Dramione - Fotografias
40 Fotografias
Notas iniciais

Não... O nada ás vezes não significa que você tenha morrido. Talvez seja apenas quando Merlin, ou aquele ser que Mione vez ou outra menciona, Deus, estejam dando ao nosso corpo um descanso.
O nada significa isso, um descanso momentâneo... Não eterno. E apesar de quando você estar na escuridão pensar que talvez fosse melhor permanecer ali, você se lembra que lá fora tem muita coisa e muitas pessoas que nunca te deixariam partir e sofreriam com a sua partida.
Já diziam os sábios:
Os bons morrem cedo...
Mas quem disse que eu era bom?
Draco Black Malfoy.
Pov. Draco.
O silêncio chegava a ferir meus ouvidos. Não era mais como se nada existisse, era como se o nada fosse embora e eu novamente estivesse no torpor... Só que não um amargo como o da hora do ritual. Um torpor doce, quente, que quase era um acalento.
Não. Era realmente um acalento sobre o torpor.
Eu podia sentir a textura macia de uma mão percorrer um caminho sobre meu braço descendo e subindo carinhosamente. E por mais que o nada de antes tivesse me deixado descansado, ainda sim eu não tinha forças o suficiente para abrir os olhos e apertar a mão que percorria minha pele.
Eu a reconheceria em milhares de anos. Eu conhecia cada toque daquela mulher que acariciava meu braço. Era Hermione. Sempre ela.
Aos poucos os sons foram entrando em foco, aos poucos eu fui voltando a ouvir a realidade, bom, o eu acho que era a realidade.
–...Mas mamãe está escrito que o príncipe beija a princesa e ela acorda. Falou a doce voz de Sophia.
–Eu sei Sophia, e me arrependo de ter lido essas histórias tantas vezes para você. Riu Mione.
–Eu gosto dessas histórias, a senhora pode tentar de novo mamãe, o papai falou que nem tudo funciona da primeira vez. Insistiu Sophia.
–Não funcionou na primeira, na segunda e nem na terceira vez – falou a voz irritada de Enzo – Você já está ficando chata com essa história de Bela Adormecida.
Tentei abrir os olhos e acordar para participar da discursão, mas não consegui, parecia que eu não tinha forças suficientes para fazer algo tão simples como abrir meus malditos olhos.
–Você não entende, só o beijo de amor verdadeiro acorda o príncipe, funcionou com a Branca de Neve e com a Bela adormecida – falou Sophia ainda mais irritada, eu podia imaginar o rosto dela bem vermelho falando isso – Agora tenta de novo mamãe, as outras vezes era porque a senhora não beijou direito.
–E você sabe o que é beijar direito? Perguntou Enzo rindo.
–Sophia não mostre língua para seu irmão – ralhou Mione, mas sua voz não era muito grave o que indicava que ela estava sorrindo – E Enzo Malfoy, pare de irritar sua irmã e se derramar esse sorvete na roupa vai lavar sozinho, Pops não irá fazer isso rapazinho. Querem ser expulsos daqui? – ela esperou alguns segundos – Ótimo.
–A senhora vai tentar dar um beijo direito no nosso príncipe mamãe? Perguntou Sophia com uma voz bem lenta e manhosa.
O quarto ficou em silêncio alguns segundos e pude escutar alguém arfar e sem precisar ver eu sabia que Hermione havia revirado os olhos para a insistente Sophia Granger Malfoy.
–Escute bem mocinha, essa é a última vez que eu faço isso e depois que eu fazer vocês dois vão embora com o tio Theo para a casa de Blás e irão posar lá com Susana e ajuda-la, nada de fazer bagunça porque ela está grávida, estão me ouvindo?
Então essa era a novidade que Blás queria me contar? Filho da puta, finalmente ele se ajeitou e amarrou Susana. Espera, Theo estava por aqui...
Não tive tempo de raciocinar, senti a mão dela subir ainda mais no meu braço e a respiração quente e ritmada de Hermione se aproximando... Cada vez mais próximo até eu sentir os lábios dela tocar os meus e se mover bem devagar, com apenas uma caricia dos seus lábios entre os meus.
Como eu senti falta daqueles lábios...
Era como se eu inalasse o melhor dos perfumes enquanto tocasse o mais macio dos lábios. Eu não sabia se era real, mas assim como os gritos de Enzo na câmara me despertaram do torpor e me fizeram ter forças para ir até ele, os lábios de Mione naquele segundo me deram forças para despertar.
Era questão de opção abrir os olhos ou não, e preferi deixa-los fechados para sentir os lábios dela nos meus. Tão macios e tão deliciosos...
E eles se foram rápido demais.
–E essa foi a ultima vez mocinha que você me fez fazer isso – falou Mione e eu abri meus olhos para vê-la de costas para mim já arrumando o cabelo e provavelmente furiosa – Você tem que parar com essas histórias...
–Papai!
O grito de Sophia foi alto e muito estridente que doeria meus ouvidos, se não fosse o dela.
–Ei princesinha. Falei sentindo minha voz muito grave, todos os músculos do meu corpo resolveram me obedecer finalmente.
–Eu falei, eu falei que o senhor ainda ia acordar – ela falou me abraçando chorosa – O senhor é o meu príncipe papai.
Eu ri a abraçando e olhei para onde Enzo deixava o sorvete cair lentamente na roupa e Mione ainda me encarava sem dizer nada.
–Eu não acredito. Falou Enzo virando a cabeça para o lado.
–Eu falei, vocês que tem que confiar mais em mim, não é papai? Ela perguntando enchendo meu rosto de beijos.
–Se você está dizendo. Falei beijando a ponta do nariz dela.
Ela me abraçou mais forte ainda e senti alguns pontos do meu corpo doerem um pouco.
–Sophia, você quer que seu pai fique inteiro? – perguntou Mione e ela apenas sacudiu a cabeça me tampando com a enorme juba encaracolada – Então pare de aperta-lo se não ele vai acabar se machucando mais ainda.
Ela bufou, me deu mais um beijo e se levantou ainda cantarolando “eu avisei”.
–Posso papai? Perguntou Enzo abrindo, tímido, os braços perto da cama.
–Claro garotão.
Enzo me abraçou mais contido lambuzando um pouco a roupa que eu usava de sorvete de chocolate.
–Bom que o senhor acordou. Ele falou se afastando e me ajudou a se sentar um pouco mais ereto.
–É bom acordar – falei o puxando para se sentar ao meu lado – Está tudo bem garotão?
Ele apenas balançou a cabeça e eu peguei nos braços dele, de um lado e de outro havia dois cortes compridos e retos cicatrizados medindo cerca de oito centímetros cada.
–Não doí mais – ele respondeu enquanto eu tocava a cicatriz esquerda – Doeu apenas na hora e eu fiquei tonto e com medo.
–Você foi muito corajoso garotão – falei bagunçando o cabelo dele o fazendo rir – Desculpe deixar as coisas irem tão longe.
–O senhor buscou a gente papai, eu sabia que você e a mamãe iriam nos salvar – ele falou com um sorriso de lado e tímido – Antes eu do que a Sophia.
As palavras dele me pegaram de surpresa e foram ditas muito baixinho apenas para eu ouvir, só que Sophia também ouviu porque parou de cantar na mesma hora e o olhou assustada. Ela parou de cantar e veio até a cama o abraçando de surpresa, e ele fazer uma careta.
–Eu preferia que fosse eu. Ela falou chorosa.
Eu e Mione ficamos apenas em silêncio, olhando para os dois. Como alguém podia pensar em fazer alguma coisa com os dois? Enzo e Sophia eram crianças maravilhosas e amáveis, não tinham nada do pai biológico. Eram crianças dóceis e que viam o mundo de uma forma tão diferente e inocente a suas maneiras.
Podiam parecer diferentes em algumas atitudes e maneiras de pensar, mas eram puros... Eu não podia ter ganhado algo melhor. Eles eram o melhor de mim, em todas as maneiras e sentidos, Enzo e Sophia eram meus.
O corajoso Enzo e a doce Sophia.
Ela finalmente o soltou depois dele reclamar que ela havia o amassado e antes de sair puxou os dois braços dele para frente beijando uma e depois a outra cicatriz.
–Eu vou cuidar delas até não existirem mais. Ela falou cheia de lágrimas.
–A medibruxa e o tio Rafael falou que elas vão ficar aí para sempre. Enzo respondeu com um sorriso ainda mais tímido para a irmã.
–Então eu vou cuidar delas para sempre.
Ele novamente arregalou os olhos e apenas concordou com a cabeça surpreso de novo pela atitude da irmã. Troquei um olhar preocupado com Mione pelo o que ele disse.
–Ei, já namoraram bastante o papai de vocês, o que acham de fazer uma visita para a tia Luna? Ela daqui a pouco recebe alta e vocês não foram vê-la ainda hoje.
Os dois acenaram e saíram correndo porta a fora com Mione pedindo para eles irem mais devagar enquanto ela se sentava na beirada da minha cama.
–Você sabe que agora ela não vai mais nos deixar em paz com os contos de fadas, não é? – perguntou Mione – Ela vai falar para todo mundo que eu beijei o príncipe e ele acordou.
–Podemos deixa-la acreditar até uns 25 anos, assim ela fica esperando o príncipe dela.
–Ou ela resolve se casar aos 15 por achar que Ted é o príncipe dela. Provocou Mione.
Dessa versão da história eu realmente não gostei, nem um pouco.
–Eu estou brincando – ela falou ao, provavelmente, ver a cara que fiz – Está se sentindo bem? Essa é a quarta vez que ela me pede para fazer isso essa semana.
–Quanto tempo eu estou aqui? Perguntei confuso.
Ela fez uma careta.
–Estamos na quinta-feira. Viemos para cá já estava amanhecendo o domingo, tecnicamente quatro dias.
Ótimo... Espera, quatro dias?
