Dramione - House Of Night
33 Longe da realidade.
Notas iniciais
Sim, eu sei, eu tenho demorado pra postar, me desculpem mas tem ficado difícil escrever.
Mas pra compensar, está aqui um capítulo enormeeeeee! Eu pensei em dividir em dois mas depois percebi que não tinha necessidade.
Desculpem também por não responder os reviews mas eu juro que leio todos e amo de paixão ♥
Sábado às 7 horas da manhã, Draco já estava de pé. Quando Hermione disse que estaria ali de manhã bem cedo ela não estava brincando. A meia hora atrás ela havia ligado, acordando-o com sua voz sonolenta e um bom dia animado. Ele resmungou um bom dia de volta a fazendo rir. Assim que desligou o telefone se encaminhou pro banheiro. Tomou um banho rápido pra acordar de uma vez e colocou uma das poucas roupas básicas que tinha. Uma calça jeans clara, uma blusa azul-marinho de malha e sua jaqueta de couro preferida.
Às 7h10min ele saía do quarto de hóspedes em direção à cozinha. As luzes estavam acesas o que indicava que seu amigo já estava acordado.
- Bom dia. — Ele murmurou ao entrar na cozinha.
- Oi Draco. — Draco parou abruptamente quando a voz feminina suave penetrou em seus ouvidos. Ele levantou os olhos em direção à mulher e sorriu ao reconhecê-la.
- Astoria. — Ele cumprimentou.
A mulher de cabelos loiros e olhos azuis sorriu de volta. Ele se aproximou e depositou um beijo no rosto dela.
- O que faz aqui essa hora? — Ela percebeu a pergunta idiota que fizera no momento em que baixou seu olhar pras roupas dela. Ela vestia um robe de seda rosa claro e uma cara de quem havia acabado de acordar. Sem dúvidas ela tinha dormido com Blás.
- Eu sempre acordo cedo, não sei qual o meu problema. E você? Indo a algum lugar? — Ela perguntou, gesticulando em direção à roupa que vestia.
- Estou indo visitar os pais de Hermione. — Ele respondeu, abrindo os armários em busca de uma caneca pra se servir do café que Astoria havia feito.
- Estão no segundo armário da esquerda pra direita. — Ela falou enquanto assistia sua busca frustrada.
Ele agradeceu com um aceno de cabeça, se serviu do café, puxou uma cadeira e sentou. Um silêncio confortável caiu sobre eles.
- E então, o que trouxe você a se hospedar nos ilustres aposentos de Blaise Zabini?
Draco se remexeu desconfortável na cadeira e pegou seu olhar curioso. A ferida ainda estava aberta e ele não se sentia apto a falar sobre aquilo. Não agora.
- Problemas familiares. — Ele respondeu simplesmente.
Dez minutos depois de conversa sobre coisas banais, Blás entrou na cozinha vestindo apenas boxes. Draco olhou incrédulo pra ele enquanto Astoria ria.
- Blás, pelo amor de Deus, não sou obrigado, então vá colocar suas calças. — Draco implorou.
- Bom dia pra você também meu amor. — Ele ironizou.
Ignorando o pedido do loiro, ele se aproximou de Astoria e lhe deu um beijo, puxando uma cadeira ao lado da dela e sentando.
- Aonde vai? — Blás perguntou quando notou as roupas de Draco.
- Visitar os pais de Hermione.
Ele arregalou os olhos.
- Parece que o relacionamento de vocês tá realmente sério.
Draco se limitou a assentir. Não tinha parado pra pensar naquilo. Hermione pretendia apresentá-lo pros pais dela, isso significava um grande avanço. Subitamente ele começou a ficar nervoso. E se os pais dela não gostassem dele?
Ele dispensou os pensamentos insensatos e fixou o olhar no relógio de parede. Já eram quase 8 horas e ele tinha que ir. Ignorando o casal trocando carícias na sua frente, ele tomou o restante do café em sua caneca e levantou da cadeira. Com um "até mais tarde" totalmente ignorado, ele deixou a cozinha.
Assim que saiu pela porta da frente da casa, sentiu o ar frio invadir seus pulmões. Uma olhada no céu mostrou que provavelmente choveria em algum ponto do dia. Deixando os pensamentos sobre o tempo pra trás, entrou no carro e girou a chave na ignição.
