Dramione - Fotografias
15 Dedo Duro
Notas iniciais
Pov. Hermione Granger
Custei dormir com o loiro do outro lado do lençol. Tentei me controlar e pensei que esses pequenos sacrifícios eram necessários caso eu quisesse que tudo desse certo.
No dia seguinte chegamos juntos no Ministério, foi a primeira e última vez, e o fato não passou despercebido pela secretária dos aurores que abriu um sorriso enorme e nos entregou os documentos.
Foi um longo e cansativo dia, na verdade uma semana cansativa.
Eu e Draco nem parecíamos casados, parecia que nada tinha mudado e mesmo na semana corrida, ele quase não ficava em casa e sempre chegava muito tarde, depois do terceiro dia eu já nem me incomodava mais.
As fofocas era o que mais me incomodava mesmo elas não saindo do Departamento de aurores, eu nunca imaginei que as pessoas ali se preocupavam tanto com a minha vida e eu tive que cortar o mal pela raiz, a secretária fofoqueira.
Tudo parecia acontecer de uma só vez até, mesmo a proposta da revista Teen chegou naqueles dias tumultuados e eu tive que dar um chá de cadeira neles, já que estava sem tempo nem para respirar.
As coisas não estavam nada boas no Ministério na Magia, principalmente na seção dos aurores.
Fabricio Melgaço tinha resolvido lucrar em seus negócios. Nunca na história daquele departamento foram aprendidos tantos produtos não comerciáveis além da droga trouxa entrar com tudo no mundo bruxo nos últimos meses, era uma versão diferente usada em poções que muitos jovens estavam começando a usar mesmo sendo proibido.
Tínhamos certeza que tinha que ser esse homem, não tinha outras explicações. Na sexta uma reunião de última hora foi convocada na maior sala do Ministério com quase todos os aurores por Harry.
Uma reforma iria ser feita em todo o departamento desde os investigadores até os guardas de Azkaban. Mais aurores iam ser contratados e mais duas duplas seriam promovidas para trabalharem como investigadores, os testes eram na próxima semana junto com a contabilização antecipada dos pontos.
Na terça, exatamente oito dias após meu casamento saiu a classificações dos pontos e para minha surpresa eu e Draco subimos da sala oito para a número um, nos tonando a melhor dupla de aurores. Não deixei de sorrir com a ironia de que se separados, na época que não conversávamos, conseguimos tantos pontos, juntos não teria para ninguém.
As duas novas duplas de aurores promovidas também foram escolhidos, Dino e Miguel que eram do grupo de apoio da dupla quatro, tinham se tornado investigadores da sala nove. Enquanto Natalia e Jeovane, ex guardas de Azkaban e casados, tinham nem passado pelo grupo de apoio e se tornaram investigadores da sala dez.
Fiquei contente com o resultado, era bom e satisfatório. E a partir de agora teríamos os casos mais importantes, no dia seguinte todos os investigadores foram ajudar na seleção dos novos aurores, foi ainda mais longo e se eu estava cansada, meu melhor amigo e Chefe dos Aurores estava um verdadeiro trapo humano.
No fim do maior dia da minha vida, cinquenta novos aurores da categoria 2 foram selecionados e eu e Draco acabamos escolhendo dois desses para serem do nosso grupo de apoio (Simas e Jean Carlos).
Em casa não falávamos de NÓS, era só como se fossemos colegas de quarto numa universidade trouxa, não um casal. Não falávamos sobre esse assunto especifico e evitávamos falar sobre a vida um do outro para dar mais privacidade. Ele quase não ficava em casa e chegava muito tarde e eu passava mais tempo fotografando pelas ruas da cidade quando não estava muito cansada. Naquele mesmo fim de semana saiu a primeira adaptação das crianças com a gente.
As visitas dos gêmeos começaram a se tornar cada vez mais frequentes conforme o conselho ia liberando e em um mês de casada eles já tinham ido nos visitar três finais de semana. Os dois gostavam de Draco, e eu sentia que ele também gostava deles. Durante as semanas ele não ficava em casa, mas quando os gêmeos estavam nos visitando ele nunca saia e passava o dia com eles.
