Dramione - Fotografias
16 Mãe
Notas iniciais
Pov. Hermione Granger
Eu fiquei até tarde na casa de Harry conversando. O que eu mais gostava no meu melhor amigo era isso, ele me ouvia e não me julgava, se eu estivesse errada ele me dava um belo de puxão de orelha, caso contrário ele apenas me ouvia e tratava de me distrair. Eu amava Harry com todas as minhas forças. Nunca houve nem por um segundo alguma maldade nesse amor nosso, sempre foi um amor de irmão e se tudo desse certo na adoção de Enzo e Sophia, ele e Gina seriam os padrinhos de Sophia enquanto Luna e Rony seriam o de Enzo.
Eu não estava nem um pouco chateada com Draco porque eu sabia que a culpa não era dele e eu nem podia culpa-lo já estava fazendo muito só mantendo essa farsa no papel.
A história da Dedo-Duro me deixou muito abalada, fiquei magoada porque estava tudo indo bem e agora eu corria o risco de perder a guarda deles por causa de uma idiota intrometida, meu sangue ferveu ao me lembrar que eu sabia bem quem era. Eu tinha que fazer algo. Me despedi de Harry já era quase meia noite, Gina esta noite não estava ali porque tinha um jogo no dia seguinte e estava na concentração com Rony.
Aparatei atrás dos três vassouras, em Hogsmeade, já fazia muito tempo que eu não aparecia nesse lugar. Soltei meu cabelo e passei um pouco de batom, entrei no bar onde havia poucas pessoas e lá estava ela, servindo a mesa com vários rapazes que se viraram para mim e começaram a assoviar. Os ignorei e me encostei no balcão, Alice fingiu não me ver.
—Hermione querida! Quanto tempo... – cumprimentou-me madame Rosmerta – O que vai querer hoje?
—Uma cerveja amanteigada, por favor.
—Claro. – Rosmerta falou sorridente – Alice sirva uma caneca de cerveja amanteigada para Hermione, por conta da casa, por favor.
Alice engoliu em seco e foi até as garrafas, eu me afastei e sentei na mesa próximo aos garotos respirando fundo para não estupora-la assim tão rápido.
—Uma caneca de cerveja amanteigada. – Alice colocou a caneca na minha mesa.
—Tudo bem Alice? – perguntei cínica e ela apenas sussurrou “tudo e você” – Comigo infelizmente não está tão bem assim. Porque uma certa dedo duro andou fofocando sobre minha vida para o orfanato dos meus filhos.
Uma bola de beisebol passou pela garganta dela.
—Com licença Sra. Malfoy eu tenho que trabalhar.
—Não, você não vai a lugar nenhum sua piranha – segurei seu braço – Sabe o que eu acho das pessoas que se preocupam mais com a vida dos outros do que do que com a dela? Eu acho que elas merecem perder a língua – virei o braço dela e encostei a sua cara na parede, um circulo se formou ao nosso redor, mas nem liguei – Eu não tenho paciência para as suas criancices Alice, meus filhos são mais maduros que você...
—Eles não são seus filhos – ela falou com dificuldade – Você obrigou Draco a se casar com você apenas para adotar os bastardos.
O meu sangue entrou em combustão.
—Fala de mim sua vagabunda, mais não toca no nome dos meus filhos. Bastardos se eles fossem filhos seus sua piranha de quinta.
Puxei o cabelo dela com tanta força que os fios negros se soltavam na minha mão, esmaguei a cara dela na parede, peguei a caneca de cerveja amanteigada e despejei em seu cabelo seboso.
—Fica longe de mim, compra um gato e cuida das sete vidas deles – falei lançando um feitiço de proteção impedindo que os outros se aproximassem, puxei a cabeça e trincando os dentes sussurrei em seu ouvido – Se não me deixar em paz eu vou te dar uma surra tão grande que nem vão te reconhecer, seus amiguinhos que você anda dando por aí vão ter que achar outro brinquedinho. Porque é isso que você é, um brinquedinho nas mãos de Draco e das desses homens que vem nesse bar apenas para passar a mão em você.
