Pov. Mione.

Eu não conseguia respirar direito em nenhum segundo, tudo depois da notícia de Paola passou rápido demais enquanto eu tentava não cair no desespero como eu queria fazer naquele exato momento.

Já não estávamos mais na Toca, estávamos na minha casa onde a cada cinco minutos, entrava ou saia alguém por ordem de Draco que estava na mesa tão desesperado quanto eu, tentando colocar as coisas no lugar. Paola havia desmaiado após falar aquilo e estava amarrada no chão da sala.

Os aurores conseguiram retirar a Maldição Imperius dela ainda dormindo, não foi difícil Melgaço já havia enfraquecido a maldição porque ele queria que ela nos contasse. Melhor. Ele queria que ela me contasse.

Devo ter ficado sentada naquele lugar encarando o nada durante mais de uma hora após acordar, depois de ter sido obrigada a dormir com uma poção do sono que eu não queria tomar. Ela não funcionou muito, o efeito era para ter durado mais que apenas duas horas, mas até meu inconsciente sabia que meus filhos estavam em perigo.

Antes fosse eu. E o que eu estava fazendo sentada ali? Perguntei vendo mais uma vez Aline voltar com Jean Carlos e Simas. Levantei-me, eles haviam me obrigado a dormir depois de ter ficado desesperada e afobada durante muito tempo. Subi as escadas e fui direto para o meu closet, vesti uma calça laica preta, uma regata branca e um sobretudo da mesma cor escura do coturno já que ainda estava muito frio e não era nem sete horas da manhã, mas fazia nove horas que os gêmeos estavam desaparecidos.

Desci a mão para a minha barriga. Ela não havia crescido nenhum centímetro ainda pelo que eu via no espelho, ainda estava na quinta semana e apesar de não apresentar nenhum volume isso não me impedia de ama-los também. Acariciei minha barriga com volume inexistente e senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

–Vocês vão ter que ficar bem quietinhos meus amores – falei baixinho – A mamãe vai ter que buscar seus irmãozinhos e não sabe o que vai acontecer, eu sei que não me entendem, mas vão ter que ser bem fortes aí, tentem colaborar que vou proteger vocês enquanto procuro por eles.

Enxuguei as lagrimas com as costas da mão, desfiz o ninho do meu cabelo e prendi num rabo de cavalo, enxuguei bem meu rosto e tirei toda a maquiagem com apenas um feitiço pratico. Desci as escadas e o movimento estava menor do que antes, agora que todos estavam seguindo as ordens.

Não havíamos avisado Gina e Harry, não tínhamos o direito de fazer isso com eles, não na lua de mel tão merecida por ambos. Fui na direção da mesa onde Rony e Draco discutiam algumas técnicas com Theo, Nathanael, Dino, Miguel, Walisson, Simas, Aline, Natalia, Jeovane e até mesmo Rafael.

–O que vamos fazer por hora? Perguntei.

–Olha, eu não acho uma boa ideia você ficar aqui hoje, Hermione – falou Draco – você está cansada e abalada...

–Você também está da mesma forma que eu. Falei séria.

Ele foi pego de surpresa pelas minhas palavras e eu me vi nos olhos dele, parecia igual a mim, ali naquela sala naquele momento apenas nós dois sentíamos a mesma coisa. Apenas nós dois nos sentíamos desesperados porque o que mais temíamos aconteceu, Melgaço havia pegado Enzo e Sophia.

–Eu sei que estou, mas é diferente. Eu tenho que fazer isso, sou mais que o pai deles, sou o Chefe dos Aurores.

Ele parecia carregar o mundo nas costas e eu sabia que ele estava carregando, e queria ajuda-lo com esse peso.

–Eu também tenho que fazer isso, não quero ser prepotente, mas vamos ser realistas – falei me sentando na outra ponta da mesa – Se tem alguém que acharia Melgaço, essa pessoa sou eu, ele deixou isso bem claro.

Theo e Simas me lançaram olhares preocupados, mas não disseram nada.

–Tudo bem. Ele falou suspirando cansado.

Eles me mostraram tudo que estava planejando, os mapas dos lugares que podíamos procura-los inclusive o laboratório que estávamos investigando há dias. Só que aquilo para mim parecia perda de tempo, ele não esperaria... Melgaço não estava com planos de encarcerar as crianças, ele queria logo seus elixires, isso eu tinha certeza.

–Paola ainda não acordou? Perguntei assim que Nathanael terminou de falar e mandar um grupo ir para o sul.

–Ainda não. Respondeu Natalia olhando para trás.

–Eu e meu parceiro queremos interroga-la. Falei para Draco.

Ele me encarou por alguns segundos e apenas acenou confirmando.

–Simas, Aline e Jean, a levem para o meu escritório no segundo andar. Você pode ir com eles Theo? – falei e ele confirmou – Rony, você pode vir com a gente? Pelos velhos tempos.

–Claro. Respondeu Rony seguindo os outros pela escada que levavam a mulher desacordada.

–Você quer participar Draco?

–Quero. Nathanael e Jeovane estão no comando.

