Dramione - House Of Night
25 Ah, graças a Harry!
Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS!
Pi.
Pi.
Pi.
O barulho constante do aparelho que marcava as batidas do coração de Draco irritava Hermione, embora fosse a única coisa que dizia que ele estava vivo. A morena estava sentada na mesma posição desde que chegara ali a dois dias atrás, do outro lado Narcisa Malfoy chorava baixinho. Fora obrigada a ser examinada pra saber se estava bem. Não que ela se importasse em estar bem, vendo Draco naquele estado.
O loiro estava ainda mais pálido que o normal, os lábios levemente arroxeados e ressecados. O peito machucado descia e subia fracamente, sua respiração era rasa, quase nula.
Draco chegara ao hospital já quase desmaiado, respirando com dificuldade e com os olhos embaçados com lágrimas de dor. Os médicos o levaram direto pra mesa de cirurgia, deixando uma Hermione desesperada, sem notícias por horas. Pela graça divina, tudo tinha dado certo e Draco não corria mais riscos de vida. Desde que liberaram as visitas, Hermione sentava ao seu lado e ficava por horas à fio, na esperança de que ele acordasse e ela pudesse ver o brilho de seus olhos cinzas.
Na recepção do hospital, Blás e Harry davam depoimento mais uma vez pra polícia. Contaram como Hermione tinha sido sequestrada pelo mafioso procurado, e que ao fim da “operação” ele tentou matá-la. Harry, percebendo a má intenção do crápula, deu-lhe um tiro certeiro no coração mas não conseguiu impedir que ele atirasse em Hermione. Draco levou a bala por ela. Ambos caíram no chão ao mesmo tempo, um já morto, o outro quase sem vida.
Aí depois veio o desespero. A polícia chegou um bom tempo depois, a ambulância não chegaria a tempo. Correndo pra salvar a vida do loiro, os dois homens o colocaram no banco traseiro do carro de Blás e ele correu pro hospital mais próximo. Harry e Hermione vinham logo atrás, a morena aos prantos.
E agora ela estava ali. Agindo mecanicamente, olhando Draco deitado na cama de hospital sem emoção alguma. O cansaço tentava dominá-la mas ela não deixava. Não tinha dormido, muito menos comido. Vivia à base de café e alguns pedaços de torta que Harry e Blás a obrigavam a comer. Não havia quem a tirasse de lá.
Vencida pelo cansaço, pegou no sono sentada na cadeira. Narcisa ainda estava lá, era outra que se recusava a sair do lado do filho, porém tinha uma aparência menos pior, apenas profundas olheiras e olhos vermelhos do choro.
Ela olhava pela janela quando captou pela visão periférica uma movimentação. Levantou de sobressalto e foi até a cama. Draco abrira os olhos e se mexia inquieto tentando se livrar dos aparelhos grudados em seu corpo.
- Draco! — Narcisa abraçou o filho num impulso e ele correspondeu avidamente.
Hermione também acordou num pulo, irritada por ter pego no sono, mas ao perceber os olhos de Draco sobre ela, levantou imediatamente e foi até ele. Narcisa disse que chamaria o médico e deixou os dois a sós.
- A quanto tempo estou… — Ele perguntou com a voz engasgada, devido ao fato de ter a garganta seca, mas Hermione o cortou apressada.
- Quase três dias. — Ele ficou surpreso ao ouvir isso. E ficou mais ainda quando ela, sem qualquer aviso, o abraçou em meio a soluços.
Depois se afastou bruscamente dele com uma expressão zangada.
- Por que diabos fez aquilo? Você por acaso enlouqueceu? Você podia ter morrido, meu Deus! — Ela falou exasperada, a voz um oitavo mais alta.
- Antes eu do que você. — Ele falou simplesmente, como se fosse óbvio. Ela pareceu se envergonhar por um momento e grossas lágrimas escorreram de seus olhos.
- Eu achei que você não fosse acordar nunca. — Ela dizia em meio ao choro, voltando a abraçá-lo. — Achei que fosse te perder. Eu tive tanto medo.