–Me lembro de muita coisa, mas os últimos momentos estão bem confusos – falei sentindo minha cabeça doer na parte de trás – Me lembro de vocês chegando no túnel e de lançar uma maldição em Melgaço, só que também escutei ele lançar uma em mim e se eu não estiver maluco, escutei mais um feitiço... Como a maldição dele não me acertou? Ele conseguiu fugir?
Mione respirou fundo e saiu da cama para se sentar na cadeira, como se o assunto a incomodasse.
–A sua maldição acertou Melgaço, ele realmente está morto Draco. Foi tudo questão de nanosegundos e eu acabei ficando completamente perdida e desesperada, foi tudo muito rápido. Lembro-me de gritar assustada num segundo e no outro uma maldição passando raspando pela outra, a sua atingiu ele primeiro e quando eu fui ver já tinha te estuporado para não ser atingido. Eu não consegui pensar com clareza, me desculpe...
–Está se desculpando por salvar minha vida? – perguntei incrédulo – Eu que tenho que me desculpar por te atrair para lá, eu pensei que ele tinha te levado.
–Eu sei, eu percebi isso quando fui te procurar e não te achei. Simas e eu estávamos duelando com ele, com dificuldade conseguimos derruba-lo só que aí aconteceram mais confusões ainda e alguns capangas estavam fugindo, então fui atrás deles e descuidamos de Melgaço, eu pensei que ele estava desacordado – ela contou séria, como se visse tudo de novo – Quando eu voltei, Harry me falou que Avery acertou uma parede e que você entrou nela chamando por mim, então fomos atrás de você.
–Ele me usou como isca para pegar você. Falei fechando os olhos.
Eu me lembrava de procurar por ela pela Câmara.
–Você falou que no momento certo eu deveria agir... Eu não sabia se era o certo, mas não podia deixa-lo te matar na minha frente, então comecei a bagunça o atingindo – ela falou sorrindo minimamente – Eu deveria ter agido antes, mas tive sorte, muito pouco tempo depois Harry chegou com os aurores. Ele ainda não me falou como ficou sabendo, mas acredite, ele e Gina estão furiosos com a gente por não avisa-los. Até ela foi para Hogwarts ajudar, eles tiveram um confronto nos terrenos da escola. Assim que chegamos na Câmara Secreta, alguns capangas se rebelaram do lado de fora. Deve ter sido algum plano de Melgaço, por isso eles demoraram tanto, Harry conseguiu liderar os aurores e Gina, os outros Weasley e alguns amigos ficaram cuidando dos capangas que estavam lá fora.
–Lembre-me de pagar a Lua de Mel para os dois.
–Vou te lembrar – ela riu – Eles vão partir depois da exposição, eu tentei cancelar, mas está muito em cima da hora. Rafael e Adriana que estão organizando tudo para mim essa semana enquanto eu trabalho, Nathanael está te substituindo e com Joseph e Alice presos recebemos muitas informações daqueles dois. Devo ter participado de cerca de seis missões de campo e invasões com Theo nesses quatro dias. Estamos acabados, chegamos a pouco mais de cinco horas de uma e logo voltarei para outra.
–Você precisa dormir Hermione, na verdade você deveria estar de folga, o que Nathanael tem na cabeça? Perguntei irritado, dava para ver o quanto ela estava cansada.
–Estamos em baixa, Jeovane está aqui no hospital vai sair apenas amanhã então consequentemente ficamos sem Natalia. Depois que saímos de lá eu descansei aqui no hospital quando fiquei com Enzo, apenas na segunda que eu comecei nas missões.
–Jeovane e Luna precisaram ficar tanto tempo assim aqui? Perguntei curioso.
Lembrava bem de Jeovane duelando depois do ritual.
–Levamos dois dias para entender o que estava acontecendo com vocês, primeiro achamos que você estava em coma por causa da sua cabeça, eu acabei te jogando nos escombros e causou um traumatismo craniano, fiquei morrendo de preocupação e me sentindo culpada por isso – ela falou aflita – Luna veio e lá direto para o St. Mungus, mas apenas quando Jeovane e Rony tiveram problemas que fomos entender o que estava acontecendo.
–Rony também ficou internado? Mas eu o vi com você, ele ajudou nos duelos.
–A medibruxa estudou os casos, vocês apenas reagiram na hora por causa da adrenalina ainda no corpo de vocês, por isso vocês conseguiram lutar, correr e duelar, mas quando ela baixou ou no seu caso quando você bateu a cabeça, os efeitos colaterais do ritual voltaram a fazer efeito – ela explicou – Aquelas coisas que eles falavam faziam efeito apenas em vocês quatro para o ritual. Luna desmaiou enquanto ainda estávamos saindo da Câmara Secreta, ela não entrou muito em ação por isso o efeito foi mais cedo. Rony foi apenas quando chegou em casa e depois que viu Rose foi cochilar um pouco, Lilá ficou desesperada quando tentou acorda-lo várias e várias vezes e não conseguiu. Jeovane ainda foi pior, ele não parou nenhum minuto e já foi direto para outra missão virando mais uma noite, ele tinha acabado de chegar ao Ministério da missão na segunda-feira, ele apenas sentou um pouco e enquanto se preparava para ir para casa desmaiou ainda na sala dele.
“ Rony ficou 36 horas apagado sem parar, acordou na terça-feira e só foi liberado ontem, quarta. Luna ficou umas 50 horas desde quando saímos da Câmara, ela teve que ficar mais um pouco porque estava desidratada. Jeovane ficou 72 horas, acordou hoje mais cedo e vai receber alta amanhã. Enzo não foi muito afetado pelo torpor, mas ficou um bom tempo desacordado depois que chegamos aqui, cerca de 24 horas seguidas, acordou segunda bem cedo e eu só fui trabalhar quando ele acordou. A medibruxa fez curativos nos braços dele, fez todos os tipos de exames e até conseguiram deixa-lo aqui – ela apontou para uma cama do outro lado do quarto – Eu e sua mãe passamos a dormir nela depois que ele foi liberado na terça, Enzo não tinha nenhuma infecção, mas também não conseguiram desfazer as cicatrizes de nenhuma maneira. Rafael examinou ele, conseguiu diminuir um pouco o tamanho e espessura para ficar mais rente a pele. Estou usando a poção que ele indicou, mas as cicatrizes não vão mais embora, talvez mais para frente podemos achar alguma coisa para fazê-la sumir por completo.”
Eu apenas escutei e acenei. As lembranças de Enzo eram o pior de toda aquela noite.
–Eu preferia que ele fosse atingindo pelo torpor do ritual. Falei.
–Eu também, assim ele não teria sentido dor. – ela falou balançando a cabeça – Eu sinto muito não poder ficar muito hoje, já é quinta e eu tenho minha última missão nessa semana. Theo vai levar as crianças para Blás e Susana cuidarem deles enquanto eu tomo um banho e troco de roupa. Amanhã eu passo para te ver bem cedo, a tarde eu tenho que ajudar Rafael e Adriana, eles estão fazendo tudo sozinhos e amanhã é o único dia que estamos de folga e vamos ajuda-los.
–Estamos? No plural? Perguntei desconfiado.
–Sim, estamos no plural – ela falou cruzando os braços – Theo e Simas também estavam ocupados, eles e Walisson vão me ajudar a organizar as coisas no ateliê, os donos são antiquados e estão fazendo um baile para a estreia da exposição, eles vão me ajudar a organizar o resto das fotografias.
–Hum.
–Hum o que Draco?
–Hum, que as coisas estão ficando cada vez mais sérias entre você e o Theo – falei irritado – Não tem como não notar isso. Felicidades para o casal!
–Pensei que já tinha parado com isso – ela falou se levantando – Quando você vai entender que Theo é apenas um amigo? Ele só está me ajudando porque meus amigos estão todos ocupados, Rony ainda está de observação em casa, Gina vai ficar com os gêmeos amanhã porque eles estão ficando entre a casa de Blás e a Sra. Weasley, a Sra. Weasley tem outros netos e Susana está gravida de 4 meses e muito cansada. Harry está atolado até o pescoço e sua mãe está revezando, ele é apenas um amigo Draco, mas que droga.
–Desculpe Mione, mas ás vezes parece que não. A cada passo que você dá ele está junto contigo.
–Porque ele é meu amigo! – ela falou alto – A cada passo que eu dou ele está comigo porque você não está. Será que é tão difícil entender isso?
–Ele está me substituindo, isso que você quer me dizer?
–Claro que não, será que você não ver que falando essas coisas você apenas me magoa? – ela perguntou se afastado – Você deveria acreditar mais em mim Draco, Theo está apenas me ajudando, você vê maldade onde não tem espaço para isso. Ele é apenas um irmão chato, que gosta muito de você para tentar alguma coisa comigo assim como eu também gosto muito de você para te trair...
–A gente não está mais junto. Falei suprimindo o meu resto de orgulho.
–Isso não quer dizer que eu ainda não goste de você, isso quer dizer que você é apenas imbecil e insensível demais para me magoar e continuar não acreditando em mim.
–Eu tento – falei me sentando exasperado – Você acha que eu não me sinto imbecil cada vez que penso isso de você? Mas as coisas não batem, na verdade, nunca bateram realmente. Tenta apenas me explicar todas essas brechas que vocês estão deixando na minha mente, o sumiço naquela tarde quando nos separamos, o telefonema que você mentiu, a conversa de vocês no Ministério. É muita coisa, eu estou confuso e de certa forma, inseguro...
–Você não tem motivos para ser inseguro! – ela falou e eu pude ver lágrimas escorrendo no rosto dela e aquilo fez meu coração apertar – Você é apenas um imbecil...
–Ei Mione não chora, eu só...
Não deu tempo de falar porque a porta se abriu de uma vez, olhei para ela que limpava as lágrimas ainda no canto, enquanto Enzo e Sophia entraram na sala ambos com feijãozinhos de todos os sabores nas mãos e com a minha mãe do lado que logo percebeu o clima.
–Bom te ver acordado filho – falou Narcisa sorrindo para mim – Hermione, Theo está esperando as crianças na recepção e uma tal de Loreta, medibruxa, pediu para você ir ver o resultado de um exame que saiu antes. Eu não entendi direito, está tudo bem com você?
