Dramione - Fotografias
2 Desejo
Notas iniciais
O clima na sala estava silencioso. Mione cumprimentou seu novo parceiro um pouco sem graça e começou a analisar os relatórios em sua mesa, não pensou que fosse tão fácil ignorar o loiro na outra mesa, mas conseguiu.
Leu cada relatório e todas as anotações muito rapidamente, fazendo suas próprias, apenas quando terminou que o olhou e se arrependeu de fazer isso. Draco Malfoy estava a olhando de cima a baixo com um sorriso cínico nos lábios e uma cara de cafajeste.
—O que foi Malfoy? – Perguntou enfezada.
—Nada Granger.
O loiro olhou o relógio, estava quase na hora de irem embora. Desde que a morena entrou na sua sala que ele não conseguia tirar os olhos dela, não era mais a mesma menina de anos atrás tinha virado uma mulher, uma mulher e tanto.
—Se não fosse nada não estaria me olhando desse jeito. – Retrucou.
—Curiosidade. – Ele respondeu com tom arrogante.
Tinha coisas que não mudavam. Um Malfoy sempre continuava sendo um Malfoy. Mione bufou. Estava precisando daquele emprego e era numa área que gostava bastante, seria realmente muito bom ter pelo menos uma boa convivência com seu novo parceiro.
—Olha Malfoy, eu gostei tanto quanto você de ser sua parceira, mas nós dois precisamos desse emprego e precisamos ter uma boa convivência, Ok? Eu não gosto de você, você não gosta de mim, mas vamos ter que nos engolir.
—Quem disse que eu não gosto de você? – ele perguntou arqueando uma sobrancelha do jeito mais sensual possível – Não tenho nada contra você Granger, só o que precisamos é aprender a conviver, o resto é resto. Amanhã eu te passo os casos mais importantes e só isso.
—Acho muito bom, pra mim você é apenas um parceiro de trabalho. – Ela falou formalmente.
—E pra mim você é apenas uma...
—Sujeitinha sangue ruim. – Completou Mione, dando de ombros.
—Eu não ia falar isso Granger.
Mione olhou incrédula para ele que pareceu ficar furioso. Ele se levantou e pegou sua pasta e casaco.
—Ia falar o que então?
—Que pra mim você é apenas uma mulher muito bonita – ele se virou para ela e seus olhos estão cheios de raiva – Pensei que a fase das pessoas me julgando pelo meu passado tinha terminado, mas vejo que não. Não é tão fácil esquecer o passado quando as pessoas fazem questão de te lembrar o tempo todo.
O loiro saiu da sala, deixando-a muito sem graça. Ficou sem reação, não queria ofendê-lo, talvez tivesse o julgando demais. Se Harry e Rony se entenderam com ele, por que ela não?
Colocou a cabeça entre as mãos e apoiou os cotovelos na mesa massageando as têmporas, estava exausta. Tinha tido um péssimo primeiro dia e já tinha brigado com seu parceiro. Alguma coisa a mais em Malfoy a incomodava, o modo como ele a olhava, era como se despisse suas roupas. O sorriso de lado, o olhar cafajeste, a camisa com dois botões abertos...
—Chega, Hermione Granger! – falou para si mesma – Ele é apenas o Malfoy, o sem graça do Malfoy. Respira e pensa.
Mas ela não estava pensando direito, não no seu estado atual. Fazia alguns meses que não se relacionava com nenhum homem, o último havia sido Krum há três meses quando se encontraram na Bulgária. Respirou fundo. Talvez devesse realmente ligar para Rony.
Pegou o celular, só que desistiu. Rony agora estava cheio de problemas com a gravidez inesperada da fã. Outra diversão? Krum? Muito Longe. Rafael? Nem sabia onde ele estava no mundo ou se estava ali em Londres.
Passou sua lista mentalmente e se assustou com a quantidade de opções que tinha, mas não arrumava motivos para não ligar para nenhum (no caso de Rony e Krum, mandar uma carta). Juntou suas coisas e entrou na lareira desejando não ter de modo algum aceitado o convite de Harry, mas estava com saudades dos seus amigos e de Gina. A ruiva não a perdoaria se faltasse esse jantar.