Longos minutos depois ele estacionou na frente do prédio de Hermione e desceu pra tocar o interfone. Pra sua surpresa, ela abriu a porta no mesmo instante. Ela riu da sua cara de espanto e se aproximou pra um beijo rápido.
- Andem logo! — Ela gritou pra dentro do prédio. Segundos depois duas cabecinhas apareceram na porta.
Draco abraçou Rose e apertou a mão de Hugo. Hermione ainda ficava estupefata com a mudança de seu filho com relação à Draco, mas estava mais do que feliz.
- Entrem no carro. — Draco pediu, abrindo as portas de trás pra que eles entrassem. Logo em seguida, abriu a porta do carona pra Hermione num gesto cavalheiresco, o qual ela sorriu agradecida.
- Então, pra onde vamos? — Ele perguntou ligando o motor do carro.
- Regent's Park. A casa dos meus pais fica exatamente em frente.
- Lá vamos nós...
(...)
Chegaram no Regent's Park exatamente às 9h15min. Draco não entendia o motivo de chegar tão cedo mas ao questioná-la, ela disse que gostava de chegar cedo e ajudar a mãe com a organização.
Draco estacionou na única vaga que tinha ao lado dos jardins da família Granger e todos desceram. Rose e Hugo mal se continham de ansiedade e desataram a correr até a porta da casa do avós.
A casa era grande e tradicional. A pintura branca a deixava parecida com uma casa de boneca e a cerca do jardim complementava o cenário. Uma enorme macieira fazia sombra na janela do lado esquerdo e Draco notou o olhar saudoso que Hermione lançou pra ela. Provavelmente a árvore estava ali a anos.
Quando a porta se abriu e o Senhor Granger apareceu por trás dela, Draco congelou no lugar. Hermione, percebendo a parada repentina, buscou seu olhar em dúvida.
- Aconteceu alguma coisa? — Ela se virou pra ele receosa, mordendo o lábio inferior.
- Não, só estou... — Com medo? Ele pensou. — Nervoso. — Completou tardiamente.
- Bobagem! — Ela fez um gesto displicente com as mãos. — Eles vão adorá-lo, principalmente minha mãe.
Ele respirou fundo e ela sorriu confortadora. Antes que ele hesitasse novamente, ela agarrou sua mão suada e o puxou em direção à seu pai que os olhava curiosamente.
- Pai! — Ela soltou Draco brevemente pra envolver seus braços envolta do pescoço de seu pai.
- Filha, senti tanto sua falta! — Ele falou em meio aos seus cabelos. Ela se soltou dele com um sorriso radiante e tornou a segurar a mão de Draco.
- Pai, esse é Draco Malfoy. Draco, esse é Samuel Granger, meu pai. — Ela falou. A palavra "namorado" a fez se sentir uma adolescente e ela quase riu.
- Então esse é o famoso Draco. — Senhor Granger alisou sua barba grisalha, avaliando minuciosamente o loiro à sua frente.
- É um prazer conhecê-lo, Sr. Granger. — Draco falou cordialmente.
- Pena que não posso dizer o mesmo.
- Pai! — Hermione censurou aos risos e Draco engoliu em seco.
- É brincadeira rapaz. Seja bem-vindo à família. — Sr. Granger sorriu e abriu os braços pra um abraço. Draco pareceu um pouco atordoado mas correspondeu o abraço inesperado. — Entrem, entrem, está frio demais aqui fora.
- A propósito Draco, me chame de Samuel. Nada de senhor, isso faz eu me sentir muito velho. — Ele falou em tom de conversa.
- Desculpe por isso, ele faz isso com todos. — Hermione sussurrou. Draco arregalou os olhos dramaticamente.
- Todos? — Ele sussurrou de volta em tom indignado. Hermione fez uma careta pra ele.
- Você entendeu.
Ele soltou uma risada nasalada que foi cortada por um grito estridente vindo da cozinha. Draco, Hermione e Samuel correram até a cozinha.
- Vocês querem matar sua vó de susto? — Foi o que ouviram assim que entraram. A primeira visão que tiveram foi uma Sra. Granger com a mão no coração e logo depois Rose e Hugo chorando de rir no canto oposto. No chão, uma caneca, ou o que restou dela.
- Meu Deus, faz dois minutos que vocês chegaram aqui e já estão quebrando coisas? — Hermione ralhou com os dois.
- Ah Hermione, não seja tão durona com seus filhos! — Seu pai ralhou de volta. Hermione revirou os olhos.