–Está sim, eu vou vê-la enquanto as crianças vão para a casa do Blás – respondeu Mione colocando a bolsa no ombro – Despeçam do papai e da vovó que eu vou deixar vocês no elevador.
–Tchau papai, eu sabia que o beijo da princesa ia funcionar. – Falou Sophia me abraçando. – Eu te amo.
–Também te amo gatinha.
–Até mais papai – falou Enzo estendendo o punho e eu toquei – O tio Blás que ensinou. Te amo.
–Está andando muito com o tio Blás, também te amo campeão, se comportem.
Ele balançou a cabeça satisfeito e correu para abraçar a minha mãe. Olhei para Hermione no canto do quarto, mas ela não retribuiu o olhar, Merda! Eu realmente devo a ter magoado bastante.
–Até mais. Ela falou apenas acenando e saindo da sala depois das crianças.
Minha mãe cruzou os braços e ficou olhando para mim sem falar nada como se esperasse alguma reação minha.
–Oi meu filho estou feliz que você não morreu – falei sarcástico – Bom te ver também Narcisa.
Ela caminhou até a poltrona e sentou lá cruzando as pernas e pegando um livro de cabeceira enquanto eu encarava o teto, ou esperava ele fazer alguma coisa especial.
O resto do dia foi chato, completamente chato e monótono porque não há nada de nada para fazer num hospital a não ser olhar para o teto e esperar que ele se transforme em alguma coisa para não te matar de tédio.
Minha conversa com Hermione também não saia da minha cabeça de nenhuma forma possível, o modo como ela me respondeu e reagiu as minhas acusações me fez apenas me sentir pior.
Eu realmente era um idiota. Será realmente que eu a magoei?
Merda! É claro que eu a magoei, eu sempre faço mal a todas as pessoas ao meu redor.
Eu falei que não era uma boa pessoa, avisei ela que tinha medo de me apaixonar porque eu sabia que esse sentimento ia trazer o pior de mim, e trouxe, assim como eu falei que ia machuca-la... E machuquei. De uma forma que ás vezes é bem pior do que fisicamente.
É claro que ela não me traiu. Seja lá qual foi o motivo dela não me contar, Hermione não me machucaria assim, ela era uma pessoa boa e presava pelos sentimentos dos outros mais do que os delas. O que tivesse acontecendo entre ela e Theo, ou qualquer pessoa que fosse, era de agora ou de nunca... Mas ela nunca teria coragem muito menos capacidade de me ferir dessa forma, ela não era assim, e eu só esperava que não fosse tarde demais para perceber isso.
Fui dormir muito tarde, e já era madrugada. Quando acordei o sol já estava alto e já havia comida ao meu lado, o relógio marcando que era mais de onze horas da manhã e minha mãe já estava com outra roupa. Provavelmente havia trazido roupa para o hospital, mesmo eu não vendo nenhuma mala dela.
Enzo e Sophia apenas ligaram para falar comigo e passei o dia inteiro esperando para que Mione viesse me visitar, o que não aconteceu e me deixou completamente de mal humor. Minha mãe era uma presença constante e silenciosa, tinha horas que eu agradecia, mas tinha horas que dava vontade de pular seja lá de qual andar que tivéssemos apenas para não ficar naquele inferno tedioso sendo que já me sentia bem melhor.
Era apenas perda de tempo e eu só receberia alta no dia seguinte.
Novamente a insônia roubou todos os meus sonos, minha mãe dormia na cama desocupada ao lado enquanto eu apenas tentava dormir e só conseguia pensar o quão furiosa Hermione estava comigo e o quão furioso eu estava com ela por não ter vindo me ver.
Eu queria pedir desculpas para ela, queria de verdade falar que eu acreditava nela... Que eu havia lhe avisado que não era uma pessoa boa, mas ela não veio... Não, ela estava magoada demais ou ocupada demais para vir até aqui escutar isso quando eu não podia ir até lá falar.
A última vez que olhei no relógio antes de dormir era quase quatro horas da manhã, quando o cansaço finalmente venceu a confusão que estava meu cérebro. Acordei apenas por causa do calor e da uma enfermeira que foi me dar ás poções.
Novamente era tarde demais, pouco mais de 12 hrs. Era como se meu corpo necessitasse sempre de pelo menos oito horas para descansar e quando eu dormia, nem ao menos sonhos eu tinha, pelo menos no sono normal.
Minha mãe, não sei como, estava novamente arrumada, me arrumou uma comida bem melhor do que a sopa nojenta do hospital. Tomei um banho assim que terminei de comer, novamente chateado por Mione não aparecer. Ela gostava tanto de complicar as coisas, porque ela não podia tirar meia hora apenas para vir até aqui? Eu queria tanto poder falar com ela antes da exposição, saber que está tudo bem entre a gente e ir lá ver as fotografias maravilhosas dela. Mas ela não veio.
Recebi alta já era quase 14 hrs da tarde naquele sábado, eu estava cansado de ficar naquele inferno silencioso cujo a luz clara quase queimava as retinas todas as vezes que abríamos os olhos.
Fui direto para o quarto ficar um tempo deitado apreciando minha boa cama de casal, da minha boa casa, cujo a luz era interrompida por algo milagroso e mágico chamado “cortinas”. Devo ter dormido quase duas horas com os braços e pernas espalhados na cama apreciando o momento e o conforto, as horas de sono no hospital pareciam forçadas demais e aqui, na minha casa, parecia mais verdadeira. Funcionava melhor.
Logo as risadas dos gêmeos no andar debaixo terminaram de me despertar, era um som bom... Um dos meus sons preferidos e pareciam tão puros assim. Do jeito que eu estava, apenas com a calça de moletons, desci as escadas para encontrar os dois na sala com minha mãe.
Apenas fiquei os observando escorado no topo da escada quando me celular tocou, e era ela.
“-Oi. Falei.
–Er... Oi... Blás me avisou que as crianças estão aí com sua mãe, pode pedir ela para trazê-los? Eu tenho que me arrumar, Gina e Luna estão aqui para me ajudar com os dois. Falou Mione meio incerta.
–Pelo menos são elas e não ele...
–Draco, por favor, não comece... Já deu essa discussão, hoje é um dia importante para mim. Interrompeu-me.
–Eu precisava falar com você, Mione.
Sim eu precisava me desculpar com ela.
–Agora? Deveria ter me falado antes, está em cima da hora.
–Se não se lembra eu estava naquela merda de hospital – falei ríspido – Hospital que você não conseguiu ir me visitar.
–Você está sendo injusto. Ela falou calma do outro lado.
–Eu só queria que você tivesse ido lá para a gente conversar, se eu pudesse tinha saído de lá e ido onde quer que você estivesse. Mas não... Você não pode tirar meia hora para ir lá, eu sei que eu errei tá bom, só que... Poxa, foi egoísmo seu! Eu queria te ver, eu precisava de você, só de você.
–Eu vou aí pra gente conversar – ela falou e duas vozes gritaram do outro lado que ela estava atrasada – Só alguns minutos...
–Não precisa vir, só fique linda – falei fechando os olhos, sim, eu queria vê-la – Eu sei que a exposição vai estar maravilhosa, você é a melhor fotografa que já vi. Boa sorte.
–Você... Você não via?
Eu vou? Eu mereço ir?
–Eu não sei, me desculpe... Me desculpe mesmo, vou ver o que eu faço até lá. Boa sorte e parabéns, você merece tudo de bom. ”
Desliguei o telefone sem esperar a resposta dela. Dei as costas de volta para o quarto e me joguei de barriga de novo na cama tão familiar.
–Draco? Chamou minha mãe batendo na porta.
–Entra.
–O que há de errado com você? Perguntou Narcisa.
–Não tem nada errado comigo, é só que minha relação com a Mione está complicada demais.
Ela entrou no quarto fechando a porta e abrindo as cortinas para meu total desgosto e reprovação. Essa seria uma daquelas conversas que dona Narcisa Malfoy provavelmente me fazia sentir com 17 anos, não com 26.
–Hum hum. Pigarreou dona Narcisa.
Revirei os olhos e me sentei na cama a contra gosto.
–Fale dona Narcisa.
–Mãe. Ela me corrigiu.
–Fale mãe.
–Bom vamos ser rápidos e práticos aqui, Enzo e Sophia estão sozinhos lá embaixo assistindo televisão e eu tenho que leva-los para a mãe deles e já estou atrasada – ela falou com o tom médio – Eu vou perguntar de novo Draco Lucio Black Malfoy. O que está acontecendo?
A raiva subiu a nível instantâneo, eu havia lutado tanto para tirar Lucio do meu nome para ela simplesmente falar assim, de cara lavada.
–Você sabe que eu não tenho mais Lucio no meu nome – falei sem esconder minha irritação – E eu falei o que está acontecendo, nossa relação está complicada.
–Complicada por sua causa se me permite dizer. Ela falou firme.
–A senhora já tem um lado?
–A questão Draco é que não tem um lado. Você realmente acredita que Hermione está com Theodore, ou pior, você realmente acredita que Hermione foi capaz de te trair? Porque se você acredita, eu provavelmente criei um cego e burro, e sei que você não é nem um dos dois. Hermione é louca por você, ela te ama mais do que você pensa ser possível. Vocês são um casal muito bonito, os tipos de pessoas que nasceram um para o outro, e ela... Ela é simplesmente fantástica.
–Eu sei, acha que estou assim por que mãe? Eu não queria ter desconfiado dela, tudo que eu queria era que ela ficasse comigo, que eu pudesse me desculpar com ela. Mas no fundo eu sei que eu não a mereço. Eu avisei a ela que não era uma pessoa boa, e que assim que esses sentimentos viessem a tona eu... Eu iria machuca-la, assim como eu a machuquei todos esses dias. Puxa! Porque ela não foi ao hospital, eu sei que estava errado, mas eu queria reparar o meu erro com ela. Isso me deixou apenas mais nervoso e deu mais ares a minha imaginação fértil.
–Vovó, o desenho acabou. Gritou Enzo da sala.
