Dramione - Fotografias
9 Fuga
Notas iniciais
Ás sete horas tanto Sophia quanto Enzo estavam de pé. O sol já estava esquentando a manhã de domingo e dali a poucos minutos eles não estariam mais ali, estariam na famosa Toca que Mione tanto falava.
Após fazer o café da manhã mais saudável que pode, Mione os levou para se arrumarem. Estava ansiosa e não era com medo da reação dos dois com sua família postiça, mas porque Draco iria com eles.
—Esse aqui é lindo, tia Mione. – Falou Sophia.
—Muito lindo mesmo. Vem deixa eu te ajudar. – Mione saiu dos seus pensamentos.
Ajudou Sophia a vestir o vestido vermelho com algumas flores brancas, penteou o cabelo dela e era incrível como os cachos da garota não se desfaziam. Colocou uma tiara vermelha com uma grande flor e a menina calçou uma rasteira de dedo ficando muito linda.
–Está perfeita Sophia. – elogiou Enzo entrando no quarto.
—Agora é sua vez de ficar perfeito.
O garoto revirou os olhos e a irmã dele entrou no closet para procurar alguma coisa para ele enquanto Mione apenas a olhava trabalhar. Sophia foi até o armário dele e pegou um calção infantil xadrez branco com azul e depois até os cabides pegando uma camisa branca e um colete escuro, terminou pegando um tênis preto e entregou tudo a ele.
—Agora vista que a gente vai esperar o tio Draco. – Mandou Sophia.
Enzo olhou para a irmã saindo do quarto e junto com Mione começaram a rir. Ela o ajudou a vestir e exatamente como Sophia, os cachos dele tinham temperamento próprio.
O garoto se olhou no espelho e deu uma volta se olhando de um lado para o outro enquanto Mione o olhava encabulada.
—Acho que estou bonito. – elogiou-se dando de ombros.
—Muito modesto. – Brincou com Mione.
Os dois desceram e ficaram assistindo televisão enquanto ela se arrumava o mais rápido possível, vestiu um vestido curto preto com flores brancas e desceu correndo as escadas. Draco estava lá embaixo estirado no sofá com os dois e Sophia estava toda empolgada conversando com ele que apenas acenava prestando atenção no que ela dizia.
—Desculpa a demora. – Falou Mione.
Draco abriu a boca para falar algo e deixa-la irritada, mas novamente lhe faltaram palavras. Ela estava linda, o vestido deixando suas coxas a mostra e marcando bem sua cintura. Não era uma roupa sofisticada, talvez trouxa até demais, só nela ficou perfeito. Ela desviou os olhos dele e seus cabelos pesados balançavam de um lado para o outro em cachos não armados exatamente iguais ao de Sophia só que um pouco mais comprido.
—Vamos? – Ela perguntou com o seu silêncio.
—Claro, você na frente.
Ela entrou com Enzo na rede de Flu e os dois desapareceram, sem jeito ele segurou na mão de Sophia que abriu um sorriso nervoso para ele.
—Relaxa, você vai estar comigo. Os holofotes vão estar em mim e na minha beleza. – Brincou e a garota apertou mais ainda sua mão.
Poucos segundos depois os quatro estavam na sala da Toca. A Sra. Weasley deu um grito de susto e em seguida veio em passos rápidos os encontrar.
—Esses então são meus novos netos? – Perguntou a Sra. Weasley.
Os olhos dos dois brilharam com essas palavras e Mione sentiu seu coração aquecido. Os Weasley eram a sua família e ver Molly tratando seus futuros filhos como netos, era muito bom, mesmo ela não estando junto com Rony.
—Posso abraça-los? – Perguntou Molly.
Enzo era o mais saidinho, abriu os braços pra mulher que, mesmo já estando com certa idade avançada, o ergueu do chão e o encheu de beijos. Ele gostou e um sorriso enorme se formou em seus lábios.
—E como chama o príncipe? – Ela perguntou carinhosa.
