Dramione
7 Capítulo VI -A Menina dos Pesadelos e o Sonserino Covarde
Notas iniciais
Malfoy me acordara tão subitamente que quase o matei com um feitiço. Estivera tendo pesadelos. As imagens eram confusas e enevoadas, mas eram o suficiente para me deixar em pânico. Via meus pais com aquela horrível expressão de surpresa e decepção no rosto quando apaguei suas memórias minhas, via o rosto de Ron apavorado, gritando meu nome. Via o rosto de Lestrange. Era aquele o que mais me assustava. Acordava sempre suando e com um grito sufocado na garganta. O medo me estrangulava. Não conseguia respirar, e quando abria os olhos podia ver os de Belatriz me observando.
Draco Malfoy estava completamente destruído, mas nem isso lhe tirava a dignidade. A postura continuava altiva, os olhos ainda sustentavam aquele gélido olhar. Nunca havia percebido antes, mas eles não eram azuis como pensei. Eram cinzentos. Frios como gelo.
Não lhe contei sobre meus pesadelos. Ele riria. Ainda mais se soubesse que tinha papel fundamental neles. Sempre o via rindo de mim, me humilhando, antes de ser conduzida à sua tia. Era a única cena que nunca mudava. Todas as outras eram modificadas, menos essa. Não gostava de saber que prezava a aprovação de Malfoy, mas nunca fora muito boa em interpretar sonhos. Devia estar imaginando coisas. Ele não significava nada pra mim.
Quando contei-lhe resumidamente os fatos, ele se irritou.Pude ver isso refletido em seus olhos. Recompôs-se rapidamente, e perguntou se eu precisava de ajuda com o enigma. Disse que não, por enquanto, e disse para ele voltar a dormir.
— Não vai se livrar de mim tão fácil, Granger. Não sou tão inútil quanto pensa — disse ele em tom áspero.
Mostrei-lhe o pequeno papel com as letras escritas no alfabeto latino. Surpreendentemente ele falava esse idioma. Questionei-o onde o aprendera. Ele respondeu que a família dele tinha raízes no antigo Império Romano, e que seu próprio nome continha uma palavra em latim: Draco. Dragão,pensei.
— Está escrito cerca trova, e isso significa... — murmurou, mas foi por mim interrompido. Completei:
— Busca e encontrarás. Também falo um pouco de latim.
Ele murmurou em resposta, a voz fraca:
— É claro que a sabe-tudo tem que falar latim arcaico. Qual é a utilidade de se falar uma língua morta?
Prossegui:
— É quase uma obrigação saber latim! Draco, você sabe que Roma foi um dos berços da magia. Nossos feitiços são pronunciados em latim. Não conhecer Roma e sua língua é o mesmo que não conhecer o mundo em que vivemos — olhei para ele para ver se estava prestando atenção — Isso pode significar duas coisas. — continuei — A primeira, é que devemos ir para a Mansão Malfoy, já que, como você mesmo disse, sua família tem origem em Roma. A segunda opção é que seja um recado para mim.
Ele parecia confuso, assustado. Quando ouviu que podia ser para mim ficou aliviado.
— Como assim, para você? — perguntou, a leveza transparecendo em sua voz.
— Essa mesma frase foi escrita em um quadro de um famoso pintor e filósofo chamado Vasari. Era uma mensagem secreta. Até hoje nunca foi descoberto seu propósito. Mas, obviamente, só uma sabe-tudo como eu saberia disso. E a maioria dos bruxos não liga muito para os quadro pintados por um filósofo morto há alguns séculos, e uma nascida-trouxa teria mais chance de saber. Suponho que eu seja o próximo alvo. Temos de ir ao Ministério.
O alívio sumiu de seu rosto.
— Sabe que é uma armadilha. — não era uma pergunta. — Vamos cuidar de Potter primeiro, depois pensamos nisso.
Quanto mais tempo perdido, maior é a chance de matarem Ron, tive vontade de dizer, mas calei-me .Ele parecia conflitante. Estava preocupado... mas com o que? Comigo não era. Devia temer encontrar Belatriz. Ele perguntou onde era o banheiro e o indiquei com a mão. Antes de entrar ele parou na porta e se virou para mim lentamente. Hesitava. Queria dizer algo. Esperei.
—Eu... espero... — não havia nada além de culpa em seus olhos. Pareceu desistir do que ia falar, e em lugar disto continuou — Espero que tenha água quente.
Irritei-me. Sabia o que ele ia dizer. Aparentemente, o sonserino covarde ia dizer que sentia muito. Que esperava que eu não fosse destroçada por sua maldita tia Comensal da Morte. Senti raiva dele. Não precisava de seu falso consolo. Precisava do verdadeiro.
Fale com o autor