Notas iniciais
Primeiramente, oi.
Segundamente, desculpem pela demora pra postar um capítulo novo. Tem acontecido muitas coisas na minha vida e eu ando sem cabeça pra escrever, sem contar que as aulas voltaram.
O capítulo não ficou do jeito que eu gostaria mas beleza. Espero que gostem mesmo assim.
Não me abandonem se eu demorar a postar, ok?
Beijos!!!!!!!!

Draco entrou tempestivamente pelas portas de madeira da frente. Não havia ninguém na sala então ele foi direto pro quarto de sua mãe. O quarto também estava vazio. Frustrado e com raiva saindo pelos poros, bateu na porta do quarto de hóspedes onde Bellatriz estava hospedada.

- Draco? — Ela perguntou ao ver seu suposto sobrinho na soleira da sua porta. Ele respirou profundamente, de olhos fechados, antes de puxar as cartas dos bolsos e jogar aos pés dela.

Ela pareceu um pouco confusa mas em seguida compreensão passou por seus olhos. Ela reconhecia as cartas que ela mesma havia mandado pra Lúcio a anos atrás.

- E então mamãe, o que você tem a me dizer? — Ele perguntou sarcasticamente.

O sarcasmo era seu mecanismo de defesa mais funcional. E quanto mais ele era irônico, mais ele mantinha a raiva sobre controle. E controle era tudo o que ele precisava pra não matar alguém nos próximos minutos.

Quando o silêncio pareceu perturbador demais, Bellatriz balbuciou alguma coisa.

- Dr-Draco eu...

- O que você está fazendo, Draco? — Uma voz veio à direita do corredor. Narcisa olhava interrogativamente o filho que parecia prestes a pular no pescoço da mulher à sua frente.

Quando o olhar de Draco virou pra ela, ela inconscientemente deu dois passos pra trás. O olhar de desprezo que ele deu à ela foi tão intenso que ela soube. Ela soube que ele sabia.

- Ele sabe, Cissa. — Bellatriz murmurou o que foi uma confirmação para os pensamentos de Narcisa.

- Filho... — Ela chamou incerta.

- Filho? — Ele riu com deboche. — Como ainda tem coragem de me chamar assim? — Ele vociferou.

- Draco, não fale assim comigo! — Ela tentou impor mas ele balançou a cabeça incrédulo.

- Você não tem nenhum direito de me dizer o que eu devo fazer. — Ele murmurou ameaçadoramente.

Narcisa parecia que tinha levado um tapa na cara. Draco viu quando grossas lágrimas escorreram por suas bochechas mas aquilo não amenizou a raiva que sentia.

- Vocês esconderam isso de mim durante 26 anos. Durante 26 malditos anos eu acreditei que fosse seu filho. — Ele olhou pra Narcisa.

- Mas você é. — Ele negou e cerrou os dentes.

- E eu que achei que você fosse melhor que Lúcio, que você era a vítima da história, que tinha sido traída e que tinha sido ingênua demais pra perdoá-lo. Mas não queria ser a vítima não é? Você teve sua vingança quando me tirou dos braços de minha verdadeira mãe.

Ele acusou.

- Não foi assim que aconteceu! — Ela gritou, desesperada.

- Eu não tinha condições de criar você, Draco. — Bellatriz falou à suas costas. - Eu não tinha nada naquela época. Eu sofri quando Cissa levou você mas depois eu entendi que era a coisa certa a fazer.

- E por que você voltou agora? — Ele perguntou incisivamente.

- Por que eu queria participar da sua vida de alguma forma.

- Pois eis a novidade: não quero você na minha vida, ficou claro? — Ele cuspiu.

- Por favor não faça isso comigo. — Ela chorou.

- Já está feito. — Ele se afastou dela e se aproximou de Narcisa.

- Vocês são todos da mesma laia, difícil dizer quem é o pior.

- Não fale assim, filho, eu amo você.

Ele trincou os dentes e fechou os olhos.

- Eu te proíbo de me chamar assim. — Ele rosnou e se virou pra deixar o corredor.

- Winky? — Ele gritou do pé da escada.

- Sim, Sr Malfoy? — Ela respondeu, subindo as escadas enquanto secava as mãos. Provavelmente estava preparando o almoço.

- Preciso de sua ajuda pra arrumar minhas malas.

- Está indo viajar? — Ela perguntou com curiosidade.

- Estou indo embora.

(...)

Três batidas na porta depois e ela se abriu dando lugar a um Blásio sorridente.

- A que devo a honra? — Ele perguntou mas ao ver a expressão de Draco, seu sorriso morreu. — Aconteceu alguma coisa?

Ele assentiu impaciente esperando que o moreno desse espaço pra ele entrar.

- Preciso de um lugar pra ficar.

Blás piscou algumas vezes, atordoado e depois olhou pras malas ao pé do loiro.

- Entra. — Ele pediu, pegando algumas das malas e ajudando a levar pra dentro de casa. Ele chamou a empregada da família e pediu que ela chamasse alguém pra levar as malas pro quarto de hóspedes.

Draco entrou na sala de estar, seguido de Blásio e caminhou direto pro bar. Pegou uma das garrafas de whisky do amigo e nem sequer pensou antes de virar o conteúdo da garrafa goela abaixo.

- Ei vamos, com calma. Que tal me contar o que aconteceu? — O moreno perguntou, tirando a garrafa das mãos dele e servindo dois copos. Entregou um pro loiro que sentou no sofá.

Seus olhos vaguearam por um momento antes de parar no rosto do amigo que esperava paciente pra que ele falasse o que quisesse falar. Blásio era seu melhor amigo desde sempre e ele não fazia ideia de como começar a contar pra ele tudo que tinha descobrido algumas horas atrás. Ele suspirou pesadamente e bateu as costas com força no encosto do sofá. O conteúdo de seu copo balançou bruscamente e alguns pingos sujaram sua calça.