Minha mãe suspirou fundo olhando para mim, tentando me entender...
–Acho que você deveria ir a estreia da exposição, não ir vai apenas mostrar a ela que você está abrindo mão dela e isso sim vai deixar sua mente mais fértil, vai dar espaço para outra pessoa entrar de vez na vida dela. – ela falou indo até a porta – E Draco... Mione não foi injusta, ela foi no hospital hoje e ontem quando você estava dormindo, ela ficou com você as manhãs quase todas enquanto eu vim me trocar. Ontem ela foi direto da missão o dia mal tinha amanhecido e hoje a primeira coisa que ela fez foi ir ao hospital, ela só não quis te acordar. Talvez o injusto é apenas você. Agora se não se importa eu vou levar os gêmeos e me arrumar, porque eu vou a exposição.
Obrigado mamãe. Agora eu não me sinto com 17 anos, me sinto com 8 e um completa imbecil.
Ela tinha ido me ver. Ela tinha ido me ver. Ela queria vir até aqui, se atrasando para me ver.
Não, eu realmente não a merecia.
Passei a mão nervoso pelos cabelos, caindo de costas no colchão e encarando o teto. Eu sou um merda! Um completo, imbecil, idiota e grande merda.
Eu não sei quanto tempo fiquei sentado na cama tomando uma garrafa de Whisky de fogo, escutei minha mãe sair com as crianças, e depois voltar e ir para o quarto dela.
Talvez eu realmente não devesse ir a exposição, devesse não, eu não tinha o direito de ir. Minha mãe estava certa, ia abrir apenas uma brecha para ela encontrar alguém, quem sabe ela e Theo se acertam, ou ela e Simas, ou ela e qualquer um que a merecesse, que tratasse ela melhor e confiasse nela como ela realmente merecia.
Tomei um banho rápido e me troquei vestindo apenas uma calça jeans e uma camisa branca de linho, calcei um coturno escuro e joguei no ombro um sobretudo colocando no bolso dele uma garrafa de Whisky. Eu precisava ficar longe daqui, precisava pensar.
Sai sem avisar Narcisa que ainda se arrumava, eu não tinha muita certeza para onde iria. Até esbarrar no jardim com uma das bonecas de Sophia, que provavelmente deveria ter caído da bolsa dela. Era a de uma princesa.
Lembrei-me que ela havia me dito que os três haviam pintado os quartos dos dois na casa nova, aquela que tínhamos construído para depois de nos casar. Segui para o lugar que eu e Narcisa usávamos para aparatar vez ou outra e aparatei de frente para um muro muito baixo com grades que completavam a altura dele com sebes bem verdes sobre as barras de ferros todas brancas.
O portão era de grades também, ali na Catchpole, alguns quilômetros da casa de Harry e da Toca. Era uma região que ultimamente estava crescendo muito próximo ao vilarejo, muitos dos nossos amigos estavam construindo por ali, sempre numa distância razoável uns dos outros.
Abri o grande portão e me deparei com o grande jardim, era uma propriedade grande, uma pequena mansão, não era tão grande quanto a Malfoy, mas era o suficiente para que Enzo e Sophia pudessem correr livres pelo enorme jardim, para que eles pudessem subir e brincar nas macieiras, banhar na piscina que ficava na lateral esquerda do terreno ou até mesmo fazermos algumas festas nos jardins do fundo.
Era perfeita.
Cada centímetro da casa havia sido milimetricamente estudado por mim e por Mione, cada cômodo foi bem planejado desde os quartos de hospedes que eram um total de cinco até o estúdio dela de fotografia, que dessa vez não seria no porão nem no sótão. Era um quarto apenas dela, um cômodo muito comprido e espaçoso, um dos maiores da casa que foi um presente meu a ela quando ainda estávamos averiguando as plantas da casa.
As cores em geral eram todas claras, a casa do lado de fora era de um creme forte e iluminado, nada escuro como a mansão Malfoy. Perto das paredes do lado de fora, ao redor da pequena varanda de entrada, havia as rosas que ela havia plantado, uma grande variedade diferente do jeito que ela queria.
A última vez que eu vim até aqui, a casa não estava pronta como agora estava. Abri a porta da frente e sorri ao ver o tamanho do espaço da sala de estar, estava fazia, apenas com o piano que minha mãe havia nos dado, o piano que prometi um dia ensinar as crianças tocarem e que estava sem espaço tanto na minha casa quanto na de Hermione, me sentei no banco de frente a ele e coloquei a garrafa em cima virando vez ou outra.
Aquele vazio da sala se espelhava ao que eu sentia naquele momento, me sentia vazio.
Grande merda eu era. Não pude nem tirar algumas horas do meu dia para junto com a minha família escolher a mobília da casa, e Mione me esperou... Ela teve paciência comigo e com minha falta de tempo.
Como alguém como eu, conseguiu uma mulher como ela?
Eu não sei.
Talvez eu merecesse alguém menos boa do que ela. Ela era muito para mim, não que eu me achasse feio, longe disso... Ela era muito forte, muito boa, com um coração grande e bom... Ela merecia alguém como ela.
Alguém que não fosse eu, que desconfiei dela na primeira oportunidade, que a magoei e a machuquei. Talvez o lado ruim de mim tivesse de volta, eu havia avisado que um dia meu lado escuro ia despertar, eu temia isso mais do que tudo... O amor despertava os melhores e piores sentimentos numa pessoa.
Amando eu me tornava ruim.
Fugi tanto desse sentimento por toda a minha vida para simplesmente esbarrar na minha inimiga de infância e me apaixonar por ela... Como não se apaixonar por ela?
Eu amava cada detalhe daquela mulher, desde os ataques de raiva que vez ou outra ela dava, a teimosia fora de série... O modo como ela vê o mundo, o modo como o mundo a vê...
Ela vê o mundo de outra forma. As fotografias dela revelam a alma das coisas mais simples, assim como um dia eu olhei as fotografias do dia que passamos na toca e percebi o quanto Hermione Granger era perigosa para mim, era apaixonante demais e eu fugi... Poderia bater o pé agora e dizer que eu deveria ter fugido com mais garra dela, mas isso seria covardia e burrice da minha parte, porque assim eu nunca teria ganhado de presente dos céus e dela, Enzo e Sophia.
Depois de tudo se eu ainda tivesse os dois, valeria a pena sofrer por Mione e deixa-la ser feliz com alguém que a merecesse.
Levantei pegando minha única companheira naquela noite, minha garrafa de Whisky e subi até os quartos das crianças, estavam vazios, mas pintados e com papeis de parede que se mexiam. O de Sophia havia grandes papéis de parede com princesas daquele negócio que ela gostava e que eu não me recordava o nome, o de Enzo era azul com vermelho e os papéis de paredes eram de carros com bocas e olhos. Devia fazer algum sentido para eles, porque para mim não fazia nenhum.
Já havia dado por hoje, chega de melancolia. Passei a mão pelos cabelos o deixando ainda mais bagunçado e desci as escadas entornando mais uma vez a garrafa de Whisky.
–Um dia a marvada te mata loira.
Quase engasguei com o álcool e olhei para o filho da puta do Theo que estava encostado no portal da sala, com um terno preto e gravata verde Sonserina.
–Que diabos você está fazendo aqui seu energúmeno?
–Vim conversar com um amigo antigo da época de colegial e que acabamos nos afastando – ele respondeu caminhando e parando no meio da sala – Pode não parecer, mas eu ainda me importo com você cara, e vim aqui para tentar te mostrar a grande burrada que está fazendo com a mulher da sua vida.
–Não precisa, eu já sei a burrada que estou fazendo – retruquei me sentando no primeiro degrau da escada – Eu tive ela nas minhas mãos e a machuquei, Hermione merece alguém melhor do que eu. Eu a avisei que sou uma má pessoa, que a maldita paixão ia despertar os piores sentimentos em mim e... Despertaram eu a magoei, eu machuquei a única mulher que conseguiu me fazer completo e feliz... Você não deveria estar aqui, deveria estar lá com ela, você seria melhor para ela do que eu.
Eu tenho certeza que o álcool pela primeira vez estava fazendo efeito, me deixando falar a verdade para Theo... Qualquer um seria melhor do que eu para ela, Hermione não ligava para aparência, dinheiro e nada... Ela merecia alguém com um coração bom, que confiasse nela e merecesse o coração dela... E definitivamente não era eu.
–Estar lá eu realmente deveria – falou Theo com as mãos nos bolsos – Ainda acha que ela estava te traindo?
–Não, não acho. Esse é um dos maiores motivos para eu estar aqui e não lá, no ateliê de exposição. Falei seco.
–Bom então já temos um começo – falou calmamente Theo – Você poderia largar essa garrafa de Whisky ir para lá comigo, temos um tempo ainda para começar.
–Eu não vou até lá, não fui claro? – perguntei brutamente – O que eu vou fazer lá Theo? Machucar ela ainda mais?
–Ás vezes você soa como se tivesse desistindo...
–E é exatamente o que estou fazendo, desistindo dela – o interrompi abruptamente – Não posso prendê-la para sempre a uma pessoa como eu.
–Eu não estou falando que você está desistindo dela – retrucou Theo – Estou falando que as vezes parece que você está desistindo de você.
–Desistindo de mim? Perguntei rindo.
–Exatamente, desistindo de você. Você está desistindo de ser feliz, desistindo de continuar com ela, desistindo de ser bom... Na verdade eu acho que há muito tempo você quer desistir disso, mas ela nunca desistiu de você. Ela não precisa de mais ninguém cara, será que você nunca percebeu isso? Ela precisa apenas de você.
–Você seria melhor para ela do que eu. Falei a contra gosto.
Ele riu muito alto.
–Definitivamente não é esse tipo de relação que eu pretendo ter com Mione, não que ela não seja gostosa, mentiria se eu falasse que ela era feia... Nesse quesito você teve sorte, ela é uma das mulheres mais bonitas que já vi – ele provocou e escutar ele falando isso dela me deu raiva – Mas esse não é o tipo de relacionamento que eu um dia teria com ela. Está mais para um relacionamento de irmão.