Parecia algo automático que nem ele mesmo tinha percebido, mas eu sim. E estava realmente contente, parecia que as coisas finalmente estavam dando certo para mim, tirando minha abstinência sexual, tanto minha vida pessoal quanto a profissional, estavam bem.
A minha esperança estava cada vez maior e tudo indicava que logo eu teria Enzo e Sophia permanentemente comigo.
Pov. Draco Malfoy
As coisas iam bem para mim, eu tinha me acostumado com a nova vida e estava começando a gostar de toda agitação. Para mim, casado ou solteiro naquele mês que passou não fez nenhuma diferença, continuava a viver minha vida normalmente, mas não era tão fácil assim.
Eu estava em alerta vermelho e tentava ao máximo vê-la apenas como uma parceira ou talvez amiga. Era complicado ir tomar banho após uma noitada, ainda mais porque o banheiro era do lado dela, e vê-la dormindo com aquelas roupas provocantes na cama e era naqueles momentos que eu pensava em espalhar os lençóis ao redor dela todo.
Mais difícil ainda era me acostumar com a beleza dela, parecia que a cada dia, Hermione ficava mais bonita e não era só eu que via isso, os aurores disfarçavam quando reparavam que eu estava por perto, só quando andávamos pelos corredores das outras seções ( onde quase ninguém sabia do nosso casamento) ou nas rotas e trabalhos de campo eu observava que por onde passávamos olhares masculinos iam direto nela.
Minha atração era venenosa e poderosa, e eu me envolvia com outras apenas para aliviar os efeitos que ela me causava.
Levantei cedo na sexta feira, o inverno do segundo dia de dezembro estava resolvendo castigar. Hermione já não estava do outro lado do lençol, tinha levantado muito mais cedo. Minha cabeça estava um pouco dolorida já que no dia anterior tinha ido num bar trouxa com uma garota que eu tinha conhecido em uma festa alguns dias atrás.
Vesti uma calça preta e uma camisa branca, roupa padrão que sempre usava para trabalhar aliados a um sobretudo preto dessa vez.
As pessoas já não reparavam mais tanto assim em mim no nosso departamento por causa do meu súbito casamento com Hermione, pareciam finalmente aceitar que nós dois estávamos juntos. No começo estranhavam o modo como chegávamos e íamos embora, teve até algumas especulações. Eu sempre chegava mais tarde e ia embora mais cedo, já ela sempre ficava conversando com Harry ou com algum dos nossos aurores de apoio.
Quando a fofoqueira da Sra. Martins numa conversa com outro auror deixou soltar que ela desconfiava que nem ao menos morávamos na mesma casa, já que era raro sermos visto juntos fora do horário de trabalho isso causou uma confusão, mas Hermione fez questão de resolver e eu não sabia como, mas toda vez que a secretária nos via, quase se borrava.
A morena fazia questão de resolver essas coisas, eu sabia que era porque ela sentia que estava em dívida mesmo eu falando que não me importava com tudo que os outros diziam.
—Bom dia... – parei ao abrir a porta da nossa sala, a numeração havia sido trocada, continuávamos na última do corredor, mas agora invertida contava sendo a sala dos investigadores número 1 já que as outras duas sala foram acrescentadas no começo do corredor – O que você está fazendo aqui?
—... Mas se você posar para o Profeta... Draco!
Mal tinha aberto a porta e meu dia piorou. Hermione estava na mesa dela ignorando completamente a pessoa que estava sentada no sofá e tagarelava tentando chamar a sua atenção.
—Eu preciso falar com você. – Alice se voltou pra mim.
—Eu pedi para você não me procurar aqui, não pedi? – Perguntei deixando minha pasta em cima da mesa.
—Mas eu preciso falar com você. – Insistiu a garota.
—Desde que hora ela está aqui? – Perguntei me virando para Hermione.
—Desde a hora que cheguei, minha cabeça está explodindo. – Respondeu sem olhar para mim, massageando as têmporas.