Nos levantamos e subimos as escadas juntos sem trocarmos nenhuma palavra, mas assim que chegamos no corredor ele segurou minha mão e me parou. Virei-me para ele e ele me puxou para um abraço, um abraço forte, carinhoso, saudoso, triste... Doloroso.

Doloroso porque nenhum de nós dois tínhamos mais o controle da situação. Nenhum de nós dois estávamos com os gêmeos, nem poderíamos protegê-los... Agora eles estavam sozinhos, longe daquele abraço que queríamos que eles participassem.

Não erámos mais apenas a auror Granger e o Chefe dos Aurores Malfoy. Erámos apenas Hermione e Draco, pais de Enzo e Sophia. Pais que não sabiam como seus filhos estavam, mas que queriam por tudo que fosse mais sagrado estar perto deles.

–Eu sinto tanto. Falei com a minha cabeça no seu peito.

–Eu também sinto. Ele respondeu.

Apesar de não estarmos mais juntos, eu sentia que apenas ele poderia me dar forças para continuar. Eu queria tanto contar para ele que ali dentro de mim estava mais dois bebezinhos precoces, mas eu simplesmente não podia fazer isso agora. Eu teria que buscar os irmãozinhos deles primeiro.

Não sei exatamente quanto tempo ficamos abraçados com minha cabeça no peito dele e queixo nele na minha cabeça, eu sentia apenas minhas lagrimas molharem a camisa dele e por mais estranho que fosse, e eu respeitava isso, eu sentia as dele escorrerem e baterem no meu cabelo, silenciosamente... Escondido, porque ele não era de chorar. Era naqueles momentos que eu percebia que os gêmeos escolheram certo.

Draco Malfoy era o pai de Enzo e Sophia, não havia outra explicação... Ele era o pai deles assim como eu era a mãe.

–Eu prometo que nada vai acontecer com eles. – Ele falou sério – Vamos busca-los.

–Juntos. Falei olhando seus olhos já secos, mas avermelhados.

Ele me encarou por alguns segundos, ele sabia que não tinha discursão.

–Juntos. Ele confirmou beijando minha testa.

Sabia que aquilo não significava que estávamos voltando a ser o que erámos antes. Não tínhamos nem tempo para pensar em resolver nossas pendencias agora, como também sabia que ele pensava o mesmo. Apenas acenei e me afastei dele olhando para a porta que em menos de três segundos se abriu.

–Aline conseguiu acordar Paola – riu Simas – Vocês deveriam ter visto.

–O que ela fez? Perguntei limpando meu rosto e o sorriso dele vacilou.

–Alguns tapas e água na cara.

Me permiti sorrir e andei até a sala, ela estava sentada numa cadeira com o vestido da festa de casamento molhado parcialmente assim como a maquiagem borrada. Ela nos olhava meio assustada e eu me posicionei na frente dela com Theo ao meu lado enquanto Draco e os outros ficavam no canto.

Apesar de tudo, era um interrogatório e eu e Theo que tínhamos permissão de interroga-la então a única coisa que Draco precisava fazer naquele momento era testemunhar.

–Tirou uma boa soneca? – perguntei e ela negou com a cabeça – Quem bom, porque eu também não. E você sabe por quê? Porque meus filhos não estão aqui no quarto da frente, porque eles estão na mão de um assassino, e antes que eu me esqueça garota, porque você os entregou.

–Eu não tinha controle... – Ela choramingou – Eu não trabalhava com ele, eu não era um dos capangas dele.

–Bom. Isso nós já sabíamos – falou Theo de braços cruzados – Você não tem inteligência para isso.

Simas e Rony fingiram uma tosse pouco atrás de nós achando graça do que Theo havia dito.

–Acho melhor você começar a contar tudo que sabe de uma só vez Paola – falei séria – Não vai querer que eu arranque a verdade a força de você e sabe que sou capaz de fazer isso.

Ela engoliu em seco.

–Quando você encontrou com Melgaço? Perguntou Theo.

–Alguns dias depois do Sr. Malfoy se tornar Chefe dos Aurores e eu sua secretária, eu havia saído do serviço e fui para um bar trouxa perto da minha casa esperar uma amiga, que não apareceu. Estava bebendo sozinha quando uma moça morena, de uns vinte anos de cabelos pretos se aproximou de mim e se sentou comigo.

–Alice. Falou Aline olhando para mim e apenas acenei.

–Acho que esse era mesmo o nome dela – falou Paola ainda tremula, parecia estar com frio, peguei minha varinha e sequei suas roupas – Ela pagou algumas bebidas e me contou que também já teve um caso com Malfoy – ela disse olhando para Draco – perguntou o que eu achava do casamento de vocês e se eu ainda gostava dele.

–E o que você respondeu? Perguntei seca.

–Que eu achava que você não era mulher para ele, que ele merecia alguém melhor. Você se acha demais por ser Hermione Granger, mas não é tudo isso que pensa é apenas uma vadia sangue...

–Eu se fosse você não falava isso colega. Ameaçou Theo.

–Seu novo namorado te defende Granger? Ela perguntou cheia de veneno.

–Minha vida pessoal não é da sua conta – respondi com mais frieza ainda e ela se retraiu – Termine de contar o que sabe.

