Dramione - House Of Night
22 Gina Potter quer explicações.
Notas iniciais
Draco não dormiu naquela noite. Passou a noite em claro sentado no escritório de seu pai refletindo sobre os acontecimentos de horas atrás. Ainda estava na mesma posição desde que Blás saíra dali exceto pela garrafa de whisky em uma mão e um cigarro pela metade na outra.
Tragou fundo deixando a fumaça entrar e intoxicar seus pulmões, não se importava com isso. Pôde ver pela janela que o sol já brilhava alto no céu mas não se importou. Seu corpo implorava por descanso mas ele ignorou. Não queria levantar dali pra encarar o mundo.
Em cima da mesinha de centro seu celular tocava insistentemente mas ele sabia quem era e não estava com vontade nenhuma de atender. Fechou os olhos lembrando-se do choro e dos gritos de Hermione que ecoavam por sua mente. Em mais um dos seus acessos de raiva, pegou o celular e jogou-o longe. O aparelho bateu na parede e caiu no chão em silêncio. Draco tragou uma última vez o cigarro e o depositou no cinzeiro pegando outro logo em seguida.
- Não vai adiantar nada ficar sentado aí vendo a vida passar. — Narcisa falou encostada na porta do escritório. Foi até Draco e tirou o cigarro recém-aceso de sua mão e apagou no cinzeiro. — Também não vai adiantar nada destruir seu pulmão.
Ele bufou e deu um gole na garrafa de whisky. Narcisa sentou ao seu lado e o olhou fixamente esperando que ele fizesse o mesmo mas ele não fez, mantinha o olhar perdido vagueando pela sala.
- Você precisa descansar. Está com a cabeça quente e os pensamentos confusos. Um bom banho e um bom descanso vão te fazer pensar melhor no que fazer.
- Não há mais o que fazer. — Ele falou com um suspiro pesado.
- Sempre há o que fazer. Hermione é uma mulher sensata, tenho certeza que se vocês sentarem pra conversar irão se acertar.
- Ninguém é sensato quando se trata de sentimentos. — Ele repetiu mecanicamente a frase que o amigo lhe dissera mais cedo.
- Converse com ela, Draco. Não faça como fez com a Pansy quando ela foi embora. — Draco apertou os punhos ao ouvir o nome da mulher que causara tudo aquilo. — Se você a ama, não desista até consegui-la de volta.
Ele suspirou e depositou a garrafa em cima da mesa. Finalmente olhou pra Narcisa e viu que não estava sozinho. Sorriu triste pra ela.
***
Hermione ainda se encontrava deitada na cama. Era visível em seu rosto que não havia dormido um minuto sequer na noite passada. Alguns flashes das coisas que aconteceram insistiam em lhe atormentar. Blás já havia ligado duas vezes desde que amanhecera e insistiu em ir até lá pra ficar com ela mas ela recusou, vê-lo fazia ela lembrar de Draco e era tudo que menos queria. Pegou o celular e ligou pra Gina. Ela e Harry tinham saído mais cedo da festa então não sabiam do ocorrido.
- Mione? — A ruiva atendeu com uma voz extremamente feliz.
- Gina? — Hermione forçou a voz que estava rouca depois de tanto choro.
- O que aconteceu? — A amiga perguntou preocupada. Só em lembrar do acontecido as lágrimas escorriam sem permissão.
- Preciso que venha me ver. Sozinha. — Ela disse com a voz embargada. Gina apenas confirmou preocupada e elas desligaram o telefone.
Hermione tornou a deitar na cama e abraçou os joelhos, ainda podia sentir o cheiro dele em sua pele trazendo lembranças da noite maravilhosa que tiveram. “Até aquilo acontecer” pensou com raiva.
Levantou-se determinada e praticamente arrancou as roupas do próprio corpo enquanto se dirigia pro banheiro. Ligou o chuveiro e deixou que a água fria lavasse suas lágrimas e qualquer vestígio de Draco que ainda estivesse nela. Sentou-se no chão do box e enterrou a cabeça nas mãos. A água caía fria e congelante mas ela pouco se importava, ao menos aliviava as dores de seu corpo. “Dores que ele causou” pensou novamente. Sentia que sua mente a traía por fazê-la lembrar disso a todo momento.
