Dramione - House Of Night
12 A morte um dia chega para todos
Notas iniciais
Draco entrou no carro e saiu de lá a toda velocidade. A ligação desesperada de sua mãe o fez ficar a beira de um ataque de nervos. Ela havia dito que Lúcio tinha que voltar ao hospital pois sua situação estava piorando.
Estacionou de qualquer jeito em frente ao hospital e entrou a passos largos. Logo na entrada, pôde ver sua mãe e um médico conversando. A não ser pelo fato de sua mãe estar aos prantos ele poderia dizer que já estava tudo bem. Se aproximou rapidamente e logo o olhar de Narcisa caiu sobre o filho. Desesperada, correu em direção à Draco e o abraçou.
— Filho, oh meu filho, seu pai... seu pai se foi. — E ela chorou como nunca havia chorado. Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto de Draco. Era tudo que ele menos queria ouvir na vida.
Sentiu suas pernas fraquejarem com o peso de sua mãe sobre ele e levou-a para que sentassem num dos sofás do hospital. Àquela altura o médico já havia se retirado.
Draco abraçou a mãe o mais forte que conseguiu e deixou que ela molhasse sua camisa com as lágrimas de sua dor. A essa hora, Draco também chorava silenciosamente.
Apesar de tudo que seu pai o fizera passar, ele ainda era seu pai. Por mais que não quisesse admitir, sentiria sua falta. Algumas lembranças vieram à sua mente e ele deixou que as lágrimas caíssem livremente. Não era vergonha um homem chorar pela morte do pai. Agora ele sentia-se como o pior filho mundo, nem ao menos havia se despedido, a última coisa que falaram um para o outro haviam sido insultos; mas Draco não se culpava por isso, era sempre assim, era dessa forma que eles sempre viveram, em meio a brigas.
Lembrou-se do seu primeiro dia na faculdade e de como sentia-se obrigado a fazer aquilo. Seu pai dissera que era isso o que ele faria: estudaria para seguir seus passos dentro da empresa da família e foi isso que ele fez. Por mais que tivesse seu jeito rebelde sempre quisera ser motivo de orgulho para o pai. Que filho não quer? Mas apenas o que ouvia era um não fez mais que sua obrigação e isso o levou a ser o tão desafiador e contrariador Draco de hoje.
Era isso, sua tortura tinha acabado. Mas ver sua mãe desconsolada o fez sentir-se mal, tão mal ao ponto de chorar em local público. Era isso, não estava chorando pela morte de Lúcio mas sim por Narcisa. Sua mãe que tanto fora fiel ao seu pai mesmo sabendo o quanto ele era canalha, mesmo sabendo que ele tinha outras; ela sempre o idolatrou e o amou, sempre dava razão a ele mesmo que estivesse errado. Ela dedicou toda sua vida à Lúcio Malfoy e agora ele a havia deixado.
Narcisa ainda chorava desesperada e parecia que ficaria assim para sempre. Draco pediu que ela se acalmasse mas de nada adiantou. Decidiu que era melhor irem para casa, de nada adiantaria ficar ali. Levantou fazendo com que Narcisa levantasse também e ambos saíram para o estacionamento do hospital. Entraram no carro em completo silêncio, apenas os soluços dela podiam ser ouvidos.
Longos minutos depois, Draco passou pelos grandes portões da Mansão Malfoy e estacionou na entrada da casa. Saiu do carro e foi até ela; abriu a porta do passageiro e a tirou do carro. Ela ainda soluçava consideravelmente, mas não chorava.
— Winky? — Draco chamou assim que passaram pelas portas de madeira.
— Sim, Sr Malfoy?
— Por favor, leve-a para o meu quarto. — Draco pediu e com um forte abraço se despediu da mãe.
Sentou-se no sofá da sala e respirou fundo. Pegou o cigarro em seu bolso e acendeu. Lembrou-se de Hermione e também de Blás. Pegou o celular e ligou para o amigo.
— Meu pai morreu. — Falou as palavras simplesmente.
— Como?– A voz perguntou espantada do outro lado.
— É isso mesmo que você ouviu. — Draco respondeu. — Acabei de voltar do hospital.
— Estou indo para aí.
