Dramione - House Of Night
18 Quem é Tom Riddle?
Notas iniciais
Draco saíra da casa de Hermione logo cedo. Ela tinha muito o que fazer e Hugo praticamente o colocou pra fora de lá, como sempre. Não sabia mais o que fazer pra que o garoto gostasse dele mas não desistiria, afinal, o namoro dele e de Hermione só estava progredindo.
Havia acabado de passar pela porta da frente de casa quando viu uma cena um tanto quanto incomum. Sua mãe e sua tia desciam as escadas que levava aos quartos.
- Tia Bela? — as duas que não o havia visto se assustaram.
- Oi Draco, como você está?
- Bem, o que faz aqui? — Ele perguntou curioso.
- Ela veio conversar comigo. Eu a chamei aqui.
- Sobre o que? — Draco estranhou o nervosismo de sua mãe.
- Assuntos de irmã. — Belatriz falou colocando um ponto final no assunto. Draco deu de ombros e subiu. — Estávamos também falando sobre o jantar de aniversário que faremos pra você no próximo fim de semana.
Achou estranho a mudança repentina de comportamento das duas. Não era segredo pra ninguém que elas não se falavam por causa de Lúcio. Quando mais novas, Belatriz namorava Lúcio as escondidas. Naquela época, a maioria dos casamentos eram arranjados, o amor não importava, o que importava eram os bens materiais que conseguiriam com tal união. Narcisa também era apaixonada por Lúcio, mas ele não tinha olhos pra ela, só pra linda e poderosa Belatriz. Deixou-se levar pela emoção ao descobrir que sua irmã e o amor da sua vida namoravam escondidos. Contou ao pai sobre seu amor à Lúcio Malfoy e o Sr Black viu nisso, uma ótima oportunidade. Sua filha estaria feliz, e ele só ganharia com essa união. Uma longa conversa com o Sr Malfoy e estava tudo certo: Narcisa e Lúcio se casariam para benefício das duas famílias. Narcisa não podia estar mais feliz com tudo isso. Apesar de amar Belatriz, Lúcio tinha um grande carinho por Narcisa e pra ela, isso bastava. Obviamente sua irmã nunca a perdoou por isso. No fim, Belatriz acabou por se casar com Rodolfo Lestrange enquanto via a irmã ao lado de seu único amor. Todos sabiam que elas não se falavam, mas poucos sabiam o motivo. Draco era um desses poucos.
Jogou-se na cama de seu quarto e ficou observando o teto. A imagem de Pansy no restaurante veio à tona. Ele sabia que ela não desistiria tão fácil mas ele ia dar um jeito nela. Tanto nela quanto no tal de Tom Riddle. Deu graças a Deus por não ter de ir trabalhar aos finais de semana ou ficaria maluco. Seu celular tocou em seu bolso e ele estendeu a mão preguiçosamente pra pegá-lo. Olhou no visor e ao ler o nome de sua secretária piscar na tela, sentou-se de súbito.
- Cho?
- Sr Malfoy, desculpe ligar assim. É que o senhor me pediu o telefone do… Sr Riddle. Não consegui, mas ele ligou pra cá à procura do senhor.
- A minha procura? — Ele franziu o cenho pro telefone.
- Sim. Ele perguntou especificamente pelo senhor. Deixou também um número de telefone caso queira entrar em contato.
- Pode falar o número. — Draco pegou um pedaço de papel de cima de sua escrivaninha e uma caneta. Anotou o telefone e desligou.
Discou os números que sua secretária tinha lhe dado e logo uma voz masculina atendeu.
- Draco Malfoy… Não achei que fosse ligar tão cedo. — Uma voz arrastada e fria soou do outro lado da linha. Ele sentiu um arrepio na espinha.
- Como soube…
- Eu sei de tudo, Draco. Mas sei que não é sobre isso que quer falar.
- A dívida. Quero conversar sobre a dívida de meu pai. — Draco foi direto ao assunto, não se sentia confortável com aquela conversa.
- Devíamos falar disso pessoalmente, não acha? Amanhã estarei na cidade… um dos meus homens o levará até lá.
O homem desligou o telefone e Draco ficou se perguntando que diabos fora aquilo. Foi tirado de seus devaneios por algumas vozes no andar de baixo mas eram apenas sua tia e sua mãe conversando, ou brigando, Draco não se importava.
***
Era domingo de manhã, Draco havia acabado de acordar de uma maravilhosa noite de sono e estava pronto pro café da manhã. Procurou o jornal pra ler mas não encontrou. Pegou alguns trocados no bolso e saiu de casa a procura de uma banca de jornal aberta àquela hora.
Pouco depois de ter virado na esquina da sua rua, um carro preto passou a acompanhá-lo de longe. Ele, percebendo isso, começou a caminhar de volta pra casa, como se tivesse esquecido algo. O carro aumentou a velocidade e o alcançou. Dois homens encapuzados o surpreendeu e o jogaram dentro do carro. Tudo o que conseguiu ver depois foi a escuridão conforme ia perdendo a consciência.
