Dramione - Fotografias
8 Morango e Chocolate
Notas iniciais

Hermione levantou com uma sensação boa, como se cada músculo do seu corpo estivesse relaxado mesmo tendo se esforçado muito no dia anterior. Passou a mão pelos lábios e sorriu com a lembrança de Draco a beijando, sentiu como se as mãos dele ainda estivessem ali e se abraçou.
Ela sabia que sentia alguma coisa pelo rapaz, mas se negava a aceitar com todas as forças que fosse mais que apenas desejo. Gostava da voz dele, do jeito emburrado quando ele ficava com ciúmes ou quando fazia coisas para ela apenas para agradá-la. Draco até aquele momento estava no primeiro e segundo lugar das melhores transas da sua vida.
O relógio despertou poucos minutos depois mesmo ela estando acordada, tomou um banho relaxante e vestiu uma roupa simples para receber as crianças e a inspetora. A sala já estava completamente limpa da sua noite de prazer com Draco e apenas se sentou ansiosa no sofá da sala zarpando pelos canais e deixando num desenho animado. A campainha tocou e seu coração se aqueceu.
—Bom dia. – a inspetora lhe cumprimentou.
—Bom dia. – Falou Mione olhando não vendo as crianças.
—Eu subi primeiro para fazer a inspeção – falou séria a mulher baixa e de óculos fundo de garrafa – Com licença.
A mulher começou a andar pela casa fazendo anotações, parecia um pouco rígida demais, ao contrário das outras pessoas que trabalhavam no orfanato. A Sra. Figg, por exemplo, era seu apoio lá dentro, sempre lhe dando dicas pra conseguir se aproximar das crianças, sobre o processo de adoção além de passar ela na frente de um casal que queria adotar os dois.
—O quarto que vão dormir é lá em cima? – Perguntou a inspetora.
Mione guiou a mulher até o quarto das crianças, ela analisou tudo até chegar ao closet e um sorriso um tanto debochado apareceu nos lábios da mulher.
—Você investiu muito naqueles dois. Brinquedos, roupas, livros... A casa está aprovada, mas não devia ter tantas esperanças assim Srta. Granger ainda mais por ser solteira. Suas chances são poucas, ainda mais agora com todo esse risco sobre os dois, no máximo conseguirá adotar um e isso é cruel. Deveria desistir e deixar outro casal adota-los sem os separar.
Ela abriu a boca duas vezes para tentar responder, mas não conseguiu. Sentiu como se um golpe atingisse seu estômago, quem aquela mulher pensava que era? A mulher ignorou a raiva nos olhos dela e saiu do apartamento sem nem ao menos se despedir.
Mione ficou parada na porta da sala, ainda tentando entender. Poucos minutos depois a mulher voltou com as duas crianças e aparatou.
—Tia! – Enzo gritou a despertando.
—Oi meu anjo – abraçou os dois ao mesmo tempo – Que bom que vocês vieram, estava ansiosa e com saudades.
Sophia deu beijo tímido no rosto de Mione que retribuiu a apertando com força e enchendo a garota de beijos que apenas ria. Os três entraram e eles ficaram extremamente animados com a casa, andaram por todos os lugares enchendo-a de perguntas o tempo todo, e ela respondia com o maior prazer cada uma delas.
—Quem quer conhecer o quarto? – Ela perguntou depois de mostrar o seu próprio.
—Eu... Eu... – Gritaram em uníssono.
Ela pegou numa mão de cada e os levou até a porta do outro lado do corredor, colocou as mãos dos dois na maçaneta e os incentivou a abrir pegando sua câmara menor. A cara dos dois quando abriram a porta eram impagáveis, os olhos de Sophia brilhavam em cada detalhe e eles riam animados com tudo aquilo, nem pareciam acreditar que era real.
—É tudo nosso? – Perguntou Enzo.
—Tudo pra vocês.
