ele acenou positivamente.
— Como sabem, a Malfoy Seguros sofreu uma perda importante a pouco mais de duas semanas. Estou fazendo o possível pra que consiga resultados tão bons quanto os que meu pai teve aqui dentro. Como sabem também, faz algum tempo que a empresa não consegue muitos lucros e estamos perdendo cada vez mais ações no mercado.
— Senhor Malfoy? — Um senhor de aparência cansada chamou sua atenção.
— Sim sr Flitwick?
— Acabamos de perder mais dois investidores. Se continuar dessa forma teremos que anunciar falência. — Draco passou as mãos pelos cabelos, sinal de que estava nervoso.
— Acho que a situação está pior do que eu pensava. — Ele falou, mais para si mesmo, suspirando.
— Nós temos pouco dinheiro para investir no mercado mas podemos vender algumas ações. — Disse um dos diretores que estava a esquerda de Draco.
— É o que faremos. Liguem para nossos atuais investidores e façam propostas. Não podemos perdê-los.
— Sim, senhor.
— Estão liberados. — Draco anunciou e os demais homens começaram a arrumar suas coisas e a se levantar. Com um aceno de cabeça eles saíram.
— Ainda temos dívidas a pagar. A nossa situação só piora. Se continuar assim, teremos que fechar as portas e colocar quase 350 empregados no olho da rua! — Snape falou exasperado depois que só tinham ele e Draco na sala.
— Eu sei Severo! — Bufou Draco.
— Tem algo em mente? — Perguntou Severo, curioso.
— Tenho. Descobrir por que estamos perdendo tanto dinheiro em tão pouco tempo. Precisamos saber onde estamos errando ou vamos acabar na rua da amargura.
— Está certo, senhor.
Draco despediu-se do homem que vestia um terno tão negro quanto seus próprios cabelos e que mantinha expressão de desdém. Entrou na sala as pressas e pediu para que sua secretária não deixasse ninguém incomodá-lo.
Pegou a garrafa de uísque de Lúcio e depositou uma generosa quantidade em seu copo. Tomou tudo num gole, na intenção de deixar toda a tensão da reunião pra trás. Do outro canto da sala conseguiu ver novamente o envelope que se destacava dos demais papéis em cima da mesa.
Largou o copo na mesinha e foi até lá. Abriu o envelope com certo receio e tirou a carta de dentro. Seu semblante passou de receoso pra raivoso num intervalo de meio segundo. O conteúdo da carta não poderia ser uma notícia pior. Era uma carta informal de cobrança.
“Caro Lúcio, espero que não se esqueça que me deve uma boa quantidade de dinheiro. Você tem até o fim do mês pra quitar suas dívidas comigo ou haverá consequências.
Tom Riddle.”
As mãos de Draco fecharam em punho. Ele não conseguia acreditar no caos que sua vida estava se tornando com a morte do seu pai. Quem diabos era Tom Riddle e por que seu pai estava devendo ele? “Nem morto ele me deixa viver em paz!” pensou Draco.
Saiu da sala e chamou a secretária.
— Cho. Preciso que consiga o telefone de Tom Riddle o mais rápido que você puder.
— Pode deixar Sr Malfoy.
Voltou para a sala e ficou lá trancado o dia inteiro. Analisava os relatórios minuciosamente mas sua atenção sempre voltava pra tal dívida que seu pai tinha com Tom Riddle. E por que o nome Tom Riddle lhe era tão familiar.
Encostou-se no encosto da cadeira e fechou os olhos numa débil tentativa de se concentrar no trabalho. Ainda faltavam algumas horas pra encontrar com Hermione e isso o deixava ainda mais desconcentrado. Lembrou-se que já era sexta e se permitiu relaxar por alguns minutos.
As horas passaram razoavelmente rápidas na opinião de Draco. Agora ele já se via praticamente correndo até em casa pra tomar um banho e se arrumar pro jantar.
Olhou no relógio e percebeu que tinha meia hora pra se aprontar. Deu graças a Deus por ser homem e conseguiu estar pronto em 20 minutos. Agora tinha que correr até a casa dela.
Saiu cantando pneu pelas ruas até parar bruscamente em frente o prédio dela. Tocou o interfone avisando que havia chego e voltou a se encostar no carro. Puxou um maço de cigarros reservas que sempre levava consigo pro caso de precisar e acendeu um enquanto esperava-a descer.