Soltei-a jogando-a na mesa que me olhou assustada.
—Você vai me pagar Hermione...
Ela avançou para mim tentando puxar meu cabelo, típico do tipinho dela e eu soltei a mão na sua cara, deixando meus dedos impressos ali enquanto ela caia no chão. Puxei o cabelo dela e a levantei por eles.
—O que está acontecendo Hermione? Por que você está fazendo isso com minha funcionária? – Perguntou Rosmerta.
—Porque a sua funcionária, Madame Rosmerta, só tem cara de santa, esse é apenas um aviso. Se ela se meter de novo na minha vida ou na vida dos meus filhos eu vou fazer bem pior que apenas deixar meus dedos impressos nessa cara de vadia dela.
Assovios e risadas foram ouvidos.
—Toma aqui sua funcionária – joguei Alice para ela – E que fique bem avisado, se alguma coisa acontecer com Enzo e Sophia, se eu perder a guarda deles porque você foi enxerida eu volto aqui e acabo com o resto da sua dignidade.
—Alice, me diga que você não fez isso? – Perguntou Rosmerta visivelmente nervosa.
—Só mais uma coisa – falei quando estava na porta do bar – Lava a sua boca antes de xinga-los de novo, se eu escutar o nome deles na sua boca arranco a sua língua e te arrebento sua magrela.
Escutei apenas os assovios das doze pessoas que estavam no bar e aparatei no portão de casa uns dez quilos mais leve. Fui direto para a cozinha preparar um lanche para mim, não queria acordar Pops, toda aquela adrenalina tinha me dado muito mais fome e na casa de Harry era difícil ter comida quando Gina não estava lá. Não me fiz de rogada, peguei logo três pães, três ovos e tudo que eu tinha direito, posso dizer que estava morrendo de fome.
Preparei tudo sem me importar com a hora avançada, e preparei uma jarra de suco de abóbora, arrumei tudo na mesa e me sentei. Eu não gostava de violência, mas estava em êxtase por extravasar.
—Hermione? – Perguntou uma voz rouca no meu pé do ouvido.
—Draco, o que faz em casa uma hora dessas? – Perguntei olhando no relógio da parede, não era nem uma hora e ele nunca chegava menos de três horas da manhã, principalmente hoje já que os gêmeos não estavam em casa e ele tinha um compromisso com a tal de Rosalie.
—Eu estava dormindo, escutei o barulho e vi que você ainda não tinha chegado – reparei que ele usava o velho calção e a camisa de manga longa que sempre usava para dormir – É tudo para você?
Ele apontou para meus três super sanduíches e rimos.
—Era, mas posso te dar um. Só um entendeu? – Brinquei, ele se sentou ao meu lado e pegou o sanduiche menor.
—Só um então. – concordou.
Comemos em silêncio o tempo todo e apenas os dois foi o suficiente para mim. Não puxei assunto mesmo vendo que ele estava com vontade de falar algo, e muito menos falei do ocorrido de mais cedo. Lavei os pratos, trouxamente, e Draco apenas ficou calado me olhando arrumar as coisas.
No domingo ele também não saiu de novo e ficou o tempo todo em casa no escritório. Dava para ver que estava chateado com o que aconteceu, mas eu não tinha coragem o suficiente para abordar o assunto. Depois do almoço eu o convidei para irmos ao jogo dos Cannons e, por incrível que pareça, ele aceitou.
Na segunda chegamos juntos no Ministério e o fato não passou despercebido pela secretária fofoqueira que abriu um sorriso enorme e entregou nossos documentos.
Foi um longo e cansativo dia.
Passamos o dia ajudando nos interrogatórios de alguns ex-comensais, o que não estava dando em nada. Como a Sra. Figg tinha avisado, no fim do dia a inspetora ligou, ao invés de ligar para mim a jararaca ligou de uma hora para outra para Draco falando que ia nos inspecionar e pedindo o novo endereço.