Tomou um banho quase sete horas da noite e ligou para a Sra. Figg para perguntar como estava indo Sophia e Enzo, desde o dia que os conheceu ligava para ver se eles precisavam de alguma coisa. Mesmo não sendo oficialmente a mãe deles queria ajuda-los como fosse possível.
Escutar a voz doce de Enzo foi uma das melhores sensações, ele já a tratava com carinho. Falava todo travesso dizendo que Sophia estava dormindo porque tinha passado o dia inteiro brincando com um garoto que ele não gostava.
Só desligou porque estava atrasada. Passou em seu closet e decididamente não iria usar um salto, não para ir á casa de Harry. Vestiu uma saia jeans curta com uma regata rendada e calçou uma rasteira de franja, correu até o armário na cozinha e pegou uma garrada de Whisky de Fogo.
Aparatou perto do prédio de Harry, era num bairro mais luxuoso que o seu, ele tinha se mudado para lá desde quando começou a ser auror. Vez ou outra ela e Rony pegavam o apartamento dele emprestado quando ainda não tinha comprado o seu e nem Rony o dele. O porteiro era um rapaz jovem que ficou a secando até ela entrar o elevador, não era um rapaz feio. Talvez valesse a pena tentar pega-lo mais tarde. Antes da porta se fechar piscou para ele que quase desmaiou de empolgação e abriu um sorriso enorme.
—Mione! – Gritou Gina quando ela ainda estava no corredor.
A ruiva quase o sufocou e ela sentiu falta da sua melhor amiga. O apartamento estava todo arrumado e um pouco mais escuro em luz ambiente, Neville, Luna, Jorge, Carlinhos e Ted Lupin estavam ali. Harry compartilhava a guarda de Ted com a vó dele desde quando ele era muito pequeno. Mas havia outra pessoa ali, e ela não sabia por que a presença dele incomodava tanto. Draco estava na mesa de jantar conversando com Carlinhos, ambos tomando Whisky e conversando animadamente como se fossem velhos amigos.
—Gina teve ideia de chamar alguns amigos – desculpou-se Harry – Eu pensei que séria apenas nós e Rony para comer uma pizza.
—Gina não faz nada pela metade. – Riu Mione.
A campainha tocou e Harry foi abrir a porta. Os olhos azuis de Rony se encontraram com os seus e ela sorriu, mas ele fez uma cara infeliz e deu um sorriso torto. Atrás dele uma garota com uma barriguinha já aparecendo sorriu e Mione quase caiu para trás e puxou Neville para o canto.
—Lilá é a fã gravida? – Perguntou incrédula.
—Para você ver, ela tanto tentou que conseguiu. – Respondeu Neville.
—Pega o meu queixo que ele rolou no chão. Quanto tempo que eu fiquei fora mesmo? Parece que foi uma vida.
Neville riu e olhou para Draco que cumprimentava Rony.
—Você ficou fora quase um ano, mas está distante de nós há quase sete.
A resposta dele foi direta e a deixou sem graças. Tinha se afastado tanto assim de seus amigos?
—Bom te ver Mione. – Falou Rony sem graça abraçando-a com uma mão e a outra segurando a de Lilá, que não o soltava por nada.
—Também é bom ter ver Ron, você também Lilá.
A garota loira atrás dele apenas abriu um sorriso e balançou a cabeça.
—Você vai me contar tudo isso depois. – Sussurrou Mione para ele que apenas concordou.
O jantar foi animado, todos conversando e contando as novidades. Malfoy ainda continuava o velho Malfoy, mas todos ali pareciam ter se acostumado com o jeito dele, menos ela. Era como se o simples fato dele respirar a incomodasse. Os olhares dele eram todos nela e sempre seguidos com um sorriso de lado.
Após terminarem de jantar se espalharam pela sala. Gina se sentou no colo de Harry e Lilá, mesmo com o protesto de Rony, se sentou no dele.
