Dramione - Fotografias

39 Os Herdeiros dos Grandes


Pov. Mione.

–O ritual vai ser feito em Hogwarts.

Essas palavras deu um susto até mesmo em mim ao pronuncia-las, o local que ia ser feito agora todos nós sabíamos, bom em partes, Hogwarts era enorme e com várias passagens secretas, salas não conhecidas nem mesmo pela McGonagall, talvez nem pelo Dumbledore.

Onde, não era mais o Xis da questão, quando, era a pergunta que não calava. Melgaço poderia já ter feito, e isso me causava pânico, como poderia também esperar mais 364 dias para fazer.

O corredor ficou estático durante longos segundos que pareciam durar dias, cada um absorvendo e pensando o mesmo que eu, provavelmente.

–Onde já sabemos, quando? Verbalizou Rony.

–Eu não sei. Confessei totalmente inerte aos meus pensamentos.

–Vamos avisar a diretora Minerva que Melgaço mais cedo ou mais tarde entrará no caste...

A frase de Draco foi interrompida por passos rápidos vindos das escadas onde Miguel e Walisson desceram rapidamente afobados.

–Aconteceu alguma coisa? Perguntou Draco.

Sabíamos que os dois deveriam estar nas missões que Draco havia os mandado mais cedo ainda na mesa de jantar. Ambos ofegantes se aproximaram mais de nós e Miguel me entregou um envelope vermelho sangue que fez meu coração disparar.

Era dele.

Esperávamos tanto por isso, era completamente previsível que Melgaço uma hora ou outra entrasse em contato comigo. Draco automaticamente se aproximou bem mais de mim ficando por trás de uma forma que pudesse ler a carta facilmente, meus dedos tremiam ao abrir aquele pedaço de papel.

Querida Hermione Granger,

Meu terceiro e último contato. Antes tarde do que nunca, não é mesmo querida?

Sei o quanto deve estar possessa comigo, eu tinha que fazer isso, sabia que mais cedo ou mais tarde teria que pega-los, então peguei. Simples, rápido, fácil e bem debaixo do nariz empinado do seu digníssimo ex-namorado. Sim, eu fiquei sabendo disso também, pense em meu rosto nesse momento com um sorriso largo e contente por ver que você finalmente percebeu que Draco Malfoy não é homem para você.

Se estou triunfante? Mais do que pensei ser possível, eu lhe avisei, mais cedo ou mais tarde assim como eu pegaria as crianças, você perceberia o quão desperdiçada está sendo ao lado de um homem como ele, quando poderia estar ao lado de um homem como eu.

Seus filhos, meus netos, filhos de Voldemort são crianças exatamente idênticas a você, não tem resquícios da covardia de Melissa, claro que o último ato dela foi glorioso só que antes ela era uma covarde, agora seus filhos, filhos dela... São exatamente iguais a você. Tem a sua coragem e sua petulância se me permite dizer.

A garotinha, Sophia Malfoy, é o confronto entre o doce inocente com a pitada Granger petulante de ser. Como ela consegue ser tão diferente? Num momento ela é dura como ti, me ignorando mesmo quando está chorando, e no outro ela cospe com todas as palavras que o pai dela é um príncipe e que ele vai resgata-la como um dia resgatou a princesa. Santa imaginação!

Sophia Malfoy é simplesmente encantadora, arrogante, petulante e Granger.

O rapazinho, Enzo Granger, esse é o ato da coragem. Ele deve ter ameaçado meus capangas algumas dezenas de vezes nesse meio tempo que estão comigo. Ele é o ponto forte da garota, tão pequeno, tão protetor, realmente tem os meus olhos, mas a arrogância do seu EX-namorado, a cada cinco frases “meu pai” e “minha mãe” aparecem ameaçando todos até a mim.

Enzo Granger simplesmente arrogante, corajoso, intrigante e Malfoy.

Criou bem os seus filhos, e não dou o mérito apenas a você, seu EX- namorado também tem uma parcela dessa façanha.

Mas estou aqui apenas para lhe relembrar algo.

O nosso trato.

Ele ainda está de pé, você ainda poderá escolher entre a doce Sophia ou o corajoso Enzo. Confesso que agora eu realmente não sei qual você escolheria, mas tenho certeza que qualquer um dos dois seriam merecedores da honra de ficar ao nosso lado. O relógio corre Srta. Granger, não posso lhe esperar para sempre para decidir isso.

Espero que se junte a nós o mais breve possível, quero te ter para mim para todo o sempre e eternidade minha querida e intrigante Hermione Granger.

Com saudades e apressado, Fabricio Melgaço.

Ps: Eu acho que já puxei o pino da granada.”

Se antes minhas mãos estavam trêmulas, agora estavam ainda mais enquanto eu lia suas palavras finais. Pino da granada... O que aquilo quer realmente dizer? Olhei para o Draco e ele ainda terminava de ler o finalzinho da carta, a testa franzida e o maxilar fechado de raiva por causa das menções de Melgaço para ele.

–Onde encontraram essa carta? Perguntou Draco visivelmente de mais mau humor ainda.

–Recebemos uma denuncia da Avó do Neville que ele e Luna estavam desaparecidos desde o fim da festa. Fomos até a casa do casal e eles não estavam lá, já iniciamos as investigações, mas encontramos esse bilhete em cima da mesinha de centro. Respondeu Walisson.

–Merda! Mais essa agora. Reclamou Draco socando a parede.

Agora fazia sentido, não tínhamos visto nem Neville nem Luna, eles nunca deixariam de ficar ao nosso lado e eram loucos por Sophia e Enzo. Além de ser um dos nossos melhores amigos.

–Temos que descobrir o que Melgaço quer com os dois. Falou Theo.

“Puxei o pino da granada.”

–Merda! – foi a minha vez de xingar – Vamos para Hogwarts agora!

–O que foi Mione? Perguntou Draco.

–O Pino da granada já foi puxado. Ele não vai esperar muito para começar o ritual, ele já tem os Herdeiros dos Grandes, Avery para ajuda-lo e dois corações leais a suas casas. Respondi já andando para sairmos logo dali.

–Uma corvinal inteligente e um grifinório corajoso – conclui Draco – Ele quer realmente mexer com todo mundo, de tantas pessoas que ele poderia pegar pegou dois amigos.

–Foi a forma mais rápida de chamar nossas atenções. Falei ao lado dele enquanto subíamos numa cavalada para os andares superiores.

Todos estavam atrás de nós, não tínhamos muito tempo, tínhamos que ir para Hogwarts. Subimos até a área de Draco, a sala dele tinha ligação direta com vários lugares inclusive com uma das lareiras do castelo. De lá ele já enviou mensagens para os grupos de aurores irem para o local, enquanto um por um os que estavam com a gente iam invadindo o castelo. Primeiro Theo, seguido por Simas, Jeovane, Aline, Natalia, Miguel, Jean Carlos, Walisson, Rony...

–Mione, eu não queria que você fosse. Pediu Draco assim que a sala ficou vazia.

–Você prometeu que íamos encontrar eles juntos. Argumentei quando ele lançou aquele olhar chateado para mim.

–Hermione...

–Draco, eu vou, são nossos filhos e nós vamos acha-los juntos.