Seus sentidos ainda estavam voltando ao normal, ele se recusava a abrir os olhos. Da última vez que tentara, a luz do lugar onde se encontrava praticamente o cegou. Sentia as cordas apertadas em suas mãos e pernas e sua cabeça latejava furiosamente. Tentou pela segunda vez abrir os olhos; abriu lentamente um de cada vez, tentando se acostumar com a claridade e focar alguma coisa. Quando seus olhos entraram em foco, viu uma figura tomar forma à sua frente.
- Até que enfim acordou, Draco. — Ele reconheceu a voz fria e arrastada de Tom Riddle. Se havia se arrepiado ao ouvi-la pelo telefone, nada se comparava a ouvi-la pessoalmente.
- Onde estou? — Draco tentou falar e percebeu que sua boca estava seca. Sua cabeça doía mais ainda agora que tentava ver através da luz forte.
- Não importa. Você não queria conversar? Aqui estamos.
- Quem é você? — Draco perguntou, os olhos fechados devido a dor.
- Tom Riddle. Ou Voldemort. O que você achar melhor. — O homem deu uma risada maquiavélica.
Draco abriu os olhos espantados. Agora se lembrava da onde tinha ouvido tal nome. A pouco menos de um mês havia visto na televisão uma matéria sobre um mafioso que a polícia estava a procura já havia mais de 10 anos. Nunca haviam sequer encostado a mão nele e Draco soube naquele exato momento que ele sempre tinha o controle sobre tudo. Mas uma coisa martelava na sua cabeça, por que seu pai tinha uma dívida com um mafioso americano?
- Vamos falar sobre a dívida. — Draco falou e o homem concordou. — Da onde surgiu essa dívida?
- Da onde mais dívidas assim surgem, meu rapaz? Jogo. Seu pai era um dos melhores jogadores que eu tinha, mas perdeu a habilidade com o tempo.
Draco meneou a cabeça, se recusando a acreditar numa coisa dessas. Nunca havia visto seu pai ganhar nem uma partida de buraco.
- Quanto ele lhe deve?
- 10.
- 10 mil? — Draco franziu o cenho. Outra risada fria cortou o ar.
- 10 milhões!
O loiro perdeu o ar por alguns segundos.
- Não posso pagar. — Falou subitamente.
- Terá que pagar. — O homem se aproximou.
- Não tenho todo esse dinheiro. E não tenho nada a ver com isso. Meu pai morreu, a dívida morre com ele.
Draco viu estrelas ao receber um soco no estômago.
- Não me interessa. Tem até o fim do mês pra arrumar o dinheiro. Brinque com minha paciência e verá que as consequências serão graves.
Sentiu outro soco ser desferido, dessa vez no seu rosto. A dor aumentou de uma forma que ele sentiu que perderia a consciência de novo; logo desmaiou.
Acordou totalmente dolorido, a cabeça parecia ter sido atropelada por um trator. Percebeu com grande esforço que já havia anoitecido e que estava na esquina da sua rua. Levantou-se do chão com dificuldade e se olhou no retrovisor de um carro parado próximo a ele. Sua aparência estava horrível. Roupas sujas, sangue por todo o rosto e cabelos bagunçados.
- Que droga foi aquilo? — Ele perguntou pra si mesmo enquanto começava a andar pelo caminho contrário à sua casa. Se chegasse assim, sua mãe teria um ataque do coração e além do mais não saberia como explicar o acontecido.
Depois de uma boa meia hora andando chegou aonde queria. Tocou a campainha da casa do amigo e encostou-se na porta, mal conseguindo aguentar o próprio peso do corpo dolorido.
A porta abriu fazendo com que ele perdesse o equilíbrio que já não tinha mais e caísse em cima de Blás. O amigo o amparou antes que ele chegasse ao chão.
- Draco? Que porra é essa? Vem. — Blás passou o braço dele por cima de seu ombro e o ajudou a andar até seu quarto. Largou-o encima da cama. — Dá pra me falar por que você tá todo arrebentado?
Draco tentou sentar-se na cama mas sentiu seu estômago se contrair e doer, tanto de fome quanto do soco que havia levado.
Explicou em poucas palavras o que havia acontecido e o motivo e Blás o olhava incrédulo.
- Você tá ferrado. É isso, você tá incrivelmente ferrado. Já pode começar a cavar sua própria cova.
- Mas que droga! — Draco gritou exasperado. — Nem com meu pai morto eu tenho paz. Onde diabos eu vou arrumar 10 milhões?
- Posso tentar te ajudar. Posso te conseguir metade do dinheiro, já é alguma coisa.
- Não posso aceitar, isso é loucura.
- Não é hora pra ser modesto Draco, você precisa se livrar dessa dívida! Se ele fez isso com você quando foram conversar, imagine quando não pagar! Esse cara é perigoso. Vou te ajudar e não é você que vai me impedir!
Draco tentou retrucar mas o olhar de Blás sustentou o seu e ele não teve coragem. Nunca tinha visto o amigo tão determinado.
- Posso passar a noite aqui? Sem condições de ir pra casa assim. — Draco falou com os olhos fechados, sentindo as fisgadas que seu machucado no olho dava.
- Vou pegar algum remédio pra dor. Fica a vontade por aqui.
Blás saiu deixando Draco sozinho no quarto.
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