–Vocês se parecem e pensam iguais.
–Irmãos gêmeos então – ele riu fazendo a alteração – Pensamos as mesmas coisas, tomamos as mesmas decisões... Somos tão iguais que não somos compatíveis, me entende? É muita coisa parecida, já vocês dois são muito diferentes, são perfeitos um para o outro. Não sei se sabe Draco, mas meu começo com Mione foi um pouco mais por gratidão, eu me sentia completamente grato por ela impedir Melgaço de me torturar, por ela cuidar de mim, por salvar minha vida, e por continuar lá comigo na sela dia após dia me convencendo que eu não ia morrer quando eu também já havia desistido de mim.
“ Eu sempre tive muita gratidão por ela, principalmente quando ela se arriscou tanto para me salvar da morte no dia da revolução e agora ela me salvou de novo na câmara secreta, eu sabia que Melgaço também tinha planos para mim depois que o traí, quando ficamos sabendo do que precisava para o ritual eu desconfiei que meu coração estava naquela lista há muito mais tempo do que eu pensava, assim como o seu também estava.
E de tanta gratidão eu passei a admira-la como pessoa, como mulher, amiga e irmã. Chega a ser chato o quanto pensamos parecido ás vezes, temos quase o mesmo nível de inteligência, entende? No fundo sabemos que ela é boa demais para qualquer homem, Rony estava certo, não há ninguém que mereça uma mulher como ela, apenas aquele que ela realmente escolher, e ela escolheu você. O que não só te torna merecedor, como muito sortudo. O modo como minha relação com ela começou nunca permitiria que sentíssemos algo um pelo outro, eu a admiro demais e sou grato demais por tudo que ela fez por mim, mas sou inteligente o suficiente para saber desde o inicio que ela era muito para mim e que tudo que eu aprendi a nutrir por ela é carinho fraterno, talvez pelo simples fato de que eu nunca tive uma melhor amiga mulher ou uma irmã.”
Eu apenas olhei para Theo escutando ele falar, ele não parecia hesitar, saia naturalmente como se aquilo fosse um papo repetido ou até mesmo obvio para ele, eu não consegui assimilar tudo imediatamente, e então ele continuou.
–Eu também não sei se sabe, bom, na verdade eu sei que não sabe... Mas Hermione se apegou a mim, e cuidou de mim na sela por me achar parecido com você. Não fisicamente, mas emocionalmente e internamente. Ela me achava instável como você, me achava um sonserinos convencido como você, e acredite, certa vez ela falou que nós dois tínhamos a mesma doença de “pessoa ruim”... E talvez tivéssemos mesmo, eu pelo menos não tenho mais, sua mulher tem um problema grave que quando vê uma causa perdida simplesmente quer resolver e ela resolveu. Ela me aceitou bem de volta, ela me incentivou a fazer os testes, me deu broncas como se fosse minha mãe, não que eu lembre realmente da minha, mas me soava muitas vezes assim. Como eu também já dei muitas broncas nelas, eu não sou o melhor amigo dela no mundo porque esse posto é do Weasley e do Potter, mas sou um dos melhores mesmo ela ás vezes me dando medo com as ameaças que de vez enquanto ela faz.
Eu sorri, ele via Hermione da mesma forma que eu também via, com apenas alguns detalhes de diferença.
–E Simas ou Walisson? Bom, talvez ela...
–Nem comece – interrompeu-me Theo – Acho que você tem um probleminha de visão ou percepção, Walisson já está quase casando e a namorada dele virou uma colega antiga de Mione de tanto que as duas falam mal da vida dos homens quando estão juntas. E Simas... Simas é um caso a parte, porque você deve ser o único no mundo inteiro que nunca viu que ele e Aline Novaes estão namorando escondidos. Chega e ser cômico o modo como eles tentam esconder, Mione pegou os dois juntos duas vezes na nossa sala e eles inventaram qualquer desculpa do mundo, acho que logo eles assumem já que vão juntos a exposição.
Isso eliminava os suspeitos da minha lista, mas não me fazia sentir melhor.
–Obrigado pelas informações, mas você pode ir Theo. Eu não vou demorar aqui, e provavelmente vou dormir a noite inteira. Falei e ele parou de sorrir.
–Vai continuar desistindo de você Malfoy? Quando você vai entender que Mione não vai desistir? – eu apenas dei de ombros e dei tomei mais uma dose de Whisky pateticamente – Me dá essa garrafa e se puder andar ainda, me acompanhe.
Ele tomou a garrafa da minha mão e seguiu para o corredor do térreo onde ficava o escritório e o estúdio de Hermione.
–Como você sabe desse lugar? Perguntei.
–Quem você acha que foi obrigado a trabalhar de graça e trazer essas tralhas enquanto você estava trabalhando? – ele perguntou abrindo a porta do estúdio escuro – Entre na frente.
Passei por ele e bati a mão do lado da parede para acender a luz, não era muito forte, mas o suficiente para poder ver as fotografias em tamanhos ampliados na parede. O estúdio era um dos maiores cômodos da casa com varais estendidos para revelar as fotos e algumas nas paredes.
As primeiras que eu vi era as que ela não tinha levado para a exposição por ter alguma copia ou parecida, eram lindas. O universo infantil das crianças, o universo que ela mais amava fotografar depois de desistir das paisagens.
Ela era boa.
Um click, e tudo se materializavam e ficava eterno. Alguns sorrisos banguelas de crianças lindas e sorridentes nos mais variados lugares, não eram muitas como antes e havia bem mais espaço do que a da casa dela em Londres, só que mesmo assim era como se eu estivesse numa exposição particular, mesmo aqueles sendo o que sobrou do principal. Todas ficavam sempre boas, imagino o quanto eles discutiram e o trabalho que teve escolher as melhores fotografias.
–Me responda só uma coisa antes de concluirmos esse papo, Draco – falou Theo se encostando na bancada, Me livre se Mione o visse fazendo isso – Por que você está desistindo de você mesmo?
–Eu não estou desistindo de mim mesmo – falei como se fosse obvio demais – Você nunca vai me entender, não sei se já sentiu algo assim por alguém...
–Não ainda não, mas você pode tentar explicar, sou todos ouvidos. Ele falou irritantemente.
Olhei para uma criança na foto, ela arregalava os olhos todas as vezes que o flash a disparava, eu não queria encara-lo.
–Eu posso ter mudado Theo, sei que não foi muito e também sei que não sou mais o monstro que já fui anos atrás... Mas eu também não mudei da agua para o vinho como vocês pensam – falei sentindo minha garganta seca – Eu ainda sou um Malfoy, ainda tenho mil demônios que me assombram, assombram o que um dia eu já fui e o que eu ainda vou ser. Apesar de mudar, o tempo todo eu evitei me apaixonar, eu avisei muito Hermione... Um dos nossos acordos quando nos casamos era não nos apaixonar e eu cheguei a explicar isso para ela, provavelmente quando fizemos o acordo eu já devia estar apaixonado sem saber, mas ainda sim eu tentei alerta-la dos meus demônios, dos meus temores...
“ Meu maior medo em me apaixonar, em gostar de alguém, é que esse sentimento despertasse em mim coisas ruins, e despertou. Eu a magoei tanto nesses últimos meses, com coisas tão simples, mas que pelo simples fato de ser eu, ela acabou se machucando mais ainda. Eu demorei para perceber que gostava muito dela, demorei para perceber que nada mais importava a não ser ela e então... E então o lado ruim despertou, a desconfiança, a capacidade de machuca-la, não fisicamente... Eu sei o dom que tenho de machucar com as palavras, a maioria dos homens sabem.
Na guerra enquanto ela e os outros que hoje são meus amigos, lutavam por amor, um pelo outro como ela lutava por Rony, ou até mesmo o fraternal, como ela lutou por Harry... Eu estava do outro lado, lutando pelo cara de cobra, machucando inocentes e mesmo que não quiséssemos realmente fazer isso, nós fizemos. Contribuímos, ajudamos o tal Lorde das Trevas a aniquilar um por um que tivesse o mínimo resquício de estar contra ele, mais precisamente, aqueles que amavam demais para se juntar ao homem que não conseguia amar.
Talvez eu apenas tenha desistido de mim mesmo no final das contas, vai saber? Eu só não posso mais machucar a pessoa que eu mais amo, eu nunca vou ser uma pessoa boa. Eu matei Melgaço por egoísmo e mataria de novo se tivesse frente a frente com ele, eu sentenciei meu próprio “pai” ao beijo do dementador, por ser egoísta demais e não dar a ele chances de novo de machucar Mione.
Eu sou uma pessoa ruim, posso não ser mais das trevas, mas ainda sim sou uma pessoa ruim. ”
Era angustiante falar isso em voz alta, era tão mais fácil pensar em tudo ao invés de falar. Aquelas palavras me deixaram angustiado, mas que isso, me deixaram pesado, como se eu tivesse pesando mais de 150 quilos. Aquilo era o que eu via de mim, falar para ele não me ajudou, e isso eu já sabia.
Nem tudo que está guardado precisa ser falado para te deixar mais leve, longe disso. Nunca fui uma pessoa de falar muito como eu me sentia, apenas para Hermione talvez. Falar não me ajudou, se esse era o plano de Theo ele falhou miseravelmente.
–Bom isso foi o que você acha de você, mas você já viu o que as outras pessoas vê quando olha para você? Principalmente Mione? Ele perguntou aparentemente concentrado.
–Geralmente não uso Legilimência nas pessoas. Falei irônico.
–Você é um doce, Malfoy, vem vou te mostrar a segunda parte dessa exposição privada.
Theo caminhou pelo estúdio até o fim dele e a luz do local estava apagada, já que eu acendi apenas a primeira parte.
–Quer fazer as honras? Ele perguntou me dando passagem novamente.
Revirei os olhos e procurei o interruptor.
A primeira vista tudo que eu consegui ver foi que eram as fotos da nossa família, apenas nós quatro no começo, mas conforme eu fui andando pelas fotografias... Conforme eu fui andando fui percebendo o que Theo estava querendo fazer.