Inevitavelmente lembrou da cena que presenciou. Lembrou do sorriso vitorioso daquela mulher por ser capaz de magoá-la duas vezes. Ela sabia, ela não pareceu surpresa por vê-la lá. Quais eram as chances daquilo acontecer? Quais eram as chances dela ter sido noiva de Draco e também amante de Rony? As chances eram mínimas! O que Hermione havia feito pra merecer castigo como esse? Aquela mulher havia presenciado as duas piores noites de sua vida. Por mais que não quisesse admitir, vê-la com Draco foi mais doloroso do que vê-la com Rony. Talvez porque o que sentisse pelo loiro fosse algo totalmente diferente do que sentia pelo ruivo.
Perdeu a noção do tempo em que passou sentada embaixo do chuveiro, só saiu quando ouviu o interfone tocar insistentemente. Pegou a primeira roupa que viu pela frente e vestiu, o vestido que havia comprado pra usar especialmente na noite passada jazia dentro da lixeira do banheiro. A campainha da porta tocou e ela foi atender. Antes mesmo que fosse capaz de terminar de abrir a porta, se jogou nos braços da amiga e se permitiu chorar novamente.
Gina a segurou meio desajeitada e a conduziu até o sofá. Deixou que ela deitasse a cabeça em seu colo e chorasse feito uma criança que havia perdido seu brinquedo favorito pra sempre. E era assim que Hermione se sentia. Só o que pôde ser ouvido na próxima meia-hora foram os soluços da morena até que ela pegou no sono, totalmente esgotada. Sem se mexer muito, pegou uma almofada e colocou no lugar onde estava suas pernas e levantou. Pegou um cobertor no quarto e a cobriu. Ouviu o celular dela tocar no quarto e correu até ele. No visor do celular estava escrito “Blás” e Gina lembrou que era o amigo de Draco que conheceu na festa. Talvez ele tivesse alguma explicação sobre o que deixou Hermione assim.
- Hermione? — A voz do moreno perguntou do outro lado.
- Não, é Gina, amiga dela.
- Ah, só queria saber como ela está…
- Nada bem, mas agora está dormindo. Mas o que foi que aconteceu?
E então ele contou todo o acontecido pra ela. Gina fazia caras e bocas pelo celular a cada vez que ele falava alguma coisa e respondia com um “uhum”.
- Não se preocupe, ela está em boas mãos agora. — Ela disse e ele confirmou.
- Sei que sim. Quando ela acordar, diga que quero vê-la.
- Tudo bem.
Ambos desligaram o telefone e Gina suspirou. O telefone em sua mão tocou e ela se sobressaltou. Leu o nome “Draco” na tela e ficou pensando se atendia ou não. Decidiu que era melhor atender.
- Hermione? — A voz do loiro soou afetada do outro lado da linha.
- Não, Gina. — A ruiva ouviu um suspiro desconsolado e o silêncio permaneceu.
- Como ela está?
- Como você acha que ela está? — Gina vociferou apertando o celular. Não conseguia evitar a onda de raiva que a atingia naquele momento. Soube por Blás o que acontecera mas nem mesmo ele tinha presenciado nada. Mais silêncio do outro lado da linha.
- Me desculpe. — Ele falou com a voz fraca e Gina tentou manter a calma.
- Ela parece que chorou a noite toda e não dormiu nada. — Gina aproximou-se do banheiro e viu a bagunça que estava. Viu o vestido vermelho que ela havia usado na noite passada dentro da lixeira. — Eu quero saber o que aconteceu. Quero saber de você o que aconteceu. — Gina decretou e disse que ela poderia ir lá naquele exato momento.
- Chego aí em alguns minutos.
Gina pegou um pedaço de papel e escreveu um pequeno bilhete dizendo que voltava logo e saiu. Dirigiu alguns minutos até chegar nos enormes portões de ferro da Mansão Malfoy. Suspirou fundo e prosseguiu.
Draco a esperava no escritório de seu pai como disse a empregada. Assim que entrou o viu sentado no sofá, a mesma roupa de ontem e as feições cansadas mostravam que ele havia passado a noite ali.
- Draco. — Ela chamou quando passou pela porta. Ele a olhou sem esboçar nenhuma reação e fez um gesto pra que ela sentasse ao seu lado e ela o fez. — O que foi que aconteceu?