- Hermione! — Sua mãe chamou com entusiasmo como se só tivesse se dado conta da presença da filha naquele instante.
- Oi mãe. — Ela caminhou até a mulher e a abraçou tão apertado que se seus olhos não tivessem fechados ela tinha quase certeza de que eles teriam pulado das órbitas.
Quando elas se separaram, a Sra. Granger lançou um olhar sabido em direção à Draco. Hermione se adiantou a apresentá-los formalmente.
- Mãe, esse é Draco Malfoy. Draco, essa é minha mãe, Mary Granger.
- Então esse é o famoso Draco. — Mary Granger repetiu a frase do marido.
- Pelo visto, ando mesmo famoso por aqui. — Draco brincou e Hermione sentiu suas bochechas esquentarem. Tudo bem que ela falava horas e horas sobre Draco no telefone com a sua mãe, mas também não era pra tanto.
- É um prazer enfim conhecer meu genro tão querido.
Mary Granger também o puxou pra um abraço de esmagar os ossos.
- O prazer é todo meu Sra Granger.
- Mary, querido, nada de formalidades, afinal você já é da família.
Draco sorriu agradecido.
- Já que estão todos devidamente apresentados, vamos começar os preparativos pro almoço? — Hermione perguntou.
- Já disse que não preciso de ajuda mas você é teimosa. Chega aqui às 10 horas da manhã a procura de algo pra fazer. — Mary ralhou com a filha.
- Eu não sou teimosa, só gosto de ajudar e o aniversário é seu, deveria estar descansando!
- Eu disse isso a ela! — Samuel se manifestou.
- E o que? Deixar você preparar o almoço e matar todos os convidados intoxicados? Não querido, obrigada. — Ela falou pro marido que bufou em resposta.
Hermione não pôde deixar de sorrir. Sentia tanta falta dessa espontaneidade deles.
- Draco, fique a vontade, a casa é sua. — Mary sorriu.
- Vai um cerveja, Draco? — Samuel perguntou ao abrir a geladeira.
- Samuel! São 10 da manhã! Isso lá é hora de beber?
O homem fechou a geladeira e prontamente colocou uma carranca no rosto. Draco riu da cena. Os pais de Hermione eram como adolescentes, o total oposto de seus pais. E em vinte minutos ele se sentia tão bem como a muito não se sentia em sua casa com sua própria família.
Draco e Samuel foram pra sala e se acomodaram no sofá. Em poucos segundos eles engatavam numa conversa sobre carros, futebol e todas essas coisas que homens gostavam de conversar.
A conversa foi interrompida quando a campainha tocou. Eram pouco mais de 11 horas agora e provavelmente alguns dos convidados já estavam começando a chegar. Samuel pediu licença e levantou pra atender à porta. Pra surpresa de Draco, ele reconheceu as vozes vindas da porta.
- Draco! — Gina chamou enquanto dava a volta no sofá pra cumprimentá-lo. Ele levantou e lhe deu um abraço, notando o enorme volume de sua barriga.
- Uau, não me lembrava de você tão gorda assim. — Ele brincou.
- Engraçadinho. — Ela murmurou sarcástica.
Harry entrou na sala logo depois junto com James. O menino cumprimentou Samuel desajeitadamente, acenou pra Draco e depois correu em direção ao quintal onde estava Hugo e Rose.
- E aí cara? — Harry o cumprimentou com um abraço.
Samuel entrou na sala no exato instante.
- Vejo que já se conhecem. — Ele comentou.
Os três assentiram e Gina e Harry foram até a cozinha cumprimentar Mary. Minutos depois, só Harry voltou, com um garrafa de cerveja na mão.
- Pra você ela dá a cerveja. — Samuel resmungou fazendo os outros homens rirem. Ele parecia uma criança de cinco anos quando a mãe não dava o que ele queria. — Vou buscar uma cerveja pra gente.
Ele apontou pra Draco e entrou na cozinha com um olhar de quem iria enfrentar um dragão de duas cabeças.
- Samuel é ótimo não é? — Harry perguntou ao ver Draco rir.
- Sim, ele é.
Samuel voltou minutos depois com duas garrafas de cerveja na mão e um sorriso triunfante.
- Aqui rapaz. — Ele ofereceu uma das garrafas abertas.
- Obrigado.
A campainha tocou novamente e Samuel foi atender.
- Já contou pra Hermione sobre a nossa sociedade? — Harry perguntou.
