Dramione - Fotografias
1 Auror
Notas iniciais

Sete anos após a Guerra...
O sol invadia todo o lugar, o quarto estava com as cortinas abertas e Hermione ainda não tinha dormido. Fazia mais de quarenta e oito horas que ela já tinha voltado para casa, não sabia que estava vindo até aparatar do lado de fora do condomínio que havia comprado a mais de quatro anos atrás.
Desde a Guerra alguma coisa mudou nela, não conseguia ser a mesma garota doce de antes, tinha mudado assim como seus amigos. Harry tinha conseguido um emprego como auror assim que a Guerra terminou e há dois anos tinha se tornado o mais novo Chefe do Departamento de Aurores, o amigo ia bem, para os outros. Hermione sabia que por trás daquela máscara de homem trabalhador tinha ainda o garoto que tinha passado meses a fio tentando achar Horcruxes e passado por coisas terríveis.
Os dois tinha se afastado, na verdade ela se afastou.
Rony tinha se tornado o goleiro do seu time de quadribol preferido, os Cannons. Os dois engataram um namoro durante a Guerra, mas alguma coisa deu errado. A distância os separou, e não foi dolorido, foi o certo a se fazer. Ainda se gostavam, do jeito deles, mas não o suficiente para continuarem juntos como antes. Rony tinha mudado, sem Hermione, volta e meia ele aparecia com uma namorada nova o que no começo a deixava enciumada, mas ela se acostumou. Sempre que ela voltava para Londres eles se viam, e dormiam juntos, nada além de sexo, tinham se acostumado com essa nova rotina na amizade deles. Mas o garoto também tinha sequelas do que aconteceu, depois da morte do irmão, Fred, ele se recusou a trabalhar no Ministério. Rony não era mais o menino atrapalhado de antes, era um dos homens mais cobiçados do mundo bruxo, mas que ainda tinha problemas para esquecer o passado.
O passado... Parecia que nunca ia deixa-los em paz.
Mione não sabia dizer se era apenas covardia da sua parte, mas optou por ficar mais longe possível de Hogwarts. Com seis meses de namoro viajou pela primeira fez para fotografar as belezas do mundo, apaixonou-se ou viu naquilo uma forma de não conviver mais com o passado ardiloso. Seu namoro com Rony durou quase dois anos, até ambos decidirem que já não daria mais tão certo.
Ela não queria desistir de suas viagens, era sua válvula de escape. O mundo trouxa era o lugar que ela mais ficava, viajou por todos os lugares possíveis e impossíveis para um ser humano comum. Conheceu pessoas e com o tempo começou a ganhar dinheiro com suas fotografias que foram o suficiente para comprar a cobertura num bairro tranquilo de Londres e lhe dar uma vida confortável. Mas conforto não era o que ela queria naquele momento.
Sete anos tinha se passado e ela ainda não tinha se recuperado cem por cento de tudo, volta e meia os pesadelos a incomodava. Estava no sul da África quando decidiu que estava na hora de parar, a vida ali era triste e se sentiu culpada por reclamar da dela. Aparatou na França, onde seus pais moravam atualmente, ficou alguns dias com eles e depois foi para uma das Ilhas Fiji para fotografar um grupo de pessoas que morava no local, eram famílias simples e trabalhadoras que cuidavam de suas crianças.
A solidão bateu mais forte naquele momento. Sentiu falta dos carinhos de Rony, dos mimos e das conversas com Harry, das bobagens de Luna, da amizade de Gina e até mesmo do jeito diferente de Neville. Mas não era só isso que ela queria, ela queria uma companhia para todas as horas. Não um namorado ou marido, ela queria um filho ou filha, não importa. Queria cuidar de alguém, queria dar carinho e preencher todo vazio que estava no seu coração. Já fazia tempo que ela queria aquilo, mas nunca tanto como agora. Já estava com vinte e cinco anos, quase vinte e seis.