Depois de muito tempo Mione se sentia em casa rindo e conversando com os amigos como se nenhum dia tivesse se passado. Tomavam Whisky falando de coisas banalmente sem importância como o casamento de Miguel Conner e Cho Chang, para o alivio de Gina. Conversaram sobre o casamento de Harry e Gina que finalmente ia acontecer depois de tanto tempo e conversaram sobre Quadribol, é claro além, das viagens de Mione pelo mundo.
—Ei Ted, vou te levar para a cama, campeão. – Falou Rony pegando o garoto que dormia escutando eles conversarem.
—Eu vou com você Ron. – Falou Lilá.
—Não vai não, dá para me deixar em paz um minuto Lilá?
Rony carregou Ted, e Lilá começou a chorar e murmurar coisas como insensível. Gina passava a mão nas costas da futura cunhada fazendo careta para os outros e Luna a levou até o quarto de Harry para descansar um pouco.
—Não sei como ele aguenta. – Murmurou Gina.
—Ela é muito gostosa. – Falou Draco a fazendo rir.
Mione fechou a cara e mordeu o lábio com ciúmes, Lilá não era tudo que eles falavam, ou era? Mesmo grávida, a loira ainda estava bonita. Merda.
—Eu lavo a louça. – ofereceu se levantando.
—Eu te ajudo. – Gina sorriu sapeca.
As duas seguiram juntas para a cozinha conversando como faziam quando eram mais novas.
—Qual é Mione, não pode culpar Draco por ficar te olhando. – Falou Gina.
—Agora você também o chama pelo primeiro nome?
—Não enche, ele é amigo agora. E não pode culpa-lo de ficar te olhando, até Jorge e Carlinhos estavam te secando, ainda bem Angelina não tá aqui, fico feliz que você é irmã de Harry.
A morena corou.
—Deixa de exagero Gina.
Gina deu de ombros e fez um feitiço para a louça se lavarem sozinha e as duas se sentaram no balcão.
—Posso conversar com Mione? – Perguntou Rony.
Gina sorriu maliciosamente e saiu encostando a porta.
—Você está maravilhosa. – Falou Rony.
—Você está muito bem também.
A morena olhou bem o ruivo. Os braços musculosos, o corpo sarado o cabelo cor de fogo que sempre a acendia, reprimiu os pensamentos.
—Então Lilá é escolhida, vocês vão se casar?
—Meu empresário que está montando isso, é apenas fachada, ano que vem tem a copa Mundial de Quadribol e todos estão falando que vou ser convocado. Ele acha que se não nos casarmos vai prejudicar minha carreira. – respondeu sem graça.
Um aperto se formou no peito de Mione, então Rony ia se casar. Ela não estava preparada para isso, mesmo sabendo que um dia ia acabar acontecendo.
—Essa vai doer um pouco – desviou os olhos dele.
–Eu queria que fosse com você – ele falou se encostando ao lado dela do balcão e tocando seu rosto – Realmente é uma pena não termos dado certo.
—Uma pena.
Uma lágrima escorreu pelo rosto da morena e ele a limpou com um beijo.
—Eu realmente gosto muito de você Mione, acho que se não tivéssemos tantas lembranças ruins, se nada que passamos fosse verdade... Iriamos dar muito certo. – Falou Rony carinhosamente.
—E você gosta dela? – Perguntou angustiada.
—Não como gosto de você.
Rony segurou em sua cintura e se colocou entre suas pernas apoiando-se também no balcão. Acariciou suas coxas e imediatamente Mione se sentiu incendiada com o toque dele e fechou os olhos, sentiu tanta falta daquelas mãos. Rony a puxou para um beijo e ela retribuiu com todo o desespero que tinha, o desejo de tê-lo era enorme, não conseguia se conter de nenhuma forma possível. Mas a consciência falou mais alto, não podiam mais fazer aquilo. Não mais, não enquanto ele fosse comprometido.
Desnorteada o afastou e ele tirou as mãos das suas coxas sem nenhuma vontade.