— Tudo bem.
Draco desligou o telefone e continuou a tragar o cigarro até o fim. Ao terminar, pegou o celular de novo. Mas depois o jogou no sofá desistindo da ligação que iria fazer. Mais tarde ligaria para mandar notícias.
A campainha tocou e ele foi atender. Blás e a Sra Zabini estavam na porta. Draco deu passagem para os dois e a Sra Zabini deu um abraço de urso em Draco dizendo que sentia muito.
— E sua mãe querido, onde está?
— Lá em cima, no meu quarto.
A mulher sumiu escada acima.
— Como ela está? — Blás perguntou depois de um tempo. Draco já estava no segundo cigarro.
— Mal.
— E como você está?
— Não sei. — Ele suspirou.
Draco foi até o antigo bar de seu pai e serviu dois copos de uísque. Ofereceu um a Blás e tomou o outro num só gole.
— Estou mal por ela. Espero que ela se recupere.
— Sua mãe é forte Draco, ela irá ficar bem.
— Assim espero.
A conversa se encerrou por aí. Os dois ficaram o resto da tarde sentados no sofá da sala, vez ou outra Draco conseguia ouvir os choros desesperados de sua mãe mas simplesmente não tinha coragem de ir até lá. Era difícil vê-la sofrer dessa forma.
Draco fez algumas ligações durante o dia para que o enterro pudesse ser o mais breve possível. Blás ficou de ajudá-lo e foi até o hospital pegar os papéis para que ele assinasse.
Finalmente, estava tudo certo, assinado e marcado. O enterro seria na manhã seguinte. Draco passou o começo da noite ligando para os amigos da família para informar sobre a morte do pai e a hora do enterro. Não que fosse ser um grande segredo no dia seguinte, ele podia garantir que sairia em todos os jornais. Seu pai era um importante e conhecido empresário, sua morte seria notícia pelo resto da semana.
Pegou o telefone e discou o número de Hermione, precisava falar com ela.
— Hermione?
— Draco? Está tudo bem?
— Não, a gente pode conversar em algum lugar?
— Claro.
— Passo aí em 10 minutos.
Draco tomou outro copo de uísque e pegou as chaves do carro. A mãe de Blás ainda estava com Narcisa e ele sentia-se claustrofóbico ali.
Saiu cantando pneu pelas ruas escuras até finalmente parar no prédio já conhecido. Tocou o interfone e esperou que ela descesse.
Entrou no carro e ela logo o fez também, em silêncio dirigiu por um bom tempo até que parou no mesmo parque onde tiveram o primeiro encontro.
Draco, recobrando um pouco da sua gentileza, abriu a porta para ela e os dois caminharam pela trilha.
— Você não me parece bem, o que aconteceu? — Hermione se virou de frente para ele enquanto o olhar do loiro vagueava pelas águas escuras do mar.
— Meu pai — Draco não conseguiu completar a frase. Hermione adiantou-se até ele e respirou fundo.
— Ele está.. ele está bem?
— Ele morreu. — Sentiu o olhar dela sobre ele mas não a encarou.
Hermione se aproximou e segurou sua mão esquerda fazendo Draco finalmente olhar para ela.
— Sinto muito. — Ela disse num sussurro.
— Tudo bem, eu já esperava por isso.
Ela aumentou o aperto em sua mão e isso o fez se sentir melhor. Hermione queria que ele entendesse que ela estava ali para o que ele precisasse.
— Obrigado por vir.
— Não me agradeça, eu não fiz nada demais.
A luz da lua era suficiente para iluminar o rosto dos dois. Draco tinha olheiras profundas e os olhos vermelhos, parecia cansado. Hermione se aproximou deixando seus rostos a uns dez centímetros de distância.
Continuaram se encarando por um longo tempo até que Hermione se pronunciou:
— Você devia descansar, Draco.
— Não acho que seja necessário.
— Você precisa descansar.
— Se incomoda? — Draco perguntou a ignorando e apontando para o maço de cigarros, ela acenou negativamente. Ele acendeu e tragou uma, duas, três vezes.
Hermione não se importou com o cigarro, sabia o quanto ele estava sofrendo mas não admitia. Apesar de terem tido algum tipo de implicância, ele era seu pai, o homem que o criou durante todos esses anos.