Draco franziu a testa, seus dois demônios anteriores brigando para ver quem tem mais razão.

–Promete que vai ficar segura? Eu quero você na minha cola, vou ficar de olho em você o tempo todo.

–Tudo bem, eu vou ficar bem.

–Não consigo pensar na possibilidade desse homem colocar as mãos em você novamente.

Apenas sorri para ele e confirmei com a cabeça encarando os grandes e preocupados olhos cinzentos que eu mais amava, ergui um pouco os pés e beijei o seu rosto puxando-o pela mão para juntos entrarmos na lareira enquanto usávamos o pó de flúr.

E enfim estávamos em Hogwarts, de novo. Fazia mais de oito anos que eu não colocava os pés ali, desde a guerra, olhei para Rony no canto da antiga sala da professora McGonagall e o olhar dele era de incredulidade, ele estava ali de novo também, no lugar onde a guerra bruxa aconteceu, o lugar que eu, ele e Harry evitamos tanto depois da guerra.

–Rony... Comecei.

–Não se preocupe Mione, está tudo bem. Ele falou sorrindo doce para mim.

Saímos da sala indo direto para o grande salão de Hogwarts onde as mesas estavam todas vazias e que daqui alguns dias estariam cheias de novo. Lembrei-me das milhares de vezes que me sentei nessa mesa com meus melhores amigos e vez ou outra, muito raramente, olhava para o garoto arrogante da mesa ao lado. O principezinho da Sonserina.

–Os aurores aos poucos vão chegando, mas podemos ver por onde começamos. Falou Draco.

Na mesa um pedaço de pergaminho e pena se materializou enquanto Draco ia anotando os lugares que íamos investigar, Natalia foi escolhida para ficar para trás e distribuir as funções quando os outros aurores fossem chegando.

Aos poucos fomos nos espalhando em grupos, eu, Draco e Theo fomos no mesmo, não sei porque, olha a ironia! Vasculhamos algumas das salas mais escondidas e vazias e algumas passagens secretas que eu nem mesmo conhecia, apenas os dois sonserinos, cujo nem um falava direito com o outro parecendo ter onze anos de novo. Nem nesse momento eles paravam viu.

Sem sucesso e após quase duas horas de procura voltamos para o salão onde um grupo bem maior de aurores se reuniam. Era visível que eu estava muito cansada, mas eu não podia desistir. Os dois bebezinhos na minha barriga pareciam contribuir comigo e me deixava quieta, sem enjoos ou até mesmo tonturas.

Uma nova patrulha começou e dessa vez nós ficamos deixando apenas os outros aurores irem atrás de pistas enquanto descansávamos mais um pouco. No fundo eu sabia que aquilo era apenas uma perda de tempo imprestável, Melgaço não iria se esconder num lugar qualquer, longe disso, ele era inteligente demais para ficar tão obvio assim e foi isso que fez minha adrenalina subir. Onde eles podiam estar?

Respirei fundo e apenas comi um pedaço de pudim, mesmo estando sem fome. O pudim me fez lembrar de Luna, uma hora dessas ela estava com ele em algum lugar desse maldito castelo, lugar que a gente não consegue encontrar.

–Ele não está nessas salas, ele não é burro. Falei me sentando ereta com as poucas pessoas que ainda estavam ali.

–Isso concluímos quando ele pegou as crianças no meio de uma festa cheia de aurores. Debochou Theo e eu revirei os olhos.

–Não é isso, quais são os lugares mais protegidos de Hogwarts? Perguntei.

–Eu cheguei pensar nisso – falou Rony – Fomos onde Dumbledore escondeu a pedra filosofal.

–Eu havia me esquecido desse lugar – falei surpresa – Isso foi brilhante Rony.

–Sempre o tom de surpresa. Ele falou com carinho.

Me lembrava bem dessa frase dele.

–Acharam alguma coisa? Cortou Draco.

–Nada, tivemos que forçar uma entrada na sala do terceiro andar, mas a passagem ainda continuava lá – respondeu Rony – Poderia ser um lugar para um homem tão inteligente como Melgaço utilizar.

–Eu acho que devemos subir, quem sabe tentar as passagens secretas, se tivéssemos o mapa do maroto talvez fosse mais fácil, mas como não temos agora e provavelmente não vamos ter tão cedo – falei com o coração na mão, quanto mais tempo passava mais meu coração se apertava em pensar que meus pequenininhos estavam nas mãos de Melgaço – Talvez devêssemos tentar a Sala Precisa.

–A professora Minerva mandou uma carta, logo ela chegará na escola. Avisou Natalia.

–Ótimo, podemos tentar a sala Precisa enquanto isso, nada de grupos pequenos a partir de agora – falou Draco – Vamos ter que estar preparados para hora que acha-los.

Acenemos concordando com o chefe e ele estendeu a mão para mim que peguei sem resistência. Subimos no grupo completo, Rony, Natalia, Jeovane, Aline, Simas, Walisson, Miguel, Jean Carlos, Theo, eu e Draco... Todos com as varinhas em punho. A escola estava cercada de aurores investigando cada canto do castelo enquanto subíamos as escadas, a mão de Draco estava tão suada quanto a minha e ambos estávamos cada vez mais nervosos.

O ritual estava perto de acontecer. Eu sentia e temia isso.

Não tínhamos muito tempo, o pino da granada já tinha sido retirado, logo tudo ia para os ares e tanto eu quanto Draco tentávamos apenas nos pregar na esperança de que nada não ia acontecer como os nossos filhos, nem com os nossos amigos. Ele mesmo passeou pela frente da Sala Precisa que se revelou para nós, sinal que não havia ninguém, se tivesse realmente alguém lá dentro ela não poderia se revelar.

Eu já sentia meus ombros pesados e o cansaço cada vez mais evidente quando perdemos mais essa viagem, não tinha muito o que fazer mais, não o encontramos em lugar nenhum. Draco agora andava mais na frente discutindo algumas estratégias com Miguel e Jeovane enquanto eu ia pouco mais atrás. Theo assoviava a mesma canção que ele sempre assoviava quando estávamos na sela, uma espécie de oração que nunca perguntei o que significava, enquanto eu e Rony íamos juntos mais atrás.

Ele passou o braço pelo meu pescoço e andamos em silêncio enquanto ambos olhávamos mais uma vez para aqueles corredores tão familiares da nossa época de crianças, onde não conseguíamos ficar muito tempo longe de confusão.

–Fred tornou seus dias bem difíceis nesses corredores quando erámos monitores – ele falou com um sorriso de lado – Não tem como vir a Hogwarts e não se lembrar dele, ele e Jorge foram responsáveis por tornar nossos dias mais divertidos aqui... Ele gostava desse lugar apesar de não gostar de estudar, gostava tanto que morreu aqui lutando com a gente.

–Ele te amava muito – falei apertando sua mão – Fred nunca deveria ter morrido, não foi nossa culpa. Eu sei que você e Percy se culpam assim como Jorge também, porque estávamos todos com ele naquele momento da explosão no corredor... Eu só sei que não foi culpa de ninguém, apenas da maldita guerra.