–Bom, começamos a conversar sobre você, Draco e meu novo serviço no Ministério e decidimos ir a uma festa como no dia seguinte eu não iria trabalhar, assim que saímos ela disse que um amigo dela ia se encontrar com nós e então eu o vi pela primeira vez – ela falou – Um homem muito bonito de olhos claros, os cabelos negros e de terno... Parecia um ator de televisão trouxa de tão bonito.

–E como uma boa vadia que você é se jogou nos braços dele. Falei.

–Antes fosse, não tive tempo, eu nem vi a varinha dele se mexendo e quando acordei estava na minha casa com os dois parados e me olhando com um terceiro homem, aquele comensal mais velho...

–Avery. Respondeu Rony.

–Esse mesmo, Melgaço jogou a maldição em mim e depois eu não tive controle das coisas que ele me pedia. Eu não queria, eu via que era errado passar tudo que você estava fazendo, pegar as ligações de Draco para saber onde Hermione estava, mas eu não conseguia controlar. Eu conseguia fazer outras coisas a vontade, mas quando infligia uma ordem dele, eu parava tudo para obedecer. Fui eu que passei o lugar que vocês estavam quando ele mandou a primeira carta, fui eu que o avisei sobre a missão, como também fui eu que deixei a segunda carta na mesa da Sra. Martins, eu juro que não queria, tentei me libertar e não obedecer, mas não conseguia.

–E colocar coisas na cabeça de Draco? – perguntou Theo – Foi ele que mandou gravar? Saiba que se você mentir, eu vou saber.

–Ele me mandou apenas ver o que vocês iam fazer sobre a carta, fui impelida a ir até lá e escutar, mas gravei porque eu quis para provar para ele – ela falou olhando para Draco – Que você não é a santa Hermione Granger que ele pensa e venera.

–Então você sabia que aquela gravação era sobre a carta? Perguntou Draco irritado.

–Sabia, mas o resto é verdade, ela tem um caso com Theodore Nott...

–Eu mandei você continuar falando? – perguntei espremendo o rosto dela entre minhas mãos – Abra sua boca apenas quando pedirmos e sobre assunto que pedirmos.

Evitei o olhar de Draco nas minhas costas, agora era tarde demais para acreditar em mim, pensei ressentida.

–Como ele pegou Enzo e Sophia? Perguntei.

–Eu não queria ir naquele casamento idiota, mas o convite era aberto aos funcionários do Ministério e ele queria que fosse. Eu apenas soube o que ele queria quando já estava lá, ele foi bem claro que queria os gêmeos naquela noite, então eu os vi brincando com as outras crianças, puxei assunto com eles, acho que criou bem seus filhos porque eles não quiseram falar comigo porque não me conheciam, então usei o feitiço Confundus e os levei até onde Melgaço os esperava com mais quatro homens e a garota do bar, ele lançou algo em mim, me pediu para avisa-los e se foi.

–E se foi com meus filhos você quer dizer. Falei avançando para ela e sendo segurada por Aline.

–Eu não tinha controle de mim, sinto muito.

–Você está muito fria para alguém que estava sob uma maldição. Cuspi com raiva.

–Eu não posso ser presa, vocês já fizeram os testes que criaram depois da guerra para saber se uma pessoa estava ou não sobre o efeito da maldição, sou tão inocente quanto vocês.

Passei as mãos nervosa pelo rosto tentando me concentrar em não matar aquela vadia.

–Jean acompanhe Paola até o St. Mungus. Mandou Draco que o obedeceu rapidamente.

Os dois saíram da sala e eu me sentei na cadeira uma pilha de nervos.

–E agora? Perguntou Rony.

–Bom, acho que nada que ela falou ajudou muito. Respondeu Draco.

–A única coisa que sabemos é que minha irmã estava envolvida, é claro. Disse Aline.

–Não se importe com isso. Consolou Simas e os dois trocaram um olhar cumplice.

–Continuamos sem saber muita coisa, achou algum fato importante nessa conversa, Hermione? Perguntou Rony.

Tentei respirar fundo e fechei os olhos, pois me sentia um pouco tonta, eu sabia que isso ia passar despercebido e fiz questão de apenas encostar a cabeça para trás como se eu tivesse pensando.

E então comecei a pensar.

Pov. Draco.

Melgaço havia levados meus filhos de mim... Era incrível como esse homem gostava de levar aqueles que eu mais amo, primeiro Mione, agora os dois e como da primeira vez, eu não fazia ideia de por onde começar. Eu estava uma pilha de nervos e apesar de tudo que estava acontecendo, tentava ao máximo ficar firme.

Vi Hermione inclinar a cabeça para trás e depois abrir os olhos de uma vez se levantando e de certa forma, aquilo me deu esperanças. Ela andou de um lado para o outro como se passasse a conversa internamente na mente dela e fazia aquela cara, aquela cara de sabe-tudo irritante que um dia odiei, mas que agora era a que mais amava.

–Está me deixando tonto Mione. Falou Rony encostado na parede.

–Eu já sei o próximo passo que temos que seguir para chegar até os gêmeos. Ela falou parando.

–E qual é? Perguntei.