Suspirei fundo e me virei para a garota na minha frente.
—Fala o que você quer.
—Eu preferia falar a sós com você.
Alice se aproximou e passou as mãos no meu pescoço beijando o local.
—Com licença. – Hermione falou se levantando.
—Não espera. Não precisa sair – falei afastando a mulher – Alice, depois a gente conversa. Pode se retirar?
—Não posso. Qual é Draco? Eu sei que está sentindo saudades das nossas aventuras sensuais...
—É sério, acho melhor eu sair. – Disse Hermione.
Tentei impedi-la, mas era tarde demais. Quando vi a morena já estava fechando a porta com uma cara de bem poucos amigos, Droga! Ela devia estar magoada, já que tínhamos combinado sem demonstrações públicas em lugares onde as pessoas possam ver ou desconfiar como era o caso do escritório, e era completamente impossível a secretária não saber que agora eu estava sozinho com Alice.
—Viu o que você fez?
—Não liga para ela, vocês nem estão casados de verdade. – ela falou tentando tirar meu casaco – Vamos nos divertir um pouco...
—Já chega! Eu não te quero mais, será que eu vou ter que desenhar isso para você entender garota? Não quero nada com você, nem hoje, nem amanhã, nem nunca. Já deu o que tinha que dar, transamos o que? Umas duas vezes? E nem foi tão bom assim – falei extremamente nervoso – Agora pega o resto da sua dignidade e sai da minha sala que eu vou atrás da Hermione e quando voltar quero você longe daqui.
—Isso não vai ficar assim...
Nem a deixei terminar de falar e sai da sala. Passei pela secretária cuspindo fogo, desci as escadarias até a sala de treinamento, provavelmente ela estaria lá tomando um café ou na sala de Harry.
—Ei Hermione – chamei assim que a vi na porta da sala de treinamento – É sério, me desculpa... Eu já resolvi tudo. Podemos voltar para a sala...
—Olha você não me deve desculpas, só que é sério eu odeio a voz irritante da Alice e já está sendo bem difícil disfarçar tudo aqui e ela indo na nossa sala não vai ajudar muito. Vão acabar desconfiando mais do que estão desconfiados.
—Eu sei, é por isso que eu peço desculpas. Acha que alguém vai desconfiar?
—Acho que não, só a Sra. Martins, mas eu a fiz prometer ficar de bico calado sobre minha vida pessoal. Vamos esquecer isso agora, eu preciso falar com você sobre algumas suspeitas minhas sobre o caso do Fabrício Melgaço – ela falou caminhando para nossa sala – Chegou uma informação muito importante e acho que podemos tentar aprofundar numa investigação diferente.
—Quando chegou? – abri a porta para ela.
—Ontem a noite por uma carta, me encontrei com Augustus hoje cedo no Beco antes de vir pra cá.
—Augustus o informante? – perguntei e ela afirmou com a cabeça – Droga Hermione, você deveria ter me avisado não devia ter ido sozinha falar com ele, é muito arriscado.
—Eu te liguei ontem á noite, mas você tinha deixado o celular carregando. Tentei te esperar mais estava muito cansada e fui dormir, quando eu acordei você estava morto de cansaço preferi não te acordar – ela falou dando de ombros – O importante é que eu já falei com ele.
—Mesmo assim devia ter dado um jeito de me avisar – falei estressado, e tentei baixar a bola, a culpa não era dela se eu não estava em casa ontem – O que ele falou?
—Apenas algumas pistas, Fabricio Melgaço não está aqui, mas vai chegar no meio de janeiro com uma escolta bruxa em um jato com alguns mafiosos trouxas importantes. Ele vai se hospedar num dos três hotéis mais sofisticados daqui, e ele pediu que seus capangas investiguem o orfanato bruxo da cidade de Londres. Já liguei para a Sra. Figg e conversei com o Harry e Kingsley, eles acham que vão conseguir marcar uma audiência para pegarmos a guarda provisória dos dois o mais rápido que a antes.