- Ainda não tive a oportunidade, mas o farei em breve. Tenho certeza que ela vai adorar a ideia.
Samuel entrou na sala, cortando a conversa, duas pessoas em seu encalço. Uma mulher e um homem. Obviamente marido e mulher. A mulher sustentava um olhar esnobe que mudou ao fitar Draco. Ela parecia deslumbrada por um instante mas no segundo seguinte o olhar esnobe voltou pro rosto. Samuel se aproximou dos dois homens.
- Esses aqui são Harry Potter e Draco Malfoy. Melhor amigo e namorado da minha filha, respectivamente. — Ele apontou pro moreno, depois pro loiro. Depois se virou pra eles e apontou a mulher e o homem. — Essa aqui é Charlotte Thompson, prima de Hermione e esse é seu marido, Joseph.
Os quatro apertaram as mãos e um silêncio desconfortável se fez entre eles durante longos segundos. Como num acordo silencioso, todos foram em direção à cozinha onde Mary, Hermione e Gina trabalhavam fervorosamente.
- Tia Mary! — A mulher chamou. As três mulheres olharam pra porta. Mary sorriu enquanto Hermione e Gina fizeram uma careta de desgosto. Esse gesto não passou despercebido por Draco.
Ele olhou interrogativo pra Harry que se aproximou e cochichou em seu ouvido.
- Elas nunca se deram bem. Parece que elas mantêm uma competição de "quem tem uma vida melhor" desde sempre.
Draco assentiu e se aproximou de Hermione. Ela estava de braços cruzados enquanto assistia sua prima falar com uma Gina nada satisfeita. Ele imperceptivelmente passou um braço pela cintura de Hermione, pra confortá-la, assim como ela fez com ele mais cedo.
- Hermione, quanto tempo. — Enfim Charlotte se aproximou, com um sorriso debochado que só Draco e Hermione perceberam, e a abraçou.
- Pois é, fazem meses desde a ultima vez que nos vimos, Charlotte.
Ela ignorou Hermione e olhou pra Draco.
- E nós já fomos apresentados. — Ela sorriu de orelha a orelha exclusivamente pra ele, que arqueou a sobrancelha. Hermione bufou ao seu lado e ele aumentou o aperto em sua cintura.
Finalmente, o olhar de Charlotte voltou pra Hermione.
- Achei que ainda estivesse casada com Rony e vivendo seu casamento dos sonhos. — Ela riu baixinho.
- Como pode ver não estou mais. Rony é passado, Draco é meu presente e futuro. E o seu casamento, como vai?
Subitamente, parecendo se lembrar de seu marido parado à porta da cozinha, ela se voltou pra ele e segurou em seu braço.
- Nós estamos cada dia mais felizes, se é que é possível. — Ela se virou pro marido e o beijou na frente de todos.
Hermione revirou os olhos pra ceninha acontecendo no meio da cozinha de sua mãe.
- Sabe, — Draco sussurrou em seu ouvido, os olhos avaliativos em cima de Charlotte. — eu prefiro mil vezes você.
Hermione sorriu de orelha a orelha e se aconchegou em seus braços. Quando a cena acabou, Charlotte arrastou seu marido pela mão de volta pra sala enquanto Samuel ia atender a porta mais uma vez.
- Mãe, deixa que eu termino aqui e vá se arrumar. Os convidados já estão chegando.
Mary assentiu e se despediu brevemente de todos, subindo as escadas pros quartos.
Hermione e Gina terminaram rapidamente o almoço enquanto eram observadas por Harry e Draco. Os dois tinham escolhido ficar na cozinha do que na sala já abarrotada de gente desconhecida.
- Mãe, mãe, mãe! — Hugo entrou correndo na cozinha.
- O que foi? — Hermione perguntou impaciente.
- Depois do almoço nós podemos ir no zoológico?
Hermione estava prestes a dizer que não, quando Draco interrompeu.
- Eu levo. — Ele assegurou.
- Se for assim tudo bem. — Hermione suspirou resignada.
- Obrigado Draco! — E ele voltou a correr pela porta do quintal.
Gina suspirou e Hermione olhou pra ela interrogativa.
- James vai querer ir e temos que ir embora cedo.
- Posso saber por que? — Ela perguntou curiosa.
- A mãe de Harry vem passar o fim de semana com a gente e ela chega essa tarde. Nós vamos sair daqui direto pro aeroporto buscá-la.