–Eu sei, no fundo eu sei – ele falou e parou de caminhar colocando a mão no meu rosto para limpar a lágrima que escorreu, Hogwarts ainda era um lugar difícil de se voltar – Eu sinto muito por Enzo e Sophia, nós vamos encontra-los. Draco está muito empenhado a encontrar seus filhos e também está muito mal por sua causa, ele te ama muito Hermione.

–A gente tem tanto para resolver antes do nosso final feliz – falei – Eu não quero ficar longe dele, mas... Eu não gosto que desconfiem de mim Rony, você sabe disso, tanto que confiou em mim quando eu viajei para longe várias vezes durante os dois anos que ficamos juntos. E pensar que depois de tudo que fizemos, ele ainda não confia em mim, é doloroso.

–Mesmo assim, ele é apenas inseguro, ele não se acha merecedor de alguém como você Mione – Rony falou sorrindo – E ele não é, acredite, Draco Malfoy não te merece, eu não te mereço, Rafael não te merece, muito menos Theodore Nott... Capaz de nem Harry te merecer. A questão Mione que você é mulher demais para qualquer um, você é a mulher mais incrível do mundo...

–Rony.

–Eu estou falando sério Mione, qualquer um que estiver ao seu lado vai se sentir inferior. Você tem um coração incrível, maravilhoso e bondoso, é a mulher mais forte que todos nós aqui já vimos e eu entendo a insegurança dele, ele te conheceu de novo agora, descobriu agora a mulher maravilhosa que você é e se apaixonou – ele falou doce – A questão da confiança é que eu cresci com você, eu sempre estivesse ao seu lado com o Harry, eu te conheci bem antes... Ele não, ele está te conhecendo agora e agora ele vê a mulher incrível que você é e não se acha merecedor de tudo isso – ele se afastou e apontou para mim toda me fazendo sorrir – Ele acha que algum dia você vai acordar e ver que ele não é homem para você, que você merece algo melhor e é isso que o deixa inseguro. Nada mais que isso, ele mesmo deve estar se martirizando por desconfiar de você.

–Vocês têm a mania de me colocarem num pedestal – falei – Eu o amo tanto, tanto que só de pensar que eu posso perdê-lo doí muito... Eu te amei Rony, me desculpe se isso vai parecer egoísmo da minha parte, mas o que eu sinto por ele é maior do que tudo que já senti antes.

–Eu sei, eu vejo – riu Rony – Todo mundo vê isso, acredite chega a ser incomodo ficar no mesmo lugar que vocês, e eu não falo isso porque sou seu ex. Eu falo isso porque quando vocês estão perto parece até que tem uma eletricidade percorrendo o lugar, cada olhar, até os furiosos que vocês lançam com raiva, são cheios de paixão.

Voltamos a andar até as escadas e o grupo estava conversando com alguns outros aurores que estavam subindo para ficarem de vigília lá em cima.

–Quando você vai contar para ele? Perguntou Rony enquanto paramos novamente no topo da escada e Draco olhou para nós, acenou e voltou a falar com os aurores.

–Contar o que?

Rony riu de lado e desceu a mão do meu ombro para a minha cintura afagando minha barriga de lado por dentro do sobretudo aberto.

–Eu não sei – falei fechando os olhos e me sentando no degrau para esconder o rosto – Sinceramente não sei, eu sinto tanto medo de contar agora e estragar tudo.

–Você não vai esconder para sempre, sua barriga vai crescer e é muito injusto com ele. – ele parou de falar e abriu um sorriso de lado se sentando ao meu lado – O jato do Malfoy é certeiro hein.

–Theo. – Sibilei entre os dentes – Me lembre de matar meu parceiro depois, por favor, tem alguns sintomas de hormônios que precisam ser liberados e talvez eu possa usar os hormônios como desculpas quando mata-lo.

–Ele fez o certo Hermione, não adianta ficar brava, ele apenas me chamou de lado para contar, não falou para o Draco ainda – falou Rony como se fosse meu pai me dando uma bronca, pior, parecendo eu dando uma bronca nele e em Harry – Apenas ele e Simas não são suficientes para te proteger e colocar juízo nessa sua cabeça dura, é óbvio que eles tinham que contar para mais alguém. Apenas eu e o outro que ficou com vocês na ilha sabemos, o Walisson, parece que vocês quatro sobreviventes criaram um laço bem forte por lá. Mesmo assim uma hora você vai ter que contar para Draco.

–E eu vou, assim que eu tiver meus dois pequenininhos comigo e bem longe de Melgaço. Por favor, não conte nada a ele, Rony.

–Não é a minha obrigação fazer isso. Não vou te tirar o direito de resgatar seus filhos Hermione, só não se esqueça que estou aqui para proteger você, mas também para resgatar meu afilhado e a afilhada de Harry.

–Ei vamos descansar agora – falou Draco olhando com aquele olhar “rum” para nós – Precisamos fazer novas rotas de patrulhas.

Nos levantamos e seguimos descendo do terceiro para o segundo andar nos encontrando com os outros.

–Obrigado por tudo Rony. Agradeci apertando o braço dele.

–Não por isso, é bom um dia ser Hermione Granger e dar broncas e conselhos – ele riu enquanto seguíamos os outros – Como na época das Horcruxes, você gostava de fazer isso com Harry.

Parei de andar de uma vez.

–O que foi? Ele perguntou.

–Eu não sei – falei sacudindo a cabeça, aquela sensação de estar esquecendo alguma coisa voltando – Er... Merlin, eu estou ficando lenta.

Como eu não podia ter pensado nisso antes? O lugar mais secreto de Hogwarts.

–Você está fazendo aquela cara. – falou Rony arregrando os olhos – Ela está fazendo aquela cara.

Não. Melgaço não estaria em qualquer lugar, ele queria eu o achasse e uma hora daquelas já estava se sentindo decepcionado comigo. O plano original de usar Sophia e Enzo era para que ele e Voldemort pudessem ganhar a imortalidade, mas Voldemort foi derrotado por Harry pouco antes de Melissa dar a luz aos gêmeos. Não há outro lugar onde a presença dos 4 grandes fossem maior, eles criaram esse castelo, a magia deles que tornaram Hogwarts essa grande fábrica de sonhos e magia, uma fortaleza que sobreviveu a maior guerra bruxa que já existiu.

E se o ritual só pode ser em Hogwarts, só há um lugar seguro o suficiente para isso ser feito.

–Ei Hermione... Chamou Rony estralando os dedos na minha frente enquanto os outros me olhavam preocupados.

–O ritual vai ser feito na Câmara Secreta. Falei voltando a mim.

Não havia outro lugar, era lá...

Pov. Draco.

–O ritual vai ser feito na Câmara Secreta. Ela falou com a voz embargada.

Câmara secreta... Eu já tinha ouvido falar dela no segundo ano quando pessoas começaram a aparecer petrificadas, inclusive Mione. Depois daquela época nunca mais aconteceu nada, apenas algumas menções, mas sempre algo muito breve.

Parecia um dejavú de mais cedo, mas novamente parecia certo. Pelo que sei sobre aquele lugar, foi Voldemort que quando era mais novo abriu a Câmara Secreta criada por Salazar Slytherin.

–É um pouco difícil chegar lá Hermione – falou Rony chamando a nossa atenção – Tem certeza?