—Acha que ela vai nos contar sobre a denúncia? – Perguntou Draco.
—Vai falar que suspeita de nós, ela me odeia.
Dito e certo. A mulher olhou toda a casa nos mínimos detalhes e anotava tudo na prancheta dos infernos.
—Por que essa cordinha aqui? –perguntou a mulher que era a encarnação feminina de Voldemort, só pode – Por acaso vocês dois estão separando a cama?
—Não senhora Gomes, é que gostamos de sexo selvagem e na última noite eu prendi meu marido aí – respondi naturalmente e a mulher arregalou os olhos – Acho que a senhora sabe como é, arroz com feijão todo dia é sem graça.
Senti Draco segurar o riso do meu lado com a mão estrategicamente colocada no meu ombro e me segurei para não rir também.
—Bom é que devido ás circunstâncias que vocês estão cada detalhe conta.
—E eu acho que fazer sexo selvagem é comum entre todos os casais não é mesmo? Não vejo motivos para anotar isso então, é pessoal. A vida sexual minha e do meu marido só cabe a nós dois.
A diaba nem se abalou com a grosseria. Depois de uma hora e meia de tortura e de nos encher de perguntas sobre a casa e como é que estávamos nos preparando para receber as crianças ela foi embora, mas não antes de nos importunar com um: Eu aparecerei quando menos esperarem.
—Eu odeio essa vaca – bati a porta quando ela se foi – É sério! Essa mulher é o cão chupando manga.
Draco riu e isso me irritou mais ainda.
—Quer saber, eu acho que ela não gosta de mim. Ela é uma puro sangue com preconceitos idiotas, porque pra aquela vaca de quinta eu nunca vou ser uma boa mãe para Enzo e Sophia.
—Relaxa, ela não encontrou nada de errado. Com certeza passamos na primeira inspeção. – tranquilizou-me Draco.
—Relaxa? Ela desconfiou por que havia uma cordinha em cima da cama, ela é o cão de saias.
Eu tinha quase certeza que podia matar um facilmente.
—Eu acho que até o meio da semana que vem vamos ser chamados para trazer os gêmeos, Kingsley falou algo comigo sobre uma reunião com o Conselheiro Chefe e eles querem tirar os gêmeos do Orfanato o mais urgente possível porque os aurores a paisana viram um grupo de homens vigiando o local. – Draco me contou.
Suspirei e coloquei minha cabeça entre as mãos com os cotovelos encostados nos joelhos.
—Não sei se fico feliz ou preocupada.
—Fique os dois – respondeu Draco – Vai dar tudo certo.
—Espero.
A semana passou muito rápido com mais duas visitas surpresas da inspetora que vigiava nossa vida como um cão de Guarda. Continuamos com o lençol, mas sempre que levantávamos tirávamos.
No Ministério, a semana foi regrada de interrogatórios de comensais e planos para a missão que tirava o sono de muita gente além do meu.
Kingsley, apesar de ser o Ministro e ansiar pelas regras, era meu amigo e no final de semana nos avisou sobre a última conversa com o Chefe dos conselheiros, a adoção seria aprovada e provavelmente na segunda feira já iriamos buscar os gêmeos para morar com a gente e assinarem os papéis provisórios da adoção na segunda-feira se tudo desse certo.
O fato de tanta pressa era a ação dos capangas de Fabricio Melgaço que entraram num confronto com alguns dos aurores e nesse caso aumentaram as certezas deles que os gêmeos realmente pudessem estar lá.
O final de semana foi um dos melhores que já tive. Finalmente estávamos nos dando bem e tínhamos nos acostumado com a presença um dos outro, ele já não saia mais de casa nem durante a semana e quando saia nunca chegava depois das nove da noite.