- Lily vai estar em Londres? Isso é o máximo, Harry! — Hermione exclamou pro seu melhor amigo.
- Sim. Meu pai vem amanhã bem cedo. Os dois vão embora na terça. — Ele comentou contente.
Se tinha uma coisa que Harry gostava, essa coisa era a visita de seus pais.
Com o almoço pronto, todos os quatro saíram pra sala. Depois de muitas apresentações, perguntas constrangedoras típicas de tios inconvenientes, Mary desceu e o almoço foi servido. Todos comeram com vontade, conversando animadamente entre si, Hermione recebia alguns olhares impertinentes de Charlotte claramente invejando o homem ao seu lado que só tinha olhos pra ela. Charlotte tinha plena consciência de que Joseph não chegava nem aos pés de Draco.
Com o fim do almoço, todos saíram pro quintal pra pegar um ar fresco e descontrair.
- Mary, desculpe a saída repentina mas nós temos que ir. Temos que buscar a mãe de Harry no aeroporto em uma hora.
- Não se preocupe, querida. Fico feliz que tenham vindo assim mesmo!
- Desculpe mesmo. Foi tudo maravilhoso, foi muito bom ver você e Samuel.
- Mãe, eu e Draco vamos levar as crianças no zoológico aqui no Regent's Park antes que eles tenham uma síncope.
- Vão lá, filha, mas não demorem porque parece que vem vindo uma tempestade.
- Tudo bem. — Hermione depositou um beijo na bochecha de sua mãe e todos seguiram em direção à porta.
Do lado de fora se despediram de Harry, Gina e James e acenaram enquanto o carro de afastava pela rua. Finalmente atravessaram à rua e chegaram ao destino tão almejado por Hugo e Rose.
Os quatro entraram no zoológico razoavelmente lotado. Hugo e Rose correram pro primeiro animal que encontraram, deixando Hermione e Draco pra trás.
- Qual o problema entre você e sua prima Charlotte? — Draco enfim pôde perguntar longe de toda a agitação da casa dos Granger.
- Nunca entendi isso muito bem. Desde pequena nós somos assim, gostamos de competir. Na infância eram bonecas, depois as notas escolares e conforme íamos crescendo, essa competição boba também crescia. Chegamos a competir quem tinha o melhor namorado. — Hermione comentou, indignada consigo mesma. — Quando eu me casei com Rony, Charlotte tinha acabado de começar a namorar Joseph. Ele é um cara legal mas eles não combinavam em nenhum quesito. Uma semana depois do meu casamento eles ficaram noivos. Só casaram cinco anos depois. — Nessa última parte Hermione riu. — Quando ela zombou do término do meu casamento, eu percebi que essa competição não era saudável. Eu nunca quis o mau dela e fiquei assustada quando a vi particularmente feliz com minha infelicidade.
- Ela parece bem má pra mim. — Draco comentou e Hermione riu.
- Ela é, uma pena que ninguém enxergue isso além de mim.
Hermione começou a andar, perdida em pensamentos, em direção aos seus filhos. Uma senhora interceptou Draco quando ele fez menção de acompanhá-la.
- Uma rosa para sua bela dama?
Draco sorriu quando viu que a senhora carregava uma cesta com muitas rosas vermelhas.
- Obrigado. — Ele agradeceu depois de pagar a mulher e pegar uma das rosas vermelhas.
Draco caminhou até Hermione que estava de costas. Ele apareceu repentinamente em sua frente com a rosa na boca e uma expressão sedutora. Hermione riu e tirou a rosa de sua boca.
- Uma rosa para uma bela dama. — Ele sorriu galanteador.
- Obrigada. — Ela o abraçou pelo pescoço e o beijou apaixonadamente.
Eles se separaram e de mãos dadas começaram a seguir Hugo e Rose. As duas crianças iam na frente e olhavam e apontavam pros animais depois corriam pro próximo e repetiam o processo. Foi assim durante as próximas duas horas. Hermione já estava exausta e tinha certeza que já tinha andado o zoológico de ponta a ponta e ainda sim as expressões de Hugo e Rose não estavam satisfeitas.
De repente a chuva tão prometida pro dia chegou. As pessoas começaram a se dispersar pra saírem da chuva que chegava com força total. Hermione segurou Hugo de um lado e Rose do outro e correram de volta pra casa dos Granger.