–Rony, não há duvidas, Voldemort queria o elixir também e se ele pode ser feito apenas em Hogwarts não há lugar mais seguro que a câmara secreta, é de difícil acesso e poucas pessoas sabem a localização já que as histórias sobre o lugar sempre foram abafadas. Ela falou usando aquele tom irritado.

–Poucas mesmo, porque eu mesmo não faço ideia. Falou Natalia.

É obvio que apenas os estudantes daquela época poderiam se lembrar exatamente disso, a câmara secreta é um mito para muitos, e sua localização nunca foi revelada mesmo quando os mitos foram confirmados.

–Onde é exatamente o lugar? Perguntei.

–Ironicamente é aqui no segundo andar, no banheiro da murta. Respondeu Rony caminhando para lá e o seguimos.

No banheiro da Murta? Eu já havia ido tanto naquele lugar principalmente no sexto ano, era o meu refugio quando me sentia sobrecarregado demais por causa minha missão de matar Dumbledore e ainda estava concertando o armário sumidouro.

Assim que entramos todos ficamos olhando para os dois intrigados que foram até as torneiras. Rony e Mione olharam para as torneiras e juntos falaram alguma coisa muito estranha, como se um assobio saísse dos lábios de ambos, na mesma hora a torneira que eles estavam de frente brilhou com uma luz branca e começou a girar. No segundo seguinte, a pia começou a se deslocar sumindo de vista, deixando um grande cano exposto, um cano largo o suficiente para um homem escorregar por dentro dele.

–Merlin! Exclamaram Simas, Theo, Aline e Natalia ao mesmo tempo.

Agora eu sabia porque não mencionavam a câmara secreta, qualquer babaca ia querer vir até aqui.

–Desde quando você fala ofidioglota? Perguntei para Mione.

–Eu não falo – ela sorriu – Eu e Rony tivemos aqui durante a batalha, e bom... Rony tinha o habito de ficar escutando Harry falar enquanto dormia.

–O que vocês vieram fazer nesse lugar? Perguntou Theo ainda espantado.

–O basilisco, precisamos da presa dele para destruir a Horcrux – respondeu Rony – Na verdade foi Mione que destruiu a taça.

Olhei para ela que apenas deu de ombros, eu sabia que ela havia destruído uma das horcrux porque ela havia mencionado certa vez, eu não sabia que tinha sido na câmara secreta...

–A descida é longa, não podemos gritar muito alto então vamos alerta-los na nossa chegada – instruiu Mione – Cada vez que um descer, o outro espera trinta segundos, assim que chegar ao fim, temos que sair rapidamente para não colidirmos uns com os outros.

–Ele vai estar no fim do cano? Perguntei.

–Não, tem um caminho a percorrer até a câmara ainda. Respondeu Rony e eu assenti.

–Natalia e Jean, vocês estão no comando aqui fora – instrui, estava na hora de começarmos a ser mais racionais do que nunca, Enzo e Sophia estavam em perigo e tudo que precisávamos agora era andarmos mais rápido – Organizem um grupo bem grande de aurores e chamem ainda mais reforços, Melgaço não vai estar sozinho.

–Sim senhor. Responderam juntos.

–Eu posso descer na frente. Voluntariou-se Rony.

–Tudo bem, Jeovane você segue ele e eu vou logo atrás de vocês. Theo você vai depois de mim, em seguida Hermione, Simas, Miguel, Walisson... Aline eu acho melhor você ficar sua irmã vai estar lá...

–Eu estou bem, vou com vocês. Ela me cortou séria.

–Você desce por último. – assenti – Prontos?

Rony logo deslizou confiante seguido por Jeovane e assim que deu algo próximo aos trinta segundos depois de Jeovane foi a minha vez.

Foi como se eu me precipitasse por um escorrega escuro, viscoso e sem fim. Vi outros canos saindo para todas as direções, mas nenhum tão largo quanto aquele que descíamos, que virava e dobrava, sempre e ingrememente para baixo, foi então que percebi que estávamos descendo cada vez mais fundo sob a escola, para além das masmorras de Hogwarts.

Quando achei que não teria mais fim o cano nivelou e fui atirado pela extremidade.

–Aresto Momentum. Falei rapidamente antes de me chocar no chão num baque aquoso.

Fiquei de pé no local úmido de um túnel de pedras às escuras, suficientemente amplo para que eu, ou Jeovane que era o mais alto de todos, ficar em pé. Rony logo nos puxou para o lado para darmos espaço para os outros saírem e logo Theo saiu de lá todo animado sendo puxado por Jeovane.

Mione saiu de lá graciosamente sobre os dois pés se curvando apenas um pouco com os joelhos flexionados, Merlin me Livre! Essa mulher é sexy até nos lugares mais improváveis, ainda mais sob a luz das nossas varinhas que iluminavam a escuridão que estávamos.

–Eu nunca me acostumo com isso. Ela falou passando a mão pela roupa.

Logo fomos caminhando pelo túnel escuro, Rony na frente e eu logo atrás dele, com a varinha sempre erguida e alerta para qualquer perigo eminente, o único som que era escutado era da respiração ofegante das nove pessoas indo na direção de Merlin sabe onde.

–Olha lá a belezura, nunca some. Falou Rony apontando para o lado.

Meus olhos arregalaram, aquilo era a carcaça de uma pele de basilisco? O barulho do sorriso de Mione atrás de mim me fez olhar para ela.

–Quando eu vim aqui, ainda estava ali, agora está bem mais danificada pelo tempo. – Ela falou tocando minhas costas com as pontas dos dedos enquanto todos encarávamos a carcaça – Se tivermos sorte, podermos ver os restos do basilisco em si.

–Você está brincando né? Perguntou Simas lá no fim da fila.

–Bem que eu queria, usei uma presa do basilisco que Harry matou para destruir a Horcrux. – novamente ela tocou minhas costas me pressionando a andar – Vamos.

Continuamos seguindo Rony só que dessa vez andávamos em trios lado a lado, com Hermione entre mim e ele. Quando eu pensei que também não teria mais fim assim que dobramos uma nova curva, depois de muito tempo, nos deparamos com uma parede sólida na nossa frente onde havia duas cobras entrelaçadas talhadas em pedra, os olhos engastados com duas enormes esmeraldas brilhantes.

–Sabem que não vamos pega-los de surpresas não sabem? Perguntou Mione.

–Ele provavelmente estava te esperando, lá dentro tem no mínimo o dobro de nós com varinhas apostas para nos atacar – falei sério – Natalia vai demorar um pouco para reunir uma grande quantidade de aurores e chegar aqui com o Jean Carlos, precisamos apenas enrolar o máximo possível.

–Se preparem. Pediu Rony.

Eu sentia uma adrenalina enorme percorrer cada musculo do meu corpo, estávamos chegando ao local... Para nossa sorte ou azar, Enzo e Sophia estavam ali... Tomara que seja para a nossa sorte.

Um novo assobio sibilou entre os lábios de Mione, as cobras se separaram e as paredes se afastaram revelando uma câmara muito cumprida onde Fabricio Melgaço começou a aplaudir no extremo da Câmara Secreta.