—Me chamo Enzo, Sra. Weasley. – Ele respondeu educado.
—Não me chame de Sra. Weasley, assim você magoa meus sentimentos – ela brincou e ele ficou sério com medo de ter a machucado – Me chame de vó, está bem?
Ele apenas balançou a cabeça e voltou a sorrir.
—E a princesa? Não vai me dar um abraço?
Sophia balançou a cabeça um pouco nervosa e apertou mais forte ainda a mão de Draco que deu um leve empurrão nela. As duas se abraçaram e o mesmo sorriso de Enzo se abriu em nela.
—Eu me chamo Sophia... vó. – Ela falou envergonhada.
Os olhos de Molly se encheram de lágrimas e ela abraçou novamente a menina por chama-la assim. Dando confiança suficiente para ela finalmente soltar a mão de Draco e passar o outro braço pelo pescoço da mulher.
—Agora vamos conhecer o resto do pessoal? – Perguntou Mione e os dois confirmaram com a cabeça.
Os três saíram da sala e o próximo a cumprimenta-los foi Arthur Weasley, e os dois já o chamaram de vô de cara. Estavam bem menos tímidos quando finalmente chegaram ao restante da família.
Draco apenas ficava observando os três, Mione sempre ao lado deles e em poucos minutos os dois tinham conquistado todos. Harry era o mais animado. Estava adorando a ideia de ser tio, e Draco o entendia, Harry finalmente depois de sofrer tanto tinha uma família, não de sangue, mas com laços mais forte ainda e enorme.
De longe sentado junto com Carlinhos e Gui, ele observava tudo. O Chefe dos Aurores nem parecia ser aquele homem com uma cicatriz na testa que todos tanto temiam e respeitavam, estava deitado no gramado do jardim com Sophia. Lilá estava na cozinha junto com Fléur e a Sra. Weasley enquanto Rony estava no jardim com eles, também não parecia o mesmo jogador de quadribol, parecia apenas o menino, que ele não gostava quando estudavam em Hogwarts, rindo alto e ensinando Enzo a jogar xadrez bruxo.
—E aí? Cadê os meus sobrinhos? – Perguntou Gina chegando com Luna, Ted e Neville.
Ele apontou para onde eles estavam e ela puxou a mão de Ted, o garoto ficou com os cabelos vermelhos de vergonha quando se sentou no chão ao lado deles fazendo quase uma roda bagunçada. Lilá saiu da casa junto com Victoria, a menina loira foi para o grupo no chão, mas a mulher grávida se sentou a mesa junto com eles com uma cara fechada.
Gui revirou os olhos e Carlinhos fingiu fazer vômito, nenhum deles parecia gostar muito dela. Draco apenas riu. Os últimos membros da família que Draco já estava começando a fazer parte a mais de dois anos chegaram, Percy e Jorge chegaram com várias Gemialidades Weasley e Victoria e Ted correram para eles. Pouco atrás deles vinha Zabini junto com Simas e Dino. E finalmente estavam todos ali.
Zabini logo estava conversando normalmente com Mione, bem mais rápido do que Draco e ela depois de tanta rivalidade. Sophia e Enzo pareciam estar em êxtases, riam o tempo todo e conversavam animadamente com cada um.
Após o almoço a maioria se reuniu no mesmo lugar. Draco se sentou entre Harry e Mione, e quase não conversava. Sentia-se estranho, mesmo gostando de tudo aquilo. Aos poucos ele foi vendo o casal de gêmeos conquistando cada um ali, Enzo sempre mais alegre e empolgado, nunca recusava uma brincadeira e Sophia toda inteligente e esperta com o sorriso lindo no rosto encantando a todos até mesmo Lilá.
Finalmente Draco percebeu o que incomodava ele ali no meio. Não era a felicidade dos gêmeos, não era porque se sentia excluído, e isso era obvio já que todos ali pareciam aceita-lo, era porque ele via a felicidade de Mione e se sentia feliz com ela.