Aquelas eram fotos minhas... Mas não pareciam ser minhas, bom não parecia ser eu... Não o EU que eu imaginava.
Estava confuso.
Quando ela tirou tantas fotos de mim? Havia todos os tipos de fotografias em tamanhos normais numa espécie de mural particular... As fotos da Toca, aquelas fotos que me fizeram fugir quando eu percebi o quanto meu sorriso era parecido com o de Rony, porque eu sorria apenas por ela estar sorrindo, quando eu percebi que estava me apaixonando.
Fotos minhas brincando com as crianças nas raras vezes que eu tive tempo, comigo dormindo, trabalhando, deitado no jardim tomando sol, eu com ela... Várias fotos minhas com ela.
Se eu fosse um telespectador de fora, eu podia jurar que aquela mulher tão bonita com cabelos castanhos era extremamente apaixonada pelo rapaz loiro.
O nosso sorriso era igual.
Não era mais o meu sorriso que parecia com o de Rony, o meu sorriso era igual ao sorriso de Hermione... Por que a gente se amava.
Aquele naquelas fotos não podia ser eu, era impossível.
Sophia estava certa, ela sempre esteve certa. Minha história com Mione era uma espécie de contos de fadas para adultos, mas a minha princesa não era a donzela que sempre ficava em perigo... Nenhuma princesa tinha a beleza dela...
Como eu não reparei isso quando era mais novo? Como eu não me apaixonei por aquela garota antes?
Ela tinha fé em mim.
Ela não desistiu de mim.
Ela me amava.
Eu a amava.
Muito.
E eu a amava mais ainda por me transformar assim, eu não precisava de retratos antigos para comparar com aqueles que estavam ali. Aquelas fotografias mostravam tudo... Elas me mostravam minha alma de fora para dentro.
Se eu continuasse na teoria de telespectador, não concluiria apenas que aquela mulher era apaixonada por aquele loiro. Eu concluiria que aquele homem na foto era um homem bom, com vários demônios e cheios de defeitos, mas que cada um desses demônios foram mortos e derrotados pela mulher de cabelos castanhos.
Os sorrisos daquele homem das fotografias revelavam que um dia a alma dele até pôde ter sido escura, mas que agora não era mais. A mulher de cabelos castanhos o transformou, o mudou completamente.
O atroz Draco Malfoy, que um dia foi comensal da morte, que um dia pisou em muita gente, que tentou mudar, que tentou viver numa fachada tentando fazer com que as pessoas o perdoassem, que dormiu com tantas mulheres que se nem sabia o número exato, que se importava mais com si do que com os outros... Aquele Draco Malfoy mudou.
Ele não era mais atroz, ele havia voltado a viver na adolescência com 25, 26 anos. Eu, eu havia mudado e nem ao menos me dado conta que apesar de parecer o mesmo fisicamente foi como eras se passassem e eu me transformasse.
O novo Draco Malfoy, aquele das fotografias na parede. Aquele que reconheceu uma inimiga. Aquele que aceitou se casar apenas por não querer ver a ex inimiga sofrer. Aquele que se tornou pai de uma hora para outra, não de uma, mas de duas crianças formadas. Aquele que morreria e mataria apenas para proteger seus dois filhos que apesar de não serem do mesmo sangue ainda sim era seu. Aquele que se apaixonou. Aquele que se apaixonou de novo e continuou se apaixonando todos os dias pela mesma mulher, pela sua antiga inimiga... Aquele que viveu um contos de fadas, um romance tão bonito e cheios de altos e baixos, só que mesmo assim era um romance...
Eu vi nas fotografias um EU que não conhecia, que todo mundo ao meu redor via em partes, que a mulher que eu amava via totalmente... Menos eu.
Eu antes apenas enxergava o atroz.
Só que ali eu enxerguei o novo.
Eu tinha passado por um filtro até me tornar aquele mesmo homem que eu via repetidas vezes, em dezenas de fotografias.
Ela havia fotografado minha alma.
Hermione Granger não só havia mudado completamente minha vida. Ela tinha mudado sem querer o meu ser inteiro. Era como se eu renascesse, e eu renasci.
Com 26 anos eu nasci de novo.
Eu tinha 26 anos e era pai de uma princesa e um garotão, ambos com oito anos.
Eu tinha 26 anos, mas me sentia agora com apenas 14, quando o Lorde das Trevas ainda não tinha voltado. Onde eu era arrogante apenas porque me ensinaram a ser assim, mas que seria tão mais fácil aprender a ser aquele cara das fotografias e com certeza se eu ainda tivesse com 14 anos eu não precisaria que meu amigo, aquele que desconfiei, me fizesse enxergar isso.
Sim, aquele cara das fotografias era eu. Um EU diferente, um EU que merecia realmente uma mulher como Hermione Granger.
–Estanho né? Perguntou Theo quebrando o silêncio.
–Ainda não sei o que falar sobre isso – falei sem tirar os olhos do mural – Eu... Eu não sei realmente o que achar. O que você acha?
–Eu? – perguntou Theo – Eu continuo achando que Rony estava certo, nenhum homem é bom o suficiente para Hermione Granger... A diferença é que eu acho que ele ainda não viu esse homem das fotografias totalmente. Acho que o único homem que merece ficar com ela é aquele cara ali.
Eu sorri, não, eu ri. Ri alto e ele me acompanhou. Eu concordava com ele, aquele cara ali na parede merecia realmente aquela mulher que estava com ele.
–Você vai atrás dela? Perguntou Theo.
A exposição, olhei no relógio, faltava uma hora para começar. Ainda tinha muito tempo e eu realmente não sabia o que fazer.
–Eu tenho que ir, não posso correr o risco dela achar um cara que não a mereça enquanto o cara que merece ela está aqui. Brinquei puxando a gola do sobretudo.
–Esse é o Draco Malfoy convencido – riu Theo – Uma versão mais domesticada, mas ainda sim convencido.
–Obrigado por tudo cara – agradeci sincero – Eu acho que realmente estava precisando desse choque de realidade que você me deu, acho que até o álcool sumiu do meu organismo. E... Me desculpe pela confusão, por desconfiar de você e dela... Foi apenas insegurança da minha parte, eu me deixei levar pelas evidencias, e me esqueci completamente das qualidades da mulher que eu tenho ao meu lado.
–Acredite eu nem me importo mais com isso – falou Theo erguendo as mãos – Quero ver você conquistar a fera de cabelos castanhos e acho bom você ir com todas as armas possível para lá... Er, ela falou que vai me matar se eu te contar, mas eu não vou te contar, as palavras nunca vão sair da minha boca.
–O que você está falando? Perguntei confuso.
–Bom, sua linda mulher pode ser bem terrível e ameaçadora ás vezes, eu apenas quero te dar uma arma para amolecer o coração dela quando você encontrar com a fera – ele continuou falando – Que fique bem claro que eu não falei uma palavra, eu te disse alguma coisa?
–Não? Perguntei ainda sem entender.
–Ótimo, se você Hermione Granger entrar na minha mente vai ver que eu não falei nada – ele falou como se fosse maluco, realmente parecia que ele estava com medo de Mione, ele enfiou a mão no palito e jogou uma foto no chão – Ops, caiu... Er... Draco você pode pegar essa foto para mim?
–Abaixa e pega, está aí perto de você. Respondi.
–Você não está me ajudando parceiro – falou Theo fazendo uma careta – Draco será que você pode pegar essa foto para mim, eu estou com dores nas costas e não consigo abaixar, será que você pode POR FAVOR, pegar essa merda de foto.
Talvez Theodore Nott não regulasse muito bem da cabeça, abaixei e peguei a foto que estava virada para baixo dando uma olhada rápida e entregando para ele... Mas puxei de volta.
–O que você estava fazendo com uma foto de Hermione? Anda carregando fotos dela agora? Perguntei.
–Pode olhar a foto, eu tirei dela ontem enquanto arrumávamos o ateliê.
Theo falava bem alto e fez uma careta para mim que eu não entendi. Olhei para a foto, Hermione estava linda, claro, ela sempre ficava linda com qualquer roupa, mas naquela foto ela ainda estava mais radiante do que antes. Ela estava no meio de uma escada que dava lugar para o grande salão onde seria a exposição, ela usava um vestido curto azul com flores brancas de mangas curtas e o cabelo estava num coque improvisado.
O tronco dela balançava de um lado para o outro como se ouvisse uma canção, mas não era isso que chamava a atenção... Eram as mãos dela, ambas as mãos dela estavam na barriga e vez ou outra na repetição da foto, o polegar dela acariciava sua barriga enquanto ela olhava sorrindo para aquele lugar.
O que ela estava fazendo? Ela não estava dançando porque as pernas dela não se mexiam, apenas o tronco e a cabeça enquanto ela olhava para a barriga. O que ela estava vendo ali...
–Ouuuu. Falei arregalando meus olhos.
–É isso aí loiro – riu Theo – Ouuuu.
Não. Não era aquilo que eu estava pensando era? Ela estava... Ela estava... Gravida?
–Como ela está gravida? Perguntei com a voz alta, como se tivesse prendido o dedo na porta.
–Quer que eu te explique isso para uma cara de 26 anos? – zombou Theo – Diz a lenda que os bebês são fabricados quando um homem come uma mulher...
–Eu sei como são fabricados os bebês, idiota.
Eu bem que queria parar de olhar para aquela foto, mas era impossível. Hermione estava gravida. Merlin do céu!
–Desde quando ela sabe? Desde quando você sabe? Como é que ela não me contou? Bombardeei Theo sem conseguir parar de olhar para a foto, ela estava tão linda.
–Er... – ele parou e começou a contar nos dedos – Ela confirmou no dia que vocês terminaram e bom... Fui eu que tive que levar ela para fazer os exames porque ela não queria te contar, ela achou que você ia surtar e que você estava muito sobrecarregado e blá blá blá.