Pov. Mione

As palmas eram lentas e ecoavam por todo o lugar dando um ar ainda mais sombrio, os olhos das serpentes no topo das altas colunas pareciam seguir nossos movimentos. Lá estava Melgaço, com calça preta, sapatos reluzentes e uma camisa branca de botões onde estava erguida até os cotovelos de uma forma casual. Bonito e mortal.

Os olhos azuis claros me encaram com um sorriso radiante enquanto ainda aplaudia, ao decorrer de toda a câmara em cada coluna dois capangas com varinhas apontadas para nós nos deixando retraídos e sem reação, não era um duelo muito justo e escutei Draco dar um sinal baixo para ficarmos quietos.

Meus olhos varreram o local desviando dos de Melgaço a procura de Enzo e Sophia, a pouca iluminação da câmara se rompeu clareando por completo quando a ceninha dos aplausos finalmente se findou e a primeira coisa que vi foi que Melgaço estava parado numa espécie de circulo desenhado com aparentemente sal.

A outra impressão foi ainda mais assustadora, entre as duas estatuas atrás dele havia uma espécie de grade onde Neville e Luna estavam presos com a cabeça pendendo pra frente desacordados e nela havia mais uma pessoa que levei alguns segundos para reconhecer, Ana Abbot... Lufa-Lufa.

Pouco mais atrás de Melgaço, ao lado da grade, havia três cadeiras onde Avery ocupava uma delas mais distante e as outras duas cadeiras ornamentais estavam mais próximas uma da outra. Avery nem se deu o trabalho de se levantar por causa da nossa presença... E então eu os vi.

Numa espécie de sela móvel improvisada no canto direito, ambos com sorrisos contentes olhando para mim e Draco, que já havia os visto e sorria de volta para eles com os olhos tão cheios de lágrimas quanto os meus, a pequena diferença é que as minhas transbordaram ao ver Enzo abraçando Sophia e a protegendo. Meu homenzinho protegendo minha princesa.

–Nunca me decepciona querida – falou Melgaço parando na metade do caminho entre nós e o circulo – Linda como sempre, e muito bem acompanhada se me permite dizer.

–Sem gracinhas – falei exasperada – Deve ter outra forma de você viver mais tempo, já viveu mais de um século e meio Melgaço... Eles são seus netos.

–Querida, esses tipos de jogos não funcionam assim – falou docemente – Preste muito bem atenção Srta. Granger, ás vezes temos que fazer algo para o bem maior...

A palavra “bem maior” desencadeou um movimento quase sincronizado dos capangas que se aproximaram mais ainda de nós nos deixando acuados e nos mandando largar nossas varinhas no chão, Rony mais acuado no canto da direita desferiu um feitiço que acertou um, mas não foi o suficiente e quase foi atingido na retaguarda. Não tinha jeito. Abaixei-me e deixei a varinha no chão erguendo as mãos sem tirar os olhos de Enzo e Sophia, sendo seguido por Draco.

–Muito bem, vejo que presaram pelo melhor – falou Melgaço e assim que ele balançou a cabeça seus capangas se aproximaram mais pegando nos braços dos outros e nossas varinhas, deixando apenas eu e Draco parados no meio – Eu acho que devem se despedir dos seus filhos.

A mão de Alice pegou no meu braço e num solavanco eu tirei os dedos imundos dela de mim, seguindo até a sela onde eles estavam.

–Mamãe. Chorou Sophia quando a porta da sela foi aberta e eu a abracei com força enquanto Draco pegava Enzo no braço.

–Ei eles machucaram você? Esta tudo bem? – perguntou Draco analisando Enzo no seu colo – Ei garotão, você mandou muito bem sabia? Você foi incrível cuidando da nossa princesinha.

–Eu tive tanto medo papai. Fungou Enzo escondendo o rosto no pescoço dele e apertei ainda mais Sophia.

–Você foi um verdadeiro campeão. Está tudo bem princesa? Perguntou Draco para Sophia que apenas acenou com o rosto ainda escondido.

–A gente vai tirar você daqui – sussurrei para Sophia – Vai ficar tudo bem com vocês agora.

–Só precisa confiar na gente. Falou Draco.

Quatro pessoas, rápido demais, nos separaram dos dois mesmo eu implorando para não fazerem isso, só que não os levou para a sela, os levou para perto de Avery enquanto arrastavam eu e Draco para onde nossos outros companheiros estavam detidos.

–Larga ela. Sibilou Draco me puxando para ele.

O capanga riu e me soltou enquanto ele me abraçou.

–Que lindo essa cena de família – debochou Melgaço – Você já escolheu qual dos dois, querida?

–Melgaço, você não está pensando direito – tentei nervosa – Eles eram filhos de Melissa, eles são sangue do seu sangue...

–Eles são os Herdeiros dos Grandes, querida. Nada mais que isso.

–Não faça isso, por favor. Você vai se arrepender. Ameacei.

Ele riu, e Draco me puxou ainda mais para perto dele beijando a minha cabeça.

–Fica calma Mione, só mais alguns minutos. Falou Draco.

–Muito lindo essa cena, comovente de se ver, acredite – falou Melgaço ironicamente – Eu não sei se lhe falei querida, mas eu resolvi mudar de planos nesse meio tempo.

–Mudar de planos?

–Sim querida, bom a questão é que nos últimos meses eu tive uma perda considerável na minha fortuna devido a fuga da ilha e aos meus quarteis que vocês andaram derrubando fora que eu acho que seria muito injusto para você escolher entre os dois – falou frio – Então mudei de planos preciso de mais dinheiro e resolvi que futuramente podemos ter nossos próprios filhos, e dar a eles os elixires.

–Você está maluco? Eu nunca vou ter nem um filho com você.

–A vai sim, pelo que vejo ainda está entorpecida pelos encantos Malfoy, mas isso vai mudar. Respondeu-me tranquilo.

–Eu não vou deixar você encostar nem um dedo nela. Avisou Draco.

–Você não vai deixar? – riu alto Melgaço – Sempre tive planos para você filhote de comensal. Se chegaram até aqui foi com a ajuda do digníssimo Sr. Lucio Malfoy, comensal de merda, então presumo que saibam do que preciso agora. Vamos começar com o menino e vai ser desse elixir que nos tornaremos imortais, querida, e será feito da melhor safra.

–Você é completamente demente, olha o que você está dizendo? – falei desesperada – Você precisa de tratamento seu maluco.

–Sem trocas de elogios – falou me ignorando – Continuando, temos aqui agora todos os oito corações que eu necessito para fazer o ritual.

Olhei para a grade onde estava Neville, Luna e Ana sem entender por alguns segundos até que seus capangas saíram de onde nós estávamos fazendo minha ficha cair... Era mais uma armadilha dele... Caímos em mais uma armadilha muito bem planejada de Melgaço.

O primeiro a ser amarrado na grade foi Theo completando os quatro corações exatos, ele tentou se soltar das mãos dos capangas mais foi inútil e logo ele foi atingido por alguma coisa que o fez amolecer. Depois dele Rony, Grifinória... Depois Jeovane, Lufa-Lufa... Miguel Coner, Corvinal...