Pela primeira vez parecíamos agir em conjunto principalmente quando o assunto eram os gêmeos. Juntos, decidimos coloca-los na escola bruxa que havia sido aberta há alguns anos, a escola recebia alunos de cinco a onze anos e foi criada pelo Ministério da Magia para as crianças bruxas depois dos vários acidentes que sempre ocorria nas escolas trouxas por bruxos pequenos que não controlavam seus poderes. Ted e Victória estudavam lá além de Fléur e Cho trabalharem como professoras e Neville que lecionava herbologia duas vezes na semana no local.
Eu já não estava que mais me aguentando de ansiedade para receber os dois e Draco também, já que me ajudava com tudo.
O único problema era a atração que eu sentia pelo loiro que era grande e eu só conseguia me controlar por causa do acordo que fizemos, mas vê-lo vestido de roupas normais era uma coisa, de roupas de dormir era a tentação em pessoa. Tentava controlar esses pensamentos devasso me concentrando em outra coisa, sem sucesso. Eu acabava dormindo em chamas toda a noite.
Na manhã de segunda acordei cedo e ele já não estava mais do outro lado do lençol. Só o encontrei na cozinha todo arrumado e estranhei já que estávamos de folga por causa da audiência.
—Vai sair? – Perguntei passando manteiga no pão.
—Nós dois vamos sair, temos que resolver algumas coisas antes da audiência. – ele respondeu – De lá vamos direto para o Ministério.
Sem entender subi, vesti um vestido preto com branco que eu realmente amava e terminei de me arrumar muito rápido. Saímos da casa e do lado de fora ele comandou a aparatação.
—Onde estamos indo? – Perguntei enquanto andávamos pelas ruas movimentadas de Londres.
—Bom, lembra que você disse que precisaríamos de um carro? Acho que não podemos levar elas para a escola todos os dias usando portais e duvido muito que vamos poder usar as lareiras.
Ponto para ele. Novamente me surpreendeu e não escondi o sorriso de satisfação.
—O que estão pensando em comprar? – Perguntou o vendedor prestativo.
—Ainda não sabemos. Quando resolvermos te chamamos. – Draco respondeu rude.
O homem nem insistiu e se afastou.
—O que você está pensando? – Perguntei.
—Gosto de sofisticados, carros discretos.
—Eu gosto de esportes e resistentes – ri, até nisso erámos diferentes – Mas eu deixo você escolher, já tenho um Jipe verde, pena que ele não está aqui.
Ele revirou os olhos e caminhou até um sedã preto modelo 2006 muito bonito.
—Gostei desse. – Ele falou.
Pov. Draco Malfoy
Preferi um mais sofisticado e discreto, não me surpreendi quando ela falou que gostava de esportes e apenas acenei para o vendedor que veio sem graça.
—Queremos esse. – Falei para o homem.
—Espera não é assim – riu Hermione – Tem que ver o preço primeiro.
—Eu vou pagar.
—De jeito nenhum Draco, envolve Enzo e Sophia, então eu faço questão de pagar.
—Eu te trouxe aqui porque vou pagar – falei já me estressando, ela era tão orgulhosa que dava nos nervos – Eu insisto.
—E eu insisto mais ainda.
—Por que vocês não dividem? – Sugeriu o homem, nessa altura eu já nem me lembrava dele.
Solução rápida e fácil, mas não satisfatória.
—Tanto faz – Dei de ombros – Pode pegar a papelada.
—Espera, tem que ver alguns detalhes primeiro. Posso ver o motor?
O vendedor foi até o capô do carro e abriu.
—Hermione, pra que você quer ver o motor do carro? Desde quando você é mecânica? – Zombei, mas ela me ignorou.
De repente ela começou a conversar com o vendedor sobre cada detalhe daquela máquina trouxa falando palavras que eu nunca vi na vida. O vendedor ficou empolgado e se juntou a ela numa discursão grega. O máximo que eu sabia era dirigir e o básico para tirar a carteira de motorista trouxa.
Foram quase uma hora de bate papo mecânico e finalmente assinamos as drogas dos papéis e com um dinheirinho a mais, saímos com o carro que ela fez questão de dirigir.