Procurou por vários lugares do mundo evitando apenas a cidade de Londres, achou crianças maravilhosas, se pudesse adotaria todas, só que nenhuma foi realmente aquela que ela esperava. Ansiava por uma que arrebatasse seu coração e lhe ensinasse o verdadeiro significado da palavra mãe.
Mas depois de tantas tentativas ela estava ali, num Rua de Londres perto de um orfanato bruxo criado a pouco mais de oito anos onde crianças bruxas abandonados ou que os pais morreram durante a guerra estavam querendo ser adotadas. Apaixonou-se de cara. Não por uma, mas por duas.
Eram gêmeos, uma garota e um garoto. Os pais eram desconhecidos, tinham sido abandonados na porta do orfanato há quase sete anos atrás quando eram apenas recém-nascidos, a mãe foi embora deixando apenas uma carta pedindo que protegessem seus filhos e foi isso que a velha senhora Figg, ex-vizinha de Harry, fez durante todos esses anos. Foram umas das primeiras crianças que a Sr. Figg teve no local. Os dois, agora com quase sete anos de idade, eram confirmadas como bruxos, mas não tinha apenas bruxos ali, tinha abortos de todos os lugares do mundo que variavam dos sete aos quinze anos de idade.
Depois de conhecer Sophia e Enzo, Mione decidiu que era hora de voltar para casa. De tentar adota-los, sabia que era complicado. Não tinha um emprego fixo, o conselho de adoção não havia gostado de uma aventureira e solteira adotasse duas crianças de uma só vez. Queriam separa-las, só que ela não queria fazer isso. Pediu um tempo, e eles lhe deram, para que conseguisse um emprego fixo. O processo de adoção era chato e muito demorado, e ela tinha pressa. Queria ter Sophia em seus braços com seus cachos castanhos e olhos escuros e Enzo com seus cabelos encaracolados e olhos claros, tirando os olhos eles eram tão parecidos.
Quando viu já estava em casa. Não dormiu nem um minuto pensando no que fazer, tinha que ter aqueles dois com ela, eles eram a sua maior fonte de alegria e sua nova válvula de escape.
Fechou as janelas do quarto e se arrumou, tinha que fazer alguma coisa e teria que ser agora. Nem ligou para Rony avisando que tinha chegado, há poucos dias a noticia que ele tinha engravidado uma fã a fez dar várias gargalhadas e ao mesmo tempo deixa-la depressiva, sabia que seu amigo deveria estar quase enlouquecendo e a Sra. Weasley também deveria estar querendo mata-lo.
Calçou um salto alto preto, não gostava de calçar aquilo, tinha se acostumado com apenas tênis e jeans por muito tempo, mas queria um emprego que não tivesse nada haver com escalar montanhas para tirar uma boa foto. Vestiu um vestido azul marinho pouco acima dos joelhos e fez uma maquiagem clara. Não sabia se era melhor usar uma passagem secreta ou a lareira, mandou uma mensagem de texto para Harry e o avisou que estava indo ao Ministério para uma reunião marcada com Kingsley. Ele respondeu em poucos segundos a mandando usar a lareira, que desde que ela comprou o apartamento estava ligado ao Ministério.
Kingsley gostava muito dela, já havia oferecido os mais variados empregos e ela recusou todos para se aventurar apenas. Tinha esperança que alguma proposta ainda estivesse de pé.
Entrou na lareira e se viu no corredor do átrio, subiu diretamente para o Departamento de Aurores que era uma das maiores seções dali. Os olhares estavam todos nela, e não se incomodou. Já fazia algum tempo que os homens passaram a nota-la mais, tinha ficado mais definida afinal de contas rapel e escalada exigia uma boa forma.
—Mione, porque não me avisou antes que estava vindo, eu teria avisado Gina. – Falou Harry abraçando-a.
—Eu precisava pensar um pouco Harry... Preciso falar com você.