Enzo pegou um caminhão da coca cola e ficou olhando estupefaço para ele sem dizer uma única palavra apenas brincando. Já Sophia caminhou devagar até o closet, pegou um grande urso panda e começou a fazer carinho nele.
Mione se sentou na cama apenas os olhando e batendo algumas fotos, captando cada expressão, cada brilho no olhar, cada coisa nova que eles descobriam ali. Já era quase onze horas quando os chamou para descer e ambos se ofereceram para ajudá-la.
Aos poucos iam começando a se entrosar como nunca antes, Sophia finalmente parecia ter perdido a vergonha dela e também a chamava de tia, ao invés de “Mione” e isso era um grande progresso.
—Tia e aquele homem que estava com você? Ele não vem? – Perguntou Sophia.
—Ele é meu parceiro no trabalho, deve estar descansando. – Respondeu Mione.
—Eu gostei dele. – Enzo abriu um sorriso ladino.
—Sério? Mas você nem falou com ele. – sorriu Mione, encantada.
—Mas eu gostei dele tia, ele é legal. – Enzo deu de ombros.
Mione riu com o garoto, tinha esquecido que eles eram inteligentes demais para idade que tinham.
—Eu o acho bonito. – Falou Sophia vermelha e Enzo a olhou mais vermelho que ela.
—Ele é velho demais pra você.
Mione e Sophia caíram na gaitada deixando o menino sem graça.
—Não vejo graça. – Bufou Enzo.
—Eu não vou casar com ele – riu Sophia – Ele é sempre ciumento.
—Percebi mesmo – brincou Mione – E mudando de assunto, gostou das roupas Sophia?
Pronto, a conversa entre as duas era intensa enquanto Enzo revirava os olhos e apoiava a cabeça nas mãos em cima do balcão. Mione volta e meia passava por ele e acariciava seu rosto e ele gostava disso, se fazendo de mais enfezado ainda.
A campainha tocou e Mione limpou as mãos no pano de prato, mas Enzo foi batendo os pés na frente e ela.
—Ele é sempre assim?
—Sempre – respondeu Sophia segurando em sua mão – Ele diz que odeia coisa de menina.
As duas riram atrás do garoto e o escutaram abrir a porta.
—Você! Até que enfim um homem. Odeio papo de meninas. – Falou o garoto.
Draco olhou para o garoto que abriu a porta, batia acima da sua cintura e tinha os olhos claros e cabelos enrolados. Não deixou de rir ao escutar o que o menino disse e olhou mais adiante onde Mione lhe olhava com um sorriso de canto nos lábios, e com certa curiosidade.
—Elas estão te dando muito trabalho? – Perguntou Draco ao garoto.
—Roupas e maquiagem, eca.
Ele riu de novo e Mione também que segurando a mão de Sophia caminhou até eles, surpreendendo-o com um beijo no rosto do loiro que a puxou pela cintura e deu outro no rosto dela, bem mais demorado. Olhou para baixo e a garota de cabelos longos o olhava com brilhos nos olhos, enquanto o menino os olhava com nojo.
—Eca. – desdenhou Enzo se jogando no sofá fazendo os três rirem.
—Entre! – convidou Mione, ela mesmo não sabia por que estava tão empolgada com a vinda dele – O que você veio fazer aqui?
Ele olhou para as crianças e depois limpou a garganta.
—Er... Eu sabia que você ia esquecer o sorvete e achei que podia compensar os dois pela sua cabeça de vento.
Os olhos dos dois se arregalaram e eles correram para olhar as sacolas em sua mão.
—É de que? – Perguntou Sophia.
—Chocolate e morango, eu trouxe calda também. – Respondeu Draco.
—Podemos tomar agora? – Perguntou Enzo.
—Agora não, apenas depois do almoço – respondeu Mione e ele concordou correndo para a cozinha com a irmã para guardar na geladeira – Muito obrigado por ter vindo, não precisava se incomodar.
—Incomodo algum – ele falou sincero – Estou morrendo de fome, não tem comida nessa casa?