–Ela falou que acordou com três pessoas a sala, Alice, Melgaço e Avery. Os dois primeiros não era surpresa nenhuma, já que ela é capacho dele, desculpe mas é verdade Aline – ela falou olhando para a garota que apenas acenou – Só que Avery ainda está com Melgaço, para mim eles nem estavam mais juntos.

–Pode ir direto ao ponto? Perguntei apressado.

–Pior que não, estou apenas pensando em voz alta – ela falou e voltou a andar – Ele podia ter pedido qualquer coisa, mas não fez isso, pediu dois comensais velhos e de confiança de Voldemort. Melgaço não me disse como faria o ritual, ele apenas disse para que servia.

–E isso nos leva? Perguntou Simas impaciente e ela lançou um olhar furioso para ele.

–Ele disse que precisava do sangue dos dois... Mas não falou como isso seria feito, se precisava de alguma coisa, e o que sei sobre rituais é que não podem ser feitos sozinhos na maioria dos casos. Ela falou sorridente, só que ninguém pareceu entender o motivo, apenas o parceiro dela.

–Isso é incrível. Falou Theo rindo.

–Será que os nerds podem explicar? Perguntou Rony.

–Ele não pode fazer isso sozinho, por isso ele pediu o resgate dos comensais na ilha. Ele poderia ter pego as crianças quando quisesse, e agora sabemos disso – falou Theo animado – Na Ilha ele viu que Hermione nunca faria a troca, mas ele ainda sim poderia ganhar com isso e ele ganhou dois comensais e para ele isso já era um lucro, ele tinha nas mãos duas pessoas para ajuda-lo com o ritual. Só que Mione atrapalhou tudo derrubando a ilha dele e os aurores capturaram um. Avery está ao lado dele para ajuda-lo com o ritual, mas se não fosse Avery...

–Seria Lucio. Completei finalmente entendendo o que eles estavam falando.

Eu tinha que confessar, por mais que doesse admitir os dois trabalhavam bem juntos. Eu com certeza não conseguiria fazer o raciocínio de Mione e nem entendê-la tão rápido como Theo havia feito.

–Se ele pediu Lucio como troca naquela época quer dizer que Lucio sabe como é feito o ritual e onde será feito. Falei.

–Exatamente. Falaram Theo e Hermione juntos.

–Precisamos interroga-lo urgente. Permissão para interrogar Lucio Malfoy? Pediu Theo e quase o agradeci por não usar o termo “seu pai”, QUASE.

–Permissão negada, eu tenho contas para acertar com ele. O interrogatório dele é meu e de Rony, pode ser? Perguntei me virando para o ruivo.

Rony podia não ser auror, mas ele tinha experiência com esses tipos de loucuras. Por mais que a careta de Mione fosse grande, eu não queria deixa-la perto demais de Lucio.

–Você podem assistir o interrogatório – falei – Por favor Mione, não discuta isso comigo.

–Não quero discutir, só que quero participar e poder fazer as perguntas certas se for necessário.

–Tudo bem. Mas não quero que se meta sem ser necessário.

Ela apenas revirou os olhos e mordeu o canto do lábio.

–Theo comande a transferência de Lucio para o Ministério da Magia com Aline e Simas, os guardas irão lhes ajudar. Hermione e Rony vão comigo para o Ministério, nos encontramos lá daqui quatro horas.

Os três acenaram e saíram da sala rapidamente já com os bipes bruxos para mão.

–Eu vou deitar um pouco e ligar lá em casa para saber como está Rose. Falou Rony.

Rony saiu do escritório fechando a porta me deixado sozinho com Hermione que estava pensativa.

–Eu não quero que pense... Comecei.

–Eu entendo que você queria fazer o interrogatório dele, é direito seu – ela me cortou calma – Draco...

–Sim?

–Promete que vai fazer o possível para descobrir onde eles estão? Ela perguntou sem me olhar.

Sabia bem o que ela estava querendo dizer com aquilo.

–Você sabe que eu farei.

Ela apenas acenou e caminhou até o armário, pegou um pouco de poção de sono colocando num copo e me entregou.

–Você precisa dormir – ela falou colocando a poção na minha mão com uma dose exata de três horas e pouco de um sono profundo – Está muito cansado, e cansado não vai conseguir achar nossos filhos.

–Hermione...

–Por favor. – Ela pediu – Não vai servir de nada ficar assim.

Novamente as lágrimas dela escorreram silenciosamente pelo seu rosto, levantei-me e peguei a mesma poção colocando a mesma dose que ela pôs para mim e entregando a ela.

–Você também vai fazer isso, por favor.

Ela apenas balançou a cabeça e tomou a poção enquanto eu fazia o mesmo. Mione se sentou na outra ponta do sofá e eu apenas a puxei para se sentar bem perto de mim e encostar a cabeça dela no meu peito. Eu sentia minha adrenalina e angustia brigando com a poção e minhas pálpebras pesando enquanto tudo que eu pensava era Enzo e Sophia com aquele homem, escutei um soluço mínimo de Hermione e o corpo dela cada vez mais mole enquanto o sono vinha vencendo todas as outras emoções.

–Eu só queria que quando eu acordasse, tudo isso não passasse de um sonho ruim. Ela falou bem baixo, quase num sussurro exausto.

–Eu também... Falei dormindo pela primeira vez, depois de mais de dez horas sem meus filhos.

