Dramione - Fotografias
17 Narcisa Malfoy
Notas iniciais

Pov. Hermione Granger
Mãe, aquela palavra significava tanto para mim que quando eu fui ver já estava completamente entorpecida por ela. Era como se tudo finalmente fizesse sentido, como se cada palavra, cada lágrima, cada briga, cada mentira finalmente valesse a pena.
Eu estava perdidamente apaixonada pelas duas criaturas de cabelos cacheados que faziam parte da minha vida e me sentia uma verdadeira leoa protegendo suas crias. Se antes eu queria saber o que Fabricio Melgaço queria com eles, agora então nem se fala.
Minha rotina teve que ser alterada, antigamente eu almoçava no Ministério, agora eu comia em casa e aproveitava as duas horas de almoço. Na parte da manhã eu resolvia o que tinha que ser resolvido como as missões fora do Ministério e de tarde quando dava para trazer para casa aproveitava para voltar mais cedo. Como não iam para a escola por agora, só no começo de janeiro, a Sra. Weasley tinha se oferecido para ficar com eles durante o período da tarde para dar uma folga a Pops e pouco antes de voltar para o serviço do almoço eu os levava para ela, pela lareira.
Eu não sabia se era por vontade própria ou se Enzo e Sophia realmente tinham algum truque magico, mas a cada dia que passava eu via Draco mais próximo deles, aos poucos eu via “pirralhos” se transformando em Gatinha e Garotão. Os dois estavam com nós há pouco mais de dez dias, e ele já tinha feito essa mudança chamando Sophia de gatinha quando estavam na piscina e ela não queria entrar porque não sabia nadar e ele a incentivou a chamando assim. Os olhos dela brilharam como nunca, ela era simplesmente encantada por Draco de todas as formas e eu via que ela causava o mesmo efeito nele, mas eu preferia não dizer nada.
Era o último dia de trabalho antes do feriado de natal, vinte e três de dezembro daquele frio de 2005. Eu e Harry estávamos montando uma armadilha para Fabricio Melgaço, procurando alguma forma de nos infiltrarmos e conseguir pelo menos alguma coisa desse homem, enquanto Draco ajudava os outros aurores a fazer os interrogatórios que cada vez vinham em mais nada de nada, sem nenhuma noticia que realmente pudesse nos ajudar.
A história se complicava porque infelizmente para montarmos qualquer plano de infiltração tínhamos que saber por que ele queria os gêmeos e sabermos com quem estávamos lidando.
—Eu queria socar a cara do Lúcio – falou Draco escancarando a porta da sala número um, a nossa – Acredita que ele não teve coragem de falar nada? Só que eu avisei, ele não falaria nada e sabe o que é pior? Eu sei que ele sabe de alguma coisa. Se antes eu desconfiava, agora eu tenho certeza.
—Como você sabe disso?
–Eu conheço o crápula Mione – sim ele me chamava de Mione de novo, depois de me chamar assim durante um tempo e depois do sumiço e me chamar apenas de Hermione, ele me chamava pelo apelido que todos próximos a mim me chamavam e também nem percebia essa mudança – Sei cada truque daquele maldito.
—Calma Draco – me aproximei dele, sua mão tremia minha mesa – Você não devia ter participado desse interrogatório, eu falei para ir no seu lugar...
—Eu não quero que você chegue perto do meu pai Mione, você não merece chegar perto dele tenho certeza que ele apenas te magoaria com os preconceitos bestas dele e do Lorde que ele teme.
Ele continuou com raiva, e instintivamente passei a mão pelo meu braço, a marca parecia tão exposta quando alguém tocava nesse assunto mesmo que não diretamente. Não que eu sentisse vergonha do que sou, isso jamais. Eu sempre fui uma Sangue Ruim e me orgulhava disso. Mas quando envolvia comensais e esse preconceito, lembranças sempre vinham e eu fugia delas há muito tempo.
—Vamos para casa. – Ele me chamou olhando para a minha mão sob o braço.
—Está muito cedo, não acha? – Perguntei, não fazia nem duas que tínhamos voltado do almoço.
Nos últimos seis dias ele também ia para casa almoçar comigo com a desculpa de economizar, mas eu sabia que não era por causa disso.