Olhei para ela, sério. Tinha sido uma verdadeira burrice sair na noite anterior. Era para eu estar bem mais informado.
—Você deveria ter me acordado.
—Eu sei, só que eu tinha que resolver da melhor forma e o mais rápido. Tirando Harry, apenas nós temos contato com Augustus e ele só confia em nós três. – ela esfregou o rosto, parecia muito mais cansado do que com dor de cabeça – Harry vai fazer uma reunião com os melhores aurores do Departamento desde os guardas de Azkaban até nós do primeiro escalão. Vamos montar uma equipe para investigarmos Fabrício Melgaço, exclusivamente.
—Mesmo assim, eu não quero que corra mais nenhum risco, sozinha. A culpa é minha, eu vou procurar ficar mais acessível.
—Eu sei me cuidar Draco, não se preocupe com a minha segurança eu dou conta do recado sozinha – Ela me cortou.
Ás quatro da tarde a reunião começou com os trinta aurores de confiança de Harry. Apenas quatro duplas de investigadores estavam presentes: eu e Hermione, a dupla número quatro (Nathanael e Walisson), Dino e Miguel Coner além de Natalia e Jeovane que mesmo eles sendo novatos como investigadores tinham experiência nas outras seções.
Escolhemos também os mais confiáveis das outras seções por ordem de confiança pessoal e profissional, dentre eles Simas e Jean Carlos.
Tudo que Hermione me falou foi dito por Harry aos outros aurores, começamos a desenvolver os planos e os preparativos para a chegada do homem confiando e desconfiando na informação de Augustus que mesmo não podendo mentir por causa do voto perpétuo, ainda sim poderia ter sido enganado e sempre temos que nos preparar de todas as formas para caso fosse uma armadilha.
A reunião foi feita de portas lacradas e apenas Kingsley participou dela. Na sala havia apenas dez mulheres e vinte homens que anotavam tudo, não que a seção dos aurores fosse preconceituosa, mas porque geralmente a maioria das mulheres não se interessava por essa área.
—Talvez pudéssemos interrogar alguns comensais – sugeriu Hermione – Olha, ele tinha dito que era Voldemort que planejava usar os gêmeos. Talvez algum deles possam nos dar as informações necessárias.
—É uma boa ideia – concordou Harry – Natalia, Jeovane, Natanhael e Walisson... Eu quero que vocês promovam o interrogatório dos comensais que estão em Azkaban.
—Começo amanhã mesmo. – Prontificou-se Natalia.
—Sem querer ofender Draco, mas eu acho que seu pai deve saber de alguma coisa – sugeriu Nathanael, auror investigador há mais de dez anos – Ele era do grupo de seleto de Voldemort.
—Acho que tem razão – concordei sem me importar – Mas acho difícil ele confessar algo sobre Voldemort.
—Mesmo assim temos que tentar. Natalia e Jeovane vão interrogar os outros, e vão te ajudar com seu pai, Draco. – Instruiu Harry – Dino e Miguel, organizem um grupo maior de aurores para cuidar da proteção do Orfanato, nada que chame muito a atenção, mas que também não deixe brechas. Estamos tentando resolver o máximo possível a situação dos gêmeos para afasta-los de lá.
—Vou comandar um grupo maior agora mesmo – Falou Dino usando nossos bipes.
—Bom, então é isso. Por hora é tudo que podemos fazer, temos que aguardar mais algumas informações – Harry parou para olhar no relógio – A reunião está encerrada.
Repeti o gesto do meu chefe e assustei com o horário, já era quase nove da noite. Aos poucos os aurores foram saindo da sala e eu fiquei para trás junto com Hermione e Harry que conversavam.
—... é claro que eu vou Harry. Posso leva-los e pegar o Ted.
—Vai onde? – Perguntei curioso.
—No circo levar Ted e Victoria junto com Enzo e Sophia no sábado a noite. Quer ir? – Ela perguntou animada, não eram somente as crianças que gostavam de circo pelo visto.
Droga! Droga! Droga! Eu já tinha um encontro marcado.
