Dramione - House Of Night
11 Contando segredos
Notas iniciais
— Então seu ex-marido foi até a sua casa porque, segundo você desconfia, seu filho disse à ele que você saiu comigo ontem? — Draco perguntou após Hermione ter contado toda a história. Estavam numa mesa ao fundo de um Cyber-café sentados de frente para o outro.
— Sim.
— E você o botou pra fora no mesmo momento? — Draco perguntou, deixando transparecer um pouco da sua inquietude.
— Bem, não, mas...
— Mas você ainda o ama. — Draco concluiu, dando de ombros e ela negou.
— Eu não o amo, mas... é difícil explicar. Ele foi a única pessoa que eu amei na vida. — Draco assentiu. Por mais que não quisesse, a entendia como ninguém. — Mas ele me traiu. E não foi algo que alguém me contou, eu vi com meus próprios olhos. — Draco sentiu o quão frágil Hermione estava, afinal, e teve ainda mais vontade de cuidar dela. Ele estava decidido a fazê-la esquecer esse cretino.
Ficaram algum tempo conversando sobre outras coisa que não fosse Ronald Weasley e Hermione lembrou-se de que teria que ir na escola buscar as crianças.
— Eu levo e trago vocês até aqui. — Ele ofereceu, e relutante, Hermione assentiu.
— Tudo bem, só preciso passar em casa pra pegar um casaco.
— Te espero aqui. — Ela acenou e atravessou a rua até o prédio.
Draco encostou-se no carro e tirou o maço de cigarros novos do bolso. Suspirando, acendeu um e tragou devagar.
Enquanto isso, Hermione entrou em casa e reprimindo a lembrança do que acontecera algumas horas atrás naquela sala, foi até o quarto pegar seu sobretudo.
Em cima da cama estava a jaqueta que Draco havia emprestado à ela no dia anterior e que ela havia esquecido de devolver. Pegou a jaqueta e voltou a sair.
Assim que desceu as escadas do prédio, Hermione avistou Draco. Ele fumava distraidamente e Hermione parou na calçada para observá-lo. Ela odiava cigarros mas ele tragava tão terrivelmente sexy que ela pensou que talvez não odiasse tanto assim. Atravessou a rua e se aproximou lentamente.
— Não sabia que fumava. — Ela falou quando já estava perto o suficiente para que ele ouvisse e a visse.
— Só quando necessário. — Ele deu uma última tragada sob o olhar dela e abriu a porta do carona dando espaço para que ela entrasse.
Em apenas dez minutos eles já estavam estacionando na porta da escola, as crianças tinham acabado de sair.
Hugo, ao ver Hermione descer do carro do loiro, fechou a cara para ela. Ela lhe lançou um olhar severo e ele se manteve impassível. Rose correu de encontro à mãe e logo depois de encontro à Draco.
— Oi pequena. — Ele abraçou a menina que retribuiu. — Oi Hugo. — O garoto não moveu um músculo sequer para responder. A castanha suspirou.
— Vamos, entrem no carro. — Hermione falou e eles entraram.
Foram conversando amenidades no caminho até o prédio de Hermione até que Draco estacionou. Hugo desceu do carro e saiu na frente de todo mundo, deixando Hermione com raiva.
— Fica pro almoço. — Ela pediu quando ele já ia se despedir. Ele avaliou a situação. Precisava voltar para a empresa; aquele lugar estava uma loucura sem seu pai.
— Eu fico, mas não posso demorar. Preciso voltar pro trabalho. Desde que meu pai adoeceu, aquele lugar está uma loucura. — Hermione assentiu e eles seguiram para o elevador.
— Onde você trabalha? — Hermione perguntou quando eles já estavam dentro do elevador.
— Na Malfoy Seguros. Bom, é a empresa da minha família. Foi passada de filho para filho e o próximo serei eu. — Draco sorriu sem humor e Hermione notou que aquele era um assunto complicado. — Mas e você, onde trabalha?
Hermione sentiu-se um pouco envergonhada mas depois de um momento achou que não havia necessidade de ter vergonha de tal coisa.