—Eu prometi que ia levar a Sophia e Enzo no treino dos Cannons, Rony e Gina me deram passes livres. –contou pegando suas coisas.
Eu sorri com a cena, Draco levando Enzo e Sophia para o treino, ele se virou para mim com uma ruga de preocupação e eu desfiz o sorriso.
—Eu fiz mal em prometer isso sem falar com você? – perguntou – Eu não queria passar por cima das suas decisões.
—Não, não... Fez muito bem, eles estão loucos para ver os padrinhos jogando, as roupas da Sophia ela mesmo escolhe e as do Enzo também, pode usar a lareira para pega-los na Toca. Vê se convence Enzo a usar botas de frio, tem muita neve, ele odeia, mas tente fazer essa mágica – eu ri e ele também – As chaves do carro estão penduradas perto da porta, e tem dinheiro na minha caixinha, é o dinheiro que eu separo para leva-los nos lugares, eles comem de tudo e são famintos, mas são meio tímidos em pedir as coisas ás vezes...
—Que isso Mione? Se eu vou leva-los porque não posso pagar? – ele falou sorrindo seu típico sorriso de lado – Eu vou bancar hoje e vou aproveitar que você não está perto para fazer isso, eu não posso gastar um sicle com os dois que você reclama.
—É só...
—Relaxa, se eu não puder nem leva-los ao campo de treino dos Cannons e comprar algo para eles comer, eu posso fazer o que então?
Bufei e ele riu, infelizmente ele estava certo.
—Tudo bem, tenta frear Enzo, bem provável dele querer voar e nesse frio pode ficar resfriado.
—Pode deixar capitã. Mais alguma coisa?
—Não pode ir.
Ele deu a piscadela Malfoy de ser e saiu. É sério! Esse loiro vai acabar me matando. Já fazia um mês e tantos dias que eu não fazia nada e ele só dificultava a minha vida sendo tão lindo assim.
Fiquei muito tempo reunida com Harry e Kingsley passando a minha proposta e as sugestões dos meus chefes finalizaram a missão, já sabíamos o que tínhamos que fazer e anunciaríamos a missão somente no começo de janeiro enquanto Harry selecionava mais aurores para a missão.
Usei a lareira e fui direto para casa, ainda estava cedo, nem cinco horas ainda e fui ao mercado mais próximo de casa comprar algumas coisas para o jantar. Preparei estrogonofe de frango, salada de folhas com tomate e arroz carreteiro, eram os pratos preferidos que minha mãe sempre fazia para mim quando era pequena.
—Mãeee... Foi incrível mãe, cadê a senhora? Mãe... – Gritou Enzo da sala.
Fui até a sala e não deixei de rir dos dois, Enzo estava com um monte de bugigangas dos Cannons desde apitos, luva, camisa, boné, chaveiro e até uma mochila e Sophia apenas segurava a mesma mochila numa versão mais feminina com as mesmas coisas que Enzo, só que dentro dela.
—Se os Chudley Cannons perderem o próximo jogo a culpa é dos seus filhos, Hermione – brincou Draco tirando o casaco ensopado e colocando no cabide – Nem o treinador prestou atenção com eles lá, ficou o tempo todo debatendo quadribol com Enzo, e terminou os treinos uma hora antes.
—Mãe foi demais, o padrinho defendeu uma goles super-rápida da tia Gina e fez uma pirueta na vassoura pra gente. – Contou Enzo quicando no mesmo lugar enquanto eu o livrava de tudo que estava pendurado nele.
—Vocês não voaram, né? – Perguntei.
—Não, mas bem que queria pegar o pomo – contou Sophia fazendo uma careta – O tio Draco não deixou, falou que íamos pegar um resfriado.
—E iriam mesmo, eles estão acostumados Sophia, a imunidade deles é bem maior do que a de vocês. Tem que ter paciência meu anjo.
Ela apenas concordou com a cabeça e me deu um beijo me abraçando.
—Foi tão legal mamãe, tio Draco comprou feijãozinho e chocolate quente. Eu queria voltar lá mamãe, o tio Paulo disse que podemos voltar quando quisermos. – Falou Sophia com um enorme sorriso.
—Quem é tio Paulo?
—O treinador dos Cannons mamãe. – Respondeu Enzo como se fosse óbvio demais.