Dezesseis dias, ela sabia que estava gravida a dezesseis dias. Ela estava gravida e ainda sim estava morrendo de trabalhar esses dias, ficou comigo no hospital, bateu em Alice, correu risco de vida, foi atrás de Melgaço...
–Ela ficou maluca? Como ela está gravida e sai fazendo tudo isso que ela está fazendo? Você deveria ter me contado seu bastardo! Você colocou a vida dela e do bebê em risco, e se Melgaço tivesse a machucado? Eu nunca iria me perdoar...
–OUUU trem desgovernado até parecesse que você não conhece a mulher que tem, ela não ia te contar por agora porque você está sobrecarregado e tudo que ela menos quer é que você desista do cargo de Chefe dos Aurores... E bom, eu tentei falar com ela, tentei convencer ela a te contar e até tentei impedir ela de ir, mas você conhece a mulher que você tem seus filhos.
Hermione era uma mula de teimosa, Merlin! Eu não sabia o que sentir, comecei sentindo raiva, muita raiva daquela mula por correr tanto risco... Mas eu olhei novamente para a fotografia, ela parecia tão feliz acariciando a barriga... Ela estava feliz, eu estava feliz.
Ali dentro tinha uma sementinha nossa. EU IA SER PAI, eu ia ser pai... De novo.
O pensamento me fez sorrir, sim eu ia ser pai de novo. Logo Sophia e Enzo teriam um bebezinho para nos ajudar a cuidar. Eu ia ser pai de novo...
–Está sorrindo feito besta papai coruja. Zoou Theo.
E eu estava. Eu podia pedir mais? Era como se eu me sentisse ainda mais completo, quase transbordando de alegria. Ela não devia ter escondido de mim, mas e daí? Íamos ser pais de novo, não tinha espaço para raiva ali.
–Acho que é melhor irmos, se não vamos chegar atrasados e você tem uma mulher gravida e linda para reconquistar.
–É – falei ainda sorrindo feito besta, como é que para de sorrir? – Eu vou ter mais um filho cara.
–Er... Um né – Theo falou e sufocou um riso com uma tosse – Parabéns Draco pelo seu UM filho.
–Obrigado. Falei novamente sorrindo feito bobo.
–Podemos?
–Podemos o que? Perguntei.
–Ir para a exposição coisa lerda, guarda essa foto se não, vamos chegar lá só amanhã de manhã.
Olhei a foto de novo. Agora tudo fazia sentido, tudo parecia... Perfeito. Eu não tinha mais o que esperar, dei uma ultima olhada na foto e coloquei no sobretudo.
–Eu tenho que passar em um lugar antes – falei para Theo enquanto saímos da propriedade em silêncio, ele curtindo alguma piada particular e eu ainda extasiado com tudo – Nos encontramos lá.
–Falou, e Malfoy... Você tem um jato certeiro. Falou rindo.
Apenas acenei sem entender e assim que fechamos o portão aparatamos.
Quando entrei correndo desgovernado em casa faltava apenas cinco minutos para a exposição começar oficialmente, parei de correr apenas quando cheguei ao closet. Com muita pressa e usando a varinha convoquei o smoking preto e uma gravata borboleta da mesma cor, arranquei a roupa o mais depressa que eu podia e vesti tudo continuando com a camisa branca de linho que eu estava.
Olhei no espelho e com outro aceno alinhei tudo, calcei meus melhores sapatos e passei os dedos entre os cabelos loiros, não quis arruma-los, eu sabia que ela gostava deles assim. Fui até a gaveta da cômoda, peguei o real motivo de ter voltado em casa e coloquei no bolso da calça.
Pronto.
Desci as escadas novamente aos tropeços, eu estava atrasado, já fazia mais de cinco minutos que a exposição tinha começado.
As ruas de Hogsmeade estavam bem mais movimentadas quando desaparatei, eu não tinha certeza sobre o ateliê, não tinha ido até lá e novamente vi o quão negligente tinha sido com Hermione. Theo me esperava do lado de fora e podia se ouvir a música suave de um pianista muito bom dentro do ateliê.
Não falamos nada, apenas entramos e me deparei com um monte de rostos conhecidos que sorriam para mim e me cumprimentavam enquanto olhavam as fotografias... Que estavam lindas como tudo que ela fazia.
Todos estavam muito bem vestidos, as mulheres com belos vestidos longos e os homens com bons ternos para compensarem o ateliê luxuoso que as fotografias estavam sendo expostas. De longe avistei Harry e os Weasley e apenas acenei com a cabeça enquanto ele ergueu a taça de champanhe dele para mim.
–O que você vai fazer agora? Perguntou Theo.
–Eu acho que vou falar com ela antes, a exposição já começou, mas não a vejo por aqui. Falei olhando ao redor.
–Ela é a celebridade aqui hoje, primeiro as pessoas bebem e compram as fotos, depois a celebridade chega – riu Theo ao explicar tomando mais uma taça – Ela está na segunda porta no andar de cima. Pode subir as escadas.
Apenas acenei para ele e segui, Adriana logo que me viu mandou o segurança me deixar subir. A cada degrau eu senti meu coração pulando para fora da boca, nunca me senti tão nervoso apenas para ver Mione, caramba era só a Mione... A Mione gravida.
Sorri de novo com o pensamento, eu não conseguia parar de fazer isso ao pensar que ela estava gravida. Fui até a porta que Theo falou e assim que eu ia bater uma cabeleira ruiva saiu lá da dentro.
–Você. – riu Gina Fechando a porta – Eu vou só te dar um aviso, se fizer minha amiga chorar de novo eu vou quebrar a sua cara e outra, hoje é o dia dela, tenta não estragar isso.
–Eu só quero falar com ela. Falei seco.
–Fale, mas veja bem o que vai falar. Falou a ruiva me deixando sozinho no corredor.
Abri e lá estava ela... Meu Merlin! Ela estava de tirar o fôlego de qualquer um, principalmente o meu, ela estava de frente para um espelho grande o cabelo cacheado e jogado para o lado esquerdo enquanto ela usava um vestido longo de seda azul marinho tomara que caia.
–Você está linda.
Pov. Mione
–Você está linda.
A voz rouca e sensual fez com que um frio percorresse minha espinha. Virei-me para trás e me assustei ao ver Draco parado, ele estava com de smoking preto e as mãos nos bolsos da calça, o cabelo dele estava malditamente despenteado o deixando ainda mais lindo. Droga! Era para eu estar com raiva dele, não admirando a vista.
–Pensei que você não ia vir. Falei tentando parecer neutra e olhando de novo no espelho.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!–Eu pensei em não vir – ele respondeu – Só que eu percebi que sou o único homem que te merece e que qualquer filho da puta nunca vai ser bom o bastante para você.
–Bem convencido, não? – perguntei tentando esconder falhamente meu sorriso – Como você chegou a essa conclusão Sr. Malfoy?
–Vendo as fotos que você tirou de mim na nossa futura casa – ele falou e meu coração acelerou “nossa futura casa” – Eu vou ser sincero Srta. Granger, eu ainda acho que você ficou maluca e escolheu o cara errado para gostar, mas gosto não se discute... Você poderia escolher qualquer homem que quisesse e escolheu alguém como eu, ainda não consigo entender como eu me tornei merecedor de uma mulher tão linda e incrível quanto você, como uma mulher como você foi escolher justo eu? É sério, eu sei que sou lindo e um pedaço de mal caminho – ele sorriu se aproximando de mim olhando para nós dois no reflexo do espelho, ele parou de sorrir e ficou sério, muito sério – Só que nada justifica você me escolher. Eu não me tornei merecedor sozinho, me tornei merecedor porque fui escolhido por você.
“ Eu olhei naquelas fotografias no seu estúdio e quase não me reconheci... Você sem perceber foi me mudando Hermione, nem eu percebi isso, e inocentemente você capturou com sua câmara essas mudanças uma a uma... Eu não ia vir aqui hoje, não por estar com raiva de você, eu nem tenho o direito de sentir isso, eu estava com raiva de mim por desconfiar de você.
Eu agi como um idiota, eu não tinha o direito de fazer isso, mas eu havia lhe avisado que junto com o amor despertava o meu lado ruim... E ele despertou, e te magoou, te machucou e eu nunca vou me permitir fazer isso de novo. Hoje, naquela sala, vendo aquelas fotografias que você tirou, sem perceber de novo, você matou meu ultimo demônio. Me trouxe para outra realidade, e eu prometi a mim mesmo que não podia perder você.”
Meu coração havia congelado assim como a minha respiração. Como é que se fala mesmo? Eu apenas escutava o que ele estava dizendo e quando ele parou ficamos nos encarando estáticos pelo espelho.
–Fala alguma coisa – ele pediu tocando minhas costas e eu fechei os olhos, era tão bom sentir o toque dele na minha pele de novo – Eu não ensaiei me apaixonar por você muito menos te amar, simplesmente aconteceu e... Eu não sei, se você ainda estiver com raiva de mim eu vou entender, e vou te dar todo o espaço...
Eu não o deixei terminar, apenas me virei contra ele e o beijei. Beijei como se minha vida dependesse daquilo, como se fosse nosso primeiro beijo, como se fosse o último beijo... E aquele não seria.
Apenas quando o ar faltou que nos separamos, a mão dele ainda na minha cintura e nossas testas encostadas.
–Eu tenho tanta coisa para te contar, só que tenho tanto medo. Falei insegura.
Eu senti a respiração dele ficar mais suave e ele sorriu me dando mais um selinho, ele me virou me deixando de costas para ele e me abraçando por trás enquanto novamente nos olhávamos nos espelhos.
–Você está ainda mais linda. Ele sussurrou no meu ouvido.
Fechei os olhos por causa dos arrepios e senti as mãos dele saindo da minha cintura e descendo bem devagar para a minha barriga. Abri os olhos de uma vez olhando o reflexo da mão dele na minha barriga acariciando com muito cuidado, subi o olhar ainda assustada para o seu rosto e ele sorria. Um sorriso grande, bobo e lindo...
–Eu vou matar Theodore Nott. Falei sorrindo com ele.