Isso que o incomodava. Nunca se importou tanto com a felicidade de alguém, mas a dela simplesmente era contagiante a ele. Os outros riam e brincavam, faziam graças como numa verdadeira roda de família, mas a felicidade de nenhum deles importava mais que a dela. Cada vez que ela sorria ou fazia uma pergunta animada para os futuros filhos dela, ele se entorpecia. Era como uma droga, assim como fazer sexo com ela. Mione era viciante de todas as formas possíveis para ele.
Seu peito se apertou. Não queria se sentir assim, não queria sentir o que estava sentindo. Ele viu Rony levantar Enzo do chão com os pés e Mione tirando uma foto que com certeza ia ficar linda. Lilá bufou e fingiu não ver o sorriso de Rony ao vê-la sorrir, mas Draco continuou a olha-los.
Rony desceu Enzo que saiu correndo com Ted, Victoria e Sophia atrás para brincarem com os brinquedos das Gemialidades, e o ruivo puxou Mione para se sentar de novo ao lado dele. Ninguém ali pareceu se incomodar ou notar realmente a aproximação dos dois, nem mesmo Lilá, talvez já estivessem acostumados, mas ele não. Ficou os encarando sem nem ao menos se preocupar em desviar o olhar, viu a hora que Rony passou uma mão pelo ombro dela e a puxou pra perto e ela mostrou as fotos para ele.
Alguns se levantaram e Harry se sentou do outro lado dela passando a mão pela cintura da amiga. Mesmo com quase todos ao redor dela para olhar as fotos, ele reparou apenas nos três no chão, o trio de ouro.
Ela disse algo que de onde ele estava e com a barulheira, não pode ouvir. Todos riram, provavelmente de uma foto engraçada, mas ele focou apenas nos três como se fosse em câmara lenta. Mione abriu o sorriso mais lindo do mundo e olhou para Harry que também sorria, um sorriso de irmandade e puxou Gina para ver também. Ela virou para Rony e ele retribuiu o sorriso, mas não era o sorriso de irmandade que nem o de Harry, era diferente. Era como se ele estivesse rindo não por causa da situação, mas somente pelo simples fato dela rir, simplesmente pelo simples fato dela respirar.
Um filme passou por sua cabeça, uma mistura de ciúmes e de confusão. Ciúmes por ela rir junto de Rony, ciúmes por ele estar com o braço ao redor do pescoço dela, ciúmes por Rony estar ali e não ele. E estava confuso com tudo aquilo, confuso por não entender o que sentia, confuso por estar confuso.
—Ele ri assim porque gosta dela – falou Lilá se sentando ao lado dele e passando a mão pela barriga – Eu me acostumei com isso, ele sempre fica assim perto dela. Parece um bobo apaixonado rindo o tempo todo pelo simples fato dela rir, e se me desculpa falar Draco, te vi rir do mesmo jeito.
No começo ele não entendeu, não teve tempo de pensar no que ela disse, pois uma partida de quadribol estava perto de começar no jardim dos Weasley. Harry de um lado ele do outro e assim eles foram dividindo os times, e ele se esqueceu um pouco de tudo, realmente gostava de quadribol.
Quando o sol já tinha quase se posto pararam de jogar. Aos poucos os outros foram indo embora, Zabini ia passar na casa de Susana Bones na tentativa de reconquista-la, ele estava apaixonado na bruxinha e tentava esquecê-la por tudo, só que não conseguia resistir por muito tempo.
A casa estava quase vazia quando Mione os chamou para ir embora.
—Eles são lindo Mi – disse Gina – Parece seus filhos mesmo. Tem certeza que Sophia não é você usando o vira-tempo?
As duas riram e Gina os beijou enquanto Sophia e Enzo acenaram para cada um deles inclusive Victoria e Ted. Ele foi na frente com Enzo e poucos segundos depois Mione apareceu na sala de estar.
Ela mandou os dois subirem para tomar banho e se jogou ao lado dele no sofá, exausta com a câmara e fotos na mão.