—O tio Draco pode levar a gente de novo quando tiver mais quente? – Perguntou Sophia.
—Não sei, você tem que ver com ele. – Falei o olhando.
Ela se soltou de mim e se sentou no colo dele, era a primeira vez que eu o via a colocando no colo sem ser a hora de leva-la para cama quando ela dormia no sofá, eu vi ali que aquela viagem dos três tinha os aproximado ainda mais.
—Tio Draco o senhor vai levar a gente de novo não vai? Por favorzinho.
—Me pedindo desse jeito, como eu vou negar? – Draco respondeu rindo – Acho que você está se tornando a cópia perfeita da sua mãe, o convívio não está sendo bom. Uma Mione é um perigo, duas... É demais para minha sanidade mental.
Sophia o abraçou e saiu correndo com Enzo para tomarem banho antes do jantar.
—O que está acontecendo Draco Malfoy? – Perguntei de braços cruzados – Se não te conhecesse diria que esta comendo na palma da mão de uma mulher, e não é uma mulher qualquer, ela tem apenas sete anos.
—Eu não sei o que está acontecendo comigo – ele falou rindo – Essa menina é a pessoa mais perigosa do mundo. Na verdade os dois são um terror, precisava ver os jogadores do Cannons pareciam um bando de bobões musculosos tentando agradar as crianças.
Rimos juntos e ficamos nos encarando por alguns segundos, os olhos dele estavam no tom mais claro de azul cinzento que eu já tinha visto e isso acelerou meu coração.
—Eu vou subir para ajuda-los e tomar banho – falei um pouco perdida – Pode colocar a mesa?
—Claro.
Subi os degraus da escada correndo, eu não sei o que estava acontecendo comigo, a única coisa que sei era que estava completamente perdida naqueles olhos. Ele estava tão diferente desde o dia que fomos dedurados no Orfanato. Por mais que meu lado racional gritasse para mim que era apenas por culpa, o irracional tomava conta de mim dizendo que talvez, só talvez, ele realmente tivesse mudando mesmo.
Pov. Draco Malfoy.
Se eu falasse que nada tinha mudado era mentira. A casa com Enzo e Sophia era diferente de quando apenas eu e Mione morávamos sozinhos. Eu sentia falta de sair no começo depois da confusão, mas agora eu nem me importava porque nunca era mesma coisa com os gêmeos aqui.
Em poucos dias eu me via envolvido com os dois e como se viessem num pacote só, me via mais envolvido com Mione. Ela tinha nascido para aquilo, tinha nascido para ser mãe de Enzo e Sophia e sempre sabia exatamente o que fazer na hora certa.
Sophia e Enzo desceram primeiro enquanto eu ainda arrumava o suco de abóbora. Mione desceu poucos minutos depois com um cropped e uma saia longa, como sempre linda para meu desgosto.
Jantamos a comida maravilhosa dela, outra coisa que eu havia descoberto, a aventureira sabia cozinhar quando queria. Não deu para comermos em silêncio e eu gostava disso, mesmo sendo criado num mundo diferente onde se tinha que ficar calado o tempo todo, Enzo e Sophia eram a encarnação da alegria e especialmente naquele dia estava em êxtase graças aos chocolates quentes e Cannons, uma mistura perigosa para crianças de sete anos.
—... e o padrinho prometeu que vai me levar no dia do jogo e dar a primeira volta comigo no dia que começar o campeonato... – Contava Enzo.
Ele parou de falar de uma vez e olhou para a janela apontando para lá onde uma coruja estava na janela.
—Não reconheço, deve ser alguma “amiga” sua de novo. – Mione deu de ombros.
Levantei-me e fui até lá porque a chance de ser uma delas era grande, quase todos os dias chegava alguma aqui já que eu tinha trocado de número. Peguei a carta e me surpreendi, não era de nenhuma delas, era da minha mãe.
Um pouco antes de interrogar meu pai eu havia mandado uma carta para ela, pensei que demoraria a chegar até ela pensando que Narcisa Malfoy estivesse longe e se a coruja chegou tão rápido, era sinal que ela estava por perto, e quando digo por perto quero dizer a Mansão Malfoy.