Assim que entraram pela porta, Rose choramingou.
- Eu queria ter visto os pinguins.
- Bom, acho que isso vai ficar pra uma próxima vez. — Hermione lamentou, não verdadeiramente triste.
Ela sentou no sofá, cansada e tirou os sapatos. Draco sentou ao seu lado e ela deitou a cabeça em seu colo.
- Que bom que já voltaram, com essa chuva e esse tanto de raios é perigoso ficar na rua. — Samuel falou, voltando da cozinha acompanhado de Mary, Charlotte e Joseph.
Hermione olhou as horas no relógio de pulso de Draco e suspirou exasperada.
- Meu Deus, olha a hora, precisamos voltar.
- Nada disso! Vocês não vão sair aqui debaixo dessa chuva e cansados desse jeito.
- Não é problema nenhum, Ma-
- Nem pense nisso rapazinho, já tem um quarto arrumado pra vocês lá em cima. Charlotte e Joseph também vão ficar.
- Tudo bem então. — Draco concordou.
- O quarto de vocês é o segundo. — Ela apontou pra Hermione e Draco. — E o de vocês é o primeiro. — Ela apontou pra Charlotte e Joseph.
- Você quer deitar um pouco? — Draco perguntou pra uma Hermione de olhos fechados, ainda aconchegada em suas pernas.
Ela assentiu. Os dois levantaram, deram tchau pros demais e subiram as escadas. Entraram no segundo quarto, como indicou Mary. O quarto era branco, com a roupa de cama lavanda. Uma única janela com cortinas bege moldava a parede de frente pra porta. Era simples e aconchegante.
Hermione jogou seus sapatos num canto do quarto e se jogou na cama, Draco fez o mesmo em seguida. Ele tinha que admitir que estava exausto.
Horas depois, ele acordou meio atordoado. Hermione dormia totalmente entrelaçada a ele e ele teve que tomar muito cuidado pra não acordá-la ao tentar se esquivar. Ele levantou da cama e afastou as cortinas. Lá fora já estava escuro e a chuva ainda caía fortemente. Ele olhou em seu relógio de pulso e viu que não passava das 22 horas.
Ele abriu a porta do quarto e colocou a cabeça pra fora. Tudo estava muito silencioso, o que indicava que todos deveriam estar dormindo. Ele cuidadosamente fechou a porta atrás de si e procurou por um banheiro no andar. Encontrou na última porta do corredor.
Draco entrou e lavou o rosto pra se livrar momentaneamente do sono. Sua surpresa foi ao levantar o rosto e olhar no espelho. Na porta do banheiro, agora aberta, estava Charlotte Thompson.
- Posso ajudar? — Ele tentou não soar tão rude mas sentiu que falhou inevitavelmente.
- Na verdade você pode me responder umas perguntas que estive querendo fazer a noite toda. — Ela respondeu casualmente como se não tivesse acabado de invadir o banheiro e abordá-lo.
- E por que eu iria respondê-las? — Ele cruzou os braços e encostou na pia.
- O que foi que você viu na minha prima? — Ela perguntou com desprezo.
- Aparentemente, tudo que eu não vi em você.
- Fala sério, ela é tão irritante e nem é tão bonita assim. — Ela murmurou mais pra si mesma do que pra ele. Draco rangeu os dentes. Estava cansado da inveja de outras mulheres rebaixando Hermione descaradamente.
- Ela é irritante sim e isso é o que faz dela tão atraente. Ela é teimosa, impertinente, insistente e muitas outras coisas do tipo. E é por isso que eu gosto dela, porque ela mostra como ela realmente é, ao contrário de você. Deixe Hermione em paz e vá viver sua vida.
- Não tem nada mais satisfatório do que ver minha prima por baixo.
- Você é bem pior do que eu pensava. A inveja é um sentimento horrível, você sabe.
- Eu com inveja dela? Você só pode estar brincando!
- Apenas se ouça falando. Sua máscara um dia vai cair, Charlotte e todos vão ver quem você realmente é.
- Eu gostaria de ver alguém tentar.
Um pigarro alto atrás dela a fez virar bruscamente. Mary Granger olhava sua sobrinha com uma decepção indescritível nos olhos. Charlotte percebeu a burrada que fez e tentou consertar. Antes que proferisse qualquer palavra, Mary levantou a mão a impedindo.
- Quero que saia dessa casa nas primeiras horas da manhã.