Ele a abraçou ainda mais forte, sem dizer nada. Ficaram alguns minutos assim até o Dr. Dumbledore chegar e pedir pra que ela se retirasse. Se despediu do loiro brevemente e saiu, aliviada e um pouco mais feliz.
Praticamente correu até à sala de espera, onde Blás, Harry e Gina estavam conversando com Narcisa. Pelo semblante repentino de felicidade dos amigos, eles haviam acabado de saber da novidade.
Hermione se aproximou lentamente mas logo eles se viraram pra ela. Antes mesmo que a morena chegasse perto deles, Gina abraçou a amiga fortemente, feliz da vida e sorridente.
- Acho uma boa ideia irmos pra casa então, né? Descansar um pouco e voltarmos mais tarde. Principalmente você, dona Gina. — Harry sugeriu acariciando o rosto da esposa. — Isso inclui você, Hermione.
Hermione franziu o cenho como se a ideia de sair dali sem Draco fosse completamente absurda.
- Não vou. — Ela fez birra e seus amigos a olharam indignada.
- Você vai. — Blás retrucou. Segurou-a pelo braço e continuou. — Vamos nos despedir do Draco e dizer que voltamos mais tarde. Garanto que ele não fugirá Hermione.
Ela bufou irritada e seguiu até o quarto. Narcisa já tinha voltado pro quarto e estava lá dentro sozinha com o filho conversando baixo.
- E aí cara? — Blás falou entrando no quarto. — Achei que não fosse mais acordar. — O moreno tinha feições cansadas porém aliviadas.
- Vaso ruim não quebra. — Ele iniciou uma risada mas parou ao sentir dor. A careta dele fez Hermione se aproximar preocupada.
- Quer que eu chame o médico? — Ele negou com a cabeça e segurou a mão dela.
- Só quero que chame o médico se for pra me tirar daqui. — Ele deu de ombros.
- Só daqui a alguns dias, Draco. — Narcisa falou severa. — Mas o que importa é que você não corre mais perigo.
Draco tinha o peito e o braço esquerdo enfaixado e alguns arranhões quase cicatrizados no rosto.
- Vou levar Hermione pra casa. — Blás se pronunciou, recebendo um olhar mortal da morena. — Ela precisa descansar. Na verdade todos estamos. — Ele devolveu o olhar.
- Já disse que não vou. — Ela disse firme.
- Ele está certo. — Draco falou, pra decepção dela. — Eu já estou bem. Você que não parece nada bem. Vá pra casa descansar, te dou a certeza de que não vou à lugar nenhum. — Ele soltou uma risada pelo nariz.
Ela suspirou vencida, sabendo que não tinha como discutir com ele e acabou por assentir. O quarto permaneceu num silêncio incômodo e Narcisa e Blás se entreolharam, saindo do quarto em seguida.
Ela sentou-se na cadeira ao lado dele sem soltar sua mão. Ela estava verdadeiramente cansada e seria capaz de dormir dois dias seguidos. Os dois continuaram em silêncio durante um longo tempo sem se encarar. Draco quebrou o silêncio.
- Me desculpe, por tudo. — Ele falou baixo, ela levantou o olhar o encarando.
- Não precisamos falar disso agora. — Ela sorriu. — Apenas melhore.
Ele sorriu, um pouco aliviado, e pediu que ela se aproximasse.
- Agora eu quero que você vá pra casa, tome um banho bem relaxante e durma. — Ele acariciou o rosto dela e ela fechou os olhos.
Ele levou sua única mão livre até a nuca dela, puxando o rosto dela pra si. Os dois se encararam por um breve instante antes de colarem os lábios. No começo, era apenas um encostar de lábios mas a saudade que sentiam um do outro tornou o beijo mais intenso. A mão de Hermione subiu cuidadosamente até os cabelos dele e fez um carinho por ali. Não queriam se separar mas precisavam de ar. Se afastaram ofegantes e ela encostou sua testa na dele.
- Eu te amo. — Ele sussurrou em meio a respiração alta deles. Ele não esperava resposta, apenas queria expor o que realmente sentia.