Eu imaginava que se meu pai soubesse da história de Enzo e Sophia, ela também saberia. Não escondi nada dela, contei sobre os gêmeos e o porquê de eu e Mione estarmos casados, eu realmente não sabia qual seria a reação dela, sabia que igual a mim, minha mãe tinha sequelas intermináveis da guerra e tinha mudado bastante inclusive seu preconceito, o que era muita coisa por hora.
A gente pouco se via, e eu sabia que ela sentia minha falta, temi que ela não respondesse depois de tanto tempo sendo omisso com ela.
—Está tudo bem tio? – Perguntou Enzo.
—Está sim – falei – Já que terminaram, vão para sala assistir um pouco de televisão que eu preciso falar com a mãe de vocês.
Os dois nem reclamaram e Mione se levantou preocupada caminhando para o meu lado.
—O que aconteceu?
—Bom, hoje cedo antes de interrogar meu pai eu imaginei que se ele soubesse de alguma coisa havia apenas uma pessoa que poderia saber também – falei minha teoria – Escrevi uma carta para a minha mãe contando toda a verdade e perguntei se ela sabia de algo, e se ela me respondeu tão rápido...
Dois segundos e a carta já estava na mão de Mione que rasgou o envelope e pegou o pedaço de pergaminho.
“Draco,
Olha meu anjo, eu não achei ruim a sua decisão e nem vou julga-lo. Confesso que fiquei magoada por não me contar pessoalmente e pelos meses que ficamos sem nos corresponder. Eu realmente estou preocupada com a possibilidade dos filhos da Hermione serem mesmo as crianças que Fabricio Melgaço está atrás. Acho que posso ajuda-los, se eles forem mesmo as crianças tenho muito que lhes contar e tenho certeza que será de muita ajuda.
Venham me ver amanhã na véspera de Natal. Sei que, provavelmente, vão ter algum compromisso para o Natal, mas prometo ser bem rápida e objetiva. Estou realmente preocupada e não é só com você, estou preocupada com Hermione e com meus netos também, independente de qualquer plano de vocês, enquanto estiverem juntos é assim que eu os vejo. E não posso simplesmente escrever tudo numa carta, é muito arriscado e ainda sim não conseguirei escrever tudo.
Esperarei por vocês, Narcisa Black Malfoy.
Ps: Sabe onde me encontrar.”
Terminamos de ler confusos, era a cara da minha mãe fazer a gente ir lá apenas para falar pessoalmente quando podia escrever tudo numa carta. Bufei alto e nem escutei a campainha tocar.
—E aí o que vamos fazer? – Perguntei.
Mas ela não me respondeu, apenas colocou um dedo entre os lábios pedindo silêncio e eu finalmente entendi o que era, a inspetora insuportável veio fazer mais uma visita surpresa.
—Não acha que está meio tarde? – Perguntou Enzo na porta junto com Pops.
—Também é bom te ver Sr. Malfoy – ela falou com cara de nojo, mas o garoto sorriu, provavelmente por ser chamado de Malfoy, ele adorava seus sobrenomes Granger Malfoy – É só rotina, gosto disso tanto quanto vocês.
—Duvido muito. – Bufou Mione.
A mulher recomeçou a inspeção, encheu as crianças de perguntas e foi direto nos quartos (sorte que sempre que levantávamos tirávamos sempre a cordinha que nos separava) terminou tudo e desceu as escadas, só acompanhávamos de longe, deixando as crianças na sala.
—Bom, acho que vou ficar um tempo sem inspecionar. – Ela falou entregando a prancheta para eu assinar.
—Que pena! – Disse Mione com um sorriso.
A mulher fingiu não escuta-la.
—Tenho um recado para dar. A terapia de vocês foi marcada para o dia 30 desse mês, sabem que essas seções são mais uma investigação do que uma terapia por causa do deslize do Sr. Malfoy – ela disse com um sorriso vitorioso – Se acham minhas inspeções invasivas ainda não viram a terapeuta, ela vai investigar vocês bem a fundo. E eu já vou lhes avisando, se isso for uma farsa pra burlar o processo de adoção ela vai descobrir.
—Sabe o que você faz com esses avisos... – Comecei irritado, mas fui interrompido por Mione.
—A senhora já pode ir Sra. Gomes, está tarde e as crianças tem horários para deitar.
—Claro, claro. – concordou com um sorriso irônico.