—Posso? – Perguntou para as fotografias na mão dela.
Ela lhe entregou.
—Obrigada de novo! – ela falou o olhando com carinho – Eu nem sei como te agradecer. Parece que nos últimos dias é a única coisa que faço.
Os dois riram.
—Por nada.
—Eu vou subir para ajuda-los a se vestir, daqui a pouco eu desço para preparar o jantar. Espere aqui.
Ela lhe deu um beijo na testa e subiu correndo. Draco passou as fotos uma por uma olhando tudo, eram ótimas, Mione sabia o ângulo exato e a luz perfeita para cada uma. Havia várias de Sophia e Enzo, mas ele se surpreendeu com as dele, tinha muitas ali, pelo menos umas cinco dele sozinho.
Ele parou numa foto, não tinha sido Mione que bateu, provavelmente Luna. Ele estava olhando para Mione sem nem ao menos piscar, ela sorria seu sorriso mais bonito enquanto ele simplesmente sorria por vê-la feliz. Era um sorriso besta, ele pensou. Tirou aquela foto do meio das outras e continuou passando até chegar em outra que Luna também tinha batido, Mione estava com o mesmo sorriso a cabeça um pouco inclinada para trás os dentes a mostra fingindo uma cara de indignação e do lado dela sem piscar olhando e rindo estava Rony.
Pegou a foto que tinha separado e se arrependeu de fazer isso, ele e Rony tinham o mesmo sorriso besta. O mesmo sorriso que ambos só tinham quando viam Hermione Granger sorrir, porque para os dois o que importava era a felicidade dela.
As palavras de Lilá clarearam sua mente: “Parece um bobo apaixonado rindo o tempo todo pelo simples fato dela rir, e se me desculpa falar Draco, te vi rir do mesmo jeito.”
Não podia ser. Levantou-se de uma vez e quando viu estava saindo pela porta e mesmo a voz de Mione chamando por ele não voltou.
Ele finalmente entendeu tudo aquilo.
Não podia vê-la triste, ninguém o atraía mais que ela, o seu mundo parecia girar ao redor daquela morena que anos atrás ele odiava com todas as forças. Estava com ódio dela, estava com ódio do mundo, estava com ódio de tudo. Por que ela tinha que voltar? Estava tudo perfeito antes dela chegar.
Entrou na sua própria casa e ignorou completamente Zabini que estava com alguém e se jogou na cama olhando o teto.
Ele não conseguia acreditar naquilo, estava se apaixonando pela Mione... Mione não, Granger. Pensou furioso.
Não podia se deixar apaixonar. Seu coração era blindado, sempre foi e tinha prometido para si mesmo nunca se deixar levar por mulher nenhuma e não era agora que ia quebrar essa promessa interna, já tinha visto homens demais caírem por uma mulher, mas ele não ia deixar isso acontecer. E ele era egoísta, egoísta o suficiente para machucar o coração dela no instante que se apaixonasse, porque ele era assim, ruim. Tinha que fugir, tinha que achar uma rota de fuga.
Pensou nas possibilidades, a primeira era ficar bem longe dela, nada de contato que não seja altamente profissional. A segunda era esquecê-la... Queria fingir que ela era uma porta, só isso, sem importância, queria convencer seu coração.
Sentou-se na cama, pensou em mais rotas de fugas. Harry nunca iria troca-lo de parceiro e pedir demissão não ia ser a coisa mais inteligente que poderia fazer.
—Outra rota de fuga. Pensa Draco, pensa Draco... – Falou para si mesmo.
Um estalo se formou em sua mente, mesmo não sabendo se ia funcionar pegou o celular. Discou os números sem muita vontade e deixou chamar.
—Alô. – Falou a voz feminina.
—Alô Paola, é o Draco. Preciso te ver...
Outras mulheres seria sua rota de fuga, mesmo o único corpo que lhe atraia atualmente era o de Mion... Hermione Granger. Ele estava se apaixonando e queria fugir, tinha que fugir.
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