Ficaram em completo silêncio, de mãos dadas até o sol dar sinais de vida no horizonte.
— Acho melhor irmos. — Hermione falou e Draco assentiu; já havia fumado o maço de cigarros inteiro.
Se aproximaram do carro e Draco passou a mão no rosto, o sinal de cansaço era mais do que visível.
— Eu dirijo. — Hermione falou autoritária e pôs as mãos no bolso dele atrás da chave.
— Não, eu dirijo.
— Você não está em condições nem de andar, imagine dirigir. Vou deixar você em casa e depois eu me viro.
Sem condições de retrucar, Draco sentou no banco do carona e Hermione pegou a estrada. Depois de alguns minutos dizendo aonde ela tinha que ir chegaram ao grande portão de ferro. Hermione olhou incrédula para a mansão à sua frente mas não deixou que Draco percebesse. As portas se abriram e ela acelerou. Estacionou o carro na frente da casa e desceu, Draco fez o mesmo.
A porta de madeira se abriu e Blás saiu de lá com uma expressão curiosa. Se não fosse inapropriado, teria feito piada da situação. Nunca tinha visto nenhuma mulher trazer Draco em casa, muito menos dirigir o carro dele.
— Onde esteve? Sua mãe estava te procurando.
— Blás, essa é Hermione Granger e Hermione, esse é Blás Zabini, meu melhor amigo que te falei. Sei que não é uma boa hora para vocês se conhecerem mas...
— Prazer Hermione, ouvi falar muito de você. — Hermione corou de leve e Blás riu.
— Prazer, Blás.
— Já que está aqui, Blás, faz o favor de levar Hermione para casa?
— Não precisa Draco, eu me viro, não precisa di... Tudo bem. — Ela suspirou derrotada ao ver o olhar dele.
— Vamos? — Perguntou Blás, entrando no carro. Hermione assentiu e entrou também. Pela janela fechada pôde ver Draco entrar em casa e a porta se fechar atrás dele. — E então Hermione, onde você mora?
Então Hermione deu seu endereço e em poucos minutos já estavam em frente ao prédio dela.
— Obrigada pela carona.
— Disponha.
**
— Mãe?
— Dr-draco?
— Sou eu mãe.
Draco sentou-se na cama ao lado da mãe. Ela parecia tão debilitada que ele sentiu seu estômago afundar.
— Não quero ir meu filho, não quero vê-lo ir embora, se quiser vá por nós dois. Eu não... eu não quero.
E Narcisa voltou a chorar compulsivamente. Essa era a pior situação que Draco já havia passado na vida e esperava que fosse a última. A noite que havia passado com Hermione havia melhorado um pouco sua situação mental mas ele mal se aguentava em pé de cansaço. Deixou seu quarto e foi para o quarto de hóspedes tomar um banho.
**
A igreja onde seria velado o corpo de seu pai estava razoavelmente cheia. Draco estava sentado na primeira fila com Blás, Sr e Sra Zabini ao lado. A imprensa se encontrava do lado de fora da igreja como Draco já havia previsto. As pessoas vinham lhe prestar condolências mas ele nem sequer prestava atenção. Narcisa havia ficado em casa, não teria condições de comparecer.
Alguns amigos da família estavam presentes e alguns desconhecidos e curiosos também. O ambiente era desconfortável para Draco e mesmo tendo um amigo do lado era difícil relaxar.
E então, a missa chegou ao fim. Prestaram várias homenagens ao falecido Malfoy e finalmente Draco dera graças a Deus por poder sair dali. O caixão seria levado para o cemitério e quem quisesse ir, que fosse. Draco não queria. Abriu as portas da igreja e se arrependeu no mesmo momento; a enxurrada de flashes e repórteres vieram ao seu encontro. Ele puxou seus óculos escuros do bolso e colocou, tentando abrir espaço naquela multidão insistente.
Entrou no carro com as janelas fechadas e dirigiu até em casa. Sem pensar em nada, subiu as escadas, entrou no quarto de hóspedes e praticamente desmaiou na cama de roupa e sapatos.
Fale com o autor