Pov. Mione.

O corredor do Ministério estava ainda mais silencioso do que o normal naquele sábado, já que o Ministro da Magia havia se casado. Fazia pouco mais de meia hora que havíamos acordado e já estávamos aqui, Draco havia acordado um pouco antes de mim. Não trocamos muitas palavras, devido a correria que estávamos enfrentando.

Draco seguia na frente com Rony ao lado dele, Aline, Jean Carlos, Natalia e Jeovane mais no meio e eu e Theo mais atrás, e eu sentia que por vontade dele. O único barulho era das solas dos coturnos que todos, até Rony e Draco, usavam. Estávamos preparados para entrar em ação a qualquer momento.

–Você não está pensando em ir quando descobrirmos onde eles estão, está? Perguntou Theo baixo.

–O que você acha? Perguntei sem olhar para ele.

–Hermione. Ele falou em tom reprovador e segurou meu braço me fazendo parar.

–Theo, por favor. Agora não, eu só quero saber onde estão meus filhos.

–Você sabe do que estou falando, não me faça contar o pai desses dois filhos que tá ai dentro. Ele ameaçou.

–Isso não é da sua conta...

Comecei a falar, mas parei porque os passos pararam na porta do corredor de interrogação, e todos se viraram para nós, incluindo Draco.

–Problemas no paraíso? Ele perguntou e aquilo machucou mais do que devia.

Pensei que ele tinha parado com isso. Theo apenas soltou meu braço e cruzou os braços me esperando contar para Draco toda a verdade, péssima hora para Theodore Nott dá piti.

–Podem entrar, daqui a pouco vamos. Falei com os dentes trincados.

Draco nos olhou enquanto os outros já entraram na porta do corredor que levava para a maior sala de investigação de todas. Eu sentia tanta raiva daquele olhar acusador dele que eu tinha vontade de ir lá dá uns tapa nele mesmo sabendo que era mais fraca, dava para fazer um estrago bom. Draco não era tão fraco com Alexandre.

–Só não demorem, não vamos esperar por vocês.

E lá se foi o Draco tranquilo que havia me aninhado no sofá contra seu peito para dormirmos... E lá estava de volta a magoa de que ele ainda desconfiava de mim. Puxei Theo até a sala de reunião, lancei um Abaffiato por garantia e cruzei os braços.

–Você vai ficar calado e na sua, está me entendendo? Perguntei.

–Você é desnaturada ou o que? Você não está em condição de ir em lugar nenhum no estado que está, e se acontecer algumas coisas com você ou com os bebês? Isso é ridículo, Draco iria me matar por esconder dele.

–Isso é medo de Draco, Theo? Desafiei.

–Possivelmente – ele falou dando de ombros – mas não completamente. Você não pode se arriscar dessa forma Hermione, eu sei que são seus filhos que estão lá, só que você tem que tomar cuidado agora, precisa contar para o Draco que está gravida, precisa ir para casa e esperar lá.

–Eu não posso fazer isso, será que não me entende? Eu vou tomar cuidado, ou você acha que eu colocaria a vida dos dois também em perigo – falei colocando a mão sobre minha barriga – Tudo que preciso é ir atrás de Melgaço, preciso buscar Enzo e Sophia de volta.

–Por que você tem que ir? Não pode ter tanta certeza assim, não confia em nós? Você não vai nem que para isso eu arranque seu namorado daquela sala ou berre lá dentro contando a verdade.

Meu sangue ferveu saquei minha varinha e apontei para ele.

–Olhe aqui Theodore Nott, estou com raiva de Melgaço por tirar meus bens mais precisos – falei ameaçadoramente com a voz letal e os dentes trincados – estou com raiva do Draco por achar que eu estou dando para você nesse exato momento, estou querendo dá uma corsa bem dada na Alice, e nesse momento estou querendo te estuporar e trancar sua boca a força, além de estar gravida e com os hormônios a flor da pele, então não ouse me contrariar hoje. Eu vou atrás de Enzo e Sophia, nem que antes eu costure sua boca manualmente com agulha de crochê. Estamos entendidos Theodore Nott?

Theo estava branco feito papel encurralado na parede enquanto minha varinha estava no peito dele, ele engoliu em seco.

–Acho que isso é um sim. Falei saindo porta a fora.

–Você é maluca. Ele falou me seguindo após alguns segundos.

Ignorei seu comentário e seguimos rapidamente para a sala de interrogações. Entramos na sala sem bater e Draco nos lançou aquele olhar de desconfiança, sinceramente, tô achando que vou começar a usar meus hormônios ameaçando ele também para ver se ele não cria vergonha nessa cara e para com essas idiotices que eu estava lhe traindo.

–Vamos começar? Perguntei irritada.

–Estamos esperando os guardas trazerem ele da cela. Respondeu Rony.

Os passos foram ouvidos no corredor do lado oposto que tínhamos vindo, eu os contava mentalmente numa forma de me acalmar. É, talvez Draco estivesse certo e fosse demais para mim ver o pai dele. Lucio entrou na sala e meu coração gelou.

Imagens daquela noite ainda fresquinhas na minha mente, os meus gritos, a voz ameaçadora e cheia de desprezo... A maldição... Como me esquecer da maldição que ele lançou em mim repetidas vezes até eu pensar realmente em desisti?