— No momento, em lugar nenhum. Desde que me formei em Cambridge, tudo o que consegui foram alguns estágios, mas nada muito grande. — Hermione suspirou.
— Direito? — Hermione confirmou. — É uma área difícil, ainda mais se você quiser advogar. Existe muita concorrência.
— Bom, eu continuo procurando, alguma hora aparece. — Ela lhe sorriu positiva.
— Sua falta de emprego teve algo a ver com... Você sabe, aquele lugar... — Draco falou, deixando a frase no ar.
— Sim. Mas é uma coisa que eu gosto. A dança, claro. — Hermione se corrigiu corando.
— Você dança bem. — Draco falou saindo do elevador, deixando Hermione um pouco para trás, o que ela deu graças a Deus pois tinha certeza que estava muito vermelha pelo elogio.
— Obrigada. — Disse um pouco depois enquanto abria a porta do apartamento. — Fique à vontade, estarei na cozinha.
Ele sentou-se no sofá e ligou a televisão. Sentia-se mais confortável ali do que na sua própria casa. Primeiro porque o ambiente da casa de Hermione era totalmente diferente; as paredes e móveis de cores claras deixavam o lugar mais aconchegante e receptivo. Haviam porta-retratos por todas as superfícies disponíveis e em uma prateleira gigantesca havia uma coleção de livros enorme, os quais Draco passou o olho rapidamente, encontrando e reconhecendo diversos títulos.
Na cozinha, Hermione começou a preparar algo para eles almoçarem. Algo que fosse rápido, mas que mostrasse suas habilidades culinárias. Hugo passou pela porta da cozinha bufando e Hermione chamou o garoto.
— Hugo?
— Sim? — O garoto entrou na cozinha e encarou a mãe, desafiador.
— Posso saber por que motivo deu sua chave de casa para o seu pai vir aqui? E por que disse à ele sobre Draco?
— Não gosto dele! Nem o papai! — Hermione bufou e voltou a atenção à comida.
— Não faça mais isso. Se eu souber que anda conversando com seu pai sobre esse tipo de coisa de novo, ficará de castigo. — Hermione decretou e Hugo fechou a cara mais ainda. — E pode tirando essa cara, Draco almoçará conosco você gostando ou não.
Hugo saiu da cozinha a passos pesados sob o olhar de Hermione que logo se adiantou e foi servir o almoço.
— Venham comer! — Hermione gritou da cozinha.
Somente Draco e Rose compareceram à mesa, como já era o esperado.
— Hugo não vem, Rose? — Hermione perguntou mesmo já sabendo a resposta.
— Não. — Ela respondeu rapidamente já indicando seu prato ainda vazio. — Pra ele tá recusando almoçar é porque o negócio é sério mesmo.
— É pirraça, isso sim. — Hermione falou. — Agora comam!
Todos os três se serviram e começaram a comer.
— Isso está delicioso... o que é? — Draco perguntou com a boca cheia fazendo as duas rirem.
— Lasanha.
— Lasanha? Não, isso não é possível! É possível? — Draco perguntou incrédulo.
— Receita de família. — Hermione respondeu aos risos.
— A comida da mamãe é realmente maravilhosa!
Hermione sorriu tímida e corada. Sempre ficava envergonhada com elogios, até mesmo vindos dos próprios filhos.
Os três retornaram à comida e conversaram mais algumas trivialidades até Rose pedir licença e se retirar.
— Hugo não está aqui por minha causa não é?
Hermione balançou a cabeça, afirmando.
— Mas não se sinta culpado, ele apenas está com ciúmes. É igualzinho à Rony quando se trata desse tipo de coisa. — Hermione suspirou ao ver o loiro enrijecer e decidiu que era uma boa ideia parar de mencionar Rony nas suas conversas com Draco. — Desculpe. — Hermione disse por fim quebrando o clima pesado.
— Você é uma ótima cozinheira, Hermione. — Draco elogiou.
— Obrigada, aprendi com a minha mãe. Ela é muito melhor na cozinha do que eu. Um dia levo você para experimentar a comida dela, você vai amar!