Pops acompanhou a mulher odiosa pela porta e nós quatro nos jogamos no sofá.
—Ela é uma bruxa caroca, mamãe, não liga para ela. – Sophia abraçou Mione.
—Não me importo com ela meu amor.
—Tio Draco – Enzo chamou minha atenção – o que ela quis dizer com deslize?
Quase engasguei com o ar, tinha me esquecido que tanto Enzo quanto Sophia eram espertos demais para a idade deles e tive mais vontade ainda de esganar a inspetora.
—É coisa de adulto meu amor, um dia você vai entender. – Respondeu Mione no meu lugar, ela sempre me tirava das perguntas que eu não conseguia responder – Agora vão escovar os dentes que eu logo vou subir para continuar com a história de vocês.
Os dois se levantaram e subiram as escadas nos deixando sozinhos enquanto Pops arrumava a mesa.
—O que vamos fazer em relação a minha mãe? – Perguntei baixo, apenas para ela ouvir.
—Acho que temos que ir lá. Mas o problema é Enzo e Sophia, não sei se ela vai aceita-los bem.
—Ela já os chama de neto, Narcisa Malfoy pode ter feito tudo, mas ela não é a mesma mulher de antes. Eu quero que ela os conheça e que tenha convívio com eles.
—E depois quando nos separarmos? Vai ser doloroso perder a avó e você ao mesmo tempo, eu conheço meus filhos, Draco, e eles estão completamente envolvidos com vocês.
Foi bom ouvir aquilo dela, porque de uma certa forma eu também me sentia envolvido com eles.
—Não é porque vamos nos separar que você precisa afasta-los dela ou de mim – falei calmo – Mas depende de você, você decide se vamos ou não lá.
Ela ficou pensativa e não me respondeu de imediato, subiu para o quarto das crianças levando o livro com ela. Mesmo sabendo que era errado, me encostei na porta deles e escutei ela conversando com os dois que pareceram aceitar conhecer mais uma avó, estavam achando o máximo porque agora iriam ter três: Molly, a mãe de Mione e agora a minha mãe.
Quando ela terminou de ler foi para o nosso quarto e assim que deitou me deu a resposta, que era a mesma que a dos gêmeos. Sim.
Assim que o relógio despertou na manhã seguinte, Mione acordou muito mais cedo do que o normal, enquanto continuei deitado apenas escutando ela arrumar as coisas. Ela desceu dizendo que ia pedir Pops para preparar um lanche para levarmos. Fiquei mais um tempo deitado, não sabia como seria esse reencontro com minha mãe, já fazia tempo que não a via. Vesti roupas pesadas e não me incomodei em pegar roupas reservas, a mansão Malfoy tinha muita coisa boa minha e eu não tinha mudado tanto desde os últimos quatro anos. Desci e tomei o café da manhã sozinho.
—Onde estão os gêmeos? – Perguntei para Pops.
— A Sra. Malfoy os levou para arrumarem, Pops já fez o lanche para a viagem dos senhores, mas minha senhora está muito inquieta Sr. Malfoy. Ela está bem? – a elfa prestativa, perguntou.
—Acho que sim Pops, eu vou subir para vê-los.
Deixei o resto do meu café da manhã no balcão e subi até o quarto dos gêmeos. Mione estava agachada arrumando o cachecol de Sophia e nem percebeu que eu estava ali.
—A senhora está nervosa mamãe? – Sophia tocou o resto dela com carinho.
—Não meu amor, só preocupada. – Mione beijou a palma da mão dela.
—A senhora não gosta da casa da vovó Narcisa? – Perguntou Enzo.
—Não é isso meu anjo, é que aconteceu muita coisa e ir lá significa muita coisa para mim.
—Tio Draco, será que podemos ir só nós três e mamãe ficar? – Perguntou Enzo para mim fazendo Mione se levantar e me olhar um pouco assustada.
—Por que dessa pergunta? – Perguntei ao menino.
—Mamãe não está bem – respondeu Sophia – Se a senhora quiser mamãe, eu fico aqui com a senhora.
—Está tudo bem meus amores, vamos logo que ainda temos que voltar hoje. – Falou Mione disfarçando.
Enzo e Sophia me olharam preocupados e Mione entregou as mochilinhas dos Cannons deles os apressando.