Meus olhos se encontraram com o dele e ele sorriu de lado, um sorriso irônico, cansado, velho e de alguém que não tinha nada a perder na vida. Ele já havia perdido, e os olhos dele me disseram que se eu perdesse meus filhos não faria diferença para ele. Na verdade era isso que ele queria, que eu sofresse, Lucio Malfoy não teria nada a perder enquanto eu tinha tudo.

–Se retirem, por favor – falou Draco aos guardas que prontamente saíram enquanto ele lançava um feitiço silenciador – Natalia, Aline, Jean e Jeovane se ficarem vão ser por sua conta e risco, qualquer coisa que acontecer aqui todos que estiverem aqui vão ser cumplices.

–Faça o que for necessário. Respondeu Natalia séria e os outros três concordaram com acenos de cabeça.

Ele não precisava perguntar para mim, Theo, Simas e Rony... E pelo menos isso me deixou um pouco aquecida. Lucio não iria falar de forma alguma, não poderíamos ser muito éticos com ele e seguir a risca as ordens do Ministério.

–Palavras ameaçadoras, você aprendeu muito bem só que não me intimidam. Também é bom te ver meu filho. Riu Lucio.

–Não use meu e filho na mesma frase Lucio, não comigo – sibilou Draco – Sabe por que está aqui, não sabe?

–Presumo. Ele respondeu friamente.

–O que Fabricio Melgaço quer com as crianças, já sabemos. – falou Rony para Lucio – Queremos saber como é feito o ritual e onde ele os levou.

–Além da sangue ruim, agora está andando com os traidores de sangue? – ignorou Lucio olhando para Draco – Realmente eu preferia que você e sua mãe morressem comigo levando o nome Malfoy para o tumulo do que mancha-lo tanto assim.

–Mais do que o senhor já fez? – riu Draco – Impossível. Acredite, eu não sinto nenhum pouco de orgulho do seu sobrenome nojento. Onde estão meus filhos?

–Os filhos do Lorde das Trevas você quer dizer. Corrigiu.

–Meus filhos, eu não estou com paciência Lucio – ameaçou Draco com o punho fechado e a varinha apontada para ele – Eu quero saber agora tudo que você sabe.

–E o que eu ganho com isso? Ele perguntou.

–Exatamente nada. Falou Draco.

–Sem acordo, sem crianças, sem nada. Ele respondeu simples.

–Acha mesmo que te chamamos aqui para perguntar? – riu Rony – Sr. Malfoy, não estamos de brincadeira hoje.

–Eu sei os meus direitos. Reclamou Lucio.

–E vai contar para quem, PAPAI? – debochou Draco – A única pessoa que pode presar pelo seu bem estar ou sou eu ou é a minha mãe, e acredite quando digo que qualquer um de nós dois seríamos o primeiro a assinar sua sentença de morte. Não tem escolhas, vá reclamar com o Ministro da Magia ou quem sabe com o conselheiro dos direitos bruxos e execuções mágicas... Falando nele, mande lembranças para o seu querido pai, Natalia.

–Mandarei. Ela respondeu.

Grande Blefe, que funcionou porque Lucio ficou ainda mais inquieto.

–Nada me fará contar Draco, eu não tenho nada a perder, iriei morrer de qualquer jeito.

–Morrer? Alguém aqui falou em morrer? Não, não seriamos tão piedosos Sr. Malfoy – disse Rony – Devo lhe contar que lembro o que fez com a minha amiga? Pior, o que fez com a namorada do seu filho?

Lucio nunca foi conhecido pela coragem que tinha e olhou para cada um de nós demorando mais em mim.

–Vamos andar logo com isso, Simas, trouxe o que eu te pedi? Perguntou Draco.

Simas caminhou até ele e entrou um vidrinho de Veritaserum, poção da verdade. Sabíamos que não era permitido usar sem uma liminar, e com certeza não tínhamos tido tempo de termos conseguido uma. Com brutalidade Draco virou tudo na garganta do pai com ajuda de Rony.

Cada segundo que passava ali me deixava apenas mais nervosa por não saber onde os dois estavam e numa hora daquela tudo que eu menos queria era ser amistosa.

–Eu quero saber agora o que Fabricio Melgaço queria com você e Avery e como esse maldito ritual é feito? Perguntou Draco.

Lucio parecia lutar contra ele mesmo para ficar calado, mas no final a poção venceu.

–Ele não pode fazer o ritual sozinho, precisa de ajuda de outra pessoa que saiba fazer, é algo simples porém delicado. O ritual em si é apenas para tirar o sangue das crianças no meio de um círculo com os quatro elementos. Após isso ele precisa dos corações de um grifinório corajoso, um corvinal inteligente, um Lufa-Lufa leal e um sonserino astuto e ambicioso.

As palavras dele ficaram na minha cabeça.

–Precisa ser puro sangue? Perguntei.

Draco e Rony olharam pra mim.

–Hermione...

–Por favor Draco, eu preciso saber disso. Falei.

–Tem certeza que pode fazer isso? – Perguntou Rony e eu apenas afirmei – Então ela toma meu lugar na investigação.