–Vocês apenas facilitaram as coisas para mim, querida – falou Melgaço vendo meu espanto – Eu lhes falei que sabia de tudo sobre vocês, eu sabia tudo sobre os aurores, sempre tenho um plano B e C, não se esqueça disso.

Na grade todos os sete estavam desacordados ela estava quase completa, faltando apenas um lugar. O lugar que faltava... Não precisava de muito para saber quem ocuparia aquele lugar, os braços mais fortes de Draco na minha cintura concluíram que ele descobriu a mesma coisa que eu. O último lugar era dele.

Melgaço queria Draco desde o começo, ele queria que fosse o coração de Draco, pela Sonserina. Avery se levantou e Melgaço deu as costas para nós indo até a grade acenando com a varinha dele e acordando todos novamente agora que estavam presos.

–Ei vai ficar tudo bem, na hora certa você pega os gêmeos e corre. Sussurrou Draco no meu ouvido.

–Não, não – neguei me virando para ele – Eu não vou deixar vocês aqui.

–Ei Mione, calma, eu vou ficar bem...

–Não vai não.

–Mione, no seu casaco na parte interna tem uma varinha reserva – ele sussurrou no meu ouvido – Por favor, na hora certa eu quero que você pegue essa varinha e faça o que você faz de melhor, somente na hora certa.

–Draco...

–Eu vou ficar bem, Rony colocou a varinha no seu casaco mais cedo, desculpe não te avisar – ele falou mais baixo ainda enquanto Melgaço fazia perguntas para Jeovane e Rony – Ele também te uma reserva, assim como Theo e Jeovane. Não queríamos arriscar e entregar para todo mundo, é uma tática padrão dos aurores.

–Ele vai usar você, ele quer o seu coração...

–Shiii eu sei, cheguei a pensar nessa possibilidade. Só prometa que vai ficar bem.

–Draco...

–Só prometa. Você me fez prometer isso uma vez, agora é a sua. Haja o que houver você vai proteger Enzo e Sophia e se proteger também.

A voz dele era rouca e grave, ele não estava brincando... Eu tinha tantas coisas para falar para ele naquele momento, mas não tive tempo, logo dois homens o carregaram para longe de mim enquanto ele lutava para se libertar.

–Prometa. Ele falou alto.

–Eu prometo. Respondi em desespero.

Ele foi solto perto do circulo de sal e o colocaram de joelhos apontando a varinha para a cabeça dele, logo Melgaço se aproximou e Rony também foi retirado e jogado na mesma posição, assim como Luna e Jeovane.

–Acho que temos uma boa safra de Hogwarts para nosso elixir, não acha querida? – perguntou Melgaço quando Alice segurou novamente meu braço e me puxou para mais perto, onde Avery estava sentado antes – Temos aqui o corajoso Ronald Weasley, ele e Neville Longbottom são o que há de mais corajoso na minha digníssima casa, foi difícil escolher qual dos dois. A excêntrica Luna Longbottom, pesquisei muito sobre suas amizades querida, e ele é uma das preferidas de Helena Ravenclaw. O Jeovane Barbosa, um Lufa-Lufa muito leal, se não fosse não estaria aqui apenas para proteger uma amiga de sela. E finalmente Draco Malfoy, o principezinho da Sonserina, arrogante, ex comensal... Esse elixir será nosso, Hermione, com a melhor safra dessa noite e com o sangue do Herdeiro do Grande, Enzo.

Alice riu segurando meu braço enquanto o capanga tirou Enzo de perto de Sophia e o jogou com os outros quatro onde Draco logo o puxou para um abraço.

–Avery. Falou Melgaço.

Avery caminhou onde estava os quatro arrastando cada um deles para uma extremidade do circulo que tinha um grande X, enquanto Melgaço tirou Enzo de Draco e o arrastou o jogando no meio do X.

–Já falou adeus para o seu amado e seu filho, vadia? Perguntou Alice ainda segurando meu braço.

–O que você vai ganhar com isso? Pelo que sei nem o elixir você vai conseguir garota – falei com raiva – Porque você fica ao lado dele quando ele não está nem aí para você, você deveria ser igual a sua irmã.

–Minha irmã é uma tola, assim como Dore. Mais cedo ou mais tarde eles todos vão morrer, principalmente os catarrentos dos seus filhos...

O meu sangue ferveu e nem escutei o que Melgaço instruía, virei meu braço de uma só vez dando um tapa extremamente forte na cara de Alice fazendo um barulho muito alto pela câmara. Os capangas ameaçaram entrar no meio, mas Melgaço os impediu com um sorriso de lado no rosto.

–Um show não faz mal. Ele riu.

Alice avançou novamente com o rosto vermelho ameaçando me chutar, desviei antes dela acertar minha barriga e derrubei a varinha dela pisando em cima fazendo-a olhar indignada para mim. Eu apenas via vermelho, estava com raiva e estava usando esse momento para descarregar o ódio que sentia além de atrasar ainda mais os planos de Melgaço.

Torci minha mão segurando os cabelos de Alice e a pressionei na coluna de concreto com força dando-lhe uma cotovelada no rosto estancando seu nariz. Ela arfou vendo que ninguém ia se meter no nosso acerto de contas e pisou no meu pé me fazendo afrouxar o aperto. Se virou me acertando um murro no queixo e senti o gosto do sangue ao morder minha língua.

–Ha sua vadiazinha. Falei cuspindo fora.

Ela se posicionou e eu também, podia sentir os olhares em nós, pelo menos o de Melgaço estava ali. Não queria dar esse exemplo para Enzo e Sophia, mas não aguentava mais aquela mulher na minha vida, ela tentou uma sequência de socos acertando um no meu braço enquanto consegui acertar bons nela, e quando tentou de novo senti medo dela acertar meus bebês e precipitando seus movimentos desviei dela travando seu pescoço num mata-leão apertado até ela ficar completamente sem ar e eu sentir ela ficando inconsciente nos meus braços com o rosto inchado e o nariz sangrando.

Pov. Draco.

E os aplausos recomeçaram vindo de Melgaço quando Mione soltou Alice inconsciente no chão. Meu coração o tempo todo acelerado enquanto eu estava de joelhos a vendo dar uma surra na garota. Troquei alguns olhares com Rony e Jeovane que apenas observavam tudo e olhei para Enzo encolhido no meio do X.

–Vai ficar tudo bem. Sussurrei para Enzo.

–Eu sei. Ele respondeu da mesma forma tentando me passar confiança.

Ele acreditava em mim e na mãe dele.

Como alguém podia fazer alguma coisa com ele? Não... Ninguém tinha o direito de fazer nada, nem com ele nem com Sophia, eles eram apenas crianças, lindas crianças que tinham corações puros e bondosos. Eu não me importava de morrer, não se no final de tudo os três permanecessem vivos.

–Se já terminou gostaria que se sentasse ali – falou Melgaço apontando para uma das cadeiras ornamentadas – Se quiser pode fechar os olhos.

Outro capanga pegou Mione e a empurrou pela câmara a levando até a cadeira que ela se sentou a contra gosto.

–Avery, acho que já podemos começar.