Ele a olhou preocupado e a levou até a sua sala. Mione contou tudo a ele, todos os seus planos nos últimos seis meses de adotar e o dos últimos dias quando conheceu Sophia e Enzo. Ele não a julgou como imaginou. Harry nunca faria isso, era o seu irmão e prometeu ajuda-la com o que fosse possível.
—Posso conhecê-los qualquer dia? – Perguntou animado.
—Claro, assim que eu consegui um emprego vou levar minha documentação, parece que mesmo com dinheiro não se pode adotar uma criança tem que trabalhar num emprego fixo ou ser casada pelo menos no mundo bruxo. – Ela riu.
—Você vai conseguir, sabe que todos nós vamos te ajudar no que for possível.
—Sei que sempre posso contar com você.
—Vê se não me abandona mais não Mione, eu senti sua falta.
O modo como ele falou a deixou mais culpada, os últimos anos apenas afastaram os dois, mas o sentimento de irmandade que sentiam continuava o mesmo.
—Vai se enjoar de mim Potter – brincou Mione indo ao toalete dele se arrumar – Não vou embora mais, não tão cedo.
Ela entrou e abriu sua pequena bolsa com toda a sua maquiagem, daqui a poucos minutos ela se reuniria com Kingsley e estava nervosa. Escutou a porta de Harry se abrir e uma voz rouca e conhecida conversar com ele, não conseguiu se lembrar de quem era, então sem querer ser enxerida parou de escutar.
Arrumou-se e saiu do toalete meio desajeitada arrumando o vestido.
—Ooou... Eu não sabia que estava acompanhado garanhão – falou a voz rouca – Vai me dizer que está traindo a ruivinha?
—Cala a boca Draco, é a Mione.
Draco? Draco Malfoy? Desde quando Harry chamava Malfoy pelo primeiro nome? Ela olhou curiosa e se assustou com os dois. Estavam sentados no sofá, Malfoy no lugar onde ela estava com os braços abertos e de um jeito relaxado como se fosse um amigo de longa data de Harry.
—Granger. – Falou Malfoy com um sorriso de lado.
—Malfoy?
Ele abriu um sorriso cafajeste que a deixou desnorteada. Desde quando ele ficou tão bonito?
—Então é ela? – Ele perguntou para Harry que afirmou com a cabeça.
—Eu o que? — questionou Mione.
Sentando-se na cadeira e cruzando as pernas sem se incomodar quando Draco olhou para elas e Harry deu um tapa na cabeça dele que riu.
—Eu o que? – Repetiu Mione impaciente.
—Kingsley não te falou? – Perguntou Harry.
—Eu fiquei de me reunir com ele daqui a poucos minutos.
Os dois riram a deixando mais nervosa.
—Desde quando você é amigo DELE? – Perguntou incrédula.
—Desde quando ele trabalha aqui, há uns três anos mais ou menos. – Respondeu Harry normalmente.
—Eu vou sair e qualquer coisa me avise, sei quando não sou bem vindo.
Draco se levantou, piscou para ela e retirou-se da sala.
—Não estou entendendo nada – Falou Mione.
—Ele se formou em auror a pouco mais de três anos e veio trabalhar aqui, eu mesmo arrumei o emprego para ele – respondeu paciente – O pai dele está preso, mas a mãe dele não, eu testemunhei a favor dela. Ela me ajudou não se lembra? E nos o ajudamos a sair vivo da Sala Precisa, com o tempo fomos nos conhecendo e nos tornamos amigos, até Rony gosta dele. Como solteiros os dois vivem saindo juntos.
Ainda desconfiada Mione assentiu tentando absorver aquilo.
—Porque ele perguntou “ então é ela”? – Perguntou curiosa.
Mas não deu tempo dele responder, batidas fortes foram ouvidas na sala e Kingsley com toda sua presença corpulenta entrou com um enorme sorriso.
—Eu sabia que um dia ia te ter aqui. – Ele falou animado.
Mione suspirou aliviada. Era um sinal que ele ia arrumar um emprego para ela, não era?
—Então estou contratada sem nem saber para o que? – Respondeu animada.