Eu antes estava com medo de Lucio, agora não mais.

–Responda ela. Disse Draco.

–Não precisa ser puro sangue, tem que ser leal a casa que pertence, o coração tem que ser leal a sua casa. O sangue puro de linhagem dos herdeiros dos grandes fundadores de Hogwarts, os maiores bruxos dos últimos mil anos, irão lavar os corações, mesmo que eles não sejam nobres.

–Um ritual por vez – falou Draco se virando para mim – Estou certo?

–Ele me ofereceu para salvar um dos dois, faz sentido. Eles não esperavam gêmeos quando Melissa engravidou de Voldemort, foi apenas um bônus. Então não são quatro corações, são 8, cada um produzirá um elixir, ele havia falado que cada um dos gêmeos produzem quatro elixires de vida eterna...

–A não ser que ele realmente pretenda te dar um e deixar uma das crianças vivas. Mas ele até agora não entrou em contato. Falou Draco preocupado.

–Ele sabe que eu vou acha-lo, ele sabia desde o começo que não precisa vir até mim, que eu vou até ele. – falei ofegante, Melgaço estava me esperando e enquanto ele me esperava os gêmeos ainda estavam vivos, Ainda – Não faz sentido, ele provou que poderia pega-los quando quisesse, mas pegou apenas para agora. Por que ele pegou os gêmeos só agora Lucio?

A cara dele se contorceu por eu chama-lo pelo primeiro nome.

–Eles completaram oito anos, o sangue deles está mais puro do que nunca, os poderes de um bruxo dão manifestações por volta dos sete anos, somente após os oito que realmente sabemos se ela é ou não um aborto. Que eu sabia as crianças de vocês já haviam dando os sinais de magia com seis anos – contou Lucio contra a vontade dele – Eles não são usados para sempre, a utilidade do sangue deles tem prazos de validade, sempre serão bruxos extremamente poderosos com poderes incríveis e habilidades iguais aos quatro grandes, mas os sangues deles só servem para a imortalidade enquanto eles tiverem com oito anos depois desse prazo o sangue deles não produziram nenhum elixir, é apenas duas oportunidades e a primeira foi quando eles nasceram, a segunda é agora.

Uma espécie de felicidade tomou conta de mim, uma esperança boa e extremamente diferente que eu podia ver apenas nos olhos do Draco enquanto ele sorria. Passamos meses nos remoendo com medo de que Enzo e Sophia nunca fossem ter uma vida normal, que os dois iriam ter que ficar o resto da vida sendo perseguidos por sádicos que queriam a imortalidade e apesar deles estarem na mão de um, tínhamos esperanças de salva-los. Era apenas um ano, não uma vida.

–Todo ritual precisa de um lugar especifico – falei olhando para Lucio – Onde Melgaço levará as crianças?

O corpo de Lucio convulsionou para falar a verdade, mas algo o prendia. Olhei para Draco assustada que se aproximou dele e segurou seu maxilar abrindo sua boca onde ele mordia a língua com força fazendo-a.

–Não precisa falar. Falei imediatamente.

Ele parou suspirando com raiva e cansado.

–Feitiço língua presa – falou Draco – No final nada disso serviu para nada, ainda não sabemos onde ele está.

Sentei-me na cadeira tentando pensar, era impossível saber a localização por ele. No final recebemos mais informações do que pensamos e todos muito uteis, só que nenhuma era a que realmente queríamos.

–As perguntas certas Mione – falou Jeovane e eu olhei para ele – Você é uma bruxa inteligente, ele não vai precisar o lugar exato.

Mas não tinha perguntas certas! Não agora. Me sentia pressionada contra uma parede de concreto firme sem saída, Enzo e Sophia estavam com as horas contadas e eu estava apenas de mãos atadas.

–É o máximo que vamos conseguir com ele por hora. – falou Draco nervoso – Natalia mande os aurores prepararem o local para o beijo do dementador.

Meus olhos se focaram em Draco, ele estava rígido e determinado. Em pouco tempo seria a execução de Lucio, mas pelo visto ele não estava nem um pouco a fim de esperar. Me sentia mal por ele, apesar de tudo, Lucio Malfoy era seu pai.

–Não precisa ver isso. Ele falou para mim.

Não, eu não precisava realmente ver isso. Mas daí deixa-lo sozinho passar por isso era outra coisa. Levantei-me apenas sorri para ele segurando sua mão.

–Eu vou ficar com você.

–Hermione...

–Draco. Falei firme.

Simas e Jean Carlos pegaram cada um de um lado dos braços de Lucio que estava silencioso desde a hora do incidente com o feitiço contra a poção. Descemos pelo elevador até o Departamento de Execução das leis mágicas até a sala o tribunal em silêncio, onde encontramos o Chefe do Departamento nos esperando...

Talvez Draco não estivesse agindo tão fora da lei assim, conclui, ele sabia as consequências que aquilo poderia acarretar, mesmo eu duvidando que Harry realmente o punisse por isso, ainda temia pelo chefe daquele departamento pudesse acusa-lo de algo. Então por isso ele havia acordado antes quando estávamos no escritório.

Draco já pretendia tornar os dias dos pais mais curtos.