—Deveria ter me avisado antes, pensei que queria sair sozinha com as crianças e eu acabei marcando de sair com Rosalie.
Harry fechou a cara e isso não passou despercebido. Eu sabia que o “irmão” dela não gostava muito desse lado nosso.
—Que pena. Bom encontro. – Disse Hermione. – Não sei se te vejo ainda hoje então você pega o carro do Zabini amanhã?
—Pego sim.
—Então até mais. – Ela se despediu saindo com Harry ainda conversando animada sobre a noite seguinte.
Fui apenas num barzinho com Dino e Simas e dessa vez fui eu que cheguei cedo e ela tarde em casa, Hermione subiu direto para o sótão da casa onde ficava o quartinho escuro dela com uma câmara na mão me dizendo apenas um “Oi” alegre e ficando lá até tarde da madrugada.
As crianças não podiam aparatar e todo final de semana eu tinha que pegar o carro do Blás emprestado. Hermione estava com planos de comprar um no começo, mas nem tocou no assunto de novo.
Ela estava andando muito mais atolada que eu, tirando o Ministério eu não tinha mais nada para me preocupar. Já ela além do Ministério, tinha as crianças e mais um milhão de coisas diferentes como o casamento de Gina e tirar tempo para fotografar.
Da minha antiga residência fui direto para o Orfanato e duas ruas abaixo me encontrei com ela. Deixamos o carro no Beco e daí já estranhamos a situação, geralmente uma conselheira ou funcionária sempre ficava com as crianças ali para apenas pegarmos os dois e irmos embora.
—Sr. e Sra. Malfoy, pediram para vocês entrarem e irem até a sala da diretora. – nos avisou o porteiro do local.
Entramos desconfiados. Assim que chegamos na porta trocamos um olhar preocupado e abri a porta da sala da Sra. Figg , alguma coisa ali não cheirava bem.
—Bom dia – Cumprimentou Hermione ansiosa – Aconteceu alguma coisa com as crianças Sra. Figg?
—Com elas não. Sentem, por favor.
Nos sentamos de frente para a mulher que não estava com uma cara muito boa.
—Bom, chegou ontem na parte da tarde uma denúncia contra vocês dois diretamente para os conselheiros do Orfanato. Geralmente as denúncias ou informações chegam direto a mim, o que me leva a acreditar que a pessoa que os denunciou sabia que eu era próxima a vocês – Contou a mulher.
Era tudo que faltava mesmo! Hermione ficou completamente rígida na cadeira.
—Que tipo de denúncia? — Ela arqueou a sobrancelha, de forma profissional.
—Uma mulher veio até o Orfanato e conversou com a conselheira de adoção e contou a verdade sobre o casamento de vocês, disse que era apenas fachada. Que tem um caso com o Sr. Malfoy e que não é a única, já vou lhes avisando a coisa não está nada bem. Eu lamento muito, mas pediram para eu tomar as providências o mais rápido possível. Dei meu testemunho dizendo que os vi casando e que vocês realmente estão juntos, mas está sendo a palavra da mulher contra a minha, e nós três sabemos que ela está falando a verdade.
Minha mão se fechou em punho, eu bem que podia imaginar quem foi a tal mulher que deu com a língua nos dentes e naquele momento tudo que queria era arrancar a língua grande dela. Era claro que Hermione sabia quem era a mulher também, eu nem precisava falar e pelo modo como ela estava dava para ver que se Alice passasse a cem metros de distância dela não sairia ilesa.
—E o que o conselho resolveu? – Ela tomou as rédeas da situação.
—Eu os convenci de deixar vocês provarem a eles que realmente estão juntos, mas suspenderam as visitas dos gêmeos nessa semana. Não sei se vão aprovar, mas eu tinha que tomar providências, eu fundei esse local, mas tenho pendências com o Ministério e devo a ele satisfações sobre essas crianças – respondeu a Sra. Figg – Infelizmente eu tenho que agir como se vocês fossem outros pais normais e liberei uma conselheira para tomar conta do caso de vocês, ela já passou uma lista do que deverão fazer e a inspetora Gomes lhes fará uma visita a qualquer momento.