Quando Voldemort a tinha levado, ele percebeu que não poderia mais viver sem ela. Ele sabia que só tinha uma explicação pra isso. Ele a amava mais do que tudo. Essa era a única certeza que ele tinha.
Ela sorriu abertamente, ainda de olhos fechados, absorvendo aquelas maravilhosas palavras que saíam da boca dele. Ela também tinha essa certeza. Quando o viu caído no chão, ensanguentado e quase morto por ter entrado na frente de uma bala por ela, ela teve essa certeza. Quando ela achou que nunca mais fosse ver aqueles olhos azuis-acinzentados e seu coração se fez em pedaços… Ela sabia o porque. Ela também o amava, como nunca havia amado alguém.
- Eu também te amo. — Ela sussurrou no mesmo tom de voz dele, pausadamente, como se quisesse dar ênfase àquelas palavras.
Ele abriu os olhos, um pouco surpreso e sorriu. Ele não esperava aquela resposta dela, não agora. Mas não podia evitar a chama de felicidade que crescia dentro de si. A beijou mais uma vez, de um modo calmo e terno, mas transmitindo tudo o que sentia.
Um pigarro alto os fez separar assustados.
- Não querendo atrapalhar os pombinhos mas já atrapalhando… — Harry disse, rindo da cena que acabara de presenciar. Hermione estava levemente corada e Draco sorria bobamente. Gina passou a frente do marido e correu até Draco, dando um abraço apertado e desajeitado nele que retribuiu aos risos.
- Você quase nos matou de susto. — Ela falou, colocando a mão no coração pra dramatizar.
- Verdade. — Harry confirmou.
- Mas se não fosse por você, estaríamos todos mortos. — Draco olhou pra Harry e Hermione estremeceu, lembrando-se nitidamente da cena.
- Não tem de que, sempre que precisar estamos aí. — Ele falou presunçoso, recebendo um olhar feio da esposa e várias gargalhadas dos amigos.
- Calma Potter, não esqueça que tem dois filhos pra criar e uma esposa muito brava. — Blás falou encostado na porta, finalmente fazendo todos perceberem sua presença. Gina o olhou concordando.
- O horário de visitas acabou. — A enfermeira falou, tentando entrar no quarto praticamente lotado. — Ele precisa descansar. Vamos, saiam todos!
Sentindo-se expulsados de lá, começaram a dirigirem-se pra saída. As últimas a ficarem foram Narcisa e Hermione.
- Mais tarde eu volto. — Hermione se virou pro loiro e depositou um simples beijo em seus lábios, saindo do quarto em seguida.
- Você pode ficar Narcisa. — A enfermeira falou sorrindo.
- Obrigada Pomona. — Narcisa agradeceu a já conhecida enfermeira da família. Pomona Pomfrey e Alvo Dumbledore eram a enfermeira e o médico, respectivamente, da família desde sempre. Sempre cuidaram dos Malfoy, assim como tentaram a todo custo convencer Lúcio a iniciar a quimioterapia o que não aconteceu.
Narcisa voltou a sentar na cadeira onde antes estivera e ficou a observar os remédios e injeções que a enfermeira dava em seu filho.
Na sala de espera, Blás, Gina e Harry esperavam por Hermione. Os quatro saíram pela porta do hospital que levava ao estacionamento. Harry e Gina foram até o carro de Harry, enquanto Hermione e Blás iam até o carro do moreno.
Se despediram e entraram. Antes mesmo de Blás sair do estacionamento com o carro, Hermione tinha pego no sono no banco do carona. Ele riu da teimosia dela. Ela estava visivelmente esgotada mas não queria sair de lá.
Sacudiu a cabeça ainda rindo e pegou o caminho até a casa dela.
Notas finais
Eu estava aqui pensando com os meus botões que o próximo capítulo poderia ser um POV do Draco do momento em que ele vê Hermione nas mãos do cara de cobra, até a hora que ele acorda no hospital... Ou algo assim, o que vocês acham?
Ah, ainda temos muito a descobrir nessa fic!! hahaha fiquem na curiosidade pra saber o que vem por aí, ok? ok.
Beijos e até o próximo.
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