Mas quem sou eu para julga-lo? Era o pai dele, o homem que lhe ensinou tudo de ruim, mas ainda sim era o pai dele. E talvez somente esse fato tornava Draco uma das pessoas mais corajosas que eu conhecia, talvez, nem eu teria essa coragem... Não... Eu realmente não teria coragem de fazer o que ele estava fazendo, não por ser boazinha, pelo contrário, por ser egoísta e aquele ato de Draco era tudo, menos egoísmo da parte dele.

Eu não faria simplesmente por ele ser meu pai, por não querer machuca-lo e porque nossos sangues ainda sim são os mesmo. Ele não. Ele não fazia por ele, ele fazia por mim, por Enzo, por Sophia, pela sua mãe e por cada pessoa que um dia Lucio Malfoy fez algum mal, mesmo esse homem sendo seu pai.

Ele fazia por todo mundo, menos por ele. Porque da mesma forma que eu não iria querer fazer isso caso Lucio fosse meu pai, Draco também não queria, só que mesmo assim faria. Por todo mundo, menos por ele.

Os olhos são as janelas da alma, os do Draco eram o do coração. Ele falava que meus olhos muita das vezes falavam por mim e que com um olhar eu conseguia colocar ordem em algum lugar ou até mesmo fazer mostrar com eles o que sinto ou o que estou pensando, só que os olhos azuis cinzentos dele não falavam por ele... Ele havia conseguido essa habilidade com a frieza das coisas ruins que um dia ele passou e fez, só que aqueles olhos que fazia meu coração martelar gritavam para mim, apenas para mim porque eu era a única que conseguia lê-los.

A sala já estava pronta, nossos amigos todos do lado de fora, ninguém falava uma única palavra nem mesmo o Chefe daquele departamento, apenas em respeito a Draco. Não nos sentamos, apenas ficamos parados enquanto eles desciam levando ele.

–Quer falar algo ao seu filho Lucio? Perguntou o chefe.

–Não. Ele respondeu seco.

Será que era assim que meu orgulho era visto pelos outros? Porque o orgulho de Lucio apenas machucava o filho dele...

Os guardas continuaram o levando e ele se sentou na mesa enquanto o dementador, uns dos últimos que sobraram, estava preso. Os olhos dele percorreram a sala e foram até onde a minha mão segurava a de Draco, um sorriso debochado saiu do rosto do homem que subiu o olhar para o filho e depois olhou para mim.

–A questão Granger é que você tem apenas que pensar um pouco mais para saber onde eles estão. Vocês já obtiveram a resposta em outra pergunta e nem ao menos perceberam. Falou Lucio e se deitou.

–Espera...

Mas já era tarde demais, a porta já havia sido aberta e o dementador já havia entrado, Draco apenas me puxou para trás e me apertou no peito dele enquanto víamos a alma de Lucio Malfoy saindo pela boca... A alma que ele mesmo corrompeu por escolhas próprias.

Então Lucio se foi. Para sempre.

Eu não percebia que chorava, não por tudo que ele me fez na ilha, muito menos por felicidade por ele morrer. Eu chorava por Draco. Por tudo que Lucio um dia fez o filho dele passar, por quase dar o mesmo destino para o próprio filho... E assim eu apenas amava ainda mais Draco, porque mesmo depois de tudo, ele ainda tinha se tornado uma pessoa melhor. Uma das melhores pessoas que eu já conheci, que por trás de todo aquele orgulho, de toda aquela teimosia e jeito Malfoy, ainda sim era o melhor pai que todos os meus quatro filhos poderiam ter.

–Agradeço ter ficado aqui. Ele falou me tirando da sala onde os outros esperavam por nós do lado de fora.

Ele não tinha o que agradecer. Eu o amava, apenas ele não percebia o quanto eu o amava. Eu, Hermione Granger Grifinória a grande sabe-tudo-irritante de Hogwarts aprendi a o amar o príncipe da Sonserina.

Click. Parei de andar e um filme passou pela minha cabeça me deixando completamente tonta com esses pensamentos. Eu não sabia se era pela gravidez e todo o estresse, ou se era porque eu fui idiota demais e não ligado os pontos na hora certa.

–Hei Hermione... – Chamou Draco enquanto me segurava pela cintura – Hermione, está tudo bem?

–É tão obvio, como eu não pensei nisso antes? Perguntei me endireitando.

Encostei-me na parede e respirei tentando manter a respiração firme.

–Do que você está falando? Perguntou Theo e Draco ao mesmo tempo.

–A última frase do seu pai, ele foi claro quando disse que já havia dito numa resposta anterior o local, mas ele não mencionou nenhum lugar por isso não fez sentido– falei começando a andar, tudo que eu mais queria agora era sair dali, mas parei novamente ficando tonta e me escorando na parede – Não explicitamente...

–Você não está bem. Falou Draco se aproximando de mim.

–Do que você está falando Hermione? Perguntou Theo.

–O lugar, Lucio falou do lugar para nós. É tão obvio, é o sangue dos quatro grandes que corre nas veias deles, ele precisa de quatro corações leiais aos fundadores...

–E isso quer dizer? Perguntou Rony apressado.

–O ritual vai ser feito em Hogwarts.