Depois do que lhe pareceu uma eternidade ele a viu descer as escadas da entrada, maravilhosa como sempre. Olhou pra ele sorridente mas seu sorriso diminuiu ao ver o cigarro em suas mãos. Esquecia-se do quanto ela odiava cigarro.
— Dia difícil. — Ele se explicou e ela apenas balançou a cabeça. Jogou o cigarro fora e abriu a porta do carona pra ela. Antes de entrar ela deu-lhe um beijo, como se demonstrasse que não se importava com o cigarro que ele havia acabado de fumar.
Draco dirigiu durante alguns minutos até seu restaurante favorito. Queria levá-la lá pra que ela aproveitasse ao máximo aquela noite, e queria também esquecer o longo dia que tivera no trabalho.
— Senhor Malfoy, é um prazer vê-lo por aqui. Sua mesa especial foi reservada, venham comigo. — Um senhor meio careca, recepcionista do restaurante, os levou até uma mesa um pouco distante da entrada e eles sentaram-se.
— O que vai querer? — Draco perguntou quando os dois já tinham o cardápio em mãos.
— Surpreenda-me. — Ela falou sorrindo.
Draco chamou o garçom e pediu algo que Hermione não soube identificar. Tomavam uma garrafa de vinho enquanto aguardavam.
— O que tanto te incomoda? — Hermione perguntou quando percebeu o olhar vago dele.
— A empresa. Estamos indo à falência. — Ele suspirou cansado. — Perdemos investidores, as ações caíram, temos recebido cartas de cobranças e não sabemos o que fazer.
Hermione o olhou solidária.
— Você dará um jeito nisso tudo. Eu sei que sim. — Ele segurou as mãos dela e as apertou carinhosamente. Só mesmo Hermione para confiar nele dessa forma.
Longe do olhar dos dois, Pansy Parkinson entrava no mesmo restaurante. Seguiu um dos funcionários até uma mesa no canto do grande salão e sentou-se. Passou os olhos pelo lugar e quase se engasgou com a água ao ver Draco do outro lado. Mas sua surpresa foi muito maior ao ver que ele estava acompanhado dela. Ou o destino estava lhe pregando uma peça, ou lhe dando uma chance de conseguir o que queria. E nesse momento, o que ela mais queria era Draco.
Continuou a observar o casal. Tinham algum relacionamento, isso era claro. Pareciam incondicionalmente apaixonados. Mas Pansy não permitiria aquilo. Draco era seu e sempre seria, ela saberia como agradá-lo e fazê-lo voltar pra ela. Ah, mas ela saberia.
Levantou-se pra ir ao banheiro que ironicamente era próximo à mesa deles. Passou lentamente por lá, sem deixar a acompanhante de Draco perceber que ela estava ali. Draco a viu e ficou pálido feito um fantasma.
— Draco? Você está bem?
— Estou… Eu.. To sim. Vou ao banheiro, isso, vou ao banheiro. Já volto.
Levantou numa velocidade incrível e entrou no corredor que levava aos banheiros. Sua ex-noiva o esperava sorridente como se tivesse previsto que ele iria até lá.
— O que faz aqui? — Ele perguntou entredentes.
— Pelo que eu me lembre este é um lugar público. Vim jantar.
— Não pode estar aqui! — Ele disse mais pra si mesmo do que pra ela.
— Por causa dela? Não acredito que me trocou por ela. Achei que tivesse bom gosto, Draquinho.
O loiro cerrou os punhos, as unhas cravaram em suas mãos. Sentia uma raiva tão grande que pensou que pudesse ser capaz de bater na mulher à sua frente.
— Ela é muito melhor que você em muitos sentidos.
— Você se lembra como eu era boa na cama? — Ela aproximou-se e ele a empurrou bruscamente.
— Me recuso a lembrar de qualquer coisa sobre você. — Ele disse sério. — Com licença. — Ele virou-se pra voltar pra sua mesa e pra companhia de Hermione mas a morena o puxou pelo braço.
— Não medirei esforços pra tê-lo de volta.
— Perderá seu tempo. — Ele disse rispidamente e saiu.
Respirou fundo tentando se livrar da raiva que sentia antes de encarar Hermione.
— O que foi que houve?
— Apenas senti um mal estar, mas já passou.
— Você parece nervoso.