—Desde quando você entende tanto de carro? – Perguntei divertido.
—Sei lá, eu tenho queda por carros. Todos os tipos deles. – Ela respondeu dando de ombros.
Almoçamos e seguimos direto para audiência que não demorou muito a começar. Nos sentamos lado a lado e segurei sua mão, não por aparência, mas porque ela realmente estava muito nervosa. O conselheiro falou um monte de coisas inclusive sobre a denúncia fazendo renascer o ódio que eu sentia por Alice.
E enfim a notícia que tanto esperamos. E mesmo não querendo admitir, eu estava nervoso e ansioso para receber.
—... E com tudo que foi apresentado e a urgência do caso, Sophia e Enzo receberam provisoriamente o nome Granger Malfoy. Os pais querem fazer a mudança do primeiro nome? – Perguntou o Chefe do Conselho de adoção.
Ouvir as palavras pais no plural me pegou de surpresa, mas não deixei transparecer e Hermione respondeu por nós dizendo que gostava dos nomes. Antes de assinarmos os papéis eles ainda fizeram algumas ressalvas e nos avisou das visitas repentinas, das prestações de contas que teríamos que fazer e das entrevistas para saberem se erámos realmente um casal e se conhecíamos um ao outro durante a terapia de casal que teríamos que fazer a cada quinze dias.
Assinamos os papéis e depois que fomos liberados para buscar as crianças. Saímos da sala ficamos parados do lado de fora, Hermione sorria até com os olhos encarando a parede e de onde eu estava escutava a batida acelerada do seu coração.
—Conseguimos. – Ela falou por fim.
—Conseguimos. – Concordei sorrindo.
Surpreendi-me com seus braços em volta do meu pescoço e o abraço repentino que ela me deu, apenas retribui. Eu estava feliz, muito feliz. E não era só porque o trabalho que tivemos tinha sido recompensado, mas porque ela estava feliz.
Passei a mão pelos cabelos dela e ela me olhou com os olhos brilhando e um sorriso enorme. Não sei dizer se foi o brilho ou o sorriso que me hipnotizou, simplesmente a puxei para um beijo. Senti meu corpo se eletrizar aos sentir seus lábios nos meus, segurei firme na cintura fina dela e a puxei para mais perto enquanto minha língua pedia passagem e ela dava sem resistência alguma.
Foi um beijo suave e ao mesmo tempo intenso. Senti meu corpo inteiro se excitar com o dela tão próximo depois de tanto tempo, a última vez que nos beijamos tinha sido no casamento a mais de um mês e se não tivéssemos ali, num corredor movimentado teria quebrado o acordo de “sem sexo” ali mesmo.
Nos soltamos quando o ar faltou e eu dei mais um selinho ainda de olhos fechados nos lábios macios. Só abri quando senti o corpo dela se afastar e suspirei vendo a burrada que tinha feito por beija-la.
—Er... Eu... – Gaguejei vergonhosamente.
—O Chefe dos Conselheiros estava aqui perto, foi por isso não foi? – Hermione perguntou olhando o homem que virava o corredor.
—É foi por isso – menti – Temos que manter as aparências.
Os olhos dela se abaixaram um pouco e ela suspirou, decepcionada? Bom, pelo menos foi isso que me pareceu naquele momento. Ela segurou numa das minhas mãos dizendo um “pra fingir melhor” ressentido e caminhamos em silêncio até a saída para irmos buscar as crianças.
Eu queria dizer para ela que não foi por causa do conselheiro, que tinha sido por vontade própria, só que me sentia covarde demais para falar qualquer coisa porque tínhamos feito um acordo idiota que eu queria realmente que não existisse apenas para poder pega-la de jeito e senti-la sobre mim.
Nem percebi que estávamos chegando ao Orfanato a não ser pelos gritos animados de Enzo e Sophia que já nos esperavam dentro da propriedade, na porta da entrada do local com a Sra. Figg. Enzo pulou no pescoço de Hermione e eu me assustei ao sentir os braços de Sophia ao redor das minhas pernas, sorri para a garota e me deixei levar pela felicidade dos três pegando-a no colo também.