—Não podemos mais fazer isso. – Falou quase num sussurro.
—Por que não? – perguntou desesperado.
—Porque você vai se casar Rony.
—Mas eu não gosto dela!
—Mas ainda sim vai se casar.
Buscando forças onde não tinha, pulou de cima do balcão e saiu da cozinha o deixando lá. Seu corpo inteiro pedia para ela voltar, para deixa-lo toca-la, para se entregar a ele da forma mais carnal. Só que sua consciência gritava NÃO, É ERRADO.
—Boa noite pessoal. – Falou sem nem olhar para os outros.
Fechou a porta atrás de si e suspirou fundo. Seu corpo estava em brasa.
—Segura o elevador. – Gritou.
Entrou e se arrependeu, devia ter ido de escadas.
—Alguém morreu Granger? – Perguntou Malfoy.
Ela não o respondeu, apenas o olhou... Na verdade o devorou com os olhos. Com aquela camisa polo informal ele ficava ainda mais lindo, o secou dos pés a cabeça e o fogo que sentia dobrou de tamanho. O modo como ele a olhava também a deixava mais em êxtase. Ele a admirava, os olhos dele olhavam dos seus seios até seus lábios e ele desviou os olhos dela para finalmente apertar o botão.
Mione se encostou na parede do elevador, talvez fosse a hora de conversar com o porteiro do prédio de Harry. Há muito tempo ela não era mais tímida como antes, não tinha vergonha de sentir prazer, e olhar Draco Malfoy a olhando daquele jeito era apenas pior.
Algumas loucuras passaram por sua cabeça e quando olhou novamente para o abdome do rapaz na sua frente não resistiu, era tarde de mais. Apertou o botão “Parada de Emergência” e silenciou o alarme com a varinha.
—O que aconteceu? – Draco perguntou sem realmente entendê-la.
Mas não deu tempo, queria brincar com ele, o corpo dela não deixou a boca responder. Pelo contrário. Quando ambos viram, ela já tinha colado suas bocas.
Ela se afastou um pouco para olha-lo tentando clarear os pensamentos, mas ele a puxou de novo. O beijo era feroz, ele também queria aquilo e ela sentiu ainda mais prazer em perceber isso. Puxou os cabelos dele que arfou e encostou as costas dela na porta do elevador.
O cheiro dele parecia uma mistura de menta, cigarro e álcool, era bom. Gostava disso. Gostava de cafajestes e Draco Malfoy tinha o cheiro típico de um verdadeiro cafajeste.
Passou a mão no tórax dele e desceu fazendo-o gemer, olhou em seus olhos e se assustou com o tamanho do desejo neles. Os olhos cinzentos estavam numa variação entre alucinação e desejo incontrolável. As mãos de Draco desceram na sua barriga também e ele subiu sua blusa de renda apertando ainda mais sua cintura, ergueu as pernas dela e as prendeu em seu quadril. Estavam em êxtases, o membro dele completamente rígido sobre as roupas de ambos, a ereção dele competia com o nível de excitação dela.
Mione desceu a mão até a calça dele e apertou seu membro fazendo-o gemer e fechar os olhos, mas ao invés de abrir o zíper logo, bateu a mão no botão do elevador e o empurrou com um sorriso malvado.
—O que você está fazendo? — Ele perguntou sem fôlego.
—Descendo.
Ela abaixou a saia e piscou para ele deixando-o maluco, Draco deu dois passos para o lado dela, mas ela o parou colocando uma mão em seu peito.
—Vai me deixar nesse estado? – incredulidade transbordou na voz de Malfoy.
—Eu gosto de brincadeiras, Malfoy. Isso foi apenas uma brincadeira.
A porta do elevador se abriu e ela piscou mais uma vez para ele ao sair rebolando. Draco ficou na porta do elevador olhando-a sem entender, ela tinha brincado com ele? Sentiu seu corpo se acender mais ainda ao se lembrar do dela e cambaleou para fora do prédio.
—Eu também sei brincar Granger. – Gritou antes de vê-la aparatar.
Fale com o autor