O primeiro aceno de varinha fez Enzo e Luna gritarem assustados quando o fogo subiu do lado dela do X, com outro no lado oposto, do lado de Rony, uma espécie de cascata de agua que não transbordava pelo sal. Os olhos de Enzo estava assustados quando ele foi erguido por uma mesa de pedra redonda que simplesmente saiu do chão, grande o suficiente para deixa-lo deitado.

Na minha frente, entre as pernas do X a terra brotou me deixando completamente confuso... E do lado da cabeça dele, onde Jeovane estava, pequenos redemoinhos de vento.

O ritual estava começando.

Era quase como se nada fizesse mais sentido, eu podia ouvir os gritos de Hermione e Sophia, assim como dos outros que vieram com nós. E depois não escutei mais nada. Era como se eu entrasse num transe. Olhei para os lados, o rosto de Luna estava molhado de lágrimas e ela parecia estar no mesmo transe que eu me encontrava enquanto ela encarava as labaredas de fogo.

Eu queria me mexer, cortas as cordas imaginarias que me guiavam, mas não conseguia, estava em um torpor sem fim e apenas quando alguém tocou meu ombro percebi o porque. Melgaço falava alguma coisa junto com Avery, parecia uma canção ou algo do tipo que nos deixavam apenas concentrados nas palavras deles, apenas neles...

Era como se eu estivesse numa bolha, uma bolha onde apenas as duas vozes conseguiam penetrar completamente meus ouvidos...

Eu podia ver além dali, podia me ver pequeno na sala da mansão aprendendo a tocar uma melodia qualquer de piano, podia ver a primeira vez que entrei no expresso de Hogwarts... Minha primeira partida de quadribol. O hipogrifo me atacando, o soco de Hermione, o feitiço que acertei nela que era para acertar Harry no quarto ano, o baile de inverno, a primeira vez que eu vi Voldemort... O dia que me tornei comensal...

E dor.

Eu podia sentir a dor que senti naquele dia, quando minha mãe mais uma vez sofria por causa da maldita marca negra feita em mim sobre os olhos dela, a dor dela era apenas porque eu sentia dor... Eu novamente pude ouvir os gritos de Mione quando minha tia a torturava repetidas vezes e eu não fazia nada.

Os gritos, os pedidos de socorro e eu do lado errado na guerra. Eu podia ver isso. Enquanto muitos lutavam por amor, eu lutava contra eles até eu perceber o quão errado aquilo era... E Voldemort foi morto no salão pela varinha das varinhas que um dia pertenceu a mim sem que eu nem ao menos soubesse disso, mas que Potter conquistou de mim ainda na mansão.

Eu não tinha percebido que havia me deitado no chão, do lado de fora do sal. As palavras de Avery e Melgaço foram corrompidas apenas por um grito, o de Enzo. E ainda grogue pude ver Melgaço perto da mesa que ele estava deitado riscando o braço do meu pequeno menino, onde gotas de sangue começaram a escorrer pela pedra da mesa e ir em carreiras até o frasco no chão caindo perfeitamente sincronizados.

E meu menino gritou de novo quando isso foi feito no outro braço.

Eu só ouvia a canção ou feitiço murmurado pelos dois homens, e os gritos e soluços de Enzo completamente assustado. Meu garotão estava assustado e Melgaço estava começando o ritual.

Não era muito sangue que escorria pela pedra, era pouco... Mas ainda sim era o sangue do meu filho. Melgaço pisou novamente na terra e saiu do circulo enquanto as gotas de sangue escorriam aumentando a quantidade cada vez mais enquanto Enzo tentava se soltar.

Meu pequeno herdeiro dos grandes, não fique assim... Eu queria tanto falar isso para ele, mas não conseguia. Cadê os aurores? Por que eles demoravam tanto? Já devia ter quase uma hora que estávamos ali e agora meu garotinho estava perdendo seu precioso sangue para um demente, e eu não conseguia fazer nada... Absolutamente nada.

Uma das vozes no murmúrio que me causava torpor parou. Lentamente abri os olhos novamente e desviei do sangue que escorria na mesa... Enzo estava mais fraco e o fluxo do sangue começou a aumentar... Por favor campeão, não desista...

–Vamos começar por você. Falou a voz de Melgaço puxando meu corpo para cima.

Eu não queria obedecer seus comandos só que quando pisquei de novo lentamente me encontrava de joelho com ele olhando para mim com uma espada... A espada de Gryffindor? Como ele conseguiu isso?

Ele tocou a espada no meu peito e voltou a murmurar a mesma canção junto com Avery, ele ergueu a espada e por alguns segundos consegui olhar para Mione gritando, mas eu não podia ouvi-la. Eu continuava no torpor sem fim, onde apenas os lábios dela se moviam.

A espada se ergueu e a canção recitada ficou mais alta, Luna gritou tapando os ouvidos e eu encarei a lâmina bem erguida e como se fosse em câmara lenta ela desceu.

O torpor se foi, a canção se foi e as cordas imaginárias também se foram.

Meus ouvidos doeram ao escutar uma grande explosão e eu abri os olhos. A espada estava ao meu lado no chão, pessoas começaram a duelar de todos os lados enquanto eu apenas piscava tentando entender o que estava acontecendo. Na porta um homem de óculos redondos e cicatriz na testa, distribuía comandos e apenas acenou para mim. Harry Potter.

Erguei um pouco a cabeça e Hermione estava com a varinha que Rony havia escondido no casaco junto com Simas, num duelo contra Melgaço. Os outros ao redor do circulo ainda estavam acordando do transe assim como eu ainda deitados e olhando confusos para tudo quanto é lado.

Olhei para a mesa e o sangue de Enzo não escorria mais, mas eu pude escutar o choro dele. E foi o choro dele que me despertou do resto de torpor, que me deu forças para levantar, apoiei as mãos e me impulsionei para cima me levantando aos tropeços e indo até a mesa.

Tirei a varinha que estava guardada no coturno e apontei para cada trava.

–Ei tudo bem garotão? Perguntei.

–Papai, está ardendo.

–Vai parar de arder, eu prometo que vai parar de arder logo. Ferulla.

Os cortes em cada braço dele não sangravam mais como antes e as bandagens que apareceram foram apenas provisórias.

–Papai. Ele gritou e eu abaixei assim que um feitiço voou pela minha cabeça.

O peguei no colo e o abracei com força saindo do maldito circulo e correndo até onde Sophia era protegida por Aline e mais três aurores.

–Protego. Vai ficar tudo bem com você, está doendo muito? Perguntei o colocando no chão.

–Não está doendo como antes – Ele falou tocando meu rosto – Eu só estou um pouco tonto.

–Isso é porque você perdeu sangue – falei apertando as bandagens no braço dele – Tudo bem princesinha? – Sophia confirmou com a cabeça nervosa – Agora é a hora de você cuidar do nosso garotão, tudo bem Sophia?

Ela me deu um abraço rápido e abraçou Enzo ambos se encolhendo no canto.

–Se tiver com medo, feche os olhos. Falou Sophia para Enzo.

–Eu te falei isso. Sorriu Enzo.

–Eu sei, e funcionou antes comigo. Ela falou o apertando.

Sorri para os dois que fecharam os olhos com força... Como não ama-los? Era tão fácil e simples fazer isso.