—Acha que vão interromper o processo de adoção? – Perguntou Hermione.
—Eu os convenci a darem a vocês o benefício da dúvida, vão averiguar as denúncias primeiro e se vocês conseguirem organizar tudo e provarem que são um casal, que vivem uma vida de casados e que estão realmente a fim de adotarem as crianças não vão interromper. Se não fosse isso todo o processo de adoção teria sido muito mais rápido, o Ministro da Magia conseguiu uma cláusula para vocês ficarem com a guarda provisória das crianças muito mais rápido, talvez se isso não tivesse acontecido até o meio dessa semana as crianças seriam transferidas para a casa de vocês e começariam o processo de adaptação. Caso tudo dê certo, o que eu creio que vai dar, encerramos o processo e confirmamos tudo.
—Acha que isso vai ter consequências?
—Infelizmente acho que sim Hermione, olha mesmo que provem que estão juntos o fato de Draco ter “casos” ainda vai causar dúvidas, um casal recente com sérios problemas de matrimônio. Eles não vão desgrudar de vocês, vão ter que agir com cautela e a partir do momento que as crianças estiverem com vocês vai ser o Ministério que tomara conta do caso.
—Como assim cautela? – Perguntei com os dentes trincados, Alice que me aguardasse.
—Usando exemplos que já aconteceram... Vão fazer varias inspeções, aparecerão de uma hora para a outra na casa do casal para ver se está tudo em ordem. Investigaram a família e amigos para saberem sobre vocês, e como há um caso de traição... Provavelmente irão passar por uma terapeuta de casal ou pelo menos por encontros de casais, muda de caso para caso e isso apenas o Conselheiro Chefe do Ministério da Magia vai poder decidir junto com a inspetora.
Olhei para a Hermione e vi que ela encarava as unhas mordendo o canto do lábio inferior, já dava para ver que ela estava nervosa.
—Olha, vocês acham que podem conseguir sustentar essa mentira do jeito que estão? – perguntou a mulher chamando nossa atenção – Eu sei o quanto você ama Sophia e Enzo, e sei o quanto eles te amam, Hermione. Também sei que essa ideia de casamento partiu de mim, mas agora as coisas estão um pouco delicadas... Talvez agora as coisas deem errado, sem querer faltar com o respeito Sr. Malfoy, mas quando eu sugeri isso a você Hermione eu pensei em outra pessoa. Alguém que conseguisse lidar com tudo isso...
—A culpa não é dele Sra. Figg – interrompeu Mione séria, como se repreendesse a mulher – Foi apenas um jogo de azar.
Mesmo me defendendo ela não me olhou, e por mais que ela dissesse que não, eu me sentia extremamente culpado pelo que aconteceu.
—Eu sei Hermione, só que fica um pouco complicado ajuda-los quando seu marido fica tendo casos por aí. Eu não o julgo Sr. Malfoy, mas talvez tivesse sido melhor se ela tivesse escolhido o curandeiro e medibruxo Monteiro... Agora o que foi feito já foi feito e não dar para voltar a atrás.
Quem é medibruxo Monteiro? Quem aquela mulher pensava que era? Meu sangue ferveu.
—Rafael estava longe, e Draco foi realmente um bom amigo aceitando passar por isso. Agradeço tudo que a senhora fez por mim, e pode deixar que vamos tentar resolver isso da melhor forma possível. Nem que tenhamos que falar a verdade. – Retrucou Mione educadamente – Se não se importa já estamos de saída, minha cabeça está estourando e eu preciso pelo menos explicar a Enzo e Sophia que não vão comigo hoje. Muito obrigado Sra. Figg, a senhora já fez muito por mim e só tenho que agradecê-la.
Ela se levantou e saiu da sala muito rapidamente.
—Olha Sr. Malfoy eu sinto muito...
—Você falou apenas o que achou certo ser dito – falei tentando conter a raiva que sentia – Se me der licença.
