Dramione

6 Capítulo V -Uma Breve Ilusão


POV Draco

Antes mesmo de abrir os olhos, me senti ridiculamente fraco. Me senti exposto, vulnerável. Abri os olhos. Minha visão estava turva, e só o que pude identificar foi um teto de lona amarela.,Tornei a fechar os olhos. Minha garganta estava muito seca, e minha respiração estava ofegante e entrecortada. Duvidava que conseguisse gritar ou falar. Apurei a audição, mas o único ruído que ouvi foi o vento batendo contra a lateral da barraca onde me encontrava. Isso significava que estava em campo aberto. Mas como chegara lá? E com quem?

O lençol com cheiro de mofo que cobria o colchão duro onde me deitaram estava encharcado de suor. Sentia frio. Meus dedos estavam rígidos e dormentes. Supostamente estava em um lugar frio. Tentei recordar os acontecimentos das últimas horas. Lembrei-me de estar na mansão Black... E de minha tia também. Novamente. Fui acometido pelas mesmas lembranças que assombravam meus pesadelos infantis. Vi Belatriz, vi à mim. Ouvi novamente sua risada sádica e meus gritos abafados. Gritava não por socorro ou ajuda, sabia que era inútil. Gritava por piedade. Nunca a encontrei quando estava com Belatriz Lestrange naquele quarto úmido da mansão.

Estremeci. Tentei ignorar os intensos flashbacks que insistiam em me atormentar e esforcei-me para lembrar o que era importante. Houvera uma batalha. O retardado do Potter fugira com a namorada. Hermione Granger me salvara. Granger. Ela devia estar ali. Chamei por seu nome. Baixo demais. Tentei me sentar para ver melhor, mas uma vertigem horrível me obrigou a deitar novamente. Chamei por ela outra vez. Mais uma vez. Adormeci sussurrando seu nome.

* * *

—Hermione...

Despertei. Sentia-me mais forte. Sentei-me na cama. Bati a cabeça em algo. Esfreguei a testa com a mão gelada. Era uma beliche. Ótimo.

Consegui andar alguns passos até uma mesa, onde uma menina de cabelos castanhos dormia com a cabeça apoiada nas mãos. Vê-la me confortou. Não estava sozinho. Sacudi seu ombro, e ela deu um pulo na cadeira onde se sentava. Puxou a varinha e apontou-a para mim.

— Calma! — murmurei, com a voz rouca ainda fraca — Sou eu. Onde estamos?

Granger parecia estar assustada. Estava muito mal. Não tinha pensado muito nela. Devia ser ruim perder os pais, os amigos, o namorado, a esperança. Eu sabia que era. Já perdera aquilo tudo. Acho que nunca os conquistara realmente.

Ela se aprumou no assento e perguntou como eu estava. Respondi com cordialidade e voltei a indagar sobre os acontecimentos passados. Ela levou-me até a cama onde estava deitado e disse com uma voz baixa, quase um sussurro. Nela transparecia exaustão .

— Draco, acho que você realmente não quer saber.

Notas finais
Esse POV pequenininho do Draco foi uma recompensa pela espera...