—Vamos embora daqui tio Draco. — Sophia falou sorrindo de orelha a orelha.
—Vão sim pirralha.
Depois de Hermione abraçar centenas de vezes a Sra. Figg e agradecê-la mais um milhão colocamos as poucas coisas das crianças no porta-malas e os ajudamos a colocar o cinto de segurança.
Conversamos a estrada inteira e eu os vi rir metade do caminho e me contagiando com aquele momento. Passamos na sorveteria e compramos muito sorvete já que provavelmente Harry, Gina, Ted, Luna, Rony e Lilá iriam para lá para comemorarem.
Assim que entramos uma faixa feita pela ruiva e loira escrita “Sejam bem vindos Sophia e Enzo” estava pendurada. A barriga de Lilá estava enorme e ela estava de péssimo humor, mas nem isso atrapalhou a comemoração que fazíamos.
Os gêmeos estavam em jubilo e Hermione mais ainda. Não ficava longe deles nem um minuto, os enchendo de beijos e carinhos o tempo todo, conversaram sobre a escola e Ted ficou animado em começar junto com eles no começo de janeiro, já no meio do ano letivo.
Quando já estava tarde, os outros foram embora nos deixando sozinhos. Fui para a cozinha levar as louças para Pops e voltei para a sala onde os gêmeos já dormiam e Hermione também.
—Vamos levar eles para o quarto? – a chamei.
Ela esfregou os olhos com uma das mãos e se levantou pegando Sophia que era mais leve enquanto eu carregava Enzo, o garoto estava de pijama e já estava bem mais pesado do que na primeira vez que eles foram para a cobertura.
O deitei na cama e ela colocou a Sophia na dela que acordou.
—Eu queria continuar assistindo. – Ela falou com uma voz manhosa.
—Você já estava dormindo Sophia. – Riu Hermione.
—Eu também queria. – Falou Enzo.
—Acho bom vocês dormirem antes que eu ache que carreguei quase noventa quilos pelas escadas porque estavam mentindo. – Cruzei os braços olhando para eles.
—Podem dormir agora, já está passando da hora – falou Hermione dando um beijo em Enzo e outro em Sophia – Boa noite meus anjos.
Fomos para a porta do quarto e ela desligou a luz.
—Boa noite mãe. – os dois falaram juntos.
Fechei a porta sem dar importância e quando vi que não estava sendo seguido, parei para olha-la parada na porta deles ainda.
—O que foi?
—Você escutou? – Ela perguntou estática.
—Escutei o que? A campainha tocou?
—Não Draco – ela falou abrindo um enorme sorriso, o sorriso mais lindo que já a viu dar na vida – Eles me chamaram de mãe.
A morena começou a rir e me juntei a ela. Se fosse em outro caso eu acharia exagero, mas naquele não. Ela tinha lutado muito para conseguir a guarda deles e sabia que aquelas palavras deveriam ter mexido muito com ela. Passei a mão pela sua cintura e a puxei para um abraço que foi calorosamente correspondido.
—Eles me chamaram de mãe. – repetiu.
—É claro que te chamaram, você é a mãe deles.
Não teve como não se empolgar com aquilo, cada confusão, cada sacrifício e cada decisão precipitada naquele momento valeu a pena. Por que tudo não foi por aquilo? Tudo que eu fiz, mesmo que muitas das vezes agindo inconscientemente era para ver aquele sorriso no rosto dela. Mesmo não a conhecendo muito durante sua época de escola, pela primeira vez vi a Hermione Granger que tanto odiei durante minha adolescência.
Aquela sabe tudo irritante que me deu um soco, que tirava os melhores amigos do perigo, que os abraçava quase os sufocando, que ria alto. Era como se eu visse a verdadeira Granger feliz depois de tanto tempo, não que ela estivesse sendo falsa antes, e sim porque agora ela parecia pela primeira vez completa.
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