— Aquele assunto da empresa não deixa minha mente em paz. — Sentiu-se mal por mentir tão descaradamente.
— Precisa esquecer disso, só hoje. Vamos aproveitar a noite juntos e deixar os problemas pra amanhã.
O garçom serviu os pratos e eles comeram praticamente em silêncio. Já na sobremesa, Hermione resolveu se pronunciar.
— Seu aniversário está chegando, o que pretende fazer? — Perguntou enquanto dava uma colherada no grande sorvete que dividiam.
— Minha mãe quer fazer um jantar. Por mim eu não faria nada, ainda mais agora.
— Já disse pra não pensar nisso, nós vamos resolver esse assunto. E eu acho que deveria deixar sua mãe fazer o jantar, ela precisa de algo pra ocupar a mente.
— Acho que está certa.
Hermione o olhou com uma cara de “é óbvio que estou certa” e ele riu.
Ao longe, viu Parkinson se retirar do restaurante com um aceno de cabeça pra ele. Ela seria um problema dos grandes. Ainda sim, não sabia como faria pra contar pra Hermione que sua ex-noiva havia voltado.
— Tenho uma novidade pra contar! — Ela falou subitamente como se só tivesse lembrado naquele momento.
— O que? — Ele perguntou com a sobrancelha arqueada.
— Uma amiga minha, Lilá, conseguiu uma vaga pra mim na Escola de Dança que ela dá aula. Uma professora se machucou e vai ficar fora durante um bom tempo. Começo na segunda! — Ela falou feliz.
— Isso é incrível!
— É sim! Nunca pensei que um dia eu pudesse dar aula. Vai ser divertido!
— Divertido seria se você me mostrasse alguns passos daquela dança que fez lá na boate. Só pra mim sabe, tipo uma apresentação particular. — Ele disse sugestivamente e ela corou.
— Pervertido! — Ela riu. — Vamos? Deve estar cansado.
— Depende.
— Depende do que?
— Não estou cansado pra uma coisa.
— Você nunca está cansado pra isso. — Ela rolou os olhos aos risos.
**
Estacionou o carro em frente ao prédio dela, soltou o cinto enquanto ela fazia o mesmo. Puxou ela pelo braço, fazendo com que sentasse em seu colo. Se beijaram ardentemente enquanto trocavam carícias mais ousadas. Hermione separou-se do loiro e sussurrou:
— Aqui não. — Ela desconfiava que ele não tivesse ouvido já que suas mãos entravam por debaixo do vestido quase alcançando sua intimidade.
— Aqui sim. — Ele sussurrou com a boca ainda grudada na dela.
Ela gemeu quando a mão dele a estimulou por cima da calcinha. Ela perdeu os sentidos por alguns momentos. Era sempre assim, todos os toques do loiro a faziam perder a cabeça, faziam ela ir até o céu e voltar só pra ir até o céu de novo.
Ela tentou dizer alguma coisa mas ele a calou com um beijo luxurioso. Ela se deixou levar pelas sensações que ele lhe causava. Quando percebeu, ele já estava dentro dela, gemendo baixo no seu ouvido, fazendo-a delirar de prazer.
Chegaram ao ápice praticamente juntos e ela deixou seu corpo mole cair sobre ele. Respiravam com dificuldade e os corações batiam feito loucos.
— Eu disse “aqui não”. — Ela falou com a respiração ainda afetada. Ele riu.
Ela saiu de cima dele, ambos se ajeitaram e saíram do carro. Abraçados, caminharam até a entrada do prédio.
Adentraram o apartamento e encontraram Minerva dormindo no sofá e as crianças dormindo no quarto.
— Acho que demoramos mais que o previsto. — Draco falou.
— Minerva! — Hermione acordou a senhora que dormia tranquilamente no sofá.
— Hermione querida, já chegaram? Oh, desculpem-me por ter dormido, o dia foi bem cansativo pra mim.
— Tudo bem Minerva, pode ir pra sua casa descansar. Obrigada por cuidar deles pra mim.
A velha senhora despediu-se dos dois e saiu pela porta.
— Vamos dormir! — Hermione decretou com os olhos cerrados pro loiro.
— Sim, senhora. — Ele bateu continência fazendo Hermione rir.
Logo em seguida ele a abraçou por trás e os dois caminharam assim até o quarto dela.
Fale com o autor