Depois de um longo tempo de silêncio, ele finalmente se pronunciou.
- Ela me fez a surpresa. Nós tivemos a melhor noite da minha vida e depois fomos dormir. — Ele respirou pesado e cansado. Ela continuou a observá-lo indicando que ele podia prosseguir. — Acordei um pouco antes dela e me vesti… Percebi que a festa ainda continuava lá na sala então saí do escritório.
Flashback on
Arrumei as mangas da minha camisa pra não parecerem tão amarrotadas e saí do escritório fechando a porta atrás de mim. Andei tranquilamente pelo corredor e entrei em um dos banheiros. Me olhei no espelho e arrumei os cabelos. Saí e dei uma olhada na quantidade de pessoas que ainda tinham na festa, eram poucas e todas conhecidas. Vi uma sombra atrás da minha e me virei assustado, mas não tão assustado do que quando vi quem era.
- Oi Draquinho. — Pansy falou num tom de voz baixo.
- Que porra que você tá fazendo aqui? — Falei exaltado.
- Eu disse que você não ia se ver livre de mim nem tão cedo. — Ela sorriu e eu senti a raiva crescer dentro de mim. Peguei pelo braço dela com certa força e a arrastei pra cozinha, longe do barulho lá fora.
- Já disse pra você sumir da minha vida! — Gritei.
- Nem pensar! — Ela insistiu.
- Pansy, você está ficando louca ou o que? Não pode ficar aparecendo assim! Já disse que nada em você me interessa e me impressiono por um dia ter me interessado.
- Tudo isso por causa da Granger? Ah, por favor Draco, sei que ela é apenas mais um dos seus brinquedinhos. É de mim que você gosta.
- Errado. Eu amo a Hermione. Tudo que eu quero de você é distância!
Ela aproximou-se e deslizou uma mão por meu braço esquerdo, eu me afastei.
- Ama Draco? Não a conhece o suficiente pra isso. — Ela disse com desprezo.
- Você não sabe de nada! Não vou mais perder meu tempo com você, saia já da minha casa!
Ela olhou pra porta e levou novamente a mão até meu braço.
- Só depois de conseguir o que quero.
Ela se pendurou no meu pescoço e tudo que consegui sentir foram seus lábios se chocarem com os meus. A empurrei pra longe quando ouvi um barulho vir da porta. Meu coração perdeu uma batida quando vi Hermione parada ali.
Flashback off
- O beijo não durou nem dois segundos. — Ele disse desolado. — Ela me agarrou e eu a empurrei, foi isso.
- Se foi só isso, tenho certeza que Hermione irá te ouvir e perdoar. — Ele balançou a cabeça negando.
- Não é só isso. — Sua voz saiu mais fraca que o esperado.
- O que mais você fez? — Ela perguntou receosa da resposta.
- Ela… — Ele respirou fundo. — Eu não sabia, soube no momento da briga. Foi a Pansy que Hermione encontrou no mesmo quarto de hotel do Ronald.
Gina sentiu sua cabeça girar e foi aí que entendeu o motivo do desespero da amiga. Ela tinha vivido a mesma cena duas vezes.
- Eu não tinha como saber, eu… — Ele parou subitamente. — Ela nunca vai me perdoar. — Ele escondeu o rosto com as mãos e Gina chegou a cogitar a possibilidade dele estar chorando. Mas quando ele tornou a levantar a cabeça percebeu que não.
- Ela deve estar imaginando as piores coisas possíveis. — Gina suspirou. — Sei bem como aquela cabecinha teimosa trabalha. Mas não fique assim, ela irá te ouvir alguma hora, só não desista.
- Não desistirei. — Ele falou convicto.
- Não sei se isso te incentiva mas Rony nunca a procurou pra conversar depois do que aconteceu, acho que foi isso o que mais a magoou.
- Eu nunca quis magoá-la, diferente dele. — Ele disse com raiva.
- Sei que não, acredito em você. — Ela sorriu e ele devolveu o sorriso. — Agora eu preciso ir antes que ela acorde e não me veja lá.
- Obrigada.
- Vocês vão se acertar, eu prometo. — Ela levantou-se, deu um abraço nele e se despediu.
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