Levantei-me e a confusão ainda rolava solta, feitiços de várias partes, havia muitos aurores que aos poucos iam detendo os capangas e os acuando.

Procurei por Mione entre a confusão de aurores e não consegui encontra-la, muito menos Melgaço. Desferi alguns feitiços e distribui algumas ordens aos aurores, principalmente para manterem Enzo e Sophia em segurança. Avery estava num duelo com Harry, Rony estava soltando os outros ainda na grade e eu apenas percorria o lugar atrás de Mione onde fluxos de pessoas saiam pela entrada da câmara.

–Para onde eles foram? Perguntei pressionando Alice na parede após tira-la do chão.

Ela tossiu algumas vezes e apenas apontou para trás onde estava a sela que antes Enzo e Sophia estavam. A joguei no chão e corri naquela direção, lancei a sela móvel para a esquerda acertando-a nos resto do famoso basilisco que nem havia notado antes, mas não havia nada ali naquele canto.

–Se aquela vadia...

Fui interrompido por um feitiço que acertou a parede em algum lugar especifico, fazendo-a se mover revelando um grande túnel... Uma fuga. Ele havia falado que tinha planos B e C, com certeza esse era o seu plano C e eu só esperava que desse tempo de acha-los e que ele não tivesse um plano D.

–Lumus.

Entrei no túnel escuro e aparentemente estreito dentro da câmara secreta, era aquoso e íngreme, eu não tinha tempo de chamar reforços. Era Mione que ele estava, me lembrava de vê-la duelando com Melgaço, provavelmente foi ela que tirou a espada da mão dele.

Ela tinha mania de começar revoluções e salvar pessoas.

A adrenalina aumentava completamente meu nervosismo, eu não poderia perder ela de novo, mesmo que a gente não estivesse mais juntos eu ainda a amava... Muito. Mais do que pensei que um dia pudesse amar qualquer pessoa.

Segui o túnel que começou a se alargar e eu pude ver no chão marcas de pegadas na lama. Eu andava o mais rápido que o lugar permitia, com o coração pulsando forte no peito. Coração que pulsava apenas por causa dela, ela havia impedido Melgaço de arranca-lo.

Ao fazer uma curva naquele lugar eu vi uma claridade maior, como se fosse tochas e sai de lá.

E eu o vi.

Melgaço respirava ofegante, mas eu não via Hermione em lugar nenhum. Estava apenas ele e mais dois capangas ao seu lado, o tal de Joseph e outro que eu não conseguia distinguir, mas que era um dos poucos que sabiam a localização da ilha.

–Onde está Hermione? Perguntei apontando a varinha para ele mesmo estando longe.

–Eu não sei, você está aqui para trazê-la para mim. Ele respondeu.

–Trazê-la para você?

–Ela foi perseguir os outros capangas pelos tuneis e a única forma de trazê-la até mim, e pegando você. Uma isca.

Ela não estava aqui, respirei mais aliviado sem abaixar a varinha.

–Estupefaça. Lançou Joseph

–Protego.

O feitiço bateu na minha barreira de proteção e começamos uma sequência de ataque deles e defesa minha, enquanto Melgaço apenas assistia. Aquele homem era tão estranho. Nem Voldemort era tão esquisito mesmo com aquela cara de cobra que ele tinha.

– Sectumsempra.

Meu feitiço pegou o outro capanga desprevenido e ele foi lançado na lama sangrando e batendo forte a cabeça.

–Você não joga muito limpo filhote de comensal. Sorriu Melgaço.

–Não quando estou em desvantagem. Falei ofegante não desviando o olhar nem dele nem de Joseph.

–Devo lhe chamar para um duelo pela donzela Granger? Debochou Melgaço.

Num movimento rápido ele tirou a varinha das veste e fez uma reverência breve.

–Cadê a educação, Malfoy? Crucio.

O feitiço foi repentino e me pegou de surpresa, foi uma dor momentânea e rápida que me fez apenas curvar um pouco e retribuir a reverência do maldito.

–Vamos ser corteses é um duelo Malfoy, por isso não gosto de crianças.

Meus dentes trincaram de raiva, ao longe eu escutava os passos vindo no túnel e três vozes conhecidas chamando pelo meu nome me procurando, entre elas, Mione.

Um duelo silencioso começou entre trocas de feitiços não verbais de mim para Melgaço assistido pelo capanga dele, num ritmo rápido, eu nunca havia duelado assim. Alguns feitiços eu desviava, outros apenas protegia sem saber realmente o que era.

Eu lançava feitiços ofensivos, um seguido do outro, mas ele era mais rápido e dificultava cada vez mais meus movimentos. Desviei de um possivelmente forte que bateu na parede atrás de mim a desmoronando e quando tentei me defende senti um corte profundo ser feito na minha perna por causa de outro feitiço dele.

Coloquei a mão sobre o local tentando me manter em pé sentindo o sangue escorrer e lancei outro feitiço ofensivo que ele desviou com facilidade.

Anos de prática.

Ele era um homem velho, apesar da aparência, com anos de prática em duelos e muito mais rápido que eu. A diferença é que eu estava com raiva.

Raiva dele tirar Mione de mim por 36 dias.

Raiva por ele querê-la.

Raiva por ele pegar Enzo e Sophia.

Raiva por ele quase machucar Enzo...

Raiva dele por existir.

Os passos cada vez mais audíveis e novamente um feitiço me acertou me lançando de costas na parede. Eu senti minha pele se romper em vários lugares diferentes. Inferno, eu conhecia aquele feitiço.

–Apenas retribuindo o favor que você fez a Aleric. Falou cortês

Eu não bati a cabeça, mas o encontro das minhas costas com a parede foi doloroso, sentia o sangue escorrer pelas minhas roupas e os cortes feitos pelo meu corpo por causa do Sectumsempra.

Mas não baixei a varinha mesmo com a minha mão trêmula e a outra segurando minha barriga ensopada de sangue, eu apenas ignorava a dor enquanto os dois homens me encaravam.

O meu nome era chamado por três vozes no túnel chegando cada vez mais e mais perto. Eu podia distingui-las bem agora, a voz grossa de Rony, a de Harry e a doce voz de Hermione chamando e chamando meu nome esperando a minha resposta.

–Eu falei que ela viria atrás de você. Riu Melgaço.

Ele não ia parar. Ele queria os gêmeos. Ele queria Hermione e se eu não sobrevivesse, ele também não poderia sobreviver.

Nunca senti tanta vontade de matar alguém. Respirei fundo pela última vez ao ouvir a voz de Hermione e deslumbra-la apenas por um segundo.

Voltei-me para a varinha de Melgaço apontada para mim e ele não desviou os olhos para ela nem uma vez. Tudo seguiu novamente como se fosse em câmara lenta, ou talvez, dependendo do ponto de vista, rápido demais para conseguir processar.

Primeiro o grito de Mione soou como uma carícia aos meus ouvidos: – Não...

Em seguida três feitiços, da quais duas eram maldições e uma delas saiu da minha boca.

–Avada Kedrava.

–Estupefaça.

–Avada Kedrava.

Eu não sei qual me acertou, mas não vi nem senti nada. Absolutamente mais nada.

Notas finais
Próximo Capítulo: Fotografias