Ela riu de orelha de orelha e pegou na mão dele. Estava feliz por ele estar ali, era como tudo tivesse completo com Draco por perto e estranhou ter essa sensação, na cozinha logo o loiro estava mexendo nas panelas olhando e conversando com as duas crianças.
—Está com a cara ótima. – Elogiou Draco – Bom, tudo fica com a cara ótima quando Blás queima até o Miojo.
Sentaram-se no balcão da cozinha, Draco e Mione de um lado enquanto Sophia e Enzo comiam do outro. Ela não sabia explicar o que sentia, mesmo sendo ainda jovem estava disposta a adotar aqueles dois na sua frente, eles tinha ganhado completamente o seu coração com simples atitudes.
Eram crianças espertas, inteligentes demais para a idade deles e se parecia muito com ela. O almoço foi tranquilo e a sobremesa mais ainda, eram crianças curiosas encheram Draco de pergunto e mesmo chamando os dois sempre de Pirralhos, eles pareciam gostar do loiro, gostavam da sinceridade dele e do modo como às vezes ele ficava azedo de uma hora para outra.
Tomaram sorvete no chão da sala e Mione ficou encarando Draco por algum tempo, a calça preta e a camisa com dois botões abertos além daquele sorriso cafajeste que nunca saia do seu rosto. Ela tinha se acostumado com isso. Sentiu-se atraída por ele, não sabia como ele conseguia tão facilmente atrai-lo dessa forma e reprimiu o pensamento de sua mente.
—Tia... – Chamou Sophia sacudindo ela.
Mione parou de olha-lo e voltou sua atenção para Sophia.
—Eu estava perguntando o que vamos fazer esse fim de semana? – a garota repetiu a pergunta que tinha feito.
—Er... – Ela olhou para Draco que piscou para ela – Podemos ir na Toca. Tem um monte de gente querendo conhecer vocês, querem ir?
—Vai ser legal, não vai ter só um monte de meninas falando de maquiagem, vai? – Perguntou Enzo.
Ela e Draco riram.
—Não, vai ter um monte de gente ruiva, alguns morenos, mais alguns loiros e provavelmente um garoto de cabelos verdes ou azuis, não sei o que aquele menino vai usar, e ele é meu primo. – Respondeu Draco.
—Então vai ser legal. – Respondeu Enzo fazendo uma careta sem entender o que Draco disse.
Os dois riam e ele se juntou a eles, menos Sophia que ficou calada e encarando sua taça de sorvete.
—O que foi meu amor? – Perguntou Mione.
—Nada. – Ela respondeu rápido.
—E essa sua cara azeda é por nada. – Draco revirou os olhos.
Sophia mostrou a língua para ele, que riu dela.
—Não vai fazer nada? – Perguntou Draco para Mione.
—Você mereceu – respondeu Mione rindo para o loiro – Sophia, porque você está assim? Não quer ir para a Toca?
—Não é isso tia, é só que... Lá tem um monte de gente que não conhecemos e... Er...
Ela parou de falar e mordeu o canto com da boca.
—E você acha que não vão gostar de você? – Perguntou Draco e Mione olhou para ele sem entender.
—É. – Respondeu a garota.
Mione sorriu para a garota e segurou na mão dela fazendo carinho e Sophia esboçou um meio sorriso.
—Por que eles não gostariam de você? – Perguntou calmamente.
—Eu não sei, talvez porque ainda não somos sua família de verdade. E se me acharem chata ou feia?
Mione abraçou a menina e Draco riu alto. A morena lançou um olhar feroz para o loiro que continuou rindo.
—Qual é o seu problema? – Perguntou nervosa.
—O problema é que a pirralha aí está ficando louca. – Respondeu dando de ombros.
—Eu não sou louca! – Falou Sophia furiosa.
Ele a encarou e parou de rir encarando a pequena, era tão parecida com Mione que passaria por filha dela em qualquer lugar. Até mesmo o jeito e a voz quando ela ficava nervosa. Era incrível, pensou Draco.