Sai da sala e fui direto para o carro apenas para esperar Hermione, que não demorou muito para entrar no carro.
—Desculpa a demora. – Ela falou colocando o cinto de segurança.
Dirigi e como ela não pediu para parar na segunda esquina não parei. Ela ficou o tempo todo com a cabeça encostada no banco com os olhos fechados.
—Olha eu realmente não achei que isso ia acontece...
—Não se preocupe com isso, eu vou pensar em alguma solução. – interrompeu-me.
—Não precisa pensar nisso sozinha.
—Você já fez muito. Pode deixar que eu vou dar um jeito de resolver isso o mais rápido possível.
—Eu preciso te ajudar sim, a culpa dessa confusão toda é minha. Eu não devia ter falado do jeito que falei com Alice, ela deve ter ficado bem puta da vida comigo pelo que eu disse.
Ficamos em silêncio por alguns minutos.
—Pra casa?
—Pra casa do Harry, pro favor. – respondeu-me.
Novamente o clima ficou pesado dentro do carro o que não era comum, já que ambos lidávamos bem com o silêncio. Enquanto dirigia pelas ruas movimentadas da cidade me deixei pensar, minha cabeça já estava doendo e as palavras da Sra. Figg apenas martelavam.
Será que era assim que todo mundo via nosso casamento?
O modo como Hermione me defendeu apenas confirmou isso, ela não me culpava porque de certa forma apenas esperava por isso, todos esperavam que o deslize público viesse de mim e não dela, que mesmo ambos entrando em acordo ela se mantinha discreta. Nesse mês de casados eu não fazia ideia se ela saia ou não com outra pessoa, já ela, sabia na maioria das vezes o que eu estava com outra.
Parei na frente do prédio de Harry e ainda sem olhar para mim, ela desceu.
—Obrigada.
—Espera Hermione – sai do carro também.
A garota se virou e lá estava o que ela estava escondendo esse tempo todo, a mágoa estampada em seus olhos. Respirei fundo e me aproximei dela dando-lhe um abraço.
—Não vamos desistir agora – sussurrei para ela – vamos conseguir superar isso. Pode deixar.
—Como? É muita coisa Draco, não posso exigir mais de você.
O ar quente da sua respiração no meu peito me deixou mais confortável. Acariciei seus cabelos e olhei no fundo dos seus olhos magoados.
—Eu prometo que vou me esforçar mais, prometo que não vou deixar e nem fazer nada que te prejudique com as crianças.
Ela colocou uma mão no meu peito nos afastando dando dois passos pra trás para ficar mais distante de mim.
—Não precisa se preocupar, eu vou resolver. O que você tinha que fazer por mim já fez Draco. Você já me deu a oportunidade única de adotar Enzo e Sophia, foi apenas um mal entendido, a culpa não foi sua. Você não quebrou seu acordo, não se preocupe. Eu só tenho que te agradecer, já está fazendo mais do que eu realmente mereço.
Ela sorriu de canto e se virou andando rápido para entrar no elevador, fiquei parado por alguns segundos e entrei no carro do meu melhor amigo batendo forte a porta do carro.
Hermione não acreditava em mim, tudo pra ela era que eu já estava fazendo demais quando na verdade eu não estava fazendo nada. Pelo menos nada certo. Eu nem parava mais nos sinais e estava consciente das multas que teria que pagar depois, minha cabeça estava latejando e ela querendo ou não, eu me sentia completamente culpado pelo que tinha acontecido. Parei na porta da casa de Zabini e respirei fundo, peguei meu celular e selecionei todos os números de mulheres que havia ali, respirei fundo e apertei DELETE.
Eu ia me esforçar, prometi a mim mesmo, nem que isso significasse sem sexo durante todo esse período de casamento. Eu iria me esforçar porque eu nunca mais queria ver aqueles olhos castanhos com lágrimas por ficar sem Enzo e Sophia como vi na Toca aquela vez e não era minhas irresponsabilidades nem uma dedo duro qualquer que ia me fazer descumprir isso. Aquela era uma promessa pessoal.
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