— Seria um prazer.
Hermione levantou sorridente e levou os pratos até a pia. Passaram mais alguns minutos na cozinha enquanto Hermione terminava de lavar a louça e depois seguiram para a sala.
— Não sei muito sobre você não é? Além do lugar onde você trabalha, seu nome e seu lugar preferido eu não sei mais nada. — Hermione falou rindo enquanto sentavam no sofá.
— E o que quer saber?
— Desde quando fuma e porque?
— Uau, rápida e direta. Não gosta de fumantes? — Ele perguntou rindo ao ver a careta dela. — Tudo bem, fumo desde que minha noiva me deu um pé na bunda, ajuda a controlar minha ansiedade. Um péssimo hábito que meu melhor amigo me ensinou, não me orgulho muito disso.
Hermione o olhou intrigada e assustada e simplesmente não conseguiu segurar a pergunta.
— Noiva? — Draco afirmou com a cabeça.
— Foi uma bobagem e já fazem alguns anos. Era uma namorada de escola e eu achei que pudéssemos levar isso adiante, mas como pode ver, não deu muito certo. — Draco riu sem humor e Hermione tentou mudar de assunto.
— Tem irmãos?
— Não. Sou o único herdeiro da minha família.
— Deve ser difícil.
— Se você tem um pai como o meu, sim.
— Aquela noite na boate, foi a primeira vez lá?
— Não, ia lá todas as noites até aquele dia, fazia pelo menos uns dois meses.
— Por que parou de ir?
— Depois que você não voltou mais lá eu não vi graça para voltar também. — Draco sorriu ao ver Hermione corar de vergonha. — Minha vez: Por que foi lá?
— Precisava de dinheiro. Medidas desesperadas. — Hermione sorriu sem graça e deu de ombros.
— Não devia se envergonhar por isso, se não tivesse ido até lá, bem... Não estaríamos aqui agora não é?
Hermione balançou a cabeça afirmativamente, ainda envergonhada.
— Gosta de dançar?
— Adoro. Mas perdi a prática com o tempo, Rony não gostava que eu dançasse. — Ela se repreendeu mais uma vez. — Mas assim que eu puder vou procurar fazer umas aulas.
— Não parece que tenha perdido a prática. Tem que ser muito louco de te proibir disso, você realmente tem talento.
— Obrigada. Bom, minha vez: fez alguma faculdade?
— Administração. E você é uma futura advogada, certo?
— Quem sabe? Terminei a faculdade a pouco menos de um ano e não tive muito tempo para me preocupar com isso.
— E seus pais, onde moram?
— Aqui mesmo em Londres. E seu pai, como está?
— Não sei, não o tenho visto desde sábado, minha mãe passa o dia trancada no quarto com ele.
— E sua mãe, como ela é?
— Ela é incrível. Só me deixa triste vê-la obedecer meu pai como a um cachorrinho. Mas agora que ele está doente, prefiro que ela fique ao lado dele. Não sei se ele vai melhorar daqui pra frente, a empresa está uma loucura sem ele e eu não sei o que fazer.
— Apenas se concentre no seu trabalho, não fique pensando no que pode dar errado, só piora as coisas.
— É fácil falar.
Os dois se encararam durante algum tempo mas o barulho do telefone celular de Draco quebrou o contato visual.
— Mãe? — Draco perguntou para a pessoa do outro lado da linha e seu rosto pareceu perder a cor. — Estou a caminho.
Draco levantou de supetão deixando Hermione assustada.
— O que aconteceu Draco?
— Meu pai. Teve uma recaída e está no hospital de novo. Eu... desculpe... eu preciso... eu preciso ir.
— Tudo bem, vá saber como ele está.
Hermione correu até a porta ao lado de Draco e sem que ele esperasse, deu um abraço apertado nele.
Draco ficou alguns segundos sem reação mas recobrou a consciência e retribuiu o abraço.
— Me ligue e dê notícias, ok?
Ele assentiu e se foi.
Fale com o autor