—Draco você não está ajudando muito. – Reclamou Mione.
—Ela é louca sim! Por que quem em plena consciência conseguiria te achar feia, Sophia?
As bochechas de Sophia ficaram extremamente vermelhas e ela abriu um lindo sorriso enquanto ele piscou para ela. Mione ficou o encarando, incrédula, e ele fingiu não ver ela o olhando daquela forma, deu uma boa colherada no sorvete e voltou a olhar para a televisão ligada ignorando a morena.
A tarde foi divertida, jogaram vídeo game, foram até o playground do condomínio. Mione se divertia muito com as duas crianças, e da sua forma mais reservada Draco também enquanto ele tentava afastar todos os pensamentos e avisos que seu cérebro insistia em mandar para ele. Alerta vermelho!
Mesmo todo o seu corpo pedindo para ele ir embora para sua casa e ligar pra uma das suas amiguinhas, ainda sim não conseguia reagir, pelo simples fato de sentir que algo estava o prendendo ali.
Jantaram pizza e assistiram uma grande variedade de desenhos que ele estava até gostando, mesmo não confessando nem em um milhão de anos. Draco tinha se acostumado com o mundo trouxa quando a maioria dos bruxos viraram as costas para ele quando o fim da Guerra ainda era recente.
Encostou a cabeça para trás e seus olhos foram pesando, sentiu uma mão macia e quente tocando seu ombro e acordou assustado.
—Desculpa te acordar – pediu Mione sem graça – Preciso de ajuda para leva-los para cama.
Ela apontou para os dois pequenos que dormiam no sofá. Estralou o pescoço ainda meio zonzo e pegou a menina que estava mais perto dele, subiram as escadas e Mione levava Enzo. Deitou a menina na cama e se sentou na beirada, teve vontade de passar a mão nos cabelos dela, mas reprimiu.
—Boa noite pirralha.
Foi tudo que ele falou, mas como na noite anterior uma mão o segurou. Elas tinham que ser tão parecidas? Perguntou-se internamente.
—Você vai com a gente para a Toca? – Perguntou a menina sonolenta.
—Eu não sei, acho que não. – respondeu.
—Por favor, vai com a gente – ela pediu – Vai ser mais fácil ter alguém que gosta de mim lá.
Os olhos da menina lacrimejaram.
—Todo mundo vai gostar de você. – Respondeu a ela.
—Só que eu ainda não gosto deles, eu não os conheço, mas eu conheço e gosto de você.
Ele sorriu sem saber o que fazer, aquela menina tinha até mesmo o dom de Mione de deixa-lo sem palavras. Respirou fundo e se levantou.
—Tudo bem, eu vou com vocês. Passo aqui cedo. – Falou Draco tentando manter uma voz neutra.
—Obrigado – ela falou se virando para o canto – Boa noite tio Draco.
Ele e afastou sem olhar para ela e saiu do quarto deixando apenas Mione terminar de colocar as crianças para dormir. Desceu as escadas e ia abrindo a porta quando escutou ela descer as escadas.
—Estava indo sem se despedir de mim? – Perguntou com uma voz, aparentemente, magoada.
—Eu... Er... Pensei... Você precisa dormir. – Gaguejou.
—Eu escutei você prometendo para ela que vai vir amanhã, se não for vim eu te entendo.
Fechou a porta que estava entreaberta e deu cinco passos para se aproximar dela. Segurou sua cintura puxando-a e passou a mão pela nuca dela dando-lhe um beijo, era urgente e ele sabia que ela também queria esse beijo. Soltaram-se devagar e ofegantes.
—Eu não descumpro minhas promessas, eu vou estar aqui ás oito horas. Quero todo mundo pronto, odeio esperar.
Saiu pela porta da frente e aparatou no corredor feliz e com raiva ao mesmo tempo: Feliz porque tinha um motivo para voltar, e com raiva por se sentir feliz com isso. Ele realmente estava confuso.
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