- Tia... eu... — Ela tornou a tentar.
- Por favor, saia da minha frente Charlotte. Eu não consigo olhar pra sua cara.
Charlotte caiu no choro e correu pra porta do quarto. Antes de fechar, ofereceu um olhar ameaçador pra Draco.
- Me desculpe por isso, Mary. — Ele suspirou.
- Não se desculpe. Eu precisava abrir meus olhos pro que acontecia em minha própria casa. Mas confesso que foi uma grande decepção. — Mary também suspirou, triste. Depois olhou pra Draco e sorriu. — Vou voltar pro quarto, boa noite, querido.
- Boa noite, Mary.
Draco voltou pro quarto e viu que Hermione nem havia se mexido. Com cuidado ele deitou na cama e envolveu seus braços nela, que inconscientemente se aconchegou nele. Em poucos minutos ele caía num sono profundo.
(...)
A manhã seguinte foi um pouco tensa. Quando todos desceram pro café-da-manhã, Charlotte estava sentada à mesa, como se nada demais tivesse acontecido na noite anterior. Draco notou que Mary ainda não havia descido, o que explicava a ainda estadia de Charlotte na casa.
Não tardou muito pra Mary descer e ver a mesma cena que Draco: uma Charlotte agindo como se nada tivesse acontecido. Mary se aproximou da mesa e olhou diretamente pra Charlotte.
- Eu achei que tivesse sido bem clara quando pedi que saísse dessa casa assim que o sol raiasse.
Todos na mesa, menos Draco, olharam atordoados pra Mary.
- Mary, o que está acontecendo aqui? Por que está expulsando sua sobrinha de nossa casa.- Samuel perguntou.
- Charlotte não é mais minha sobrinha. Não quando ela deseja ver minha filha mau. Não quando ela para o namorado da minha filha no meio do corredor pra falar mal dela. Essa não é a Charlotte que eu conheço, portanto eu quero que ela saia.
Hermione olhava atônita de Mary pra Charlotte, de Charlotte pra Draco. Tudo aquilo era muito surreal pra ela. Samuel também parecia um pouco chocado, assim como Joseph. Hermione olhou pra ele involuntariamente com pena. Ele mal conhecia a mulher que tinha em casa.
Charlotte se levantou sob o olhar de todos e caminhou pra porta com Joseph em seu encalço. Com um último olhar de desprezo pra todos eles, ela deixou a casa. Mary caiu na cadeira à sua frente e deixou toda a expressão de seu rosto cair. Hermione queria matar Charlotte por deixar sua mãe triste assim.
Mas com a mesma rapidez que a expressão triste apareceu, ela sumiu, sendo substituída por um sorriso sincero dirigido à Draco.
Todos tomaram café em silêncio, ainda digerindo as informações de minutos atrás. Ocasionalmente, Hugo ou Rose faziam algum comentário engraçado que tirava a tensão da mesa.
Hermione ajudou sua mãe a tirar a mesa, logo depois. As duas foram pra cozinha e Hermione colocou o louça na pia.
- Sabe Hermione, — Ela levantou o olhar pra sua mãe, que a fitava sorridente. — Draco é um ótimo rapaz, não deixe que ele escape.
Hermione sorriu.
- Não deixarei.
No minuto seguinte, Draco entrou na cozinha.
- Precisamos ir. — Ele sorriu se desculpando pra Hermione.
- Tudo bem, já está na nossa hora mesmo.
Mary e Samuel os levaram até a porta. Deram um abraço de despedida em cada neto e depois em Hermione e Draco.
- Foi ótimo te conhecer, Draco, seja bem-vindo pra voltar sempre que quiser. — Mary falou.
- Obrigado Mary. — Ele sorriu sincero.
- Foi um prazer te conhecer também, rapaz. — Samuel falou. — Cuide bem da minha filha.
- Pode deixar, vou cuidar bem dela.
- Tchau mãe, tchau pai. Nos vemos em breve, amo vocês.
- Tchau vó, tchau vô. — Hugo e Rose acenaram e logo os quatro estava correndo sob a chuva em direção ao carro.
- Hora de voltar pra realidade. — Draco murmurou pra si mesmo, ainda anestesiado pelo fim de semana longe de tudo. Agora eles tinham que voltar, e amanhã ele tinha uma audiência. Ele mal tinha deixado o Regent's Park pra trás e sua cabeça já estava cheia.
Fale com o autor