—Te esperei muito senhorita Granger, finalmente você vai trabalhar conosco. Não vamos nos reunir, quando minha secretaria me deu o recado que você ia fazer uma entrevista comigo quase a demiti. Hermione Granger não precisa de entrevista.
Os três riram.
—Bom vamos ser práticos e quero te ver em ação imediatamente. – Falou Kingsley.
—É só falar, que eu começo agora mesmo.
Kingsley riu alto.
—Bom, vamos nos sentar. – Convidou Harry.
Os três se sentaram e a secretária de Harry levou chá para eles tomarem.
—Você se encaixaria em qualquer Departamento que eu quisesse, seu currículo escolar é perfeito, mesmo não tendo feito o último ano. Pouco antes de você chegar eu e Harry tivemos uma conversa e decidimos que o cargo que mais dá certo com você é o de auror.
Mione sorriu contente. Gostava dessa profissão, tinha pensado em trabalhar na área das Criaturas Mágicas, mas pensando pelo seu passado e suas últimas aventuras, se daria bem nessa profissão.
—É um bom emprego. – Falou por fim.
—Que bom que gostou. – Falou Kingsley aliviado.
—Bom Hermione – Harry tentou manter o formalismo sem muito sucesso – Trabalhamos com três áreas de aurores. A primeira são os guardas de Azkaban, que trabalham em três turnos se revezando por horas. O segundo é o do grupo de apoio, responsável pelas prisões em grupo, e as patrulhas dos lugares mágicos e alguns até trouxas. Mas o primeiro é o que você vai ficar, a dos investigadores, essa área trabalha em duplas para facilitar as estratégias e cuida das investigações e comando dos casos. Tudo que acontece passa por mim e quando necessário repasso a Kingsley. Você vai trabalhar num escritório com seu parceiro nessa área do departamento, hoje contamos com um total de oito escritórios e oito duplas responsáveis pelos casos. Sua sala é a número oito, uma papelada já foi enviada para lá e daqui duas semanas você vai passar por uma avaliação final para podermos fazer o contrato já que não passará pelos testes. Por enquanto é isso, você irá pegar o ritmo das coisas e das suas missões, trabalhamos com a totalização de pontos. Quanto mais ponto você tiver mais gratificações você tem no final. Entendeu tudo?
—Claro chefe – respondeu com um sorriso travesso – Eu posso começar agora?
—Essa é minha garota. – Brincou Kingsley cumprimentando Mione com um toque de mão como se fossem jovens.
—Consegue encontrar sua sala? – Perguntou Harry.
—A oito né?
—Isso. Vai jantar lá em casa hoje, Gina vai fazer o jantar. Uma hora dessas, ela já deve ter chegado lá.
Ela sorriu, era incrível como Harry e Gina não tinham se casado ainda. Estavam noivos há quase cinco anos.
—Pode deixar. Eu só vou passar em casa depois do serviço.
—Boa sorte com seu novo parceiro.
Mione olhou desconfiada para Harry e saiu da sala com Kingsley que apontou a sala dela no fim do corredor perto da lareira do Departamento onde todos os aurores usavam. Caminhou passando apenas na secretária de todos os aurores que entregou para ela o crachá para poder usar a rede de Flu e abrir a porta.
Parou de frente para a sala que tinha um grande oito e abriu a porta passando seu crachá. A porta era pequena, mas a sala era enorme. Havia duas mesas vazias no lugar formando um L, cada mesa tinha uma cadeira na frente e no canto um grande sofá. A direita da mesa dos fundos havia um toalete com uma plaqueta dizendo “ocupado”.
Ficou curiosa para saber quem seria seu parceiro, encostou-se na sua mesa pegando alguns papeis quando escutou a maçaneta girar, preparou um sorriso para causar uma boa primeira impressão, mas assim que a porta se abriu o sorriso se desfez.
—E ai parceira? – Perguntou a voz rouca que ela mais odiava.
—Draco Malfoy. – Bufou Mione.
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