—Vamos jantar fora hoje – falei segurando o braço dela assim que passava por mim – Tem algum restaurante que você quer ir?
—Er.. Tem um, no centro de Londres. Eu jantava com meus pais nas vésperas de Natal. – Ela respondeu meio surpresa.
—Então vamos lá hoje se quiser, os dois vão gostar – falei intrigado, alguma coisa estava muito errada com ela – Mione o que...
—Já estamos atrasados Draco, já são quase dez horas da manhã e está nevando muito, as estradas estão muito escorregadias.
Ela se soltou e desceu as escadas, eu queria falar com ela, perguntar o que estava acontecendo. Mas ela não permitia isso. Ajeitamos os gêmeos no banco traseiro e ela ligou o aquecedor já que fazia muito frio.
Durante todo o caminho Mione ficou calada enquanto apenas eu conversava com Enzo e Sophia, volta e meia olhávamos para ela que apenas sorria. As ruas estavam quase intransitáveis e demoramos mais do que pensamos a chegar lá, já era quase duas horas da tarde quando entramos na estrada que levava a mansão.
Abri os portões da mansão, que cresci e passei a odiar, com apenas um aceno de varinha e dirigi para a entrada da garagem a estrada da mansão estava quase cem por cento coberta. Enzo e Sophia pareciam animados quase pulando no banco do carro, mas eu não prestava atenção neles naquele momento, apenas em Hermione.
Ela encarava a parede da garagem séria, a mão sobre o braço esquerdo coberto e com uma respiração lenta que poderia passar despercebida pelas crianças, mas não por mim. Assim que destranquei as portas do carro ela saiu e foi soltar o cinto de segurança de Enzo.
—Draco meu filho. – Falou minha mãe com os braços já abertos.
Não podia negar, sentia muita falta da minha mãe. Narcisa tinha aquela aparência severa, mas em nenhum momento da sua vida deixou de me proteger do jeito dela. A abracei e senti as lágrimas pesadas dela no meu pescoço.
—Senti saudades mãe. – Falei sincero.
—Eu também senti a sua meu amor.
Soltei-me das mãos dela e fui até carro, peguei numa mão de cada e puxei os tímidos Granger Malfoy que estavam perto de Mione.
—Bom, mãe esses são Enzo e Sophia filhos da Hermione.
Narcisa olhou séria para eles durante alguns segundos, mas se agachou para ficar da altura deles.
—Acho que só ele percebeu que são dele também – ela falou séria, mas piscando para os dois – Acham que sou muito velha?
Os dois negaram com a cabeça um pouco tímidos.
—Ótimo, esse era meu maior medo – ela sorriu de lado para eles – Podem me chamar de vovó ou vó sei lá, não estou acostumada com isso.
Os sorrisos dos dois foram enormes que a abraçaram de surpresa, e pronto. Já tinham conquistado mais um coração como sempre faziam com todas as pessoas que os conhecia.
Hermione se aproximou deles e sorriu para a minha mãe que conversava animadamente com as crianças contando sobre os presentes que tinha comprado para eles.
—Acho que já a conhece mãe. Está é Hermione, minha esposa para todos os efeitos.
Os olhos das duas se cruzaram. Mione não desviou o olhar, era como se conversassem por eles. Pensei em tocar noutro assunto, mas preferi deixar de lado e as deixarem resolver.
—Muito obrigado por nos convidar á sua casa Sra. Malfoy, é muito bom saber que você está disposta a nos ajudar com meus filhos. – Mione quebrou o silêncio enquanto a empregada da família levava os gêmeos para dentro.
—Só Narcisa, por favor, Hermione. E não há de que – respondeu Narcisa com um aceno – Vamos entrar por favor, querem algo para comer ou já querem ir direto ao escritório?
—Enzo e Sophia devem estar com fome, eles poderão comer algo enquanto podemos ir conversar. Falou Mione rígida.
—Claro – concordou Narcisa – Maria sirva algo para as crianças e peça para o elfo levar alguma coisa para tomarmos no escritório.
Minha mãe entrou na frente, e nós logo atrás dela. Seguimos direto para o escritório, mas quando passamos pela sala Mione parou e a mão dela se soltou, contra minha vontade.
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