–Ele não me contou, na verdade foi uma das cenas mais estranhas do mundo – ele riu alto – Ele realmente tem medo de você Mione, ele me fez descobrir, de um jeito estranho, mas fez.
Eu sabia que Theo ia dar um jeito de me burla, havia ameaçado ele das piores formas possíveis e tinha esperanças que ele ficasse realmente assustado o suficiente para não contar nada a Draco.
–Você não ficou bravo? Quer dizer, já temos dois. Falei encostando a cabeça para trás no ombro dele.
–Eu fiquei bravo por você não me contar e se arriscar tanto, isso sim – respondeu Draco – Eu queria ter descoberto antes para te impedir de fazer tudo que você fez, mas agora que está feito não adianta, talvez você fez a coisa certa em não me contar porque graças a você que Enzo e Sophia estão a salvo, eu com certeza não deixaria você participar do resgate deles se soubesse.
Me assustei com a sinceridade dele, mas ainda sim fiquei feliz. Ele não parecia realmente bravo, parecia feliz, enquanto falava por nenhum minuto parou de acariciar minha barriga e permaneceu assim.
–Eu não quero que você largue seu emprego – falei séria – Assim como eu também não largarei o meu, apenas ficarei afastada quando não tiver mais jeito de trabalhar. A última coisa que eu quero é que você desista da sua carreira Draco, você só tem 26 anos, é novo e bem sucedido não quero que se sinta pressionado, tem que pensar no seu futuro também.
–A última coisa que estou pensando agora é meu emprego de Chefe dos Aurores, Mione. Eu não quero ficar longe mais como antes, eu quero ir em cada consulta, quero ajudar a mobiliar a nossa casa, quero levar Enzo e Sophia para brincarem... E se ser Chefe dos Aurores me impedir de fazer isso, eu não vou desistir da minha família por uma carreira.
–E sua família não quer que você desista da sua carreira, e eu sou a chefe dessa parte da família, falo por todos os nossos filhos. Falei enfática e ele riu.
–Você é a mulher mais teimosa do mundo, Enzo e Sophia podem votar sozinhos, seu voto conta apenas por você e pelo bebê.
Bebê, no singular. Quase ri com isso.
– O quanto Theo te contou Draco? Perguntei erguendo uma sobrancelha.
–Não muito, eu queria vir te ver logo. Ele falou beijando meu rosto.
Eu encarei o espelho franzindo a testa, contar ou não contar? Talvez o coitado já teve surpresas demais para um dia e tinha saído hoje ainda do hospital...
–O que foi Mione? Ele perguntou.
–Nada. Respondi rápido demais.
–Nada? – ele questionou erguendo uma sobrancelha – Tem mais alguma coisa que esteja escondendo de mim, porque se tiver acho bom falar logo. Sem mentiras e omissões a partir de hoje.
Eu o encarei pelo espelho. Merda! O Theo deveria ter feito serviço completo e já contado essa parte, eu podia sentir minhas pernas ficarem bambas com o nervosismo.
–Hermione? Ele insistiu.
Respirei fundo.
–Eu estou gravida de gêmeos. Falei rápido o suficiente para ele entender.
Primeiro ele me olhou sem entender, mas quando a ficha dele caiu os olhos deles se arregalaram ainda mais o deixando com uma careta cômica alinhada com o tamanho do O da boca dele.
–Mas... Espera... Como assim dois? Tem dois bebês aí? Mas não parece...
–Eu estou de pouco tempo – respondi tentando não rir dele – Apenas de seis semanas, eu descobri bem cedo. Olha Draco, eu sei que é difícil, me desculpa te falar assim...
–Eu só estou tentando similar – ele falou respirando ofegante – Agora eu entendo porque o Filho da Puta do Theo estava rindo de mim quando disse UM bebê e ainda veio com aquele papo de jato...
–O jato do Malfoy é certeiro.
–Esse mesmo – ele falou ainda perdido – Caramba Mione! Já fez as contas que agora vamos ter 4 filhos?
–Não é uma conta muito difícil. Brinquei e ele fez uma cara séria.
–Agora são 4 filhos! – ele repetiu como se me repreendesse – Temos sorte que Enzo e Sophia estão grandinhos e podem ajudar, mas ainda temos que pintar os quartos e agora vamos ter que comprar mais mobília de bebês e eu não sei nada sobre bebês. Nossos dois primeiros filhos vieram grandes, vamos ter que fazer aquelas aulas estranhas pra aprender a cuidar deles, temos que contar para os gêmeos que vão chegar mais outros gêmeos, fora que...
–Draco... Ei amor, está tudo bem – falei me virando para ele, dava para sentir o quanto ele estava desesperado – Vamos fazer tudo isso juntos, calma, ainda temos tempo antes deles nascerem.
–Temos pouco mais de... – ele parou para fazer cálculos – Temos pouco mais de sete meses Mione! Temos que escolher a medibruxa...
Não aguentei e comecei a rir, era muito engraçado ver Draco Malfoy perdido. Eu imaginei centenas de situações ao contar para ele, mas nunca ele tão nervoso assim já fazendo planos.
–Está rindo de mim? Ele perguntou perdido.
–Estou, você está lindo nervoso desse jeito – respondi dando-lhe um selinho – Draco, você tem que ficar calmo, eu não quero que sofra um infarto, não posso cuidar de 4 filhos sozinha.
–Eu só pensei que você não pudesse ter filhos e quando vou ver tá chegando dois.
–Eu também pensei que não podia. Falei desviando o olhar dele.
–Ei... Mione, está tudo bem, eu estou bem com isso. Acredite eu estou feliz, assustado, mas feliz. Muito feliz meu amor.
O olhei e apenas acenei, a porta se abriu de novo e Adriana entrou com Rafael.
–Está na hora de você descer Mione, a exposição está um sucesso, tem muita gente querendo te dar os parabéns. Avisou Rafael.
–Eu vou descer com ele enquanto você terminar. Falou Draco rapidamente.
–Er. Claro. Falei surpresa.
Draco saiu pela porta e seguiu junto com Rafael para fora enquanto Adriana ficou para trás. Não havia muito o que terminar, apenas retoquei o batom, ainda nervosa pela saída repentina de Draco, eu não me importava dele ficar, parecia tudo tão bem antes... Ele disse que estava feliz... Mas será que ele realmente estava feliz?
Adriana ajeitou meu cabelo de novo e endireitou meu vestido, ainda não havia parecido nada de barriga ainda, na verdade eu não tinha sentido as mudanças ainda da gravidez, não fisicamente.
–Está tudo muito lindo lá embaixo, já vendemos metade das fotografias e hoje é apenas o primeiro dia de exposição – falou Adriana tentando me tranquilizar – Tem muita gente querendo te dar os parabéns.
Mecanicamente acenei, as vezes era melhor do que falar. Escutamos a voz do dono do ateliê dando as boas vindas e agradecimentos e senti meu estomago gelar... Não era a primeira vez que expunha, mas ainda sim sempre me dava um nervoso, ainda mais numa exposição tão luxuosa como essa.
Sai da quarto tentando dar meu melhor sorriso, Adriana passou correndo na frente e desceu as escadas mais rápido e assim que me viu o dono do ateliê, me deu as boas vindas seguidas por um monte de palmas que me deixaram ainda mais nervosa.
Procurei por rostos conhecidos e assim que eu ia os encontrando, eu ia ficando cada vez mais calma. Vi Harry com Gina, Luna e Neville, um pouco mais distante deles estava Narcisa e as crianças que me aplaudiam ansiosas e com brilhos nos olhos. Vi Theo com Simas, Aline, Blás e Susana, como também vi Rony, Lilá e Rose com o restante dos Weasley.
Mais tranquila comecei a descer os degraus, sempre olhando para os rostos mais familiares a procura de Draco. Onde ele se meteu? Será que ele resolveu ir embora... E então eu o vi.
Ele passou pelas pessoas e parou no pé da escada sorridente, nossos amigos todos se aproximaram mais e quase que automaticamente as outras pessoas se afastaram para dar lugar a eles. Enzo e Sophia ficaram ao lado dele, eu não tinha percebido que eles estavam andando, parece que todos os rostos que eu utilizei para ficar mais calma se aproximaram mais da escada formando quase um circulo familiar e aconchegante.
Harry e Rony sorriram camaradas para mim assim como Theo e Gina, eu nem havia percebido que tinha parado no meio da escada. Apenas retribui os sorrisos desconfiada e quando faltava cinco degraus para terminar de descer... Minha ficha finalmente caiu.
Merlin do céu! Não, não, não... Isso não estava acontecendo.
Novamente parei estática e logo os gêmeos subiram correndo quase me puxando escada a baixo enquanto eu olhava para o homem parado no fim da escada, no meio da roda de conhecidos e até de desconhecidos...
Eu sentia meu coração palpitando cada vez mais e mais forte, quase saindo pela boca. Os gêmeos me soltaram e eu fiquei diante dele. De Draco.
–Eu não sei se é o momento certo – ele falou segurando minha mão, sua mão tremia tanto quanto a minha e eu sentia as lagrimas já rolando – Na verdade eu acho que deveria ter feito isso muito antes, e dessa vez eu não podia perder a oportunidade de fazer tudo certo com você. Eu quero você para mim Hermione, eu quero você para sempre...
Não parecia ter mais ninguém ali para mim, sentia meus seios subirem num ritmo anormal enquanto ele elegantemente colocou um joelho no chão. Não... Não... Isso realmente não podia estar acontecendo. Eu só podia estar sonhando.
–Hermione, você me daria a honra de se casar comigo? Perguntou com a voz rouca e sexy.
Não tinha o que dizer, a pergunta era linda e a resposta obvia. Eu o amava, amava mais do que tudo... Nunca me imaginei amando tanto uma pessoa assim, nunca me imaginei me casando com ele... Justo ele. O destino era traiçoeiro, não havia mais nada no mundo que eu quisesse mais do que casar com ele, com Draco Malfoy.
–Sim. Foi tudo que eu consegui dizer.
Fale com o autor