Do outro lado da mesa de centro, Blásio olhava o amigo quieto, dando espaço pra que ele pudesse pensar. Ele não sabia o que tinha acontecido, mas tinha certeza que era algo grande.

- Draco? — Ele chamou depois de longos minutos de silêncio. O loiro levantou o olhar do copo pra encará-lo. — Você não precisa contar se não quiser.

Draco respirou fundo e tomou todo o whisky do copo em um único gole.

- Descobri essa manhã que minha mãe não é minha mãe. — Ele confessou.

Blásio olhou pra ele perplexo. Ele teria achado que era uma brincadeira se Draco não estivesse tão sério e transtornado. Ele pareceu perdido, sem saber o que falar.

- Como? — Foi a primeira coisa que surgiu na ponta da sua língua. Seus pensamentos estavam rodando, assim como ele tinha certeza que os de Draco também estavam. Era quase possível ver as engrenagens de seu cérebro trabalhando.

- Minha tia Bella é minha mãe.

- Mas como isso acontece-

- Ela e meu pai tiveram um caso. Ela engravidou e meu pai a dispensou. Minha... Narcisa foi até ela e me levou embora. — Ele engoliu em seco quando não conseguiu dizer a palavra "mãe".

- Por isso sua tia tem estado tão por perto nos últimos tempos? — Ele perguntou.

- Sim.

- Como você descobriu isso?

- Cartas. Achei-as no escritório do meu pai.

- Você não vai perdoá-la? — Ele perguntou com cautela.

- Eu nunca mais quero ver nenhuma das duas. Simplesmente não consigo.

O silêncio na sala ficou pesado. Draco olhava pro chão, seus olhos cinzas sem foco, fixados em lugar nenhum.

- Eu só preciso de alguns dias e arrumo um lugar pra ficar.

- Não tenha pressa. Sabe que é bem-vindo aqui.

- Obrigado, você é o melhor.

- Eu sei. — Blásio assistiu Draco esboçar um sorriso.

- Fique a vontade, preciso voltar pro escritório.

Draco assentiu e viu o amigo sumir pela porta atrás de si. Ele suspirou uma última vez e subiu as escadas já conhecidas até o quarto de hóspedes. Viu suas malas no pé da cama e abriu uma delas pra tirar uma calça confortável. Ele tirou o paletó e jogou em cima da cadeira da escrivaninha de qualquer jeito, tirou os sapatos maravilhosamente lustrados e os chutou pelo quarto, tirou a calça de tecido importado e jogou sobre o paletó de mesma cor. Arrancou a gravata do pescoço e a blusa do corpo. Vestiu a calça de moletom e se jogou na cama. Ele estava exausto. Tanto fisicamente, quanto mentalmente. Ele só queria um descanso de seus próprios pensamentos.

Um tempo mais tarde, quando ele estava quase pegando no sono, bateram na porta do quarto. Ele se assustou e abriu os olhos, frustrado. Levantou com rapidez e abriu a porta. Seja lá quem fosse, ele mandaria embora logo.

- Hermione? — Ele coçou os olhos confuso, achando se tratar de algum sonho maluco.

- Soube do que aconteceu. — Ela tinha os olhos tristes e um pequeno sorriso consolador. Ele abriu espaço pra que ela entrasse no quarto e fechou a porta atrás deles.

Ele deitou na cama e ela logo depois. Ele não queria falar sobre aquilo com ela. Tinha sido difícil falar sobre aquilo com Blás. Embora ele tivesse certeza de que Blás já tinha contado tudo pra ela.

Ela se virou de lado e ficou o encarando enquanto ele olhava pro teto.

- Você está bem? — Ela perguntou num tom suave. Ele virou pra ela, ficando a poucos centímetros de seu rosto. Ele fechou os olhos antes de responder.

- Não.

Ela levantou a mão e colocou sobre o rosto dele. Ele abriu os olhos quando sentiu ela se mexer na cama. Ela se aproximou ainda mais dele, deixando apenas um pequeno vão entre seus corpos. Ele passou uma mão pela cintura dela e a deixou lá. Eles ficaram se encarando durante longos segundos.

- O que eu posso fazer pra te fazer sentir melhor? — Ela perguntou, baixinho. A luz do quarto estava apagada mas alguns raios de sol entravam pelas frestas da cortina. Sob essa luz fraca, os dois podiam se ver perfeitamente bem.

- Você pode só ficar aqui, assim. — Ele murmurou, se aproximando ainda mais dela e enterrando o nariz em seu pescoço. — Podemos ficar aqui durante todo o fim de semana.

Ela pareceu pensar no assunto e depois afastou o rosto dele do seu pescoço.

- Tive uma ideia. — Ela sorriu ligeiramente.

- Se tiver algo como eu e você numa cama, pra mim está ótimo.

Ela deu uma risadinha e balançou a cabeça em reprovação.

- Esse fim de semana é aniversário da minha mãe. Estarei indo pra lá com as crianças. Seria divertido se você fosse também. E talvez ajude, sabe, ficando longe, pensando em outras coisas.

Ele a encarou por alguns segundos e sorriu fracamente.

- Acho que é uma ótima ideia. Já está mais do que na hora de conhecer meus sogros.

- Saímos amanhã bem cedo. — Ela falou, se levantando da cama. — Preciso trabalhar, te vejo mais tarde.

Ele bocejou e ela sorriu.

- Descanse.

Ela deu um delicado beijo em seus lábios e se foi. Ele sorriu antes de cair num sono profundo.

Notas finais
Me contem o que acharam!!
E obrigada pelos comentarios suas lindas!
Até.